2015
Mosaico. Goiânia, v.8, n.2, 2015 / v.12, 2019.
Mosaico. Goiânia, v.8, n.2, 2015.
- Mosaico
- Editorial
- Editorial
- Carlos Augusto Lima Ferreira
- Artigos de Dossiê / Dossier
- O RELATRIO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO: DIÁLOGOS ENTRE A PRÁTICA DE ENSINO E A FORMAO DO HISTORIADOR
- Ana Carla Sabino, Raquel da Silva Alves
- POR UMA CARTOGRAFIA DOS SABERES DOCENTES: O PARFOR E O AGENCIAMENTO DE NOVAS SUBJETIVIDADES NO ENSINO DE HISTRIA
- Andreza se Oliveira Andrade
- A RELAO TERICA E PRÁTICA NOS CURRÍCULOS DE FORMAO DE PROFESSORES DE HISTRIA NO BRASIL
- Angela Ribeiro Ferreira
- PESQUISA QUANTITATIVA E QUALITATIVA: PERSPECTIVAS PARA O CAMPO DA EDUCAO
- Carlos Augusto Lima Ferreira
- FORMAO E ATUAO DE PROFESSORES: O JOGO DOS CURRÍCULOS
- Elaine Lourenço
- O FAZER-SE AO TORNAR-SE PROFESSOR DE HISTRIA: A PESQUISA COMO ELEMENTO ARTICULADOR DA PRÁTICA DOCENTE
- Juliana Alves de Andrade
- ENSINO E PESQUISA: HISTRIA LOCAL ATRAVS DA PRODUO DE JORNAL
- Lademe Correia de Sousa
- TECNOLOGIA, TEMPORALIDADE E HISTRIA DIGITAL: INTERPELAES AO HISTORIADOR E AO PROFESSOR DE HISTRIA
- Marcella Albaine Farias da Costa
- FORMAO DE PROFESSORES DE HISTRIA E PRÁTICAS DE PESQUISA NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO
- Mônica Martins da Silva
- PESQUISA NA FORMAO DE PROFESSORES PARA O ENSINO DE HISTRIA: PRODUO ACADMICA (1970-2014)
- Nadia Gaiofatto Gonçalves
- A FORMAO DE PROFESSORES-PESQUISADORES NO CURSO DE HISTRIA DA UNB: UMA ANÁLISE DA PROPOSTA CURRICULAR DAS ATIVIDADES DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO
- Susane Rodrigues de Oliveira
- Artigos Livres / Articles
- MILITARIZAO DAS ESCOLAS PBLICAS DO ESTADO DE GOIÁS: UMA REFLEXO SOB OS OLHARES DE GLORIA ANZÁLDUA E MICHEL FOUCAULT
- Leandra Augusta de C. M. Cruz, Maria do Espírito Santo Rosa C. Ribeiro
- JOGOS DO SENSÍVEL NA HISTRIA DA MÍDIA: O CASO DA RÁDIO IGUAU – AM 670
- Edgard Cesar Melech
- APONTAMENTOS SOBRE O REGIONALISMO EM LITERATURA HOJE
- Albertina Vicentini
Mosaico. Goiânia, v.9, n.1, 2016.
- Dossiê: Resistência e Dominação nas Relações Sociais Contemporâneas
- Editorial
- Editorial
- Thais A MARINHO
- Apresentação / Presentation
- Apresentação
- Luiz Felipe Cezar Mundim, Rodrigo Oliveira de Araújo
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Dominação e resistência nos Estados Unidos dos anos 1960: Zbigniew Brzezinski entre duas eras
- Rejane Carolina Hoeveler
- O posicionamento político de Henrique Galvão exilado no Brasil (1961-1965)
- André Luiz dos Santos Vargas
- New Deal e origens do Eximbank
- Thiago Marques Ribeiro
- A autonomia dos trabalhadores russos e os bolcheviques: 1917 – 1921
- Danilo Mendes de Oliveira
- Notas sobre nacionalização, autonomia e controle operário em Portugal (1974-1975)
- Tales dos Santos Pinto
- Para além de jagunços e coronéis: trabalho e cotidiano em Catalão-Go de 1940
- Matheus Nascimento Germano
- Memórias da exploração: uma análise da constituição da consciência política dos trabalhadores das empresas recuperadas na Argentina (anos 1990 e 2000)
- Renake Bertholdo David das Neves
- Entrevista com Benito Bisso Schmidt
- Luiz Felipe Cezar Mundim, Rodrigo Oliveira de Araújo
- Artigos Livres / Articles
- Poéticas de resistência: a representação do Outro nas fotografias de Claudia Andujar e Miguel Rio Branco
- Rafael Castanheira
- Diálogos transnacionales: el pensamiento francés y su papel en la construcción de la identidad nacional brasileña
- Luis Fernando Tosta Barbato
- Rascunhos de uma genealogia da intimidade: um sobrevoo pela história
- Francisco Vieira da Silva
Mosaico. Goiânia, v.9, n.2, 2016.
- Dossiê Coleções, museus e patrimônios das culturas negras
- Editorial
- EDITORIAL
- Thais Alves Marinho
- Apresentação / Presentation
- Coleções, museus e patrimônios das culturas negras
- Clóvis Carvalho Britto
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Acepção de Ruídos: (re) produção e arquivamento da coleção Perseverança do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.
- DEBORA REJANE VIANA SOBRAL
- Mulheres Negras e a Discussão de Gênero na Construção das Narrativas nos Museus de Salvador
- Joana Angélica Flores Silva
- A transitoriedade de um objeto: os balangandãs dos séculos XVIII e XIX e suas ressignificações na contemporaneidade
- Sura Souza Carmo
- O silêncio dos atabaques? Arte pública de matriz africana e memória topográfica em perspectiva
- Clovis Carvalho Britto
- A Presença das Culturas Negras na Arte Moderna em Salvador e o Discurso da Baianidade
- Neila Dourado Gonçalves Maciel
- Literatura machadiana: um dos patrimônios culturais do Brasil e elemento de memória da população negra oitocentista
- Murilo Chaves Vilarinho
- Cantilenas de Goiás: memórias, gênero e patrimônios das culturas negras na obra de Regina Lacerda
- Paulo Brito do Prado, Paulo Brito do Prado
- Capoeira e Identidade Negra na Pós-modernidade: algumas considerações
- Márcio Nunes de Abreu
- Artigos Livres / Articles
- A Interferência Norte-Americana Na Política Interna Brasileira: O Caso do jornal A Noite.
- Pedro Henrique Rodrigues Magri
- Histoire de la Folie: Uma Proto-análise Teórico-Metodológica do Ponto De vista Histórico
- Ronivaldo de Oliveira Rego Santos
- Trilhas da imaginação: compreendendo a construção histórica e social do “exotismo amazônico” por uma leitura ecossistêmica comunicacional
- Rafael de Figueiredo Lopes, Wilson de Souza Nogueira, Wilson de Souza Nogueira
Mosaico. Goiânia, v.10, 2017.
- Dossiê Sobre Coisas e Trajetórias
- Editorial
- EDITORIAL
- Thais Alves Marinho
- Apresentação / Presentation
- Apresentação do Dossiê sobre Coisas e Trajetórias
- Maria Salete Nery
- Artigos de Dossiê / Dossier
- O QUE NÃO TEM REMÉDIO MIDIATIZADO ESTÁ: SAÚDE, BELEZA E PODER NA PUBLICIDADE DE MEDICAMENTOS DO INÍCIO DO SÉCULO XX
- Moacir Carvalho Oliveira
- IDENTIDADES SOCIAIS EM DIAS DE MODESS
- Tiago Mendes Rodrigues dos Santos
- TRAJETÓRIA E SENTIDOS DA CERVEJA: DAS ORIGENS EUROPEIAS À FORMAÇÃO DO BRASIL MODERNO
- Matheus da Costa Lavinscky
- Caminhos do objeto: a afirmação do leilão e os primeiros capítulos de uma história do comércio no Brasil oitocentista
- Caroline Fernandes
- BELEZA PURA: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA E SOCIOANTROPOLÓGICA DAS REPRESENTAÇÕES DO CORPO E BELEZA NO BRASIL
- Silvio Cesar Benevides, Vanessa Ionara Rodrigues
- VESTIR-SE À BOA MORTE: APONTAMENTOS SOBRE O VESTUÁRIO EM IRMANDADES NEGRAS RELIGIOSAS NA REGIÃO RECÔNCAVA DA BAHIA
- Wilson Rogério Penteado Júnior, Vanhise da Silva Ribeiro
- AS MÃOS QUE FAZEM O TRANÇADO – IDENTIDADE E MEMÓRIA NA PRODUÇÃO DE MODA EM SALVADOR-BA NA VIRADA PARA OS ANOS 2000
- Maria Salete de Souza Nery
- Artigos Livres / Articles
- GUERRA DO CONTESTADO: O PROCESSO DE RENDIÇÃO
- Soeli Regina Lima, Eloy Tonon
Mosaico. Goiânia, v.10, 2017.
- Gênero e Negritude
- Editorial
- Editorial
- Thais Alves Marinho
- Apresentação / Presentation
- Apresentação do Dossiê Negritude e Gênero
- Núbia Regina Moreira
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Entre a História e a Identidade dos Africanos e Seus Descendentes na Terra Brasilis: da Escravidão ao Movimento Negro
- Maria Cristina Campos Ribeiro, Poliene Soares dos Santos Bicalho
- Os Filhos do Cativeiro – Crianças Ingênuas em Villa Bella de Morrinhos (Goiás, 1872-1888)
- Pedro Luiz do Nascimento Neto
- Empoderamento das Mulheres Negras: Cultura, Tradição e Protagonismo de Dona Dió do Acarajé na “Lavagem do Beco”
- Martha Maria Brito Nogueira
- Educação em Direitos Humanos: História Gênero e Etnia
- Maria Cláudia Machado Barros
- Artigos Livres / Articles
- A Luta das Mulheres por Mais Espaço na Política: Eleições para Vereadores em Goiânia no Ano de 2016
- Valdenor Cabral dos Santos
- A Noção de Ideologia em Durkheim
- Nildo Viana
- Álbum de Goiaz: um Veículo de Propaganda
- Karinne Machado Silva, Geisa Daise Gumiero Cleps
- The Construction of Brazilian Fashion as a Global Discourse: “Resolving” Difference Without Overcoming Inequality
- Miqueli Michetti
- Culturas e Ateísmos Contemporâneos
- Clóvis Ecco, José Reinaldo Felipe Martins Filho
- Galba, Otão e Vitélio: o Modelo dos Príncipes da Guerra Civil (68-69 D.C) na Crítica de Suetônio
- André Luiz Leme
- Nominata
- Nominata dos Avaliadores Ad Hoc – 2017
Mosaico. Goiânia, v.11, 2018.
- Crenças e Representações Religiosas na Cultura Contemporânea
- Edição completa
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- Editorial
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- Thais Alves Marinho
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- Apresentação / Presentation
- Apresentação do dossiê crenças e representações religiosas na cultura contemporânea
- Ivoni Richter Reimer, Eliézer Cardoso de Oliveira
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Festa de Devoção a Santa Rita de Cássia em Viçosa
- Josimar Faria Duarte
- pgs.
- Revisitando a Historiografia sobre Festas Religiosas na Região do Antigo Norte de Goiás
- Weberson Ferreira Dias, Maria de Fátima Oliveira
- O Sagrado e o Profano na Dança de São Gonçalo: Etnografia de um Ritual de Pagamento de Promessa
- Márcio Douglas de Carvalho e Silva
- A Congregação do Santíssimo Redentor em Goiás (1894-1925)
- Andréia Márcia de Castro Galvão
- Festa ao Divino Pai Eterno: representações patriarcalismo em Panamá (GO)
- Eloane Aparecida Rodrigues Carvalho
- A Atuação da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Minaçu no Quilombo do Riachão
- Lusinaide Cordeiro de Sales Lima Marques
- Do Oriente ao Ocidente: a sociedade teosófica brasileira e o Neoesoterismo em Brasília
- Pepita de Souza Afiune
- Rosa: as Representações de Gênero na Composição de Pixinguinha
- Alexandra Ferreira Martins Ribeiro, Rebeca Oliveira Araújo, Beatriz Polidori Zechlinski
- Artigos Livres / Articles
- Etnicidade e Identidade em Contexto Urbano: os Cassupá de Porto Velho (RO)
- Rafael Ademir Oliveira de Andrade, Estevão Rafael Fernandes
Mosaico. Goiânia, v.11, 2018.
- Práticas Culturais e Identitárias: entre o Oriente e o Ocidente (Século V-XV)
- Edição completa
- Ver ou baixar a edição completa
- Editorial
- Editorial
- Thais Alves Marinho
- PDF MP3
- Apresentação / Presentation
- Práticas Culturais e Identitárias: entre o Oriente e Ocidente (Século V-XV)
- Adriana Mocelim, Renata Cristina de Sousa Nascimento
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Os Hinos de Ambrósio e a Formação de uma Identidade Cristã Nicena
- Janira Feliciano Pohlmann
- As Relações Políticas entre o Império Bizantino e o Reino Visigodo de Toledo durante o Século VI
- Cynthia Maria Valente
- A Lepra no Oriente e Ocidente: da Antiguidade à Idade Média
- Roseli Martins Tristão Maciel
- Diálogo Identitário Sobre a Sexualidade Medieval entre Oriente e Ocidente – Séculos XIV e XV
- Elaine Cristina Senko Leme, Mariana Bonat Trevisan
- A Influência Árabe na Medicina e Cozinha Medieval Aragonesa
- Renato Toledo Silva Amatuzzi
- Estratégias de Legitimação do Reinado de D. João I (1385 – 1433) nas Narrativas de Fernão Lopes e Gomes Zurara
- Hugo Rincon Azevedo
- A Arte do Aconselhamento em Kalila e Dimna de Ibn Almuqaffaᶜ (séc. VIII) e O Príncipe de Maquiavel (séc. XVI)
- Celia Daniele Moreira de Souza
- Relacionamentos e Conflitos no Universo Feminino: as Denunciantes no Tribunal do Santo Ofício na América Portuguesa (Século XVI)
- Juliana de Mello Moraes, Maria Cláudia de Faveri Luz
- Artigos Livres / Articles
- Reterritorialização e Cultura Popular: as Representações Ritualísticas no Auto do Boi do Rosário em Pirenópolis (GO)
- Weberson Ferreira Dias, Sara Pereira de Deus, Geovanna de Lourdes Alves Ramos
- O Vento Sopra onde Quer: unção do riso
- Salma Ferraz, Erik Dorff Schmitz, Igor Livramento
- A “Cidade Medieval” de Goiás: o conjunto arquitetônico Lago Ideia Molhada em Hidrolândia – Goiás
- Ademir Luiz da Silva
- Punks no Cerrado: considerações Acerca das Primeiras Investigações sobre as Coletividades Punks no Centro-Oeste
- Tiago de Jesus Vieira
- A Região Centro-Oeste no Contexto da “Modernização” do Sertão
- Marco Aurélio Corrêa Araújo
- Resenhas / Reviews
- Do Ocidente ao Oriente: o Itinerário de Benjamin de Tudela
- Renata Cristina de Sousa Nascimento
Experiencias de tiempo en los siglos XVIII y XIX iberoamericanos. Un abordaje desde la historia conceptual / Almanack / 2015
Los estudios sobre las formas de experimentar, representar y conceptualizar el paso del tiempo, así como los cambiantes vínculos entre pasado, presente y futuro y el valor que se les otorga a cada una de estas dimensiones, ocupan un lugar cada vez más importante en la agenda de las ciencias humanas y sociales. Las preguntas que orientan a estas indagaciones obedecen tanto a innovaciones promovidas por disciplinas como la filosofía, la sociología, la antropología, la estética y la teoría de la historia, como a las mutaciones en las formas de experimentar la temporalidad que se están produciendo en los últimos años.1 Esto permite explicar el creciente uso de categorías metahistóricas o antropológicas que procuran examinar con un mismo lente a diversas sociedades del pasado y del presente, como “espacio de experiencia” y “horizonte de expectativas” tal como las concibió Reinhart Koselleck; o herramientas heurísticas como “régimen de historicidad”, que François Hartog forjó para dar cuenta de los momentos en los que se producen “crisis del tiempo” al ponerse en cuestión las relaciones entre pasado, presente y futuro”2.
El dossier presenta los primeros resultados de una indagación colectiva realizada por miembros del equipo sobre Historicidad que integra la red de investigación de historia conceptual Iberconceptos.3 Nuestro propósito es analizar desde una perspectiva conceptual las experiencias de tiempo en el mundo iberoamericano durante los siglos XVIII y XIX. Dado que se trata de una temática novedosa para la historiografía iberoamericana, quisiéramos realizar algunas precisiones sobre nuestro enfoque.4 La primera es que no se trata de una indagación filosófica o teórica sobre el tiempo, la temporalidad o la historicidad, por lo que no se partió de una definición a priori, sino que se procuró examinar empíricamente cómo conceptualizaron las experiencias de tiempo los actores del período. La segunda es que a diferencia de la tradicional historia de las ideas, e incluso de enfoques más atentos a los contextos y a la historicidad como la historia de los lenguajes políticos, no se centra en los grandes nombres del pensamiento político, filosófico y social. Es por ello, y por el carácter polisémico y controversial que tienen los conceptos, que buena parte del corpus está integrado por debates parlamentarios y por la prensa en los que se pusieron en juego y se disputaron sus significados. La tercera es que si bien en ese período se produjeron transformaciones decisivas de orden social, cultural, económico, científico y tecnológico, decidimos privilegiar los cambios políticos como mirador para explorar las experiencias de tiempo y su conceptualización. En ese sentido, los trabajos analizan cómo estas experiencias se entrelazaron con los principales fenómenos y procesos ocurridos en esa centuria: las reformas imperiales, las crisis de las monarquías, los procesos revolucionarios e independentistas y la emergencia de nuevas unidades políticas soberanas.
El dossier se inicia con un trabajo en el que Ana Isabel González Manso traza algunas coordenadas teóricas y metodológicas generales, para luego detenerse en el examen de los cambios producidos en España en las formas de percibir el tiempo desde fines del siglo XVIII, y sus consecuencias en el campo historiográfico y político en la siguiente centuria. A continuación, Victor Samuel Rivera, analiza la recepción que tuvo la Revolución Francesa en la ciudad de Lima entre 1794 y 1812, llamando la atención sobre una de las formas en las que se procesó la aceleración del tiempo a uno y otro lado del Atlántico: la apocalíptica. Fabio Wasserman propone, por su parte, un minucioso recorrido en el que indaga cómo las elites rioplatenses conceptualizaron esa nueva experiencia de tiempo inaugurada por la revolución y cómo se entrelazó con su vida política hasta la década de 1830. Esa misma década es analizada por Luisa Rauter Pereira en un trabajo sobre los debates parlamentarios en Brasil que muestra algunos cambios fundamentales en la forma en la que el tiempo fue vivido e interpretado en el marco de disputas por la organización política de la monarquía independiente. El trabajo de Christian Lynch continúa de cierto modo el análisis de Rauter, pues toma como objeto el discurso parlamentario de Bernardo Pereira de Vasconcelos, quien a finales de la década de 1830 planteaba la necesidad de regular el ritmo de los cambios, llegando a la conclusión de que el “Regresso” es el verdadero progreso. De ese modo distinguía al conservadurismo de la reacción ya que en modo alguno se trataba de un retorno al Antiguo Régimen tal como se proponía en Europa. El trabajo de Francisco Ortega, por su parte, desarrolla una indagación sobre el “tiempo precario de la república” en Nueva Granada-Colombia durante las primeras décadas del siglo XIX, haciendo foco en las propuestas realizadas por el político y escritor conservador José Eusebio Caro que reivindicaba al movimiento constante como un componente esencial de las sociedades modernas. El dossier se cierra con un estudio de Miguel Hernández sobre la prensa conservadora mexicana en dos coyunturas, la de las revoluciones europeas de 1848 y la del Imperio de Maximiliano. Su trabajo le permite concluir que los conservadores compartían una misma concepción del tiempo con los liberales, pero procuraban atenuar el ritmo y ofrecían otra mirada sobre el pasado.
Como ya advertimos, las formas de experimentar y de conceptualizar la temporalidad en los siglos XVIII y XIX iberoamericanos es una temática que recién está comenzando a explorarse, por lo que aún no estamos en condiciones de ofrecer un panorama general a modo de síntesis. Confiamos sin embargo en que la riqueza de los estudios presentados en este dossier lo constituye en un punto de partida valioso para poder profundizar en el análisis sobre las experiencias de tiempo en ese convulsionado período, así como también para interrogarnos por los cambios que se están operando en nuestro presente.
Notas
1. CHARLE, Christophe. Discordance des temps. Brève histoire de la modernité. París: Armand Colin, 2011; GUMBRECHT, Hans Ulrich. Lento presente. Sintomatología del Nuevo tiempo histórico. Madrid: escolar y mayo, 2010; KOSELLECK, Reinhart. Estratos do Tempo.Estudos sobre História. Rio de Janeiro: Contraponto : Editora PUC Rio, 2014; LORENZ, Chris; BEVERNAGE, Berber (eds.). Breaking up Time.Negotiating the Borders between Present, Past and Future. Gotinga: Vandenhoeck & Ruprecht, 2013; ROSA, Hartmut. Social Acceleration:A New Theory of Modernity (New Directions in Critical Theory). New York: Columbia University Press, 2013.
2.KOSELLECK, Reinhart. Futuro pasado.Para una semántica de los tiempos históricos. Barcelona: Paidós, 1993; HARTOG, François. Régimes d´historicité.Présentisme et expériences du temps. Paris: Éditions du Seuil, 2003.
3. El proyecto en http: / / www.iberconceptos.net / grupos / grupo-historicidad. Éstos y otros trabajos del grupo fueron presentados y discutidos en el Colóquio Internacional Experiencias de Tempo nos Século XVIII y XIXrealizado en la Universidade de São Paulo en abril de 2014.
4. Esta afirmación no implica desconocer la existencia de aportes significativos sobre los cambios en las concepciones de la temporalidad producidos en Iberoamérica durante ese período, comenzando por los realizados en el marco del proyecto Iberconceptos como el análisis del concepto Historiacoordinado por Guillermo Zermeño para el primer tomo del DiccionarioIberconceptos(http: / / www.iberconceptos.net / wp-content / uploads / 2012 / 10 / DPSMI-I-bloque-HISTORIA.pdf) o una publicación reciente del director general del proyecto, FERNÁNDEZ SEBASTIÁN, Javier. Cabalgando el corcel del diablo. Conceptos políticos y aceleración histórica en las revoluciones hispánicas. In:_______; CAPELLÁN DE MIGUEL, Gonzalo (eds.). Conceptos políticos, tiempo e historia. Santander: Universidad de Cantabria McGraw-Hill Interamericana de España, 2013. También resultan de gran valor algunos trabajos que utilizan otros enfoques, como los estudios sobre lenguajes políticos realizados por E. Palti, o los estudios sobre historia cultural como el trabajo de V. Goldgel sobre prensa, literatura y moda: PALTI, Elías. El tiempo de la política. El siglo XIX reconsiderado.Buenos Aires: Siglo XXI, 2007; GOLDGEL, Victor. Cuando lo nuevo conquistó América. Prensa, moda y literatura en el siglo XIX. Buenos Aires: Siglo XXI, 2013. Cabe señalar por último la destacada producción sobre Teoría e Historia de la Historiografía realizada en Brasil, como el trabajo de ARAUJO, Valdei Lopes de. A experiência do tempo: conceitos e narrativas na formação nacional brasileira (1813-1845). São Paulo: Hucitec, 2008.
Fabio Wasserman – Instituto Ravignani – Conicet. E-mail: fwasserm@gmail.com
João Paulo Pimenta – Universidade de São Paulo. E-mail: jgarrido@usp.br
PIMENTA, João Paulo; WASSERMAN, Fabio. Apresentação. Almanack, Guarulhos, n.10, maio / agosto, 2015. Acessar publicação original [DR]
População em áreas de fronteira / Territórios & Fronteiras / 2015
Este dossiê temático intitulado “População em áreas de fronteira” procurou reunir, em um único produto, no caso uma edição da revista Territórios & Fronteiras, artigos de estudiosos de renome da área de estudos de população de diversas instituições.
Os artigos foram divididos em quatro seções: 1) Processos de formação e ocupação de fronteiras; 2) Migração populacional em áreas de fronteira; 3) Inserção social e cultural dos migrantes; e 4) Estratégias de sobrevivência na fronteira amazônica. A primeira parte deste produto contém artigos que tratam dos processos de formação e ocupação de áreas de fronteira do Amapá com a Guiana Francesa, Rondônia e na Amazônia como um todo.
O primeiro artigo, de Jadson Porto e Yurgel Caldas, aborda a construção da fronteira franco-brasileira, entre a Guiana Francesa e o Amapá, através da atuação francesa e da atuação brasileira na formação da fronteira amapaense, e a inserção desta fronteira na rede global. Chama atenção também para o papel da fronteira como território estratégico e também como um grande negócio, fornecedor de commodities além de integrante de uma rede ambiental a atuante na integração com o Platô das Guianas.
No segundo artigo, de Alisson Barbieri, são estudadas estratégias de planejamento regional para a ocupação da Amazônia a partir da utilização de três perspectivas teóricas tradicionais em mobilidade populacional (funcionalista, estruturalista e transicional) e a dificuldade destas perspectivas em explicar este processo de ocupação. O texto traz a relação entre mobilidade populacional e planejamento regional para a ocupação e desenvolvimento da fronteira amazônica, assim como aponta a necessidade de uma redefinição conceitual de urbano e rural para o planejamento regional.
Já o terceiro artigo, de Marília e Geraldo Cotinguiba, faz uma ponte entre a primeira e a segunda parte deste dossiê, uma vez que traz um panorama histórico da formação do estado de Rondônia como uma região de fronteira, situando o incremento populacional no âmbito das migrações internas em diferentes momentos, o papel das hidrelétricas, e também analisando a dinâmica e as fases do processo migratório dos haitianos em Porto Velho após o ano de 2010.
A segunda parte deste dossiê traz artigos que tratam de processos migratórios em áreas de fronteira, relacionando atividades de garimpo e remessas financeiras na fronteira Brasil-Guiana, a evolução da população urbana e rural no Oeste do Paraná e a relação entre migração e gênero no caso das migrantes bolivianas em Corumbá.
O artigo de Hisakhana Corbin e Luis Aragón explana sobre os processos migratórios na Guiana, em especial na cidade-fronteira de Lethem com a cidade brasileira de Bonfim (RR), e a importância das redes sociais e familiares nesta mobilidade de população. O texto aborda o problema da fragilidade da economia guianense, baseada na produção mineral e em remessas de guianenses residentes no exterior. Uma vez que mais da metade da população da Guiana se encontra fora de seu país de nascimento, as remessas financeiras para suas famílias chegam a perto de 10% do PIB da Guiana e são consideradas estratégias de redução de pobreza. Neste contexto, é mencionada também a questão da fuga de cérebros (brain drain) do país, causando problemas como a escassez de profissionais mais qualificados, como professores, por exemplo.
O próximo artigo, de Ricardo Rippel, abordou a relação entre dinâmica demográfica e localização da população rural e urbana do Oeste do Paraná, a última área de fronteira a ser ocupada no Paraná, frente à migração e à qualificação dos responsáveis pela família. Envolve questões como a modernização da agricultura e sua relação com os movimentos migratórios, medidas de localização da população e sugere que a concentração populacional não sofreu modificações significativas no período adotado.
Já o terceiro artigo desta parte, de Roberta Peres, analisa a questão das mulheres na fronteira, por meio da migração de bolivianas para Corumbá (MS). Inicialmente faz uma discussão do papel da fronteira para a elaboração de um aporte teórico que sustente e explique este fluxo migratório, depois trata da migração feminina e as relações de gênero, apontando uma rede social essencialmente feminina naquele local, com o dinamismo econômico fortalecendo atividades mais femininas, e termina abordando as trajetórias migratórias e o ciclo de vida destas mulheres. Chama também a atenção para modificações das relações de poder e os papéis de gênero desempenhados pelas mulheres bolivianas em Corumbá através de salários maiores, autonomia e poder de decisão em suas famílias.
A inserção dos migrantes internacionais, seja esta social ou mesmo cultural, é retratada na terceira parte deste produto, por meio do exemplo dos haitianos na Amazônia ou das festas com danças de forró ou reggae frequentadas pela população que se move na fronteira entre o Brasil e a Guiana.
O artigo de Sidney Silva analisa os haitianos nas fronteiras amazônicas, em especial em Manaus, tentando captar as formas de inserção social e cultural destes migrantes no local de destino, e explicitando a falta de políticas públicas inclusivas para eles. Utiliza fontes de dados primários (surveys) ou pesquisas de campo para traçar um perfil dos haitianos, incluindo também meios de entrada no Brasil e relação com os brasileiros. Destaca que inicialmente os migrantes eram constituídos basicamente por homens, jovens, entrando via terrestre e agora é possível observar mudanças no perfil migratório, aumentando a proporção de crianças, mulheres e adultos com mais de 50 anos, ou seja, características de migração na forma de reunificação familiar, e chegando inclusive por via aérea.
O tema da inserção cultural é descrito mais a fundo no artigo de Antonio Meneses, Francilene Rodrigues e Ana Vale, que descreve duas festas: o forró em Bonfim (RR) e o reggae em Lethem (Guiana), chamando a atenção para pontos de encontro, de contato e de trocas culturais que ocorrem nestas festas. São abordados os processos de diferenciação e de identificação de participantes e estratégias de sociabilidade, inclusive através de símbolos que podem marcar identidades e diferenças sociais e de classe, como marcas de cerveja e tipos de prato para degustar. Estas festas possibilitam as trocas culturais, a criação de relações sociais e o fortalecimento dos laços de solidariedade que se refletem nesse espaço transfronteiriço. Exemplo disso é o que os autores chamam de “casamentos transnacionais”, formados muitas vezes nestas festas, em que os membros precisam falar outros idiomas, compartilhar culturas diferentes e viver em dois lugares ou mais.
Por fim, a última parte do dossiê contém artigos que abordam as estratégias de sobrevivência da população na fronteira amazônica, das perspectivas rurais e urbanas e do ciclo de vida, a partir de estudos de caso.
As estratégias de sobrevivência da população na fronteira amazônica são estudadas no artigo de Thais Lombardi, Gilvan Guedes e Alisson Barbieri para a área urbana, utilizando dados de Altamira (PA), e para a área rural, com dados de Machadinho d’Oeste (RO). Nestas regiões houve forte influência de projetos de colonização nas décadas de 1970 e 1980. Após uma discussão sobre o conceito de estratégias de sobrevivência, seus pressupostos e limitações, os autores utilizam modelos de classe latente para analisar as relações entre os indicadores destas estratégias, distribuídos nos capitais natural, físico, social, humano e financeiro, mostrando as características regionais destas áreas de fronteira, e a progressiva urbanização de estratégias de sobrevivência das áreas rurais, assemelhando-se às das áreas urbanas.
Por fim, o último artigo, de Gilvan Guedes, Alisson Barbieri, Reinaldo Santos e Mariângela Antigo, aborda mais a fundo a evolução das estratégias de sobrevivência em termos do desenvolvimento da fronteira agrícola de Machadinho d’Oeste (RO) analisando duas gerações de domicílios a partir da natureza longitudinal dos dados, observando os domicílios ao longo do tempo. Foram investigadas as dimensões de estratégias de sobrevivência, mobilidade e fatores de ciclo de vida. Além dos modelos de classe latente, utilizados no artigo anterior, também utilizaram a modelagem “grade of membership” que utiliza técnicas fuzzy de análise para estimar o grau de pertencimento individual a cada classe latente, e assim identificar um modelo com a menor quantidade de classes que descrevem os dados. Os resultados mostram cinco perfis de estratégias de sobrevivência para as duas gerações de domicílios.
Assim, este dossiê trata de temas extremamente atuais, alguns inclusive de difícil captação por meio das fontes mais utilizadas pelos estudiosos de população, como os censos demográficos, como no caso da recente migração de haitianos ao Brasil pós-2010 e festas culturais; e trata também de localidades de estudo com bem poucos estudos publicados, como a fronteira do Brasil com as Guianas (francesa e inglesa) e outras regiões de fronteiras amazônicas.
Os processos migratórios abordados envolvem migração interna, migração internacional, assim como mobilidade populacional, ou circulação de pessoas em localidades transfronteiriças, podendo ser de grande relevância para a correta formulação de políticas públicas específicas para estes grupos populacionais.
Boa leitura!
Alberto Augusto Eichman Jakob – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). E-mail: alberto@nepo.unicamp.br
Dimitri Fazito – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail: dfazito@gmail.com
JAKOB, Alberto Augusto Eichman; FAZITO, Dimitri. Apresentação. Territórios & Fronteiras, Cuiabá, v.8, n.2, jul / dez, 2015. Acessar publicação original [DR]
Formação docente e ensino de história: fontes, objetos e categorias / Territórios & Fronteiras / 2015
O dossiê “Formação docente e Ensino de História: fontes, objetos e categorias” traz artigos que expõem diferentes contextos, atravessam os níveis de ensino, e mobilizam categorias que permitem destacar a variedade de abordagens e as possibilidades do trabalho investigativo a partir de fontes diversas que indagam sobre a escrita didática da história, os sujeitos, as políticas, as memórias e as práticas imersas no processo formativo de professores / as de História.
O percurso formativo do / a professora / a de História é um tempo de conhecimento, reflexão, crítica e aperfeiçoamento profissional. Nos cursos superiores entram em contato com os saberes teóricos, com a pesquisa e a preparação pedagógica. A base formativa prévia (origem e inserção cultural e formação escolar anterior) se mescla com a formação continuada e, assim, a socialização dos saberes no interior das escolas e na vida vai se constituindo. Os saberes profissionais, como diz Tardif,1 são datados (temporais), são plurais e heterogêneos, são personalizados e situados, são adquiridos por meio da experiência.
Ao percorrer um caminho escolhido do conhecimento (o currículo), têm-se objetivos em mente e questões que devem indagar sobre qual passado tratamos quando ensinamos aos estudantes e como essas histórias operam sentidos na formação dos sujeitos.
Um dos procedimentos imprescindíveis para o ensino de História é o trabalho com as fontes ou documentos. Também a ampliação da noção de fonte atingiu diretamente o trabalho pedagógico, levando à superação da compreensão do documento como prova do real. As inovações tecnológicas também modificaram a relação com o documento.
Entre os oito artigos que compõem este Dossiê, podemos indagar no trabalho de Ana Carolina Eiras Coelho Soares sobre o conceito de História Visual em Ulpiano Bezerra de Meneses2, entendido como um conjunto de recursos para dar consistência à pesquisa histórica. Alerta ele que o uso da pintura, da fotografia ou do desenho não deve ser feito como mera ilustração do texto. A investigação deve levar ao exercício de reconstrução de redes que falam de quando o autor produziu a obra, do contexto da época, do lugar da produção, das articulações de interesse para quem produziu etc.
Ana Carolina Soares aproveita um episódio alardeado na mídia carioca, no ano de 2009, polemizando a retirada de livros didáticos de História das escolas por acusação de suposto conteúdo nefasto presente em possível interpretação de imagens de Theodore de Bry (século XVI). O fato é utilizado pela autora para refletir sobre as vulnerabilidades a que as escolas se submetem em momentos nos quais são cobradas e vitimadas por ações violentas vindas de toda parte. O incidente serviu também para apontar possíveis caminhos do trabalho pedagógico nas aulas de História e fazer pensar a formação de professores.
Em defesa de um código disciplinar da Didática da História, Ana Claudia Urban foi buscar na análise de ementas de cursos de licenciatura em História de universidades públicas do Paraná os “textos visíveis” para suas argumentações. Também analisou pareceres de 1960 ao ano 2000 que foram dando indicativos de como as preocupações com a Didática caminharam junto com as mudanças de perspectivas para a formação de professores.
Alexandra Lima da Silva apresenta, no exemplo de Rocha Pombo, as subjetividades formativas da docência. Explorando o autodidatismo do poeta, historiador e professor, Alexandra faz um passeio pela atribulada história do fazer-se professor e escritor de livros didáticos – esses últimos ficaram tão presentes no imaginário de estudantes, tanto quanto foram marcantes referências de formação para muitos professores.
Jaqueline Aparecida Zarbato nos brinda com uma reflexão sobre Educação Histórica e sobre como se produz a consciência histórica nas práticas pedagógicas de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Sua análise parte de uma oficina realizada com estudantes de História da Universidade de Mato Grosso do Sul, em Três Lagoas, no ano de 2013.
Buscando refletir sobre o embate entre representações no entorno da formação de professores de História, André Luiz Bis Pirola, ao estudar o Espírito Santo na segunda metade do século XIX, investiga como a História era ensinada na ausência de uma formação específica. Dessa forma, a história da formação de professores de história imbrica-se com a própria história da construção da história como disciplina escolar e pode-se compreender como, em meio às lutas, leis e livros, diferentes profissionais (bacharéis, padres e médicos) buscaram instituir determinadas formas de ser e estar no mundo por meio da construção de um sentido para o saber e o fazer docentes.
João Batista Bueno, Arnaldo Pinto Jr. e Maria de Fátima Guimarães, por sua vez, refletem sobre três conceitos importantes para a formação dos professores de História: a interação, a significação e a identidade. Discutem também quais são as possíveis alternativas e critérios que podem ser mobilizados na definição de atividades de interações significativas que visem conectar questões do passado ao presente do estudante. Além disso, analisam como algumas abordagens atuais do conceito de identidade estão modificando os objetivos do ensino de História.
Já o artigo de Helenice Ciampi tem o objetivo de refletir sobre a questão da formação do educador a partir de sua experiência na PUC-SP, com a Prática de Ensino e Estágio Supervisionado e disciplinas afins. A intenção da autora foi focar as últimas décadas de debates no Brasil, articulando as questões centrais da discussão com os temas que constituíram os planejamentos dos cursos no período. Enfim, sua reflexão visa explicitar as questões canônicas na formação do profissional de História ontem e hoje.
Concluindo o Dossiê, Juciene Ricarte Apolinário traz ao debate um tema ainda pouco discutido na área do ensino de História: a educação indígena. Seu artigo aborda, de forma reflexiva, a criação do Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Educação Indígena, UFCG – Povo Potiguara, especialmente no tocante às experiências das práticas pedagógicas das disciplinas de História do Brasil e História Indígena. O projeto foi produzido coletivamente entre indígenas e professores da UFCG para a elaboração de uma proposta de educação superior intercultural, tendo como destaque a formação do professor indígena na área de História.
Acreditamos que os diferentes trabalhos aqui reunidos poderão contribuir com os debates acerca da formação docente do / a profissional de História e sua relação com a dinamização da produção historiográfica e das reflexões metodológicas. Pensamos que os textos que compõem este Dossiê, ao tratarem de diferentes contextos, atravessam os níveis de ensino e mobilizam categorias que permitem destacar a variedade de abordagens e as possibilidades do trabalho investigativo a partir de fontes, objetos e categorias diversas que indagam sobre a escrita didática da história, os sujeitos, as políticas, as memórias e as práticas imersas no processo formativo em questão. Esse conjunto de textos nos oferece, enfim, um quadro representativo de produções acadêmicas que demonstram a consolidação da área de Ensino de História e a relevância das pesquisas sobre formação docente para a profissão do / a historiador / a. Esperamos que estes textos sejam também inspiradores.
Boa leitura!
As organizadoras
Notas
1 TARDIF, Maurice. Os professores enquanto sujeitos do conhecimento. In: _____. Saberes docentes e formação profissional. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
2 MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Fontes visuais, cultura visual, história visual – balanço provisório, propostas cautelares. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 23, n. 45, 2003.
Ana Maria Marques – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). E-mail: anamariamarques.ufmt@gmail.com
Juçara Luzia Leite – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). E-mail: jujuluzialeite@gmail.com
MARQUES, Ana Maria; LEITE, Juçara Luzia. Apresentação. Territórios & Fronteiras, Cuiabá, v.8, n.1, jan / jun, 2015. Acessar publicação original [DR]
En minga por el Cauca: el gobierno de Floro Tunubalá (2001-2003) – GOW; SALGADO (A-RAA)
GOW, David; SALGADO, Diego Jaramill. En minga por el Cauca: el gobierno de Floro Tunubalá (2001-2003).* Bogotá: Editorial Universidad del Rosario y Universidad del Cauca, 2013. 294p. Resenha de: TOCANCIPÁ-FALLA, Jairo. Antípoda – Revista de Antropolgía y Arqueología, Bogotá, n.21, jan./avr., 2015.
Buena parte de la literatura académica que examina la relación entre movimientos sociales y el Estado en América Latina plantea la dinámica de los primeros como el resultado de un proceso político y cultural diverso que reacciona y resiste creativamente a unas formas políticas del segundo (e.g., álvarez, Dagnino y Escobar, 1998). Esta oposición, sin embargo, muchas veces es resuelta por parte de los movimientos sociales como la exigencia de un mayor reconocimiento, acceso (derechos) y transformación de la institucionalidad política estatal que mantiene el poder, tal como acontece en alguna experiencia brasilera (Dagnino, 1998) y en otros países de la región. En términos genéricos, podría afirmarse que el libro En minga por el Cauca, del antropólogo David Gow y el filósofo Diego Jaramillo, se enmarca en esta última tendencia. Básicamente, el trabajo busca documentar el proceso tortuoso pero relativamente exitoso que tuvo un gobierno alternativo como el del taita1 Floro Tunubalá, líder indígena del pueblo misak2, y que representaba a una coalición de movimientos campesinos, obreros e indígenas que antes de las elecciones del año 2000 respaldaron su nombre para la gobernación del departamento del Cauca, en el período 2001-2003.
Aparte de la introducción y las conclusiones, el libro consta de siete capítulos, algunos de los cuales son escritos individualmente por cada autor, y otros, de manera conjunta; los capítulos conjuntos son la introducción, el capítulo 7 y las conclusiones. El resto de los capítulos son alternados: a Diego corresponden los capítulos 1, 2 y 6, y a David, los capítulos 3, 4 y 5. La introducción presenta los elementos generales, algunos antecedentes y la premisa central que orientó el estudio. Allí se contextualizan la situación histórica y social del Departamento en el ámbito nacional, el surgimiento de los movimientos y procesos sociales que desde hace varias décadas vienen horadando las prácticas clientelistas oficialistas de los gobiernos de turno, ya arraigadas, y que también caracterizan a los partidos políticos tradicionales vigentes en el Departamento.
En el primer capítulo, “El Cauca y su conflictividad plural: una lectura del contexto”, Diego Jaramillo nos presenta una trayectoria histórica de los movimientos sociales y étnicos en el ámbito caucano, donde las élites regionales han mantenido su poder, que en las últimas décadas se ha visto desafiado por dichos movimientos. En particular, el capítulo enmarca el surgimiento del Bloque Social Alternativo (BSA), el cual, si bien surge en una coyuntura electoral, en el fondo se trataba de “ubicar la reflexión y el debate en los problemas centrales del departamento y la región surcolombiana” (p. 57); al igual que se buscaba establecer un “programa para el Cauca” que se convirtiera en un “eje dinamizador y articulador de las luchas sociales en el departamento” (p. 57).
Este antecedente sobre los procesos y movimientos sociales que se destacaron en el Cauca sirve de antesala para el segundo capítulo, también elaborado por Diego, sobre “Planes de Desarrollo Alternativos”. Aquí, él examina ideas centrales asociadas al desarrollo como la planificación, el desarrollo y la superación de las condiciones materiales oprobiosas para los pueblos, que muchas veces se traducen en macropolíticas y que luego son contestadas desde un ámbito regional y local. En especial, se abordan la relación existente entre los planes del momento, como el Plan Colombia y el “Imperio” -léase Estados Unidos-; la prevalencia de las condiciones de raigambre indígena y campesina en el Cauca y la subsecuente reacción al Plan Colombia, visto como un plan de guerra. Igualmente, se examinan la formulación del Plan Alterno y el programa de gobierno que sirvió de guía, no sólo para el gobierno de Floro sino también para las organizaciones sociales que compartían valores y principios que sobresalían frente a otros dominantes en la historia regional del Departamento y que asociaban a la clase política clientelista tradicional de los partidos.
Luego de esta discusión, en el capítulo tercero se pasa al análisis de la “Violencia política, inclusión y gobernabilidad”, donde David trata de establecer de qué manera los grupos armados, legales e ilegales, afectan el ámbito departamental en términos de gobernabilidad. Se ilustran las tensiones con el Gobierno central en cuanto a las autorizaciones para establecer negociaciones regionales y locales con los grupos armados ilegales; al tiempo que, basándose en estadísticas presentadas por otros autores que desarrollan estudios regionales3, se muestran el peso que tiene cada actor armado (FARC, ELN y grupos paramilitares) en el escenario departamental, y sus efectos y desafíos para la gobernabilidad del taita Floro. En el capítulo cuarto, “La práctica de gobernar y la cuestión de gobierno”, David aborda uno de los mayores desafíos del gobierno de Floro, y que tuvo que ver con la deuda heredada del gobierno anterior, el de César Negret, quien el 28 de diciembre firmó un acuerdo de refinanciación de la misma acogiéndose a la Ley 550 de 1999, la cual fue promulgada para “obligar a departamentos, municipios y entidades en riesgo o en crisis a cumplir con sus obligaciones financieras; mejorar sus procedimientos administrativos, financieros y contables, y garantizar sus contribuciones a los fondos departamentales de pensiones” (Ministerio de Hacienda y Crédito Público 2012: 3)” (p. 130). El examen es estadístico y muestra cómo, en efecto, frente a esta obligación -que significó un desfinanciamiento para la administración de Floro-, se afectaron no sólo las finanzas para atender asuntos urgentes sino también para llevar a cabo el Plan Alterno. El tema de fondo era revelar las limitaciones que se tuvieron en el logro de las políticas sociales que se propuso dicha administración. Esta ejecución es revisada en el capítulo quinto por David, bajo el título “Principio y práctica: la lucha para mejorar las políticas sociales”. Allí se plantea “lo que estaba en juego”: el reto de implantar una forma diferente de gobernar, con énfasis en categorías como “participación” y “equidad” efectivas, en sectores como Educación y Salud, y que por Ley deben atenderse. La apropiación de recursos a través del Sistema General de Transferencias no es tanto el problema, como sí lo es “la asignación de los recursos”. Existen, sin embargo, algunos principios positivos que caracterizan el proceso político alternativo regional en cuestión. éstos son examinados en el capítulo sexto, escrito por Diego, “La participación: una práctica entre el ejercicio de la ciudadanía y la acción comunitaria local”, donde discute la relación existente entre democracia y el tránsito de la democracia representativa a una participativa, tránsito que vincula directamente a los procesos y movimientos sociales desarrollados en las últimas décadas tanto en el país como en el Suroccidente, en particular, en el Cauca.
El capítulo séptimo nos introduce en cuatro estudios de caso que ilustran cómo el gobierno de Tunubalá los enfrentó y logró resolver. En todos los casos, se trata de mostrar una solvencia política y de gobernabilidad, donde la negociación se convirtió en una herramienta vital que caracterizó a su gobierno. El último capítulo, “Gobernador de todos los caucanos”, de ambos autores, presenta una recapitulación de lo que significó el gobierno de Floro Tunubalá, sus lecciones y aprendizajes, así como los alcances logrados en cuanto a participación, transparencia en la ejecución de los recursos, y el haber dejado el legado de que es posible alcanzar otra política diferente a la del clientelismo y la corrupción.
En síntesis, cabría preguntarse: ¿Cuál es el legado del libro En minga por el Cauca, que documenta el período de gobierno del taita Floro Tunubalá (2001-2003)? En primer lugar, deseo destacar la importancia de un trabajo inédito, en el que la academia -al menos un tipo de academia- se vincula directamente con la política, que pocas veces se muestra en las publicaciones. En efecto, es difícil encontrar un trabajo de esta naturaleza que ilustre cómo se vivió un proceso político regional, con sus alcances y limitaciones, desde “adentro”. Quizás, un énfasis en la intencionalidad política del libro pudo haber sido conjugado en la expresión “algunas lecciones de un proceso político regional”. Decimos lecciones porque, en efecto, éstas pueden deducirse de la experiencia y proyectarse tanto en el ámbito teórico como en el práctico. Así, el ejercicio de revisión de una experiencia política regional que nos presentan Diego y David nos ilustra que la división entre academia -léase teoría- y movimientos sociales -léase práctica- es falseada. Si bien algunas discusiones académicas-teóricas hacen parte de una comunidad cerrada, esto no tiene porque ser así. Las revisiones de experiencias de la vida política -regionales, cotidianas o locales- son escenarios vitales para que los investigadores académicos, no academicistas4, puedan contribuir a las conceptualizaciones de dichos escenarios y, en particular, aportar a las comprensiones de fenómenos que persisten y que evidencian desconocimientos en su dinámica. En este sentido, así como el texto muestra unas virtudes, también marca sus limitaciones. En primer lugar, no estoy seguro de que deba sostenerse la relación genealógica entre la ideología de izquierda y los movimientos sociales (capítulo 1). Creo entender que existe cierto grado de afinidad entre una situación objetiva que aprecia la ideología marxista y otra más subjetiva y vivida históricamente por los movimientos sociales, alas en su composición heterogénea (ver, por ejemplo, una discusión en Dagnino, 1998). Otra dimensión académica teórica-práctica es el uso acrítico de conceptos y expresiones como “Imperio y el Plan Colombia” (capítulo 2). Creo que el aporte de cierta academia a los movimientos sociales no es sólo la transferencia de aspectos ideológicos de lucha y contestación a planteamientos y condiciones ideológicas desiguales del Estado y de los partidos, sino también una propuesta crítica-constructiva consecuente con conceptos que se aplican en un contexto determinado. El uso acrítico de “Imperio” -referido al imperialismo estadounidense-, por ejemplo, no es consecuente cuando más adelante, en el capítulo cuarto, se indica que organismos como USAID, Chemonics y Associates in Rural Development de Estados Unidos financiaron parte del Plan Alterno de Floro.
Finalmente, en lo académico aparecen algunas “ingenuidades” en la interpretación de los datos, que demuestran también que, a veces, como académicos no estamos preparados para tratar el tema complejo del poder y los hechos políticos. Una de ellas refiere al reparo de que “Tunubalá fue dejado solo y tuvo poco o ningún apoyo de los líderes y agentes políticos del Cauca” (p. 259; cursivas nuestras), afirmación que contradice lo planteado a lo largo del texto, en el cual se cuestiona una clase política clientelista y politiquera. Existe la premisa de que en política hay que saber tratar con los opositores, y lo que se dio fue un distanciamiento preventivo, para no ser identificado con lo que se criticaba; de allí esta afirmación. Otra “ingenuidad” refiere al tema fiscal y de la deuda de la Gobernación antes del gobierno de Floro, y que es presentado en el libro como una de las grandes limitaciones, ya que se recibió un Departamento hipotecado (capítulo 4). El punto es: ¿Qué administración en el pasado no ha recibido una Gobernación endeudada? Se podría argumentar que la diferencia es que esta vez el gobierno anterior se acogió a la Ley 550 de 1999, pero que, de cualquier manera, tanto el gobierno de Floro como todos los anteriores gobernadores en la historia del Departamento salieron a flote en la parte administrativa y de manejo de los recursos. Tan fue así que entregaron un Departamento sano, para que la clase clientelista dirigente continuara en el siguiente período administrando el buen esfuerzo que ellos hicieron5. Otra ingenuidad es el manejo de las estadísticas, que no se revisaron en la composición de las categorías y en las correlaciones que se dieron entre ellas. Ello condujo a afirmaciones como la siguiente: “el 11% de los incidentes reportados fue enfrentamiento entre las Autodefensas Unidas de Colombia (AUC) y las FARC, lo que refleja la intención de los paramilitares por eliminar al grupo guerrillero” (p. 98). ¿Por qué debe asumirse que un mayor porcentaje tiene esta orientación, y no a la inversa? o ¿por qué no otras motivaciones? Es claro que en el conflicto, las acciones armadas tienen mucha fundamentación en la afectación y/o eliminación del adversario. En el campo de los movimientos sociales existe una oportunidad perdida para los autores, y refiere básicamente a no haber integrado en la discusión a líderes de aquellos colectivos que hicieron parte del Bloque Social Alternativo (BSA). Una presentación del material recopilado y discutido con estos actores seguramente hubiera contribuido a un examen más crítico, detallado y constructivo de cómo fue percibido el proceso desde afuera, incluso para proponer iniciativas que pudieran ser proyectadas en futuros intentos. Desde este punto de vista, el sentido de colaboración investigativa sigue siendo limitado.
Deseo cerrar esta reseña reiterando la virtud de este trabajo: introducirnos en un proceso político regional que, a pesar de lo transitorio, deja lecciones en distintos niveles y a diferentes comunidades de actores sociales y académicos. Si quisiéramos decirlo en otros términos, el libro nos lleva al corazón de las complejidades de la política regional, muchas veces sospechadas pero no reveladas, y en otras ocasiones reveladas, pero que expresan lo enrevesado de la problemática, entre otras, lo cual constituye una contribución importante. Por otro lado, también nos muestra que en la política de la alternatividad no se puede ser ingenuo al pretender transformar una realidad política en tan poco tiempo, máxime cuando esta realidad se encuentra afianzada en redes clientelistas, en la institucionalidad estatal y en prácticas gubernamentales arraigadas en el bipartidismo. De hecho, no hay referencia a la “movida política” previa a las elecciones conocida como Toconet (Todos contra Negret), y en la cual algunos partidos clientelistas terminaron apoyando la candidatura de Floro con el fin de contrariar al candidato de Negret. La variable temporal es fundamental para comprender y dimensionar los procesos de cambio de una cultura política regional que todavía se resiste a ser transformada, y que cada día se renueva a través de los partidos y la política clientelista. Para concluir: este libro debe ser leído y discutido no sólo por estudiantes de Política, Sociología, y Antropología, entre otras disciplinas, sino también por los mismos líderes y actores de los movimientos sociales, quienes podrán apreciar los aciertos y desfases de los hechos y de las interpretaciones que acompañaron este proceso de gobernabilidad regional; además de examinar las lecciones potenciales que se pueden deducir para futuros proyectos de transformación y gobernabilidad no sólo regionales, departamentales y del Suroccidente colombiano, sino igualmente de otras regiones del país donde el accionar de otros movimientos sociales alternativos también tiene un protagonismo destacado en la política local y regional.
Comentarios
* Gow, David y Diego Jaramillo Salgado. 2013. En minga por el Cauca: el gobierno de Floro Tunubalá (2001-2003). Bogotá: Editorial Universidad del Rosario y Universidad del Cauca, 294 páginas.
1 Taita en el pueblo misak, como en otros pueblos indígenas, refiere a una autoridad tradicional.
2 El pueblo misak, también conocido como guambiano, ocupa una amplia franja de la cordillera Central del departamento del Cauca (municipios de Piendamó -La María y Piscitau-, Silvia -Guambía, Ambaló y Kizgó-, Totoró, Morales -San Antonio y Bonanza-, Cajibío -Kurakchak-), Tambo (Guambiano) y Caldono (Siberia), en el suroccidente de Colombia. Debido a problemas de tierras, en años recientes, los misak¸ han buscado ampliar su territorio dentro del departamento del Cauca y en departamentos vecinos como el Huila (MinCultura, s. f.).
3 Lastimosamente, estas cifras no son revisadas y son presentadas sin sentido crítico. Por ejemplo, a partir de un 100% que se tipifica como “accionar y presencia de los actores armados en el Cauca”, se mezclan y suman categorías duplicadas como “FARC, ELN” y “Grupos Guerrilleros” o “AUC” y “Grupos paramilitares”. Asimismo, categorías como “estrategias militares con fines estratégicos” son asimiladas sin reparar en su conceptualización y su correlación con otras categorías mezcladas y sumadas, tales como retenes y otras formas de control, masacres, secuestros, etcétera.
4 Hay que reconocer que esta distinción requiere un trabajo teórico-práctico más elaborado, y que vincula categorías como “colaboradores”, “activistas”, e “investigadores” (para una aproximación en el caso de pueblos indígenas, en particular los nasa, ver Rappaport, 2008).
5 De esto queda, sin duda, una lección fundamental, como lo insinuó el taita Floro en el lanzamiento del libro en Popayán, el jueves 10 de abril de 2014, y es la enseñanza moral de que las cosas se hicieron, y lo más importante: se hicieron bien.
Referencias
Álvarez, Sonia, Evelina Dagnino y Arturo Escobar (eds). 1998. Cultures of Politics, Politics of Culture: Re-visioning Latin American Social Movements. Boulder, Westview Press. [ Links]
Dagnino, Evelina. 1998. Culture, Cititizenship, and Democracy: Changing Discourses and Practices of Latin American Left. En Cultures of Politics, Politics of Culture: Re-visioning Latin American Social Movements, Eds. Sonia álvarez, Evelina Dagnino y Arturo Escobar,pp.33-62. Boulder, Westview Press. [ Links ]
MinCultura. s. f. Consultado el 13 de abril de 2014, en: http://www.mincultura.gov.co/areas/poblaciones/noticias/Documents/Namtrik.pdf[ Links]
Rappaport, Joanne. 2008. Utopías interculturales. Intelectuales públicos, experimentos con la cultura y pluralismo étnico en Colombia. Bogotá, Universidad del Rosario y Universidad del Cauca. [ Links]
Jairo Tocancipá-Falla – Profesor titular. Departamento de Antropología y miembro del Grupo de Estudios Sociales Comparativos (GESC), Universidad del Cauca, Popayán, Colombia. Correo electrónico:jtocancipa@unicauca.edu.co
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O retorno do real – HAL (NE-C)
HAL, Foster. O retorno do real. Trad. Célia Euvaldo. São Paulo: Cosac Naify, 2014. Resenha de: LEONÍCIO, Otavio. O real e a História. Novos Estudos – CEBRAP, São Paulo, n.101, Jan/Mar, 2015.
Os problemas em torno dos quais O retorno do real se constitui são imensos. Eles têm pautado o pensamento e a prática de críticos e artistas desde meados dos anos 1960 – ou seja, há exatamente meio século; de um modo ou de outro, e sobretudo no que concerne à questão do significado da arte dita contemporânea, dizem respeito a uma questão crucial: a crise da concepção de história sobre a qual a arte vinha sendo (e,parcialmente pelo menos,ainda vem sendo) produzida desde o romantismo. Mais especificamente, a questão central de O retorno do real é a eventual superação de um “historicismo persistente que julga a arte contemporânea atrasada, redundante e repetitiva” (p. 30). Em certo sentido, portanto, Foster se vê aqui às voltas com os mesmos desafios e dilemas de uma geração de artistas e críticos que, como afirmou um de seus maiores expoentes, Robert Smithson, percebeu que “uma consciência transistórica emergiu nos anos sessenta”1.
A agenda de Foster não coincide, todavia, com a dos artistas sessentistas. Pois o que está em jogo para ele é também, e talvez sobretudo, a viabilidade de uma modalidade discursiva (a crítica de arte) que, desde o romantismo, busca o significado das obras de arte na interseção entre qualidade estética (vinculada à noção transcendental de experiência estética) e pertinência histórica (vinculada à situação das obras de arte no quadro geral da História da Arte). Ou seja, o que está em jogo para Foster são as condições de possibilidade de um discurso crítico cujos fundamentos em larga medida coincidem com o próprio advento (em fins do século XVIII) do historicismo – precisamente os fundamentos que a arte dos anos 1960 pôs em xeque. Quer dizer, diferentemente do que ocorre com boa parte da práxis artística dos anos 1960 e 1970, Foster pretende salvaguardar a prática crítica tradicional. Como? Dotando-a de um vocabulário conceitual “pós-histórico” (p. 25) não apenas operativo mas igualmente legitimável num ambiente de crescente desprestígio das “grandes narrativas” – as históricas, sobretudo2.
A solução encontrada por Foster lança mão do conceito de “neovanguarda”, compreendido aqui de modo idiossincrático, i.e., em termos da noção de “Nachträglichkeit” (“efeito a posteriori” ou, literalmente, “ação retardada”). Tomada de empréstimo à teoria psicanalítica, a noção supõe que “um evento só é registrado por meio de outro que o recodifica; só chegamos a ser quem somos no efeito a posteriori(Nachträglichkeit)”. Toda a argumentação de Foster parte pois da hipótese de que “a vanguarda histórica e a neovanguarda são constituídas de maneira semelhante, como um processo contínuo de protensão e retenção, uma complexa alternância de futuros antecipados e passados reconstruídos” (p. 46). Nessa perspectiva, supostamente cairia por terra o argumento (levantado por Peter Bürger em Teoria da vanguarda, contra o qual O retorno do realexplicitamente se volta)3 de que a arte dos anos 1960 se restringiria a uma repetição farsesca e acrítica das ações empreendidas pelas chamadas vanguardas históricas. Para Foster,ao contrário,a neovanguarda dos anos 1960 consistiria na plena efetivação daquilo que apenas de modo incompleto ou inacabado foi empreendido no início do século XX por movimentos como construtivismo, dadaísmo e surrealismo.
Obviamente, pode-se arguir o rendimento heurístico do modelo psicanalítico proposto por Foster, quer dizer, questionar em que medida ele constitui de fato um ganho de conhecimento sobre a arte dos anos 1960.Significativamente,a questão é levantada pelo próprio autor, o qual, numa nota de pé de página desconcertante, admite que “[a]inda que eu combine o desenvolvimento com o efeito a posteriori, minha extensão da (re)construção do sujeito individual até a (re) construção de um sujeito histórico é problemática”. Donde a dúvida: “Será que posso abordar historicamente a lógica do sujeito se meu modelo da história pressupõe essa lógica? Esse vínculo duplo seria produtivo ou paralisante”.
O fato de Foster ter ido adiante com seu modelo psicanalítico (sem o qual este livro não existiria) não dá por encerrada a questão. De fato, em termos epistemológicos, o livro apenas explicita os dilemas de uma geração de intelectuais progressistas que, tendo sido formada num ambiente francamente desconstrutivista, viu-se nos anos 1980 (ou seja, num contexto em que grassavam sem resistência institucional tanto Aids quanto Reaganomics) à procura de um aparato teórico porventura menos irrealista que o desconstrutivismo. A advertência de Foster acerca dos limites de sua própria empreitada intelectual, voluntariamente destinada a resgatar não todo e qualquer real, mas apenas a uma reconstrução subjetiva sua4, soa nesse sentido duplamente sintomática: por um lado, evidencia um incontido desejo de realidade; por outro, denuncia o mal-estar para com a própria noção de realidade – ao menos com relação àquelas noções de realidade que, advertidamente ou não, possam evocar uma referencialidade minimamente estável. Mais do que um dilema, a posição de Foster expõe a condição porventura aporética do projeto pós-pós-modernista, do qual Foster é um avatar. Significativamente, no capítulo final de O retorno do real, Foster se pergunta acerca das desconstruções operadas por Foucault e Derrida: “Esses pós-estruturalismos reelaboram os acontecimentos do pós-colonial e do pós-moderno criticamente? Ou servem de ardis por meio dos quais esses acontecimentos são sublimados, deslocados ou, ao contrário, desativados?” (p. 199). Enredado numa espécie de limbo epistemológico, Foster – como muitos de nós, aliás – procura abrigo num mundo pós-transcendental particularmente inóspito a desconstrutivistas não irrealistas e sobretudo não pluralistas (avessos portanto ao “falso pluralismo do museu, do mercado e da academia pós-históricos” [p. 7]).
O que a solução proposta por Foster revela, no entanto, é um vício de origem – qual seja, a suposição de que, como queria Bürger, a arte dos anos 1960 caracterizar-se-ia por um resgate (aos olhos de Bürger, acrítico e anacrônico, aos de Foster, deliberado e pertinente, porquanto produto de uma inusitada e lúcida “consciência histórica”) de práticas próprias às “vanguardas históricas”. De fato, nas palavras de Foster, “os artistas da década de 1960 tiveram de elaborar [os procedimentos da vanguarda histórica] criticamente; a pressão da consciência histórica não permitia nada menos do que isso” (p. 25). Este, de fato, o pressuposto não problematizado de O retorno do real: dar por suposto (contra inúmeras evidências de que o que de fato caracteriza a arte dos anos 1960 não é em absoluto o predomínio de uma consciência histórica, senão a emergência e disseminação de uma consciência meta ou anti-histórica) que a questão crucial para a neovanguarda seria “remodela[r] procedimentos da vanguarda para fins contemporâneos” (p. 8). Como se vê, a divergência de Bürger é apenas parcial, a diferença residindo no modo como um e outro interpretam um mesmo fenômeno, Bürger condenando-o, Foster exaltando-o.
Os limites insuperáveis de O retorno do real vêm daí. A começar pela evidente dificuldade do autor de dar conta da arte com a qual, aparentemente, tem maior empatia – o minimalismo. Pois se de um modo ou de outro o minimalismo (mas também uma parte importante da arte produzida em sua esteira) põe em xeque a ideia de vanguarda (em função justamente da consciência de seus vínculos com a visão de mundo historicista), Foster se revela incapaz de conceber quaisquer práticas artísticas “ambiciosas” que não sejam igualmente “avançadas” ou “inovadoras” (passim), ou seja, que não suponham a noção de “desenvolvimento histórico”. Dito de outro modo, o que Foster não parece estar pronto a conceber (a exemplo de Bürger) e mais ainda aceitar é – parafraseando T.J. Clark – uma arte sem futuro5. Donde o descompasso: ali onde uma parte significativa da arte dos anos 1960 e 1970 buscava conjurar uma experiência temporal meta-histórica (em cujo contexto o conceito de vanguarda simplesmente não faz sentido), Foster se empenha a todo custo em preservar a ideia e o valor não apenas da vanguarda, mas acima de tudo de uma historicidade supostamente inerente à arte – em suas palavras, a “historicidade de todas as artes, incluindo a contemporânea” (p. 33). De par com essa historicidade essencial, o que Foster pretende salvaguardar é a criticalidade da arte – mais especificamente, a criticalidade histórica da arte. Uma vez mais, estamos diante de uma posição axiomática. Pois, aos olhos de Foster, simplesmente não há criticalidade num ambiente em que predomina a “desatenção à historicidade” e no qual, portanto, a crítica resulta marcada pela “perda de influência histórica” (p. 13).
Os pressupostos modernistas dessa salvaguarda da historicidade da arte (e com ela de uma crítica baseada num conceito supostamente renovado de “desenvolvimento histórico”, não mais progressista e teleológico) são evidentes: com a noção de neovanguarda o que se quer preservar é uma tradição: a tradição do novo, i.e., de uma ideia de arte segundo a qual,como afirmou um de seus mais influentes praticantes – Harold Rosenberg –, “ter um lugar na história da arte é o valor”6.
Obviamente, Foster não há de concordar com essa leitura; de toda evidência, ele está convencido de que seu modelo alternativo de desenvolvimento histórico foi de fato capaz de complexificar categorias fundamentais como “causalidade”, “temporalidade” e “narratividade” (cap. 1, passim), e, assim, superar o modelo historicista de desenvolvimento, na qual a narrativa modernista se baseia. Até onde percebo, no entanto, o que Foster logrou superar não foi propriamente o modelo historicista, mas uma versão bastante simplória deste.
Não que Foster ignore a complexidade dos problemas teóricos com os quais está lidando aqui. Notadamente, o autor está a par da centralidade que aqui adquire a noção de evento – o fato de que, como adverte Zizek, uma das referências teóricas de O retorno do real, “o ponto crucial aqui é o status modificado do evento”7. Mas aqui também fica claro como o diálogo com Bürger resultou pouco produtivo. Pois a noção de evento que Foster pretende complexificar, tomada emprestada de Bürger, não vai muito além daquela que subjaz à boutade marxiana de que “todos os grandes acontecimentos da história mundial ocorrem duas vezes, a primeira como tragédia, a segunda como farsa” (p. 32). A escolha de Foster é curiosa – mesmo de parte um intelectual marxista; surpreende sobretudo que Foster tome como contramodelo uma noção tão estereotipada de evento histórico – noção que ignora a evidência de que o traço principal da noção de evento no contexto do historicismo não é nem a originalidade nem a autonomia, senão, conforme a formulação de Reinhart Koselleck, o fato de estar sempre pronto a “alterar sua identidade em função do status cambiante que adquire no progresso da história”8. Nessa perspectiva, fica claro como a noção de evento que Foster deriva de Marx (na qual, em parte pelo menos, se baseiam os realismos de um e de outro) deixa de lado a questão central do significado dos eventos num contexto epistemológico (o historicismo) comandado pela noção de “processo” – mais especificamente, por um processo que, como percebeu Hannah Arendt, “torna por si só significativo o que quer que porventura carregue consigo, adquirindo assim um monopólio de universalidade e significação”9. A suposição de que Foster logrou complexificar as noções de evento e, por conseguinte, de desenvolvimento histórico é, como se vê, enganosa. O que Foster complexificou foi um par de estereótipos.
A opção de Foster por operar a partir de tal contramodelo não é injustificada, contudo; ela se adéqua à perfeição a uma argumentação que pretende requalificar historicamente as neovanguardas, vistas não mais como repetição farsesca mas, alternativamente, como plena realização histórica. Uma vez mais, fica claro quão limitada é a divergência de Bürger. Pois a leitura de Foster permanece atravessada pelas noções – e, além dessas, pelos valores – tipicamente modernistas de autenticidade e originalidade. Afinal, o que Foster pretende sustentar por meio de seu modelo alternativo de desenvolvimento senão a tese de que as neovanguardas não são farsescas e espúrias? A argumentação de Foster é, de fato, sem ambiguidade: se as neovanguardas repetem eventos históricos, isso se deve ao fato de que, de acordo com o conceito de “efeito a posteriori”, sua primeira manifestação/ocorrência se restringiria apenas a uma dimensão incompleta, reprimida. Em vez de mera repetição, sua segunda ocorrência nos anos 1960 seria portanto da ordem do desrecalque de algo que por trinta, quarenta anos havia permanecido reprimido. O que a teoria de Foster sustenta, portanto, é a ideia de que, em sua integridade e plenitude, as ações retardadas da neovanguarda constituem um evento histórico autêntico, original, verdadeiramente vanguardista. Ora, mas uma posição de fato meta-historicista não deveria, ao contrário, simplesmente descuidar das noções de autenticidade e originalidade, não obstante os enormes problemas que esse deslocamento coloca para um sistema de arte dependente – hoje como ontem – da ideia de vanguarda?
O que Foster não é capaz de conceber, em revanche, é uma história que não seja desenvolvimental, isto é, que não se oriente naturalmente em direção ao futuro – mais especificamente, a um futuro entendido como “horizonte de expectativa”, i.e., como campo aberto a transformações mais ou menos utópicas. Dito de outro modo, desenvolvimento é compreendido aqui não como categoria adstrita a um regime de historicidade específico (o historicismo), senão como condição antropológica e transistórica,e nesse sentido insuperável, da experiência temporal humana. Como se vê, o argumento em favor de uma “historicidade de todas as artes” tem uma origem definida.
Que a defesa de um marxismo renovado (em contraste com o marxismo alegadamente ossificado de Bürger) esteja no centro da reflexão de Foster não é, como se vê, fortuito: é sempre preservar a ação historicamente empenhada – isto é, a ação empreendida na e para a “História” – aquilo que está em jogo aqui. Para Foster, afinal, prática artística ambiciosa é também, necessariamente, prática engajada. Dito de outro modo, aos olhos de Foster o que cabe à práxis artística não diverge muito do que cabe à ação política: viver no front da História, fazer com que esta avance, combater a ameaça de estagnação. O pressuposto tem, é claro, um desdobramento no âmbito da crítica: se não se faz arte ambiciosa fora da História, o mesmo se dá com respeito à crítica. Esta, de fato, a função precípua, e a decorrente legitimidade, da crítica modernista (mas também, como se vê, da crítica supostamente pós-modernista de Foster), cuja principal incumbência, na prática, é de fato a atribuição da situação histórica das obras, quer dizer, a definição do lugar preciso ocupado pelas obras de fato avançadas e inovadoras em cada etapa do “desenvolvimento histórico”. Tanto quanto a práxis artística, a atividade crítica deve pois obedecer ao preceito de que “a compreensão histórica não depende do apoio contemporâneo, mas um engajamento no presente, seja artístico, teórico e/ou político, é indispensável” (p. 11).
Mas, repare-se: tanto quanto o “engajamento no presente”, o argumento supõe um “presente” definido essencialmente como tempo e espaço de “engajamento”, quer dizer, como tempo e espaço de uma ação historicamente engajada e transformadora. Ora, como destacou Hans U. Gumbrecht, tal concepção do presente é um dos pressupostos mais básicos, ainda que tácitos, do historicismo. Segundo Gumbrecht, é de fato apenas no contexto do regime temporal historicista que “em cada momento presente, o sujeito deve imaginar uma gama de situações futuras que têm de ser diferentes do passado e do presente e dentre as quais ele escolhe um futuro de sua preferência”; é apenas nesse contexto que a “subjetividade pode integrar o componente de ação na autoimagem que ela oferece à humanidade. E é essa inter-relação entre tempo e ação que cria a impressão de que a humanidade é capaz de ‘fazer’ sua própria história”. Coerentemente, é também apenas nesse contexto que o tempo, compreendido como agente absoluto de mudança, “dá à inovação o rigor de uma lei compulsória”10. Como fica claro, modernismo e consciência histórica (mas também marxismo) são astros de uma mesma constelação epistemológica, em cujo centro jaz o regime de historicidade historicista. O que tal evidência expõe é o tamanho dos desafios que a crise do historicismo coloca para a crítica “progressista”. Pois o que está em jogo neste caso é nada menos do que a viabilidade não apenas de uma esquerda sem futuro (nas palavras de Clark, uma esquerda apta a “não ver uma forma ou uma lógica – um desenvolvimento desde o passado até o futuro”, e que portanto diz adeus às “reflexões [afterthoughts] e imagens da vanguarda”)11, mas de uma esquerda historicamente desengajada, ou pelo menos eventualmente disposta a engajar-se numa concepção alternativa de história. Não por acaso, Foster conclui O retorno do real indagando-se em que medida um sujeito pós-moderno disfuncional (o sujeito “suspenso entre a proximidade obscena e a separação espetacular”) não se limitaria a obedecer à lógica de “uma razão cínica [que] não elimina mas renuncia ao poder de ação [agency]” (p. 206).
Que o apego de Foster à episteme modernista/historicista constitui tanto a marca registrada quanto os limites de O retorno do real fica evidente na afirmação de que Michael Fried (como se sabe, o grande detrator do minimalismo)12 “é um excelente crítico do minimalismo não porque tem razão em condená-lo, mas porque, para ser persuasivo, tem de entendê-lo, e isso significa entender sua ameaça ao modernismo tardio” (p. 66). A tese é absurda; Fried jamais compreendeu o minimalismo, fenômeno que ele – como tantos outros depois dele, aliás – se restringia a ver do ponto de vista de sua suposta objetidade literal, uma visão que, como destacou Anne M. Wagner, é francamente reducionista13. O que tal afirmação deixa claro, no entanto, é a afinidade entre os fundamentos vanguardistas (e portanto modernistas/ historicistas) das práticas críticas de Fried e Foster.
Não surpreende, nesse sentido, que, não obstante a ressalva que faz à ênfase excessivamente fenomenológica que Rosalind Krauss dá ao minimalismo14, Foster tenda sempre a ver o minimalismo como expressão essencialmente fenomenológica e de tipo site specific (específico do lugar) – em suas palavras, como uma arte na qual o espectador “é instigado a explorar as consequências perceptivas de uma intervenção particular num determinado local [site]. É esta reorientação fundamental que o minimalismo inaugura” (p. 53). Que tal definição (afeita à obra tipicamente antiminimalista do segundo Robert Morris, mas também aos objetos e operações fenomenológicos de um Richard Serra) implica uma redução absurda do significado da obra crucial de Donald Judd é uma das consequências do enviesamento conceitual/ ideológico de Foster. Que ela não acomode, ou acomode de modo canhestro, no espaço minimalista a obra essencialmente antifenomenológica e anti-site specific de Robert Smithson, é outro. Numa chave psicanalítica, pode-se dizer que, em sua busca pelo desrecalque do real, Foster acabou reprimindo o real minimalista – algo, aliás, que Joseph Kosuth já havia destacado com respeito às construções historiográficas perpetradas ainda nos anos 1970 pelo grupo de críticos ao qual Foster está ligado, a começar por Krauss. De fato, como afirmou Kosuth, “a fácil assimilação do minimalismo no mainstream como mais um tipo de forma na história da escultura constitui basicamente a limpeza [cleansing] de seu peso filosófico”15.
Nada disso diminui a importância de O retorno do real. Publicado originalmente em 1996, mas contendo partes fundamentais apresentadas ainda em meados dos anos 1980, o livro deixa claro como as questões levantadas pela arte dos anos 1960 ainda pautam, e em grande medida assombram, a arte e a crítica atuais. Nesse sentido, a importância do livro está menos em seus achados que no modo como revela, ainda que involuntariamente, os desafios e dilemas que a crise do conceito moderno de história coloca para o pensamento crítico (ou metacrítico) contemporâneo, o de Hal Foster inclusive. Em tempo: a presente edição conta com tradução de Célia Euvaldo, especialmente eficaz na manutenção da fluidez da leitura16.
Notas
1 SMITHSON, Robert. “Ultramodern”. Arts Magazine, v. 42, nº 1, set.- out. 1967, p. 31. Minha tradução.
2 LYOTARD, JF. A condição pós-moderna. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004.
3 BÜRGER, Peter. Teoria da vanguarda. São Paulo: CosacNaify, 2008.
4 “Reprimido por numerosos pós-estruturalismos, o real retornou, mas como real traumático” (p. 46, n. 38). Em sua formulação original, tal restrição era ainda mais rigorosa: “Reprimido por vários pósestruturalismos, o real retornou – mas não um real qualquer, apenas o real traumático”. Foster, Hal. “What’s new about the neoavantgarde?”. October, v. 70, outono 1994, p. 29. Minha tradução.
5 CLARK, T.J. Por uma esquerda sem futuro. São Paulo: Ed. 34, 2013.
6 ROSENBERG , Harold. “O novo como valor”. In: ___. Objeto ansioso. São Paulo: CosacNaify, 2004.
7 ZIZEK, Slavoj, apud Foster, p. 46, n. 42. Minha tradução.
8 KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; Contraponto, 2006.
9 ARENDT, Hannah. “O conceito de história: antigo e moderno”. In: ____. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1988, p. 96.
10 GUMBRECHT, Hans U. “Cascatas de modernidade”, In: ___. Modernização dos sentidos. São Paulo: Ed. 34, pp. 15-16.
11 CLARK, T.J., op. cit. Minha tradução.
12 Cf. FRIED, Michael. “Arte e objetidade”. A/E Revista da Pós-Graduação em Artes Visuais, Rio de Janeiro, EBA-UFRJ, 2002, pp. 130-147.
13 WAGNER, Anne M. “Reading minimal art”. In: BATTCOCK, Gregory. Minimal art: a critical anthology. Berkeley: University of California Press, 1995.
14 Ver, em especial KRAUSS, Rosalind. “Sense and sensibility: reflection on post ‘60s sculpture. Artforum, v. 12, nº 3, nov. 1973, pp. 43-53.
15 KOSUTH, Joseph, “History for”. Flash Art, Milão, nº 143, nov.-dez. 1988, p. 101. Minha tradução.
16 Agradeço a leitura e os comentários de Marcelo G. Jasmin, Felipe Charbel e Henrique Estrada.
Otavio Leonidio – Arquiteto, doutor em História, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio.
Políticas da raça: experiências e legados da abolição e da pós-emancipação no Brasil | Petrônio Domingues e Flávio dos Santos Gomes
Organizado por Flávio Gomes e Petrônio Domingues e publicada em 2014, esta coletânea conta com um amplo estudo sobre o processo de abolição do cativeiro e seus desdobramentos nos anos posteriores à emancipação em diferentes regiões do país. Reunindo ao todo, dezessete capítulos, a coletânea apresenta diferentes perspectivas analíticas – metodologias e fontes – através do olhar de dezenove pesquisadores nacionais e estrangeiros. Nela, o leitor é convidado a refletir sobre um período da história brasileira em que muitas questões ainda permanecem sem resposta, representando uma grande contribuição para ampliação dos debates em torno da experiência afro-brasileira para além do mundo escravista. De norte a sul, nas áreas urbanas e rurais, os pesquisadores analisam o protagonismo negro em diferentes momentos, tais como: a promulgação da lei do ventre livre; a ação dos quilombolas; o movimento abolicionista e operário; republicanos de cor; trajetórias; miscigenação; linchamentos raciais; campesinato negro; biografia; experiência africana no sul do país; capoeiras; música e políticas da raça. Leia Mais
Agua Y Territorio (2013-2015) | Universidad de Jaén
A revista Agua y Territorio surgiu em 2013 como uma publicação editada pela Universidade de Jaén (Espanha) e patrocinada pelo Seminario Permanente Agua, Territorio y Medio Ambiente (ATMA), vinculado a Escuela de Estudios Hispanoamericanos de Sevilla, centro dependente do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC). A revista nasceu com uma vocação essencialmente eletrônica e pretende demarcar seu espaço no terreno acadêmico e científico internacional. O seu âmbito de influência é o mundo ibero americano e europeu, porém a sua aspiração, é abordar os problemas relacionados à água em qualquer parte do planeta.
O momento escolhido não poderia ser mais oportuno para o projeto lançado pela revista. A crise econômica atual e a incapacidade do sistema político fomentar a recuperação mediante uma decidida aposta por educação e investigação científica, produziram um pessimismo sem precedente na história da ciência espanhola. Considerando está conjuntura, a revista Agua y Territorio merece “boas vindas” por dois motivos: primeiro porque o projeto editorial e a equipe humana que promovem a publicação, contam com um importante apoio institucional; e em segundo lugar, porque mostra a audácia e generosidade de todos os envolvidos nesta aventura editorial. Leia Mais
Resíduos sólidos e responsabilidade civil pós-consumo / Patrícia F. I. Lemos
Trata a obra acerca da destinação dos resíduos sólidos e as respectivas responsabilidades pós-consumo. A autora levanta o questionamento sobre o que fazer com os resíduos não aproveitáveis, gerados após o consumo. A pergunta, aliada às questões atinentes à sustentabilidade, embora afeta às ciências da natureza, tem repercussões de imensa relevância para o estudioso do direito, principalmente no caso do Brasil que ainda está se desenvolvendo em uma política eficiente para a gestão dos resíduos sólidos.
A obra faz ainda uma abordagem específica da responsabilidade civil em relação a geração dos mais diversos resíduos sólidos após o seu consumo e as questões que norteiam as políticas de sustentabilidade e da gestão de resíduos, tanto no âmbito federal quanto local.
Inicialmente no Capítulo I a autora utiliza o Código de Defesa do Consumidor como parâmetro para demonstrar que um dos objetos da Política Nacional das Relações de Consumo é o atendimento das necessidades dos consumidores e da melhoria da sua qualidade de vida, o qual, segundo ela, justificaria a satisfação das necessidades do ser humano como um ato social. Ainda segundo a autora, na busca insaciável pelos desejos pessoais, sejam físicos ou culturais, o consumo acaba por apresentar reflexos que ultrapassam a pessoa do consumidor, uma vez que a elevação do consumo, por conseguinte, aumenta a produção dos resíduos, principalmente no meio urbano, no meio ambiente, na saúde pública e, em última análise, na própria qualidade de vida.
Partindo da premissa do elevado consumo e com o consequente aumento dos resíduos, a autora questiona quem vai responder pelos danos provocados por tais resíduos e quais os limites da responsabilização prevista na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), bem como no ciclo de vida dos produtos.
É aí que entra a questão da responsabilidade pós-consumo e a importância do consumidor na sociedade moderna, pois segundo a Constituição Federal, em seu artigo 225, todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e o consumo desenfreado afetaria diretamente esse pressuposto.
Nesse sentido a autora aborda a questão da entropia e padrões de consumo para justificar tamanho aumento, dividindo em entropia fisiológica, resultante da interação do homem com o meio ambiente, e entropia patológica, relacionada com o atual estilo de vida de consumo excessivo, informando que esse seria um dos maiores problemas da atualidade.
A obra também trata dos princípios aplicáveis à tutela dos resíduos, tais como a dignidade da pessoa humana, direito à vida, bem como dos essenciais à gestão dos resíduos sólidos, como o desenvolvimento sustentável, que é viabilizado pelo controle da produção e do consumo; informação e participação, que impõem o dever de preservação do meio ambiente ao Poder Público e à coletividade; poluidor-pagador; prevenção, dentre outros.
No Capítulo II, a autora destaca os resíduos sólidos e suas classificações, adentrando em algumas legislações atinentes à questão dos resíduos sólidos, falando da competência legislativa prevista na Constituição Federal, em seu artigo 24, bem como fundamentado no mesmo artigo quanto à competência da União para instituir as normas gerais, estabelecendo uma estratégia e os princípios de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A autora também trata dos resíduos como bens socioambientais que, por sua importância para as presentes e futuras gerações, acabam por gerar responsabilidade do proprietário ou do possuidor, tanto nas condutas comissivas quanto omissivas, diferentemente do que acontecia no direito romano, quando havia a perda da propriedade via abandono.
Há ainda a abordagem da visão objetivista dos resíduos, o qual a autora adota, na qual os resíduos são quaisquer substâncias que o detentor tem intenção de se desfazer, independentemente de que sua destinação seja a valorização ou a eliminação, trazendo à baila a questão da logística reversa, com previsão na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que viabilizaria o manejo dos resíduos sólidos e o retorno dos produtos pós-consumo.
Após, a autora faz a evolução legislativa de resíduos regulamentados, informando que já atento às modificações do meio ambiente decorrentes do descarte do denominado “lixo social”, o legislador, no ano de 1975, iniciou a criação de mecanismos para tentar impedir ou atenuar a poluição provocada por atividades industriais e materiais tóxicos sem destinação adequada após o consumo.
Corroborando a supracitada afirmação, houve diversas normas que fizeram as abordagens dos resíduos, já na tentativa de se precaver para o futuro, dentre as quais se destacam a Lei 7.802/79, que trata dos agrotóxicos, a Lei 6.803/80, que traça as diretrizes para o zoneamento industrial, a Lei 6.938/81 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), que tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida e as diversas Resoluções do CONAMA que até hoje servem de parâmetro legal.
No Capítulo III, que é o foco do livro, a autora adentra na questão da responsabilidade civil pós-consumo, desde as premissas teóricas, dentre os quais o nexo de causalidade, os respectivos danos e algumas espécies de responsabilidades.
Segundo a autora, a responsabilidade civil é fonte das obrigações de extrema relevância, estendendo seus efeitos sobre as relações obrigacionais, sejam elas contratuais, decorrentes do descumprimento dos deveres relativos próprios das obrigações, ou extracontratuais, que decorrem da violação dos deveres gerais de abstenção, omissão ou não ingerência que correspondem aos direitos absolutos.
A autora ainda destaca o nexo causal, desde o dano causado “corpore et corpori” à sua presunção, fixando ainda o nexo como elemento central da responsabilidade civil contemporânea, flexibilizados a serviço da prevenção e também como instrumento de proteção do indivíduo e seu meio.
Complementa ela que a ideia de uma responsabilidade preventiva não é nova, mas tem visto no desenvolvimento do nexo causal precioso fator de expansão, ao repousar as suas bases não mais em uma relação direta entre dano e agente, mas também na relação entre o dano e a potencialidade do agente de evitá-lo.
Tal função preventiva da responsabilidade civil, tão cara à problemática do pós-consumo, é, talvez, a mais representativa de uma flexibilização do nexo causal, em face da incapacidade da lógica natural de fornecer proteção a bens jurídicos tutelados por nosso ordenamento.
Por fim, a autora aponta o que chama de responsabilidade pós-consumo (do berço ao túmulo), destacando a importância dos gestores conforme previsão expressa na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n. 12.305/2010).
Segundo ela, em matéria de pós-consumo, o ponto nodal é a responsabilidade pelo ciclo de vida do produto: “do berço ao túmulo”. Assim tal responsabilidade se dá na “série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final” (art. 3º, IV, PNRS).
A autora ainda expõe sobre a atuação do Poder Público que considera fundamental na sistemática do pós-consumo, dividindo-a em competências legislativas, para elaboração de planos de resíduos sólidos nas esferas federal, estadual e municipal, estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, dentre outros; e material, com a utilização do Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente (SINIMA), de forma a viabilizar a correta destinação de resíduos e disposição de rejeitos; monitoramento e fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária, dentre outros.
Há ainda a previsão de responsabilidade subsidiária do Poder Público, nos termos do artigo 29 da Lei n. 12.305/2010, de forma a minimizar ou fazer cessar o dano quando tome conhecimento de evento relacionado ao gerenciamento de resíduos sólidos, lesivo ao meio ambiente ou à saúde pública, o qual a autora criticou o dispositivo legal, fundamentando que tal disposição enfraquece a sistemática da proteção integral e de responsabilidade compartilhada.
Por fim, a autora reitera a questão da logística reversa, que tem como fundamento a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, devendo ser entendida como um processo de planejamento, implementação e controle do fluxo efetivo e eficiente de matérias-primas, do inventário em curso, bem como dos bens acabados e da informação relacionada, desde o ponto de consumo até o de origem, tendo como propósito a recuperação de valor ou promoção até a sua disposição final ambientalmente adequada.
Portanto, denota-se claramente pela obra e do atual momento em que todos vivem na sociedade contemporânea que com o crescimento das necessidades, básicas ou socialmente induzidas e a correspondente promoção do consumo geraram o aumento de resíduos, principalmente no meio urbano, com repercussões em toda a coletividade, com enfoque no meio ambiente e na saúde pública, o que afeta diretamente o padrão e qualidade de vida de todos.
A autora ressalta que se fazem necessárias atuações de caráter preventivo, tais como educação ambiental, conscientização da população e a correta aplicação da questão envolvendo a responsabilidade civil para assegurar uma existência digna da sociedade como um todo, sempre respeitando a natureza e adotando padrões sustentáveis entre consumo e produção.
Assim, a responsabilidade pós-consumo está diretamente envolvida nas atividades econômicas, pois serve como instrumento de conciliação entre desenvolvimento e preservação ambiental e também não pode ser um empecilho para que não se possa promover o regular desenvolvimento do país ou da localidade em que haja produção de resíduos sólidos.
Conclui-se, portanto, que se faz necessária uma integração dos gestores de resíduos sólidos, nos termos estabelecidos na Lei n. 12.305/2010, para dar a adequada destinação ambiental dos mais diversos resíduos existentes no pós-consumo, cada qual nos limites em que possa atuar, mas sempre cobrando e fiscalizando de todos e visando o futuro ambientalmente saudável.
Bruno César Andrade Costa – Mestrando em Desenvolvimento Regional da Amazônia (UFRR). Especialista em Direito Ambiental (FACINTER). Advogado na Seccional de Roraima (OAB/RR). Graduado em Direito (Faculdade Cathedral de Ensino Superior).
LEMOS, Patrícia Faga Iglesias. Resíduos sólidos e responsabilidade civil pós-consumo. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. Resenha de: COSTA, Bruno César Andrade. Responsabilidade civil pós-consumo. Examãpaku – Revista Eletrônica de Ciências Sociais, História e Relações Internacionais, Roraima, v.8, n.3, 2015. Acessar publicação original. [IF]
Sociologia do Ensino Médio. Crítica ao Economicismo na Política Educacional – KRAWCZYK (ES)
KRAWCZYK, Nora. Sociologia do Ensino Médio. Crítica ao Economicismo na Política Educacional. São Paulo: Cortez, 2014. Resenha de: SILVA, Monica Ribeiro. Sociologia do Ensino Médio: crítica ao economicismo na política educacional. Educação & Sociedade, Campinas, v.36 n.130 jan./mar. 2015.
A universalização do acesso ao ensino médio apenas muito recentemente adentrou os horizontes da sociedade brasileira. O reconhecimento de sua condição de educação básica pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (LDB 9.394/96) e a ampliação do tempo de obrigatoriedade escolar, assegurada pela EC59/2009, sinalizam na direção de que, cada vez mais, o tenhamos como um direito. Importante conquista para um país que estruturou seu sistema educacional pela ampliação da base e afunilamento do acesso aos níveis mais elevados da escolaridade. Que relações existem entre a constituição do sistema educacional e a constituição mesma desta sociedade?
A obra Sociologia do Ensino Médio: crítica ao economicismo na política educacional nos coloca diante dessa interrogação elegendo um fio condutor que atravessa o conjunto da coletânea: as contribuições que uma sociologia crítica pode dar para o estudo das relações entre sociedade, Estado e educação. O ensino médio é considerado, para essa análise sociológica, por vezes como campo empírico e, outras, como categoria de análise. A compreensão do lugar central que ocupa o ensino médio no cenário educacional, dos mais variados países, deriva do acertado reconhecimento das controvérsias que cercam a definição de políticas para essa etapa da escolarização, bem como dos distintos agentes que protagonizam essa definição.
Outro aspecto nevrálgico presente nas análises da obra diz respeito ao tensionamento entre “informação” e “conhecimento”. Tal tensionamento se verifica seja na discussão sobre as finalidades do ensino médio em face da propalada “sociedade da informação e do conhecimento”, seja propriamente na produção do conhecimento sobre a educação, produção esta que tem oscilado entre a pesquisa séria e rigorosa, própria de uma sociologia crítica, e a pesquisa de viés pragmático, baseada na lógica da eficiência e da reprodução de “experiências bem-sucedidas” que o conceito de “quase-mercado” ajuda a explicar.
O ensino médio traz a marca da configuração social na qual ele se realiza. Esta afirmação por demasiado óbvia não é empecilho para que Mariano Fernandez Enguita, ao prefaciar o Livro, nos lembre, de forma contundente, a “[…] encruzilhada estrutural do sistema educativo […]” (p. 10) que representa ainda hoje a escola secundária. Encruzilhada acentuada pelas mudanças ocorridas na passagem do século XX para o XXI e que se traduzem emblematicamente na diversificação dos percursos formativos como aparatos de produção de distinção social. Do ponto de vista do estudante, tal encruzilhada se materializa, dentre outros aspectos, no esgotamento dos atrativos que a escola pode oferecer e na multiplicação das fontes de aprendizagem e de interação por meio dos ambientes digitais. A argumentação desenvolvida por Enguita faz com que, uma vez mais, nos coloquemos diante da indagação sobre a polaridade, complementaridade e/ou oposição entre informação e conhecimento. Qual sociologia poderia nos auxiliar na compreensão de processos – sociais e educacionais – tão complexos?
O eixo que perpassa Sociologia do Ensino Médio – o debate sobre os enfoques destacados na análise e definição de políticas educacionais – merece por parte da sua organizadora uma reflexão privilegiada. No texto de Introdução, intitulado “Conhecimento crítico e política educacional: um diálogo difícil, mas necessário”, Krawczyk assevera o quanto temos estado diante da presença de um enfoque economicista que marca o pragmatismo na pesquisa educacional e confunde, propositadamente, conhecimento com informação, qualidade com eficiência, avaliação com mensuração. A autora nos lembra o quanto nas últimas décadas a definição de políticas educacionais esteve embalada por essa visão economicista, desde, pelo menos, a construção e disseminação da Teoria do Capital Humano na década de 1950.
Em contraponto a essa perspectiva economicista, as análises presentes no livro trazem como referência uma sociologia crítica. Nesta direção, a Sociologia é entendida como a ciência que tem
[…] por objeto de estudo o conhecimento do mundo social, das relações sociais, e como propósito compreender como a sociedade age e se perpetua, suas possibilidades de reprodução e/ou transformação, incorpora necessariamente o estudo das práticas sociais produzidas por relações sociais historicamente determinadas […]. (p. 24).Uma perspectiva crítica da sociologia é aquela que toma seu objeto de estudo em sua historicidade e mostra as dinâmicas próprias dos processos de regulação social e suas contradições, bem como os tensionamentos presentes nas relações sociais.
No campo da educação, uma sociologia crítica, desde Bourdieu (KRAWCZYK, p. 25), é aquela que analisa “[…] as práticas de ensino e comunicação, entre outros, e como esses processos reproduzem as desigualdades sociais, étnicas e de gênero […]” evidenciando, a um só tempo que, conquanto a escola não seja simplesmente uma instituição a serviço das classes dominantes, tampouco ela é uma instituição neutra. Com base nessa perspectiva analítica é que se estrutura a coletânea.
Sposito e Souza se ocupam de nos fazer entender, a partir dos processos de construção da condição juvenil e das mudanças recentes na sociedade brasileira, a problemática do ensino médio. As autoras mostram que “[…] não obstante a denominada diversidade entre os segmentos juvenis é preciso considerar a existência de processos transversais de natureza social que afetam todos os jovens, quer sejam ou não estudantes […]” (p. 56). Disso decorre que “reconhecer diversidades implica admitir as transversalidades” e que estas incidem diretamente na relação dos jovens com a escola. As análises feitas no artigo “Desafios da reflexão sociológica para a análise do ensino médio no Brasil” exemplificam uma perspectiva não escolar da reflexão sociológica sobre a escola. (KRAWCZYK, p. 27)
“As relações com os estudos de alunos brasileiros de ensino médio” é o título do capítulo com autoria de Bernard Charlot e Rosemeire Reis. A partir de um estudo comparado, tendo por fonte a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é identificada a situação de atraso em que se encontra o Brasil quando se trata do acesso ao ensino médio. Os autores asseveram que a ampliação do acesso deve vir acompanhada da solução de problemas que aparecem quando um segmento social, antes excluído, adentra o sistema escolar. Nessa direção o texto problematiza o sentido da escola ou a recusa em estudar.
A concorrência entre escolas é um fenômeno universal ou condicionado? A indagação presente no texto de Agnes van Zanten parte da hipótese de que existem relações diretas e indiretas entre os estabelecimentos escolares situados em uma mesma área e que estas relações podem ser tipos diferentes “[…] a depender do fator predominante de regulação: o Estado, o mercado ou a comunidade […]” (p. 94). O estudo comparado entre países do continente europeu leva a autora a concluir que
[…] os sistemas educacionais que favorecem abertamente o desenvolvimento de políticas de concorrência entre estabelecimentos […], defendem esse princípio em nome de uma diversidade educacional desejada pelos pais e necessária ao desenvolvimento econômico e social (p. 121).De autoria de Maria Alice Nogueira e Wania Guimarães Lacerda o artigo “Os rankings de estabelecimentos de ensino médio e as lógicas de ação das escolas – o caso do Colégio de Aplicação da UFV”, discute o quanto a indução ao ranking entre escolas suscitados, especialmente, pela divulgação dos resultados das avaliações em larga escala interferem nas dinâmicas de organização das escolas.
As lacunas entre o que se pretende conceituar e as categorias criadas pelas ciências sociais para fazê-lo se assemelha a cavaleiros sem cavalo. A referência é feita por Guillermina Tiramonti aludindo ao desafio do tema a que se propõe desenvolver no capítulo final: “A escola moderna: restrições e potencialidades frente às exigências da contemporaneidade”. Com vistas a dialogar com vozes que sustentam a incapacidade da escola de ser mediadora da cultura contemporânea, o texto se desenvolve a partir de cinco análises/argumentos: o imperativo da inclusão e a insuficiência do dispositivo institucional moderno; as experiências destinadas à inclusão; a experiência das escolas de reingresso; a exigência da mudança cultural e a experiência das atividades extraescolares; e a gratificação e o desejo como suporte da atividade. Os argumentos nos levam a concluir, com a autora, quando ressalta os limites da escola em oferecer respostas aos imperativos da contemporaneidade: “por um lado, a sua organização baseada num currículo compartimentado” e, por outro “a subjetividade dos jovens que hoje acodem à escola” (p. 204).
Ao finalizar a leitura do Livro Sociologia do Ensino Médio, palavras contidas no último capítulo fazem ressonância nos textos anteriores. Necessário, portanto, reproduzi-las para que continuem ecoando e provoque outras análises e que, sobretudo, permita novas perguntas. Ao recuperar as razões do surgimento da escola na modernidade, Tiramontini nos faz lembrar:
[…] que todas estas funções (de integração social, de disciplinamento para o trabalho, de legitimação política) basearam-se numa definição cultural (o Iluminismo, a Ilustração) em referência à qual se organizou a instituição escolar […]. (p. 188).O surgimento da escola esteve deveras vinculado aos requisitos da economia. Essa constatação reafirma a relevância e pertinência de Sociologia do Ensino Médio: crítica ao economicismo na política educacional. Como cavaleiros sem cavalo, esta obra coloca-nos diante do desafio e da possibilidade de compreendê-la para além do economicismo vigente e situá-la no horizonte para além do quase-mercado.
Monica Ribeiro Silva – Universidade Federal do Paraná. E-mail de contato: monicars@ufpr.br
Bourdieu ou l’Héritage républicain récusé – ÉLIARD (ES)
ÉLIARD, Michel. Bourdieu ou l’Héritage républicain récusé. Toulouse, France: Presses Universitaires du Mirail, 2014. [Collection Sociologiques]. Resenha de: BASILIO, Juliana Regina. Os dilemas da escola republicana. Educação & Sociedade, Campinas, v.36 n.130 jan./mar. 2015.
Considerado um marco na construção da teoria da dominação cultural a que o primeiro autor dedicaria a maior parte de sua vida, o livro Os Herdeiros, de Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, muito contribuiu para fazer avançar a nossa compreensão sobre o lugar social da escola contemporânea. É ali que aparece pela primeira vez o conceito de capital cultural, apoiado por resultados de uma pesquisa empírica de fôlego. Não é, portanto, surpreendente que seu cinquentenário tenha dado ocasião para um retorno reflexivo sobre essa obra, marcado por seminários e várias publicações. O livro do professor Michel Éliard, Bourdieu ou l’Héritage républicain récusé (Bourdieu ou a recusa do legado republicano), é uma das muitas iniciativas desse tipo que tiveram lugar na França entre 2013 e 2014.
Michel Éliard é professor emérito da Universidade de Toulouse II – Mirail, França, onde trabalhou desde 1967, depois de colaborar em alguns dos trabalhos desenvolvidos no Centre de Sociologie Européenne. Participou, em particular, da pesquisa que deu origem a obra Os Herdeiros, tendo também coautorado o livro Les étudiants et leurs études (Paris: La Haye, Mouton) publicado no mesmo ano. Éliard fala, portanto, com a autoridade de quem se diz conhecedor dos bastidores e o tom confessional, ainda que um tanto ressentido, com que se rende à tarefa de discutir o livro revela isso:
Je n’ai jamais raconté mon rôle dans cette histoire mais le cinquantenaire de ce best-seller est l’occasion de donner ma part de vérité sur l’origine d’un livre qui continue à défrayer la chronique et qui, en 2014, le fera peut-être encore. (Éliard, 2014, p.38)
É nomeando-se como defensor da escola republicana que Éliard analisa a obra de Bourdieu. Seu argumento pode ser resumido da seguinte maneira: (i) a escola pública francesa é um legado precioso da III República, resultado de uma longa luta que se inicia com a Revolução de 1789; (ii) negar seu valor positivo implicaria na destruição da própria escola pública; (iii) a sociologia da escola, proposta por Bourdieu, faz uma crítica a essa escola, negando seu valor positivo, e, por isso, colabora para sua destruição.
Temos aqui, portanto, a afirmação da escola pública como um bem para a sociedade. Uma ideia, aliás, compartilhada por muitos outros autores. O que é mais surpreendente, e talvez menos sustentável, é a ideia de que críticas aos limites do modelo de escola republicana, forjado no século XIX, colocariam a perder esse legado.
Essa é uma chave importante para entender o livro que, desde o título, está organizado para tratar a obra de Bourdieu como um caso de recusa do legado republicano. A própria iconografia é mobilizada para estruturar esse argumento. Assim, a capa do livro traz a fotografia do autor e a de Condorcet, lado a lado. Se Condorcet aparece imponente, com um olhar focado e pose feita, Bourdieu aparece sentado, meio curvado, com os cotovelos sobre as pernas, as mãos juntas encostadas entre o queixo e a boca, a testa franzida e um olhar perdido, sem pose. Nada ao acaso, Condorcet (1743-1794), matemático e filósofo iluminista, que construiu um projeto de reforma da instrução pública na França em 1792, representa, ali, perante um Bourdieu que parece mergulhado em incertezas, o orgulho e a convicção da positividade do legado republicano.
Bourdieu ou l’héritage républicain récusé é composto de nove capítulos mais introdução e conclusão. Penso que podemos lê-lo em duas partes: uma primeira, composta pelos capítulos que apresentam, cada um a seu turno, os livros em que Bourdieu desenvolve progressivamente sua análise da escola: Les Héritiers (cap. II), La Réproduction (cap. III), La Noblesse d’État (cap. IV), e o livro póstumo Sur l’État (cap. VI). A segunda parte dedica-se de maneira mais minuciosa aos processos que levaram à construção da escola republicana francesa no decorrer da terceira república, às características específicas dessa instituição e, por fim, à discussão sobre a importância, para a classe trabalhadora, do controle do estado sobre o valor do diploma (caps. VIII e IX).
Ao longo do texto, Éliard confronta a crítica bourdieusiana aos limites da escola republicana com a defesa do seu legado positivo. A partir do capítulo VIII, no entanto, o argumento fica mais claro e compreendemos que, segundo Éliard, atribuir a perpetuação das desigualdades sociais à escola republicana, como faz a obra de Bourdieu, significa contribuir para sua decadência (p.12).
Além dessa crítica de fundo, que equivale a dizer que Bourdieu não compreendeu a natureza dessa instituição preciosa e particular, o autor procura mostrar que as conclusões de Os Herdeiros não são devidamente amparadas pelos resultados de pesquisa apresentados no livro. Os questionários utilizados não seriam suficientes para provar as hipóteses de Bourdieu e Passeron (p.39). Aplicados apenas aos estudantes dos cursos de filosofia e sociologia, não poderiam sustentar a generalização dos resultados para outras áreas. Além disso, haveria falhas na análise histórica, já que os autores teriam negligenciado a importância da conquista representada pela expansão do ensino gratuito e laico para a luta de classes.
Éliard desenvolve nesse ponto uma visão alternativa sobre a relação das classes trabalhadoras com a escola. Ele argumenta que a escola republicana é diretamente responsável pelo acesso das camadas menos privilegiadas à escola, ao garantir a autonomia desses grupos com relação à escola privada. Como consequência, a escola republicana ofereceria a importante contribuição de permitir a todos a apropriação das “conquistas culturais da humanidade”, isto é, da “cultura burguesa” (p.48).
Ele procura mostrar que à medida que foi tendo acesso à escola – por meio principalmente das fileiras profissionais -, a classe trabalhadora movimentou-se para que sua qualificação fosse reconhecida e para que os salários fossem atrelados a ela. A luta social que garantiu essas conquistas seria, para o autor, um atestado da capacidade emancipadora da classe trabalhadora. As reformas das décadas de 1960 e 1970, que instauraram o colégio único, aboliram as fileiras técnicas no nível de ensino que corresponde ao que se considera no Brasil como a segunda parte do ensino fundamental em nome da igualdade de chances. Residiria aí, para Éliard, o grande problema enfrentado pela escola republicana no final do século XX, já que a criação da escola única teria destituído os trabalhadores de armas muito eficazes para enfrentar a dominação capitalista.
Seria por não reconhecer a importância dessa conquista que Bourdieu e Passeron puderam tomar a origem social como variável explicativa para as desigualdades de desempenho escolar, abrindo caminho, segundo Éliard, não só para as reformas das décadas de 1960 e 1970, mas para os experimentos mais recentes em políticas de discriminação positiva que, segundo ele, além de não terem contribuído para a diminuição das desigualdades, teriam abalado o próprio edifício da igualdade de direitos.
O argumento de Éliard revela com bastante precisão a posição ambígua em que se encontram os analistas da escola republicana pelo menos desde que autores como Bourdieu revelaram sua contribuição à reprodução social: como enfrentar os seus limites sem abdicar dos seus benefícios? Acredito que esse livro apresenta esse problema embora não contribua para avançar na sua solução.
Referências
BOURDIEU, P.; PASSERON, J.-C.; ÉLIARD, M. Les étudiants et leurs études. Paris: La Haye, Mouton, 1964. [ Links ]
BOURDIEU, P.;. PASSERON, J.-C Les Héritiers: les étudiants et la culture. Paris: Les Éditions de Minuit, 1964. [Collection le sens commun]. [ Links ]
BOURDIEU, P.;. PASSERON, J.-C La reproduction: éléments pour une théorie du système d’enseignement. Paris: Les Éditions de Minuit, 1970. [Collection Le sens commun]. [ Links ]
BOURDIEU, P. La Noblesse d’Etat: grandes écoles et esprit de corps. Paris: Les Éditions de Minuit, 1989. [ Links ]
BOURDIEU, P. Sur L’État. Cours au Collège de France, 1989-1992. Paris: Seuil, 2012. [Collection Raisons d’agir]. [ Links ]
ÉLIARD, M. Bourdieu ou l’Héritage républicain récusé. Toulouse, France: Presses Universitaires du Mirail, 2014. [Collection Sociologiques]. [ Links ]
Juliana Regina Basilio – Doutoranda Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP., Brasil. Bolsista Capes e Fapesp. E-mail de contato: <pepebasilio@gmail.com>.
Claves | UR | 2015
CLAVES. Revista de Historia (Montevideo, 2015-) es una publicación semestral académica adherida a los principios de acceso abierto y normas de rigor científico de sus contenidos, impulsada desde el Grupo de Investigación “Crisis revolucionaria y procesos de construcción estatal en el Río de la Plata”, radicado institucionalmente en el Instituto de Ciencias Históricas de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad de la República, Uruguay.
Su propósito es la publicación de artículos académicos de Historia y disciplinas afines buscando ofrecer un espacio de encuentro entre investigadores que abordan temáticas, períodos y espacios geográficos diversos y que contribuyan desde su trabajo al desarrollo científico de la disciplina, tanto en sus aspectos teóricos y metodológicos como en los abordajes empíricos.
Entre las temáticas prioritarias que trata la revista podemos destacar la constitución de identidades colectivas, los conflictos sociales, las formas y los espacios de la política, los procesos de construcción estatal, las definiciones de fronteras y territorios, y la revisión de los relatos historiográficos tradicionales.
La revista contendrá artículos, notas y comentarios, reseñas bibliográficas, noticias de eventos y entrevistas. Una parte de los artículos de cada número corresponderá a un tema central, para el cual se hará una convocatoria específica. El idioma de la revista es el español, aunque se recibirán trabajos en portugués.
Periodicidade semestral.
Acesso livre
ISSN 2393-6584
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