Literatura e cultura italiana do século XX | Fênix – Revista de História e Estudos Culturais | 2021

Um dos objetivos do dossiê é propor um resgate crítico de um período específico do contexto cultural italiano do século XX, a saber, o período que vai da década de 1960 à década de 1980. Trata-se de um interesse de fundo que contribui para a articulação das diversas contribuições aqui reunidas, propostas de leituras das obras de autores como Leonardo Sciascia, J. Rodolfo Wilcock, Goffredo Parise, Vittorio Sereni, Primo Levi e Elena Ferrante.

Embora seja sempre controverso apontar períodos mais ou menos conturbados na história, posto que problemas amiúde permanecem latentes na aparente calmaria da continuidade, os textos do presente dossiê encobrem um período bastante tenso. Estudálos e lê-los hoje em dia, quando não estamos exatamente navegando em mares tranquilos, é bastante desafiador. É quase inevitável pensar na “fusão de horizontes”, de Hans-Georg Gadamer, embora estejamos todos mais propensos à confusão e os horizontes estejam muito nebulosos ou quase invisíveis. De qualquer maneira, fica o desafio de pensarmos em uma encruzilhada no espaço, formada por Brasil e Itália, e, sobretudo, no tempo, pois, assim como hoje é intenso o debate sobre “as novas faces do fascismo”, para usar a expressão de Enzo Traverso (TRAVERSO, 2019), nas décadas de 60 e 70, a atmosfera política estava pesada, tanto lá como cá. Leia Mais

História como diagnóstico / Tempo / 2019

Ei, não tenha medo, não tente fugir, porque a dor pode ser sua amiga, como explica, as respostas às suas perguntas …[1]

Matt Johnson

O tema desta edição é pautado pelo interesse em encontrar formas mais perceptivas de análise crítica da sociedade contemporânea e novas formas de abordagem de teorias na pesquisa histórica. Conceitos médicos ou terapêuticos como crise, patologia, diagnóstico e trauma são abundantes nas teorias críticas e na historiografia sobre a sociedade moderna. Embora tais conceitos possam ser problemáticos ( Roitman, 2014 ), eles também contêm o potencial de uma abordagem mais produtiva das perspectivas teóricas. Muitas pesquisas históricas aplicam perspectivas teóricas padronizadas a casos históricos particulares, onde a ‘patologia’ ou o conteúdo de uma crise é amplamente determinado pela perspectiva teórica escolhida. E se o ponto de partida fosse antes: como poderíamos teorizar sobre esse fenômeno, essa tendência, esse problema?

Para promover uma forma mais crítica e inovadora de diagnosticar crises e problemas na sociedade, combinamos o tema da história como diagnóstico com o interesse pela necessidade de teorização independente. Antes de apresentarmos os artigos incluídos no número, faremos um breve esboço de uma história da ‘história como diagnóstico’ e diremos algumas palavras sobre os antecedentes do tema.

O antigo conceito grego de diagnóstico está etimologicamente conectado ao conhecimento ( gnose ) e à separação ( dia -) e relacionado ao verbo grego diagnostickein , que significava examinar cuidadosamente e distinguir fenômenos anormais em um contexto médico. O conceito combinava, assim, uma dimensão de conhecimento e uma dimensão de percepção criteriosa com referência a uma condição normal ou saudável. Vale a pena notar a proximidade de significado para dois outros conceitos gregos que têm sido fundamental para o conceito de crítica: Krisis (acórdão, a separação, a decisão) e Diakrisis (discernimento, distinção) (Kudlien, 1971- 2007 ).

Embora as metáforas médicas ou doenças, curas e médicos já fossem usados ​​na antiga historiografia e pensamento político por Tucídides, Platão e Polibios entre outros ( Demandt, 1978 , pp. 25-27), foi sobretudo a partir do final do século XVIII e no século século XIX que a aplicação de conceitos e metáforas médicas à sociedade tornou-se influente na historiografia. Com o desenvolvimento da forma moderna de pensamento histórico e a ideia de ‘História’ como um processo coerente, ‘crise’ tornou-se uma ferramenta conceitual central para fazer diagnósticos do presente ( Koselleck, 1972) Koselleck apontou para o caráter dualista e moralista problemático do conceito de crise usado no discurso político que conduziu à Revolução Francesa. O tipo de filosofia da história desenvolvida durante o final do século XVIII tendia a ocultar a natureza controversa da “crise” e a naturalizá-la em termos de “desenvolvimento histórico” ( Koselleck, 1959 ).

Um fio importante na história do diagnóstico é a tradição da filosofia social, com a crítica de Rousseau à civilização moderna como um dos primeiros casos. Como aponta Honneth, um aspecto típico de tais diagnósticos é a identificação de tendências negativas de desenvolvimento, como alienação e desigualdade. ‘Crise’, neste contexto, tem sido freqüentemente usada para chamar a atenção para uma situação alarmante e um ponto de inflexão iminente, bem como para prognosticar o fim da era atual. A análise crítica de Marx do capitalismo moderno, que tem sido uma grande fonte de inspiração para o pensamento diagnóstico no século XX, é um exemplo chave ( Honneth, 2000 ; Habermas, 1973 ).

Durante o século XIX, o uso de conceitos médicos e biológicos no pensamento social tornou-se influente por meio da preferência por metáforas organicistas no romantismo, os triunfos da medicina, a influência do darwinismo e o surgimento de visões de mundo vitalistas e naturalistas. Problemas sociais, culturais e políticos eram tratados em termos de doenças e ‘degeneração’. Com referência a uma evolução esperada ou florescimento cultural, os fenômenos sociais e culturais contemporâneos que se desviaram de tais expectativas podem parecer patológicos. Foi especialmente no final do século XIX e no início do século XX que o “diagnóstico” tornou-se explicitamente usado como uma forma de crítica cultural, significativamente nos diagnósticos de Nietzsche de que a cultura europeia sofria de um excesso de conhecimento histórico e ,mais fundamentalmente, do niilismo. A psicanálise de Freud também se tornou uma fonte vital de inspiração para perspectivas diagnósticas de distúrbios psicológicos e políticos, mais obviamente talvez na Escola de Frankfurt, uma das principais correntes de pensamento empenhadas em fazer diagnósticos do presente ( Honneth, 2007 ; 2001 ).

Outra forma significativa de diagnóstico histórico do presente é representada por Michel Foucault. Foucault é especialmente interessante neste contexto também porque uma forma um tanto estereotipada de ‘Foucault’ foi muito usada na pesquisa histórica, embora o próprio Foucault entendesse a análise crítica de uma maneira muito diferente. Ele descreveu sua própria forma de história como ‘um diagnóstico do presente de uma cultura’, como uma escavação de camadas subterrâneas do pensamento contemporâneo. O objetivo deste tipo de investigação não era construir uma teoria geral estável da sociedade contemporânea, mas sim promover a autorreflexão, a autoproblematização e a autotransformação – examinar o presente a fim de torná-lo possível transcendê-lo e pensar e agir de maneira diferente.[2] Um aspecto da obra de Foucault que é particularmente relevante para esta questão temática é o papel filosoficamente produtivo da pesquisa empírica histórica na elaboração de seus diagnósticos, em oposição à aplicação de modelos de interpretação já prontos.

Como pode ser visto no esboço histórico acima, os diagnósticos do presente têm sido freqüentemente formulados por sociólogos, que combinam a filosofia social e a pesquisa empírica com uma perspectiva histórica do desenvolvimento social. Como os historiadores poderiam desenvolver sua capacidade de criar diagnósticos independentes e inovadores dos problemas e patologias da sociedade, de um regime político ou de uma tendência cultural? Como os historiadores podem lidar de forma perceptiva e crítica com as ‘crises’ e os chamados ‘eventos-limite’, como a Shoah¸ Hiroshima, Chernobyl, genocídios e guerras civis?

Para esclarecer como os historiadores podem fazer diagnósticos históricos, reunimos trabalhos de estudiosos de diferentes partes do mundo que analisam a história como diagnóstica em diferentes campos historiográficos, com ênfase em filósofos e historiadores da França, Espanha e Alemanha do século XX. século. Como o leitor descobrirá, os artigos estão relacionados a diferentes aspectos do esboço histórico acima, de Nietzsche e Freud a Foucault e a Teoria Crítica.

O artigo de Egon Bauwelinck sobre o uso do diagnóstico como metáfora por Charles Péguy mostra como o conhecimento histórico e as preocupações políticas se fundem de uma maneira que exige respostas sofisticadas. Péguy criticou a tendência do Partido Socialista de se ater a diagnósticos anteriores e destacou a importância de examinar adequadamente os problemas e as doenças e de poder aceitar a própria doença. Um aspecto intrigante do artigo diz respeito à importância da veracidade mútua entre o médico / historiador e o paciente / público para que o diagnóstico funcione como um remédio. A análise de Bauwelinck do papel de Péguy como intelectual nos convida a pensar que no cerne da sensibilidade histórica está um componente ético, no qual a sinceridade e a franqueza desempenham um papel importante.

O artigo de Juan Luis Fernández analisa uma pluralidade de exemplos de diagnósticos históricos na escrita da história espanhola no século XX e revela como diagnósticos específicos estavam ligados a “remédios” e soluções políticas preferidas. Os exemplos mostram como os diagnósticos históricos foram desenvolvidos de diferentes maneiras e responderam a outras narrativas. Fernández também analisa os elementos teóricos desses diagnósticos e dá uma contribuição para a compreensão do caráter geral dos diagnósticos históricos, consistindo em um quadro geral, um padrão de enredo, um diagnóstico e uma sugestão de terapia.

A relevância do nosso tema para um campo de pesquisa como a história da ciência pode não ser óbvia à primeira vista, mas a análise de Tiago Almeida da história filosófica da ciência de Gaston Bachelard lança luz sobre como a história da ciência e da razão podem fornecer um diagnóstico crítico da presente, articulando os obstáculos para um maior desenvolvimento da ciência e da razão e possibilitando uma transvalorização das normas epistemológicas. A ideia de razão turbulenta de Bachelard corresponde ao diagnóstico como um processo inevitavelmente turbulento, devido à interdependência entre a interpretação e o julgamento do passado e o diagnóstico das normas do presente.

Em certo sentido, o artigo de Pedro Caldas sobre o conceito de evento limite também trata de como uma disciplina científica específica pode perceber e diagnosticar seus próprios sintomas, mas neste caso centra-se na historiografia. O evento limite acaba sendo um evento que desafia o historiador e seus padrões de interpretação, mas para poder perceber isso, o historiador precisa se deixar ser afetado pelo evento. Poderia Angstbereitschaft , a capacidade de sentir Angst, talvez seja uma virtude epistêmica necessária para ser capaz de identificar eventos limites que desafiam nossos padrões de criação de sentido de orientação histórica? Assim, embora o artigo trate principalmente da historiografia contemporânea, ele se coaduna com a ênfase de Péguy na necessidade epistemológica e ética da franqueza perceptiva e da prontidão para ser diagnosticado como doente.

Em poucas palavras: esperamos que o leitor possa ver como a história como diagnóstico contém várias possibilidades e como muitas vezes envolve uma tarefa bastante complexa, autorreferencial, e que pode envolver sintomas problemáticos tanto na sociedade quanto na pesquisa. Isso sugere que dificilmente poderíamos nos excluir de tal tarefa: e quanto ao nosso próprio diagnóstico? Em certo sentido, nosso interesse pela história como diagnóstico pode, por si só, ser interpretado como um sintoma. Sentimos que algo estava coçando, uma espécie de irritação intelectual com a forma como as teorias são freqüentemente usadas e aplicadas, e sentimos a necessidade de procurar abordagens alternativas. Esse é um problema não apenas para a pesquisa, mas também para o debate público, onde as “crises” são proclamadas e as explicações dos problemas às vezes são lançadas de forma instrumental para promover objetivos políticos específicos.

O interesse por novos diagnósticos não é apenas um sintoma de nossa preocupação com o desenvolvimento de pesquisas, mas também uma reação ao caráter problemático da sociedade atual e de nossa insatisfação com os diagnósticos usuais. Essa percepção bifocal de, por um lado, o estado crítico da sociedade e, por outro, a tendência a lançar identificações e julgamentos pré-fabricados dos problemas do presente, apontou no sentido de tentar estimular o desenvolvimento. de formas mais inovadoras, perceptivas e dinâmicas de crítica e diagnóstico. O tema desta edição pode, portanto, ser visto como motivado tanto pelas patologias de que sofre a teoria histórica quanto pelas patologias de nossas sociedades atuais.

Notas

1. Da música “Phantom Walls”, escrita por Matt Johnson (The The).

2. Precisamente o caráter da filosofia de Foucault como diagnóstico do presente está em foco na análise perspicaz de Raffnsøe , Gudmand-Høyer e Thaning (2016).

Referências

DEMANDT, Alexander. Metaphern für Geschichte: Sprachbilder und Gleichnisse im historisch-politischen Denken. Munique: CH Beck, 1978. [ Links ]

HABERMAS, Jürgen. Legitimationsprobleme im Spätkapitalismus. Frankfurt am Main: Suhrkamp, ​​1973. [ Links ]

HONNETH, Axel. Pathologien des Sozialen. Tradition und Aktualität der Sozialphilosophie. In: HONNETH, Axel. Das Andere der Gerechtigkeit. Frankfurt am Main: Suhrkamp, ​​2000. pp. 11-69. [ Links ]

HONNETH, Axel. Leiden an Unbestimmtheit. Stuttgart: Reclam, 2001. [ Links ]

HONNETH, Axel. Pathologien der Vernunft. Frankfurt am Main: Suhrkamp, ​​2007. [ Links ]

KOSELLECK, ReinhartKritik und Krise: Eine Studie zur Pathogenese der bürgerlichen Welt. Freiburg im Breisgau: Karl Alber, 1959. [ Links ]

KOSELLECK, Reinhart. Krise. In: BRUNNER, Otto; KONZE, Werner; KOSELLECK, Reinhart (eds.). Geschichtliche Grundbegriffe: Historisches Lexicon zur politisch-sozialen Sprache na Alemanha. Bd. 3, Stuttgart: Klett-Cotta, 1972. [ Links ]

KUDLIEN, Fridolf. Diagnosticar. In: RITTER Joachim; GRÜNDER, Karlfried; GABRIEL, Gottfried (eds.). Historisches Wörterbuch der Philosophie, Bd. 2. Basel: Schwabe, 1971-2007. [ Links ]

RAFFNSØE, Sverre; GUDMAN-HØYER, Marius; OBRIGADO, Morten. Michel Foucault: um companheiro de pesquisa. Basingstoke, Reino Unido: Palgrave Macmillan, 2016. [ Links ]

ROITMAN, Janet. Anti-crise. Durham: Duke University Press, 2014. [ Links ]

Martin Wiklund – Universidade de Estocolmo, Departamento de Cultura e Estética, Estocolmo, Suécia. E-mail: [email protected] http: / / orcid.org / 0000-0001-9267-9353

Pedro Spinola Pereira Caldas – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Departamento de História, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: [email protected] http: / / orcid.org / 0000-0001-9875-4545


WIKLUND, Martin; CALDAS, Pedro Spinola Pereira. Introdução. Tempo. Niterói, v.25, n.3, set. / dez., 2019. Acessar publicação original [DR]

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O que faz da história algo pessoal? / História da Historiografia / 2019

The articles made available to the reader in this theme section of História da Historiografia constitute the second moment of our attempt to answer a question presented as a thematic symposium proposed and organized by Kalle Pihlainen at the IV Congreso Internacional de Filosofía de la Historia in Buenos Aires in November 2017: “What makes history personal?” While ensuing discussions have continued on several fronts, the authors who now publish here — with the exception of the organizers of this section — are not the same who presented in Buenos Aires two years ago. In the intervening time, and through our evolving discussion, we have seen that the question is amenable to a wide range of responses and attracts attention on diverse fronts.

Given the range and variety of potential, relevant opinions and proposals, we have not attempted to definitively systematize or answer the question here — as if that were conceivable in any such endeavor — but to leave it, instead, to be rehearsed, tested, and experimented on by each contributor in the ways they see best. With this, we intend our theme section to shed light on possible approaches to the question of the personal from theoretical viewpoints and concrete situations with distinct provenances.

One cannot seek an answer to the question of the personal nature of history without elaborating on the role emotions play on an elementary factor of intellectual life, namely, the research. Thus, by addressing the specific case of A.T., a young Finnish PhD candidate at the beginning of the 20th century, Marja Jalava’s article paves the way for broader identification too: reports of problems in carrying out research are common, yet details of any difficulties tend to be absent from the final work and hence easily remain unseen. However, with the lack of academic and institutional space to elaborate on the emotions involved, more sensitive researchers may reveal their distress in private and informal settings. Jalava does not miss the opportunity to point out how extremely manly that attitude is: to hide the suffering, to withstand the pain. After all, “boys don’t cry.”

Jalava studies the case of young A.T. because it shows not only how emotions occupy the realm of academic work but also how they contribute to it and, importantly, how the process of historical research in its elaboration is not merely a case of the historian expressing his or her feelings but, rather, their development in relation to others (in A.T.’s case, this is evident from his correspondence with an established Finnish historian of the time, Gunnar Suolahti). In this sense, there is no “self” prior to the work, but a “self” constructed (and also destroyed) throughout the process, always in a context — real or fictitious — filled by the expectations of others as well as by broader social and political meanings and significance.

To ignore the complexity of this setting would reiterate a radically dichotomic conception of knowledge, whereas recourse to Merleau-Ponty’s phenomenology offers Jalava a rich alternative to think on the young A.T, in whose trajectory one senses the presence of something each of us has witnessed in academia, whether personally, with colleagues or with young students: the urgent need to give meaning to what one does (in A.T.’s case, this materializes in the national sentiment, strongly related to a feeling of manly brotherhood, a “band of brothers”), but to also be able to channel this in a specialized, “controllable” and scientifically rigorous way. Transference is not always easy and, when it does not occur, or when one does not know how to handle its failure, the psychological burden is strong (and we would do well to question whether we currently possess more sophisticated tools than those available to young A.T.). The complexity of the case is undeniable: empathy exists between two men, as exists the initial empathy between a young 22-year-old and his research subject, in which, instead, he sees the reflection of the empathy for his national community. In such a vertiginous game of mirrors, A.T.’s self-image shatters. This was definitely not the first time and, sadly, it will not be the last.

Kalle Pihlainen’s article also aims to escape dichotomies, although, here, the key dichotomy is one that appears to have deep roots in debates within theory of history, namely that between experience and linguistic construction, presence and meaning, theory of history and its surroundings—all contrapositions that point to the need to overcome the mind– body opposition. For Pihlainen, this attempt involves three questions: “How does language ‘embody’ reality?”, “How do referential texts encode reality?”, and, “How do we read referential texts with respect to reality?” Naturally, the reader will be able to follow how these unfold while reading the argument, but we can already highlight its most important nodes: body, codification, and identification. It is positively surprising to see how—both in Jalava’s and Pihlainen’s articles— the same considerations appear and disappear, as if variations on a theme in which the body as a place (much more than as an object) of production of knowledge is central.

By proposing these three questions and seeking a way beyond easy polarizations, Pihlainen also invites the reader to think about several other concerns, two of which we wish to highlight here. Firstly, the challenge to avoid intellectual voluntarism. Accordingly, the resources culturally present and used in the production of meaningful historical knowledge should not be understood as simple pliant instruments, but, instead, as a legacy one possesses, and one that can be better or less well known. Secondly, relatedly, the phenomenological basis underlying this thought process needs emphasis: after all, how should we ask “What makes history personal?” if we accept Merleau-Ponty’s assumption that we are “condemned to meaning”? This is a subtle question: to be condemned to meaning does not mean to be condemned by meaning. This phenomenological sensibility should also be seen as central to the reading process, as existing within the complex shuttling between reader and (referential) text, in which the identification between oneself and another is complex, gifted with meaning, and to be described in terms of “some kind of empathy” — that is, it cannot be a mere absorption of information that questions the identity of readers and their reading methods, and nor can it constitute complete immersion. In this sense, the complex dynamics of what in Jalava’s text focus on the elaboration of a relational self are discussed by Pihlainen in ways that blur the often clearly drawn lines between body and mind (verbally articulated language), experience and language, and the reader’s present and the past represented in a historiographical piece.

Pedro Caldas’ reflection similarly demonstrates a concern for thinking the self beyond personalism, voluntarism and a self-centered subject-perspective. Using the subject pronoun “I” in most of his text, that is, assuming his own voice, which slowly looks for conceptual references — and articulates, therefore, both experience and meaning — Caldas begins with current experiences relating to a phenomenon yet to be classified in Brazil (and, unfortunately, not only in Brazil): the rise of far-right politics. It is as if his piece is traversed by the problem “How to personalize history without it being selfcentered?” Pihlainen’s expression could be usefully repeated in this context: “some kind of empathy”; and here we talk about a delicate and difficult empathy between professionalism and an agitated, yet not always conventional everyday life, between professors and students, between the past and the present, told and endured by an author as relevant as Primo Levi, irreplaceable interlocutor, yet formulator of an experience contiguous to suffering that requires caution as to avoid immediate “immersion” (to use a term from Pihlainen’s piece again). Anguish can, therefore, be a putative pathos from which we see ourselves forced to lend meaning to history, so much so that another possible answer — one yet to be developed and one which remains inconclusive in Caldas’ text — would be to consider the personal nature of history when it is unheimlich (uncanny). Here, we are faced with an undoubtedly ironic situation since “-heim” carries within it the intimate, the welcoming, and the personal.

This engaging theme, laterally considered in Caldas’ text, is discussed by Jonas Ahlskog in a more conceptual manner. In his article, Ahlskog, too, aims to surpass key dichotomies: between the practical past and the historical past, between the experienced and the elaborated, between the will to engage in the present while already engaged with the past. His goal is clear: “In opposition, this essay argues that the personal resides within and not only beyond historical relations to the past.” The very choice of authors discussed by Ahlskog suggests the need to overcome this particular dichotomy: the combination of W. G. Sebald’s contemporary classic Austerlitz with the theoretical work of R. G. Collingwood highlights how important it is to articulate texts of distinct kinds.

With his reading of Austerlitz, Ahlskog shows how the investigative method is not just a tool but, also, something without which the personality of those who investigate would remain indistinct and unaffected. Obviously, Ahlskog knows that Austerlitz discusses a 20th-century traumatic event, yet he recognizes that it questions the radical dichotomy between those who suffer and those who study: “the best way of thinking about this contingency is probably to view it as scale without either the extremes — there is neither complete lack nor necessary connections with a personal dimension from the perspective of the individual.” Thus, a theme traced by Pihlainen, namely the reader’s importance in the process of personal construction of meaning, also potentially personal, follows, at Ahlskog’s hands, other contours. For him, the matter becomes one of how reflection on a book such as Austerlitz causes readers to see themselves as having a share of responsibility. One could ask: condemned in what way? — to generate ‘“some kind of empathy”?

Clearly, Collingwood is an essential point of reference for thinking about this question. As demonstrated so well by Ahlskog, the attempt to separate self-identity from everything else that one is always already immersed in offers shaky grounds to construct historical knowledge. One would be vehemently attacked for even positing such a dichotomy; and, more importantly, when undertaking to re-enact, it is clear that one not only gains the existential consciousness of seeing oneself obliged to attribute meaning but also needs the ethics of distinguishing oneself from — and, if that is the case, also of identifying with — the past ways of thinking that are being reenacted. Collingwood’s approach offers, as Ahlskog proposes, another possibility to consider the personal dimension of history in terms of a relational structure.

As noted, various points of entry and perspectives relating to all of these themes appear and reappear with distinct intensities throughout the articles that follow. Although this offering can only hint at the range of possible ways to articulate a response to “What makes history personal?”, some central questions have already been exposed: How to overcome the dichotomy between experience and language, between body and mind, between past and present, between engaging and disengaging, that is, between practice and theory? And, for example, in what measure do documents, such as letters and witness literature, provide routes to elaborate these questions? Or, in this pursuit, how could turning to phenomenology help? Perhaps beginning with a phenomenology capable of critically implicating the reader, of creating “some kind of empathy”, first, hopefully, with the readers of this theme section.

Pedro Spinola Pereira Caldas – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: [email protected]  https: / / orcid.org / 0000-0001-9875-4545

Kalle Pihlainen – University Estonia. E-mail: [email protected] https: / / orcid.org / 0000-0002-3361-5840


CALDAS, Pedro Spinola Pereira; PIHLAINEN, Kalle. Apresentação. História da Historiografia, Ouro Preto, v.12, n.31, set. / dez., 2019. Acessar publicação original [DR]

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Teoria da história da historiografia / História da Historiografia / 2013

Dificilmente alguém questionaria que a história da historiografia é uma especialidade recente. Podemos dizer que o amadurecimento e a famosa “consolidação” institucional virão com o tempo.

Mas se a tal consolidação significar encastelamento, se se confundir com procedimentos viciados, leituras requentadas, diálogos entre poucos iniciados e tudo o mais que seja sinônimo de incapacidade de enxergar a historiografia de outra forma – bom, este futuro deverá ser evitado e será melhor manter-se cambaleando.

Ora, mas o que fez a história da historiografia ao longo do tempo senão traçar um caminho cheio de curvas e atalhos? Se lermos Ranke e Droysen, diríamos que a história dificilmente diria algo sobre si mesma sem antes se mirar no idealismo, se voltarmos às páginas de Buckle, veremos que namorou firme com o positivismo. No século XX, como acompanhar plenamente a trajetória da historiografia francesa reunida em torno da revista dos Annales se deixarmos de lado, em uma ponta, a sociologia de Durkheim, e, em outra, a etnologia de Lévi-Strauss? E como seguir decentemente o debate gerado por Hayden White, há precisos quarenta anos, se não nos familiarizarmos com teorias literárias? Citamos apenas alguns exemplos, para afirmar que, dentro das humanidades, se a história da historiografia tem uma teoria, ela é tecida com vários fios.

A proposta de um dossiê sobre teoria da historiografia, portanto, não pretendeu jamais estabelecer um consenso, mas apresentar perspectivas. Para lembrar o já citado Hayden White, poderíamos fazer da historiografia um canal para pensar a modernidade, na medida em que toda escrita da história comporta não somente uma dimensão metódica, mas também uma estética e outra ideológica: talvez não por mera coincidência, equivalente ao tripé da arquitetura kantiana. Ele trataria, portanto, de maneira articulada, de nossa capacidade de pensar, de sentir e de agir.

Uma questão importante, porém, estaria em fazer da história da historiografia mais do que um campo de testes. Não que isso seja um mal a ser evitado, mas são claros os limites das pesquisas que pretendem “ver como funcionou na história uma teoria desenvolvida em outro campo do conhecimento, da arte ou da prática”. Mais interessante é ver o que poderíamos dizer para outros pesquisadores, para escritores, para pessoas politicamente engajadas.

O que pode ser melhor pensado a partir da história da historiografia? Se conversarmos entre nós, entre quatro paredes, é uma atividade reflexiva indispensável, por outro lado, devemos vislumbrar uma maior capacidade de provocação. Sim, está aqui envolvida uma responsabilidade formativa, já presente necessariamente em sala de aula, quando se monta e ministra um curso de historiografia nas disciplinas de graduação – afinal, o aluno de história precisa conhecer e apropriar-se de sua tradição. Por outro lado, se o propósito formativo for mais ambicioso, não poderemos nos desviar do pensamento sobre o que há de universal em nossa particularidade, sobre o que é possível falar para os outros e sobre os outros, quando falamos a partir de nossa perspectiva.

Claro que o dossiê apresentado e organizado por nós não cumprirá plenamente esta tarefa, nem fornecerá respostas e, muito menos, programas e palavras de ordem. Contentamo-nos com a abertura de novas portas para conversar. E é exatamente com uma conversa que as discussões se iniciam: a entrevista realizada por Renata Maria Pistilli Eberhard com o historiador alemão Ulrich Muhlack, eminente estudioso da obra de Ranke, e autor de diversos estudos sobre o historicismo.

Na sequência, Valdei Lopes de Araujo discute as condições para que a história da historiografia possa reivindicar o estatuto de uma subdisciplina autônoma. Partindo da concepção heideggeriana de historicidade, o autor sugere atenção especial às modalidades de “transformação do tempo em tempo histórico”: mais que um mero “estar no tempo”, a abertura do “ser para o seu tempo” que a historiografia permite. Como atividade de fronteira, caberia à história da historiografia orientar-se para a compreensão do que Heidegger chamou de “historicidade própria” – a “possibilidade do homem reconhecer a natureza modalizante (enlaçamento de passado / futuro na abertura do agora) do seu acontecer”.

Por um viés distinto, a preocupação com a historicidade da historiografia se revela um dos eixos condutores do artigo de Eduardo Sinkevisque. Mas trata-se, aqui, da reflexão sobre a historicidade das práticas historiográficas seiscentistas, retoricamente regradas. Ao examinar os usos da ecfrase em anais, vidas e diários das guerras holandesas no Brasil, o autor questiona o “pressuposto mimético” que muitas vezes orienta a leitura de textos históricos anteriores à modernidade, enfatizando os “efeitos de verdade” e a busca da vivacidade narrativa que tais escritos visavam.

Também Juliana Bastos Marques percorre tradições historiográficas anteriores à modernidade. Mas se o artigo de Sinkevisque tem por objetivo a apresentação da alteridade das práticas letradas seiscentistas, o ensaio de Juliana Bastos Marques se vale de um tom altamente provocador para investigar os usos possíveis que podemos fazer da tradição historiográfica antiga. Para além da ideia demasiado esquemática da dissolução do topos da historia magistra vitae na modernidade, como seria possível restabelecer nexos de continuidade entre historiografia antiga e moderna? De que maneira critérios como utilidade e exemplaridade podem nos ajudar a compreender e mesmo ultrapassar as aporias da historiografia dita pós-moderna? E em que medida “o estouro dos estudos culturais pós-modernos e pós-coloniais” pode ser tomado como critério balizador para o alargamento da noção de exemplaridade histórica?

Por outro viés analítico, a discussão sobre a utilidade prática do conhecimento histórico é levantada por Aaron Grageda Bustamante. Revisitando o conceito de prudência – a partir da proximidade, no mundo antigo e nos séculos iniciais da época moderna, entre escrita da história e razão prática –, o autor discute como a história da historiografia é rica em chaves analíticas capazes de lançar novas luzes sobre o “dilema ético del solipsismo científico”. Para o autor, “la Historia articuló durante mucho tiempo los elementos básicos de un paradigma de conocimiento social, unificador y pragmático, materializado en el cultivo de la prudencia”.

Já o artigo de Israel Sanmartín trata das reflexões teóricas de Hegel e Marx acerca da noção de “fim da História”. Em uma análise minuciosa, o autor apresenta as diversas variações desta discussão que podem ser encontradas na obra dos dois filósofos alemães. Se Sanmartín revisita um dos debates mais significativos (e ricos em desdobramentos contemporáneos) do pensamento histórico ocidental, Rômulo da Silva Ehalt apresenta aos leitores brasileiros uma reflexão sobre um tema pouquíssimo estudado entre nós: a historiografia japonesa da Era Meij, e as particularidades da construção da modernidade historiográfica no Japão.

María Martini, por sua vez, se propõe a escrever uma “historia fragmentaria de la historiografía de la ciencia”, valendo-se do procedimento da interpretação figural, como pensado por Erich Auerbach e atualizado por Hayden White. Isto é realizado a partir de uma leitura da obra historiográfica de Steven Shapin, compreendida como “consumación de una serie de mediaciones figura- -cumplimiento que se conformaron en torno del origen de la ciencia moderna en la Inglaterra del siglo XVII”.

Como era de esperar, os artigos apontam caminhos diversos de reflexão teórica sobre a historiografia, e demonstram a consolidação do interesse pela história da historiografia no Brasil e na América Latina. Agora – como escreveu Auerbach certa vez – só nos resta esperar que eles encontrem seus leitores.

Pedro Spinola Pereira Caldas – Professor adjunto Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: [email protected]

Felipe Charbel – Professor adjunto Universidade Federal do Rio de Janeiro. E-mail: [email protected]


CALDAS, Pedro Spinola Pereira; CHARBEL, Felipe. Apresentação. História da Historiografia, Ouro Preto, v.6, n.12, ago., 2013. Acessar publicação original [DR]

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Historiografia alemã: abordagens e desenvolvimentos / História da Historiografia / 2011

Entre nós, e, arriscaríamos dizê-lo, mesmo em outros países, o estudo da historiografia alemã precisa superar o mesmo obstáculo do estudo da história da Alemanha: ser refém de clichês e imagens fortes. De um lado, a imagem de Adolf Hitler simplifica e divide a compreensão de um acidentado processo. Na formação básica do estudante, a palavra Alemanha só é mencionada ao se falar de fascismo e, quando muito, de formação (tardia) de Estado nacional. Liga-se, portanto, a uma visão ainda por demais presa à história política. Do outro lado, temos Leopold von Ranke, sério candidato a historiador mais ofendido e menos compreendido da era moderna. Felizmente, aqueles que optam por irem além da superfície da discussão historiográfica já sabem do óbvio: faz mais sentido falar em Ranke como “historicista” do que como um “positivista”.

O propósito deste dossiê, oferecido ao leitor de “História da Historiografia”, é aprofundar a discussão sobre a historiografia alemã dos séculos XIX e XX. Aprofundar significa torná-la mais complexa, mesmo que isto implique em torna-la também mais lacunar, episódica e menos redutível a um sentido consagrado.

Portanto, não pretendemos fausticamente abranger-lhe todos períodos e correntes, mas apenas, a partir de quatro contribuições, indicar pontos importantes de reflexão em uma trajetória que, além de tudo, se rebela ao ser circunscrito como “nacional”: afinal, o que é “alemão”? Pergunta constrangedora. Vamos respeitá-la, portanto, sem oferecer uma resposta imediata. Sem que isso traia uma intenção classificadora, os textos do dossiê visitam, mas sem protocolo e mesuras, temas que nunca podem ser considerados como já sabidos e dominados.

A historiografia alemã será, aqui, abordada em quatro textos: o de Julio Bentivoglio oferece ao leitor uma rara abordagem do período clássico do historicismo. Colocando em segundo plano as exegeses de obras e autores, Bentivoglio trata da Historische Zeitschrift (Revista Histórica), trilhando um caminho de investigação no qual o periódico é, ele mesmo, abordado na condição de sujeito histórico. Afinal, se a historiografia do século XX passa necessariamente pela revista dos Annales, é bom lembrar que a do oitocentos alemão tem na Historische Zeitschrift seu principal endereço.

Sérgio da Mata apresenta-nos um estudo de história intelectual, centrado na figura de Max Weber e no tema da relação deste com a tradição historicista. Enfocando, sobretudo, os “anos de aprendizagem” – os Lehrjahre – desse que se tornaria um dos mais importantes acadêmicos alemães do começo do século XX, Mata percorre a correspondência de Weber, documentando a influência de diversos historiadores sobre a sua formação. Revela, assim, como, a despeito de se ter graduado jurista e de ter ficado posteriormente conhecido como economista e sociólogo, Weber foi profundamente marcado por um modo histórico de olhar para a realidade social, o que em última análise permite associálo à tradição do historicismo. O historicismo ainda é tema, e de maneira bastante provocadora, do texto de Gunter Scholtz, que apresenta uma tese ousada: sim, o historicismo tem problemas e aporias, mas eles ainda permanecem em nossos dias, e, mais do que isso, ele ainda pode ser tanto uma fonte de incômodo como uma produção. É um trabalho instigante: afinal, a preocupação de autores como Febvre e Le Goff pela Europa não é inédita. Já o velho Ranke nunca se cansou de compreender as “grandes potências”. E o ceticismo quanto ao progresso também não é invenção do século XX: quantas vezes precisaremos lembrar que este é um Leitmotiv historicista? Mais uma vez, a abordagem é ampla, temática, conceitual. Autores aparecem, mas os problemas importam mais. E, por isso, demonstram não só o vigor do historicismo, mas, sobretudo, suas lacunas.

O texto de Thomas Welskopp trata, por sua vez, de uma tradição metódica que, surgida na década de 1970, amiúde se apresentou como adversária do historicismo, a saber, a ciência social histórica (historische Sozialwissenschaft). Welskopp apresenta diferenças fundamentais existentes entre essas duas tradições, além de procurar repensar os pressupostos teórico-metodológicos da história social. À luz de críticas provenientes de outras correntes historiográficas – tais como a história cultural, a micro-história e a história do cotidiano –, busca aprofundar a capacidade de autocrítica da tradição da ciência social histórica. Oferece-nos, com isso, uma excelente reflexão sobre os limites e potencialidades da história social, cuja validade transcende, em muito, o caso alemão.

Aproveitamos a oportunidade para agradecermos aos dois primeiros autores pela presteza com que aceitaram o convite para colaborar com o dossiê. Agradecemos, também, aos dois últimos, pela gentileza de nos cederem os seus textos para a tradução.

Arthur Assis – Professor Adjunto Universidade de Brasília. E-mail: [email protected]

Pedro Spinola Pereira Caldas – Professor Adjunto Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. E-mail: [email protected]


ASSIS, Arthur; CALDAS, Pedro Spinola Pereira. Apresentação. História da Historiografia, Ouro Preto, v.4, n.6, mar., 2011. Acessar publicação original [DR]

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