Um número crescente de estudos comparando a escravidão nas Américas foi publicado nas últimas duas décadas. Essa recente bolsa de estudos enfatizou muito a importância de estudar o papel da África no comércio de escravos no Atlântico, a fim de compreender sua dinâmica e compreender as maneiras pelas quais os africanos escravizados contribuíram, econômica, política e culturalmente, para a construção das Américas. [1[ Embora a maioria dos estudos comparativos sobre escravidão nas Américas tenham se concentrado no Brasil e nos Estados Unidos, as duas maiores sociedades escravistas do hemisfério ocidental, novas pesquisas também exploraram as muitas semelhanças entre o Brasil e outras sociedades escravistas, especialmente Cuba. [2]

Essa nova onda de estudos comparando Brasil e Cuba é bem justificada. Colonizadas por portugueses e espanhóis, ambas as sociedades foram marcadas pela presença da Igreja Católica. No Brasil e em Cuba, como em outras partes das Américas espanholas, os escravos eram batizados e podiam se casar. Em centros urbanos como México, Lima, Montevidéu, Rio de Janeiro, Havana, Matanzas e Salvador, escravos ingressavam em irmandades leigas católicas (irmandades ou cofradías). Nas áreas urbanas cubanas, os escravos também se juntaram aos cabildos de nación. [3] Essas associações, que prestavam serviços funerários e serviam como sociedades de ajuda mútua aos seus membros, foram organizadas segundo linhas étnicas. Eles permitiram que os escravos suportassem as adversidades da escravidão e preparassem a transição para a liberdade. [4]

O Brasil importou aproximadamente 5,1 milhões de escravos africanos, enquanto as importações de escravos cubanos são estimadas em 778.000 escravos. No século XVII, o Brasil era um grande produtor de açúcar, enquanto a indústria açucareira cubana ganhava importância após o surgimento da rebelião escravista em São Domingos. No início do século XIX, Brasil e Cuba tornaram-se grandes produtores de café. [5] Havia também outras semelhanças. A maioria dos africanos escravizados transportados para o Brasil e Cuba veio de áreas da África Ocidental e da África Central Ocidental, onde predominavam as línguas bantu e ioruba. Da África trouxeram tradições espirituais semelhantes que aliadas ao catolicismo possibilitaram o surgimento de religiões como o candomblé e a santeria. [6]Da mesma forma, eles também carregaram consigo conhecimentos de guerra, que empregaram para organizar revoltas de escravos, durante os séculos XVIII e XIX. [7]

Os sistemas jurídicos das sociedades coloniais latino-americanas, incluindo Brasil e Cuba, baseavam-se amplamente no Direito Romano, dimensão que impactou as populações escravizadas de maneira semelhante. Nas duas sociedades, os escravos conseguiam obter a alforria e podiam comprar sua liberdade. Escravos recorreram à Justiça para apresentar uma petição a seus senhores para obter sua liberdade e também para denunciar maus tratos e abusos sexuais. Além disso, apesar de seus tamanhos diferentes, tanto no Brasil quanto em Cuba, como no México, Peru e Argentina, a escravidão estava presente não apenas nas zonas de plantio, mas também nas áreas urbanas.

No Brasil e em Cuba, o comércio de escravos gerou grandes lucros para os mercadores de escravos, que continuaram a importar escravos após sua abolição legal. [8] Entre 1820, quando o tráfico de escravos para Cuba foi proibido pela primeira vez, e 1867, quando sua proibição foi efetivamente aplicada, aproximadamente 499.580 escravos africanos desembarcaram na colônia espanhola. [9] Da mesma forma, após sua primeira proibição legal em 1831, o Brasil importou cerca de 480.000 escravos. [10]Em ambas as sociedades, proprietários de escravos e fazendeiros obtiveram ganhos importantes. A escravidão foi uma instituição lucrativa que muito contribuiu para o desenvolvimento do capitalismo na Europa e nas Américas durante o século XIX. Como a escravidão era uma instituição lucrativa, os proprietários e proprietários de escravos brasileiros e cubanos resistiram muito ao fim da escravidão. [11] Tal oposição levou à adoção da emancipação gradual, que, exceto para a República Dominicana, também foi a abordagem escolhida pelas elites locais em todas as outras sociedades latino-americanas.

Como Cuba estava dividida por uma guerra pela independência, em 4 de julho de 1870, o Parlamento espanhol aprovou a Lei Moret emancipando todas as crianças nascidas de mães escravas após sua promulgação. [12] Além disso, a mesma lei libertou os escravos com mais de 60 anos. Ainda assim, a lei estabeleceu uma série de restrições, incluindo que recém-nascidos libertados deveriam permanecer sob a custódia do mestre da mãe. Em 28 de setembro de 1871, o Brasil aprovou uma legislação semelhante. A Lei do Rio Branco (ou Lei do Ventre Livre) libertou os filhos de mães escravas que nasceram após seu falecimento. Semelhante à Lei Moret, o alcance da Lei Rio Branco também era limitado e, na prática, não libertava nenhum escravo vivo no Brasil.

Cuba aprovou a Lei do Patronato em 1880 que determinava o fim da escravidão e a substituiu por um período de aprendizagem de oito anos. Portanto, escravos libertos foram renomeados como patrocinados, enquanto os ex-mestres foram nomeados patronos. [13] Em 1885, o Brasil promulgou a Lei Saraiva-Cotegipe ou Lei Sexagenária, que emancipava todos os escravos com mais de sessenta anos. Eventualmente, o sistema de patronato cubano terminou em 7 de outubro de 1886, antes da data inicialmente estabelecida, com a abolição definitiva da escravidão.

A escravidão brasileira foi abolida apenas em 13 de maio de 1888. Tanto no Brasil quanto em Cuba, a transição da escravidão para a liberdade apresentou vários elementos em comum. Enquanto no Brasil a força de trabalho escrava foi substituída principalmente por trabalhadores de origem europeia, Cuba incentivou a imigração de trabalhadores contratados asiáticos. Além disso, em ambos os países o período pós-abolição foi marcado pela manutenção de relações raciais em que predominava a ideia de mestiçagem e democracia racial. Como em outras sociedades pós-escravistas nas Américas, no Brasil e em Cuba, as populações recém-libertadas e seus descendentes enfrentaram uma longa história de racismo e de exclusão social e econômica.

Ao explorar a história da escravidão e do tráfico atlântico de escravos no mundo do Atlântico Sul, durante os séculos XVIII e XIX, este número especial olha para o exemplo de Cuba como contraponto ao estudo da escravidão no Brasil. Além disso, os vários artigos exploram a história dessas duas sociedades escravistas, dando à África um papel central no estudo do comércio de escravos no Atlântico. Para tanto, quatro artigos deste número exploram os mecanismos do tráfico de escravos para o Brasil e Cuba, enquanto os outros três artigos examinam os mecanismos da escravidão nessas duas sociedades escravistas das Américas, com particular atenção ao papel dos escravos. e mulheres libertas.

Em seu artigo, Carlos da Silva Jr. examina a longa história das trocas entre a Bahia e o Golfo do Benin durante o século XVIII, a fim de compreender a dinâmica do tráfico negreiro atlântico nos portos dessa região. Da Silva explica por que os mercadores de escravos baianos preferiam comprar cativos de determinados grupos linguísticos, como Ardra, Mina e Jeje, em detrimento de outros. Ele também enfatiza como as guerras interestatais no golfo de Benin e seu interior, bem como as interações entre os vários atores sociais envolvidos no comércio de escravos contribuíram para essa escolha. Explorando novas fontes de arquivos e mergulhando profundamente na história da África Ocidental para examinar a escravidão na Bahia, o artigo da Silva contribui para uma longa tradição de estudos que examinou essa região nas últimas seis décadas.

Explorando o comércio de escravos do início do século XIX para Cuba, Michael Zeuske analisa as trajetórias entrelaçadas de um homem escravizado nascido na África e um comerciante de escravos europeu. Roberto (ou Robin ou Robert) Botefeur nasceu no interior da Gâmbia, onde foi escravizado quando ainda era jovem. Trazido para a costa, ele foi vendido como escravo a um médico alemão e comerciante de escravos, chamado Daniel Botefeur, que morava na Ilha de Bunce, Serra Leoa, há vários anos. Em 1815, senhor e escravo mudaram-se para Cuba, onde se juntaram a uma comunidade composta por homens e mulheres de vários status e nacionalidades. Navegando nas interseções da micro-história e macro-história, Zeuske demonstra como, apesar de suas histórias diferentes, esses dois homens podem ser definidos como cosmopolitas do mundo atlântico “escondido”.

O artigo “Do Além do Kwango: Traçando as Origens da Saída dos Escravos de Angola, 1811-1848”, de Daniel B. Domingues da Silva e Badi Bukas-Yakabul, estuda as origens dos africanos libertados de Cuba e Serra Leoa durante o século XIX. O artigo analisa os registos disponibilizados no Portal Origens Africanas (http: / / www.african-origins.org) de forma a estimar o número de africanos escravizados da região de Angola e a sua distribuição etnolinguística. Desafiando estudos anteriores sobre as origens dos escravos naquela área geográfica, os autores mostram que apenas cerca de 21 por cento dos cativos embarcados em Angola durante o século XIX vieram da zona além do rio Kwango. Além de contribuir para identificar as origens dos escravos africanos importados para as Américas,

Da África Ocidental e da África Central Ocidental, os próximos artigos movem o foco para Braizl. A maioria dos trabalhos que examinam a chegada de navios negreiros às costas brasileiras durante a era do comércio de escravos no Atlântico concentra-se nos portos do Rio de Janeiro e Salvador. Os historiadores Marcus JM de Carvalho e Aline Emanuelle De Biase Albuquerque exploram a história do tráfico de escravos para o Brasil antes de sua proibição legal em 1831. Os autores examinam os procedimentos médicos e de higiene aplicados aos navios negreiros que chegavam da África no porto de Recife em Pernambuco . O artigo explica o papel dos diversos atores sociais envolvidos no processo de desembarque, e as péssimas condições de transporte a que os africanos foram submetidos durante a Passagem do Meio,

Mariana Dantas explora a história das mulheres negras e das mulheres de cor na Minas Gerais colonial, no Brasil. Examinando registros notariais como inventários post mortem, testamentos e escrituras executadas em Sabará, município de Rio das Contas, na segunda metade do século XVIII, ela mostra como as mulheres negras conseguiram alguma mobilidade social. O artigo discute os processos pelos quais essas mulheres desafiaram as fronteiras sociais e raciais existentes. Ela mostra como, apesar das condições difíceis, essas mulheres conseguiram assegurar a transmissão de bens, inclusive escravos, para seus filhos homens e mulheres.

O artigo de Mariana Muaze discute as relações entre senhores e escravas que trabalhavam como empregadas domésticas no casarão de uma das maiores e mais antigas fazendas de café da região, a Fazenda Pau Grande, localizada em Paty do Alferes, no Vale do Paraíba. . Embora as mulheres escravizadas esperassem que os laços de afeto recíproco com seus senhores as ajudassem a obter os papéis da alforria, Muaze mostra que ganhar a liberdade sempre foi uma conquista incerta. Cientes de seu poder, os senhores brincavam constantemente com essas expectativas para exercer controle sobre seus escravos. O trabalho de Muaze contribui para esclarecer como o trabalho escravo doméstico era generalizado no Brasil e como seus legados persistem até hoje.

No artigo final deste número, Ynaê Lopes dos Santos compara a escravidão urbana em Havana e no Rio de Janeiro entre 1816 e 1820. Esse período foi marcado pela queda de Napoleão Bonaparte e pelo Congresso de Viena, junto com a ascensão do abolicionista britânico movimento, eventos que pareciam colocar em perigo a continuação da escravidão em um futuro próximo. Baseando-se em diversos relatórios produzidos pelas autoridades administrativas de Havana e do Rio de Janeiro, Santos mostra como esses funcionários utilizavam seu conhecimento detalhado do tecido urbano para controlar as populações escravas que cresciam rapidamente nas duas cidades. Focalizando um período em que o medo da rebelião assombrava os senhores de escravos até mesmo nas cidades, o artigo de Santos contribui para o estudo comparativo da escravidão urbana nas Américas a partir de uma perspectiva afro-atlântica.

Reunindo obras que enfocam a história da escravidão e do tráfico atlântico de escravos no sistema do Atlântico Sul, os diversos artigos deste número concebem a escravidão e o tráfico de escravos como resultantes de relações interconectadas, também devedoras de determinadas dinâmicas sociais, econômicas e culturais. que evoluiu nas sociedades africanas.

Através do estudo das múltiplas dimensões das conexões afro-atlânticas e combinando uma variedade de abordagens que combinam micro-história e macro-história, bem como demografia e história urbana, os vários artigos iluminam como os mecanismos mais amplos do escravo atlântico afetaram o cotidiano de escravos e escravas no Brasil e em Cuba. Esperamos que tais trabalhos incentivem o desenvolvimento de novas pesquisas comparativas sobre outras sociedades escravistas nas Américas.

Notas

1. RODRIGUES, Jaime. De costa a costa: escravos, marinheiros e intermediários do tráfico negreiro de Angola ao Rio de Janeiro, 1780-1860. São Paulo: Companhia das Letras, 2005; HAWTHORNE, Walter. Da África ao Brasil: Cultura, Identidade e um Comércio de Escravos no Atlântico, 1600-1830. Nova York: Cambridge University Press, 2010; SWEET, James H. Domingos Álvares, African Healing, and the Intellectual History of the Atlantic World. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2011; FERREIRA, Roquinaldo Amaral, Intercâmbio intercultural no mundo atlântico: Angola e o Brasil na era do tráfico de escravos. Nova York: Cambridge University Press, 2012.

2. BERGAD, Laird W. As histórias comparativas da escravidão no Brasil, em Cuba e nos Estados Unidos. Nova York: Cambridge University Press, 2007; BERBEL, Márcia Regina, Rafael de Bivar Marquese e Tâmis Parron. Escravidão e política: Brasil e Cuba, c. 1790-1850. São Paulo: Editora Hucitec, 2010; COWLING, Camillia. Concebendo a liberdade: mulheres de cor, gênero e abolição da escravidão em Havana e no Rio de Janeiro. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2013; GRADEN, Dale Torston. Doença, resistência e mentiras: o fim do tráfico transatlântico de escravos para o Brasil e Cuba. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 2014 e PARRON, Tâmis Peixoto, A política da escravidão na era da liberdade: Estados Unidos, Brasil e Cuba, 1787-1846, Tese (Doutorado em História Social), Faculdade de Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo,

3. Sobre cabildos afro-cubanos, ver HOWARD, Philip A. Changing History: Afro-cuban Cabildos and Societies of Color in the XIX Century. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1998; CHILDS, Matt D. A rebelião Aponte em Cuba de 1812 e a luta contra a escravidão no Atlântico. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2006.

4. SOARES, Mariza de Carvalho. Pessoas de fé: escravidão e católicos africanos no Rio de Janeiro oitocentista. Durham, NC: Duke University Press, 2011.

5. Sobre a produção de açúcar no Brasil, ver SCHWARTZ, Stuart B. 1985. Plantações de açúcar na formação da sociedade brasileira: Bahia, 1550-1835. Cambridge: Cambridge University Press. Sobre o crescimento da produção de açúcar em Cuba durante o século XIX, ver FERRER, Ada. Espelho da liberdade: Cuba e o Haiti na era da revolução. Nova York: Cambridge University Press, 2014. Sobre a produção de café em Cuba, ver VAN NORMAN, William C. Shade cultivou a escravidão nas vidas de escravos nas plantações de café em Cuba. Nashville, TN: Vanderbilt University Press, 2012; e no Brasil, ver SALLES, Ricardo. E o vale era o escravo: Vassouras, século XIX: senhores e escravos no coração do Império. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

6. Sobre as religiões iorubá na diáspora, ver OLUPONA, Jacob K. e Terry Rey, Òrìşà Devotion as World Religion: The Globalization of Yorùbá Religious Culture. Madison, WI: University of Wisconsin Press, 2008.

7. Sobre a guerra no golfo do Benin e na Bahia e em Cuba, ver BARCIA, Manuel. Guerra da África Ocidental na Bahia e em Cuba: soldados escravos no mundo atlântico, 1807-1844. Oxford: Oxford University Press, 2014, e REIS, João José, Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

8. Sobre Cuba, esse ponto é enfatizado por ZEUSKE, Michael. Amistad: A Hidden Network of Slavers and Merchants. Princeton: Markus Wiener Publishers, 2015. Sobre o Brasil, ver CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

9. Sobre o tráfico de escravos para Cuba, ver BERGAD, Laird W., Fe Iglesias García e María del Carmen Barcia. The Cuban Slave Market, 1790-1880. Nova York: Cambridge University Press, 1995.

10. Para estimativas, consulte o Transatlantic Slave Trade Database: Voyages, www.slavevoyages.org.

11. Veja SCHIMIDT-NOWARA, Christopher. Império e antiescravidão: Espanha, Cuba e Porto Rico, 1833-1874. Pittsburgh: Pittsburgh University Press 1999, capítulo 7 e SCHIMIDT-NOWARA, Christopher. Escravidão, liberdade e abolição na América Latina e no mundo atlântico. Albuquerque: University of New Mexico Press, 2011, p. 90-91.

12. Sobre a rebelião, ver FERRER, Ada. Cuba Insurgente: Raça, Nação e Revolução, 1868-1898. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1999. Sobre a Lei Moret, ver COWLING, Conceiving Freedom, capítulo 3.

13. Sobre as limitações desta lei, ver SCOTT, Rebecca. Slave Emancipation in Cuba: The Transition to Free Labor, 1860-1899. Pittsburgh, PA: University of Pittsburgh Press, 2000, p. 128

Ana Lucia Araújo – Howard University Washington. E-mail: [email protected]


ARAÚJO, Ana Lucia. [A escravidão e o tráfico atlântico de escravos no Brasil e em Cuba desde uma perspectiva afro-atlântica]. Almanack, Guarulhos, n.12, jan / abr, 2016. Acessar publicação original [DR]

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