Civilização da imagem, da ilusão. Civilização da invenção, da razão. Situações antitéticas? É opinião corrente que vivemos uma época em que as imagens caracterizam, limitam, simbolizam, arrogam sentidos, enfim, definem as relações sociais. É também consenso que isso tudo nos amedronta, coloca-nos diante do imprevisível: imagens virtuais, mundos fictícios…

Eis aqui um assunto do qual a RBH quer participar por meio de um dossiê inovador para as suas páginas: história e manifestações visuais. Por isso a Revista abre esta edição com duas matérias em chaves de leituras opostas, mas complementares. Primeiro, uma entrevista de Alain Corbin a Laurent Vidal, na qual fica inteiramente revelado o historiador da paixão pela história, da história das sensibilidades e das imagens banais do cotidiano. Depois, um artigo de Boris Kossoy, uma conferência luminosa, sobre os intrigantes desafios interpretativos que as imagens encerram, e sobre os esforços investigativos e reflexivos em desvendar a fotografia, no que ela revela e silencia.

Seguem-se artigos que tratam de variadas temáticas, tendo sempre a história como seu sistema constitutivo, o que de resto é a matéria básica desta publicação, e as imagens, em movimento ou não, como veículos e suportes de idéias. Ana Maria Mauad — “Genevieve Naylor, fotógrafa: impressões de viagem” — trabalha com fotografia e política; Artur Freitas — “Arte e movimento estudantil: análise de uma obra de Antonio Manuel” — cuida da relação entre artes plásticas e política; Cássio da Silva Fernandes — “As contribuições de Jacob Burckhardt ao Manual de História da Arte de Franz Kugler” — analisa história da arte e mudança social; Eduardo Morettin — “Dimensões históricas do documentário brasileiro no período silencioso” — relaciona cinema e história social; Sheila Schvarzman — “Ir ao cinema em São Paulo” — investiga cinema e comportamento no início do século passado; Luciana Rossato — “Imagens de Santa Catarina: arte e ciência na obra do artista viajante Louis Choris” — estuda conexões entre arte e conhecimento científico; Jean Luiz Neves Abreu — “Difusão, produção e consumo das imagens visuais: o caso dos ex-votos mineiros do século XVIII” — conjectura sobre a produção e o consumo da arte popular. Por fim, publica-se uma resenha de livro de Oswaldo Caldeira que mescla cinema e reminiscências.

O número da RBH que o leitor tem em mãos encerra o ciclo administrativo deste Conselho Editorial. Escolhemos dedicar os quatro números concernentes ao período aos temas história / cidades, história / poder, história / conhecimento e história / imagem. Diante das perplexidades que contemporaneamente se apresentam ao entendimento da história, procuramos seguir as diretivas mais singulares de nossa profissão. Isto é, estudar com afinco os textos oferecidos à publicação e dar publicidade àqueles que mais estimulassem a reflexão.

Se as virtudes cívicas contribuem para a boa vida de todos, as virtudes editoriais devem contribuir para o aprimoramento de toda a comunidade de professores e pesquisadores.

Conselho Editorial


Conselho editorial. Apresentação. Revista Brasileira de História, São Paulo, v.25, n.49, jan. / jun, 2005. Acessar publicação original [DR]

Acessar dossiê

Deixe um Comentário

Você precisa fazer login para publicar um comentário.