Temos um número tornado especial da nossa Revista, o que se deve ao diálogo interdisciplinar, aberto a outros saberes, no Dossiê Política e História.

Os textos apresentados neste número não foram apenas de visitação à história política como mais correntemente conhecemos na historiografia. Predominantemente, os textos neste número abrem diálogo da política e a história do presente.

Assim são as discussões de Clóvis Melo sobre as conclusões da sua pesquisa descritiva, que sugere que as práticas instituídas no país mantém um modelo consolidado ao longo do tempo. José Maria Nóbrega relata o status permanente da nossa democracia em busca de consolidação, mensurando o nível de accountability horizontal de algumas instituições coercitivas, instituídas em nossa sociedade. De igual forma, Gomes Neto traz a baila o fenômeno da judicial politics, para interpelar sua ação na ambiência social do país, textos que se tornam especialmente importantes se percebermos a história do tempo presente como um momento particularmente favorável asa observação do tempo passado sobre o presente, e, enfim, como uma permuta inevitável entre memória e acontecimento, como queria Rioux.

Como perspectiva consolidada, afirma Tètard sobre o estudo do político, que o retorno da história política tiveram e têm ainda um papel aglutinador e dinâmico, mas que qualquer obra sobre o político e a história política não podem trazer senão resposta parciais, de onde decorre a necessidade da interlocução com outros saberes que advém da própria dinâmica da cultura e da demanda social.

Ao trazer a tona temática como a sustentabilidade, como faz Sérgio Araújo investigando as ações do Estado, de empresas e da sociedade diante do ambiente natural visitando os conceitos de política, poder tenta mapear comportamentos social diante dos recursos de garantia da existência, quebra o paradigma da pura e simples cronologia pretérita para apontar a história na direção das perspectivas sociais em seu inalienável pertencimento individual e coletivo. Por isso mesmo no texto de Eugênio Carvalho com o sugestivo título “O domínio das águas”, o Recife se faz no tempo, aponta para a experiência das cidades, que se erguem, segundo Carlos Pena Filho, dos sonhos dos homens, procura mapear as “práticas realizadas ao longo de todo o século XX”, aponta para o problema da percepção imposta pelas condições históricas, como ambiente mesmo das sociabilidades.

Mais próximos da tradição historiográfica em si estão os textos de Ariosvalber Oliveira, Jean Patrício e Emerson Lucena e Fabio San Martins. O primeiro e o último remetem a tematizações cuja demarcação temporal é o Brasil Império. Ariosvalber toma o problemática a relação crônica e a pesquisa histórica para entender tramas políticas e os interesses dos liberais e conservadores em torno da questão da abolição e suas conseqüências, ao passo que San Martins sobre as questões econômicas que do Império incorporaram-se aos problemas da ordem republicana nascente.

Jean Patrício e Emerson Lucena voltam-se a um período mais recente da vida republicana, a Quarta República. Ambos tratam de tópicos pontuais e na perspectiva política. A pesquisa de Emerson é inovadora no sentido de apontar a relação entre comunistas e protestantes, estes últimos, sempre retoricamente reticentes a aproximação com as esquerdas. Jean, por sua vez, buscou entender as práticas políticas do processo de “redemocratização” na Paraíba durante o período de 1945- 1947, discutindo como tais práticas e grupos políticos influenciaram o processo político republicano.

O número se encerra com a entrevista do professor Antonio Paulo Rezende, concedida a Gláucia de Souza Freire onde faz importantes considerações sobre a experiência de historiador e sobre o fazer história.

João Marcos Leitão Santos


SANTOS, João Marcos Leitão. Apresentação. Mnemosine Revista. Campina Grande, v.3, n.1, jan. / jun., 2012. Acessar publicação original [DR]

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