Antigas Leituras: Visões da China Antiga – BUENO/ M NETO (RMA)

BUENO, André; NETO, José M. (org.) Antigas Leituras: Visões da China Antiga. União da Vitória: UNESPAR, 2014. Resenha de: BUENO, André. Revista Mundo Antigo, v.4, n.7, jun., 2015.

Ainda que a China seja um dos temas historiográficos mais importantes da atualidade, é precário e desolador o panorama dos estudos sinológicos no Brasil. Reinam as iniciativas isoladas, calcadas nas bibliotecas particulares (adquiridas a muito custo), cuja divulgação é quase sempre bastante restrita. É possível dizer, sem receio, que estudar o vasto e amplo campo do “Oriente” não é algo devidamente estimulado no ambiente acadêmico nacional. Dentre os múltiplos objetivos da Ciência Histórica, estudar os fundamentos das civilizações humanas, bem como compreender os mecanismos da alteridade, deveriam ser temas relevantes mesmo para um historiador iniciante; e a ausência marcante dos estudos de Antiguidade Oriental em muitos currículos evidencia, mais do que nunca, esse problema gravíssimo de formação. Um estudante, obviamente, não precisa ser sempre um especialista em Antiguidade e/ou “Oriente”; mas sabemos que, ao dominar os instrumentos básicos da pesquisa nesse campo, ele amplia e fortalece sua formação, construindo para si um conhecimento mais sólido e interdisciplinar. Marcel Granet (1884-1940), um dos mais importantes sinólogos que a França já conheceu, afirmava que “A civilização chinesa merece mais do que a simples curiosidade. Ela pode parecer singular, mas (é um fato) nela se encontra registrada uma grande soma de experiência humana. Nenhuma outra serviu de vínculo a tantos homens, durante um período tão grande. Quem pretende ter o título de Humanista, não deve ignorar uma tradição de cultura tão atraente e tão rica em valores duráveis”. Posto de outra maneira: é possível, ou mesmo viável, afirmar-se um “Humanista” ou um “Especialista em Ciências Humanas” quando seu conhecimento teórico e metodológico – que se pretende universal – ignora quase dois terços do mundo (isto é, Ásia e África)? Dito isso, não é preciso muito esforço para compreender a necessidade fundamental dos estudos sobre o “Oriente”. Claro, cuidados devem ser tomados: facilmente, buscar entender UM “Oriente” descambaria no “Orientalismo”, tão bem denunciado por Edward Said (1998), que se constitui na miragem cultural do exotismo e do estranhamento produzida pelos europeus do século 19, em relação “aos outros” – ou, os “orientais”. O “Oriente”, pois, deve ser abordado em blocos separados, e em épocas distintas, buscando-se compreender seus modelos civilizacionais, seus alcances e contribuições.

Todavia, a China (tal como a Índia) apresenta-se como um desafio complexo, dada a continuidade de sua estrutura civilizacional. A Cultura Chinesa não “tem uma ligação” com o Passado; ela é, essencialmente, o seu pleno desenvolvimento, mantendo os meios de acesso a ele (como o uso a linguagem e da escrita) absolutamente ativos. Só isso pode explicar, por exemplo, por quais razões Mao Zedong (1883-1976) lutava contra Confúcio na década de 60. A antiguidade é absolutamente viva entre os chineses; ele é o seu cimento cultural, o cerne de sua identidade, e o sistema básico de sua mentalidade e imaginário. Assim sendo, a afirmação de que “para compreender a China de hoje, precisamos olhar seu passado” não é um clichê ou exagero, mas uma condição sine qua non. Qualquer especialista que se debruce sobre a China atual sem conhecerlhe melhor os seus tempos antigos correrá, inevitavelmente, um grande risco de cometer enormes equívocos. A par disso, por outro lado, conhecer um pouco mais sobre a China propiciar-lhe-á uma experiência intercultural significativa, cujo deslocamento garante uma enriquecedora experiência de diálogo.

Foi nesse sentido, pois, que foi pensado o volume “Visões da China Antiga”, da série Antigas Leituras. A série, iniciada pelo Prof. Dr. José Maria Neto (Universidade de Pernambuco), visa promover um amplo debate sobre os mais diversos temas relacionados à Antiguidade e aos Estudos Clássicos, sem limitações culturais, geográficas ou contextuais. Isso favoreceu a formação de um quadro mais amplo de diálogo histórico, ensejando a criação de férteis ambientes interdisciplinares e interculturais no âmbito dos estudos sobre a Antiguidade. Por essa razão, a organização de um volume dedicado a China foi percebida como uma contribuição significativa ao panorama do tímido ambiente sinológico brasileiro, carente de uma tradição e continuidade mais nítidas. No mais, a escolha do eixo temporal – a antiguidade chinesa – respondia diretamente ao aspecto anteriormente aqui aventado: sem a compreensão da China Antiga, o entendimento da China Contemporânea corre grande risco de tornar-se inviável, superficial ou equivocado.

O trabalho de confecção do livro foi feito, portanto, em conjunto com o autor dessa resenha. Objetivou-se uma seleção de ensaios que pudessem ser lidos de forma livre e independente, e cuja temática ficasse a vontade dos autores. Alguns textos, especificamente, foram escolhidos para tradução, enquanto outros são absolutamente originais. A única limitação era o contexto temporal (até o séc. 4 EC), a partir do qual se deu uma reformulação da estrutura política e cultural da China Antiga. Em função dos poucos especialistas brasileiros nesse campo, a maior parte dos autores é estrangeira, provenientes de escolas sinológicas tradicionais e consolidadas; todavia, conseguiu-se obter qualidade, equilíbrio e uniformidade entre os textos, mostrando as amplas possibilidades de diálogo com essas diversas linhas de pesquisa. Passemos, pois, a um exame dos capítulos da obra: Na Introdução, José Maria Neto (p.9) apresenta-nos o plano da obra, analisando cada um dos capítulos, suas propostas e seus autores. Note-se a extrema sensibilidade do autor em relacionar o processo de construção do volume com suas experiências pessoais de formação intelectual, denotando a enriquecedora oportunidade de pensar o diálogo intercultural. Essa experiência – que vence o preconceito, rompe barreiras, e nos dá a conhecer o outro – é um dos objetivos fundamentais do que se propõe a Universidade, e pela qual valeu a produção desse volume. Tal conscientização, ainda rara (mas crescente) em nosso ambiente acadêmico torna especial o caráter dessa introdução, bem como revela a inovadora idealização da série Antigas Leituras.

Sobre o Humanismo na China: ou, de como a Poesia orientou o Céu, de Alicia Relinque Eleta (p.20) é um interessante texto sobre as relações entre a poesia, o conhecimento histórico e o pensar político na China Antiga. A Prof. Eleta é sinóloga formada na Espanha, possuindo uma vasta produção de artigos e traduções do chinês.

Nesse ensaio, destaca-se a viabilidade de entender uma noção de Humanismo no pensar chinês tradicional, por meio de suas expressões poéticas, e como isso se manifestava e se aplicava no pensamento social da China imperial. Esse trabalho, calcado em documentos chineses antigos, traz para nós a conexão entre Literatura e História (tão em voga na academia) aplicada ao caso chinês, cujo corpus literário data de períodos milenares, tornando essa experiência bastante especial.

O Culto da Mulher no Neolítico Chinês, de Ana Maria Amaro (p.41), é um ensaio sobre a antiga estrutura social chinesa, que segundo as pesquisas aventadas, poderia ser qualificada como Matriarcal. A análise é feita com base em dados arqueológicos, lingüísticos e folclóricos (incluindo-se aí os mitos e passagens presentes na literatura), apresentando um quadro consciente da questão, que contribui deveras para um entendimento antropológico e sociológico das origens humanas. Ana Amaro é uma das maiores sinólogas que a tradição portuguesa já conheceu, com uma ampla experiência de estudos em Macau, e fundadora do Instituto Português de Sinologia, da Universidade de Lisboa. Sua vivência na China propicia um olhar íntimo e diferenciado, sobre as questões culturais chinesas, sobre as quais se tornou um intérprete e tradutora destacada no mundo lusófono.

Sinologia e Confucionismo: a importância dos Estudos Confucionistas para a compreensão da Civilização Chinesa, de André Bueno (p.56), trata-se de um estudo sobre as principais características do arque-sistema intelectual chinês, o Confucionismo.

Confúcio (551-479 AEC) foi o principal intelectual chinês da antiguidade, que reinterpretou sua cultura e criou para ela um sistema intelectual capaz de abordá-la por múltiplos ângulos. O projeto do Confucionismo escapa de nossas classificações usuais: ele abrange a História, a Filosofia e a Sociologia, permitindo que a obra de Confúcio seja analisada por nós pelos mais diversos vieses. Contudo, entender o próprio Confucionismo é que constitui uma porta de acesso significativa ao entendimento das formas de pensar chinesas.

Quanto a Laozi e o Taoísmo, por António Graça de Abreu (p.74), trata-se de uma longa introdução ao outros aspecto fundamental da mentalidade chinesa, o Daoísmo (Taoísmo), cuja origem remonta, junto com o Confucionismo, ao século 6 AEC. O texto é amplo, fartamente documentado, esmiuçando as possibilidades históricas e filosóficas para se compreender o Daoismo e seus desdobramentos sociais, culturais e religiosos. O prof. Abreu, de Aveiro, é outro grande nome da Sinologia portuguesa, sendo um dos poucos estudiosos que morou na China na tumultuada década de 70. Tradutor prolífico, têm sido um dos grandes divulgadores da Sinologia em Portugal e Macau atuais.

O “Rito de Passagem do Escrito Amarelo da Claridade Superior”: Religião e Sexualidade na China Antiga, de Bony Schachter (p.98) trata-se de um dos raros textos produzidos por sinólogos brasileiros no campo da China antiga. O prof. Schachter atualmente reside na China, e investiga esse antigo texto chinês, que revela-nos aspectos diversos da mentalidade histórica e religiosa chinesa. Com uma produção acadêmica altamente especializada, tem se dedicado ao estudo do Daoísmo e suas implicações alquímicas e místicas dentro do pensamento chinês, compondo parte de um grupo seleto de pesquisadores em âmbito internacional.

Zhuangzi e Aristóteles: sobre Ser uma Coisa, por Chenyang Li, (p.118). Nesse artigo, o Prof. Li elabora um fértil estudo comparativo entre o pensamento do autor daoísta Zhuangzi (séc. 4 AEC) e Aristóteles (384-322 AEC) acerca das questões do uso da linguagem na definição das categorias e classificações dos seres. Nesse ensaio, demonstra-se que as discussões sobre o uso da linguagem no pensar filosófico não eram exclusividade do Ocidente; e ainda, que os procedimentos propostos pela estrutura lingüística chinesa (logogramática) constituem uma perspectiva diferenciada de filosofar, representando um significativo desafio a pretensão universalista das “filosofias ocidentais”. O Prof. Li, de Cingapura, é um especialista em diálogos filosóficos “Oriente-Ocidente”, notadamente do pensamento chinês, numa linha comparativa, apontando caminhos de aproximação ou distanciamento entre essas diferentes concepções filosóficas.

Em A Relação entre Linguagem e Pensamento na antiga Epistemologia Chinesa, de Jana S. Rošker (p.142), a destacada sinóloga eslovena realiza uma aproximação com a antiga estrutura lingüística chinesa, e suas implicações no desenvolvimento do pensamento chinês antigo. Seu amplo domínio da terminologia e do conceitual chinês torna o texto uma excelente introdução a estrutura do pensar chinês, principal linha de estudos dessa pesquisadora, que atualmente comanda a Associação Européia de Filosofia Chinesa. É, provavelmente, uma das mais sensíveis e capazes tradutoras da epistemologia chinesa antiga para a academia Ocidental.

Reflexões genealógicas e circulares sobre a formação do Pensamento Chinês antigo, de Jesualdo Correia (p.156) nos traz um denso estudo sobre as origens do pensamento chinês, com base no Tratado das Mutações (o Yijing). Seu ensaio dialoga diretamente com a proposta da Prof. Rosker, mas aborda a questão por outro ângulo: como compreender o pensamento chinês por meio de suas noções correlativas, presentes do gênese de sua interpretação sobre os movimentos da natureza? Pesquisador independente, com formação na Europa e na Ásia, Prof. Correia foi um dos raros brasileiros a viajar e conhecer a Ásia tradicional, antes da década de 90, quando a globalização começou a afetar muitos de seus antigos hábitos e costumes tradicionais.

Essa experiência reflete-se na capacidade de acessar o pensamento chinês de forma direta e consciente, buscando-o em sua originalidade.

O Pensamento Chinês durante a Dinastia Han (p. 178) traz outro ensaio de um dos organizadores desse volume, no qual é abordado o pensamento durante a o período Han (séculos 3 AEC – 3 EC). Embora muito pouco conhecida, essa dinastia foi fundamental para o estabelecimento da estrutura imperial chinesa, garantindo-lhe os princípios e formas básicas que se manteriam até 1912. Se o pensamento chinês tem sua aurora em priscas Eras, ou se a grande revolução ética começou no século 6 AEC com Confúcio e Laozi, é na época Han, porém, que surgiram as grandes sínteses na filosofia chinesa, responsáveis até os dias de hoje por suas reinvenções e pela sua continuidade dinâmica. São dessas fusões que nasceram a Medicina Tradicional, as grandes teorias políticas e burocráticas da história chinesa, enfim, uma ampla gama de aspectos da mentalidade chinesa que nos são conhecidos de forma geral, mas cujos autores ignoramos. Nesse ensaio, pois, pretendeu-se apresentar um quadro geral dos principais problemas e linhas de pensamento da época, buscando compreender por que ela é tão mal conhecida por nós, mesmo sendo tão importante para a história chinesa.

O Cavalo na Antiguidade Chinesa: entre o Institucional e o Natural, por Márcia Schmaltz (p.201). Márcia Schmaltz é, provavelmente, a melhor e mais qualificada tradutora de chinês que existe no Brasil atual. Igualmente Professora na Universidade de Macau, com vasta experiência em Literatura Chinesa, suas capacidades ainda são praticamente únicas no ambiente sinológico lusófono. Nesse ensaio, ela apresenta o imaginário chinês antigo sobre a figura do Cavalo, um tema central na arte, no pensamento e no folclore chinês da antiguidade. A figura desse animal ganha dimensões especiais na literatura chinesa, sendo ligada a definição de papéis sociais e militares, ganhando conotações filosóficas, e por fim, alcançando um status de prestígio dentro da cultura. Percorrendo contos e histórias, unidas por sua capacidade investigativa e habilidade literária, a Prof. Schmaltz nos apresenta, assim, um singular aspecto da antiga cultura chinesa.

Desviamo-nos, pois, para o campo artístico: Os Quatro Animais Cosmológicos em Túmulos Han com Murais, de Nataša Vampelj Suhadolnik (p.219) nos apresenta um atualizado estudo arqueológico das tumbas do período Han, focando principalmente em suas pinturas murais. A pesquisa centra-se nas figuras animais, cujas significações cosmológicas tinham implicações nas crenças e mitos post-mortem desse período. O imaginário religioso chinês é um ambiente complexo e riquíssimo de crenças, pouquíssimo estudando ainda em nosso país. Presos a noções superficiais de religiosidade chinesa (em geral, apegadas equivocadamente ao Confucionismo e ao Daoísmo), desconhecemos quase por completo as crenças chinesas, seus sistemas e, principalmente, suas mudanças ao longo da história. O texto da Prof. Suhadolnik é uma das mais destacadas e atuais pesquisas nesse campo, sendo originalmente publicado em português, e propiciando-nos um quadro absolutamente desconhecido da religiosidade chinesa, com base em evidências materiais, literárias e artísticas. No mais, ela compõe o destacado e ativo grupo de sinólogos eslovenos recentes, o que demonstra que a realização de pesquisas nesse campo (a Sinologia) é reconhecida como fundamental, atualmente, por diversos países no mundo – incluindo países pequenos como a Eslovênia.

A Redescoberta da Unidade Céu-Homem, por Wang Keping (p.251). O Prof. Wang, de Beijing, é um dos mais destacados estudiosos chineses sobre o diálogo intercultural no âmbito filosófico. Autor de importantes obras sobre o pensamento chinês traduzidas no Ocidente, ele nos apresenta, nesse texto, uma importante releitura do papel da filosofia chinesa antiga na contemporaneidade. Empregando conceitos próprios do pensamento chinês antigo, ele defende que o resgate da sociedade contemporânea deve ser feito por meio de uma busca pelo equilíbrio com a Natureza – a Harmonia – como única forma de assegurar a preservação e a continuidade da Humanidade. Esse ensaio destaca-se por clarificar a atitude chinesa em relação ao passado: ele é o alicerce a partir do qual se debatem questões modernas, constituindo o cerne de sua interpretação intelectual e cultural. No Ocidente, tal texto poderia causar estranheza: afinal, como propor uma resposta a atual crise ecológica, por exemplo, empregando Confúcio? Se alguém citasse Jesus ou Maomé, isso seria “compreensível” (por se tratarem de figuras religiosas), mas se tornaria incompreensível se os citados fossem Platão ou Cícero. Confúcio poderia ser compreendido, pois, se aceito como uma figura religiosa (como muitos pretendem), mas não o era. Não propôs qualquer sistema religioso, não discutiu metafísica, nem realizou curas ou milagres. Assim, ele estaria mais próximo de Platão ou Cícero… Esse tipo de atitude chinesa, portanto, é que nos revela o desafio para compreender a mentalidade sínica, ao qual o ensaio do Prof. Wang se mostra perfeitamente adequado para estabelecer um ponto de debate.

Por fim, O Messianismo do Primeiro Imperador, de Yuri Pines (p. 277), nos apresenta um estudo bastante revelador sobre a mentalidade de Qinshi Huangdi, o primeiro imperador da dinastia Qin (séc. 3 AEC), e mais conhecido por nós pela construção do Mausoléu dos Guerreiros de Terracota em Xian, e pela construção da Grande Muralha. O Prof. Pines, da Universidade Hebraica de Israel, e um dos maiores especialistas atuais nesse período da história chinesa, nos mostra que Qinshi Huangdi, em uma atitude inédita até então, propõe-se como uma espécie de Messias chinês, inaugurando uma nova Era para a sua nação. Contudo, esse messianismo possuía características especiais, servindo a interesses políticos, religiosos e culturais, que tornam esse caso único na antiguidade da China. Com base em epígrafes e fragmentos literários, seu trabalho é uma pesquisa recente e atualizada, revelando novas facetas – até mesmo para os chineses – sobre a história de seu passado.

Diante desse elenco, há que se considerar que o volume “Visões da China Antiga” é uma obra de relevo intelectual, capaz mesmo de ombrear com coletâneas estrangeiras de alto nível; é, do mesmo modo, uma publicação inédita no Brasil, por suas características e temas, criando um marco de excelência nos estudos sinológicos brasileiros. Todavia, a produção dessa obra não veio desacompanhada das tradicionais dificuldades impostas pela academia brasileira. Note-se que a tradução dos artigos estrangeiros foi feita sem qualquer suporte ou recurso de órgãos de fomento. O livro, pois, só foi lançado em formato Ebook, sem previsão de impressão física. A divulgação e difusão eletrônica ficaram a cargo dos organizadores. Tal condição mostra o quanto, de certo modo, as iniciativas no campo da História Antiga e do Oriente ainda terão que evoluir dentro do panorama nacional. Será um longo trabalho; mas a durabilidade da cultura chinesa mostra que é possível, enfim, apostar nessa indispensável tarefa intelectual. Como já dizia um antigo ditado chinês: “Sábio é aquele que, por não saber que era impossível, foi lá, e fez”; que essa obra, portanto, seja apanágio dessa afirmação.

O download da obra está disponível na Página do Projeto Orientalismo, em: http://orientalismo.blogspot.com.br/p/livros.html Link direto: https://sites.google.com/site/orientalismo/home/downloads-dearquivos/ Vis%C3%B5es%20da%20China%20Antiga_Ebook.pdf?attredirects=0&d=1

Referências

GRANET, Marcel. A Civilização Chinesa. Rio de Janeiro: Otto Pierre, 1979.

SAID, Edward. Orientalismo: a invenção do Oriente pelo Ocidente. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1998.

André Bueno – Pós Doutor em História pela UNIRIO; atua nas áreas de História Antiga, Sinologia e Confucionismo; Prof. Adjunto de História Antiga na UNESPAR, União da Vitória.

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