Ensinar História no tempo presente. Este é um desafio que está no centro das experiências e perspectivas de profissionais e educadores que pretendem produzir e refletir o conhecimento histórico na sala de aula. O volume 4, número 2 (2012) da revista Tempo e Argumento, intitulado “Ensino de História”, apresenta resultados de pesquisas e análises que tomam a produção historiográfica em sua dimensão de saber escolar, como um processo em que estão envolvidos diferentes atores sociais: docentes, discentes, representantes do Estado, editoras, etc.

A seção Dossiê deste número da revista Tempo e Argumento é composta por sete artigos. No artigo intitulado “A campanha presidencial televisiva de Lula em 2006 revista desde a Didática da História”, Luis Fernando Cerri discute o lugar ocupado pela propaganda televisiva no ensino-aprendizagem da História no tempo presente. O autor apresenta uma reflexão sobre as questões epistemológicas que norteiam a disciplina Didática da História com destaque para o proposto por Klaus Bergmann, Jörn Rüsen e Christian Laville. A partir desses referenciais e de um conjunto de representações sociais evocadas pela História política brasileira, o historiador analisa a campanha televisa presidencial de 2006 feita pelo candidato Lula.

Os historiadores João Batista Gonçalves Bueno, Arnaldo Pinto Junior e Maria de Fátima Guimarães, no artigo “Livros didáticos de História: entrecruzando leituras de imagens e orientações editoriais nas décadas de 1970 e 1980”, procuraram conhecer as permanências e rupturas relativas às formas de editoração dos textos escritos e imagens presentes nos livros didáticos da área da História. Para os autores, estes procedimentos implementados num momento de modernização do campo editorial nortearam em grande parte as obras de caráter didático, bem como as formas de leitura vindouras.

O livro didático no tempo presente também é o tema do artigo de Clarícia Otto e Geane Kantovitz denominado “Livros didáticos da rede Salesiana de escolas: prescrições e usos”. As autoras analisam, por um lado, as prescrições presentes nestas obras e, por outro, como um grupo de docentes e discentes utilizam este material no cotidiano escolar. As autoras enfatizam que, apesar das prescrições relativas ao saber histórico presentes nas obras, é a mediação didática que estabelece os rumos do ensino-aprendizagem.

O historiador Ricardo de Aguiar Pacheco, no artigo “O museu na sala de aula: propostas para o planejamento de visitas aos museus”, apresenta uma metodologia composta por três fases para o uso didático do museu pelos docentes da área da História. Para o autor, as vistas aos museus devem constituir-se em ações educativas que envolvam o binômio ensino e pesquisa.

O educador Roper Pires de Carvalho Filho, no artigo “Ensino de História: políticas curriculares, cultura escolar, saberes e práticas docentes”, discute, a partir de um estudo de caráter etnográfico, a complexa relação entre as prescrições vigente nos currículos da área de História, a cultura escolar e as práticas docentes.

O mercado editorial e o ensino de História é o tema também do artigo de Jeferson Rodrigo da Silva. O historiador, no artigo intitulado “De anônimo a best seller: digressão sobre o Projeto Araribá – História no PNLD de 2008”, buscou compreender como se processou o sucesso editorial da referida coleção publicada pela Editora Moderna. Segundo ao autor, este êxito está associado a um conjunto de fatores, entre os quais destacas as políticas públicas que visavam a melhoria do ensino e os interesses comerciais.

As pesquisadoras Raquel Alvarenga Sena Venera e Juliana Pirola da Conceição, no artigo “Tensões curriculares e narrativas: o ensino de História da América”, a partir dos referenciais dos Estudos Culturais, analisam a relação entre as práticas curriculares e construção de identificações sobre a América Latina por estudantes da rede pública de ensino.

Na seção Artigos temos duas contribuições. A historiadora Geni Rosa Duarte e o historiador Emilio Gonzalez, no estudo “Visões sobre a conquista da América Hispânica pela música popular” buscaram compreender como canções das décadas de 1970, 1980 e 1990 abordaram o tema da conquista da América pelos espanhóis, sob uma perspectiva da chamada História dos vencidos. A historiadora Marlise Regina Meyrer, por sua vez, volta seu olhar para a História política do Brasil. No artigo denominado “A vassoura, a simpatia e a espada: imagens da democracia brasileira nos anos 50”, a autora investiga as representações sociais presentes na revista O Cruzeiro sobre a cena política da década de 1950, assim como acerca de personagens de destaque, tais como Jânio Quadros, Juscelino Kubitscheck e Henrique Teixeira Lott que aturam na naquele contexto histórico.

A seção Resenhas é composta por três contribuições. As historiadoras Lara Rodrigues Pereira e Caroline Antunes Martins Alamino apresentam uma reflexão sobre a obra “Ver História: o ensino vai aos filmes”, organizada por Marcos Silva e Alcides Freire Ramos. De acordo com as autoras, a obra descortina para os leitores as várias possibilidades metodológicas de utilizar as produções cinematográficas em sala de aula.

Júlio César Virgínio Costa, por sua vez, analisou a obra autobiográfica de Chil Rajchman, intitulada “Eu sou o último judeu: Treblinka (1942-1943)”, publicada pela editora Zahar, em 2010. Para o historiador, a obra demonstra o quão complexa é a relação entre o rememorar e o esquecer como operações da produção da memória, sobretudo, quando está em jogo a construção de representações sociais individuais e coletivas de processos históricos, tal como a denominada “solução final”.

Já o historiador Geraldo Magella de Menezes Neto, apresenta uma reflexão sobre o livro “Arcanos do verso: trajetória da literatura de cordel”, de autoria de Rosilene Alves de Melo, que recebeu o prêmio “Silvio Romero” de melhor monografia sobre cultura popular em 2003. A obra tem como foco a análise do repertório presente nos folhetos de cordel produzidos entre 1932 e 1982, pela tipografia São Francisco, localizada na cidade de Juazeiro do Norte (CE).

Por fim, a seção Entrevistas apresenta uma entrevista realizada pela historiadora Cristiani Bereta da Silva com o professor Peter J. Lee, que trabalhou na Unidade de Educação Histórica do Instituto de Educação da University of London. A entrevista intitulada “O ensino de Historia – algumas reflexões do Reino Unido” além de historiar a trajetória das pesquisas do entrevistado, aborda o importante debate vigente no campo epistemológico sobre os processos de ensino aprendizagem na área da História.

Desejamos, a todos e todas, uma boa leitura.

Os Editores


Comitê editorial. Editorial. Tempo e Argumento, Florianópolis, v.4, n.2, 2012. Acessar publicação original [DR]

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