Algumas palavras sobre o dossiê Escalas de História Global [1]

De 3 a 5 de março de 2016, a Faculdade de Filosofia de Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo sediou o Seminário Internacional Escalas de História Global , organizado pelo LabMundi-USP como parte das atividades relacionadas à Rede de História Global 2 . Seu objetivo principal foi reunir duas dezenas de historiadores de oito países diferentes (Brasil, Argentina, Peru, Estados Unidos, Holanda, Senegal, Índia e China), em diferentes estágios de suas carreiras, para discutir as possibilidades e limites da História global. Os trabalhos apresentados no seminário exploraram temas específicos em vários tempos e lugares, mas todos eles engajados em abordagens amplas que poderiam ser identificadas de diferentes maneiras como globais.

Durante o seminário, os participantes exploraram temas que cruzaram oceanos e continentes unidos, como movimentos migratórios, fluxos de capitais e mercadorias, formação de territórios, dinâmicas de trabalho em ambientes urbanos e rurais, ideias religiosas e políticas, entre outros. A maioria dos debates lidava com uma questão central: a necessidade de compreender certas realidades sociais que, por sua própria natureza histórica, exigem dos estudiosos a capacidade de usar ferramentas empíricas e teóricas extensas, empurrando assim para ir além de escalas de observação que são muito restritas.

Muitos dos trabalhos apresentados no seminário – enriquecidos por críticas e sugestões dos participantes – compõem este número especial do Almanack, periódico eminentemente cosmopolita desde o seu início. Nenhum desses artigos apresenta uma defesa acrítica de abordagens globais, nem tenta definir tais abordagens. A riqueza deste número reside precisamente no facto de apresentar uma investigação histórica da mais alta qualidade, que oferece a base mais sólida para avaliar qualquer proposta teórica ou metodológica independentemente do seu grau de real inovação. No caso da História Global, parece sensato considerar que seu potencial de inovação depende da existência de casos específicos – embora espacialmente amplos – em que as abordagens globais se mostrem eficazes e úteis.

Além de suas contribuições historiográficas individuais, os artigos apresentados são exemplos de uma História Global construída sobre realidades concretas. Eles são uma advertência saudável contra a possibilidade de que o potencial inexplorado das abordagens globais possa se tornar outra teoria superficial ou simplesmente uma nova seita historiográfica.

Notas

1. Traduzido por Leonardo Marques.

2. A Rede de História Globalfoi concebida por Sven Beckert e Marcel van der Linden e é formada por seis instituições: East China Normal University, International Institute of Social History (Holanda), LabMundi-USP (Brasil), University of Delhi (Índia) , Université Cheikh Anta Diop (Senegal) e Weatherhead Initiative on Global History-Harvard (EUA).

João Paulo Pimenta – Universidade de São Paulo. E-mail: [email protected]

Rafael Marquese – Universidade de São Paulo. E-mail: [email protected]


PIMENTA, João Paulo; MARQUESE, Rafael. Algumas palavras [Algumas palavras sobre o dossiê Escalas de História Global]. Almanack, Guarulhos, n.14, set / dez, 2016. Acessar publicação original [DR].

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