Em seu primeiro número de 2013, a Historiae publica o Dossiê “O olhar dos viajantes estrangeiros”, buscando enfatizar a relevância dos relatos oriundos de visitantes como fontes históricas. A presença de estrangeiros no Brasil foi uma constante desde os primeiros tempos da colonização, pois, apesar dos empecilhos criados pela metrópole, não faltaram viajantes de outras nacionalidades que deixaram seus testemunhos sobre os trópicos. Ao passo que os portugueses intentavam evitar uma divulgação mais ampla de informações sobre suas possessões coloniais na América, os estrangeiros se encarregaram de levar à Europa as peculiaridades do Novo Mundo. A partir das transformações do início do século XIX, desencadeadas desde a Abertura dos Portos e aprofundadas a partir de então, uma enorme quantidade de visitantes esteve no Brasil, elaborando registros sobre sua formação humana e territorial. Com a edificação do estado nacional, primeiro monárquico e depois republicano, não escassearam os viajantes que continuaram mostrando suas perspectivas in loco acerca da terra e da gente brasileira.

Tais visões peculiares ressaltaram diversificados fundamentos acerca da sociedade brasileira, abrangendo desde o mais comezinho aspecto até a mais basilar conjuntura. O testemunho ocular dos estrangeiros focava desde as cenas do cotidiano até os processos de continuidade e ruptura intrínsecos ao devir histórico nacional. Os brasileiros e seu país foram retratados das mais variadas formas pelos visitantes, com ojeriza, receio, preconceito, simpatia, admiração e paixão, num emaranhado de percepções e sentimentos que muito caracterizam tais relatos. Como num espelho os europeus viam o Brasil através de si mesmos e de suas respectivas visões de mundo e suas narrações em muito viriam a influir na própria configuração de algumas das identidades nacionais, à medida que se (re)criavam imagens acerca dos brasileiros, vistos pelo crivo do olhar estrangeiro.

Os escritos referentes ao Dossiê abordam prismas múltiplos sobre o tema, passando pela História local, regional e nacional e enfocando um amplo período que abrange desde os tempos coloniais até o século XX. A Historiae traz ainda neste número vários artigos de temática livre, abordando pesquisas envolvendo também estudos do local ao internacional, desde a antiguidade até a contemporaneidade.

Com este número inaugural de seu quarto volume, a Historiae – Revista de História da Universidade Federal do Rio Grande mantém seu intento de difusão de trabalhos acadêmicos de natureza histórica, dando continuidade a uma caminhada iniciada pelos historiadores da FURG há mais de três décadas.

Francisco das Neves Alves – Presidente do Corpo Editorial


ALVES, Francisco das Neves. Apresentação. Historiae, Rio Grande- RS, v. 4, n. 1, 2013. Acessar publicação original [DR]

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