Partidas de diversas problemáticas, as abordagens historiográficas acerca de questões ambientais começaram a exercer presença na década de 1970, e logo se transformaram em um campo de pesquisa com abrangência em diversas áreas do conhecimento. No Brasil, em 2011 a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) consolidou a inclusão das Ciências Ambientais em seu contexto e, recentemente, a História Ambiental vem ganhando voz e espaço nessa discussão. Como exemplo para a expansão recente da área de ciências ambientais, podemos citar que, hoje, o Brasil conta com mais de 120 programas de pós-graduação somente na nesse campo, incluindo cursos de mestrado, mestrado profissional e doutorado. Tem crescido a importância e a expansão do segmento com o passar dos anos. Os desdobramentos do campo envolvem gestão ambiental, recursos naturais, tecnologia, ambiente e sociedade em atuações que vão desde as ciências humanas, naturais e sociais às exatas. Em nossa Universidade Federal de Campina Grande há um programa de Mestrado e Doutorado em Recursos Naturais situado na Área de Ciências Ambientais que tem progressivamente atraído mais historiadores que por lá entrelaçam seu trabalho e sua formação. Dois dos professores de nosso Programa de Pós-Graduação em História da UFCG, um geógrafo e um historiador, são, simultaneamente, professores efetivos deste Programa de Pós em Ciências Ambientais. Muitos de nossos egressos do Mestrado em História terminam por lá sua formação no Doutorado. Em Ciências Ambientais não basta tematizar a relação entre natureza e cultura, mas, o esforço e de entrelaçar métodos e contribuições de diversos saberes para a abordagem de um tema tão complexo. Foi pensando nesse movimento que elaboramos este dossiê organizado cujo tema é História e Ciências Ambientais.

Logo no primeiro artigo temos a associação entre um agrônomo e um historiador. Daniel B. P. Araújo e Veneziano G. de Souza Rego abordam o tema “História Ambiental e Impactos Antrópicos na Estação Ecológica do Pau-Brasil, Mamanguape – PB.” Na sequência Mara Karinne Lopes Veriato Barros e Patrícia Herminia Cunha Feitosa exploram “O Açude Saulo Maia e Sua Função Estratégica no Abastecimento do Agreste Paraibano nos Anos de 2017 e 2018”, textos em que se entrelaçam saberes jurídicos, historiográficos e de engenharia hídrica. Seguindo, temos os geógrafos Maria Aparecida Gomes Sousa e Sérgio Murilo Santos de Araújo que tematizam uma “Análise da Sustentabilidade do Município de Barra de São Miguel-PB a partir do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável do Cariri Oriental.” Seguindo, partimos para a abordagem dos relevantes temas que envolvem gestão e saúde, no artigo “História das Ciências e o uso do Processo Oxidativo Avançado H2O2 / UV para degradação de micropulente ambiental: ivermectina nas águas destinadas ao abastecimento humano”, assinado por Andreza Costa Miranda e Paula Mikacia Umbelino Silva. Cleber Vasconcelos de Oliveira (in memorian) e Janaina Barbosa da Silva”, ambos geógrafos, abordaram “Aspectos históricos e geográficos da pesca no Brasil: contexto, cenários e perspectivas” Elisângela Silva Porto e Ângela Maria Cavalcanti Ramalho, geógrafa e socióloga, abordaram “História Ambiental Urbana e a qualidade de vida em Campina Grande sob a ótica do “residir e viver” na última década.” Finalmente, Taciana de Carvalho Coutinho, bióloga molecular e José Otávio Aguiar, historiador, produziram seus “Ensaios de História Ambiental Urbana: As Transformações na Terra Indígena de Umariaçu a partir do Crescimento do município de Tabatinga”.

José Otávio Aguiar


AGUIAR, José Otávio. Apresentação. Mnemosine Revista, Campina Grande – PB, v.10, n.1, jan / jun, 2019. Acessar publicação original [DR]

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