MAGNOLI, Demétrio. História das Guerras. São Paulo: Contexto. 2009, 478 p. Resenha de: NUNES, Renata dos Santos. A História das Guerras e Seu Reflexo nos Dias Atuais. Marinha do Brasil/Proleitura, 2016/2017.

Esta obra coordenada por Demétrio Magnoli apresenta a história de várias guerras em ordem cronológica, sob a perspectiva de diversos autores convidados. De acordo com o autor, países e fronteiras não estiveram sempre onde estão e nem sempre existiram. São portanto, reflexos da história humana, reflexos de seus atos e decisões.

O livro apresenta uma linguagem acessível ao abordar quinze dos mais importantes conflitos da história, cada um abordado por um diferente autor, apresentando mapas com as estratégias dos combates, como as guerras napoleônicas, a guerra civil americana, as invasões bárbaras, dentre outras.

Pode-se depreender que ao comparar as guerras da antiguidade com as mais atuais, as estratégias não apresentaram grandes mudanças. É bem verdade que os recursos tecnológicos são outros, porém, a tecnologia não alterou significativamente as estratégias de campo.

A obra porém, não trata apenas dos conflitos. Para trazer um melhor entendimento para o contexto do conflito, há também a análise do contexto histórico, cultural e social da época em questão. Ela traz também com riqueza o perfil dos personagens envolvidos. Ao ler o livro é possível perceber que, ao passar dos anos, o estudo e conclusões sobre um conflito é usado para justificar novas estratégias de guerras, evitando-se cometer os mesmos erros de outrora, embora isso não fosse garantia de vitória.

Após conhecer os quinze capítulos narrados pelos autores, é possível afirmar que a guerra está ligada a história da humanidade, segundo o próprio autor: “Eis o reconhecimento da guerra como componente intrínseco da política, ou seja, como fenômeno normalna vida das sociedades e dos Estados e, portanto, suscetível à análise racional ”.

O livro mostra que os conflitos não implicaram apenas em mortes e sacrifícios. É bem verdade que eles foram responsáveis pelo avanço tecnológico, científico e da própria humanidade. Sendo importante lembrar, ainda, a mistura cultural a que algumas nações viramse obrigadas a vivenciar, como exemplo entre Grécia e Roma, quando os romanos entram em contato com os povos de origem grega, os quais marcaram profundamente sua cultura.

Magnoli sintetiza que a essência do homem não mudou, ao concluir que “é apenas realista reconhecer que não somos muito diferentes dos gregos de 25 séculos atrás ”. A despeito de cada guerra ser um fenômeno singular, elas dialogam umas com as outras e segundo Magnoli “é sempre uma expressão de cultura, uma expressão condensada das formas de pensar, produzir e consumir das sociedades”. Heródoto já disse: “A guerra é o pai de todas as coisas”. Essa afirmativa que antecede a Guerra do Peloponeso é coerente com a atual situação mundial que nos faz desacreditar em paz mundial.

Renata dos Santos Nunes – 1º. Tenente da Marinha do Brasil

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