Revisitando o Dossiê Brasil Colônia

Aos leitores apresento a primeira revista científica do Programa de Pós-Graduação em História da UFCG e, notadamente, do Curso de História da Unidade de História e Geografia. Com o presente dossiê, a Mnemosine Revista inicia uma trilogia que seguirá com “Brasil Império” e “Brasil República”. Objetiva-se possibilitar a divulgação de trabalhos de pesquisadores que tratem de temáticas desde a colônia até os dias atuais. O Dossiê Colônia foi organizado a partir de temas escolhidos livremente por seus respectivos autores e, acreditamos, revelando uma diversidade de interesses de discussões historiográficas, metodológicas e de diálogo com as fontes. Nos últimos anos, vem sendo publicados diversos trabalhos sobre Brasil Colônia, apesar de ser em menor proporção em relação aos trabalhos vinculados às temporalidades Império e República, no entanto, é perceptível um avanço no uso das fontes pelas redescobertas das pesquisas em arquivos brasileiros e no exterior. Os trabalhos dos últimos anos no campo do Brasil Colônia revelam que as práticas sócio- culturais construídas na América Portuguesa eram repletas de transgressões, sejam político-administrativas entre centro e metrópole, sejam nas práticas de sociabilidade discorridas em torno das festas, das lutas políticas de negação à ordem metropolitana, das relações de gênero, da diversidade dos planos educacionais que fugiram às regras religiosas, entre outras ressignificações que o cotidiano dos homens e mulheres luso-brasileiras conseguiam desconstruir a lógica do Projeto Colonial Português.

Para o presente dossiê apresento-lhes textos com abordagens variadas e que tratam de temas e problemas do Brasil Colônia, a partir das discussões sobre a recente historiografia portuguesa e brasileira respeitante ao Antigo Regime, enfocando novas possibilidades de estudo sobre a interdependência entre o centro (a metrópole e seu monarca) e a periferia (a colônia). Aborda-se a memória criada em torno da Inconfidência Mineira, através da análise dos boatos e murmurações que circularam em Minas Gerais e na cidade do Rio de Janeiro entre o início da repressão, em 1789, e a execução de Tiradentes, em 1792. É discutida a prática educativa desenvolvida na Paraíba colonial durante o domínio holandês. Analisa as estratégias e os objetivos dos poderes locais da Capitania da Paraíba, representados por meio dos oficiais da Câmara, na sua recusa em organizar a festa para homenagear São Francisco de Borja. Aborda-se a ocupação holandesa no nordeste brasileiro a partir de análises dos documentos deixados pelo cronista Roulox Baro. Analisa-se as transformações gerais ocorridas na economia do Rio de Janeiro na primeira metade do século XVIII, considerando o impacto causado pela ocupação de novas regiões e pelo fluir do ouro Estamos diante de um dossiê sobre Brasil Colônia com característica de multiplicidade de nortes interpretativos, opções de correntes teóricas, opções de recortes, ângulos e ressignificações diversas do passado da América Portuguesa por parte dos historiadores selecionados.


APOLINÁRIO, Juciene Ricarte. Apresentação. Mnemosine Revista. Campina Grande, v.1, n.1, jan. / jun., 2010. Acessar publicação original [DR]

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