O ano de 2015 tem sabor especial para a revista Sæculum, porque estamos justamente completando 20 anos de nosso periódico, cuja história foi permeada por percalços e muitas alegrias. A principal delas deve-se ao esforço coletivo de professores do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba e dos professores vinculados ao Programa de Pós-Graduação História que também completa dez anos de existência.

Em meio a um clima de comemorações escolhemos uma nova organização editorial para a revista, em números temáticos que se alternarão com edições de artigos livres. Para a presente edição, o número temático tem por mote os Oitocentos, com o objetivo dar visibilidade aos esforços empreendidos pelos grupos de pesquisa Sociedade e Cultura no Nordeste e História da Educação no Nordeste Oitocentista, ambos alocados no PPGH da UFPB, assim como estimular o diálogo com os pesquisadores dedicados a esse período histórico em outros centros de pesquisa.

Apresentamos aos leitores os textos que foram aqui reunidos a partir de alguns subtemas, o primeiro deles discute questões relativas à formação do Estado Nacional, com cinco artigos: “Migrantes no Império do Brasil: a trajetória de Jean Bazet nas origens da Vila de Nova Friburgo, 1820-1858”; “Projetos e perspectivas na construção da nação brasileira (1822-1840)”; “Entre a Igreja e o Império: Dom Marcos Antonio de Sousa, o primeiro bispo do Brasil independente”; “O herói da Confederação do Equador volta do exílio: Manoel de Carvalho Paes de Andrade e as lutas políticas regenciais (Pernambuco, 1831-1835)”; “Os Guaranis nas precariedades da guerra: o impacto do recrutamento nas Missões Orientais (Rio Grande de São Pedro, primeira metade do século XIX)”.

O segundo subtema relaciona-se ao universo prisional, às forças policiais e aos dilemas que envolveram a Guerra do Paraguai e orienta os seguintes textos: “Prisões no Brasil oitocentista: rotinas e vivências na Casa de Detenção do Recife na década de 1860”; “A Guarda Cívica do Recife: a utopia de uma força policial guiada pela cortesia nas décadas finais do Brasil Império (1876-1889)”; “Dramas do Império chegam à República: a luta dos veteranos da “Guerra do Paraguai’’ pelos direitos socioeconômicos prometidos durante esse conflito – Ceará (1870- 1940)”.

Agrupados em torno do terceiro subtema estão sete textos relativos ao universo da pobreza, da exploração do trabalho livre, das relações econômicas e de liberdade envolvendo escravos, ex-escravos e senhores de escravos assim dispostos: “Sertão proletário: o universo da pobreza e os limites da ordem no Ceará oitocentista”; “População, compadrio e trajetórias de gente negra na Cidade da Paraíba oitocentista”; “‘Carregando as pedras do pecado’: a reforma católica devocional em Sergipe oitocentista”; “Uma riqueza nas matas meridionais: a extração da ervamate no século XIX na província do Rio Grande do Sul”; “Escravos e ex-escravos na pecuária: a centralidade da escravidão na economia rural (Rio Grande do Sul, segunda metade do século XIX)”; “As redes de relacionamentos e o espaço de atuação dos proprietários de escravos no Império do Brasil: Bananal, 1850-1888”; e “Litigando pela liberdade no Brasil oitocentista: relações escravistas em um contexto fronteiriço (Alegrete, província do Rio Grande do Sul)”.

Em seguida é contemplado o subtema dos viajantes, com dois textos: “Entre a medicina, a política e a poesia: a trajetória do Dr. Antonio da Cruz Cordeiro na Província da Paraíba na segunda metade do Oitocentos” e “Relatos de um explorador inglês: uma perspectiva da viagem de Francis Galton pelo Sudoeste da África (1850-1852)”.

Por fim, compondo reflexões sobre a escrita da História, apresentam-se quatro artigos: “A escrita da História no Brasil oitocentista: o lugar da província do Ceará”; “O ensino de história na escola de primeiras letras na Paraíba: pátria nacional e pátria local (1837 a 1914)”; “A História contra a Revolução: Edmund Burke e a crítica aos Direitos Naturais”; e “Os intelectuais: questões históricas e historiográficas – uma discussão teórica”.

Fechando o enredo aqui traçado, temos a resenha do livro de Nayana Rodrigues Cordeiro Mariano, Educação pela Higiene – a invenção de um modelo hígido de educação escolar primária na Parahyba do Norte (1849-1886), fruto de sua tese de doutorado defendida junto à linha de pesquisa em História da Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPB.

Dessa forma, esperamos que os leitores tirem proveito do número temático que lhe entregamos e estabeleçam diálogo crítico com as perspectivas e abordagens oferecidas pelos autores, no intuito de fomentar outros olhares e novas pesquisas para / sobre os Oitocentos.

A Comissão Editorial.


Comissão Editorial. Editorial. Sæculum, João Pessoa, n.33, 2015. Acessar publicação original [DR]

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