Práticas Culturais e Identitárias: entre o Oriente e o Ocidente (Século V-XV) / Revista Mosaico / 2018

As vivências entre os mundos oriental / ocidental se constituem em um campo inesgotável e complexo de análise. Se por um lado as guerras aceleraram este distanciamento, por outro as aproximações foram várias; incentivadas pelas peregrinações e trocas culturais intensas, que garantiram a flexibilidade identitária e a elaboração de novos significados e parâmetros. O presente dossiê tem a pretensão de contribuir com esta discussão, englobando interpretações diversas, que contemplam a temática proposta. No primeiro artigo, de autoria de Janira Feliciano Pohlmann a autora reflete sobre a ambiguidade das noções de heresia e ortodoxia, no contexto do século IV, em que diferentes correntes cristãs da antiguidade romana pretendiam solidificar sua atuação em todo o Império. A autora procura responder à seguinte questão: Como os hinos compostos por Ambrósio de Milão, ajudaram a edificar a ortodoxia nicena? Na sequência Cynthia Maria Valente apresenta alguns momentos de disputas entre o Império Bizantino e o Reino Visigodo de Toledo, tendo por ponto de partida a expansão bélica bizantina no norte da África. Estas relações de antagonismo e disputas acirradas marcariam a história da região. O texto de Roseli Martins Tristão Maciel busca traçar um panorama acerca das diversas visões sobre a Lepra da antiguidade à Idade Média, com destaque para a construção teórica acerca da doença, presente em escritos de origem judaica e cristã.

Com destaque às aproximações identitárias entre oriente e ocidente, Elaine Cristina Senko Leme e Mariana Bonat Trevisan, discutem as concepções relativas à sexualidade entre estes espaços distintos. Para tanto, fazem um paralelo entre a obra do muçulmano Muhammad al-Nafzawi, Os Campos Perfumados, e o Leal Conselheiro, de autoria do rei português D. Duarte. Sobre a herança árabe na medicina e cozinha medieval aragonesa, Renato Toledo Amatuzzi discute as influências de alguns alimentos de origem árabe na dietética real, com destaque para o açúcar, frutas cítricas, as especiarias e o arroz, por meio das receitas culinárias e prescrições médicas. Ainda no âmbito da Baixa Idade Média Ibérica Hugo Rincon Azevedo, resgata as crônicas de Fernão Lopes e Gomes Zurara. Nelas apresenta evocações do poder régio por meio de cerimônias simbólicas de exaltação, consideradas fundamentais nas estratégias de legitimação da Casa de Avis no século XV. Usando método comparativo Célia Daniele Moreira de Souza, resgata obras consideradas como espelho de príncipes, que tiveram por função o aprimoramento da arte de governar. Escolhendo duas fontes de estilos diferentes, estas contribuem para aproximações discursivas possíveis, entre oriente e ocidente.

Fechando o dossiê o artigo de Juliana de Mello Moraes e Maria Cláudia de Faveri Luz discute o papel das denunciantes, motivações e conteúdo das acusações. Mapeando seu perfil sócio- ocupacional, bem como as relações de conflito que as envolviam, destacam também aquelas suscitadas / reforçadas pela presença do inquisidor.

Adriana Mocelim – Doutora e Mestre e em História pela Universidade Federal do Paraná. Graduada em História pela UFPR. Professora na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. E-mail: [email protected]

Renata Cristina de Sousa Nascimento – Doutora em História pela UFPR. Docente efetiva na Universidade Federal de Goiás, Universidade Estadual de Goiás e na Pontifícia Universidade Católica (PUC- Goiás). E-mail: [email protected]


MOCELIM, Adriana; NASCIMENTO, Renata Cristina de Sousa. Apresentação. Revista Mosaico. Goiânia, v.11, n.2, jul. / dez., 2018. Acessar publicação original [DR]

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