Educação, pesquisa e ensino são temáticas que continuam fundamentais no debate contemporâneo, neste momento de incertezas e de necessidade de repensar as possibilidades de uma sociedade menos excludente e mais participativa. Embora a educação continue sendo apresentada (abstratamente) como remédio para os males brasileiros, ela é, ao mesmo tempo, questionada nos seus resultados negativos, buscados nos índices de eficiência da escola fundamental e média e nos de produtividade do ensino superior.

Os dossiês que compõem esse número 38 de História & Perspectivas – Produzindo Histórias: pesquisa e ensino e História da Educação – buscam a nossa inserção nesse debate, deslocando os focos de análise e trazendo outras temáticas para a reflexão.

No primeiro estão em debate os livros didáticos, suas interpretações sobre a história e os caminhos de abordagem percorridos. Entre as temáticas, a linguagem imagética e as imagens sobre os negros nos livros de História. Nesse dossiê, uma outra problemática que se coloca para discussão é a das políticas públicas para a educação, englobando as relações entre educação e trabalho, pensando a inserção dos profissionais da área no mercado. Centralização, posturas autoritárias, relações clientelistas, preparo didático-pedagógico estão no foco dos diversos artigos dessa seção.

Duas resenhas contemplam o dossiê Produzindo Histórias: pesquisa e ensino. Elas trazem indicações de leitura sobre o ensino de história e os desafios da área para o século XXI. Ensinar história é uma prática social onde se manifestam diferentes interpretações sobre o mundo e de onde emergem valores que pautam nossas ações enquanto historiadores. Ao contrário das visões superficiais que associam a diversidade ao “tudo é história”, o ensinar exige pesquisa e reflexão teórica para produção de um conhecimento que sempre se renova.

No dossiê História da Educação contamos com análises de situações vividas em outros países, no caso Chile e Portugal, em estudos variados: a educação em asilos femininos; a escola Conde de Ferreira em Mafra; a Escola Nova nos Prêmios Nacionais em Educação no Chile. São preocupações dos autores pensar a educação em múltiplas abordagens, ou seja, como projeto de regeneração moral, como política de salvação da nação pela via da instrução ou pelas influências do pensamento pedagógico de Jonh Dewey. Contemplam esse dossiê artigos de pesquisadoras brasileiras, enfocando as atividades educativas desenvolvidas por oficiais do Exército que contribuíram para a construção da identidade da corporação e o papel educativo da imprensa na formação do cidadão republicano, ao disseminar princípios, como disciplina, e hábitos de trabalho. A cultura escolar da Europa é o foco de uma resenha que aponta para a leitura de uma produção historiográfica sobre a história da educação européia, em uma perspectiva histórico-cultural, abordando temas como currículos, manuais, fontes para pesquisa e tendências de interpretação no campo da História da Educação.

Por último, a reformulação curricular dos cursos de graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia é apresentada neste número de História & Perspectivas como uma experiência de ensino recente, inserida na exigência de mudanças, feitas pelas diretrizes curriculares nacionais. Essa exigência resultou, no caso da UFU, na implantação de um novo projeto pedagógico, ainda em andamento. O nosso objetivo aqui é compartilhar essa experiência com todos aqueles que estão trilhando esse caminho, considerando que as situações vividas pelos diversos cursos superiores possibilitaram escolhas diferenciadas no enfrentamento das exigências da política nacional para a educação.

Conselho Editorial


História da educação. História & Perspectivas, Uberlândia, v.1, n.38, 2008. Acessar publicação original [DR].

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