Neste número 58 iniciam-se os trabalhos do novo Conselho Editorial da Revista Brasileira de História, com o compromisso de dar continuidade ao trabalho dos colegas que nos antecederam, e ao mesmo tempo enfrentar os desafios que ora se apresentam.

De acordo com a resolução da Assembleia Geral da Anpuh, realizada em Fortaleza em julho de 2009, este é o último número impresso da RBH. A partir do número 59, daremos início a uma nova fase, na qual a publicação será exclusivamente digital e com versão em inglês.

Adotar esse formato representa uma nova etapa na história da RBH. Nossa tradição historiográfica de valorização dos textos e arquivos em papel nos faz temerosos desses novos suportes da escrita. No entanto, as aceleradas transformações sofridas pelo mercado editorial na atualidade implicam uma tendência crescente à digitalização dos periódicos. A publicação eletrônica pode viabilizar a utilização da tecnologia com vistas ao enriquecimento da produção historiográfica, ou seja, abre-se a possibilidade de uma escrita da história que vai além das palavras e passa a compor narrativas com imagens, hipertextos, ambientes em 3D e tudo mais que o suporte digital puder oferecer ao pesquisador. Tal mudança tem ainda por objetivo a internacionalização da produção historiográfica brasileira, além da diminuição dos custos e das dificuldades logísticas para o armazenamento e distribuição.

Neste número, o dossiê “Repúblicas” reuniu quatro artigos que privilegiam o período de 1889-1930. O texto de Flavio Heinz analisa a atuação dos professores da Escola de Engenharia de Porto Alegre e sua participação na Administração Pública. Cláudia Viscardi nos apresenta um artigo que trata do mutualismo no Rio de Janeiro, visto como estratégia dos trabalhadores para enfrentar a pobreza e o desamparo social. O texto de Regina Horta, através da análise da trajetória do cientista Cândido de Mello Leitão, discute o desenvolvimento do campo da Biologia no Brasil, e como este foi marcado por uma forte instrumentalização política, comprometida com a defesa de concepções favoráveis à construção de um Estado forte e centralizado. Encerrando o dossiê, temos a contribuição de Natália de Lacerda, que analisa os dados produzidos pela Diretoria Geral de Estatísticas entre os anos de 1871 e 1931, buscando fazer uma reflexão acerca da relevância das estatísticas educacionais como fonte para a pesquisa em História da Educação.

Os demais artigos do número focalizam temáticas variadas. O texto de Helenice Ciampi, Alexandre Pianelly, Antonio Simplício e Ilíada Pires, “O currículo bandeirante”, discute os desdobramentos que a Proposta Curricular do Estado de São Paulo trouxe tanto para os profissionais de educação quanto para os discentes. Douglas Cole e Zephyr Frank apresentam uma pesquisa que aborda a temática da etnicidade e da classificação social no Brasil, do século XVIII ao XIX. Estudando a revista Niterói, Débora Andrade busca reconstruir a proposta de afirmação da nacionalidade contida nessa publicação, que defendia a centralidade das artes e da literatura. Fechando a série de artigos, temos a contribuição de Marco Stancik, que analisa fotografias datadas da época da Primeira Guerra Mundial abordando-as como documentos das diferentes percepções do conflito.

Ainda neste volume, apresentamos uma entrevista concedida pelo professor Fernando Catroga, da Universidade de Coimbra. O historiador nos falou sobre sua trajetória intelectual, eventos históricos por ele vividos e a evolução do lugar da História na sociedade contemporânea.

Terminamos este número da RBH com uma série de resenhas que buscam apresentar aos leitores contribuições relevantes para a produção historiográfica do Brasil e do exterior. Lúcia Lippi assina a resenha do livro Antropologia Brasiliana: ciência e educação na obra de Edgard Roquette-Pinto, organizado por Nísia Lima e Dominichi de Sá; Sílvio Marcus Correa nos apresenta o livro de Karen Dubinsky et al., New World Coming: the sixties and the shaping of global consciousness; Waldir Rampinelli traz um texto sobre a Apologia dos bárbaros: ensaios contra o império, de Mike Davis; e por último temos Eliane Abrahão, que resenha o livro de João Luiz Máximo da Silva, Cozinha modelo: o impacto do gás e da eletricidade na casa paulistana (1870-1930).

Conselho Editorial


Conselho editorial. Apresentação. Revista Brasileira de História, São Paulo, v.29, n.58, dez, 2009. Acessar publicação original [DR]

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