Aprendizagem em EaD. Brasília, v.8, n.1, 2019.

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Tecnologias e ensino presencial e a distância | Vani Moreira Kenski

O livro é um resultado de pesquisas acadêmicas, vivências pessoais e de palestras proferidas pela autora, composto de diversos textos que se interligam, objetivando colaborar para “o melhor desempenho dos professores”. É uma obra literária composta por nove capítulos.

A autora inicia o primeiro capítulo desmistificando a ideia redutora sobre tecnologia, vista como algo aterrorizante, ameaçador, esclarecendo que a tecnologia já está presente no cotidiano como algo totalmente integrado aos hábitos diários, não sendo, portanto, um fato recente. Kenski (2010) afirma que a chamada “era tecnológica” já é algo real desde o início da civilização, pois desde que o ser humano passou a construir objetos para enfrentar os desafios da vida a tecnologia existe; compreende-se então que a tecnologia não surge na sociedade industrial ou nos novos tempos da era virtual. À medida que a tecnologia vai evoluindo, percebem-se mudanças no comportamento das pessoas. Afirma ainda que a tecnologia não se restringe a ferramentas, máquinas, equipamentos, pois há as chamadas tecnologias da inteligência (linguagens oral, a escrita e a digital), que são uma articulação mental em busca de novos conhecimentos. Referindo-se à relação dos usuários com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a autora conclui que “as novas tecnologias de informação e comunicação, caracterizadas como midiáticas, são, portanto, mais do que simples suportes. Elas interferem em nosso modo de pensar, sentir, agir, de nos relacionarmos socialmente e adquirirmos conhecimentos. Criam uma nova cultura e um novo modelo de sociedade” (KENSKI, 2010, p. 23).

A autora ressalta a importância de despertar uma visão crítica sobre a informação, o conhecimento e a inovação, fato desafiador para a escola e seus professores. Ainda sobre a visão crítica diante da evolução tecnológica, salienta o cuidado com o aspecto democrático do conhecimento diante da exclusão socioeconômica. A escola precisa estar aberta a mudanças e à absorção de novos conceitos e formatações para acompanhar o ritmo da era da velocidade, a exemplo do ensino a distância. Os educadores devem buscar mudar as suas concepções, usando ou não as TIC, concebendo o ensino de uma forma inovadora e diferenciada daquela anteriormente utilizada. Expõe ainda que um professor que manuseia adequadamente as TIC poderá, inclusive, intervir na instalação de programas e softwares em sua escola, além de usá-las de forma crítica. Todavia, não basta o acesso a sofisticados meios tecnológico sem a necessária reformulação total do sistema de ensino, como a valorização da carreira docente e a garantia de qualidade na formação do professor.

Kenski (2010) caracteriza o espaço escolar presencial realizando um paralelo ao espaço virtual de aprendizagem dominado pelas linguagens audiovisual e midiatizada, ampliando assim o alcance da escola frente aos estudantes e à sociedade. A autora delineia também os contornos de uma aula virtual, descrita em uma tela de computador, sua estrutura é a linguagem em um campo que permite a distribuição de conhecimentos sem que, necessariamente, todos os estudantes estejam presentes em um mesmo local, é uma “nova forma de linguagem e de cultura” (KENSKI, 2010, p. 56). Para acompanhar todo esse ritmo ditado pela nova era, a escola precisa gestar sua atuação a partir dessas inovações tecnológicas e o professor transforma-se em pesquisador, tendo um conhecimento em permanente estado de ebulição, sendo preciso também a formulação de políticas públicas adequadas. Portanto, dentro desse universo, as aulas presenciais já não são as únicas possibilidades de ensino. As aulas virtualmente ministradas já se mostram como alternativas para um grande universo de pessoas impossibilitadas de responder às exigências de uma aula presencial. Além da inclusão social que o ensino a distância permite, estabelece-se também, a partir dele, uma relação interinstitucional, o que contribui para a formação de um cidadão participativo. Todas as mudanças decorrentes da interatividade virtual interferem na forma de pensar, raciocinar e interagir, os espaços virtuais ocupados pelos internautas passam a fazer parte do seu mundo, mexem com sua estrutura mental e sua personalidade. É o ciberespaço que surge e se mostra como outra possibilidade de territorialização. As comunidades mediadas pelo computador também interferem nas relações políticas e nas participações democráticas e possuem capacidade para enfrentar o monopólio dos meios de comunicação.

A interação e o ensino sempre se interligaram e as tecnologias em nada diminuem esse elo, portanto os novos espaços virtuais de interação em busca de aprendizagem são formas diferentes e diversificadas de comunicação voltadas para o ensino, no entanto, o que poderá revolucionar o ensino é a forma de utilização das tecnologias, seja o livro, o giz ou computadores em rede. No entanto, é o dinamismo da aula e a participação cooperativa que fará a diferença. Para tanto, é necessário ter clareza da importância do sistema cooperativo na elaboração de cursos em rede e também em cursos presenciais e semipresenciais. Para que se tenha uma aprendizagem envolta na colaboração, é necessário que alguns princípios básicos sejam observados, conforme cita a autora: a interdependência do grupo, a interação, o pensamento divergente e a avaliação. São novos mecanismos de aprendizagem que vão exigir novos métodos radicalmente diferentes de ensinar, nos quais o professor é o maestro e “a música é feita por todos”.

Dessa maneira, o texto percorre o universo das tecnologias e sua relação com o ensino, focando nos desafios atuais para a integração da escola com as inovações tecnológicas. É um livro que apresenta, com precisão, as indispensáveis reformulações que o ensino deve obter, a partir de políticas públicas sérias e realmente comprometidas com a democratização do conhecimento. A autora ratifica os imprescindíveis investimentos na qualificação do professor, sintonizada com os novos tempos, que seja eficaz e que ofereça condições para enfrentar os desafios de uma sociedade tecnológica, globalizada e, portanto, dinâmica, veloz e em contínuo movimento de mudanças. Em todo o livro, a autora fala com autoridade de quem conhece o ambiente educacional e tece opiniões procedentes. As análises apresentadas no livro, se levadas em consideração nas reformulações das políticas públicas voltadas para o ensino, em muito poderão contribuir para efetivas mudanças na educação. Apresenta, ainda, textos objetivos e de fácil leitura, possibilitando ao leitor compreender o universo das tecnologias, e ajuda a construir uma relação mais crítica com o contexto virtual. Em alguns momentos, as definições e ou pequenos trechos parecem repetitivos, ou seja, parecem apresentar em alguns capítulos definições já lidas em outros capítulos; algo justificável, já que o livro é uma coletânea de diversos artigos produzidos e publicados pela autora em eventos, periódicos e capítulos de outros livros. A leitura é sugerida para profissionais da educação de todos os níveis e, principalmente, para aqueles que trabalham com a inclusão tecnológica e buscam compreender e apreender sobre o novo mundo permeado pelo uso das Tecnologias da Informação e Comunicação.

Referência

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas: 8ª Ed. Papirus, (2010).


Resenhista

Irabel Lago de Oliveira – Professora de Português do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio da escola pública estadual. Licenciada em Letras com Inglês pela Universidade da Cidade do Salvador (UNIFACS), especialista em Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação a Distância, Tecnologias e Educação e Mestre em Educação e Sociedade pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. E-mail: [email protected]


Referências desta Resenha

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 8ª Ed. Campinas: Papirus, 2010. Resenha de: OLIVEIRA, Irabel Lago de. Revista Aprendizagem em EAD. Taguatinga, v.7, n.1, novembro, 2018. Acessar publicação original [DR]

Aprendizagem em EaD. Brasília, v.7, n. 1, 2018.

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Aprendizagem em EaD. Brasília, v.6, n.1, 2017.

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Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação | Michael B. Horn e Heather Staker

 

Resenhista

Gislaine A. R. da Silva Rossetto

Adair Aparecida Sberga


Referências desta Resenha

HORN, Michel B.; STAKER, Heather. Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação. Porto Alegre: Penso, 2015. Resenha de: ROSSETTO, Gislaine A. R. da Silva; SBERGA, Adair Aparecida. Revista Aprendizagem em EAD. Taguatinga, v.5, n.1, novembro, 2016.

Acesso apenas pelo link original [DR]

Ensino híbrido: uma inovação disruptiva?: uma introdução à teoria dos híbridos | Clayton M. O. Christesen, Michael B. Horn e Heather Staker

 

Resenhista

Chris Alves da Silva


Referências desta Resenha

O CHRISTENSEN, Clayton M.; HORN, Michel B.; STAKER, Heather. Ensino híbrido: uma inovação disruptiva?: uma introdução à teoria dos híbridos. EUA: Clayton Christensen Intitute, 2013. Resenha de: SILVA, Chris Alves da. Revista Aprendizagem em EAD. Taguatinga, v.5, n.1, novembro, 2016. Acesso apenas pelo link original [DR]

Aprendizagem em EaD. Brasília, v.4, n.1, 2015.

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Aprendizagem em EaD. Brasília, v.3, n.1, 2014.

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Hipertexto e Gêneros Digitais: novas formas de construção do sentido | Fernanda Correia Silveira Galli

Fernanda Correa Silveira Galli é Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com estágio na Universidade de Lisboa, Portugal; e desenvolve pesquisa de Pós-Doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP). É pesquisadora dos grupos Discurso e memória: movimentos do sujeito e Laboratório Discursivo: sujeito, rede eletrônica e sentidos em movimentos (E-L@DIS), e coordenadora do Grupo de Estudos sobre Internet (GNET) [2].

No artigo Linguagem da Internet: um meio de comunicação global, a autora aborda as diferenças terminológicas entre as línguas gerais e a língua de especialidade com ênfase nas “informações léxico-neológicas, abertas no campo da internet.” (p. 148). Essa abordagem é feita com ênfase na percepção que os usuários da internet possuem em relação às informações léxico-neológicas. Galli inicia falando da importância da globalização de informações, que acaba por gerar uma linguagem também globalizada. A linguagem da internet “pegou emprestado” o léxico da língua inglesa, principalmente, por ser ela a língua oficial dos países líderes na tecnologia da informação. Leia Mais

O canal televisivo e as possíveis acomodações de sua taxonomia narrativa na ambiência constituída na Web: o caso da TV Câmara | Edleide E. F. Alves

A dissertação “O canal televisivo e as possíveis acomodações de sua taxonomia narrativa na ambiência constituída na Web: o caso da TV Câmara” consiste numa pesquisa, de Edleide Epaminondas de Freitas Alves, apresentada ao programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação da Universidade Católica de Brasília para obtenção do título de Mestre em Comunicação, sob orientação do prof. Dr. Alexandre Schirmer Kieling.

Diante do cenário de transformação que as mídias tradicionais e de massa vêm passando, em especial a TV, por conta da digitalização de seu conteúdo, impactando no modo de planejamento, produção e distribuição dessa mídia na web, a autora questiona: “Existe uma nova televisão?” Ou seja, “o texto televisivo, ao ser transmitido e consumido na web, sofre alterações significativas ao ponto de provocar uma ruptura paradigmática do meio?” (ALVES, 2013, p. 14). Leia Mais

Psicologia da educação virtual – Aprender e Ensinar com as Tecnologias da Informação e da Comunicação | César Cool e Charles Monereo

A obra Psicologia da Educação Virtual, dos estudiosos Coll; Monereo (2010) e Colaboradores, é o resultado de uma compilação de pesquisas contemporâneas a respeito do impacto das tecnologias e da comunicação no meio educacional.

Dividida em quatro partes e 17 capítulos, a obra apresenta de forma clara e didática a influência das tecnologias da informação e comunicação (TIC) não apenas nos atores da esfera educacional – estudantes, docentes – como também nos meios que tornam a aprendizagem possível, isto é, os ambientes virtuais de ensino e aprendizagem. Leia Mais

Interação e aprendizagem em ambiente virtual | Vera Lúcia Menezes

A questão da diversidade da língua e os latentes desafios proporcionados por esta característica estão entre as máximas mais lembradas e mencionadas pelos estudiosos da área. Mesmo ante a evolução das ferramentas e contextos educacionais, a análise da comunicação, através da língua e suas aplicações, ainda se mantém como forte tópico de discussão que agora se relaciona com a interatividade, os ambientes e comunidades virtuais. Enveredando por este novo caminho, a obra Interação e aprendizagem em ambiente virtual, organizada por Menezes (2010), aplica e empreende novas discussões acerca de estudos linguísticos e aprendizagem de língua em ambientes virtuais.

O livro é composto por uma coletânea de artigos que comungam o princípio da análise de interações em ambientes virtuais (leem-se formas de interação assíncrona e síncrona). Sua organização cria uma sequência de estudos que envolve diversas áreas como a Análise do Discurso, Sociolinguística, Análise Conversacional, Pragmática e Aquisição de Língua Estrangeira (LE). Destarte, suas 405 páginas estão divididas em três grandes partes intituladas da seguinte maneira: “Interação Eletrônica”, “Aprendizagem On-Line” e “Bibliografia Comentada”. Leia Mais