História Atlântica e da Diáspora Africana / Outros Tempos / 2011

Um dossiê sobre Histórias Atlânticas e da Diáspora Africana é algo relativamente novo, pois enquadra uma grande quantidade de temas sobre a movimentação no Atlântico, sobretudo aquela da Diáspora Negra. O Antropólogo inglês Paul Gilroy publicou em 1993 o livro Atlântico Negro, que enfocava um Atlântico em movimento, um Atlântico vivo, um Atlântico do tráfico de escravos, um difusor de gente, ideias, músicas e elementos culturais. Ainda nos anos de 1960 e 1970 um agrupamento muito específico de pesquisadores dos estudos afro começou a utilizar o termo Midlle Passage, a passagem do meio, para referirem-se ao oceano Atlântico, espaço que separa, mas ao mesmo tempo interliga os continentes, países, ideias e informações através de seus portos.

O oceano Atlântico, portanto, possibilitou a existência da diáspora africana e através dele os cativos africanos incorporaram aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos da vida no Brasil, nas Américas e no Mundo. Estes africanos no “Novo Mundo”, trabalhando no eito ou no espaço doméstico, sendo negro de ganho ou negro de fazenda, imprimiram marcas na cultura afro-americana, na agricultura, na culinária, nas práticas religiosas, língua, música, artes, etc. É a partir da necessidade de melhor compreender essas conexões nos dois lados do atlântico, que a Revista Outros Tempos lança o presente dossiê.

Na seção específica, podemos encontrar o trabalho de Rafael Chambouleyron MUITA TERRA… SEM COMÉRCIO: O Estado do Maranhão e as rotas atlânticas nos séculos XVII e XVIII; sobre o comércio para o Grão-Pará e Maranhão através do Atlântico, ligando o Estado a outras localidades do Império. Reinaldo Barroso Junior com o título ARROZ DE VENEZA E OS TRABALHADORES DE GUINÈ: A lavoura de exportação do Estado do Maranhão e Piauí (1770-1800) analisa a produção de arroz no Maranhão e a utilização dos trabalhadores africanos de Guiné, descritos como qualificados para o cultivo deste produto. Em seguida, o trabalho de Tatiana Raquel Reis Silva sobre o COMÉRCIO (TRANS) ATLÂNTICO das rabidantes cabo-verdianas, que discorre sobre a intensa movimentação econômica entre Brasil e Cabo Verde e O COMÉRCIO ILEGAL DE AFRICANOS NO SUL-FLUMINENSE: Os Souza Breves e suas fazendas, no qual o historiador Thiago Campos Pessoa analisa a relação entre o tráfico ilegal de escravos e a produção de riquezas da família dos Sousa Breves.

Destacamos, também, o artigo de Luiza Nascimento dos Reis O “CASO DOS SOUZA CASTRO”: Itinerários de dois pesquisadores do Centro de Estudos Afro-Orientais na Nigéria (1962-1963), sobre a trajetória de pesquisa do casal “Sousa Castro” na Nigéria. O trabalho de Fábio Pereira de Carvalho é uma análise da obra de Eugene Genovese relacionando-a ao mundo e a resistência escrava – E TOMARÃO LUGAR À MESA DO REINO DE DEUS: Eugene D. Genovese e o evangelho nas senzalas. Clara Farias nos apresenta A IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DOS HOMENS PRETOS DO RECIFE E O GOVERNO DAS NAÇÕES E CORPORAÇÕES: uma análise das apropriações do cargo de governador dos pretos. O dossiê conta ainda com o trabalho de Fred Maciel e Marcos Sorrilha Pinheiro, sobre o Blues como uma manifestação cultural que consolidou a cultura afro-americana, intitulado BLUES: manifestação e inserção sociocultural do negro no início do século XX e, por fim, com a tradução do texto OS DOMÍNIOS DO PRAZER: a mulher escrava como mercadoria sexual, escrito por Hilary McD Beckles no ano de 2000, e traduzido por Elaine Pereira Rocha.

Antes, no espaço reservado aos artigos livres apresentamos pesquisas sobre o Brasil oitocentista, centradas nas províncias do Maranhão e Rio Grande do Sul, e sobre o Estado do Pará no início do século XX. Marcelo Cheche Galves analisa as COMEMORAÇÕES VINTISTAS NO MARANHÃO (1821-1823). O trabalho de Wheriston Silva Neris trata A PRODUÇÃO DO CORPO SACERDOTAL NO BISPADO DO MARANHÃO (XIX): formação seminarística e introdução de novos modelos disciplinares, referente a formação nos Seminários de Nossa Senhora das Mercês e Santo Antonio. Ainda no XIX, Sandor Fernando Bringmann nos apresenta o artigo “DOS ÚTEIS EFFEITOS DA SOCIABILIDADE E DAS VANTAGENS DA CIVILISAÇÃO”: a questão indígena e sua representatividade nos gabinetes provinciais do Rio Grande do Sul (1846-1870), que estuda as imagens criadas sobre os índios do grupo Kaingang, habitantes das regiões norte e nordeste do Rio Grande do Sul. A seção de artigos livres termina com o artigo de Fabrício Herbeth Teixeira da Silva A DISCIPLINA E SUAS NORMAS: a higienização da carne, a atuação dos açougueiros e marchantes em Belém na virada do XX.

Também faz parte do presente volume, os documentos referentes à Vila de Santo Antônio de Alcântara (Maranhão) do final do século XVII, apresentados por Daniel Rincon Caires e a resenha do livro “A hidra de muitas cabeças: marinheiros, escravos, plebeus e a história oculta do Atlântico Revolucionário”, de Sabrina Fernandes Melo.

Boa Leitura!!


Apresentação. Outros Tempos, Maranhão, v. 8, n. 12, 2011. Acessar publicação original [DR]

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Estudos de Gênero / Outros Tempos / 2010

A revista Outros Tempos apresenta neste número o dossiê Gênero, com um número expressivo de artigos de pesquisadoras de diferentes regiões do país, tratando de temas variados no campo dos estudos de gênero, desde o homoerotismo feminino, trabalho doméstico, chefia feminina de família, escrita de autoria feminina, educação, violência de gênero, até representações da moda feminina.

Tratando da violência de gênero, temos três trabalhos. A pesquisa de Cláudia Priori aborda a violência de gênero por meio da análise das queixas registradas na Delegacia Especializada na Defesa da Mulher, no município de Maringá, entre 1987 e 1996; o estudo de Mayana Hellen Nunes da Silva, trata de crimes passionais ocorridos no Maranhão, na década de 1950, utilizando como fonte os registros feitos nos jornais da época; já o trabalho de Tânia Regina Zimmermann aborda as representações de violência e relações de gênero contidas no romance Memorial de Maria Moura, da escritora Rachel de Queiroz.

A temática sobre família, reprodução social e trabalho doméstico encontra-se representada no estudo de Dolores Pereira Ribeiro Coutinho, sobre chefia feminina de família e produção da vida em Campo Grande – MS no final do século XX e no estudo de Soraia Carolina de Mello sobre o trabalho doméstico das donas de casa, utilizando as discussões feministas no Cone Sul, entre 1970 e 1989.

O trabalho de Rafaela Basso analisa alguns aspectos da escrita da história de Natalie Zemon Davis, historiadora norte-americana contemporânea, presentes no livro Nas Margens; já a pesquisa de Régia Agostinho da Silva aborda a autoria feminina no século XIX com um estudo sobre a atuação da escritora Emília Freitas no mundo da letras. A educação feminina em São Luís na Primeira República é o objeto central do artigo de Tatiane da Silva Sales, que apresenta imagens, discursos e representações sobre as mulheres nesse período e delineia algumas possibilidades para a emancipação feminina a partir da ampliação de oportunidades no sistema educacional. O artigo de Juscelina Bárbara Anjos Matos sobre imagens de mulher e representações da moda em Vitória da Conquista –BA, entre 1950 e 1965, aborda as relações de gênero e construções identitárias por meio da análise do vestuário feminino.

Por último, temos uma abordagem inovadora no estudo de Cristiane Demarchi sobre as imagens pictóricas da poetisa grega Safo, sob o pano de fundo do erotismo, onde a autora aborda o homoerotismo feminismo e o voyeurismo masculino. Todos esses trabalhos comprovam o grande crescimento dos estudos de gênero nos diversos campos das ciências humanas e sociais, representadas neste dossiê, com destaque para a área de História, bem como a qualidade das pesquisas que vêem sendo desenvolvidas no país.

Além do dossiê, a revista publica ainda neste número seis artigos livres, que versam sobre temáticas variadas. O estudo de André Dioney Fonseca trata da contribuição da Nova História Cultural aos estudos do movimento pentecostal no Brasil; Arlindyane Santos aborda as formas e estratégias utilizadas pelos oficiais camarários para reinventarem localmente a idéia de nobreza no Maranhão colonial, denominando-os de “Senhores do Senado”. A pesquisa de Jeane Carla Oliveira de Melo e Rita de Cássia Gomes Nascimento problematiza a presença feminina no trabalho filantrópico em relação à infância pobre da cidade de São Luís, através do estudo da atuação das chamadas Damas de Assistência no Instituto de Assistência à Infância do Maranhão na primeira metade do século XX.

A pesquisa de Tiago Kramer de Oliveira analisa a relação entre a obra Vigiar e Punir, do filósofo Michel Foucault, e a produção do conhecimento histórico, a partir da análise e críticas de vários teóricos. O estudo de Vitória Azevedo da Fonseca propõe considerações sobre as relações de alteridade estabelecidas entre o relato de Hans Staden e suas posteriores adaptações em releituras cinematográficas. Por fim, o artigo de Leandro Francisco de Paula destaca o recrutamento de pretos e pardos em Minas Gerais na segunda metade do século XVIII, no momento de intensificação dos conflitos luso-castelhanos nas partes meridionais da América portuguesa.

Este número da revista se completa com a resenha de um documento e dois filmes-documentários, além de uma síntese de tese de doutorado. O documento “Cerimônia de coroação de Dom João II, quando do falecimento, em 1481, de Dom Afonso V, rei de Portugal”, foi resenhado por Fabio Henrique Gonçalves. Já a resenha de Marta Gouveia de Oliveira Rovai aborda os dois documentários das cineastas holandesas Ilse Van e Femke van Velsen, em Fighting the Silence (2007 / 2008) e Weapon of War (2009 / 2010), que tratam da experiência dolorosa e traumática do estupro de mulheres no Congo. Por fim, a síntese da tese “Violência e Gênero em Notícias do Oeste Paranaense (1960-1990)”, de Tânia Regina Zimmermann, professora da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, cujo fio condutor, como destaca a autora, foram as representações sobre relações de gênero e violência na imprensa escrita e falada do Oeste do Paraná.

Finalmente, agradecemos aos que contribuíram para a publicação deste número da revista e para o sucesso do dossiê gênero, cujo crescimento da produção historiográfica com base nessa categoria de análise tem resultado em um debate fértil para o campo de conhecimento da História.

Convidamos a [email protected] para uma prazerosa leitura.

Elizabeth Sousa Abrantes

Carlos Alberto Ximendes


ABRANTES, Elizabeth Sousa; XIMENDES, Carlos Alberto. Editorial. Outros Tempos, Maranhão, v. 7, n. 9, 2010. Acessar publicação original [DR]

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História e Educação / Outros Tempos / 2010

A revista Outros Tempos tem o prazer de disponibilizar, mais uma vez, o resultado de pesquisas desenvolvidas em todo o país. Na seção artigos livres desta edição, temas como: imigração, religião, política e economia são a tônica dos artigos de Marcelo Vieira Magalhães – Sair do Líbano chegar à capital maranhense: as esperanças dos “syrios” e as condições de vida dos viajantes; Monica Piccolo Almeida – A lenta construção do projeto privatista: a política econômica brasileira entre 1964-1974; Veronica de Jesus Gomes – Justiça e misericórdia na mesa do Santo Ofício de Lisboa: as penas dos padres sodomitas; Maria Izabel Barboza de Morais Oliveira – Bossuet: o rigor da realeza nos combates às rebeliões; Nielson Rosa Bezerra – Nos seios da escravidão: um olhar sobre alforrias negociadas por mulheres escravas. Freguesia de Santo Antônio da Jacutinga – Século XIX.

O dossiê sobre educação traz os artigos de Ernando Brito Gonçalves Junior – A educação pelo livro: uma análise do compêndio de pedagogia de Dario Vellozo (1907); Luciana Martins Castro – A contribuição de Nísia Floresta para a educação feminina: pioneirismo no Rio de Janeiro oitocentista; Elizabeth Sousa Abrantes – A educação da mulher na visão do médico e educador Afrânio Peixoto; Bárbara Barros de Olim – Imagens em livros didáticos de história das séries iniciais: uma análise comparativa e avaliadora; Franciane Gama Lacerda e Geraldo Magella de Menezes Neto – Ensino e pesquisa em história: a literatura de cordel na sala de aula; Thiago Rodrigues Nascimento – Memórias de professores de história: considerações sobre formação inicial e constituição do “saber docente”; Elizangela Barbosa Cardoso – Mães educadoras e profissionais: educação feminina em Teresina na primeira metade do século XX; Crislane Barbosa de Azevedo – Arquitetura e grupos escolares em Sergipe: uma relação entre espaço e educação na escola primária; Antonio José Barbosa de Oliveira – Uma universidade modelo para o Brasil: a educação superior e o projeto de construção da nacionalidade brasileira (1935-1945).

O documento deste número é a Lei complementar n° 20 de 1° de julho de 1974 e a criação de um estado: a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, apresentado por Thiago Rodrigues Nascimento.

Apresentamos duas resenhas: a de Marcelo Cheche Galves, da obra A quebra da mola real das sociedades: a crise política do Antigo Regime português na província do GrãoPará (1821-1825). São Paulo: Hucitec / Fapesp, 2010. 321 p; obra de MACHADO, André Roberto. e Carlos Francisco da Silva Júnior, que resenhou Domingos Sodré, um sacerdote africano: escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 463 p. Obra publicada por REIS, João José.

Também publicamos a Síntese de Sandra Regina Rodrigues dos Santos, Gestão colegiada e projeto político pedagógico: colégio de aplicação da Universidade Federal do Maranhão (1989 -1996).

Agradecemos aos que participaram deste número, enviando artigos, resenhas, documentos, sínteses, emitindo pareceres, sugerindo temas, fazendo a revisão dos textos, enfim, a todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a edição da revista. Desejamos a todos uma excelente leitura.

Elizabeth Sousa Abrantes

Carlos Alberto Ximendes


ABRANTES, Elizabeth Sousa; XIMENDES, Carlos Alberto. Editorial. Outros Tempos, Maranhão, v. 7, n. 10, 2010. Acessar publicação original [DR]

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História e Literatura / Outros Tempos / 2010

História e Literatura: perspectiva de uma relação política e intelectual A Revista Outros Tempos neste número celebra a relação intelectual entre a História e a Literatura. Essa celebração desmitifica qualquer idéia de subalternidade entre essas áreas de estudo científico. Entre a História e a Literatura há uma cumplicidade intelectual. A História tem a intenção de refletir sobre os processos de transformações sociais entre o presente e o passado. A Literatura, entre outros interesses, expressa diferentes visões de mundo, oferecendo uma perspectiva coletiva para uma análise das mudanças ocorridas nas sociedades humanas, ao longo do tempo. Quando a relação entre História e Literatura é verificada, uma perspectiva simbólica de processos sociais pode ser construída. Contudo, não há simbolismo sem uma dimensão política. Nesse sentido, a escolha de um dossiê voltado para essa relação foi de fato uma escolha política do corpo editorial da revista.

A formação da identidade nacional brasileira foi forjada durante o século XIX. Em grande parte essa construção se deu através da produção historiográfica oitocentista e da literatura romântica do século XIX. Quando assumimos a posição política de celebrar a relação intelectual entre essas áreas de estudo, também, estamos afirmando que a sociedade brasileira precisa ser repensada. O Brasil resultou de um processo histórico que teve seus pilares nas transformações sociais oitocentista, desiguais, contraditórias e inacabadas. Essas realidades, muitas vezes, são justificadas por construções simbólicas forjadas por historiadores e literatos. Assim, repensar simbolismos literários e historiográficos do Brasil é, sem dúvida, fazer um exercício político sobre a realidade que desejamos transformar.

O Maranhão contou com produções historiográficas e literárias que justificavam interesses políticos voltados para a concentração do poder. Num olhar, mesmo que despretensioso, é possível perceber essas mesmas práticas políticas ainda hoje.

Entretanto, nem todos os intelectuais maranhenses se curvaram ao jogo da reprodução do poder. Já algum tempo, os orgulhos europeus maranhenses, elaborados pela literatura e pela historiografia anteriores, foram superados pelas novas concepções que vêm se apresentando em nossa universidade e em outras instituições. Isso é mais que uma esperança, um verdadeiro passo inaugural para continuar sonhando com uma sociedade diferente.

Esses estudos são agora prestigiados por esse número da Revista Outros Tempos, que se juntam aos esforços recentes de estudiosos da História e da Literatura no Maranhão e em outros lugares brasileiros, voltados para pensar a força política dessa relação. Desta forma, convidamos o leitor a desfrutar de uma prazerosa leitura e se engajar numa luta que é obrigação de todos nós.


Apresentação. Outros Tempos, Maranhão, v. 8, n. 11, 2011. Acessar publicação original [DR]

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Escravidão / Outros Tempos / 2009

Abrimos este número duplamente honrados: primeiro, em compartilhar com os nossos leitores e colaboradores a consolidação de nossa revista no cenário acadêmico nacional, em razão de sua requalificação para o estrato B3 do Qualis-Capes para a área de História; em segundo lugar, pela satisfação de apresentar um novo conjunto de reflexões através da publicação de novos artigos e do Dossiê Escravidão, este com textos centrados na escravidão africana.

Desta feita, daremos ênfase à presença do escravo na sociedade brasileira, compreendido aqui como um sujeito fundamental para a nossa constituição histórica, passando por espaços de sociabilidade como engenhos, fazendas, minas, cidades, plantações, fábricas, cozinhas, etc., assim como eixos econômicos atrelados a existência de uma monocultura exportadora. Sua vivência no âmago da formação brasileira influenciou diretamente a culinária, a religião, a música, a língua, as artes, etc. Em virtude disto, a Revista Outros Tempos – Pesquisa em Foco resolveu dedicar-se a este importante objeto da produção acadêmica brasileira.

Dentre os artigos do Dossiê Escravidão apresentamos, primeiramente, A Educação dos negros na sociedade escravista do Maranhão Provincial, de Mariléia Cruz, pelo qual podemos perceber a participação de negros livres, forros e escravos no processo de aprendizagem durante o século XIX. Já o trabalho de Newman di Carlo Caldeira – À margem da diplomacia: fugas internacionais de escravos do Brasil em direção à Bolívia (1822-1867) – percebe o escravo a partir de embates internacionais entre o Brasil e a Bolívia. Com relação ao transporte e comércio de cativos através do tráfico disponibilizamos o artigo de Marinelma Costa Meirelles: As conexões do Maranhão com a África no tráfico Atlântico de escravos na segunda metade do Século XVIII. Além destes, trazemos ainda uma discussão sobre o sistema escravista através da obra “O Mulato”, de Aluízio Azevedo, na produção de Leudjane Michelle Viegas Diniz: Olhares escravocratas nas Páginas de “O Mulato”. Para completar o Dossiê anexamos uma entrevista com Rafael Chambouleyron, professor da Universidade do Pará, em que discutimos alguns apontamentos sobre o processo de escravidão no Brasil e no meio norte-nordeste. E, por último, um documento transcrito pelo professor Reinaldo dos Santos Barroso Junior, referente ao assassinato de um sargento por um escravo no Maranhão de fins do século XVIII.

Na seção de artigos livres encontramos o trabalho de Antonio Evaldo Almeida Barros enfatizando a presença das festas na construção discursiva da identidade maranhense, com o texto Usos e abusos do encontro festivo: Identidades, Diferenças e Desigualdades no Maranhão dos Bumbas (c. 1900-50). A partir do trabalho de Claúdia Cristina Azeredo Atallah, intitulado Centro e periferias no Império Português: uma discussão sobre as relações de poder nas minas coloniais, enveredamos por importantes apontamentos sobre as relações de poder no império português. Apresentamos ainda o trabalho de Guilherme Queiroz de Souza sobre o processo de colonização do México-Tenochtitlán, com o título de Expansão da Fé e Proteção Espiritual: o papel dos clérigos no sentido cruzadístico da conquista de México-Tenochtitlán (1519-1521). Enquanto o artigo A contribuição da memória para o estudo de um processo imigratório específico: o caso dos sírios e libaneses em Juiz de Fora – MG (1890-1940), de Juliana Gomes Dornelas, discute a memória e o processo imigratório dos sírios e libaneses para o Brasil. E, por fim, um pouco de discussão sobre a atuação política de José Candido de Morais e Silva e sua presença na imprensa maranhense como redator do Jornal “O Farol Maranhense” através do artigo José Cândido de Morais e Silva: outras histórias (1828 – 1831), de Vicente Antonio Madureira.

Apresentamos ainda a resenha de Tatiane da Silva Sales referente ao livro Mulheres, Mães e Médicos: discurso maternalista no Brasil, de Maria Martha de Luna Freire, publicada pela Editora FGV.

Desejamos a todas e todos uma boa leitura!!!

Reinaldo dos Santos Barroso Junior

Rogério Veras


BARROSO JUNIOR, Reinaldo dos Santos; VERAS, Rogério. Editorial. Outros Tempos, Maranhão, v. 6, n. 8, 2009. Acessar publicação original [DR]

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História e Memória / Outros Tempos / 2009

Sobre a Memória e o esquecimento

Não poderia haver melhor frase para iniciar este número da revista Outros Tempos – Pesquisa em Foco que a frase de Milan Kundera em O livro do riso e do esquecimento de 1981: “A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”. Neste número temos o orgulho de apresentar o dossiê História e Memória no qual são veiculados oito artigos que utilizaram o conceito de memória em seus trabalhos. Trabalhos como o de Jayme Ribeiro que percebe a utilização da memória acerca da Bomba Atômica por partes dos comunistas e dos não comunistas, ou, ainda, de Sonia Maria de Meneses problematizando as relações entre mídia, memória e esquecimento. Já os trabalhos de Carolina Cunha e Raquel França dos Santos Ferreira, examinam o acervo documental escrito, a primeira perscrutou as Memórias do frei dominicano Servando Teresa de Mier na tentativa de entender o ideário iluminista, enquanto a segunda examinou as crônicas de Antonio Maria, compositor e produtor pernambucano, para entender o imaginário carioca da década de 1950. Já Daniel Choma analisa não os escritos de determinado personagem, mas o acervo fotográfico de Armínio Kaiser, enquanto Rafael Hansen Quinsani analisa a memória a partir do filme Soldados de Salamina, de 2003. Fábio da Silva Souza, por sua vez, analisa a história e a memória da famigerada Revolução Mexicana, e Leonardo da Costa Ferreira discute a memória de luta política de Amadeu Amaral.

Para completar o Dossiê de História e Memória temos a transcrição de um documento cedido e comentado pela professora Júlia Constança Pereira Camêlo, na realidade, uma entrevista concedida em 1996, por Onofre Alves de Siqueira, o Bebelo, à Cléa Camêlo de Albuquerque, referente às Ligas Camponesas. E, por fim, uma entrevista com a historiadora e pesquisadora Ana Maria Mauad, responsável pelo Laboratório de História Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense.

Na seção livre, com artigos dos mais diversos assuntos, vocês leitores podem encontrar o artigo de Maria Regina Santos de Souza evidenciando as dificuldades enfrentadas por viúvas na petições de pensão de seus maridos mortos na Guerra do Paraguai, ou, ainda, o trabalho de Marili Peres Junqueira enfocando as relações diplomáticas entre Brasil e Itália no final do século XIX. Thiago Cavaliere Mourelle, discute as origens do trabalhismo através do interventor Pedro Ernesto. No artigo em co-autoria de Valter Fernandes e Victor Abril poderão encontrar ainda uma discussão sobre a complexa relação de poder existente no império português a partir do Rio de Janeiro.

O desfecho dos artigos esta por conta da antropóloga italiana Anna Casella Paltrinieri com o texto intitulado Imigração, raça e cultura: o ensinamento de Franz Boas publicado na revista italiana Quaderni del Premio Letterario Giuseppe Acerbi, em novembro de 2008, e traduzido, para essa edição, pelos professores Claúdio Zannoni e Maria Mirtes dos Santos Barros.

Além dos artigos os leitores poderão encontrar, ainda, duas resenhas: a primeira do historiador Rogério Chaves da Silva do livro História Viva – Teoria da História III: formas e funções do conhecimento histórico, do historiador alemão Jorn Rusen; e a segunda, de Régia Agostinho da Silva, sobre a obra Uma escritora na periferia do império: vida e obra de Emília Freitas, escrita por Alcilene Cavalcante.

Como podem observar, esse número está quase que exclusivamente dedicado à Memória, e a maior parte das colaborações surgiu a partir de historiadores, contudo, isso não significa dizer que esquecemos os outros pesquisadores e escritores acadêmicos, o espaço está aberto para todas as contribuições e continuamos aguardando seus trabalhos.

A todos, boa leitura!

Reinaldo dos Santos Barroso Junior


BARROSO JUNIOR, Reinaldo dos Santos. Editorial. Outros Tempos, Maranhão, v. 6, n.7, 2009. Acessar publicação original [DR]

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História da América / Outros Tempos / 2008

A revista eletrônica de História Outros Tempos chega ao seu quinto volume consolidada como um importante veículo de difusão do conhecimento, não só histórico, como de outras áreas que lhe são afins, exemplos de: geografia, antropologia, literatura, sociologia, arquitetura e urbanismo, entre outros.

Neste volume, algumas mudanças se processaram. A revista deixou de ser anual para ser semestral, incluindo um dossiê, prática inaugurada em 2007, com o lançamento do volume especial Dossiê História Política, conseqüência direta da realização do IV Simpósio Nacional de História Política, realizado na Universidade Estadual do Maranhão, em outubro daquele ano. Outra modificação editorial importante foi a publicação de documentos originais e inéditos. Para este volume, apresentamos o documento que relata as cartas do governador do Maranhão do século XVIII, Bernardo Pereira de Berredo (1718-1722), cujo objetivo é comparar tal conjunto documental com as tradições letradas do período, de iniciativa dos professores, Alírio Cardozo (UFMA) e Rafael Chambouleyron (UFPA). As modificações não param por aí. Ampliamos o conselho consultivo, corpo de pareceristas, com pesquisadores de várias Instituições de Ensino Superior do país, sobretudo, pelo aumento substancial de artigos que a revista vem recebendo a cada volume. Repaginada, ganhou uma nova feição visual com um sitio mais leve, de fácil navegação e funcionalidade, mais bonito, apresentando imagens do centro histórico de São Luís.

Os elementos de permanência para este volume, no entanto, dão uma dimensão de sua importância acadêmica. Continua a multiplicidade de objetos, a atenção para alunos recém-graduados, mestrandos e doutorandos de programas de Pós-Graduação de todos o país, bem como professores de várias Instituições.

O dossiê deste quinto volume é sobre História da América. Os artigos abrangem desde a relação entre a América colonial, articulando os conceitos de maravilhoso medieval e real maravilhoso, próprio à literatura latino-americana do boom da década de 1960 do século XX, passando pela perspectiva comparada dos movimentos Ejército Zapatista de Liberación Nacional , do México, e Movimiento Indígena Pachakuti , da Bolívia, pela identificação dos elementos do Surrealismo francês como vanguarda literária européia e do realismo mágico como um movimento de renovação da narrativa literária latino-americana, até a relação entre história e memória do Chile contemporâneo, sem esquecer, é claro, que os demais artigos que abordam a história do Brasil, como os que analisam a Academia Maranhense de Letras, as memórias sobre o município de Nova Iorque, interior do Maranhão, o nacionalismo na experiência democrática brasileira, a interpretação de processos e movimentos de identificação em curso entre moradores de um trecho do Centro Histórico de São Luís, os registros eclesiásticos de batismo e casamento na freguesia de Limoeiro (entre os anos de 1862 a 1872), província do Ceará, também fazem parte da história da América, afinal, a história do Brasil é também parte da história latino-americana, apesar da ideologia que tenta abastardar, fragmentar este país do resto do continente. A separação do dossiê é apenas visual e organizacional, para facilitar aqueles que quiserem acessar diretamente assuntos relativos à história do Brasil.

Por fim, o quinto volume encerra com uma resenha do egresso do curso de história da UEMA, Fábio Henrique Gonçalves Sousa, com a resenha: História universal da destruição dos livros: das tábuas sumérias à guerra do Iraque, de autoria de Fernando Báez, publicada no ano de 2006.

Á todos uma boa navegação.

José Henrique de Paula Borralho

Márcia Milena Galdez Ferreira.


BORRALHO, José Henrique de Paula; FERREIRA, Márcia Milena Galdez. Editorial. Outros Tempos, Maranhão, v. 5, n. 5, 2008. Acessar publicação original [DR]

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Religião e Religiosidade / Outros Tempos / 2008

A Revista Outros Tempos inaugura nesta edição sua nova periodicidade: a semestral. Seguimos publicando artigos referentes a pesquisas desenvolvidas na conclusão de cursos de graduação, ao longo de pós-graduações e na prática cotidiana de professores de IES.

Dando continuidade aos Dossiês Temáticos, apresentamos ao público leitor o Dossiê Religião e Religiosidade que engloba desde artigos que discutem teoricamente o conceito de campo religioso em Bourdieu ; passando por pesquisas de cunho comparativo acerca das concepções de morte no medievo e na atualidade; abordagem do Regulamento das Aldeias; linguagem carnavalesca ou burlesca nos sermões do Padre Antônio Vieira, na América Portuguesa; religião e religiosidades indígenas; até a análise dos usos e funções das imagens na perspectiva da Igreja Católica.

Artigos versando sobre temáticas variadas também compõem este volume: relação entre Irmandades Religiosas e práticas higienistas no Oitocentos; trabalho de rua no Maranhão da virada do século XIX para o XX; condição feminina e prisão na cidade de Fortaleza (1850-1889); diálogos entre História e Literatura na obra da escritora baiana Anna Ribeiro de Araújo Góes Bittencourt; estudo de crises do petróleo no final do século XX; e relação entre Hip Hop e resistência da juventude de periferia na São Luís contemporânea.

Na seção de Documentos publicamos um catálogo de referências acerca da História do Brasil Colonial e História do Maranhão Colonial disponível nos acervos da Universidade Estadual do Maranhão e da Universidade Federal do Maranhão, elaborado a partir de proposta de trabalho desenvolvida em Monitoria de Disciplinas do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual do Maranhão. Inauguramos também a Seção de Entrevistas e, aproveitando o clima de discussão advindo dos 170 anos de deflagração da Balaiada, registramos o diálogo com o renomado historiador Mathias Röhrig Assunção, conhecedor profundo da temática em questão.

Boa leitura!

José Henrique de Paula Borralho

Márcia Milena Galdez Ferreira


BORRALHO, José Henrique de Paula; FERREIRA, Márcia Milena Galdez. Editorial. Outros Tempos, Maranhão, v. 5, n. 6, 2008. Acessar publicação original [DR]

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Outros Tempos | UFMA | 2004

Outros Tempos UFMA Outros Tempos

A Revista eletrônica de História  Outros Tempos  ”“ Pesquisa em Foco (2004-),  publicada pela Universidade Estadual do Maranhão ”“UEMA –  é um periódico semestral  voltado para a divulgação de artigos inéditos, resenhas e estudos de casos produzidos por pesquisadores vinculados a IES e PPG, Mestres (apenas para Resenha), Doutorandos e Doutores.

As contribuições recebidas pelo periódico são submetidas a processo de avaliação do   Conselho Editorial. A revista Outros Tempos reúne textos em sessões dedicadas a temas livres, dossiês temáticos, resenhas e destina um espaço a entrevistas com pesquisadores relacionados ás áreas humanas.   A polí­tica editorial da Outros Tempos é divulgar as pesquisas na área de História, fomentar o debate  historiográficos em ní­vel de pós-graduação, possibilitar o acesso de professores e alunos de áreas congêneres e regiões distintas ao conhecimento produzidos por investigadores vinculados ao sistema nacional de pós-graduação, além de promover o intercâmbio com profissionais do exterior. Desde a sua fundação, a revista  se constituiu em um espaço de natureza transdisciplinar agrupando a  divulgação de resultados da pesquisa histórica, textos sociológicos, antropológicos e de outras áreas das Ciências Humanas.

Periodicidade semestral.

Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento cientí­fico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

ISSN 1808-8031 (Online)

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