Museos, memoria y trauma/Anuario Colombiano de Historia Social y de la Cultura/2023

Decía con elocuencia Walter Benjamin:

hay un cuadro de Klee que se llama Angelus Novus. En ese cuadro se representa a un ángel que parece a punto de alejarse de algo a lo que mira fijamente. Los ojos se le ven desorbitados, tiene la boca abierta y además las alas desplegadas. Pues este aspecto deberá tener el ángel de la historia. Él ha vuelto el rostro hacia el pasado. Donde ante nosotros aparece una cadena de datos, él ve una única catástrofe que amontona incansablemente ruina tras ruina y se las va arrojando a los pies. Bien le gustaría detenerse, despertar a los muertos y recomponer lo destrozado. Pero, soplando desde el Paraíso, una tempestad se enreda en sus alas, y es tan fuerte que el ángel no puede cerrarlas. Esta tempestad lo empuja incontenible hacia el futuro, al cual vuelve la espalda mientras el cúmulo de ruinas ante él va creciendo hasta el cielo. Lo que llamamos progreso es justamente esta tempestad.2 Leia Mais

La Revolución Mexicana: las huellas del trauma/Historia y Grafía/2021

Fue Hauréau quien recordó en 1842 que en la noción de revolución se encontraba lametáfora de un movimiento circular, un retorno, un regreso a cierto punto departida.1 En su mente se hallaba nosólo la memoria del intento fallido de coronar a Napoleón II como rey de Roma, sino elcúmulo de acontecimientos que denotaban en la política francesa los intentos por volveral camino de la restauración. En la primera parte del siglo XIX, el síndrome del retornoal orden monárquico cubrió un amplio es pectro de sus expectativas. La pregunta poraquello que instituía a una revolución aparecía como abierta. Si el texto de Hauréau sehallaba sin duda influido por la connotación que el término había adquirido desde elsiglo XV en manos de los astrónomos re nacentistas -la metáfora del movimiento circularde los planetas, encontró su paralelismo político en los escritos de los filósofos y loshistoriadores del mundo clásico: la idea de Aristóteles y Polibio de asignar estemovimiento circular al proceso recursivo de las constituciones en el mundo griego-.2 Escribe Koselleck: Leia Mais

Violência no Século XX: entre trauma, memória e história (II) / Boletim Historiar / 2017

É com grande satisfação que nesta edição damos continuidade a publicação do “Dossiê Violência no Século XX: entre trauma, memória e história” com seu segundo volume. Organizado pelas professoras Monica Grin e Silvia Correia, o dossiê foi composto por trabalhos de alunos do curso “Violência no Século XX: entre trauma, memória e história”, oferecido pelo Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ em 2016.

No primeiro artigo Lucas Vinicius Erichsen, analisa o livro “Matadouro 5, ou A Cruzada das Crianças: Uma dança de etiqueta com a morte” de Kurt Vonnegut, (1969). É uma narrativa-testemunho do autor que serviu ao exército americano e foi prisioneiro dos nazistas durante a II Guerra. Assim, Erichsen procura estudar sobre a historicidade das práticas do matadouro, entendendo as possíveis maneiras de abordar sobre o tempo, o testemunho e a memória de guerra. Ainda sobre Historia e Memória no campo da História do Tempo Presente, Willian Santos Pereira estuda as cartas publicadas pela revista Veja em 1989 sobre Fernando Collor de Mello. O autor analisa a representação da imagem política de Collor pelos leitores durante a eleição presidencial. Desta forma, trabalha com a memória em depoimentos escritos para entender como essas pessoas expressavam seus sentimentos utilizando suas experiências para discutir o presente.

Em seguida, Lucas de Mattos Moura Fernandes estuda ideias de ensaístas e historiadores sobre a relação entre História e Memória e as experiências traumáticas do século XX causadas por atos de violência. Para assim compreender como tais acontecimentos foram reelaborados através de testemunhos, favorecendo a construção de uma narrativa e de uma identidade. Seguindo o campo da História e Memória, João Paulo Henrique Pinto procura compreender a construção de uma memória histórica oficial angolana. Foram analisados livros didáticos de história do país após a independência e utilizados pelo seu sistema educacional. O autor apresenta como ocorreu o processo pela busca de uma identidade nacional ao questionarem a colonização portuguesa em meio a uma diversidade étnica, racial e cultural. Contextualizando esse processo com o desenvolvimento de seu sistema educacional.

No último artigo do dossiê e sobre História e Cinema, Andrey Augusto Ribeiro dos Santos analisa como as narrativas israelense e palestina sobre o confronto entre ambos aparecem no cinema. Seu objeto são os filmes, Munich, uma produção norte-americana de Steven Spielberg, e Paradise Now, uma produção palestina do árabe-israelense Hany Abu-Assad, ambas de 2005. Sendo Marc Ferro e Robert Rosesntone os seus principais referenciais teóricos para buscar no cinema reflexos da sociedade que o produziu em torno a um debate político e uma construção da memória coletiva.

Além do dossiê temos Caroline de Alencar Barbosa em trabalho sobre a importância da propaganda nazista na educação dos alemães durante a II Guerra. Suas fontes são os cartazes publicados no periódico Der Stürmer, pertencente ao publicitário Julius Streicher. Tais cartazes disseminavam o ódio antissemita, trazendo o judeu como o “outro” conveniente. Também sobre Educação, Matheus Oliveira da Silva debate sobre a Base Nacional Curricular Comum, referente às mudanças no ensino de história. Devido à quantidade de críticas que a proposta sofreu de diferentes seguimentos, o autor buscou notas, cartas e pareceres de entidades de classe sobre a Base a fim de compreender qual é o ensino de história idealizado.

Agradecemos a todos pela colaboração e apoio com submissões de textos e com a frequente divulgação do periódico. Desejamos uma boa leitura.

Os editores.


Editores. [Violência no Século XX: entre trauma, memória e história-2º Volume]. Boletim Historiar. São Cristóvão, n.18, 2017. Acessar publicação original [DR]

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Violência no Século XX: entre trauma, memória e história (I) / Boletim Historiar / 2016

Foi com grande satisfação que acolhemos o convite da Revista Boletim Historiar para realizar um Dossiê com os trabalhos realizados pelos alunos do curso Violência no Século XX: entre trauma, memória e história, oferecido no Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ, no primeiro semestre de 2016.

Franz Rosenzweig, filósofo judeu-alemão que lutou na I Guerra Mundial, em seu Estrela da Redenção, obra escrita em cartões postais desde as trincheiras dos Balcãs, lembra-nos do significado daquela guerra como a preeminência da humanidade em marcha em relação aos homens de carne e osso: “Que o homem se enterre como um verme nas entranhas da terra nua, diante dos tentáculos sibilantes da morte cega e impiedosa, que ele possa sentir lá, em sua violência inexorável, o que normalmente ele nao sente jamais: que seu eu passaria a ser apenas um isso se viesse a morrer, e que cada um dos gritos ainda contidos em sua garganta possa clamar seu eu contra o implacável que o ameaça desse aniquilamento inimaginável… diante de toda essa miséria, a filosofia sorri com seu sorriso oco”[1]

O longo século XX testemunhou diferentes formas de violência – genocídios, colonialismos, guerras nacionais e civis, lutas por autodeterminação, movimentos civis armados, revoluções, golpes de estado, atos de terrorismo que desafiaram tradições de sociabilidade e pacificação, construídas com alguma esperança e com fundamentos éticos, desde o iluminismo. Um importante repto vem se impondo à reflexão historiográfica, uma vez que esses fenômenos, de pertubadora violação de vidas e de direitos, movidos por formas cada vez mais sofisticadas de violência, promoveram traumas, medos, ressentimentos, melancolia, vingança, ódio e desesperança. Uma atmosfera recorrente de sentimentos morais difusos, confusos e de difícil apreensão ontológica e epistemológica, impõe-se, além das estruturas, dos fatos e da temporalidade moderna, como desafio crucial para os que enfrentam de algum modo o tema da violência em suas variadas manifestaçoes. Há, nesse cenário, descontinuidades narrativas, geralmente negligenciadas pelos historiadores, mas obviamente presentes no recalcamento dos que viveram e sobreviveram à violência desse longo século. Inevitavelmente, essa miríade de fenómenos históricos violentos precipitaria uma viragem epistemológica pós-estruturalista, que só a partir no desfecho da II Guerra Mundial ganha maior ênfase. O curso “Século XX: entre trauma, memória e história”, teve como objetivo explorar um certo tipo de produção historiográfica que vem assumindo desde o final da II Guerra Mundial o papel nada confortável de tratar o tema da memória e da história em tempos sombrios.

O conjunto de trabalhos elaborados no curso e que perfazem esse dossiê, qualifica-se pela diversidade de focos, abordagens e temas que resultaram da reflexão sobretudo das formas em que a história e a memória esgrimam pela legitimidade narrativa de circunstâncias que envolvem violência, violações, genocídios, como também pelo desafio de refletir e elaborar narrativas sobre a atmosfera dos sentimentos morais que nasce dessas circunstâncias.

Algo de surpreendente resulta desses trabalhos. Cada um ao seu modo dialoga com teorias, métodos, narrativas, interpretações, literatura que direta ou indiretamente correspondem à questões tratadas ao longo do curso. Há desde temas sobre história, memória e a I Guerra Mundial, sobre monumentos, patrimônios históricos, sobre holocausto e sentimentos morais, sobre justiça de transição e o conceito de história, sobre testemunho, trauma e homossexualidade, sobre cinema e conflitos, sobre cultura de guerra e Guerra Fria, sobre memória, opinião pública e imprensa, sobre violênciae literatura de ficção, sobre dilemas da identidade nacional, enfim, um leque extenso de variações sobre o mesmo tema da violência-história-memória. O resultado vocês terão a oportunidade de conferir no Dossiê que ora se apresenta no Boletim Historiar e que, esperamos, possa colaborar com debates e pesquisas no campo da história da contemporaneidade, séculos XX e XXI.

Nota

[1] Franz Rosenzweig, L’Etoile de la rédemption, Paris, Seuil, 1982, p. 11.

Monica Grin

Silvia Correia


GRIN, Monica; CORREIA, Silvia. [Violência no Século XX: entre trauma, memória e história-1º Volume]. Boletim Historiar. São Cristóvão, n.17, 2016. Acessar publicação original [DR]

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