Os artigos deste número compõem o dossiê temático “Dimensões Transnacionais da Cultura Técnica: Engenheiros, Arquitetos e Construtores na América do Sul, 1860-1945”, cuja motivação primeira foi discutir a constituição de um campo disciplinar tecnológico composto por engenheiros, arquitetos e construtores, tomados, privilegiadamente, a partir de uma perspectiva de interação internacional ou transnacional.

Os marcos temporais tratam do período abrangido pela II Revolução Industrial, época considerada pela historiografia como de grande consolidação dos processos técnicos e que grandes alterações trouxeram aos modos de vida, uma vez que impactaram territórios, da micro à macro- escala.

Estas três categorias profissionais entraram em embates entre a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, requisitando reconhecimentos sociais e impondo limites de ações, uns sobre os outros, de forma a garantir a constituição de grupos privilegiados, em que o discurso técnico e a cientificização de suas ações alijassem outros grupos, vistos como concorrentes de práxis, em nome de uma certa modernidade.

O leitor verá, neste dossiê, que o empoderamento dessas categorias profissionais no período estudado se deu ao mesmo tempo em que se tratou de modernizar cidades, desenvolvendo linguajar acessível que explicasse ao público em geral enormes mudanças territoriais que esses negócios perpetravam; procurou-se tirar o máximo proveito econômico e simbólico dos empreendimentos, constituindo e reconstituindo novas oligarquias econômicas e familiares; envidou-se alianças locais mas sempre levando em conta interesses internacionais. O internacional mais uma vez não se explica sem uma rede local interessada e vice-versa.

Evidentemente que a visada global que este dossiê apresenta somente foi possível porque vários colegas se dispuseram a reagir a uma chamada de trabalhos sobre o tema por nós organizada, no início de 2018, contribuindo com seus originais. É somente lendo lado a lado esses trabalhos que essas hipóteses se cristalizam.

Agradecendo imensamente àqueles que enviaram seus originais e aos pareceristas que fizeram leituras cuidadosas desses trabalhos, desejamos uma boa leitura a todos que acompanham a Revista Brasileira de História da Ciência.

Rogério Monteiro de Siqueira – Universidade de São Paulo. EACH-USP

Fernando Atique – Universidade Federal de São Paulo. EFLCH-UNIFESP

Rodrigo Booth – Universidad de Chile. FAU-UChile


SIQUEIRA, Rogério Monteiro de; ATIQUE, Fernando; BOOTH, Rodrigo. Apresentação. Revista Brasileira de História da Ciência, Rio de Janeiro, v. 11, n. 1, jan. / jun., 2018. Acessar publicação original [DR]

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