Mulheres e criações artísticas na História: tramas e poderes / Dimensões / 2020

A historiadora da arte Gisela Breitling escreveu em capítulo publicado na coletânea Estéticas Feministas a seguinte frase: “De repente, me dei conta de que era sobretudo um problema de linguagem, de falar ou de sufocar, de um discurso artístico que tentava quebrar um voto de silêncio de mais de mil anos” (1986, p. 214). Ela vinha tentando responder à pergunta de como as artistas mulheres estavam elaborando, na esteira dos movimentos de emancipação dos anos 1970, um discurso próprio, ou seja, uma estética que ela chamou feminista. Essa nova linguagem irrompeu como uma força vital e criativa que levou as mulheres a colocarem questões com a ousadia de respondê-las, sendo esta disposição parte de um lento processo subversivo de desconstrução de representações e de um lugar social feminino estagnados na sociedade. Contudo, para a autora, ao passo que o problema de linguagem foi identificado, paradoxalmente, outro se impôs, revelando a tragédia oculta “da falta de tradição artística das mulheres, bem como de sua história silenciada” (1986, p. 214). No seio dessa contradição, as artistas desbravaram possibilidades de expressão, buscando novas imagens de si mesmas, principalmente, e como consequência, começaram a encontrar o caminho para abalar a falsa universalidade do masculino. Leia Mais

Estudos africanos: novas perspectivas historiográficas / Dimensões / 2019

Em meados do século XIX, Hegel (1995, p. 174), em sua Filosofia da História, exprimia uma percepção extremamente pessimista em relação à História da África: “[a África] não faz parte da história do mundo. Não tem […] progressos a mostrar, movimentos históricos próprios”. A visão de Hegel acerca do continente, sobretudo de sua parte subsaariana, negava a possibilidade de sua historicização, colocando-o na posição de figurante de um passado centrado na Europa. Ecos da perspectiva hegeliana ainda repercutiam nos meios acadêmicos em pleno século XX, como demonstra Fage (2011, p. 8-9), ao reproduzir a fala do famoso professor de Oxford, Sir Hugh Trevor-Roper, que afirmara, em 1963, não haver uma História da África, mas tão somente a dos europeus no continente.

Carlos Lopes (1995), em seu clássico artigo A pirâmide invertida: historiografia africana feita por africanos, explicita a existência de três grandes correntes historiográficas associadas aos Estudos Africanos, cada qual, segundo ele, ligada a um contexto político / acadêmico próprio: a denominada corrente da inferioridade, identificada com o período colonial em África; a da superioridade, associada ao pan-africanismo e à descolonização; e o que o autor guineense intitulou de novos estudos acerca do continente, que se aproximam, em grande medida, de perspectivas interpretativas pós-estruturalistas. Leia Mais

Minorias, poder, saberes e trocas culturais: do Império Romano ao medievo / Dimensões / 2019

Com imensa satisfação fazemos a apresentação desta coletânea internacional de artigos que constituem este dossiê em homenagem a uma musa dos medievalistas brasileiros e latino americanos – Adeline Rucquoi (França). A apresentação da pesquisadora ficou a cargo de dois colegas, e não seremos redundante. Seu brilho, sua obra e seu caráter justificariam uma terceira homenagem, mas a modéstia dela não nos permite este exagero.

Tudo começou no pós-doutorado do professor Sérgio Alberto Feldman no EHESS entre 2012 e 2013, em que foi tratado com carinho e imenso respeito e apresentado a pesquisadores diversos. Assim nos juntamos, Sérgio Alberto Feldman e Leni Ribeiro Leite, para homenageá-la nesta obra coletiva, e este é produto. Agradecemos a Dra. Patrícia Merlo, editora incansável da Revista Dimensões, ter aberto este nobre espaço de divulgação. Leia Mais

Percursos históricos: ciência, tecnologia e meio ambiente / Dimensões / 2018

Este dossiê especial da Revista Dimensões conduz o leitor, a partir da ciência histórica, a direcionar sua atenção para uma visão interligada de temas sempre atuais: ciência, tecnologia e meio ambiente. Com artigos que abarcam o início desses temas no mundo da história, a partir do século XVIII, as discussões propostas objetivam revelar as transformações nas sociedades, entrelaçadas com os impactos provocados pela ciência e tecnologia nos diversos meio ambientes, seja no cotidiano urbano ou rural.

Os constantes avanços na ciência e na tecnologia ao longo dos anos trazem novos desafios e oportunidades na construção da historiografia que se dedica a esses temas. A necessidade de compreender a fase atual do desenvolvimento global, provocada por esses avanços, traz consigo uma certa urgência: o impacto crescente no meio ambiente de todas as sociedades e suas muitas ramificações. Não falamos aqui apenas dos impactos sociais, econômicos e culturais, mas também do processo de politização da ciência ambiental, que carece de uma análise mais aprofundada. Leia Mais

A trajetória da cidade na história / Dimensões / 2018

A invenção da cidade encontra-se em tempos imemoriais, mas a sua trajetória pelos tempos históricos deixou evidências que muito tem a nos contar sobre os espaços urbanos e a vida em seus domínios, na longa duração. Elas estão presentes nos vestígios arqueológicos, nas representações artísticas, nas obras literárias, na fotografia, nos estudos, planos e projetos, nos documentos oficiais, entre tantas outras formas de registro sobre os quais debruçam-se pensadores de múltiplas áreas do conhecimento, com seus métodos e procedimentos específicos, na tentativa de desvendar o fenômeno urbano. Esses elementos formam as utensilagens que irão contribuir para a análise historiográfica das cidades.

Polissêmica, a cidade possibilita diversas formas de leitura. Para interpretá-la podemos observá-la por diferentes ângulos, ora privilegiando aspectos físicos e morfológicos, ora os aspectos da paisagem e da evolução urbana, ou ainda da sua rede de infraestrutura, materiais e técnicas de construção. Também podemos fazê-lo pelo viés das estruturas e relações sociais, dos processos identitários ou das sociabilidades urbanas; por meio dos movimentos sociais, ou pelo viés da política, da economia, da cultura, entre tantos outros aspectos possíveis. Leia Mais

Circularidade, identidades e imaginário político no Mundo Ibérico / Dimensões / 2016

Os artigos que compõem o dossiê Circularidade, identidades e imaginário político no Mundo Ibérico procuram apresentar reflexões sobre os ibéricos e suas interações sociais, políticas e culturais da Antiguidade Tardia até a Modernidade. Dialogando com diferentes temporalidades e objetos, as pesquisas aqui apresentadas revelam um pouco da variedade de temáticas, usos de fontes e possibilidades de diálogo com diferentes metodologias para uma compreensão mais rica do mundo ibérico.

O primeiro artigo De la biografia a la hagiografia em época visigoda: Félix Detoledo y la vita sancti Iuliani é de Ariel Guiance, professor titular de História da Idade Média na Universidade Nacional de Córdoba. Seu texto é sobre Félix de Toledo, um bispo no reino visigótico, que escreve uma biografia de seu antecessor Juliano de Toledo, que se transforma numa hagiografia na Hispânia Goda. Leia Mais

Relações de Poder e Gênero na História / Dimensões / 2016

A revista Dimensões tem a satisfação de apresentar o dossiê Relações de Poder e Gênero na História. Por se tratar de um chamado aos estudos das relações de gênero e sua subjetividade com base nas relações históricas de poder, este dossiê parte da premissa de que os padrões de comportamento dinâmicos vigentes na história têm como base as estratégicas adotadas por homens e mulheres para conviverem e se posicionarem nos espaço das organizações consideradas como de fundamental importância para a sociedade.

Procurando estimular reflexões sobre as questões relacionadas às relações de poder e solidariedade entre homens e mulheres, os treze artigos que compõem o dossiê exploram aspectos significativos da temática em foco. Leia Mais

América Latina independente: história, política, cultura e território / Dimensões / 2015

Em setembro de 2014, a Universidade Federal do Espírito Santo e a Universidade Nacional Autônoma do México estabeleceram um convênio de colaboração. O primeiro fruto desse convênio é o Dossiê “América Latina independente: história, política, cultura e territórios” do número 35, referente ao segundo semestre de 2015, da Revista Dimensões que, com muita satisfação, apresentamos aos leitores.

A resposta obtida à convocatória para este dossiê foi muito além de nossas expectativas. Recebemos mais de trinta artigos, enviados por colegas de universidades de todo Brasil, além de latino-americanas e europeias. Esta ampla resposta denota também a internacionalização da Revista Dimensões, publicação do Programa de Pós-graduação em História da UFES, que se consolida como um espaço de prestígio entre as publicações acadêmicas latino-americanas. Para produzir o dossiê contamos com a colaboração de aproximadamente setenta e cinco pareceristas, brasileiros e hispano-americanos, que generosamente nos apoiaram na avaliação e seleção final do material para publicação. Leia Mais

História da Saúde e das Doenças / Dimensões / 2015

Os artigos que compõem o Dossiê História da Saúde e das Doenças refletem a variedade de temáticas, usos de fontes e possibilidades de diálogo com diferentes metodologias que vem surgindo nos últimos tempos, explorando desde linhas já mais consolidadas, como os estudos sobre as instituições, até perspectivas mais recentes, dentro de discussões como o das histórias conectadas, circulação de saberes, e história global. Dialogando com variados ramos da pesquisa histórica, os autores nos dão mostras a um só tempo da expansão dos estudos sobre história da saúde e das doenças no Brasil e de seus variados matizes, fazendo-nos notar um campo de investigações que, apesar de consolidado, tende a crescer de modo pulsante nos próximos anos.

O número abre com o artigo de André Nogueira, Santo forte! Devoção antoniana e práticas de cura ilegais nas Minas do século XVIII, que faz uma rica análise sobre os calundus e a devoção a Santo Antônio, associando-os à religiosidade afro-católica, especialmente àquela desenvolvida em terras centro-ocidentais africanas, de que seriam portadores alguns dos participantes citados nas documentações. Leia Mais

Identidade e alteridade no Ocidente tardo Antigo e Medieval / Dimensões / 2014

Entre novembro de 2012 e agosto de 2013 realizei um Pós-doutorado em Paris, junto a École des hautes études en sciences sociales (EHESS) sob a orientação da medievalista ibérica, Dra. Adeline Rucquoi. Uma experiência profissional e uma abertura de horizontes de curta, média e longa duração no modelo braudeliano. Ainda não completei a absorção das trocas, dos diálogos e dos saberes que emanaram desse momento, e talvez alguns eu só consiga colocar em forma de artigo ao longo dos próximos anos. Isto me fez refletir que havia outras formas de aproveitar a experiência e retribuir tanto a Capes pelo patrocínio em forma de bolsa de estudos, quanto ao Programa de Pós-Graduação em História Social das Relações Políticas (PPGHis) e ao Departamento de História da Ufes (DEPHis) pela liberação por nove meses. E o resultado é este dossiê, intitulado: “Identidade e Alteridade no Ocidente tardo antigo e medieval”. Leia Mais

Governo, elite e negócios no Atlântico Português / Dimensões / 2013

A Dimensões – Revista de História da Ufes apresenta, neste número, um conjunto de textos com a preocupação de voltar o foco das investigações para a formação colonial brasileira. Trata-se de oferecer, com as contribuições colhidas, múltiplos olhares sobre as formas de governo, a constituição e o papel das elites e a organização do trabalhono vasto território que se convencionou chamar “império português”, com especial atenção sobre as capitanias do Brasil.

Por cerca de trezentos anos, um pequenino país atlântico europeu situou-se entre os maiores impérios, cobrindo possessões no Oriente, na África e na América. Acossado diante de seus competidores, Portugal, aos poucos, perdeu terreno nas Índias; porém, ao lançar-se à administração do ultramar, logrou tecer redes comerciais e políticas triangulares entre seus domínios atlânticos de forma a delas extrair os elementos de sua sobrevivência no contexto europeu. Assim, Portugal baseou-se na transposição de indivíduos e instituições nacionais que se conjugaram para o domínio das populações nativas ou imigrantes escravizadas para definição de territórios, organização do trabalhoe do comércio e defesa de sua conquista. Leia Mais

Ideia, cultura e política na América Latina / Dimensões / 2012

Neste número, a revista Dimensões apresenta um conjunto de trabalhos que procuram integrar história política, intelectual e cultural. O campo dos estudos que pensa as relações entre política e cultura ainda está em construção na América Latina, embora tenha conquistado diversos avanços. Entre eles está a consolidação de núcleos de pesquisa dedicados à história intelectual, como o Centro de Historia Intelectual da Universidad Nacional de Quilmes, na Argentina. Na mesma linha, temos observado o crescimento de periódicos dedicados ao tema, como Prisma – Revista de Historia Intelectual, La Razón Historica – Revista Hispanoamericana de Historia de las Ideas Políticas y Sociales e Estudios de Filosofía Práctica e Historia de las Ideas, além da publicação de projetos amplos sobre a história dos intelectuais no continente, como a recente publicação em dois volumes da Historia de los intelectuales en América Latina, organizada por Carlos Altamirano. Nesse sentido, acreditamos que as atividades do Laboratório de História Política e História das Ideias – LEHPI, que coordenamos na UFES, seja uma contribuição para este campo em expansão. Leia Mais

As magistraturas locais / Dimensões / 2012

Neste número da revista Dimensões experimentou-se dividir a organização de um dossiê entre dois professores de instituições conveniadas, a saber, Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade de Paris-Est. Há uma década as duas instituições realizam eventos científicos com resultados reproduzidos em livros. Desta vez, porém, buscou-se realizar o intento de explorar assunto que resta pouco discutido tanto na Europa quanto no Brasil. O tema escolhido foi magistratura local ou municipal, visto o lugar central ocupado pelo Judiciário na sociedade atual. O Poder Judiciário ocupa novo papel na sociedade contemporânea em razão do protagonismo político dos tribunais na Europa e na América, inclusive, no Brasil. Nota-se seu desempenho no controle político da ação dos governantes, como também na fiscalização de suas cortes superiores ou conselhos de justiça.

A administração do Judiciário na sociedade contemporânea sofre ainda as limitações impostas pelos críticos da Justiça medieval, quando os juízes decidiam como julgar as lides. A lição de Montesquieu que encerrou a Justiça à letra da lei deu lugar à imaginação de que somente os doutos em Direito poderiam se encarregar de sua administração. Sem formação universitária jurídica, todos os outros indivíduos seriam meros profanos desse campo. Atualmente, os tribunais encontram-se administrados por profissionais do Direito na condição de empregados públicos, o que lhes confere subordinação direta aos governos, ou pelo menos ao Estado. Não se trata de necessária natureza do campo, mas de um quadro de disputas e lutas pelo monopólio de dizer ou declarar o direito. A História pode, contudo, apresentar outras faces de administração da Justiça e revelar, em especial, o papel extraordinário das justiças locais, consideradas nos dias atuais irrelevantes e casuísticas. Neste dossiê, portanto, a revista Dimensões contribui com a multiplicidade de visões acerca deste importante objeto, cotejando em diferentes espaços e tempos o mesmo tema.

Adriana Pereira Campos

Geneviève Beneviève Bührer-Thierry

Os organizadores.


CAMPOS, Adriana Pereira; BÜHRER-THIERRY, Geneviève Beneviève. Apresentação. Dimensões. Vitória, n.28, 2012. Acessar publicação original [DR]

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Estado, políticas públicas e violência / Dimensões / 2011

A Revista Dimensões busca neste número, mediante o dossiê intitulado: Estado, políticas públicas e violência, discutir a relação entre tais questões, vinculando este tema à violência criminal e simbólica tanto em nível, regional, nacional como internacional. O propósito é inserir esta discussão, já realizada em nível acadêmico pela linha de pesquisa Estado e Políticas Públicas do Programa de Pós-Graduação em História, por meio do NEI (Núcleo de Estudos Indiciários) e do Laboratório de História das Relações Institucionais, a um olhar mediado pela interdisciplinaridade das Ciências Sociais.

Neste sentido, é na interseção da interface de múltiplos olhares que se pretende discutir o fenômeno da violência, cujo propósito é o de superar a dicotomia ainda existente entre diversos campos de estudo e pensá-lo, a partir do aporte da história, em suas diversas dimensões, desde a do imaginário e da fantasia (inerente ao humano), a ação política. O fenômeno da violência em geral e o aumento significativo do índice de delito em particular, têm se apresentado na sociedade contemporânea como um desafio constitutivo e definidor de políticas públicas para a promoção do desenvolvimento humano.

Assim a importância de discutir esta temática vinculando-a diretamente ao Estado e às Políticas Públicas. Nesta direção, os pesquisadores participantes deste Dossiê apresentam uma rica abordagem e trazem suas experiências do campo historiográfico, antropológico, da ciência política e sociológico apresentando um painel de acontecimentos na Colômbia, no México, no Brasil e no Espírito Santo e que refletem, por sua vez, as demandas por políticas públicas. Esperamos que a contextualização proposta possibilite aos leitores a construção de novos indícios para a pesquisa das ciências humanas.

Maria Cristina Dadalto

Márcia Barros F. Rodrigues

Organizadoras.


DADALTO, Maria Cristina; RODRIGUES, Márcia Barros F. Apresentação. Dimensões. Vitória, n.27, 2011. Acessar publicação original [DR]

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Fluxos Migratórios e Identidades / Dimensões / 2011

A Revista Dimensões anuncia neste número o empenho na internacionalização de quatro Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo, respectivamente, de História, Ciências Sociais, Letras e Linguística e a Università Cà Foscari di Venezia. O eixo temático Fluxos Migratórios e Identidades é construído em torno de uma agenda de pesquisas que promove revisões sobre o fenômeno migratório, ontem e hoje, numa perspectiva interdisciplinar.

O fenômeno imigratório tem crescido em importância, em âmbito internacional, e se tornado uma presença constante nas páginas dos periódicos dos países centrais, mas também daqueles do chamado sul global. Quer por questões internas e pelas problemáticas inerentes à imigração – sobretudo em uma dinâmica de criminalização do imigrante – quer pelos problemas gerados pelo próprio fluxo de entrada de estrangeiros – que produz dificuldades de controle para os Estados Nacionais – o processo migratório é hoje um tema candente nas sociedades de acolhida e nos países de emigração. Também, os esforços das vozes subalternas em se fazerem ouvir, num mundo que denuncia as práticas colonialistas e neocolonialistas, trazem à luz os deslocamentos e trânsitos antes invisíveis e promovem releituras de identidades étnicas, de gênero, políticas e outras. Dessa forma, considerando que são as demandas sociais do presente que oferecem o input temático às pesquisas das Ciências Humanas, a imigração está ocupando, novamente, um espaço importante nas discussões acadêmicas e produzindo encontros e publicações em níveis local e internacional. Leia Mais

Poder e religião na Antiguidade Tardia / Dimensões / 2010

Ao longo das duas últimas décadas, tem-se observado, nos meios acadêmicos brasileiros, um notável aumento do interesse pelos estudos de Antiguidade e Idade Média, como se pode constatar por intermédio da quantidade crescente de artigos, teses e dissertações dedicados à reflexão científica de objetos atinentes às sociedades antigas e medievais, com destaque para as civilizações grega e latina, embora o foco já esteja se deslocando para outras realidades menos estudadas entre nós, como é o caso da egípcia, mesopotâmica, celta, judaica e bizantina. Dentre as razões desse “despertar”, uma das mais importantes é a atuação aguerrida de um conjunto de pesquisadores oriundos de diversas áreas, a exemplo da História, Arqueologia, Letras, Filosofia e Pedagogia, que tem levado a cabo – e com sucesso, poderíamos acrescentar – a tarefa de formar profissionais especializados em uma modalidade de História que, se não espelha a história nacional, posto que a terra brasilis nunca fez parte do Império Romano ou se organizou em termos feudais, como sugeriram, no passado, alguns autores, nem por isso deixa de ser relevante ou significativa pelo simples fato de nos permitir ter acesso a experiências milenares que, embora constituam matrizes quase arquetípicas da História do Ocidente, com a qual muitas vezes gostamos de ser identificados, são diferentes o bastante dos usos e costumes contemporâneos para nos afrontar, confrontar e desinstalar, obrigando-nos a reconhecer que, conforme propôs certa feita Paul Veyne com a sua habitual perspicácia, o estudo da História não implica, a princípio, uma operação de reconhecimento do Eu, pois se assim o fosse bastaria escrevermos a nossa própria biografia para nos apoderarmos do código que rege o presente, o passado e o futuro. Pelo contrário, a História é antes a busca por aquilo que não somos, pela diferença que torna tão interessante as investigações que tem ao mesmo tempo os homens como os seus agentes e pacientes. Leia Mais

Formas da História, Sentidos da Historiografia / Dimensões / 2010

Neste número, Dimensões – Revista de História da Universidade Federal do Espírito Santo – traz o dossiê Formas da História, Sentidos da Historiografia; ele ajuíza uma preocupação que é permanente no campo da Teoria e Metodologia da História, qual seja, a de avaliar a própria trajetória da história e das formulações teóricas que são produzidas a respeito do conhecimento histórico. Nele figuram artigos que analisam historiadores e autores consagrados, cujas obras representam sensível contribuição aos estudos históricos. A iniciativa que orientou a sua organização vai ao encontro dos esforços cada vez maiores entre os pesquisadores deste campo em ampliar estudos e pesquisas da área e reflete um momento promissor em que a produção em teoria da história cresce a olhos vistos no Brasil e no exterior, quantitativa e qualitativamente. Leia Mais

Gênero, cidade e cotidiano / Dimensões / 2009

Este número de Dimensões – Revista de História da Ufes é uma edição singular e, portanto, especial. À grande importância desse momento em que mais um número da revista vem a público, soma-se a realização de uma nova edição do evento acadêmico bienal promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História Social das Relações Políticas, da Universidade Federal do Espírito Santo, o II Simpósio Internacional de História, em parceria com a Université de Paris-Est, cuja temática será Cidade, Cotidiano e Poder, razão pela qual o presente dossiê se intitula Gênero, cidade e cotidiano.

Trata-se de uma edição que é dedicada exclusivamente a um tema predefinido e que reúne em um mesmo conjunto de textos perspectivas de diferentes autores, estudiosos de temáticas que dizem respeito às relações de gênero e ao cotidiano da vida feminina nas cidades. O objetivo básico dessa edição é dar aos leitores uma visão geral de seu conteúdo, que de regra compreende estudos que envolvem as relações urbanas.

Fruto da dedicação e trabalho da equipe de organizadores e editores, que não poupou esforços (e tempo) para a sua elaboração, desde a concepção, passando pela chamada de trabalhos, a seleção e edição, Dimensões ganha, nesta edição, o dossiê Gênero, cidade e cotidiano, que concretiza um projeto elaborado há muito tempo pelo Programa de Pós-Graduação: o de uma publicação especial reunindo pesquisadores vinculados a instituições acadêmicas, governamentais ou não governamentais, que investigam aspectos históricos, culturais, econômicos e políticos da temática “gênero”. Leia Mais