Estética y política, nuevas indagaciones en la cultura de izquierdas | Archivos de Historia del Movimiento Obrero y la Izquierda | 2022

El 27 de abril de 1934, Walter Benjamin dicta, en el Instituto para el Estudio del Fascismo, con sede en París, una conferencia cuyo texto conocemos hoy con el título de “El autor como productor” y que resulta un buen punto de partida para reflexionar en torno al problema teórico, historiográfico y crítico que propone este dossier: el de las relaciones entre estética y política en la cultura de izquierdas en la Argentina de las décadas del 20 y 30.

En el inicio de ese texto, Benjamin retoma el viejo tema platónico de la expulsión de los poetas de la polis, en vistas de aclarar un problema fundamental para comenzar a plantear las relaciones entre estética y política: el de la autonomía. De acuerdo a Benjamin, si Platón prohíbe a los poetas residir en su proyecto de Estado no es porque desestimara a la poesía sino, al contrario, por tener un “alto concepto de su poder” (Benjamin, 2019, p. 101). Este tópico del “derecho a la existencia del poeta”, afirma el autor, no ha vuelto a plantearse hasta la actualidad, aunque ahora, en términos diferentes a los platónicos, se presenta como la cuestión acerca de la autonomía. Desde el punto de vista de un artista o escritor que ha tomado posición en la lucha de clases a favor del proletariado, no es posible, señala Benjamin, postular ninguna autonomía de la estética, es decir, la libertad del artista o del escritor para crear “lo que quiera” (p. 101). Por el contrario, quedaría demostrado que incluso el arte burgués, que se quiere libre de determinaciones, simplemente recreativo, se encuentra en realidad al servicio de los intereses de esa clase a la que sirve de entretenimiento: la burguesía. En contraste, todo artista progresista, que parte del reconocimiento de que la autonomía es una ilusión burguesa, sabe que, en la coyuntura en la que se encuentra, su deber radica en orientar su actividad “según lo que sea útil para el proletariado en la lucha de clases” (p. 101). Leia Mais

Ética e Estética do Tempo Presente | Outras Fronteiras | 2021

ÉTICA E ESTÉTICA DO TEMPO PRESENTE Ou da subjetividade como afazer político

[…] a arte é considerada política porque mostra os estigmas da dominação, porque ridiculariza os ícones reinantes ou porque sai de seus lugares próprios para transformar-se em prática social

A política é a atividade que reconfigura os âmbitos sensíveis nos quais se definem objetos comuns. Ela rompe a evidência sensível da ordem “natural” que destina os indivíduos e os grupos ao comando ou à obediência, à vida pública ou à vida privada, votando-os sobretudo a certo tipo de espaço ou tempo, a certa maneira de ser, ver e dizer2. Leia Mais

Interfaces da arte no universo da história marítima e militar: estética, linguagens e representações |  Navigator | 2019

De longa data a arte relaciona-se ao universo militar. No Brasil, a guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai proporcionou aos artistas plásticos o engajamento na história presente. Foram chamados a produzirem a crônica cotidiana dos acontecimentos do front, ilustrando periódicos com suas gravuras, ou a construírem decorações efêmeras em homenagem à volta dos soldados. Pinturas monumentais, a exemplo do Combate Naval do Riachuelo, de Victor Meirelles, ou da Batalha do Avahy, de Pedro Américo, foram encomendadas, visando perpetuar a glória dos vencedores, reafirmando a força do Império brasileiro. Monumentos aos heróis foram construídos, enquanto algumas poucas pinturas e fotografias insistiram em apontar o custo humano do conflito. As Primeira e Segunda Guerras Mundiais, domínio já do fotojornalismo, não engendraram pinturas grandiloquentes no Brasil, mas alguns jovens soldados registraram em cadernos desenhos reveladores de suas emoções. Além dos conflitos, o cotidiano da vida marítima e militar foram igualmente representados.

Neste dossiê, várias linguagens se cruzam. Pinturas, desenhos, gravuras, cartões-postais, projetos arquitetônicos e canções foram analisados. São pesquisas desenvolvidas a partir de variadas fontes, mostrando forte interesse pela representação da História Militar, em seus múltiplos aspectos. Leia Mais

Estética e política em tempos sombrios | Revista do IHGPA | 2017

Mergulhar nos textos que compõem esta edição da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará é lançar-se em um rizoma de afetos, na possibilidade de transcender as zonas de discussão que os integra e banhar-se nas linhas e entrelinhas. Os autores aqui reunidos, propuseram-se a escrever sobre experiências, análises, críticas, ensaios em intersecção com a temática “ESTÉTICA E POLÍTICA EM TEMPOS SOMBRIOS”, reflexões sobre o momento atual em que vivemos de verdades ilusórias, de “Ilusões sem Ilusão” e de “Políticas apolíticas”, nesses tempos de crueldades melancólicas, em que não se desenvolvem mais projetos, vivemos em tempos de desilusões destrutivas.

Acreditar na palavra enquanto linguagem e ferramenta de resistência é o que move os escritos que aqui se desenvolvem. Um movimento de levante contra as forças silenciosas que maquinam e torturam em uma incessante ganância e opressão. Expor seus mecanismos, identificá-los e combater, aqui a palavra ganha mais que o formato das letras, elas gritam e penetram onde talvez o próprio homem atualmente não consiga adentrar. Neste ambiente, propomos discutir sobre estas armas que perpassam por uma política / estética colocando à mesa estas duas vertentes que se encontram de forma sublime nos textos aqui apresentados. Leia Mais

Estética  / Especiaria / 2008

Este número da Especiaria – Cadernos de Ciências Humanas traz como temática de seu dossiê a estética. Como uma ramificação da Filosofia, a estética possui um significado complexo e de definição pouco homogênea. De seu significado etimológico, do grego aisthésis, termo traduzido por sensação, sensibilidade ou percepção sensível, ao significado moderno de conhecimento sensível (ou percepção) associado à questão do gosto, ao juízo de gosto ou juízo estético e, em sentido mais abrangente, como toda a reflexão filosófica sobre a arte, o termo estética comporta uma variação de entendimentos e diferentes abordagens que transitam pelo campo do conhecimento, da moral e da política em associação com a arte.

A maioria dos artigos presentes neste número foi debatida no IV Encontro do GT de Estética da Associação Nacional de Pós-gradução em Filosofia – ANPOF, realizado em junho de 2008, na Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC.

Os dois primeiros assuntos do dossiê, de Jeanne Marie Gagnebin e Virginia Araújo Figueiredo, resultam de palestras proferidas nas Plenárias de Estética dos dois últimos encontros da Associação Nacional de Pós-gradução em Filosofia – ANPOF, respectivamente o XII e o XIII, em 2006 e 2008.

O artigo de Jeanne Marie Gagnebin busca afirmar uma reciprocidade do sentido de estética como percepção unida às transformações históricas e sociais, cujo alcance sugere um entrelaçamento entre as reflexões filosóficas sobre as artes e as práticas artísticas.

Virginia Figueiredo faz uma abordagem contemporânea da estética de Kant, relacionando-a com a teoria de Thierry de Duve, em particular com o que a autora chama de “juízo deduviano – isto é arte? -” e o juízo reflexionante estético de Kant.

Rodrigo Duarte se debruça sobre as teorias que consideram as linguagens artísticas, desde o Trattato della pinttura, de Da Vinci, às teorias contemporâneas sobre arte e estética, em particular de Clement Greenberg e Theodor Adorno.

O texto de Wolfgang Bock lida com a ambiguidade de algumas categorias do pensamento de Walter Benjamin, quais sejam: a relação entre memória e esquecimento, de barbárie “negativa” e barbárie “positiva”, e, principalmente, a de história e obra de arte, no sentido em que a obra de arte se relaciona com a tradição histórica e ao mesmo tempo é capaz de romper com a tradição.

João Emiliano de Aquino Fortaleza traz à tona o sentido etimológico da palavra estética – aisthésis – considerando encontrar no diálogo Fédon, de Platão, em suas palavras, uma “teoria positiva da percepção sensível”.

Transitando entre a Antiguidade e o Renascimento, Ronel Alberti Rosa traça, pormenorizadamente, em seu artigo, a origem da ópera. Do imaginário do mundo antigo emerge a figura de Orfeu, como se sabe, ligada à música, e concomitantemente um projeto de recuperação da tragédia clássica. Da junção entre a música e a tragédia e seus efeitos catárticos, teria, então, surgido a ópera.

Romero Freitas pretende constituir, em sua fala, uma relação entre o trágico e o cômico no romantismo alemão. A denominada estética da ironia encontra, segundo o autor, um exemplo prático nas comédias de Tieck. É por meio de uma ambiguidade da ironia, que comporta em sua expressão tanto o cômico quanto o trágico, que é possível a aproximação entre os gêneros.

Pedro Süssekind recupera a importância de Winckelmann para a teoria estética de Goethe, em vista de um projeto de recuperar o ideal de beleza grega na arte e literatura alemãs, projeto que teria constituído o que conhecemos sob o nome de classicismo alemão.

O classicismo alemão no século XVIII é também o foco de atenção do trabalho de Luisa Severo Buarque de Holanda. Seu objetivo é o de recuperar o conceito de mímesis da Antiguidade e mostrar como o classicismo alemão incorpora esse conceito, transformando-o e ampliando seu significado do campo da teoria da arte para a filosofia da história.

Graciela Deri de Codina apresenta, em seu texto, uma leitura dialética, no sentido hegeliano do termo, da obra de Marcel Proust Em busca do tempo perdido, tendo em vista os extremos “transformação-esquecimento” e “permanência-memória”.

A crítica nietzscheana às obras de arte convencionais e a busca por superar seu sentido a fim de fazer emergir um sentido legítimo de arte é o assunto do discurso de Iracema Macedo ao trabalhar com a expressão “contra a arte das obras de arte”.

Os quatro artigos seguintes participam da discussão estética do início do século XX. O de Sara Pozzer avalia a correspondência entre a estética kantiana e a adorniana, encontrando a maior divergência entre essas na passagem do transcendental, em Kant, para o entendimento de Adorno que tem por base não o transcendental, mas o histórico.

Luciano Gatti considera a transformação por Heiner Müller da proposta brechtiana da peça didática que se tratava de um modelo de educação político-estético e de experimentação teatral. Esta transformação teria sido cumprida por Heiner Müller ao recuperar, do próprio Brecht, um questionamento sobre a forma dramática.

Márcia Tiburi reflete sobre a teoria de Vilém Flusser que, a seu ver, “inaugurou um novo contexto para a discussão sobre a estética ao investigar o sentido ontológico do mundo tecnológico ao qual ele chamou mundo codificado”.

Ricardo Fabbrini remete a outro sentido de estética ao falar da aparência ou da forma como se apresenta na arquitetura, no planejamento das construções e exposições dos novos museus no período que vai de 1980 a 2000. Para tanto, ele reavalia o sentido de “fruição estética” e de crítica com base na ideia de experiência da negatividade da arte.

A sessão artigos que compõe o presente número da revista conta com textos de Márcia Zebina, Ernani Chaves e Gilson Ianini. O artigo de Márcia Zebina relaciona a Crítica da faculdade do juízo, de Kant, à Ciência da lógica, de Hegel, com o intuito, segundo a autora, “de defender a posição hegeliana, de que o recurso à teleologia explicita o ordenamento da natureza e a estrutura interna do conceito como liberdade”.

Ernani Chaves reflete acerca da interpretação de Ricouer sobre Freud em seu livro A memória, a história, o esquecimento, com base nos textos de Freud: “Lembrar, repetir, elaborar” e “Luto e melancolia”, ressaltando a importância dessa interpretação, nem sempre considerada, possuindo o mérito de transpor a análise individual para o plano do coletivo.

Gilson Ianini tem em vista o pragmatismo de Rorty, com ênfase na crítica da representação e de sua dissolução com base na questão moderna do conhecimento, a fim de alcançar problemas filosóficos contemporâneos, encerrando com um questionamento sobre os limites do pragmatismo.

A atual edição conta com a tradução de um pequeno artigo de Marcel Proust, que precedido pela apresentação de Carla Milani Damião, trata dos componentes do movimento artístico do século XIX conhecido como Fraternidade Pré-Rafaelita e de seu teórico John Ruskin. O objetivo da articulista é indicar, para o debate contemporâneo, a questão do esteticismo.

A resenha de Imaculada Kangussu sobre o livro de Rodrigo Duarte, intitulado Dizer o que não se deixa dizer: para uma filosofia da expressão, publicado em 2008, encerra essa edição com a indicação de uma leitura profícua para refletirmos sobre categorias e alcances da estética e sua relação com o contexto político, artístico e cultural.

Não poderíamos deixar de agradecer às artistas Iole de Freitas e Anne Moreno a gentileza de permitirem a reprodução das imagens de suas obras no artigo de Virginia Figueiredo e na capa deste número de Especiaria – Cadernos de Ciências Humanas.

Carla Milani Damião – Organizadora.

Paulo Cesar Pontes Fraga –  Editor.

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