Ensino de Frações: História – Perspectivas atuais / HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática / 2021

HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática. São Paulo, v.7, 2021. Apresentação não disponível [IF].

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Histórias de uma constituição de saberes matemáticos no ensino e na formação de professores II / HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática / 2020

Neste ano tão diferente, tão inédito, trazemos à luz mais um número da HISTEMAT. O último de 2020 e também o derradeiro dessa forma de publicação. Considerando os novos modos de edição das revistas científicas, também a HISTEMAT terá publicação contínua, tendo um número por ano, a partir de 2021. E que ele seja para todos nós, um Feliz Ano Novo!

Em meio à pandemia e às suas nefastas consequências, encerrados em suas casas e apartamentos, os pesquisadores muito vêm trabalhando, elaborando artigos e colocando os resultados de seus estudos à apreciação da comunidade, da seara da História da educação matemática. Haja vista a enorme quantidade de artigos que foram submetidos sob a temática da constituição de saberes matemáticos no ensino e na formação de professores em perspectiva histórica. O número de contribuições excedeu em muito as expectativas. Assim, seguindo as normativas da quantidade de artigos por número em torno de 12, foram recebidos mais do dobro desse limite. Dessa forma, esta edição da HISTEMAT reúne textos aprovados para publicação na edição anterior, mas que por excesso, foram trazidos para este Volume 6, número 3, de 2020.

A Editoria da HISTEMAT muito agradece o trabalho realizado pelos Editores Convidados Professores Eliene Barbosa Lima, da UEFS, Bahia e David Antonio da Costa, da UFSC, Santa Catarina. O empenho desses professores, em grande parte, explica a grande quantidade de artigos submetidos.

Em específico este número reúne estudos de pesquisadores estrangeiros e brasileiros que se dedicaram a temáticas diversas sob a ótica da História da educação matemática. Formação de professores é assunto dominante dos estudos; há, ainda, pesquisas que trouxeram à vista o papel de determinados personagens na produção de novos saberes – os experts; também é dominante nos artigos, as apropriações de bases teórico-metodológicas vindas da Universidade de Genebra. Em razão disso, o último artigo deste número da HISTEMAT reproduz texto em tradução para o português de pesquisadores daquela universidade.

Boa leitura!

O Editor


VALENTE, Wagner Rodrigues. Editorial. HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática. São Paulo, v.6, n.3, 2020. Acessar publicação original [DR]

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Histórias de uma constituição de saberes matemáticos no ensino e na formação de professores (I) / HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática / 2020

Quando fomos convidados pelo editor chefe da HISTEMAT para a tarefa de organizar o número temático de 2020, sentimos o peso da responsabilidade de executar um bom trabalho dada a qualidade das publicações presentes nesta revista. A HISTEMAT tem se consolidado como um importante periódico da área da História da educação matemática e nesse sentido cumpre importante papel na disciplinarização do campo científico (Hoffmann, Costa & Valle, 2019).

Como resposta ao convite formulado, decidimos então propor o tema Histórias de uma constituição de saberes matemáticos no ensino e na formação de professores. Ao iniciarmos as divulgações no âmbito internacional e nacional, rapidamente tivemos o acolhimento de pesquisadores comprometendo-se a encaminhar propostas. Isso demonstrou o reconhecimento pelos investigadores do espaço assumido pela HISTEMAT no campo científico da História da educação matemática. Agradecemos aqueles que responderam a esta chamada. Procuramos identificar, dentre os artigos submetidos, os que melhor apresentaram aderência a proposta.

Os artigos apresentados neste número contemplam divulgações de pesquisas e estudos de autores em âmbito internacional e nacional. Como resultado deste processo, apresentamos neste Número Temático doze artigos dos quais quatro foram escritos por pesquisadores estrangeiros e oito foram escritos por pesquisadores brasileiros.

Dos quatro primeiros artigos estrangeiros podemos observar distintas abordagens metodológicas abrangendo temas relacionados a história do saber matemático em espaços de ensino e formação, particularmente em Portugal, Espanha, México e Venezuela. Privilegiou-se a diversidade geográfica não necessariamente vinculados a uma periodização no desenvolvimento de seus estudos ou mesmo no tratamento do nível de ensino.

O primeiro artigo intitulado CONSTRUINDO O CONHECIMENTO PEDAGÓGICO DO CONTEÚDO EM TEMPOS DA MATEMÁTICA MODERNA: as múltiplas facetas da lógica de autoria de José Manuel Matos e Teresa Maria Monteiro intenta caracterizar os significados atribuídos ao termo “lógica” em tempos da reforma da Matemática Moderna. As análises apresentadas se apoiam sobre um corpus de 26 trabalhos produzidos pelos estagiários do Liceu Pedro Nunes em Lisboa entre 1956 e 1968. Esta instituição, no período considerado, era responsável pela formação de professores de matemática do ensino secundário em Portugal.

A MATEMÁTICA PARA ENSEÑAR EN LOS LIBROS DE AURELIO RODRÍGUEZ CHARENTÓN: la numeración y las operaciones é o artigo produzido por Encarna Sánchez-Jiménez e tem como objetivo caracterizar a matemática para ensinar nos livros indicados deste autor. O prof. Charentón está ligado diretamente ao processo de disciplinarização da metodologia da matemática. Essa narrativa se dá nos espaços de formação dos professores normalistas que preparavam futuros professores para ensinar matemática nas escolas primárias espanholas em tempos de difusão da escola nova na década de 1930.

Retrocedendo no tempo, mas mantendo-se na temática dos saberes matemáticos, o terceiro artigo escrito por Alberto Camacho Ríos tem como título EL POSITIVISMO MEXICANO DEBATE SOBRE LOS FUNDAMENTOS DEL CÁLCULO INFINITESIMAL A FINALES DEL SIGLO XIX. Neste trabalho, o autor relata o debate sobre a fundamentação filosófica do cálculo infinitesimal engendrado no Centro de Ensino preparatório de matemática por dois professores que promoveram sua criação em 1867. A Escola Nacional Preparatória é o cenário da discussão presente no texto e esta instituição se desdobra contemporaneamente na Universidade Nacional Autónoma de México.

O quarto artigo, de autoria de Walter O. Beyer K, intitula-se EL CÁLCULO INFINITESIMAL EN LA FORMACIÓN DE INGENIEROS Y SU PROFESORADO EN EL SIGLO XIX VENEZOLANO. Tomando a história de um saber matemático do ensino superior, este texto apresenta resultados de uma investigação sobre o processo que conduziu a incorporação do Cálculo Infinitesimal nos estudos superiores da Venezuela por alguns dos seus docentes na Academia Matemática de Caracas (AMC), na Universidade e Escola de Engenharia. Para este empreendimento o autor se utilizou de outros estudos históricos e bibliográficos, de catálogos comerciais de livros e de bibliotecas, dos informes da AMC, assim como tomou as obras de cálculo infinitesimal que circularam na Venezuela no século XIX.

A partir das contribuições recebidas pelos pesquisadores brasileiros, podemos destacar que no Brasil há, também, um crescente movimento de historiadores da educação matemática preocupados em construir histórias de uma constituição de saberes matemáticos no ensino e na formação de professores, sob uma variedade de abordagens teóricas, metodológicas e de estilos narrativos, alinhados com certo fazer de uma história dita cultural.

Nessas historiografias, há espaços não apenas para os fatos regulares, mas, ainda, para episódios que fogem ao comum em um dado tempo histórico, sem nenhuma preocupação com grandes sínteses generalistas que tudo explicam independentemente do contexto sociocultural e suas peculiaridades (Vainfas, 1997). Seguem essa ótica as pesquisas nacionais que compõem este número temático.

De fato, tais pesquisas evidenciaram, em primeiro plano, que os saberes matemáticos não foram constituídos no ensino e na formação do professor de forma homogênea, estanque e inflexível nas mais diversas localidades brasileiras em cada tempo histórico-pedagógico (Valente, 2016). Houve, nesse sentido, uma pluralidade de saberes matemáticos, sedimentados por certos ideários de educação e por contextos socioculturais como sendo necessários e importantes para cada uma das dimensões das modalidades de ensino e de formação do professor que ensinaria matemática, em distintos períodos históricos.

Sob o contexto das escolas normais, que formavam o professor que iria lecionar nas escolas primárias brasileiras (Tanuri, 2000), os saberes matemáticos foram analisados em três diferentes cenários.

Nesse sentido, no quinto texto intitulado OS SABERES A ENSINAR DESENHO PARA A ESCOLA NORMAL DO MARANHÃO: um encaminhamento pelas finalidades de ensino, 1905-1934, o autor Marcos Denilson Guimarães direciona sua investigação para as finalidades do saber Desenho na formação dos professores normalistas maranhenses durante a primeira metade do século XX.

Os dois textos seguintes refletem uma política de expansão da educação baiana para o interior voltada para a formação do professor na década de 1950. Assim, ambos os textos foram construídos no mesmo espaço geográfico, isto é, no estado da Bahia e possuem periodizações semelhantes. Contudo, revelam cenários diferentes, tanto em termos de localidades, bem como em relação às categorias administrativas das instituições analisadas.

Com efeito, o texto SABERES RELACIONADOS AO ENSINO DE MATEMÁTICA NO CURSO PEDAGÓGICO DO GINÁSIO DE JEQUIÉ de Marly Gonçalves da Silva e Janice Cassia Lando direciona-se para os saberes matemáticos, mais precisamente, para aqueles presentes nas disciplinas de Matemática, Estatística e Desenho, no período de 1954 a 1966. Tais saberes, faziam parte das práticas pedagógicas dos professores formadores do Curso Pedagógico do Ginásio de Jequié, uma instituição de iniciativa privada criada no município de Jequié.

Já o trabalho de Wesley Ferreira Nery, Larissa Pinca Sarro Gomes e Martha Raíssa Iane Santana da Silva intitulado SABERES RELACIONADOS AO ENSINO DE MATEMÁTICA NO CURSO PEDAGÓGICO DO GINÁSIO DE JEQUIÉ contempla o ensino dos saberes aritméticos na Escola Normal Teodoro Sampaio no período de 1954 a 1963. Trata-se de um estabelecimento público, localizado na cidade de Santo Amaro, outra cidade do interior da Bahia.

O oitavo artigo, A MATEMÁTICA PROFISSIONAL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES, escrito por Nara Vilma Lima Pinheiro, também aborda os saberes profissionais em um espaço específico de formação do professor que iria ensinar matemática em escolas primárias. No entanto, sua análise sobre a constituição e sistematização de uma matemática profissional própria na formação do docente foi circunscrita ao Instituto de Educação do Rio de Janeiro, criado na década de 1930. Esse Instituto, diferentemente ao modelo de formação que predominava até aquela conjuntura nas escolas normais, trouxe uma estruturação fundamentada nos saberes advindos das ciências da educação a partir de uma preocupação com o desenvolvimento infantil.

De outra parte, os autores Jonathan Machado Domingues e Denise Medina de Almeida França, no nono texto deste número temático da HISTEMAT, intitulado DIDÁTICA ESPECIAL DA MATEMÁTICA: em busca dos saberes da profissão docente fazem, do mesmo modo, uma investigação dos saberes da profissão docente, mas debruçados na obra de Manuel Jairo Bezerra, intitulada “Didática Especial da Matemática”, publicada em 1958.

Para além dos saberes matemáticos na formação do professor, essa edição temática, ainda, contemplou trabalhos que tiveram um enredo construídos em torno dos saberes matemáticos presentes em duas modalidades de ensino: primário e industrial.

Na ambiência do ensino primário, Elenice de Souza Londron Zuin conduz a análise de seu artigo FRAÇÕES NAS ESCOLAS PRIMÁRIAS DE SANTA CATARINA: um olhar sobre planos de aula da década de 1940 para o ensino de frações a partir de planos de aula de aritmética para o 3º e 4º anos, elaborados por docentes de escolas do Estado de Santa Catarina, nos anos de 1941 e 1942.

Outro estudo, nessa mesma modalidade de ensino, foi realizado por Nícolas Giovani da Rosa e Elisabete Zardo Búrigo. Esses autores no texto APRENDER E DECORAR: aulas de matemática da Escola Evangélica Duque de Caxias nos anos 1960 realizam uma investigação sobre as aulas de matemática ministradas na Escola Evangélica Duque de Caxias, Rio Grande do Sul, nos anos de 1960, por meio de entrevistas com ex-alunas e uma professora dessa Escola e, ainda, fazendo uso de um Relatório de Estágio escrito no ano de 1967.

Por último, finalizando o rol de artigos deste número temático da HISTEMAT tem-se o texto de Oscar Silva Neto e David Antonio da Costa intitulado SABERES MATEMÁTICOS NO ENSINO INDUSTRIAL: o caso dos números complexos e incomplexos, produzido na esfera do ensino industrial brasileiro, criado mediante promulgação do Decreto-Lei nº 4073, de 30 de janeiro de 1942. Em tal texto, os autores analisam o ensino dos números complexos e incomplexos (não entendidos como números imaginários) nos cursos industriais básicos brasileiros por meio da obra “Caderno de Matemática”, de Arlindo Clemente, publicada no ano de 1955.

Assim, a partir desse universo de 12 pesquisas, foi possível perceber que os saberes matemáticos passaram por processos de transformações a depender dos objetivos educacionais e do contexto sociocultural que vigoravam em cada tempo histórico, nas mais diversas localidades internacional e nacional. Sob essa ótica, ratifica-se, portanto, uma compreensão problematizadora acerca da pluralidade de histórias de uma constituição de saberes matemáticos no ensino e na formação de professores.

Boa leitura!

Referências

HOFFMANN, Y. T.; Costa, D. A. & Valle, I. R. (2019). Transversalidade entre Bourdieu e Fleck: campo e produção do conhecimento científico. Educar em Revista, (78),283-301. https: / / www.redalyc.org / articulo.oa?id=1550 / 155062213016

tanuri, L. M. (2000, maio / ago.). História da formação de professores. Revista Brasileira de Educação, (14), 61-88. https: / / www.scielo.br / pdf / rbedu / n14 / n14a05

VAINFAS, R. (1997). História das mentalidades e história cultural. In: Cardoso, C. F.; Vainfas, R. (Org.). Domínios da História. Rio de Janeiro: Campus, p. 127-162.

VALENTE, W. R. (2016). Sobre a investigação dos saberes profissionais do professor de matemática: algumas reflexões para a pesquisa. Caminhos da Educação Matemática em Revista (online), 6 (1), 1-13. https: / / aplicacoes.ifs.edu.br / periodicos / index.php / caminhos_da_educacao_matematica / iss ue / view / 16

David Antonio da Costa

Eliene Barbosa Lima

Os organizadores,


COSTA, David Antonio da; LIMA, Eliene Barbosa. Editorial. HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática. São Paulo, v.6, n.2, 2020. Acessar publicação original [DR]

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História, Matemática e Educação / HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática / 2018

Mediante a reunião de um coletivo de artigos produzidos por pesquisadores ativos em instituições de ensino superior que abrangem todas as regiões do País, trazemos no presente Número Temático da HISTEMAT uma amostra, a qual consideramos representativa de resultados de investigações na confluência de relações entre História, Matemática e Educação. Concordamos com Antonio Vicente Garnica, em artigo nesse número, quando este afirma que “[…] todo conhecimento é fruto de elaborações coletivas”. A partir de novos olhares, focos e temáticas diferenciadas, os autores refletem e exemplificam pesquisas realizadas tomando como fontes livros didáticos, fotografias, documentos manuscritos, a História Oral, trazendo a História da Matemática para a sala de aula, entre outros. Ubiratan D’Ambrosio relata que a partir de suas experiências internacionais, em 1976, teve a “[…] oportunidade para refletir sobre uma visão global, multicultural e multidisciplinar sobre a História da Matemática” e, assim, oportuniza com seu artigo intitulado O ensino da matemática elementar no Brasil que tomemos contato com as suas ideias daquela época. Andreia Dalcin com seu trabalho intitulado Fotografia, História e Educação Matemática: apontamentos para pesquisas sobre a cultura escolar aponta potencialidades do uso de fotografias como fontes na História da Educação Matemática. Ela aponta para a existência de variedade de possibilidades metodológicas: “[…] cabendo ao pesquisador decidir aquele que melhor atende a problemática da pesquisa e a sua sensibilidade”. Antonio Garnica em seu artigo intitulado Quase Memória: redizeres sobre a relação entre História e Educação Matemática afirma: “Eu penso que mais importante que as pesquisas que nós realizamos é o modo como essas pesquisas, ao serem realizadas têm ou não nos ajudado a formar professores”. Bruno Dassie, em seu artigo intitulado Analisar livros didáticos: trajetos e caminhos percorridos, objetiva mostrar percursos trilhados e interpretações nessas investigações. Ele enfatiza que “A constituição de acervos de livros didáticos, físicos ou digitais, ampliam a base documental para futuras pesquisas, bem como favorecem análises diversificadas”. O artigo de Claudia Lorenzoni em parceria com Ligia Sad intitulado História da Matemática e o “fazer matemática” na educação básica relata experiências de um fazer matemática na educação básica visando tornar professor e estudantes sujeitos atuantes da construção de conhecimento. Elas concluem: “Essa pode ser uma das grandes contribuições da História da Matemática na educação escolar […]”. Com o título As muitas mãos na escrita da História: a trajetória de um manual de Desenho do século XIX por meio de documentos manuscritos, Flávia Soares chama a atenção para a importância das fontes manuscritas na compreensão da educação no século XIX, no Brasil. Ela conclui que: “Embora esses documentos manuscritos necessitem de árduo trabalho de transcrição, que exige conhecimentos mínimos de paleografia, põe-se também o desafio de decodificar sua escrita, entendendo-a em seu contexto de criação, seus objetivos, suas tensões e suas intenções, tentando não estabelecer verdades definitivas, mas apenas parciais da história”. Maria Laura Magalhães no artigo nomeado Professoras que ensinaram matemática: memórias de Maria da Glória, Botyra e Felicidade conclui dizendo que “Focalizamos, nas memórias das professoras, outros componentes importantes de sua trajetória profissional: os papéis simultâneos de mãe e mestra, sua atuação além da docência nas comunidades em que trabalharam e o papel da religião católica”. O artigo de Michael Otte em pareceria com Luiz Barros intitulado Philosophy, Mathematics and Education analisa as relações entre História e Educação Matemática a partir de reflexões com apoio na Filosofia. Fazem uma crítica a Matemática Moderna dizendo que tanto ela quanto a lógica não produzem novas verdades na matemática. Concordando com Renê Thom, afirmam que nem a teoria abstrata dos conjuntos nem o estruturalismo de Bourbaki ou Piaget são adequados para introduzir a Matemática Moderna na escola. Concluem dizendo que “Perhaps more than any other practice, mathematical practice requires a complementarist approach, if its dynamics and meaning are to be properly understood”. No artigo intitulado Caracterização de saberes profissionais da Matematica para ensinar nos anos primeiros anos escolares: anotações metodológicas de Neuza Pinto em parceria com Bárbara Moraes, as autoras contribuem para uma discussão sobre aspectos teóricos das investigações em História da Matemática. Elas afirmam que: “Recorrendo à base teórica da sócio-história, o estudo conclui que os aspectos teórico-metodológicos problematizados apontam para a eficácia da parceria da história com a sociologia quando se trata de desnaturalizar conceitos arraigados nos modos de compreender a natureza dos saberes profissionais dos professores”. Rosilene Machado e Cláudia Regina Flores escrevem o artigo com o título: Da emergência do desenho como disciplina escolar: o território das artes como lugar de parada. Com ele, elas objetivam analisar como práticas de desenhar integraram o rol de conteúdos da disciplina de desenho na escola básica. A exclusão da disciplina de desenho é analisado pelas autoras e elas concluem: “[…] parece evidente que algumas disciplinas tivessem que ser substituídas; nessa ‘dança de cadeiras’, perderam aquelas cuja função de fabricação de corpos dóceis era mais intensa (tal como o desenho); ganharam, claramente, aquelas que se prestaram melhor à produção de corpos flexíveis. Trocou-se, assim, a ‘rigidez’ das réguas, esquadros e compassos pelo dinamismo dos programas computacionais…”. Os números decimais expostos no La Disme: atividades matemáticas como práticas sociais de autoria de Rosineide Jucá e Pedro Sá traz uma análise sócio histórica de um documento do século XVI. Os autores concluem que: “Ao analisar a obra La Disme (1585) de Stevin percebemos a importância da criação dos decimais para as práticas sociais da época”. Finalmente, Waléria Soares, em seu artigo intitulado Pesquisa documental sobre história da matemática escolar: um caminho a ser percorrido, reflete sobre o percurso metodológico de sua pesquisa de doutorado que tratou de construir uma história sobre a matemática escolar na cidade de São Luís, durante o século XIX. Ela afirma: “[…] não é justo olhar o passado com os olhos do presente; a escola é um lugar de produção de conhecimentos matemáticos; a matemática escolar se materializa também a partir do livro didático; por trás de todo livro didático existe uma voz que convém ser ouvida; o livro didático anseia por um espaço em uma instituição; e, ainda, quando uma pesquisa se ancora na Nova História Cultural”.

Boa leitura!

Circe Mary Silva da Silva (Editora convidada)


SILVA, Circe Mary Silva da. Apresentação. HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática. São Paulo, v.4, n.1, 2018. Acessar publicação original [DR]

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A Presença da História Cultural nas Pesquisas em História da Educação Matemática / HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática / 2017

O que você lerá, nas páginas que se seguem, compõe o segundo número temático da Revista em História da Educação Matemática – HISTEMAT e coube a mim o convite para ser seu editor. A principal ideia, dessa publicação, foi reunir um grupo de estudos que mostrassem “A Presença da História Cultural nas Pesquisas em História da Educação Matemática”, seja nas análises de seus resultados, seja para auxiliar nas reflexões e / ou discussões dos argumentos acionados ao longo do seu desenvolvimento. Para tanto, fez-se mister o movimento de algumas etapas para que se chegasse a esse produto final. Etapas que se consolidavam, cada uma a seu tempo, à medida que permitiam, aos 23 articulistas convidados, revisitarem o encadeamento de suas ideias. Nesse sentido, apresento-lhe, em 13 artigos, o pensamento de pesquisadores que, em seus trabalhos, conjugam aspectos relacionados a diferentes contextos, sobretudo, políticos e educacionais. Passo, então, a delineá-los, brevemente, na ordem de sua aparição.

Hoffmann e Costa (David) analisam, apoiados nas referências da história, história da educação, bem como da história da educação matemática, a tese oficial n. 06 presente nos Anais da Primeira Conferência Estadual de Ensino Primário ocorrida em Santa Catarina em 1927, a qual tratou, especificamente, dos trabalhos manuais nas escolas primárias e complementares.

Costa (Reginaldo) apresenta, sob seis categorias de análise – recorte temporal; personagens e educadores matemáticos; instituições; metodologia; conteúdos matemáticos; fontes e níveis de ensino – um panorama das pesquisas agrupadas no Eixo História da Educação Matemática, nos Anais do XI ENEM, ocorrido em Curitiba em 2013, cujos setenta e um trabalhos contemplam desde o período colonial até os dias atuais, entretanto, a maioria concentra-se nas décadas de 1950 e 1960.

Duarte explicita as produções realizadas pelo Grupo de Pesquisa em História da Matemática e da Educação Matemática (GHMEM) e que estabelecem interações com projetos impulsionados pelo Grupo de Pesquisa de História da Educação Matemática no HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática Sociedade Brasileira de História da Matemática Brasil (GHEMAT), destacando a relevância de estudos que preconizam os saberes e práticas presentes no cotidiano escolar.

Búrigo analisa as críticas de pesquisas acerca do movimento da matemática moderna no Brasil e suas conexões com processos ocorridos em outros países, no mesmo período, sinalizando que o diálogo entre pesquisadores e suas produções tem permitido o refinamento das narrativas do movimento da matemática moderna como um processo complexo, resultante da interveniência de múltiplos atores e das condições em que se moveram.

Pontello e Gomes têm por principal objetivo analisar as ações realizadas pela Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário (CADES), detendo-se sobre as potencialidades das narrativas de sujeitos participantes para a formação de professores de Matemática no Ceará, nas décadas de 1950 e 1960.

Santos, Bezerra e Carvalho apresentam os aspectos históricos acerca da origem, da organização e do processo de estruturação do Liceu Alagoano, entre 1930 a 1970 e, além de refletirem sobre o currículo, a formação do professor e os métodos de ensino, destacam a evolução do Ensino Secundário, com ênfase no Curso Normal.

Almeida e Pinto procuram compreender como as tabuadas foram apropriadas pelos autores de livros didáticos de Aritmética que tiveram ampla repercussão, nas primeiras décadas do século XX, tais como Georg Büchler (Arithmetica Elementar, 1919) e Antônio Trajano (Aritmética Elementar, 1922) os quais apresentam registros de novos usos das tabuadas que, em tempos de protagonismo do método intuitivo, expressam contraponto com as práticas de memorização da tabuada de períodos anteriores.

Alves e Ripe, a partir da coleção “Nossa Terra Nossa Gente” e da reelaboração da coleção “Estrada Iluminada”, produzidas no estado do Rio Grande do Sul, no período de 1960-1978, identificam quais conteúdos da Matemática Moderna foram contemplados nessas coleções e o desenvolvimento e a influência do Movimento na produção didática gaúcha.

Rocha e Siqueira Filho, subsidiados por questões que preconizam saberes elementares matemáticos, prescritos e praticados por sujeitos inseridos em contextos educacionais, sumarizam a produção dos integrantes do GHEMAT-ES, os quais tomam a cultura como parte essencial da vida social, sobretudo, acerca do papel que desempenham como intérpretes do passado nas narrativas que constroem.

Souza et al. apresentam um breve inventário das pesquisas desenvolvidas pelo grupo COMPASSODF, ressaltando a importância do entrelaçamento da história da educação matemática do Distrito Federal (DF) com as demais histórias narradas por pesquisadores de outras localidades, para ampliação da visão de representações, apropriações e práticas relativas à história da educação matemática do Brasil.

Zuin, situando-se no século XIX, com destaque para a segunda metade dos Oitocentos, procura captar as representações e práticas, individuais ou coletivas, que refletiram o modo de ler o mundo, bem como os prós e contras, no interior das escolas no Brasil, com relação à legitimação do sistema métrico decimal como saber escolar e, portanto, um componente dos conteúdos de formação geral.

Santos aponta as intencionalidades em se construir representações e os caminhos seguidos para compreender a matriz da apropriação, a partir de trabalhos de conclusão de curso (TCC) e dissertações de mestrado produzidos, respectivamente, no âmbito dos Cursos de Licenciatura em Matemática e do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática, da Universidade Federal de Sergipe.

Kuhn e Bayer analisam exercícios de cálculo oral encontrados nas séries Ordem e Progresso e Concórdia, duas coleções de livros de aritmética, destinadas às escolas paroquiais luteranas do século passado, no Rio Grande do Sul, e identificam que os autores propuseram exercícios orais para que os alunos desenvolvessem habilidades de cálculo mental para que as utilizassem na administração do orçamento familiar e gerenciamento da propriedade rural.

Assim posto, na análise dos textos aqui publicados, penso ser possível postular que a vinculação entre história da educação matemática e história cultural ocorre por meio de vieses que permitem aos pesquisadores, da educação matemática, encontrar na história cultural a execução do ofício de historiadores, cujas reflexões apontam possibilidades de contribuições efetivas e significativas para compreendermos as perspectivas e lógicas de ações individuais ou coletivas, advindas de discursos e / ou intencionalidades imersas em documentos produzidos no passado, seja para legislar a formação de professores, seja para reformar a instrução pública em determinado tempo e espaço.

Moysés Gonçalves Siqueira Filho – Editor Adjunto


SIQUEIRA FILHO, Moysés Gonçalves. Apresentação. HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática. São Paulo, v.3, n.2, 2017. Acessar publicação original [DR]

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História do ensino de geometria e de desenho / HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática / 2016

É com enorme prazer e satisfação que aceitei o convite para ser a editora responsável pelo terceiro número da HISTEMAT, com a singularidade de contemplar artigos sob uma mesma temática: História do ensino de geometria e de desenho. Trata-se do primeiro número temático da HISTEMAT, que reuniu investigações com foco em dois saberes escolares: o Desenho e a Geometria. Os artigos analisam uma multiplicidade de aspectos, como as rivalidades entre as propostas para o ensino de desenho e de geometria, as conexões com as artes, ciências, jogos, tecnologias, a participação na formação de professores, assim como suas especificidades para os diferentes níveis de escolaridade.

O primeiro artigo, de Glaucia Trinchão, retoma a sua tese de doutorado “O DESENHO como objeto de ensino: História de uma Disciplina a partir dos Livros Didáticos Luso-Brasileiros Oitocentista” de 2008, referência primeira dos estudos sobre a história do ensino de Desenho no Brasil e amplia sua narrativa com estudos recentes. Na sequência, o pesquisador francês e autoridade internacional nos estudos sobre história do ensino de Desenho e da Geometria, Renaud D‘Enfert, nos apresenta a disputa pelo desenho geométrico na escola primária e secundária francesa, do final do século XIX e início do século XX.

Três artigos discutem o Desenho em diferentes estados brasileiros. O processo de escolarização da disciplina Desenho da Escola Normal de Belo Horizonte é minuciosamente examinado por Ismael Neiva e Thais Fonseca, revelando as confrontações entre o desenho geométrico e o desenho artístico nos programas de 1906 a 1946. O artigo de Jorge Gaspar e Lucia Villela aborda o ensino de Desenho nos programas do Distrito Federal no final do século XIX e início do século XX analisando as mudanças na obra Perspectiva de Observação. E, completando a tríade, Thaline Kuhn e Cláudia Flores analisam o ensino de Desenho dos programas dos grupos escolares catarinenses realçando a educação dos sentidos e da observação.

Finalizando os artigos que tiveram como objeto de investigação o Desenho, o parecer de Rui Barbosa e as revistas pedagógicas cariocas e paulistas são tomados como fontes por Marcos Guimarães e Wagner Valente para concluir que o saber a ensinar e para ensinar Desenho defendidos por Barbosa são, em certa medida, reapresentados nos discursos veiculados pelos periódicos pedagógicos.

Este número da HISTEMAT apresenta, ainda, para os cinco próximos artigos, o ensino de geometria como objeto de investigação e levam em consideração resultados de dissertações de mestrado defendidas entre 2014 e 2015, no âmbito do projeto “A constituição dos saberes elementares matemáticos: A aritmética, a Geometria e o Desenho no curso primário em perspectiva histórico-comparativa, 1890-1970” desenvolvido pelo GHEMAT – Grupo de Pesquisa em História da Educação Matemática.

Claudia Frizzarini e Célia Leme analisam a matéria Formas presente nos programas do estado de São Paulo de 1894, 1925 e 1934 e estabelecem um diálogo com a mesma rubrica escolar em tempos atuais. Ivanete Santos indaga sobre a diferença entre Geometria e saberes geométricos nos estudos de Sergipe e dos demais participantes do projeto supracitado. Os saberes geométricos nos programas do primeiro ano primário da região sudeste nas décadas de 1930 a 1950 são objeto de estudo de Juliana Fernandes e Rosimeire Borges, apontando que todos os programas trouxeram instruções para que os alunos pudessem relacionar os saberes geométricos ao seu cotidiano. Márcio D’Esquivel e Claudinei Sant’Ana analisam mudanças e permanências dos saberes geométricos para o ensino primário na Bahia entre 1835 a 1925 evidenciando uma progressiva definição de papeis distintos para o Desenho e a Geometria. Referências e práticas da professora Alda Lodi são examinadas por Silvia Barros e Cristina Oliveira destacando que a Geometria ensinada às normalistas passava pelo estudo dos objetos que as rodeavam, propondo situações simples e corriqueiras da vida cotidiana.

Vicente Garnica apresenta projeto de pesquisa do GHOEM – Grupo de História Oral e Educação Matemática, cujo objetivo central é a tradução de livros antigos para o português, discutindo duas obras: de Lacroix e de Lewis Carroll no que diz respeito à História do ensino de Geometria. Os pesquisadores portugueses Anabela Teixeira e Jorge Silva apresentam jogos antigos que envolvem conceitos geométricos examinando suas potencialidades pedagógicas. Encerra o número, o artigo de Vincenzo Bongiovanni que nos traz exemplos e relatos de experiência vivenciada com a chegada da tecnologia na disciplina de Geometria ministrada em cursos de formação de professores em Educação Matemática.

Como já dito, o presente número aglutina resultados de pesquisas relevantes para o processo de consolidação da área específica de história da educação matemática. Em particular, é surpreendente a quantidade e qualidade de estudos que tomam como centro da investigação os saberes escolares, propriamente os saberes de desenho e de geometria, um campo promissor para a Educação Matemática, compreender os processos de organização e transformação desses saberes ao longo do tempo. É preciso ainda ressaltar e valorizar o impulso que se identifica nas pesquisas desenvolvidas de forma coletiva em projetos de âmbito nacional e internacional, como parte significativa dos artigos publicados neste número.

Sucesso à HISTEMAT e vamos em frente!

Uma excelente leitura!

Maria Célia Leme da Silva


SILVA, Maria Célia Leme da. Apresentação. HISTEMAT – Revista de História da Educação Matemática. São Paulo, v.2, n.2, 2016. Acessar publicação original [DR]

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História da Educação Matemática

HISTEMAT 1 História da Educação Matemática

A Histemat – Revista de História da Educação Matemática (2015-) é veículo de divulgação dos resultados de pesquisa sobre história da educação matemática. Tem por público alvo pesquisadores, professores e interessados na dimensão histórica do conhecimento da educação matemática. Aceita textos inéditos, resultantes de pesquisa sobre história da educação matemática, história da matemática no ensino, história e didática da matemática e quaisquer produções que promovam o diálogo entre história, educação e matemática.

A HISTEMAT recebe artigos nos idiomas: português, espanhol, inglês e francês.

Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento.

A revista tem uma periodicidade quadrimestral, então publica três números anuais.

ISSN 2447-6447 (Online)

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