Pequenos poderes na Roma imperial. Os setores subalternos na ótica de Sêneca | Luciane Munhoz de Omena

A professora da UFG, Luciane Munhoz de Omena, publica livro resultante da sua pesquisa de doutoramento, na Universidade de São Paulo, sob a orientação de Norberto Luiz Guarinello. Como ressalta, logo no prefácio, a professora da UFG Ana Teresa Marques Gonçalves, a autora demonstra como os setores subalternos eram atores políticos relevantes durante o Principado (27 a.C. – 197 d.C.). Omena agencia, em seu estudo, diversos pontos de vista ao corrente das discussões epistemológicas mais recentes, a começar pela crítica aos regimes de verdade, tal como proposto por Michel Foucault, mas também pelo uso do conceito de capital cultural, oriundo de Pierre Bourdieu, destacados pela autora já na introdução. Outros horizontes são apresentados no decorrer da obra, com autores como Peter Burke, Georges Balandier e Mikhail Bakhtin. A autora, de forma muito apropriada, insere sua obra nas discussões brasileiras, com menções a estudiosos como Fábio Faversani, Renata Senna Garrafoni, Norberto Luiz Guarinello, Fábio Duarte Joly e Norma Musco Mendes, entre outros. Ressalte-se, ademais, a consulta de dissertações e teses inéditas, em particular sobre Sêneca (e.g. Ronildo Alves Santos e Ingeborg Braren).

A autora não hesita – logo nas páginas inicias – em situar sua pesquisa sobre os grupos sociais romanos no contexto brasileiro, recorrendo à perspectiva antropológica culturalista de Roberto Da Matta. O capítulo primeiro volta-se para dissecar a construção dos setores subalternos pela historiografia contemporânea, a partir de uma perspectiva que valoriza a heterogeneidade das identidades sociais. Em seguida, a autora volta-se para sua fonte principal, o filósofo e preceptor de Nero, Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.). Um ponto alto da análise consiste no estudo das relações de micropoderes, conceito foucaultiano par excellence, no mundo dos escravos, sem descuidar da cultura material, ainda que marginal para sua argumentação centrada em Sêneca. A autora conclui sua obra com a observação que não havia um sistema social homogêneo e estático. Tanto a elite quanto a plebe, segundo Omena, caracterizava-se pela pluralidade e pelo conflito.

A obra de Omena constitui uma contribuição atualizada e bem fundamentada, a partir do estudo de uma fonte romana bem conhecida, Sêneca, sobre as relações de poder durante o Principado. Dentre os méritos, destaca-se o uso de referenciais teóricos contemporâneos e da literatura especializada brasileira. O livro mostra, à sua maneira, o estado das pesquisas sobre História Antiga no Brasil e constitui um testemunho da difusão da pesquisa científica sobre o mundo antigo Brasil afora, já que Omena milita em importante universidade do Centro-Oeste. A publicação da sua tese de doutoramento, de maneira pioneira nessa região do país, constitui um reconhecimento ao avanço dos estudos sobre a História Antiga no Brasil.


Resenhista

Pedro Paulo A. Funari – Professor Livre Docente do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas.


Referências desta Resenha

OMENA, Luciane Munhoz de. Pequenos poderes na Roma imperial. Os setores subalternos na ótica de Sêneca. Vitória: Flor & Cultura, 2009. Resenha de: FUNARI, Pedro Paulo A. História Revista. Goiânia, v.14, n.2, jul./dez.2009. Acessar publicação original [DR]

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