A presente edição da Cordis: Revista Eletrônica de História Social da Cidade reúne investigações dos percursos e experiências das mulheres, quer do ponto de vista individual, quer coletivo. Apoiados em fontes já incorporadas ao cotidiano do historiador, tais como a pintura, música, literatura, imprensa, processos e documentos pessoais, refletem sobre a participação política, cultural, religiosidade e imaginário, a partir da perspectiva feminista, de gênero e da história social.

Mulheres na história congrega representações de mulheres em diferentes temporalidades e renova o eterno questionamento: afinal, quem é a mulher na história?

Apesar de não se restringirem a uma única temática, a vertente política perpassa as investigações de Maria Izilda Santos de Matos, Maria Verónica Perez Fallabrino, Sônia Brandão e Luciara Silveira de Aragão e Frota, cujas análises revisitam a história e requalificam a importância do papel desempenhado pela mulher no Brasil, Paraguai e Florença em diferentes temporalidades. Eugenia Désirée Frota, Carlos Diego Moreno e Lourdes Jimenez Moreno conferem visibilidade às mulheres na Suécia e no México, ao passo que Ana Helena da Silva Delfino Duarte analisa o conteúdo das pinturas de Frida Kahlo.

Nesse número de Cordis figuram os relatos de pesquisa de Letícia Ferreira da Silva sobre a cultura e o cotidiano vivenciado Cordis: Revista Eletrônica de História Social da Cidade pelas mulheres no período colonial, de Vitor da Matta Vívolo acerca da influência dos tratados e discussões do meio científico na literatura e de Monica Silva Dias sobre a violência contra a mulher em área de manancial.

Em Maria Prestes Maia, “a primeira operária” de São Paulo a análise de Maria Izilda Santos de Matos se fundamenta em variada documentação, tais como os dossiês do DEOPS / SP, entrevistas e imprensa, para rastrear a trajetória de vida de Maria de Lourdes Prestes Maia: sua atividade política, atuação na Federação das Mulheres do Brasil, experiências como atriz e professora de teatro, bem como as ações no setor cultural e na assistência social.

No artigo É preciso estar atento e forte: desafios na curta trajetória de Iara Iavelberg Sônia Brandão discorre sobre a condição feminina e os limites do pensamento conservador da esquerda revolucionária, a partir da trajetória da psicóloga e militante estudantil Iara Iavelberg, uma das figuras femininas de destaque no movimento de luta armada contra a ditadura civil-militar brasileira.

Fundamentada na corrente revisionista histórica, Elisa Alicia Lynch: a dama de aço do Paraguai, de Luciara Silveira de Aragão e Frota, propõe uma nova análise do papel de Elisa Alicia Lynch na vida de Solano López e do Paraguai.

Contextualizado na Florença do século XV, Lucrezia Tornabuoni: poesia e poder na família Medici, de Maria Verónica Perez Fallabrino, analisa a produção cultural e os papéis social e político da influente Lucrezia Tornabuoni.

Os meandros da Revolução Francesa, o período napoleônico e a instalação da dinastia dos Bernadotte na Suécia constituem o pano de fundo do artigo Uma francesa no trono sueco, de Eugenia Désirée Frota, cuja abordagem centra-se na análise da cidadã francesa Bernadine Eugénie Désirée Clary, filha de um comerciante de sedas de Marselha, casada com o general Charles Jean-Baptiste Bernadotte.

Fundamentado em Sóror Juana Inés de la Cruz: as armadilhas da fé, de Octávio Paz, o artigo Sóror Juana: a fênix mexicana, de Carlos Diego Moreno e Lourdes Jimenez Moreno, centraliza-se na vida de uma monja mexicana do século XVII que, pela sua persistência e luta, abriu caminho para outras mulheres ocuparem lugar no mundo do conhecimento.

Ambientada nos “anos dourados”, A felicidade infeliz de Maysa Matarazzo em tempos do American way of life, de Marcia Barros Valdívia, destaca a influência do modo americano de vida no Brasil, a necessidade do bem-estar expresso no consumismo de bens materiais, bem como pelo clima de angústia, desilusão e insegurança do pós-guerra. Em meio aos símbolos de maximização da felicidade, mascarava-se a tristeza de muitos indivíduos, entre eles, a da cantora Maysa Matarazzo e de outros cantores boêmios que, com suas experiências e canções, expressaram um modo particular de ser infeliz, carregado de requinte, glamour e beleza, elementos próprios à década de 1950.

A iconografia ex-votiva presente na obra da pintora mexicana Frida Kahlo, é a temática de Ana Helena da Silva Delfino Duarte, no artigo O imaginário ex-votivo na pintura de Frida Kahlo. Trata-se de uma análise comparativa de algumas pinturas de Frida Kahlo com pinturas ex-votivas mexicanas para salientar pontos de convergências e divergências no que diz respeito à motivação, à composição, aos elementos compositivos, à paleta cromática e ao tratamento pictórico.

O envolvimento das mulheres na emigração clandestina portuguesa e na sua organização é a temática central do artigo de Marta Silva. As mulheres na arte da emigração: motivações, estratégias e representações no êxodo clandestino português (1957-1974) desvenda o lugar da mulher no meio rural português e as imagens construídas em torno das engajadoras, passadoras e emigrantes.

A pesquisa Brasil colonial: as mulheres e o imaginário social de Letícia Ferreira da Silva, orientado por Maria Augusta de Castilho, analisa a cultura, o cotidiano e as relações de gênero vivenciado pelas mulheres no período colonial brasileiro.

Intitulado Maternidade e monstruosidade literária: Mary Shelley e o nascimento de Frankenstein, o recorte da pesquisa de Vitor da Matta Vívolo, orientado por Carla Reis Longhi, investiga a influência dos discursos científicos do século XIX e o surgimento do gênero literário de “ficção científica” na obra da escritora Mary Shelley.

A pesquisa de Monica Silva Dias, orientado por Lívia Cristina Aguiar Cotrim, Violência contra a mulher, ninguém mete a colher? Um estudo em área de manancial, trata da violência contra as mulheres e se inscreve em um projeto maior que objetiva promover o acesso à informação em saúde, relações de gênero, meio ambiente, cultura e noções de cidadania para o desenvolvimento social das comunidades.

São Paulo (SP), junho de 2014

Sênia Bastos

Editora Científica


BASTOS, Sênia. Apresentação. Cordis – Revista Eletrônica de História Social da Cidade, São Paulo, n. 12, jan. / jun., 2014. Acessar publicação original [DR]

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