O projeto de pesquisa em História: da escolha do tema ao quadro teórico | José D’Assunção Barros

José D’Assunção Barros é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, do Curso de Mestrado e Graduação em História, e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É autor dos livros: O campo da História, O projeto de pesquisa em História, Cidade e História, e a Construção social da cor. Referente à música, escreveu, em 2005, o livro Raízes da Música Brasileira, Nacionalismo e Modernismo: a música erudita brasileira nas seis primeiras décadas do século XX em 2005, obra que recebeu o Prêmio: Inéditos da União Brasileira de Escritores no Rio de Janeiro.

O livro “Projeto de pesquisa em História” está dividido em seis capítulos intitulados respectivamente: O projeto de pesquisa e estrutura fundamental; Introdução e delimitação do tema; Revisão bibliográfica; Justificativa e Objetivos; Quadro teórico e Hipótese, além de um rico glossário no final, bastante útil para os pesquisadores iniciantes com pouca intimidade com o vocabulário específico da pesquisa no campo da História.

No primeiro capítulo do livro são explicitadas as etapas da produção de um projeto em História, da fase elementar ao término. Esse capítulo, além de apresentar um resumo geral da temática, indaga ao leitor sobre as perguntas que problematizam a elaboração de um projeto de pesquisa que, segundo Barros, são “instigantes e muito desafiadoras” no início do processe de elaboração do projeto de pesquisa. Esse capítulo ainda retrata a diferença entre pesquisadores, classificando-os em “pesquisador iniciante, pesquisador estudioso, pesquisador profissional”. Nele também são apresentadas as diferenças entre projetos de pesquisa, projetos para levantamentos de fundos e projetos para a produção acadêmica. Ao longo de capítulo, Barros apresenta de forma clara e sucinta as partes que devem conter em um projeto, além de elencar as perguntas que uma pesquisa deve buscar responder: “O que se pretende fazer? Por que fazer? Para que fazer? A partir de que fundamentos? Com o que fazer? Como fazer? Com que materiais? A partir de que diálogos? Quando fazer?”; são perguntas como essas feitas no primeiro capítulo que possibilitam ao leitor elaborar seu projeto de pesquisa de forma bem articulada.

Barros, no segundo capítulo, discute a “Introdução e delimitação do tema”, pois a introdução do projeto deve ser bem resumida. No que diz respeito ao recorte temático, o autor revela que o dever de realizá-lo é do pesquisador que deve apreciar bastante o tema a ser pesquisado, pois são “escolhas […] que dependem mais diretamente do pesquisador” (p. 15). Enfatiza que após essa definição o tema sofrerá vários recortes relacionados ao tempo e ao espaço, além dos contemporâneos recortes do tipo “serial” e “da fonte” que, segundo Barros, são tarefa do historiador. Neste capítulo, o autor discute a escolha do tema, ressaltando a relevância para os pares e o interesse pessoal de cada pesquisador. Merece destaque nesse capítulo, portanto, a importância e o impacto da introdução em um projeto de pesquisa.

No terceiro capítulo, Barros discute a revisão bibliográfica, fundamental para o projeto, pois nenhum pesquisador sai do nada para fazer a sua pesquisa. Ele enfatiza que a revisão bibliográfica “não é listar todos os livros importantes para o seu tema” (p. 23). O autor revela uma preocupação em organizar as revisões bibliográficas, além de apresentar a distinção entre Bibliografia e Fontes, pois a primeira é “fonte histórica é aquilo que coloca o historiador diretamente em contato com o seu problema” (p. 24) enquanto a segunda “constitui o conjunto daquelas obras com as quais dialogamos, seja para nelas nos apoiarmos ou para nelas buscarmos contraste” (p. 25). Essa distinção configura-se como fundamental, pois muitas vezes o pesquisador pode confundir-se ao elaborar sua revisão bibliográfica.

No quarto capítulo, são discutidas a justificativa e os objetivos do projeto de pesquisa, diretamente relacionadas às perguntas norteadoras do estudo. Especificamente no que tange aos objetivos, Barros alerta que esses devem ser “[…] tratados de forma simples dentro do projeto de pesquisa, eles geralmente são expostos em sentenças de acordo com os verbos na forma infinitiva que podem estar listados ou tabelados” (p. 48). Os objetivos são classificados em geral e específicos, sendo que os objetivos específicos devem ser elaborados a partir do geral.

No quinto capítulo, o autor aborda a “interação e a diferença entre quadro teórico e metodologia”, na tentativa de minimizar as dificuldades que o pesquisador pode enfrentar acerca da diferença entre teoria e metodologia, pois os elementos do quadro teórico configuram-se como basilares para a revisão bibliográfica enquanto a metodologia, no campo das Ciências Humanas, remete a uma determinada maneira de realizar uma tarefa, ou seja, eleger ou constituir materiais, movimentar-se sistematicamente acerca do tema previamente definido pelo pesquisador. No campo da História, Barros elenca o Positivismo, o Historicismo, o Materialismo histórico, a Escola dos Analles, a História Cultural e a História Oral, ressaltando que para cada uma delas deve ser fundamentada em teóricos que dedicam-se a esse campo de estudo, pois são fundamentais para dar cientificidade à pesquisa.

No sexto capítulo são discutidas as hipóteses, pois para que toda pesquisa seja realizada, é necessário também existir um problema, uma inquietação e para ela uma possível resposta. Sobre isso, Barros diz que “todo processo de investigação sofre transformações no decorrer da pesquisa, pois a hipótese é formulada antes mesmo de se ter um problema” (p. 92). As hipóteses são, portanto, extremamente importantes para direcionar uma pesquisa. Na tentativa de verificar as hipóteses propostas, o autor sugere um direcionamento para a pesquisa, classificando e enumerando um quadro de funções: função norteadora, função delimitadora, função interpretativa, função argumentativa e hipótese.

O livro “O Projeto de Pesquisa em História: da escolha do tema ao quadro teórico”, descreve minuciosamente e de forma muito exemplificada as partes do projeto de pesquisa, tornando sua leitura indicada tanto para pesquisadores que tenham larga experiência na elaboração de projetos quanto para pesquisadores iniciantes, ou seja, aqueles que estão cursando a disciplina de projeto de pesquisa em História, porque o passo a passo descrito na obra é bastante fácil de ser compreendido, especialmente pela estrutura bem articulada e elaborada.

Djairton Alves de Sousa – Acadêmico do sétimo período do curso de Licenciatura em História da Faculdade Internacional do Delta (FID). [email protected].


BARROS, José D’Assunção. O projeto de pesquisa em História: da escolha do tema ao quadro teórico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. Resenha de: SOUSA, Djairton Alves de. Sobre Ontens. Apucarana, 2014.

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