O Nono Número da Revista de Teoria da História destaca-se pela diversidade temática e analítica dos artigos publicados, uma vez que encontramos reflexões sobre História das Ciências, Memória, História Intelectual, Filosofia da História, Marxismo, Escrita da História, dentre outras, almejando contribuir com os historiadores que pensam seu próprio ofício.

Abordando questões caras à História das Ciências e à Filosofia da História, Gabriel Lopes Anaya, no artigo A “unidade harmoniosa de vida” em Ludwik Fleck e as relações multiespécie – por uma história submersa no agroval, dialoga com novas leituras de agência histórica na coexistência dos seres humanos e outras espécies; e Fred Maciel, no artigo Saber científico e pensamento pós-moderno: apontamentos de Jürgen Habermas e Jean-François Lyotard, reflete a respeito do saber científico na sociedade contemporânea a partir do debate entre Jürgen Habermas e Jean-François Lyotard.

No artigo História, memória e distância: um estudo do testemunho de Primo Levi sobre os campos de concentração, Deiver Barros da Silva e Fernanda Linhares Pereira analisam a obra Os afogados e os sobreviventes, de Primo Levi, a partir das reflexões de Paul Ricoeur sobre memória. Esta, por sua vez, também é objeto de estudo em As memórias de Braz Ponce Martins: considerações teórico-metodológicas, de Gelise Cristine Ponce Martins, juntamente com o conceito de identidade.

Rafael Petry Trapp, no artigo Oliveira Vianna e Gilberto Freyre no pelourinho: antirracismo e rejeição intelectual, problematiza a trajetória dos discursos que aproximam Oliveira Vianna e Gilberto Freyre no que se refere à questão “racial”. Outro trabalho pensado no campo da História Intelectual é o Razão e História: a recepção de Adorno e Horkheimer das teses sobre o conceito de história e a inflexão filosófica da dialética do esclarecimento, de Diego Fabião. G. M. Leitão, no qual se estabelece uma relação entre o amadurecimento da filosofia da história apresentada na Dialética do Esclarecimento por Theodor Adorno e Max Horkheimer e os escritos de Walter Benjamin sobre a História.

A filosofia da história é pensada por Lorena Luciana Brandão Costa em contraposição à antropologia filosófica, no artigo intitulado A concepção de homem e as crises históricas em Jacob Burckhardt: uma reflexão, que trabalha com as categorias de “Concepção de homem” e “Crises históricas”, presentes em algumas obras de Jacob Burckhardt, a fim de contribuir na compreensão de sua crítica à modernidade.

Antônio Vinícius Lomeu Teixeira Barroso, em Um Nietzsche à brasileira: intelectuais receptores do pensamento nietzschiano no Brasil (1900-1940), e Denilton Novais Azevedo, em A fase inicial da difusão das ideias de Marx no Brasil, apresentam estudos acerca da difusão das ideias de dois pensadores fundamentais para o nosso ramo de conhecimento, buscando reconstruir parte do contexto histórico brasileiro ao final do século XIX e início do século XX.

Sem dúvida, essa difusão de ideias no Brasil tornou-se condição de possibilidade para o surgimento de inúmeros trabalhos que interessam à Teoria da História, tais como os artigos Eric Hobsbawm (in memoriam): notas para leitura dos movimentos sociais pré-políticos, de Felipe Paiva Soares, que analisa a perspectiva teórica de Eric Hobsbawm nos livros Primitive Rebels (1959) e Bandits (1969) e A anatomia de um centauro: A Origem da Tragédia à luz da Segunda Consideração Intempestiva, de Fabrício Rodrigues Ramos, que relaciona os dois textos do jovem Nietzsche.

Tratando de problemas com os quais se ocupa a Escrita da História, Bruno de Souza Barreto, em Historiografia e interfaces: um diálogo entre História, Antropologia e Arqueologia, investiga como surgiram as abordagens historiográficas que dialogam com a Antropologia e Arqueologia e de que modo elas podem colaborar mutuamente para uma melhor compreensão dos fenômenos sociais e Kaio Bruno Alves Rabelo, em Problemas teóricos para uma história do iPod, pensa nos limites do modelo antropocêntrico de escrita da história e na necessidade de um debate ontológico.

Em Hayden White lendo Karl Marx: reflexões acerca da repetição histórica, o Prof. Me. Julierme Morais procura elaborar uma análise crítica da interpretação empreendida por Hayden White na obra Meta-História: a imaginação histórica do século XIX acerca d’O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte, de Karl Marx, utilizando como contraponto crítico a obra Marx e a repetição histórica, de Paul-Laurent Assoun.

O Nono Número dispõe também de uma entrevista com a Prof.ª Dr.ª Maria João Cantinho conduzida por Manoel Gustavo de Souza Neto em 15 de agosto de 2013 e de um vídeo contendo a palestra O que é Meta-história?, ministrada pelo Prof. Dr. Jörn Rüsen no dia 8 de outubro de 2010 no auditório da Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás.

Gostaríamos de agradecer a todos que, de alguma forma, tenham contribuído com essa publicação, divulgando a IX Chamada de Artigos, enviando textos, emitindo pareceres, concedendo entrevistas e direitos de imagem. E, principalmente, agradecemos ao caro leitor pelo interesse e pela credibilidade depositada em nosso trabalho. Os Diretores.


ASSUNÇÃO, Marcello Felisberto M. de; NASCIMENTO, Darlos Fernandes do; SILVA, Deiver Barros da; PEREIRA, Fernanda Linhares. Apresentação. Revista de Teoria da História, Goiânia, v.9, n.1, jul, 2013. Acessar publicação original [DR]

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