SCHOPENHAUER, A. Carteggio con i discepoli. 2 volumes. Organização e tradução de Domenico M. Fazio. Lecce: Pensa MultiMedia, 2018 (Schopenhaueriana, 12). Resenha de: CIRACÌ, Fabio; DEBONA, Vilmar. Voluntas – Revista Internacional de Filosofia, Santa Maria, v9, n.1, jan./jun., p.173-179, 2018.

Nos últimos anos a pesquisa internacional sobre o pensamento e a fortuna de Schopenhauer experimenta um momento de fermentação intelectual particularmente flórido, conduzido de forma sábia pelo Prof. Matthias Koßler, presidente da Schopenhauer-Gesellschaft e da SchopenhauerForschungsstelle de Mainz/Frankfurt am Main. Tal efervescência cultural pode ser notada, por exemplo, pela necessidade de se publicar uma segunda edição, atualizada e melhorada, do Schopenhauer-Handbuch, da Editora Metzler (2018), a menos de quatro anos de sua primeira edição (2014), esgotada. A referida efervescência é confirmada também pela recente edição das Preleções sobre Filosofia geral ou A doutrina da essência do mundo e o espírito humano – Volume 4: Metafísica dos costumes (Meiner Verlag, 2017), assim como do Volume 3: Preleções sobre Filosofia geral: Metafísica do belo, previsto para julho de 2018. Uma ulterior confirmação da vivacidade intelectual da Schopenhauer-Forschung é fornecida não apenas pelo sucesso dos últimos congressos internacionais, como o recente VIII Colóquio Internacional Schopenhauer, organizado pela Seção Brasileira da Schopenhauer-Gesellschaft, em Curitiba, mas também pelas sempre crescentes traduções dos Werke de Schopenhauer em todo o mundo, como a recente e valiosa tradução do Tomo II de O mundo por Eduardo Ribeiro da Fonseca (Editora da UFPR, 2014), bem como aquela, do mesmo livro, empreendida por Jair Barboza (Editora Unesp, 2015). Muito significativa é, enfim, a abertura de uma Seção Espanhola da Sociedade Schopenhauer, conduzida pelo ativo Carlos Javier González Serrano.

Na Itália, pelo incentivo do Prof. Domenico M. Fazio, está em andamento, há mais de dez anos, uma verdadeira Schopenhauer-Renaissance. Tal renascimento teve início com a fundação do Centro interdipartimentale di ricerca su Schopenhauer e la sua scuola da Università del Salento (2005) e com a instalação da Seção Italiana da SchopenhauerGesellschaft (2011). As pesquisas do Centro e da Seção traduziram-se de imediato em numerosas publicações, sobretudo aquelas veiculadas pela prestigiosa Coleção universitária Schopenhaueriana (Pensa MultiMedia, Lecce) que, com o Carteggio con i discepoli (doravante, Correspondências com os discípulos), de A. Schopenhauer, chega ao seu décimo segundo volume. Somente no último ano vieram à luz, na Itália, duas expressivas obras: a fundamental tese de Alessandro Novembre sobre Il giovane Schopenhauer. L’origine della metafisica della volontà (Mimesis, 2018, 624 p.) e o estudo histórico-analítico de Fabio Ciracì sobre La filosofia italiana di fronte a Schopenhauer. La prima ricezione (1857-1914) pela Pensa MultiMedia (650 p.).

A última grande e preciosa colaboração dessas pesquisas à comunidade científica e aos apaixonados por Schopenhauer são justamente os dois volumes de A. Schopenhauer, Correspondências com os discípulos, que consiste na edição e tradução de todas as cartas entre Schopenhauer e seus discípulos, organizada pelo Prof. Domenico M. Fazio, com 960 páginas. Trata-se de um epistolário com um total de 319 cartas. As novidades contidas na publicação dessas correspondências são numerosas e importantes, e terão de ser levadas em conta pelas pesquisas futuras. Em primeiro lugar, preenche-se, com ela, uma lacuna da editoria científica italiana: vem à luz, finalmente, uma tradução completa das correspondências entre Schopenhauer e seus discípulos, inteiramente nova e inédita em língua italiana, com exceção apenas de alguns fragmentos de cartas traduzidos em As Conversações (I Colloqui), organizadas pelo incomparável A. Verrecchia (BUR, Milão, 2000). Além disso, as Correspondências com os discípulos fornecem ao leitor um poderoso conjunto de notas e documentos capaz de corrigir, integrar e completar as edições major publicadas até o momento, inclusive em língua alemã: a edição iniciada por Paul Deussen (1928-1942, com 866 cartas) e completada por Arthur Hübscher (1978, 1987), e a última (a melhor), que foi publicada na terceira edição das cartas (2008) em versão eletrônica para o Schopenhauer im Kontext III. Comparada a todas essas edições, as Correspondências com os discípulos, organizadas por Domenico M. Fazio não apenas são mais completas e precisas, mas também mais ponderadas e atentas em relação às fontes, dado que corrigem os não poucos erros contidos nas edições precedentes, até mesmo os equívocos do histórico presidente da Schopenhauer-Gesellschaft e organizador dos Werke schopenhauerianos, Arthur Hübscher, célebre (talvez equivocadamente) por sua acribia filológica. Mas isso faz parte da lógica do avanço das pesquisas, que se aperfeiçoam de tempos em tempos, em um processo de contínua e gradual melhoria.

Voltemo-nos, então, às Correspondências com os discípulos. Fazio restitui ad integrum, de maneira oportuna e precisa, fontes documentais e referências de naturezas variadas (filosofia, literatura, ciências e artes) sobre as quais Schopenhauer e seus interlocutores discutem nas cartas. Os textos são agilmente reconduzidos aos contextos, uma vez que as referências frequentemente implícitas, às vezes quase ocultas, entre remetente e destinatário são esclarecidas à luz de debates e querelas que o organizador das correspondências, com sabedoria, entrega ao leitor de modo claro, construindo em forma de notas uma espécie de subtexto paralelo, uma robusta urdidura para a densa trama das cartas. Deste ponto de vista, a publicação das correspondências de Schopenhauer com os seus discípulos consiste no complemento, centrado na Escola em sentido estrito, da documentação contida na antologia La Scuola di Schopenhauer: testi e contesti, publicada na Schopenhaueriana, em 2009. A antologia, de fato, apresentava como introdução um longo ensaio do próprio Fazio, no qual foram descritos os contextos relativos à Schopenhauer-Schule, que introduziam pela primeira vez o leitor no pensamento dos maiores Schüler e o instruíam, de forma sistemática, acerca da articulação interna da Escola, entendida em sentido estrito, ou seja, aquela dos alunos conhecidos direta e pessoalmente pelo filósofo de O mundo (apóstolos e evangelistas), ou mesmo da escola em sentido lato, dos metafísicos Eduard von Hartmann, Julius Bahnsen, Philipp Mainländer; ou ainda dos grandes schopenhauerianos heréticos, como Paul Rée, Georg Simmel, Friedrich Nietzsche e Max Horkheimer; e, finalmente, dos guardiões da tradição, como Paul Deussen, Hans Zint, Arthur Hübscher e Rudolf Malter.

Ora, com a mesma acuidade, Fazio introduz as Correspondências com os discípulos com um rico ensaio sobre “a Escola de Schopenhauer através da correspondência com os discípulos”, que soma 137 páginas. Trata-se de uma verdadeira dissertação, na qual Fazio não apenas apresenta os protagonistas das cartas, mas tem presente os numerosos fios temáticos que se desdobram ao longo das correspondências, indicando os principais temas de debate, conduzindo o leitor em meio a um denso epistolário com a familiaridade e a simplicidade de um longo e reflexivo conhecimento da obra e da vida de Schopenhauer.

O aparato contém verdadeiras pérolas, incluindo algumas descobertas interessantes, às quais Fazio chega por meio de um meticuloso trabalho de escavação filológica, servindo-se para tanto, dentre outros instrumentos, dos mais avançados sistemas de pesquisa para a recuperação de fontes de dados na rede. Dentre as referidas descobertas, para ficarmos com alguns exemplos, está a primeira resenha dos Parerga e Paralipomena, publicada em Hamburg em uma revista feminina de moda (para grande surpresa do próprio Schopenhauer); e também encontramos o texto, escrito em 1851 por Frauenstädt, mas revisado e corrigido pelo próprio filósofo de O mundo, para o tópico “Schopenhauer” do célebre Léxico de conversas, de Meyer.

Além disso, Fazio tira do esquecimento histórico algumas personalidades intelectuais de certa expressividade que, embora desconhecidas para a maioria, eram importantes interlocutores do Sábio de Frankfurt. Entre eles, aparecem as figuras de Carl Georg Bähr e Johann August Becker, dois pensadores que teriam privilegiado o caminho marcado por seus estudos do Direito: o primeiro é o autor de uma obra intitulada A filosofia schopenhaueriana em seus traços fundamentais, que Schopenhauer apreciou muito; já o segundo, considerado por Schopenhauer como “o apóstolo mais douto”, é o protagonista de uma densa correspondência que põe o mestre frente a questões problemáticas e a possíveis contradições de sua metafísica e de sua ética. Becker leva um serrado confronto epistolar com o mestre, as suas dubia são expostas de forma tão rigorosa e com profundida teórica que, em um certo momento, Schopenhauer deixa passar as perguntas do estudante talentoso. Além disso, contra a vontade do mestre, entre os discípulos se difunde uma cópia não autorizada das cartas de Becker com Schopenhauer, tamanho o interesse que elas despertavam entre os outros Schüler.

Mas numerosos são os personagens que preenchem as páginas dessa rica correspondência, alguns dos quais muito pitorescos, alguns outros, no limite do grotesco. É o caso do pregador católico Georg Christian Weigelt, “evangelista ativo e fanaticamente fiel”, com as suas aulas populares sobre Schopenhauer. Ou o caso de Carl Grimm, que assina seus epigramas filosóficos com os evocativos noms de plume de Placidus ou Carolus Mirgius. Ou ainda o caso do agricultor Carl Ferdinand Wiesike, seguidor de Schopenhauer, ao qual erigiu uma capela, celebrando uma espécie de missa laica. Sem contar que em volta de Wiesike havia se formado uma “comunidade silenciosa de hereges e santos extravagantes”, sobre a qual Nietzsche também escreverá. Mas aquele que – dentre todos os seguidores, apóstolos, evangelistas ou meros admiradores desta surpreendente Escola – ostenta a maior simpatia é Julius Frauenstädt, incansável promotor das obras do mestre e fiel discípulo: é ele quem segue Schopenhauer ao longo de uma extenuante caminhada por Frankfurt, em busca de respostas sobre o mistério da vontade metafísica. É também ele quem, continuamente, por carta ou pessoalmente, indaga o mestre sobre a natureza do Wille ou sobre a questão da liberdade individual. E é ele quem se documenta quanto às publicações relativas ao mestre, sugere ingenuamente comparações (como aquela entre Schopenhauer e Helmholtz) que não só perturbam Schopenhauer, mas que são motivos de terríveis reprimendas por parte do mestre a Frauenstädt. É o caso das Cartas sobre a filosofia schopenhaueriana (1854), que o bom Frauenstädt publica, emulando as famosas cartas de Karl Leonhard Reinhold sobre Kant. O julgamento que Schopenhauer expressa sobre as Cartas, em sua carta de resposta a Frauenstädt, não permite réplica: após ter nomeado com gratidão o discípulo como Erzevangelist, Schopenhauer passa às críticas: “Já que nada é perfeito, gostaria de mostrar-lhe o que eu gostaria que fosse feito de forma diversa”, e elenca os numerosos defeitos da obra. Finalmente, Schopenhauer envia ao mal compreendido discípulo a sua própria versão do trabalho daquele, glosada e marcada com numerosos corrigenda. Entre altos e baixos, o pobre arque-evangelista tentará arcar com o fardo de cada reprimenda do mestre e, mesmo fazendo de tudo e de todas as formas – por exemplo, procurando um editor para os Parerga, escrevendo artigos e obras in nomine magistri – nunca mais receberá do mestre aquele atestado de estima que o filósofo endereça a outros discípulos, como a Bähr e a Becker. A fidelidade de Frauenstädt a Schopenhauer, no entanto, é exemplar, prossegue mesmo após a morte do mestre, de quem ele passa a ser testamentário para os escritos científicos. Além disso, Frauenstädt providencia o lançamento da primeira edição dos Werke, publica um léxico schopenhaueriano comentado, que permanecerá insuperável por muito tempo. Junto a outro discípulo, o doctor indefatigabilis Ernst Otto Lindner, defende a memória de Schopenhauer da maledicente biografia escrita pelo aluno “apóstata” Wilhelm Gwinner, na qual Schopenhauer é descrito como um pensador misantropo, bizarro e avarento. Uma imagem (a representada por Gwinner) que logrou espaço em uma época e que, com isso, condicionaria a recepção do pensamento schopenhaueriano, obstaculizando a ideia de o Sábio de Frankfurt poder contar com numerosos discípulos e com uma Escola.

O epistolário se encerra com as cartas do jovem Julius Bahnsen a Schopenhauer no ano de sua morte. Encerra-se assim a Escola em sentido estrito, aquela dos discípulos diretos de Schopenhauer, e se abre, de outro modo, aquela dos Schüler metafísicos, à qual o filósofo dinamarquês pertencerá por direito com a publicação das Contribuições à caracterologia (1867) e de A contradição na ciência e na essência do mundo (18801882), passando para a história como o schopenhaueriano metafísico mais radical.

Provavelmente o que mais chama a atenção em Correspondências com os discípulos é o fato de que, contra todas as expectativas, o diálogo contínuo, às vezes serrado com seus discípulos, inclusive sobre questões centrais e relevantes do sistema filosófico (a discussão sobre o pessimismo, a questão da conversão total da voluntas, o problema da liberdade individual etc.) não parece levar Schopenhauer a revisar ou retroceder em sua doutrina filosófica. O filósofo é resoluto. Seu posicionamento pode, eventualmente, mudar em relação ao destinatário – às vezes é mais impetuoso (com Frauenstädt), às vezes mais prudente (com Becker) -, mas isso se deve à estima intelectual atribuída ao interlocutor do momento. No entanto, não há retornos ou redefinições referentes ao seu sistema metafísico ou a algum tema específico.

Mesmo antes de ser admirado como mestre por um grande grupo de discípulos, Schopenhauer havia mitigado algumas de suas proposições metafísicas fundamentais elaboradas na juventude. De fato, lembremos que na primeira edição de O mundo, de 1819, Schopenhauer era um decidido jovem de trinta e poucos anos, que afirma sem titubear ter resolvido o problema de Kant, fazendo a vontade coincidir totalmente com a coisa em si. Com a publicação das Ergänzungen a O mundo, em 1844, entretanto, o filósofo, agora com 56 anos, expressa um posicionamento mais cauteloso: no célebre capítulo 50 de O mundo, intitulado “Epifilosofia”, Schopenhauer imprime uma nova dimensão metafísica e epistemológica à sua filosofia, mais próxima a Kant: o Wille já não coincide de forma irrestrita com a coisa em si, mas torna-se uma espécie de fenômeno primitivo e originário (Urphaenomen), a última portinhola (ou o último véu de Maja) antes do noumenon. Esta mudança de perspectiva se faz inteiramente presente nas cartas, atuando como um verdadeiro escudo hermenêutico. Schopenhauer deixa isso claro para Becker em uma carta de 21 de setembro de 1844: “Aqui estão o caminho e a ponte, a porta que leva para fora do mundo: eu só posso mostrá-la, mas não abri-la para o senhor, nem posso dizer o que há para além dela e o que acontece lá, nem como é, fora do tempo, aquilo que no tempo se apresenta como mudança”. Aliás, de mistério e de presença misteriosa se imantam, com frequência, as respostas que Schopenhauer endereça às questões cada vez mais prementes dos alunos, que reivindicam mais orientações sobre a natureza da vontade, e que apresentam ao mestre, entre prudência e cautela, algumas contradições ou aporias de seu sistema. Schopenhauer, porém, não se abala, colocando-se serenamente no limiar daquela ponte, considerando, sim, as questões, mas sem visar qualquer solução para elas: “Pode-se perguntar – escreve na Epifilosofia – até onde chegam, na essência em si do mundo, as raízes da individualidade”, mas nenhuma resposta afirmativa pode ser dada. Nesse sentido, Schopenhauer pretende consolidar suas conquistas filosóficas, mas certamente não colocá-las em xeque. E é nesses termos que se deve ler também a ideia de Escola por parte de Schopenhauer: não é por acaso que o filósofo de O mundo, fundador da ética laica e ateia, recorre muitas vezes à metáfora religiosa da igreja, composta por apóstolos e evangelistas. Seu objetivo é conquistar à sua causa novos seguidores, possíveis divulgadores de sua filosofia, desde que estes tenham chegado, antes, à verdade. Como em todo culto que se preze – laico ou religioso -, também os dogmas metafísicos da doutrina schopenhaueriana levaram a numerosas heresias: com implicações cátaras, como o Weltdysangelium pessimista de Bahnsen, ou mesmo com os reformadores, como o Inconsciente de Hartmann e a morte de Deus de Mainländer, ou ainda com os verdadeiros heresiarcas, como Nietzsche ou Rée. Mas as sementes heréticas dessas declinações do schopenhauerismo já estavam presentes na Escola em sentido estrito e nas discussões entre discípulos e mestre.

Portanto, quem pretendesse ler as Correspondências com os discípulos esperando encontrar nelas retratações ou revisões de teses sustentadas pelo filósofo nas obras publicadas ficaria desapontado. É claro que às vezes Schopenhauer concede explicações que a um leitor atento podem parecer menos sistemáticas do que em O mundo ou nos escritos sobre Ética. Vez ou outra o filósofo recorre a metáforas, mas é o próprio Schopenhauer quem sempre remete os discípulos às obras, indicando que já havia esclarecido tudo nos escritos publicados. Schopenhauer, por outro lado, busca continuamente as “provas empíricas” de sua metafísica da vontade, mesmo quando se arrisca a incorrer em solenes enganos, como aquele relativo às “mesas giratórias” e ao mesmerismo, todos fenômenos que ele interpreta à luz da vontade na natureza, como confirmado pela presença de um Wille ainda não objetivado em objetos.

No entanto, duas coisas saltam aos olhos do leitor: a primeira é a vastidão dos interesses culturais de Schopenhauer, que transparece em cada uma das páginas das correspondências, sua insaciável Wissensdurst, sua sede de conhecimento para cada ramo do conhecimento, filosofia, arte, ciência ou religião; o segundo é o desejo de ser universalmente reconhecido como filósofo: as cartas testemunham a tentativa inesgotável de ostentada autopromoção, de afirmação das próprias descobertas e méritos, a luta para ser reconhecido como o único e autêntico herdeiro da filosofia crítica de Kant.

Além de ser uma preciosa mina de informação, e além de apresentar-nos uma galeria discreta de personalidades intelectuais, algumas delas muito interessantes, as Correspondências com os discípulos oferecem ao leitor não apenas uma imagem mais nítida do homem Schopenhauer, como também, por meio do espesso diálogo com as notas e as fontes discutidas, o organizador do epistolário recria um universo intelectual e um horizonte histórico que a crítica muitas vezes negligencia. A figura de Schopenhauer resulta certamente menos idealizada, menos associada ao mito do gênio indomável ou à figura do bizarro misantropo, mas a dimensão do pensador resulta enriquecida, assim como revelam-se a profundidade e a vastidão de seu pensamento, e emergem com limpidez a sua extraordinária individualidade, a sua originalidade, a força de suas convicções e a vontade de apresentar sua filosofia como um único pensamento e um pensamento único.

Com efeito, as Correspondências com os discípulos indicam numerosas pistas de pesquisa sobre o pensamento de Schopenhauer e sobre as interpretações de seus primeiros seguidores: para a Schopenhauer-Forschung o epistolário não representa somente um porto da pesquisa italiana e internacional, mas, sobretudo, o cais do qual poderão partir novas e mais longínquas navegações.

Fabio Ciracì – Professor da Università degli Studi del Salento (Lecce). Secretário do Centro Interdipartimentale di ricerca su A. Schopenhauer e la sua Scuola. E-mail: [email protected]

Vilmar Debona – Professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: [email protected]

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[DR]

 

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