História e Literatura  / Escritas / 2013

Na presente edição, disponibilizamos aos leitores (as) da Revista Escritas um dossiê sobre História e Literatura, que reúne seis textos de diversos pesquisadores que abordam essa temática em foco sob diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. O artigo de Poliana dos Santos, A des(ordem) na ficção clariceana: Rodrigo S.M. na contramão da história, analisa o romance A hora da estrela como uma representação simbólica do regime militar brasileiro. Em Jogos de espaços: produção de alteridade e identidades espaciais no discurso literário de José Lins do Rego, Diego J.F. Freire discute a forma como a representação da cidade do Recife contribuiu para a descrição do engenho Santa Rosa presente no romance O moleque Ricardo (1935), escrito pelo paraibano José Lins do Rego. No texto Histórias de Manaus: entre memórias e literatura, Leno J. B. Souza investiga a relação entre história, memória e literatura ressaltando a importância da fonte literária para a compreensão da realidade social. A autora Melissa R. T. Mendes, em História, literatura e gênero: possíveis usos a partir de Úrsula, de Maria Firmina dos Reis trata das relações de gênero na primeira metade do século XIX, apontado como essa questão está presente nas representações literárias dessa época. O artigo de Maurício F. dos Santos, Um olhar sobre a pobreza de Teresina a partir do romance “Palha de arroz”, de Fontes Ibiapina, investiga a narrativa literária do escritor piauiense João Nonon de Moura Fontes Ibiapina, com a finalidade de refletir sobre as relações sociais e o cotidiano nos bairros periféricos da capital do Piauí, nas décadas de 1940 e 1950. Finalizando o dossiê, Valéria da S. Medeiros em História e literatura: o assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie na representação sincrônica de 1926 de Hans Ulrich Gumbrecht discute o critério de verdade, a partir da mudança de foco narrativo operada no romance de enigma da escritora britânica Agatha Christie.

Na seção de artigos livres, reunimos quatro textos. O artigo de César H. G. e Sousa, A narrativa histórica: revelação e engano, utiliza-se da teoria do conhecimento de Johannes Hessen para delimitar o lugar epistemológico em que se inserem as abordagens historiográficas de autores clássicos como Leopold Von Ranke, Hayden White, Roland Barthes, Paul Ricoeur, Michel de Certeau e Michel Foucault. Já Leandro J. C. Gonçalves em Uma apresentação sobre os conceitos de revolução militar e revolução em assuntos militares faz uma análise conceitual, contextualiza a origem dos termos Military Revolution e Revolution in Military Affairs utilizados pelos especialistas nessa temática. O texto de Felipe A. Cazetta, O passado liberal de um chefe de milícias: a trajetória intelectual de Gustavo Barros, traz a lume um pouco da biografia e o pensamento desse membro da Ação Integralista Brasileira. Finalizando a Seção Livre, Raylinnn B. da Silva em Os santos da igreja e os santos do povo – uma perspectiva histórica sobre como eles “nascem”: estudo de alguns casos aborda o processo de constituição dos santos na sociedade ocidental católica, tendo em vista a forma como o imaginário religioso popular contribui para o reconhecimento da ideia de santidade.

Na seção de resenhas, divulgamos para o público leitor a análise de Ivia Minelli da obra do escritor argentino Dardo Scavino, Rebeldes y confabulados: narraciones de la política argentina (2012). Também a apresentação da obra do cientista político brasileiro Jairo Nicolau, intitulado Eleições no Brasil: do Império aos dias atuais (2012), por Martha Victor Vieira.

Contamos ainda nesta edição com uma interessante entrevista com o renomado historiador e filósofo José Carlos Reis (UFMG).

Esperamos que todos (as) apreciem os artigos e tenham uma produtiva leitura.

Os Editores

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