Fundação Rockefeller e o desenvolvimento da Saúde Global: contornos locais e circulações internacionais | História Debates e Tendências | 2021

Fundacao Rockefeller undação Rockefeller

De tempos em tempos, a historiografia passa por transformações que impactam o trabalho dos historiadores e conduzem reavaliações em termos de perspectivas teóricas, conceituais e metodológicas. Tratam-se das reconfigurações nos modos de produção de conhecimento, que alteram os diálogos entre os integrantes de um campoi e produzem novas relações com outras áreas do saber.

O dossiê que apresentamos nesta edição da revista História: Debates e Tendências discute o papel da Fundação Rockefeller na saúde, em uma perspectiva histórica – com a contribuição de pesquisadores de diferentes gerações dos estudos sobre a agência internacional –, e sob a lente de dois conceitos que se impõem como desafios na atualidade: Saúde Global e Circulação. Leia Mais

História da saúde e das doenças: instituições, discursos e relações de poder / História – Debates e Tendências / 2021

BARRIERE Professores da Faculdade de Medicina História da saúde e das doenças

A saúde e as doenças não podem ser pensadas como conceitos estanques, a complexidade que envolve o estar são ou doente tem uma relação direta sobre como as sociedades interpretam e assimilam esses dois estados. Assim, a conceituação também está envolvida nas relações de poder, nas disputas discursivas que dizem respeito aos diversos comportamentos referentes à multiplicidade de doenças existentes.

O saber médico precisa ser problematizado nos diversos contextos, possibilitando ver como os discursos se articulam e garantem a sua condição de existência. Neste sentido, as representações sociais sobre as doenças estarão diretamente relacionadas com os mecanismos de controle, definição e exclusão dos indivíduos em diferentes conjunturas históricas. Leia Mais

História dos conceitos e história intelectual: conexões teórico-metodológicas / História – Debates e Tendências / 2020

A história dos conceitos e a história intelectual consolidaram-se, desde a segunda metade do século XX, como um dos principais campos de pesquisa da historiografia, dos seus focos e margens de inovação. Com efeito, sob o crivo e os desafios das ciências sociais, a tradicional história das ideias, desprovida de uma contextualização social, passou desde a década de 1950 por diversas mutações, geradoras de múltiplas vias e interrogações, num arco internacional de propostas metodológicas que tem enriquecido o debate sobre a História. Leia Mais

Conflitos agrários na América do Sul: história fundiária e agrária / História – Debates e Tendências / 2020

Pensar os conflitos agrários, em especial na América do Sul, sua relação com a história fundiária e agrária, em perspectiva local, regional e mundial, é premente e necessário à compreensão do aumento da fome e da desnutrição, em diversas sociedades. Atualmente, a fome atinge 820 milhões de pessoas, de acordo com o relatório da ONU publicado em 2019. Destes milhões de pessoas com fome, 513,9 milhões estão na Ásia (11,3% da população), 256 milhões na África (19,9%) e 42,5 milhões (6,5%) na América Latina e no Caribe, tornando-se, assim, o grande desafio para atingir uma das metas de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê fome zero até 2030.[1]

Esse problema perpassa por reflexões e estudos histórico, sociológico, antropológico, entre outros, dos processos estruturais e simbólicos de exclusão social, fruto da história da ocupação espacial através do apossamento, da expansão, expropriação e dominação que, por sua vez, processaram-se sincronicamente ao projeto “civilizatório” e “modernizante” de racionalização econômica, bem como da relação entre o acesso à terra, o desenvolvimento e as revoluções agrícolas. Leia Mais

Brasil-Polônia: Diálogos Histórico-Culturais / História – Debates e Tendências / 2020

A exuberante paisagem da Baia de Guanabara se desvela ao olhar sensível e atento dos poetas. A poesia, aliás, assim como a música, nos servem de linguagem para descrever o indescritível. Temos aqui um paradoxo. A linguagem escrita e falada que comumente utilizamos para nos expressar, igualmente nos impõe limitações para descrever com clareza nossos sentimentos, percepções e emoções.

Talvez por isso Tomasz Łychowski utilizou a poesia como forma de registrar suas impressões ao aportar no Rio de Janeiro em 1949. O caminho feito pelo poeta imigrante foi o mesmo de grande parte dos poloneses que desembarcaram na costa brasileira em grandes contingentes a partir do século XIX. Para muitos, a etapa marítima da viagem iniciava-se nos portos de Bremen ou Hamburgo, a partir daí singravam o Atlântico em direção ao Brasil. Apesar de não constituir o destino final da maioria dos imigrantes, a chegada ao Rio de Janeiro certamente ocupava um lugar de destaque no imaginário das famílias, pois representava um marco nessa jornada rumo ao desconhecido. Era o início de uma nova etapa em suas vidas. A maioria deles jamais retornaria à sua terra natal ou veria seus familiares novamente. A tęsknota za domem [1] se tornou uma constante. Leia Mais

História e imagens: visões dos processos sociais / História – Debates e Tendências / 2019

Neste número da revista História – Debates e tendências, apresentamos o dossiê “História e imagens: visões dos processos sociais”, no qual vários especialistas abordam o tema história a partir da perspectiva da utilização da imagem, seja fotografia, história em quadrinhos / charges, desenhos, pintura, arte urbana, como instrumento emergente para entender diversos processos sociais pretéritos ou contemporâneos. Conforme Didi-Huberman (2015), frente a uma imagem, o passado segue se reconfigurando constantemente, e a imagem só se torna fonte de reflexão a partir de uma construção da memória.

Assim, a dinâmica lógica de toda construção humana é mobilizada a múltiplas maneiras de ver e sentir a memória, como estrutura sociocoletiva (CANDAU, 2012; HALBWACHS, 1976); mas as múltiplas visões dessa memória vinculam-se também com os lugares (NORA, 1984), agindo como ferramenta alternativa para a conscientização a respeito de situações conflituosas, abrindo espaço para uma nova forma de crítica social, reafirmação de situações culturais e identitárias. Também rompem com velhos paradigmas sobre a abordagem do estudo da História, desde criação, aproximações estéticas da arte e diversas narrativas culturais ao longo do tempo. Leia Mais

Migrações: perspectivas e avanços teórico-metodológicos / História – Debates e Tendências / 2019

Veem-se os emigrantes partirem uns após os outros, veem-se os imigrantes chegarem uns atrás dos outros e uns seguindo os outros, mas só se compreende o que é a emigração lá e o que é a imigração aqui, posteriormente, quando o processo já está bem encaminhado, quando a duna já está formada.

A Imigração, A. SAYAD

E / imigração e refúgio estão na pauta central das discussões e políticas de Estado – especialmente na União Europeia e nos Estados Unidos –, resultado da pressão política e das demandas sociais, do aumento dos deslocamentos populacionais e multiplicação de campos de refugiados, somado às crescentes manifestações de ódio contra os imigrantes. As respostas da sociedade de recepção e as medidas implementadas pelos governos são múltiplas e variáveis: há o acolhimento, imigrantes “desejáveis”, políticas de proteção e inserção do imigrante / refugiado; mas também há movimentos de xenofobia, o endurecimento das leis imigratórias e o fechamento das fronteiras – simbolicamente, via adoção de uma postura anti-imigração, e fisicamente, com policiamento, construção de cercas e muros. Leia Mais

Ditaduras de Segurança Nacional no Cone Sul / História – Debates e Tendências / 2019

A desmemoria

“O medo seca a boca, molha as mãos e mutila. O medo de saber nos condena à ignorância; o medo de fazer nos reduz à impotência. A ditadura militar, medo de escutar, medo de dizer, nos converteu em surdos e mudos. Agora a democracia, que tem medo de recordar, nos adoece de amnésia; mas não se necessita ser Sigmund Freud para saber que não existe tapete que possa ocultar a sujeira da memória”.

Eduardo Galeano.

Nas décadas de 1960 e 1970, uma série de golpes de Estado nos países do Cone Sul deu início ao ciclo de ditaduras militares – ou civil-militares – na região, atingindo países como Brasil, Uruguai, Chile e Argentina. Estas ditaduras se estruturaram a partir das diretrizes gerais da Doutrina de Segurança Nacional (DSN), das orientações de estratégia da teoria da contrainsurgência norte-americana e da doutrina de guerra revolucionária francesa, instituindo, assim, a noção de “guerra interna”. Dessa forma, as Ditaduras de Segurança Nacional no Cone Sul criaram o “inimigo interno” – chamado genericamente de “subversivo” – e adotaram amplamente uma política repressiva baseada no Terrorismo de Estado, que ultrapassou os limites da “repressão legal”, permitida pelo arcabouço jurídicoconstitucional, utilizando “métodos não convencionais” – tais como o sequestro, a detenção ilegal, a tortura, o assassinato e o desaparecimento de opositores e seus cadáveres – para aniquilar a oposição política e o protesto social, fossem estes armados ou não. Como pano de fundo, tais regimes constituíram pressuposto essencial para a readequação das respectivas economias nacionais aos novos ditames do capitalismo mundial. Leia Mais

Especial 20 anos / História – Debates e Tendências / 2019

No ano de 2019, o Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade de Passo Fundo (UPF), completou 20 anos. Fomos a primeira universidade do interior do Rio Grande do Sul a implantar um programa de História, sendo a UPF uma instituição de perfil público não-estatal, definida como comunitária. Essa iniciativa demandou um trabalho árduo e constante de qualificação do programa, até obter o reconhecimento de sua maturidade que se deu em 2013 quando da aprovação do curso de doutorado, pela Capes.

Atualmente tendo como área de concentração História, Região e Fronteiras, o Programa tem seu eixo epistemológico representado por três linhas de pesquisa: Política e Relações de Poder; Espaço, Economia e Sociedade; e Cultura e Patrimônio, nas quais atuam docentes permanentes titulados em diferentes instituições do Brasil e do exterior, e docentes colaboradores e visitantes que transitam frequentemente para ministrar disciplinas, compor bancas e participar de projetos de pesquisa em redes, entre outras atividades inerentes ao stricto sensu. Leia Mais

História e música / História – Debates e Tendências / 2018

Sófocles [1], logo no início de sua tragédia mais famosa, introduz um personagem crucial para explicar as atribulações que cercam Édipo. O personagem é Tirésias, um velho adivinho (e figura recorrente na mitologia grega) que chega conduzido por um menino. Interessado em descobrir o assassino do Rei Laio e salvar Tebas, Édipo interpela Tirésias sobre o que sabe a respeito. O diálogo é ríspido e logo tira a paciência de Édipo, pois Tirésias se recusa a revelar qualquer coisa. É então que Édipo usa um argumento surpreendente, acusando Tirésias de ser o articulador do crime, dada sua recusa em colaborar: “Pois bem. Não dissimularei meus pensamentos, tão grande é minha cólera. Fica sabendo que em minha opinião articulaste o crime e até o consumaste!”. Depois da acusação, Tirésias “vira o jogo”; de “encurralado” pelas insinuações maldosas passa a assumir a condição de agente da “impávida verdade” e põe “na mesa” aquilo que Édipo jamais sonhara: “Pois ouve bem: és o assassino que procuras!”; e, na sequência, referindo-se ao casamento incestuoso com Jocasta: “Apenas quero declarar que, sem saber, manténs as relações mais torpes e sacrílegas com a criatura que devias venerar, alheio à sordidez de tua própria vida!”. Leia Mais

Região e Fronteiras / História – Debates e Tendências / 2018

A noção de fronteira apresenta um conteúdo polissêmico, pois seu significado varia de acordo com o campo em que este conteúdo é produzido e em consequência das mais diferentes linhas teórico-metodológicas adotadas pelos estudiosos. Para os historiadores, normalmente as fronteiras são entendidas no seu sentido tradicional de fronteiras políticas, bem como no sentido de locus do encontro de culturas diferentes.

No atual cenário socioeconômico decorrente da globalização, as fronteiras revelam um mundo poroso e complexo, marcado por relações que se alimentam de um conjunto de fatores para além do econômico-financeiro. Multiplicam-se fluxos de população; as regiões tornam-se mais móveis; e as fronteiras, mais deslizantes, mais multiculturais e interligadas, evidenciando as diferenças raciais, culturais, religiosas, econômicas e históricas. Leia Mais

História do mundo rural e movimentos sociais / História – Debates e Tendências / 2017

Compor um dossiê tendo por objeto a história do mundo rural e movimentos sociais é oportunizar um espaço de reflexão, discussão e divulgação de problemáticas da história pretérita e atual. O referido dossiê centra a investigação em três eixos temáticos: o mundo rural, a propriedade da terra e os movimentos sociais. Eles possibilitam discutir as temáticas, as metodologias e as teorias de estudos e pesquisas por meio da relação entre história agrária, história da agricultura, ocupação e apropriação da terra, conflitos fundiários, movimentos sociais, fronteiras agrárias e políticas, relações socioculturais e grupos sociais rurais. A perspectiva que aproxima e aglutina esses estudos é a do mundo rural e dos movimentos sociais latino-americanos e brasileiros, em interação com os demais territórios. Busca-se interface entre história, antropologia, geografia, sociologia rural e direito, procurando discutir as várias realidades rurais, na perspectiva do regional, em seus múltiplos desdobramentos. Leia Mais

Arqueologia e cultura material / História – Debates e Tendências / 2017

Este dossiê se circunscreve na importância que a arqueologia e a cultura material adquiriram na última década, potencializadas pela complexa legislação de defesa do patrimônio, criadas e em vigência nos países da América do Sul. Em consequência, multiplicaram-se as demandas de profissionais para as diversas áreas de estudo e preservação dos patrimônios materiais e imateriais. Como resultado dessa nova realidade, a Universidade de Passo Fundo passou a ofertar um curso de Especialização em Cultura Material e Arqueologia, abriu vagas para pós-graduandos para mestrado e doutorado nesses temas, constituiu o seu Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (Lacuma), vinculado ao Núcleo de Pré-História e Arqueologia (NuPHA), do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), além de desenvolver diversos programas educativos e de formação.

Esta publicação refere as legislações específicas, analisa as mudanças na definição da Unesco em termos de contextos temporais, sociopolíticos, filosóficos e culturais. No geral, quando se trata de políticas públicas, os profissionais estão sempre diante do dilema de que, socialmente, a construção e a geração de necessidades para criação de patrimônios culturais vêm de grupos hegemônicos, portanto, seu uso é imposto para a sociedade, quase sempre com a intenção de afirmar uma memória confortável. Leia Mais

História ambiental e rural / História – Debates e Tendências / 2016

Ao propor este dossiê da revista História – Debates e Tendências tínhamos duas intenções: a primeira era a de evidenciar um campo de estudos da História, o mundo rural, que abre possibilidade a uma grande amplitude de temas; a segunda intenção era enfatizar que a história ambiental tem, nas pesquisas contemporâneas, fortes e importantes vínculos com a história rural. Compreendemos o mundo rural como um vasto campo de estudos historiográficos que engloba interações humanas com o meio ambiente, produção agrícola e pecuária, extrativismo, mudanças socioambientais, usos da água, discursos e representações sobre a natureza, relações socioculturais, política e relações de poder, construção de paisagens, acesso e propriedade da terra, legislação agrária, conflitos agrários, relações de trabalho no campo, fronteiras agrícolas, movimentos sociais rurais, entre outros temas. Leia Mais

História e linguagens: usos historiográficos / História – Debates e Tendências / 2016

 

MEYRER, Marlise Regina; GODMANN, Glen. Editorial. História – Debates e Tendências, Passo Fundo- RS, v. 16, n. 2, jul / dez, 2016. Acesso apenas pelo link original [DR]

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Brasil e Angola: redes de poder e governança / História – Debates e Tendências / 2015

Brasil e Angola são países que têm relações históricas e culturais comuns. Além de partilharem o mesmo idioma, o português, ambos os países tiveram o mesmo colonizador, Portugal. Muitos angolanos, em decorrência do processo de escravidão, vieram ao Brasil e aqui fizeram sua morada, constituíram família, miscigenaram-se, integrando-se ao grande “caldeirão cultural” que forma o povo brasileiro.

O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, em 11 de novembro de 1975. E a cada ano percebe-se o estreitamento das relações entre esse países, em especial na área econômica. Mas, a meta a que se pretende intensificar nos próximos anos é aproximar Brasil e Angola também na educação, nas ciências, na atividade investigativa e na pesquisa científica. Leia Mais

Guerra do Paraguai / História – Debates e Tendências / 2015

A 150 anos do Grande Conflito do Prata: diversas questões, diversos olhares

Em 30 de agosto de 1864, o governo paraguaio declarou solenemente que a intervenção militar do Império do Brasil na República do Uruguai constituiria razão de guerra, ao agredir o “equilíbrio dos estados do Prata” e seus interesses nacionais. Em 12 de outubro, um destacamento do exército imperial penetrava na República Oriental del Uruguay e assaltava a vila de Mello, sede administrativa do departamento de Cerro Largo. Em 20 de outubro, com o acordo secreto de Santa Lucia, promovido pelo almirante Tamandaré, Venâncio Flores aceita as exigências do Império do Brasil, que, em poucos meses, liquidou o governo constitucional blanco uruguaio, entronizando o ditador colorado.

O governo paraguaio encontrava-se já com os pratos praticamente rotos com os unitários portenhos que dominavam o país desde a batalha de Pavón, em 17 de setembro de 1861. O controle imperial do porto de Montevidéu punha sob sursis o comércio internacional da República do Paraguai, com graves pendências fronteiriças com o Império do Brasil. A interrupção do comércio internacional assentaria golpe, talvez mortal, à ordem lopizta, apoiada na extroversão mercantil do país, no contexto de sua independência e autonomia. Leia Mais

Imigração e relações interétnicas / História – Debates e Tendências / 2014

Em cada momento histórico, fatores específicos particulares foram / são propulsores dos movimentos migratórios, sejam eles internos ou internacionais, mas têm por finalidade última a busca dos migrantes por encontrar melhores condições de sobrevivência para si e os seus. Os impactos provocados pela migração manifestam-se tanto no local de partida quanto no local de chegada e somente são perceptíveis a posteriori. Para o sociólogo Abdelmalek Sayad, é a disponibilidade de trabalho que atrai os e / imigrantes, e é a ausência deste que os relega à condição de não ser e, logo, à condição de dispensáveis, responsabilizados pelos problemas sociais. Assim, o e / imigrante vive em uma constante situação de atração e expulsão.

O e / imigrante é o mesmo e o outro; só surge na sociedade que assim o denomina ao transpor suas fronteiras. A migração coloca em contato direto ou indireto grupos étnicos distintos, em uma relação de alteridade, bem como populações de um mesmo grupo étnico e nacionalidade, mas procedentes de regiões diversas, realocados em um novo espaço. Conforme Fredrik Barth, esse mosaico de origens implica na seleção e (re)atualização de elementos de diferenciação, delimitando e reforçando a fronteira étnica, quando em contato com o outro; todavia, essas fronteiras são diluídas e mutáveis. Para Jeffrey Lesser, a identidade do sujeito é situacional, visto que os grupos étnicos constroem uma identidade homogênea e coesa, que é externalizada, mas internamente elaboram múltiplas identidades, sejam sociais, religiosas, econômicas, políticas, culturais. Leia Mais

Primeira Guerra Mundial / História – Debates e Tendências / 2014

A Primeira Guerra Mundial é considerada pela historiografia como a primeira grande guerra moderna em que morreram mais civis do que militares. As consequências imediatas daquele grande conflito foram os oito a nove milhões de mortos, os trinta milhões de feridos, o redesenho geopolítico da Europa, com o surgimento de vários novos países e a extinção de quatro grandes impérios.

Havia, na Europa, um cenário montado, propício para a eclosão de um conflito de grandes proporções. Por isso, quando, em 28 de junho de 1914, o arquiduque austríaco, herdeiro do trono, Franz Ferdinand foi abatido a tiros pelo nacionalista sérvio (ou terrorista ao gosto de uma linguagem atual) Gravillo Princip, o barril de pólvora sobre o qual estava assentada a estabilidade europeia explodiu. Leia Mais

Nação, nacionalidade e nacionalismo na América Latina: séculos XIX-XX / História – Debates e Tendências / 2013

Desde a última década do século XX, os estudos sobre a nação, a nacionalidade e o nacionalismo, como fenômenos históricos, sofreram verdadeira impugnação de seus enfoques por parte de uma literatura conservadora ancorada no pensamento único e nas propostas de pós-modernidade e do fim da História, hoje já desarticulados pelo presente cenário global. Mais do que nunca, podemos dizer que as visões originais sobre nação, nacionalidade e nacionalismo contribuíram – e ainda contribuem – a explicar de maneira eficaz o devir da história contemporânea, desde fins do século XVIII até nossos dias.

No referente ao estritamente historiográfico, podemos identificar algumas correntes referenciais que contribuíram para enriquecer, desde diferentes enfoques e perspectivas, os conceitos de nação, nacionalidade e nacionalismo, desde suas origens. Um primeiro corpus fundacional foi encarnado pelas revoluções liberais. Foi a Revolução Francesa que nos proporcionou uma concepção política de nação, de soberania popular, de liberdade política e de nacionalidade. Para os revolucionários franceses, a nação era uma união de vontades – eleitas livremente –, constituída sobre os cimentos de um contrato social do qual resultava a adesão voluntária de seus membros associados em suas condições de cidadãos livres. A contraposição dessa noção de nação foi proporcionada pelo romantismo alemão, que a associou a um direito natural “essencialista”, apoiado em critérios raciais, culturais e espirituais. Leia Mais