CHAVEIRO, Eguimar Felício; CALAÇA, Manoel; REZENDE, Mônica Cristina da Silva: A dinâmica demográfica de Goiás. Goiânia: Ed. Ellos, 2009. 129 p. Resenha de: RUSEL, Andréia Borges Alencar. Boletim Goiano de Geografia. Goiânia, v. 29 n. 2 (2009): jul./dez. 2009

A obra intitulada A dinâmica demográfica de Goiás, dos geógrafos Eguimar Felício Chaveiro, Mano­el Calaça e Mônica Cristina da S. Rezende, expõe um estudo acerca da dinâmica demográfica do território goiano. É apresentada, no livro, uma rica exposição de dados secundários sobre a evolução do perfil popula­cional do estado para o período de 1970 a 2004, assim como, um debate especial a respeito das temáticas ser­tão, fronteiras e cidades médias em Goiás.  O livro é estruturado em três capítulos precedi­dos de uma breve introdução. Na introdução os auto­res destacam a importância de se adotar nos estudos demográficos além das clássicas categorias de análise como fecundidade, migração, distribuição da população no território, mortalidade, etariedade, novas categorias como cor­poreidade, gênero, etnia, movimento social, etc. Para os autores a incorpo­ração dessas novas categorias cria um “alargamento temático que desafia a investigação demográfica” (p. 12).  Ainda na introdução é apresentado aos leitores o pressuposto teórico que orientou o desenvolvimento do livro:  Não se entende o território goiano sem a dinâmica demográfica que lhe ins­taura concretude; e não se entende a demografia sem interpretar o território goiano que alimenta a dinâmica da população, em variadas acepções e ver­tentes. (p. 12) O primeiro capítulo intitulado de: território e o sujeito social trata da evolução da população goiana. Nesse momento os autores buscam respon­der às questões como: “tem algum valor compreender a evolução populacio­nal de Goiás? Analisar essa categoria – evolução populacional – tem algum respaldo no pensamento demográfico atualizado? “ (p. 17). Para tal objetivo adota-se dois período de analises: Goiás de 1930 até 1970, “período que se refere ao Goiás das políticas expansionistas (construção de Goiânia, Macha para Oeste, CANG, PNDs, os plano Rodoviários, etc)” (p. 18) e Goiás de 1970 até 2000 que: Representa um outro Goiás, amparado por infra-estrutura consolidada (rodovias, energia elétrica, comunicação), mas cindido (separação de To­cantins); um Goiás que sofre influencia da construção de Brasília; um ter­ritório com uma modernização conservadora que se articula à economia nacional e se prepara, posteriormente, se aglutinar à economia internacio­nal. (p. 19) Para os autores a análise do crescimento populacional do estado, nos dois períodos citados, permite uma compreensão da atual dinâmica popu­lacional, assim como das transformações produzidas por estas mudanças. demográficas.  Ainda no primeiro capítulo é analisado as transformações sociais de­rivadas das transformações espaciais no estado.

Durante a década de 1970, os investimentos realizados em técnicas e em in­fraestrutura como transporte, comunicação energia elétrica e modernização agrícola, concentrando-se na Mesorregião Sul do Estado, impulsionaram a manutenção de elevadas taxas de crescimento populacional, destacando-se a fixação de parcela da população de baixa renda aos arredores do município de Goiânia, principalmente em Aparecida de Goiânia e Entorno do Distrito Federal. (p. 27) No segundo capítulo, intitulado O espaço/tempo da estrutura da po­pulação, os autores destacam a importância do saber demográfico como um “instrumento de interpretação da estrutura e qualidade social” (p. 36). Um saber estratégico que serve tanto ao Estado e às instituições hegemônicas, como também aos setores de resistência da sociedade, especialmente, aos movimentos sociais.  Baseados em dados estatísticos secundários de órgãos oficiais como IBGE e estudos desenvolvidos pelo Programa das Nações Unidas para o De­senvolvimento disponíveis no Atlas do Desenvolvimento Humano no Bra­sil, os autores explicam as principais mudanças ocorridas nos padrões de fecundidade, mortalidade e estrutura etária da população goiana. Assim como as diferentes concepções de juventude e velhice.

O terceiro capítulo intitulado de A demografia e o território: unida­des e diferencialidades apresenta um estudo sobre o efeito e os impactos do processo migratório no crescimento demográfico do estado. Neste capítulo a migração é compreendida como um fenômeno social, conectado aos processo econômicos políticos e culturais.

Os autores apóiam-se em vários estudos teóricos para subsidiar as reflexões entorno da importância do processo migratório no crescimento populacional goiano, especialmente, a partir da década de 1970, período em que se registra queda do crescimento vegetativo em Goiás, fato demonstrado com o capítulo anterior. Apresentam as diferentes modalidades de migração que influenciaram e influenciam a densidade populacional, além de expli­car como a migração ocorre e como o território reage a esta dinâmica.  No terceiro capítulo encontramos informações que nos ajudam a compreender a atual distribuição desigual da população, com tendência a concentrar nos centros econômicos e em seus entornos.  O mapa da distribuição da população nos revela uma desigualdade na dis­tribuição populacional, destacando alguns municípios, o que representa a especificidade econômica, política ou cultural imposta por um modelo de desenvolvimento econômico que deu certo e ainda impõe sua forma hegemô­nica. (p. 87) Os autores apresentam, também, os fatores históricos que influen­ciaram na composição da população, como a vinda dos negros e europeus para suprir a necessidade de mão-de-obra, e o movimento ocasionado pela Revolução Industrial que motivou fortemente a migração mundial.

Os autores encerram o capítulo com uma breve redação quanto à mi­gração dos goianos para os países ricos pós-Atlântico, relatando a situação destes sujeitos expatriados.  O livro é uma obra didática e objetiva que apresenta, com clareza, alguns elementos básicos do saber demográfico e das bases conceituais para compreensão da dinâmica demográfica do estado de Goiás.

Andréia Borges Alencar Rusel – Licenciada em geografia pela Universidade Federal de Goiás.

 

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