CHEVITARESE, André L. ; CORNELLI, Gabriele; SILVA, Maria Aparecida de O. (Org). A tradição clássica e o Brasil. Brasília: Editora Fortium, 2008. Resenha de: BELCHIOR Mariana Leme. Revista Archai, Brasília, n.4, p. 141-142, jan., 2010.

A notória importância dos estudos clássicos no cenário acadêmico mundial motivou os professores André L. Chevitarese, Gabriele Cornelli e  Maria  Aparecida  de  Oliveira  Silva  a apresentarem uma coletânea de textos sobre a Antiguidade de pesquisadores/professores conceituados e reconhecidos em nosso contexto nacional. As leituras são direcionadas aos pesquisadores e professores do campo, mas também aos estudantes que serão os novos pesquisadores/professores.

Sem dúvida, um dos diferenciais desta literatura  consiste  na  preocupação  dos organizadores em desenvolver uma obra de cunho metodológico e didático, que pudesse ser concisa, mas a ponto de não se tornar um pequeno manual. Reflete ainda a necessidade de aprofundamento sobre o tema no âmbito dos estudos clássicos no contexto acadêmico brasileiro. Nada mais pertinente aos nossos jovens pesquisadores e professores do que uma “nova abordagem”. Outro diferencial a ser ressaltado, encontra-se na forma como se estrutura tal obra. Com a divisão proposta em duas partes, representa uma das premissas que fundamentam tais literaturas: o caráter metodológico e didático.

A primeira parte, intitulada “A Antiguidade no ensino brasileiro”, apresenta uma nova abordagem indispensável aos estudantes de licenciatura, ao tratar temas relacionados ao ensino de história e filosofia antiga, aos livros didáticos, ao currículo escolar, às atividades extracurriculares e à pesquisa na escola brasileira.

Em contrapartida, a segunda parte da obra “Tradição clássica e sociedade”, debate os fundamentos de uma proposta de reestruturação curricular no campo dos estudos clássicos, pois, como evidenciam os textos, é possível identificar em grande parte dos manuais brasileiros apropriações literárias e de materiais do mundo antigo equivocadas. Por meio de uma análise criteriosa, envolvendo a sociedade e seus elementos ideológicos, políticos e culturais, os professores autores demonstram que é possível desmistificar parte deste equivoco histórico a partir dessa nova postura intelectual dos profissionais brasileiros.

Ao que tange os estudos clássicos e a tradição escolar no Brasil, do ponto de vista teórico e prático, fica evidente longo da leitura que os pesquisadores e professores terão um longo caminho a percorrer para que tais perspectivas possam ser incorporadas. Embora leituras como as que foram apresentadas nesta obra já indicam que grande parte de nossos obstáculos já foram identificados.

Mariana Leme Belchior – Aluna e bolsista CAPES do curso de Mestrado do Programa de Pós- Graduação do Departamento. de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB),

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