2015
Uma feminista na contramão do colonialismo – GOMES (RH-USP)
GOMES, Raquel. Uma feminista na contramão do colonialismo: Olive Shreiner, literatura e a construção da nação sul-africana, 1880-1902. São Paulo: Annablume, 2013. Resenha de: DULLEY, Iracema. Imbricações entre o ordinário e o excêntrico: literatura, feminismo e política na África do Sul nascente. Revista de História (São Paulo) n.172 São Paulo Jan./June 2015.
Como destaca Robert Slenes em sua apresentação, o trabalho de Raquel Gomes, Uma feminista na contramão do colonialismo: Olive Schreiner, literatura e a construção da nação sul-africana, 1880-1902, insere-se no “novo surto brasileiro de monografias” voltadas para contextos africanos. O livro deriva da dissertação de mestrado da autora, realizada na área de História Social na Unicamp. A obra dialoga com a tradição de estudos desse departamento ao articular a trajetória e os escritos políticos e literários de um sujeito específico, Olive Schreiner, ao contexto histórico e social mais amplo em que estavam inseridos: a formação da nação sul-africana. A autora anuncia a intenção de dar conta de questões como as seguintes: “Nesta nação em formação, quais papéis seriam desempenhados por britânicos, bôeres e nativos? Como o discurso [de Schreiner] refletia e dialogava com o avanço da legislação segregacionista?” (p. 15). Estas são, sem dúvida, questões que apontam, como nota Omar Ribeiro Thomaz na orelha do livro, não só para a gênese da nação sul-africana, como para problemas contemporâneos candentes neste país.
Como no estudo de Ginzburg sobre Menocchio em O queijo e os vermes(2006), trata-se de atentar para a biografia e os escritos de um sujeito que não é exatamente ordinário, mas que, em virtude de sua excentricidade, revela não só o que seria comum em seu contexto como um possível caminho de diálogo e disputa com ele. Olive Schreiner certamente não seria considerada uma mulher sul-africana exemplar em sua época. No entanto, sua distância em relação ao que seria ordinário ajuda a iluminá-lo. A partir da circulação de Schreiner pela Inglaterra e África do Sul, é possível vislumbrar não só questões sociais e políticas mais amplas – como a criação da União Sul-Africana, o lugar da mulher na sociedade e a questão do nativo, contexto muito bem reconstruído por Gomes –, como acompanhar a minúcia das relações cotidianas com base em suas obras e cartas.
Anglófona no contexto de formação da nação sul-africana, Schreiner opõe-se à política imperialista britânica para fazer uma defesa do modo de vida bôer e da integração anglo-bôer. Feminista em um ambiente bastante conservador quanto aos costumes, chocou inclusive a sociedade inglesa com sua denúncia da condição “parasitária” da mulher no casamento. Para Schreiner, homens e mulheres deveriam ser parceiros no casamento, em igualdade de condições e com divisão do trabalho; ademais, a mulher não deveria depender financeiramente do homem, mas casar por amor. Pertencente a uma camada privilegiada da sociedade sul-africana por ser branca e anglófona – a despeito das dificuldades financeiras que a teriam levado a trabalhar como governanta para famílias bôeres na juventude –, acabará por questionar as políticas adotadas em relação à “questão do nativo” após sua desilusão com a política de Cecil Rhodes: cerceamento do acesso das populações africanas a terra, restrição de seu já pouco expressivo direito ao voto, educação racialmente segregada com destino das melhores escolas aos brancos. Schreiner, simultaneamente colonizadora e colonizada, aparece na narrativa de Gomes como o lugar da disjunção possível. Seu viés particular coloca a possibilidade do deslocamento. A caracterização de seu lugar social por Gomes mostra como, se o centro do império é o lugar a partir do qual se pode olhar para todas as suas bordas, as discordâncias introduzidas a partir das margens podem ser tão revolucionárias quanto passíveis de receber o rótulo de selvagens.
É principalmente por meio de sua produção literária que Schreiner se posiciona em relação ao cenário político e social da África do Sul de seu tempo. The story of an African farm, de 1883, retrata a vida em uma fazenda bôer e teve grande repercussão quando de sua publicação, acabando por tornar-se parte do cânone da literatura vitoriana de língua inglesa. Segundo Gomes, Schreiner deu a um lugar que fazia parte do imaginário britânico as cores necessárias para que pessoas que o viam como distante imaginassem seu cotidiano. Em meio às paisagens sul-africanas, a oposição entre as aspirações de vida dos personagens delineia a crítica social de Schreiner, direcionada principalmente às relações de gênero: Lyndall, anglófona, morre tragicamente após dar à luz o filho do amante com o qual se recusa a casar-se; por outro lado, Tant’Sannie, fazendeira bôer retratada como religiosa, conservadora e ignorante, casa-se com sucessivos maridos por interesse financeiro. A atitude predatória inglesa na África do Sul é também evocada por meio da figura de Bonaparte Blenkins. Com sua publicação, a autora foi recebida nos círculos intelectuais da Inglaterra, embora não sem atritos. Conforme se depreende da narrativa de Gomes, as resistências se deveram a suas ideias feministas e à origem africana.
Gomes é especialmente bem-sucedida ao mostrar como os personagens de African farm remetem aos estereótipos que se projetavam sobre as diversas posições sociais nos contextos em que Schreiner se inseriu. Tant’Sannie aponta para a visão dos bôeres como ignorantes, arcaicos e ociosos por parte dos ingleses; a isso se soma a figura do inglês ganancioso, visto pelos bôeres como não comprometido com o território que pretendia unicamente explorar. Se no romance os kaffirs bantos são retratados como ladrões preguiçosos, seriam em obras posteriores caracterizados como “conscientes de si e reflexivos”, capazes de organização política e reflexão intelectual – Schreiner chega a comparar sua capacidade de expressão àquela permitida pelo Taal, língua vista como indissociável do ser bôer –, os hotentotes seriam “versáteis, vivos e emotivos”, além de dóceis. A discussão de Gomes sobre os personagens e seus nomes reflete tanto sobre seu papel na narrativa quanto sobre o que ela revela a respeito da estrutura social em questão e do posicionamento político de Schreiner. No que diz respeito aos estereótipos, tampouco escapa a sua percepção a forma como as mulheres da elite intelectual inglesa viam Schreiner: uma sul-africana boêmia que falava com as mãos.
Em um momento em que se coloca o “debate acerca de quem é – e quem tem o direito de ser – sul-africano” (p. 51), as apreciações dos vários lugares sociais acerca de si e dos outros exercem papel fundamental. A relação entre as diversas categorias de designação, relacionadas por sua vez de forma complexa às posições sociais passíveis de serem ocupadas pelos sujeitos assim nomeados, determinará o que significa ser sul-africano. E o posicionamento político de Schreiner a esse respeito – que vai da ênfase na união entre ingleses e sul-africanos com o silenciamento sobre a questão nativa a uma mudança de atitude conforme o final do século XIX assiste à articulação da legislação segregacionista – traz para o leitor os debates políticos da época a partir de sua inserção neles. O trabalho de Gomes extrapola, portanto, uma perspectiva estritamente biográfica ou de análise literária para compreender a obra de Schreiner em relação ao contexto de formação da nação sul-africana.
Nesse sentido, ganha importância o mapeamento de Gomes dos diálogos intelectuais e políticos de Schreiner, que vão do amigo e sexólogo inglês Havelock Ellis ao admirado e depois inimigo Cecil Rhodes e membros da South African Improvement Society, em sua maioria, africanos negros. No que diz respeito a esses diálogos, um olhar etnográfico sente falta de uma discussão sobre a relação de Schreiner com seu marido, Samuel Cronwright-Schreiner, com quem escreveu o panfleto político The political situation. Se a intimidade do casal é provavelmente pouco relevante para a constituição da nação sul-africana, o casal, por meio de sua atuação conjunta, passou a ocupar um lugar na cena política sul-africana no qual os dois indivíduos não estavam completamente dissociados. Talvez levar essa relação em conta permitisse acompanhar os desenvolvimentos da militância feminista de Schreiner em relação a um aspecto cotidiano de sua vida: sua própria relação conjugal.
Outros escritos se seguirão ao romance de estreia de Schreiner, segundo Gomes nem sempre facilmente classificáveis do ponto de vista da forma: se The political situation e Thoughts on South Africa poderiam ser ditos de cunho político, Trooper Peter Halket of Mashonaland é um romance-alegoria que trata da trajetória de um inglês pobre que foi para a África do Sul lutar na guerra de pacificação contra os Mashona. A narrativa mostra como Peter Halket, que chegou ao território africano em busca de ascensão social à custa de pouco trabalho, humaniza-se a ponto de recusar-se a matar um nativo. Embora os escritos de Schreiner difiram em sua forma, Gomes argumenta de forma bastante convincente que não se pode pretender classificá-los segundo uma divisão estanque entre “trabalhos de imaginação” e “textos polêmicos”, pois há algo de político nos textos mais explicitamente literários, como African farm ; ademais, os escritos predominantemente políticos seguem muitas vezes um estilo literário, com grande destaque para a paisagem sul-africana, personagem expressivo de muitas de suas narrativas. Trooper Peter Halket seria por excelência inclassificável nesse sentido.
Na narrativa de Gomes sobre Schreiner, os detalhes do cotidiano se articulam às grandes questões políticas do seu tempo: a Guerra Anglo-Bôer, o papel de Rhodes no Cabo e na Rodésia, as guerras de pacificação contra os nativos, sua exploração como mão de obra barata e seu alijamento da cena política sul-africana. No que diz respeito à questão dos “nativos”, vistos por Schreiner como “um pequeno humano em formação”, penso que parte da riqueza da leitura de Gomes deve-se a sua capacidade de mostrar de forma muito clara qual era o sistema de classificação vigente e as concepções que se atrelavam a cada categoria social. Os africanos eram divididos basicamente em quatro categorias: bosquímanes, hotentotes, kaffirs (bantos) e coloured(termo que pode ser imperfeitamente traduzido como “mestiço”). A cada uma dessas categorias estavam relacionadas características e personalidades distintas, como apontamos acima, e a classificação se baseava principalmente no critério econômico (bosquímanes eram caçadores-coletores; hotentotes eram pastores; kaffirs eram pastores e agricultores dotados de organização centralizada). Contudo, se as três primeiras categorias eram compreendidas como “raças”, e juntamente com a “raça branca” perfaziam as quatro “raças” que compunham a nação sul-africana segundo a classificação de Theal em Compendium of the history and geography of South Africa (1878), não se poderia dizer o mesmo dos coloureds, classe trabalhadora sul-africana compreendida por Schreiner e grande parte dos intelectuais de sua época não como uma “raça” distinta, mas como half-castes (literalmente “meia-castas”). Estes seriam, segundo ela, resultantes da união entre mulheres negras escravizadas e um branco dominante.
A crítica de Schneider incide não só sobre a desigualdade dessa relação de gênero como sobre o caráter indesejável da miscigenação. Para ela, a África do Sul deveria ser construída harmonicamente a partir de todas essas “raças”, uma nação com várias cores que, no entanto, deveriam permanecer separadas, como muito bem explicitado em seu “mandamento” mais importante: “ Keep your breeds pure!” [“Mantenham sua raça pura!”] (p. 113). A miscigenação é silenciada ou vista como problema por Schreiner que, no entanto, defende a assimilação, “obrigação moral de elevar os outros”. A visão de Schreiner em relação à questão do nativo mostra como ela, ao mesmo tempo em que assumia uma atitude progressista em relação ao lugar dessas pessoas na política sul-africana, era também uma mulher de seu tempo, pertença esta derivada em grande medida da linguagem de que dispunha para pensá-lo: para ela, os nativos sul-africanos eram distintos dos brancos e assim deveriam permanecer. Não há espaço, em seu discurso, para o questionamento da ideia de raça e das hierarquias dela resultantes. Imersa nas ideias eugenistas de sua época, Schreiner via a miscigenação com preocupação e considerava ser papel da raça branca, especialmente dos ingleses, que ocupavam seu mais alto nível, contribuir para a melhoria das outras raças por meio da assimilação. Para ela, cada raça tinha suas qualidades e defeitos e poderia, a partir deles, desenvolver-se; a miscigenação traria o problema da degenerescência, pois faria uma junção das piores características de cada raça1. A riqueza da narrativa de Gomes aponta, contanto, para as vozes dissonantes de três clérigos anglicanos e Abdol Burns. Estes se opuseram à segregação racial nas escolas com base no seguinte argumento: como identificar brancos e negros em uma sociedade miscigenada e com “notória permeabilidade em sua barreira de cor”? Se seu questionamento apontava para a evidência que a classificação racial buscava distorcer, seu apelo não teve ressonância no debate político do período.
O texto de Gomes, extremamente bem escrito, faz jus à proposta de análise que apresenta e convida o leitor, com bom humor e perspicácia, a participar do contexto do nascimento da nação sul-africana e da definição de lugares sociais marcados por categorias de designação que determinariam muitas das possibilidades e impossibilidades colocadas para os diversos sujeitos sul-africanos ao longo do século XX.
1São curiosas as semelhanças do discurso eugênico sobre raça na África do Sul e no Brasil do mesmo período. Sobre o contexto brasileiro, ver Schwarcz (1993).
Referências
GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. [ Links ]
SCHWARCZ, Lilia. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e pensamento racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. [ Links ]
THEAL, George. Compendium of the history and geography of South Africa. Londres: Edward Stanford, 1878. [ Links ]
Iracema Dulley – Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, pós-doutoranda, bolsista Fapesp. E-mail: idulley@gmail.com.
Imagining Xerxes: Ancient Perspectives on a Persian King | Emma Bridges
A classicista Emma Bridges, sob orientação de Edith Hall e Peter Rhodes, empreendeu uma tese de doutorado na Universidade de Durham que gerou, posteriormente, o livro Imagining Xerxes. Com a premissa ousada de analisar a construção das representações sociais do monarca persa Xerxes durante toda a Antiguidade, a autora passa pelas mais diferentes fontes, contextos sociais, temporais e espaciais. Publicação recente da editora inglesa Bloomsbury e sob supervisão de dois acadêmicos conhecidos na área dos estudos clássicos, a obra ainda não é vendida no Brasil, tampouco possui tradução para a língua portuguesa.
Imagining Xerxes insere-se no panorama de produção historiográfica anglófona da última década que tem abordado governos autocráticos não só entre os helenos, mas também entre os povos com quem tinham contato. Esses estudos não tomam os helenos como um grupo isolado, mas sempre em relação, seja pacífica ou conflituosa, com os demais povos. Pode-se incluir nessa tendência, entre outros, os classicistas Lynette Mitchell, Jonathan Hall e Edith Hall. Dentre aqueles que são considerados pelos helenos como bárbaros e analisados pelos acadêmicos, os persas possuem uma maior visibilidade.
O monarca persa da dinastia Aquemênida é quase sempre lembrado nas fontes gregas e romanas pela sua tentativa falha de conquistar a porção continental da Hélade, apesar de aparentemente apresentar a vantagem de ter à sua disposição um exército esmagadoramente maior que de seus oponentes, formados por uma união de pólis que se negaram à submissão ao poder dito despótico e bárbaro. É exatamente nesse ponto no qual a autora inicia sua análise das fontes antigas.
A invasão persa gerou respostas rapidamente no imaginário ateniense, iniciando-se uma longa série de construções e reconstruções das representações sociais acerca desse personagem. É importante frisar que a autora não visa alcançar uma imagem única e verdadeira, para chegar a algo como o Xerxes histórico. A preocupação ao longo dessa obra é analisar “as abordagens literárias à figura desse rei visando considerar as formas em que essas adaptações e deformações das tradições de Xerxes (…) foram conformadas pelos diversos contextos em que foram produzidas.”[1]
Sempre atenta aos contextos em que foram produzidas essas representações do rei persa, a autora empreende a análise da primeira fonte conhecida que trata do mesmo. É a tragédia Os Persas, de Ésquilo. Tal obra teria iniciado o repertório de imagens que seriam retomadas por uma série de autores durante toda Antiguidade e também nos períodos históricos posteriores, até a contemporaneidade. A face de um invasor estrangeiro, poderoso, confiante, irreverente aos deuses e insolente que se transforma, após a derrota na batalha naval de Salamina, em um homem humilhado, ridicularizado e desmoralizado é abordada por Ésquilo ao longo da encenação trágica. A mudança nos rumos de sua fortuna é acentuada pela diferença entre o princípio da encenação, onde o coro canta a visão formidável do rei e de seu exército, e a entrada do personagem de Xerxes em cena, já maltrapilho e em fuga após a grande derrota naval frente aos gregos. Xerxes já não aparenta ser a sombra do que era anteriormente à invasão da Hélade. Ésquilo não é o único autor a dar voz a um rei persa derrotado e lamentador de sua desventura, o poeta ditirâmbico Timóteo de Mileto também apresenta seu próprio Os Persas, focando no infortúnio do monarca.
As representações não permanecem só no campo artístico, mas logo se expandem para o campo da pesquisa histórica. Heródoto de Halicarnasso, apesar de também ter como foco de sua obra Histórias a campanha persa contra os gregos, aborda Xerxes de uma maneira diferente de Ésquilo e Timóteo. O monarca asiático, assim como muitos outros personagens caracterizados como bárbaros, não é visto por Heródoto somente como um invasor estrangeiro e radicalmente oposto à helenicidade. Ele é posto em uma imagem mais humana, sujeita às dúvidas e à fortuna. Segundo a autora, a principal diferença entre Heródoto e a maioria das fontes gregas e romanas é que a polaridade entre gregos e bárbaros é transcendida pelo historiador. A representação de Xerxes construída por Heródoto é complexa e vai além do arquétipo de um déspota bárbaro invasor.
Mais adiante, Emma Bridges trata da literatura ateniense do século IV, onde as Guerras Greco-Pérsicas ainda estão pulsantes no imaginário dos oradores atenienses, como Lísias e Isócrates. Xenofonte também está profundamente ligado ao império persa de seu tempo e dos monarcas aquemênidas anteriores, como fica demonstrado em suas obras Anábase e Ciropédia. Apesar de Xerxes não ser mais o rei, sua imagem é constantemente evocada como uma figura exótica que causa curiosidade ou que assume o papel de inimiga dos helenos, sendo usada para a defesa de um sentimento pan-helenístico. Neste momento é possível ver que a caracterização negativa do persa, marcado principalmente por sua desmedida, já se torna um lugar comum no repertório dos oradores atenienses. A vinculação do império persa com Xerxes também é visível a partir das obras dos autores do século IV.
Quase sempre associado à expedição militar falha de conquista da Hélade, ainda há espaço para outras versões de Xerxes, que tratam das intrigas palacianas e conspirações da corte. Abordando a vida do monarca de dentro de seu próprio palácio, essas narrativas focam principalmente no clima de intriga, excessos, corrupção e decadência do Oriente. Como os autores atenienses do século IV, predomina a imagem negativa do povo persa e de seu monarca. Porém seu foco não é no campo de batalha, mas no interior da corte asiática. Emma Bridges coloca dentro desse grupo um grande número de obras, como as de Ctésias de Cnido, Chariton, e também o Livro de Ester, presente no Antigo Testamento.
O Livro de Ester, que trata da vida da jovem judia em meio às intrigas da corte do imperador persa, não é a única fonte fora do mundo greco-romano a ser analisada em Imagining Xerxes. Inscrições, evidências materiais e esculturas são analisadas para oferecer uma imagem dos monarcas aquemênidas de dentro de seu próprio império. Apesar de diferentes das narrativas ocidentais, essas fontes também não são isentas, pois foram produzidas em um contexto social, cultural e político específicos, sendo profundamente influenciadas pelo mesmo. É importante notar que essas fontes tiveram um caráter oficial, sendo feitas por ordem dos próprios monarcas retratados nelas ou por seus sucessores. Não há, em nenhuma das fontes persas sobreviventes, qualquer menção à campanha militar de conquista da Hélade, quanto mais à sua derrota e seus possíveis reflexos. Não há aspecto mais evidente que esse para demonstrar a diferença entre o olhar persa e grego acerca do reinado de Xerxes.
Já Flávio Josefo, judeu vivendo no período de hegemonia romana, apresenta uma visão peculiar sobre o rei. Apresentado como uma figura benevolente e piedosa com seus súditos, adquire traços claramente opostos àqueles construídos pela tradição greco-romana, profundamente marcada pela memória e pelo trauma da invasão persa. Mas Josefo não é o único a citar Xerxes durante a hegemonia romana. A figura de Xerxes e a campanha sempre atrelada à sua imagem pelo lugar comum literário ocidental adquirem novos usos durante o Império Romano. Torna-se um paradigma moral geralmente negativo, sendo exemplo do que não deve ser feito, mas também um personagem privilegiado para o tema da mutabilidade da fortuna humana.
No mundo dominado pelos imperadores romanos, a figura do déspota oriental também adquire um lado contestatório ao poder exercido de forma excessiva, injusta e arrogante. Mas como os gregos vivendo como súditos de um poder estrangeiro viam Xerxes? Sua imagem poderia adquirir um caráter subversivo ao poder imperial romano, sendo muitas vezes perigoso traçar analogias entre os conquistadores do leste e do oeste. Existiam dois modos de fazê-lo, enfrentar Roma como fez Pausânias ou seguir uma postura mais cautelosa, assim como foi feito por Plutarco. Pode-se concluir que a pesquisa realizada por Emma Bridges leva à uma série de constatações. A primeira é que, na Antiguidade, existia um complexo de representações sociais acerca de Xerxes. Tais representações têm diferentes focos e intenções, seja na campanha militar de conquista da Hélade ou nas intrigas palacianas, assim tendo uma visão depreciativa ou amistosa e respeitosa em relação ao rei persa.
Porém uma série de traços se tornou mais ou menos difundidos ao ponto de serem lugares comuns literários. Tais características são possíveis de serem visualizadas já nas primeiras obras gregas acerca das Guerras Greco-Pérsicas, como nas obras de Ésquilo e Heródoto. A imagem de um poder despótico regido pela desmedida bárbara começa a ser traçado amplamente pelo tragediógrafo ateniense e, em certa medida, pelo historiador de Halicarnasso. Tornaram-se já difundidas no século IV, continuando assim em boa parte das obras greco-romanas da Antiguidade.
Visões alternativas estão até certo ponto presentes na obra herodoteana. Mas as maiores alternativas aos lugares comuns ocidentais está nas próprias fontes judias e persas, trazendo representações radicalmente diferentes daquelas construídas por Ésquilo ou Lísias.
Emma Bridges tem o mérito de empreender uma pesquisa de fôlego e ter um grande conhecimento de fontes vindas de contextos temporais e espaciais distintos, para alcançar uma visão mais ampla acerca das múltiplas representações de Xerxes na Antiguidade, sempre levando em conta os contextos nos quais estão inseridas cada obra.
Nota
1. Bridges, Emma. Imagining Xerxes: Ancient Perspectives on a Persian King. Londres: Bloomsbury Publishing Plc, 2015, p.3.
Mateus Mello Araujo da Silva – Graduando em História da Universidade Federal Fluminense. Membro do Núcleo de Estudos de Representações e de Imagens da Antiguidade (NEREIDA/UFF). Bolsista de Iniciação Científica/PIBIC-CNPq. E- mail: mateusaraujomello@hotmail.com
BRIDGES, Emma. Imagining Xerxes: Ancient Perspectives on a Persian King. Londres: Bloomsbury Publishing, 2015. Resenha de: SILVA, Mateus Mello Araujo da. As várias faces de um rei persa: muito além do déspota bárbaro. Cantareira. Niterói, n.22, p. 217 – 219, jan./jul., 2015. Acessar publicação original [DR]
Boko Haram: Islamism, politics, security and the state in Nigeria – CHOUIN (H-Unesp)
CHOUIN, Gérard (org.). Boko Haram: Islamism, politics, security and the state in Nigeria. Leiden: Marc-Antoine Pérouse de Montclos, 2014. 275p. Resenha de: WENCZENOVICZ, Tahís J. História [Unesp] v.34 no.1 Franca Jan./June 2015.
Trata-se esta de uma obra que reúne pesquisadores de universidades africanas, europeias e norte-americanas e que tem como escopo refletir sobre a atuação, formação e surgimento do movimento denominado Boko Haram. As investigações levadas a cabo inserem-se numa ação conjunta do Centro de Estudos Africanos e do Instituto Francês de Pesquisa na África e se dividem em duas partes – parte I, composta por 6 artigos, e parte 2, por 5. No total, estão inseridos 16 pesquisadores como colaboradores. A introdução foi escrita por Marc-Antoine Pérouse de Montclos, doutor em Ciência Política, professor no Instituto Francês de Geopolítica da Universidade de Paris e especialista em conflitos armados na África do Sul. O conjunto de autores que integram a obra possui larga experiência em temáticas como: militarismo, terrorismo, violência e religião, insurgência, militância e radicalização. Enquanto formação, há uma variedade na especialidade – como Ciência Política, Filosofia, História, Antropologia – porém tudo converge para a mesma temática na trajetória de pesquisa.
Essa observação faz-se necessária para justificar a extensão da obra – 275 páginas – bem como o ineditismo no uso de fontes e espaços de pesquisa. É necessário registrar que, já no prefácio, o organizador aponta uma das principais objeções encontradas pelos autores: a dificuldade em se aproximar das fontes, considerando-se que parte dos acervos encontram-se sob domínio dos líderes do movimento e esses, em sua maioria, acompanham de forma direta os movimentos bélicos da região. Marc-Antoine Pérouse de Montclos assim complementa:
Escrever sobre Boko Haram é uma tarefa difícil, já que os investigadores têm em alguns momentos o acesso limitado à informação em primeira mão. De fato, os investigadores estrangeiros e nacionais atuam geralmente com a sua segurança não garantida. Recentemente, como o núcleo do conflito migrou de Maiduguri, capital do Borno, para o interior da Nigéria, às margens do Lago Chade e ao longo da fronteira de Camarões, as informações disponíveis sobre o conflito tornaram-se ainda mais escassas.Tais dificuldades contrastam com a demanda urgente do público nigeriano e a comunidade internacional tanto para análises inteligíveis da situação como criar formas concretas e científicas para compreender o conflito (p.7).
Como temática, falar em Boko Haram quase dispensa justificação, devido a seu ineditismo. É uma boa oportunidade para compreender a história e a dinâmica do movimento que tem provocado uma onda de violência na África e com fortes indícios de ligação com o terrorismo mundial. Desde 2003 ocupando as manchetes internacionais, os grupos associados ao extremismo religioso e ao militarismo têm inquietado nações e líderes mundiais, especialmente os ditos “Ocidentais”. Paradoxalmente, é visto e representado na imprensa como um movimento incansável, numeroso, mas que atua de forma clandestina e invisível.
Termos como Al-Qaeda, Jihad e Taliban são usados como sinônimos dos movimentos tidos na África e em diversos países do Oriente e demais regiões, às quais faltam estudos para avaliar cada um desses conflitos dentro de sua especificidade. Esta é a tônica dessa obra: investigar Boko Haram a partir de um viés político, sociológico, religioso e antropológico. No decorrer dos capítulos também se propõe investigar como o islamismo radical desestabilizou o Estado, a sociedade civil, desafiando sua laicidade no decorrer do último século. Em uma sociedade pluralista, a jihad do Boko Haram levanta muitos questionamentos em relação a sharia, liberdade de religião, choque de civilizações e à perspectiva de uma guerra civil com os cristãos. No entanto, todas estas questões como a guerra contra o terrorismo, armamento da população, violência extremada e extermínio de algumas minorias e até conceitos e explicações de termos usados sem a devida historicidade pela imprensa são encontradas e diluídas no decorrer dos 11 artigos que compõem o livro. Após essas observações gerais, passam-se a indicar o objetivo e a temática de cada texto.
O primeiro artigo, intitulado The message and methods of Boko Haram e escrito por Kyari Mohammed, explica o surgimento do Boko Haram como milícia e seu reconhecimento pelos demais grupos organizados na Nigéria e outras regiões da África. Também demonstra sua evolução como célula social e suas relações com as elites econômicas e políticas local.
O Boko Haram surgiu de um pequeno grupo de militantes islâmicos que abertamente desafiando o Estado nigeriano entre dezembro de 2003 e outubro de 2004, adquiriu a simpatia da população e buscou construir sua identidade. Posteriormente, uniram-se com o grupo Mohammed Yusuf, que havia retornado do exílio auto-imposto na Arábia Saudita até 2009, momento a qual o movimento adquiriu uma posição de associação a extrema violência com os inimigos e ostentando boas condições militares. O grupo evoluiu, remodelado em si, e também mudou suas táticas e estratégias em resposta ao Estado de alta-handed […]. Moveu-se a partir dessa fase acompanhado de discursos inflamados para a fase de luta armada e busca de adeptos (p. 9).
O segundo texto, denominado Christian perceptions of Islam and society in relation to Boko Haram and recent events in Jos and northern Nigeria, escrito pelo professor nigeriano Henry Gyang Mang, busca identificar as várias percepções e perspectivas dos Cristãos em relação ao Islã na Nigéria contemporânea, considerando fatores como identidade, geografia e do exercício de possível alteridade entre os grupos. Mang apresenta as quatro pricipais divisões em que o Cristianismo na Nigéria está assentado e traça paralelos com base em questões que envolvem o Islã. Estas divisões apresentaram várias mudanças com base em sua historicidade e as compara com os atuais impasses. E, embora ele se diga conclusivo, ao término do texto desafia o leitor com a seguinte afirmação: Os cristãos têm um único ponto geral, de vista sobre os “corredores sangrentos” do Islã, a violência crescente. Os conflitos entre cristãos e islâmicos criou uma atmosfera em que a retórica pode facilmente deslizar para chamadas de vingança, mesmo quando não há lógica alguma para que ela se efetive.
O terceiro artigo, Boko Haram and its Muslim critics: Observations from Yobe State, elaborado por Johannes Harnischfeger, inicia-se conceituando e justificando a sharia – nome que se dá ao Direito Islâmico. Em várias sociedades islâmicas, ao contrário da maioria das sociedades ocidentais, não há separação entre religião e direito, todas as leis são religiosas e baseadas nas escrituras sagradas ou nas opiniões de líderes religiosos que se transformam em jurisdição. A campanha para transformar o Estado e a sociedade com base na sharia foi iniciada por políticos muçulmanos em 1999, quando o regime militar terminou e o poder deslocou-se para o Sul cristão. Embora a campanha tenha sido principalmente uma questão de política, estendeu-se para a questão religiosa. Homens e mulheres foram recrutados para o processo de islamização do Estado. Nesse artigo também é possível encontrar a formação e relações estabelecidas pelo Boko Haram até meados de 2014, bem como a figuração das mulheres nessa seara de incertezas sociais e violência.
Como já apontado, sabe-se que, oficialmente, o Boko Haram afirma que luta pela sharia, combate a corrupção do governo, a falta de pudor das mulheres, a prostituição e outros vícios. Segundo eles, os culpados por esses males são os cristãos, a cultura ocidental e a tentativa de ensinar algo às mulheres e às meninas. Segundo os líderes do Boko Haram, o sequestro eventual das meninas pelas milícias tem por intenção permitir que elas comecem uma vida nova – como servas.
A sharia virou lei no norte, que tem uma maioria muçulmana. O sul, com a maioria cristã, não aceita a sharia, e dessa posição nasceram os primeiros conflitos. O governo e a capital ficam no sul, mas por causa dos inúmeros conflitos, ameaças e crescimento dos fiéis islâmicos, o número total dos muçulmanos já ultrapassou o dos cristãos, e por isso o Boko Haram exige a sharia para o país inteiro.
Traditional quaranic students (ALMAJIRAI) in Nigeria: fair game for unfions air accusati, escrito por Hannah Hoechner, coteja o quarto artigo e discorre sobre a dificuldade de acesso à educação básica das crianças, adolescentes e jovens na Nigéria e região, o que levaria parte desses cidadãos a, consequentemente, engrossar as fileiras do movimento de islamização. Os alunos que ingressam no ensino formal têm sido debate da comunidade científica nigeriana e também de organismos internacionais, na tentativa de universalizar o ensino primário e permitir uma condição de vida que reforce o princípio da dignidade humana. Por outro lado, muitos pesquisadores também têm discutido como esses jovens têm servido às milícias na condição de potenciais soldados voluntários que se integram rapidamente ao contexto do Boko Haram.
O próximo texto é escrito por Henry Gyang Mang, intitulado Christian perceptions of Islam and society in relation to Boko Haram and recent events in Jos and northern Nigeria. Ele afirma que o conflito religioso na Nigéria tem girado em torno das duas principais matrizes religiosas: o cristianismo e o islamismo. O crescimento de ambas matrizes religiosas enquanto poder temporal tem influenciado as agremiações político-ideológicas. Por outro lado, evidencia-se também o surgimento de dissidências internas que acabam fomentando grupos disponíveis a comporem parcerias entre o poder religioso e político. Esse cenário foi agravado com o surgimento do Boko Haram, um fenômeno que tem adicionado novas perspectivas ao discurso sobre religião e à unidade nacional na Nigéria.
No decorrer do texto, o autor apresenta as várias percepções e perspectivas dos Cristãos em relação ao Islã na Nigéria contemporânea, considerando-se fatores como identidade, geografia e o crescente dinamismo na crença e na doutrina cristã em relação “ao outro”. Ele argumenta que há quatro divisões principais pelas quais evoluiu o Cristianismo na Nigéria, com base em questões que envolvem o Islã, num misto entre disputas e remodelações.
O sexto artigo é escrito por Portia Roelofs e denominado Framing and blaming: Discourse analysis of the Boko Haram uprising. A autora realiza análise de discurso a partir do recorte de reportagens no período de cinco semanas, num exercício de acompanhar os principais movimentos do Boko Haram no processo de islamização do Estado e enfrentamento das questões “ocidentais” mediante dois periódicos. Das reportagens analisadas, Roelofs inclui o discurso do Socio-Economic, que defende o Estado como provedor do desenvolvimento, ao passo que o discurso político da Agência postula o Estado como provedor de ordem. O discurso estrutural religioso enfatiza o Estado de papel secular na contenção expansionista do Islã. Em outra fonte, o periódico Agência Religiosa sugere o Estado como elemento integrador entre o Islã, Estado e demais religiões. Nesse artigo pode-se observar o uso das mídias em prol das disputas religiosas, com destaque ao Boko Haram.
A sétima parte, escrita por Marc-Antoine Pérouse de Montclos Boko Haram and politics: from insurgency to terrorism com base no caso de Boko Haram, ou Jama’atu Ahlis-Sunnah Wal Lidda’awati Jihad, apresenta uma discussão geral sobre a relação entre o Islã e a política na Nigéria. Ao contrário do Hamas na Palestina, Hezbollah no Líbano ou os Irmãos Muçulmanos no Egito, o Boko Haram não é classificado nem como um partido político nem como uma rede de caridade. Segundo Montclos, torna-se político porque ele contesta valores ocidentais, desafia a laicidade do Estado nigeriano, e revela a corrupção de uma “democrazy” que depende de uma elite dominante – classe política – a qual desmoraliza a ação dos homens de bem.
Acrescenta também que o grupo terrorista tem como objetivo acabar com a democracia na Nigéria, concretizar o processo de islamização e promover a educação exclusivamente em escolas islâmicas. Observa-se que essas metas são efetivadas aos poucos se levarmos em conta que, no dia 25 de dezembro de 2011, cerca de cinco ataques a bomba em várias cidades da Nigéria causaram pelo menos 40 civis mortos e um policial ferido. O primeiro ataque aconteceu nos arredores da capital Abuja, o segundo, na cidade de Jos, no centro do país, o terceiro, na cidade de Gadaka, no nordeste, e os outros dois na cidade de Damaturu, no norte. Os alvos foram igrejas católicas durante a celebração da Missa do Galo após a Véspera de Natal.
A segunda parte, composta de 5 artigos e que tem como título Boko Haram and the nigerian state: a strategic analysis, inicia-se com o texto de Marc-Antoine Pérouse de Montclos, momento em que o autor busca a genealogia e a nomenclatura de Boko Haram, sua formação histórica e discute elementos de categorização e enquadramento desse nas funções religiosas e políticas.
A partir de fontes jornalísticas e acompanhamento de boletins do movimento e das guerrilhas, o autor pergunta: por que a Nigéria nunca teve um partido político religioso, seja islâmico ou cristão? O autor também compara outros Estados que possuem ou negaram essa composição, como Abuja, Sudão, dentre outros.
O próximo artigo, chamado Boko Haram and the evolving Salafi Jihadist threat in Nigeria, editado pelo autor Freedom Onuoha, apresenta a evolução em número e força do Boko Haram paralelizando as ações tomadas pelo Estado nigeriano e demais organizações para conter a violência das milícias junto à sociedade civil. Segundo o autor, ao longo dos últimos três anos o Boko Haram tem ganhado espaço também na mídia nacional e internacional por marcar suas ações com elevado grau de violência. Onuoha afirma que a causa central desta violência em expansão é a corrupção, a pobreza extrema e a falta de perspectivas de uma grande maioria da população nigeriana. Os extremistas têm poucas dificuldades de recrutar apoiantes, por exemplo, eles podem ser encontrados entre as multidões de jovens desempregados. Também afirma que o Boko Haram tem apoiantes em todas as camadas da sociedade nigeriana, incluindo-se os antigos ditadores, salafitas ricos e membros ativos em cargos elevados do Governo.
Para reduzir sua capacidade operacional, o governo nigeriano adotou várias medidas de contrainsurgência. Apesar dos esforços do governo, o grupo continuou a operar ataques no norte da Nigéria com o intuito de ingressar na região sul e ampliar seu prestígio e reconhecimento, bem como atingir seu objetivo central: criar um estado islâmico com base no modelo dos Talibãs Afegãos. A estratégia seria “libertar” o norte da Nigéria dos cristãos e depois, o resto do país. O terror tem como alvo não apenas os cristãos, mas também os muçulmanos moderados e seu clero. Outros alvos incluem políticos que defendem a paz e a reconciliação, professores, jornalistas, agentes da polícia e membros do exército.
Na sequência, o texto By the numbers:the Nigerian State’s efforts to counter Boko Haram, escrito por Rafael Serrano e Zacharias Pieri, examina a interação entre a insurgência e contrainsurgência no nordeste da Nigéria. Analisa também a eficácia das políticas públicas de segurança na tentativa de frear a insegurança da população e de dissipar a violência causada por atos extremistas do Boko Haram. Os pesquisadores analisam com bases estatísticas se as ações desenvolvidas pelo estado inibem ou corroboram a violência, tendo por base as diversas campanhas desenvolvidas pelo poder público no enfrentamento à violência extremada.
Para fazer isso, utilizam-se de dados compilados pelos órgãos oficiais e de organismos internacionais que comparam a quantidade de campanhas desenvolvidas pelo governo nigeriano, mortes de militares e civis, investimento em armamento e a viabilidade de manter ou não as ações coordenadas com verbas públicas.
O último texto, redigido por Gérard Chouin, Manuel Reinert e Elodie Apard, intitula-se Body count and religion in the Boko Haram crisis: Evidence from the Nigeria Watch database e propõe analisar a identidade “civil e religiosa” das vítimas do Boko Haram. Muitos foram os ataques repentinos, às vezes não planejados, mas regados de muita violência. Somente em 2014, 340 soldados foram abatidos nas ruas. O Governo afirma não saber o que fazer ou tem medo de enfrentar as figuras influentes que atuam nos bastidores, porém o tamanho das ações militares e atentados supera o passado. Após 2012, o Boko Haram opera com caminhões e carros blindados, cercando vilas cristãs que ainda existem no norte da Nigéria, e mata a população inteira. As mulheres têm sido alvo frequente dos extremistas.
Vários ataques foram feitos a escolas onde estudam meninas, pelo simples motivo de os islamistas serem contrários a qualquer grau de instrução ser oferecido a elas. Muitas dessas foram capturadas e levadas para serem violentadas pelos guerrilheiros (estupro e atentado ao pudor). Também há casos em que são presas pelos milicianos e liberadas para toda a população muçulmana estuprá-las.1 Nesse cenário, o Boko Haram aumenta sua popularidade e visibilidade. O ataque mais comentado aconteceu no dia 15 de abril de 2014 em Chibok, no Estado de Borno, onde a população foi morta ou fugiu, e mais de 200 meninas entre 7 e 15 anos, alunas de uma escola, foram capturadas e levadas pela milícia. No início, as fontes falaram em 100 meninas, mas dois órgãos da imprensa oficial da Nigéria apontaram o total de 234 vítimas, que foram levadas em grupos pequenos a vários locais e, a partir da apreensão seguida de sequestro, não mais retornaram à vida coletiva.
Á guisa de conclusão, com base no exposto tem-se uma noção consistente e ampla acerca da temática, e, sem dúvidas, há profícuas razões para lê-la.
1 As meninas geralmente são estupradas com base na aya 33.50 do alcorão até aceitarem virar muçulmanas e casarem com um dos seus torturadores. As que se recusam ao casamento, após algumas semanas são liberadas, mas antes de saírem da casa é costume lixar o mamilo direito da vítima na soleira da porta até ele desaparecer. Às vezes também partes da genitália ou mamas são cortadas.
Thaís Janaina Wenczenovicz – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, Contato: t.wencze@terra.com.br.
Entrepalavras. Fortaleza, v.5, n. 1 (5) 2015 / v.7, n.5 esp (7) 2017.
Entrepalavras. Fortaleza, v.7, n. 5 esp (7) 2017
I Simpósio de Linguística Textual
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- Letramento acadêmico: análise sobre como manuais didáticos de metodologia abordam o ensino do gênero artigo acadêmico
- Maria Vanessa Batista Lima, Nícollas Abreu
- Cognição, referenciação e leitura: reconstruindo a argumentação no gênero capa de revista
- Valnecy Oliveira Corrêa Santos
- A situacionalidade, enquanto princípio de textualidade, na tradução de “O corvo”, de Edgar Allan Poe, feita em forma de cordel por José Lira
- Franciane Sousa
- Coerência e coesão nos textos argumentativos dos alunos do ensino médio
- Roberto da Silva
- Letramento, escrita e lexicografia pedagógica: uma sequência didática para trabalhar com gírias e dicionário escolar
- Francisco Iaci do Nascimento
- A construção referencial no ensino de escrita em turmas de EJA
- Allan de Andrade Linhares
- (Re)construindo a aula de língua portuguesa: que gramática devemos ensinar?
- Bruna Costa Silva, Rodolfo Dantas Silva
- Blog: orientações de ensino em um livro didático do Ensino Médio
- Antônio Artur Silva Cantuário
- Gestos manuais aplicados ao ensino de língua estrangeira: estratégias de produção de insumo compreensível
- Carlos Eduardo Silva Pinheiro
Entrepalavras. Fortaleza, v.7, n. 4 esp (7)
Estudos em Teoria e Análise Linguística
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- As estratégias de focalização em português e sateré
- Fernanda Ferreira Spoladore
- Mecanismos prosódicos do vocativo e indicação de foco na escrita
- José Olímpio de MAGALHÃES, Juliana Costa MOREIRA
- Did America Invade The Beatles as they invaded America? – A comparative analysis on The Beatles’ accent in former and later years
- Mariana Backes Nunes, Júlia Nunes Azzi
- PDF (ENGLISH)
- Transitivização de sumir e desaparecer no português do Brasil: um caso de construcionalização lexical
- Monclar Guimarães Lopes
- Uma interpretação funcionalista para dois tipos de construção apositiva
- Márcia Teixeira Nogueira
- Acerca de la alternancia entre quedar y quedarse: una mirada desde el enfoque cognitivo-prototípico
- Analía Zilber
- PDF (ESPAÑOL (ESPAÑA))
- A expressão da evidencialidade no contexto de gêneros textuais
- Izabel Larissa Lucena, Márcia Teixeira Nogueira
- O problema das definições
- Pablo Jamilk Flores, José Borges Neto
- Fala [ø] e escreve [ø]: variação do rótico em posição de coda na escrita escolar de Uberaba/MG
- Marcus Garcia, Caio Santilli Oranges
- Em busca de áreas dialetais brasileiras: jogando “bolinha de gude”
- Leandro Almeida dos Santos
- RESENHAS
- LEITE, Marli Quadros. Preconceito e intolerância na linguagem. Coleção linguagem & ensino. São Paulo: Editora Contexto, 2012
- Yls Rabelo Câmara
- PETTER, Margarida [org]. Introdução à Linguística Africana. São Paulo: Contexto, 2015.
- Mateus Emerson de Souza Miranda
Entrepalavras. Fortaleza, v.6, n. 2 (6)
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- The Hebrew adverbial bixlal
- Ruti Bardenstein
- PDF (ENGLISH)
- Hipotaxe adverbial e suas funções textual-discursivas no gênero resposta argumentativa
- Fátima Christina Calicchio
- Os cartazes dos protestos líquidos
- Helcius Batista Pereira, Ariane Fermino Silva
- #RainhaDaNação: multimodalidade e subversão na construção do poder da personagem Dilma Bolada
- Leonel Andrade dos Santos, Jorge Tércio Soares Pacheco
- Construções metafóricas no discurso de Dilma Rousseff: análises à luz da teoria da argumentação na língua
- Nathália Luiz de Freitas
- O referente O lugar onde vivo em artigos de opinião: um diálogo entre a teoria da referenciação e a objetividade entre parênteses
- Filipe Fontenele Oliveira, Maria Helenice Araújo Costa
- Representações de servidores da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH) acerca da formação dos agentes socioeducadores
- Janice Raquel Lima, Solange Maria Barros
- The language of self, power, meaning: Japanese literature and the cultural boundaries of ideology
- James A. Wren
- PDF (ENGLISH)
- La modalización discursiva en textos de José Martí para la sección Correo de los teatros, de la Revista Universal (México, 1875-1876)
- Yamilé Pérez García
- PDF (ESPAÑOL (ESPAÑA))
- O sujeito e a socioconstrução da linguagem
- Francisco Renato Lima, Maria Angélica Freire de Carvalho
- Bilinguismo, emoções e moralidade: um estudo via sistema de avaliatividade
- Igor Augusto Pereira, Pedro Henrique Lima Praxedes Filho
- Are you married teacher? Estratégias enunciativas sobre como tirar do armário
- Raulino Batista Figueiredo Neto
- Tipo uma menina: estereótipo e formas de subjetivação
- Patricia Luiza Trindade
- O ensino do léxico no livro didático
- Alba Valéria Tinoco Alves Silva
- Muitas gramáticas, muitas normas: por que ensinar língua padrão?
- Marcelo Moraes Caetano
- Análise do discurso e ensino de língua materna: a construção do sujeito autor
- Avany Aparecida Garcia
- Gêneros jornalísticos na escola
- Robson Deon
- Inserção de atividades pedagógicas mediadas pelas TIC na alfabetização
- Lúcia Margarete Santos da Costa
- Do filme à história em quadrinhos: um trabalho de retextualização no 4º ano do ensino fundamental
- Luciano Pereira Nunes, Lorena Bischoff Trescastro
- As múltiplas facetas do processamento da leitura em indivíduos afásicos: revisão de literatura
- Sabrine Amaral Martins
- RESENHAS
- STREET, B. V. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. Trad.: Marcos Bagno. São Paulo: Parábola Editorial, 2014. 240p.
- Raquel de Maria Queiroz Barros
- GROLLA, Elaine; SILVA, Maria Cristina Figueiredo. Para conhecer Aquisição da linguagem. São Paulo: Contexto, 2014.
- Lucas Bueno Bergantin
- SANTOS, Fábio Cardoso dos; MORAES, Fabiano. Alfabetizar letrando com a literatura infantil [livro eletrônico]. 1. ed. São Paulo: Cortez, 2014.
- Millena Ariella dos Santos Mota
- ROJO, R. H. R.; BARBOSA, J. P. Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.
- Edvania Ferreira Bandeira
Entrepalavras. Fortaleza, v.6, n. 1 (6)
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- Léxico e Humor: Considerações sobre o funcionamento chistoso dos sentidos no Dictionnaire des mots qui n’existent pas
- Anderson Braga do CARMO
- A alternância dos verbos agapao e phileo nas traduções para as línguas latina e neolatinas do texto bíblico de João 21, 15-17
- Artur Viana NASCIMENTO
- A formação lexical da toponímia humana municipal alagoana
- Pedro Antonio Gomes MELO
- Fenômenos linguísticos na fala sulgoiana, fatores condicionantes
- Elisama Borges LINO, Arlete de Falco, Martha Tereza Santos Silva, Ana Cláudia Martins Santos
- Análise funcionalista da ordenação de orações temporais em relatos da Revista Seleções
- Sávio André de Souza CAVALCANTE, Maria Neurielli Figueiredo CARDOSO
- O gênero e-mail institucional na construção de uma comunidade discursiva sociorretórica
- Marco Aurelio Silva SOUZA, Maria das Graças Dias PEREIRA
- Uma breve análise comparativa entre exemplares do gênero textual “resumo acadêmico”
- Cibele Gadelha BERNARDINO, Dawton Lima VALENTIM
- Atividades sobre sinais de pontuação em duas coleções de livros didáticos de Língua Portuguesa (anos finais)
- Anderson Cristiano da SILVA
- A ortografia nos livros didáticos da Educação de Jovens e Adultos das séries finais do ensino fundamental
- Vinicius da Silva VIEIRA
- Sequência didática para aquisição de português como segunda língua para estudantes surdos: uma proposta
- Eduardo Dias da Silva
- RESENHAS
- SANTOS, Leonor Werneck dos; CUBA RICHE, Rosa; TEIXEIRA, Claudia de S. Análise e produção de textos. São Paulo: Contexto, 2013.
- Luciney Rosa Sur
- BARTON, D.; LEE, C. Linguagem online: textos e práticas digitais. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.
- Ana Margareth Steinmüller Pimentel
- Lino de Araújo, Denise. Enunciado de Atividades e Tarefas Escolares: Modos de Fazer. 1a. ed. Olinda: Livro Rápido, 2014. v. 1. 150p.
- Fabiene Araújo Ataíde
Entrepalavras. Fortaleza, v.5, n. 3 esp (5)
Erotismo e(m) Linguagens
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- Erotismo e Práticas Discursivas
- Um canto entre quatro paredes: a sensualidade no investimento vocoverbal de Belchior
- Maria das Dores Nogueira Mendes
- O mostrar-se erótico da linguagem: a construção do etos em Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues
- Juliane de Sousa Elesbão
- O amor e o erótico lexicograficamente analisado: uma visão discursiva
- Zilda Maria Dutra Rocha
- Eros e paz nas comédias de Aristófanes
- Ana Maria César Pompeu
- O erotismo nos poemas 1.1 E 1.4 de Tibulo
- Maria Helena Aguiar Martins
- A linguagem do humor e do desejo em Dona Flor e seus Dois Maridos
- Alba Valéria Tinoco Alves Silva
- “Las edades de Lulú”: un análisis del erotismo en el lenguaje femenino
- Melina Raja Soutullo, Yls Rabelo Câmara
- A escrita feminina de Leonard Cohen em A Brincadeira Favorita
- Lia Leite Santos
- Uma viagem através dos bas-fonds da metrópole
- Luciano de Jesus Gonçalves
- Pornografia e transgressão na obra literária de Henry Miller
- Raquel Catunda Pereira
- O erotismo e o sagrado no livro A história do olho de George Bataille
- Silvane Santos SOUZA, Eliane Bispo de Almeida SOUZA
- O amor como instinto natural humano e animal nas poesias eróticas de Drummond e Augusto Oliveira
- Srta Malena Vidal Santos
- O erotismo místico e a sensualidade da mulher em “mulher nua” de Gilka Machado
- Ana Caroline do N Neri, Francisco Xavier de O. NETO
- Remedios, a bela: beleza, erotismo e poder de morte em Cem anos de solidão
- Eline Aguiar Costa, Leidiane Nogueira Peixoto
- O erotismo e o desejo na obra Salomé, de Oscar Wilde
- Ana Claudia Pinheiro Dias Nogueira
- Erotismo e Gênero
- Adestrar os corpos, civilizar os sentidos: a honra como dispositivo de controle da sexualidade no Brasil (colônia e império)
- Walter de Carvalho Braga Júnior, Anna Paula Oliveira Sales Ferreira Braga
- “Madame Pommery”: a prostituição das polacas no Brasil
- Taynara Mirelle do Nascimento de Araújo
- Erotismo e Mídias
- Erotismo e performance em Amante a Domicílio
- Marcela Ferreira Lopes, José Carlos Felix
- Imagens do prazer em Uma janela para o Amor e Maurice
- José Ailson Lemos de Souza
- O erotismo nos quadrinhos: ferramenta artística, política e social
- Luiza Oliveira de Menezes, Fernanda Alves de Morais Lima
Entrepalavras. Fortaleza, v.5, n. 2 (5)
Entrepalavras
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- As modificações da forma verbal nas estratégias de correção e paráfrase em ocorrências da língua falada: uma análise sob a perspectiva funcionalista
- Fernanda Trombini Rahmen Cassim
- Adenoide: uma personagem sociolinguística
- Flavio Biasutti Valadares
- As variantes para “animal sem chifres” na Bahia e em Sergipe
- Marcela Moura Torres Paim
- As denominações para menstruação no Atlas Lingüístico de Sergipe – ALS
- Leandro Almeida dos Santos
- Monotongação e ensino: quando a variação linguística chega à escrita
- José Humberto dos Santos Santana, Islan Bispo de Oliveira, Mariléia Silva dos Reis
- Construção de identidades e subjetividades em vídeos amadores no youtube: “sujeito-comentário”
- Yuri Araujo Mello
- Análise, desenvolvimento, implementação e avaliação de um Objeto de Aprendizagem de Línguas
- Alan Ricardo Costa
- Sociointeracionismo: pressupostos teóricos para o embasamento de práticas escolares em leitura e escrita
- Marco Aurélio Cosmo Machado, Maria Luzimar Fernandes dos Santos
- Inferências metafóricas e metonímicas na leitura de textos
- Dione Márcia Alves Moraes
- RELATOS DE EXPERIÊNCIA
- Um olhar sobre as práticas de retextualização em quatro escolas do estado do Pará
- Jayna Karolyne de Souza Santos, Alana de Paiva Costa, Iara Maria Sousa da Cruz, Victor Diogo da Silva Cardoso
- RESENHAS
- BUENO, Luzia; LOPES, Maria Angela Paulino Teixeira; CRISTOVÃO, Vera Lúcia Lopes (Org.) Gêneros textuais e formação inicial: uma homenagem à Malu Matencio. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2013, 383p.
- Karine Correia dos Santos de Oliveira
- SARAIVA, José Américo Bezerra. A trama poética em Caetano Veloso. Fortaleza: Editora UFC, 2014.
- Arytyanne Maia da Silva
- DELL’ISOLA, Regina Lúcia Péret. Aula de português: parâmetros e perspectivas. Belo Horizonte: FALE/ Faculdade de Letras da UFMG, 2013.
- Lorenna Bolsanello de Carvalho
Entrepalavras. Fortaleza, v.5, n. 1 (5) 2015.
Entrepalavras
Folha de rosto
Institucional
Expediente
Apresentação
- O quê? Trabalhar? Ele? O Sentido de Incongruência na Construção de Reação de Incredulidade
- Konrad Szczesniak
- Forma, função ou sentido? Uma reflexão sobre a classificação dos vocábulos nas gramáticas normativas
- Pedro Felipe de Lima Henrique
- Proverbs and Identity: A Study of Hadoti Proverbs
- Amitabh Vikram Dwivedi
- Eu escolhi esperar ou o funcionamento do discurso da temperança
- Francisco Vieira da Silva
- Interdiscursividade e metadiscursividade no videoclipe Applause, de Lady Gaga
- Lúcio Flávio Gondim da Silva
- Condições de produção do discurso burocrático: prelúdios de uma análise
- Valfrido da Silva Nunes
- A Cinderela austeniana: uma análise sobre a intertextualidade em Mansfield Park
- Tânia Maria Oliveira Gomes
- Ensino de espanhol na escola e campanha institucional: uma perspectiva enunciativa
- Charlene Cidrini Ferreira
- Análise de textos dos alunos do 6º ano: principais desvios fonológicos
- Maria Angela Lima Assunção, Maria José Fernandes de Araújo
- O ensino da língua portuguesa no ensino médio por meio de sequências didáticas
- Marilúcia dos Santos Domingos Striquer, Carla Catarina Silva, Marta Aline Buckta
Os mineiros e o trabalho em mineração | Mundos do Trabalho | 2015
Organizadora
Clarice Gontarski Speranza
Referências desta apresentação
SPERANZA, Clarice Gontarski. Os mineiros e o trabalho em mineração: experiências, lutas e identidades. Mundos do Trabalho. Florianópolis, v. 7, n. 14, p. 5-9, jul./dez. 2015. Acesso apenas pelo link original [DR]
Crime et Châtiment au Moyen Âge (Ve-XVe siècle) – ROUREILLE (H-Unesp)
TOUREILLE, Valérie. Crime et Châtiment au Moyen Âge (Ve-XVe siècle). Paris: Éditons du Seuil, 2013. 329 p. Resenha de: TEODORO, Leandro Alves. História [Unesp] v.34 no.1 Franca Jan./June 2015.
Uma carta de remissão, elaborada pela chancelaria régia da França no início do século XVI, reporta que o barbeiro Guilherme Caranda, ao final da procissão de corpus Christi na cidade de Senlis, ouviu, na porta de casa, o serralheiro Claude Caure proferir aos gritos várias palavras obscenas e blasfemadoras. Segundo a peça, “numa explosão de raiva”, Caranda – que não era considerado “muito dócil” – teria reagido imediatamente às provocações verbais, retirando uma faca do bolso para golpear o olho esquerdo do blasfemador. Embora este serralheiro tenha protegido seu rosto com a mão, não se estancava a ferida aberta em seu corpo pelo corte, e, por falta de curativo ou cuidados médicos, veio pouco tempo depois a óbito. Com a notícia do assassinato espalhada pela cidade, o barbeiro, temendo algum tipo de repressão por parte das autoridades, fugiu da França para algum lugar não informado. Em 1530, depois de o crime ter sido investigado pelo poder régio, Guilherme Caranda foi inocentado.
A partir dos séculos XIV e XV, num período em que o poder régio passa a julgar com mais regularidade os crimes de homicídio cometidos em diferentes cantos da França, muitos outros homens foram inocentados ou condenados por pareceres emitidos por monarcas. Partindo da análise de casos semelhantes ao julgamento de Caranda, a historiadora Valérie Toureille,1 mestre de conferência da universidade Cergy-Pontoise, procura esquadrinhar, na obra Crime et Châtiment, não apenas um repertório de crimes ou os diferentes tipos de julgamentos que ocorriam na Idade Média, mas também os limites tolerados para a prática da violência física nesses tempos. A história sobre o crime e o castigo que propõe é enriquecida com várias passagens em que investiga o emprego realizado pelos medievos de termos como “homicídio”, “delito”, “inquérito” e “pena”. Dito de outro modo, tomando como alvo o vocabulário da época, a pesquisadora sugere que o fio condutor de seu livro é investigar como, na Idade Média, os juristas e outros letrados descreviam o que entendiam por crime e justiça. A história dos crimes de Toureille está amparada, pois, na convicção de que os diálogos entre o passado e o presente não podem deixar de respeitar a peculiaridade de cada tempo, bem como de que a sensibilidade humana em relação à violência e ao medo é tão histórica e presa aos limites de cada época quanto os inquéritos criminais ou o próprio processo de solidificação dos jogos de poder.
Toureille procura descontruir a impressão – que, segundo ela, está cristalizada no senso comum do homem moderno – de que a violência física era um grave empecilho para o ordenamento social na Idade Média; alega que a percepção que os juristas desse período tinham do mundo era diferente da nossa, por defenderem, por exemplo, tanto a aprendizagem do uso de armas como indispensável para a vida, quanto o assassinato de caluniadores ou blasfemadores como prática necessária para a manutenção da harmonia entre os cristãos. Deslizando por diferentes tipos de documentos, como códigos legislativos e crônicas, a historiadora considera que, ao contrário dos nossos tempos, a Idade Média teria sido um período em que os homens aprendiam a conviver diariamente com a violência física, pois as cidades e as estradas eram lugares repletos de ladrões, assassinos e estupradores. Ao longo do livro, é recorrente, portanto, a ideia de que o cristão estava habituado com cenas de agressão que seriam hoje certamente condenadas, mas que, naquela época, poderiam ser toleradas ou, dependendo do caso, aceitas sem nenhum tipo de repressão pública.
Toureille também chama atenção para o fato de que, nos dias de hoje, é bastante comum ouvir que, na Idade Média, enquanto os camponeses e os clérigos seriam pessoas sem coragem para tomar qualquer atitude violenta, os guerreiros aristocráticos se notabilizariam pelo uso excessivo da força física. Para contrapor tal opinião, ela mostra, a partir de relatos da época, que camponeses e religiosos precisavam aprender a utilizar instrumentos cortantes que carregavam consigo, já que a falta de segurança nas estradas e ruelas das cidades os obrigava a saber se defender de saqueadores. Aliás, Toureille não deixa de afirmar que, malgrado as diferenças entre um camponês e um guerreiro, o varão leigo de todos os grupos sociais era ensinado a demarcar seu território e a impor respeito pela força física. Na visão dela, uma diferença substancial, contudo, era que os nobres possuíam melhores condições do que os camponeses, tanto para se organizar em bandos e se munir de armas, quanto para realizar saques em diferentes lugares. Ao mirar a desconstrução de opiniões de não especialistas acerca da Idade Média, a pesquisadora também defende que a prática de crimes, ao contrário do que já tinha ouvido, estava longe de ser exclusiva dos homens. Analisando algumas peças criminais em que mulheres eram acusadas por roubo de alimentos, panos e outros objetos domésticos, mostra que o crime era banalizado, a ponto de diferentes tipos de cristãos chegarem a cometê-lo, independentemente da condição social e do gênero.
Tourreille não deixa de ressaltar, do mesmo modo, que a escala de crimes hediondos de nossos tempos é diferente do quadro de delitos condenados na Idade Média. Por exemplo, ela afirma que hoje não há na França qualquer espécie de legislação penal para crimes que firam o primeiro mandamento (amar a Deus sobre todas as coisas), mas naquela época, um jurista consideraria, pois, muito mais grave a injúria ao nome de Cristo do que o assassinato em legítima defesa. Explorando os limites da prática do homicídio e da aceitação da violência, Toureille esmiúça códigos de honras e os costumeiros franceses e chega à conclusão de que a sociedade medieval se organizava em torno da batalha, fosse esta um confronto corpo a corpo durante uma guerra ou uma disputa pela defesa da honra da família. Para ela, a batalha era então um meio para as pessoas resolverem suas rixas, tirarem satisfações e, sobretudo, manterem conservada a hierarquia da vila ou do reino frente a qualquer ameaça externa. Por isso, insiste em dizer, em mais de um capítulo, que a ação de matar, quando fosse para a proteção dos seus, era muito mais do que uma ação tolerada, era uma prova de valentia e audácia – dois valores julgados indispensáveis, na Idade Média, a qualquer homem que quisesse ser respeitado e visto como virtuoso.
Ao inventariar os delitos julgados graves, Toureille assevera que a traição poderia ser considerada mais lesiva que o homicídio. Segundo ela, numa sociedade como a medieval em que a palavra era vista como espelho da alma, faltar com a verdade diante de seu superior e deixar de cumprir um pacto firmado eram deslizes considerados inaceitáveis, a ponto de se poder executar alguém por quebra de contrato. Avançando em seu raciocínio, a historiadora vai além e diz que o roubo era outro crime que poderia causar uma sensação de repugnância muito maior que o homicídio, por desequilibrar as finanças das vítimas e criar um clima de instabilidade social. Toureille explica que muitos ladrões, além de tirarem os bens mais preciosos de suas vítimas, aproveitavam a ocasião tanto para estuprar as mulheres quanto para incendiar as casas que foram por eles assaltadas. Por esse motivo, o roubo acabava, para ela, abrindo espaço para outros delitos que passaram a ser cada vez mais reprimidos pelas autoridades régias e religiosas da época.
Ao longo do livro, Toureille também não deixa de afirmar que o homicídio, depois do falecimento das bases jurídicas do Império Romano, era um problema resolvido, na maioria das vezes, pelas partes envolvidas, pois pouco eficiente era o poder régio para conseguir interferir nesse tipo de contenda. Conta essa historiadora que foi apenas, no século XIII, que os tribunais começaram a surgir como mediadores, isto é, instâncias superiores, para punir, por exemplo, a pessoa que tivesse violentado uma mulher ou matado alguém por motivo fútil. Descrevendo o papel do poder régio no fortalecimento dos tribunais, o livro salta para as leis régias que foram criadas para proibir saques, estupros, roubos, assassinatos e outros crimes, isto é, as normas legislativas elaboradas com a finalidade de garantir a integridade física e moral dos súditos do monarca. Daí em diante ganham cada vez mais espaço, na trama de Crime et Châtiment, os mecanismos de contenção de delitos batizados, no final da Idade Média, de “crimes de lesa-majestade”, chamados assim por denegrirem, de algum modo, a imagem do príncipe.
Visando mostrar a formação da justiça régia francesa, Toureille ressalta que os monarcas começaram, entre os séculos XIV e XV, não apenas a criar um corpus de obras jurídicas, mas também a pôr em prática suas leis, enviando funcionários para diferentes cantos das cidades com a missão de punir homicidas, blasfemadores, sodomitas e outros criminosos. Além disso, ela enfatiza que os reis passaram a defender, nesse momento, a existência de um exército permanente, o que teria levado os juristas a condenarem a formação de grupos de saqueadores e de outros homens armados que não possuíam autorização para agir. Destaca essa historiadora que o resultado da criação dessas medidas foi o aparecimento de uma “memória judicial” – ou seja, decretos e cartas que mantinham a salvo do esquecimento tanto as leis quanto o nome de criminosos e seus respectivos crimes. Na sequência, apresenta o governo do monarca S. Luís (1214-1270) como um marco na configuração do direito medieval, pois possibilitou o advento de um sistema de punição cujo cabeça não poderia ser outro homem a não ser o próprio rei.
Toureille ressalta, contudo, que o tribunal monárquico passou a sofrer a concorrência dos tribunais eclesiásticos por volta dos séculos XIII e XIV. Afirma que, desde o século XII, a Igreja já investia na compilação de códigos canônicos e de outros tipos de materiais que pudessem orientar os prelados a saberem como excomungar e degredar pessoas consideradas criminosas. Tal era o papel das leis canônicas que essa pesquisadora reservou um espaço expressivo do livro para dizer que a legislação da Igreja foi a principal responsável por naturalizar a ideia de que o delito não passava de um tipo de pecado que ameaça a ordem, como rapto ou incêndio. Destaca também que, graças à legislação canônica, a confissão do acusado e o depoimento das testemunhas se tornaram peças-chaves para a resolução de crimes. Cruzando a gama de penas aplicadas pelos tribunais reinóis e eclesiásticos, Toureille vai mostrando, portanto, como que, nos séculos XIII e XIV, surgiram novas correntes políticas e teológicas criadas para ajudar o fiel a entender que o uso exagerado da força física poderia desencadear ações delituosas e, por isso mesmo, pecaminosas.
A história descrita por Toureille não é apenas acerca do repertório de crimes e castigos, mas uma história que busca mostrar que os homens da Idade Média, diferentemente de nós, toleravam certos tipos de violência. Nos dias de hoje, em que a criminalização e a descriminalização de algumas práticas são pauta recorrente na sociedade, essa historiadora parte de questões que preocupam o homem moderno sem negligenciar, contudo, a singularidade dos tempos medievais, isto é, o próprio modo como os medievos definiam suas ações. Em suma, a leitura da obra Crime et Châtiment fascina, pois faz o leitor percorrer quatro capítulos muito bem escritos e que se notabilizam pela erudição neles apresentada.
1 Valérie Toureille também é autora de Vol et brigandage au Moyen Âge (PUF/2006), Robert de Sarrebrück ou l`honneur d`un écorcheur (PUR/2014), entre outros trabalhos.
Leandro Alves Teodoro – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – UNESP, Contato: teodoro400@yahoo.com.br.
Filologia e História | Politeia: História e Sociedade | 2015
Este número de Politeia reúne um conjunto de estudos filológicos, cujo denominador comum é não apenas problematizar a relação entre prática letrada e realidade social, mas sobretudo privilegiar a materialidade da comunicação, examinando os códigos retóricos e bibliográficos, na perspectiva da história do livro e das edições.
Em seu belo ensaio, Gumbrecht discute a penetração do paradigma filológico germânico em França, ao historiar a formação acadêmica de Gaston Paris, na Alemanha, demonstrando que é com este filólogo francês que principia o que se pode chamar de filologia metódica no campo românico. É sabido que a edição crítica do Vie de Saint Alexis, publicada pela primeira vez em 1872, inaugura a crítica de textos no campo românico baseada em princípios críticos lachmannianos. Hans Ulrich Gumbrecht discute a oposição que houve entre a filologia parisiana e aquela outra, anterior a ela, praticada pelo filólogo Paulin Paris, pai de Gaston, e a quem ele sucedeu no Collège de France. Leia Mais
Deslocamentos interamericanos: literaturas caribenhas produzidas nos EUA e no Canadá / Revista Brasileira do Caribe / 2015
Quando Antonio Benítez Rojo propõe sua metáfora conceitual do Caribe como meta-arquipélago, como uma ilha que se repete ao longo da bacia marítima, funda uma imagem do universo caribenho que tem muito menos a ver com uma região delimitada geografi camente do que com uma dinâmica de comportamentos que se estende e se multiplica, eu diria, para além das próprias ilhas. Pensar o Caribe como universo cultural que se infi ltra no continente, visualizando sua literatura nos vínculos de pertencimento a uma comunidade literária interamericana, é o centro articulador dos trabalhos que integram o dossiê “Deslocamentos interamericanos: literaturas do Caribe nos Estados Unidos e no Canadá”, especialmente preparado para este número da Revista Brasileira do Caribe.
A problemática do deslocamento cultural é central nas refl exões dos ensaios do dossiê, assim como nos artigos que incluímos na seção “Outros deslocamentos caribenhos”. O movimento diaspórico que caracteriza a história do Caribe, o permanente trânsito cultural, os processos de negociação linguística que se operam nesses trânsitos, a imaginação diaspórica, as múltiplas formas do biculturalismo e da extraterritorialidade, os deslocamentos de um suposto cânone, são temas discutidos no número, que integrou o trabalho de professores e pesquisadores de diferentes universidades do Brasil e dos Estados Unidos, além da obra criativa de escritores caribenhos, especifi camente cubanos, radicados na América do Norte.
Abre o dossiê um ensaio de Roland Walter, “Entre mares e lares: a poética da (des) locação na literatura do arquipélago caribenho”, que aposta em uma hermenêutica do espaço para estudar textos de escritores caribenhos estabelecidos na América do Norte, como Marlene Nourbese Philip, natural de Trinidad & Tobago e radicada no Canadá; Émile Ollivier e Dany Laferrière, haitiano-canadenses, e Jamaica Kincaid, que nasceu em Antígua e vive nos Estados Unidos desde os dezessete anos. O ensaísta estuda a relação que as subjetividades migrantes estabelecem com a noção de lugar. Para isso examina a elaboração de uma espacialidade textual nas obras objeto de estudo e como esta traduz a contínua renegociação identitária entre culturas e lugares.
A fi cção especulativa pós-colonial de Nalo Hopkinson, escritora canadense nascida na Jamaica, cuja fi cção científi ca funde elementos canônicos do gênero com marcadores que remetem claramente a uma modernidade contracultural, é estudada por Sonia Torres em “Modernidade contracultural e pós-‘clonial’ em Midnight Robber, de Nalo Hopkinson”, texto que propõe uma leitura do premiado romance de Hopkinson argumentando como a obra aponta, metaforicamente, para as tensões entre o arquivo ofi cial da modernidade e os pontos cegos dessa mesma narrativa.
Na órbita dos estudos sobre a memória, Denise Almeida estuda em “Abeng: identidades, memórias e histórias em disputa” as formas em que se opera a revisão da memória e das identidades nacional e pessoal no romance Abeng, da escritora jamaicano-americana Michelle Cliff. Ressalta-se neste ensaio o papel organizador e criativo da memória, especialmente a forma como as triagens, acréscimos e eliminações feitas sobre as lembranças impactam na construção da identidade individual e social. A ensaísta frisa o papel decisivo no romance das memórias subterrâneas e minoritárias, que desafi am a memória ofi cial e trazem à tona histórias silenciadas, colocando em confl ito uma memória nacional e pessoal.
O texto “Discursos da memória na literatura da diáspora cubana nos Estados Unidos”, de Elena Palmero González, apresenta uma leitura em diacronia do conceito de diáspora, sua ressemantização na crítica cultural contemporânea, assim como seus vínculos com a atividade memorial. A partir desses pressupostos, discute como as comunidades diaspóricas elaboram formas criativas de memória individual e coletiva, tema que estuda de maneira pontual em um conjunto de textos pertencentes ao universo da literatura cubano-americana, cuja temática central e formas discursivas dominantes estão vinculadas à estetização de uma memória diaspórica.
Na sequência, Jesús Barquet, no ensaio “A literatura hispana dos Estados Unidos: refl exões começando o século XXI”, conduz sua discussão para o tema mais abrangente da literatura latina nos Estados Unidos, incluindo em suas considerações problemas fundamentais da literatura caribenha no espaço geocultural estadunidense. Buscando desativar binarismos derivados de práticas discursivas dos séculos XIX e XX (maioria/minoria; anglo/hispano; centro/periferia), o ensaísta discute como a presença hispana, cada vez maior nos Estados Unidos, nos convoca a repensar e redefi nir o cânone da literatura estadunidense e, por extensão, também o cânone das literaturas latino-americanas e caribenhas no século XXI.
Encerra o dossiê uma breve seleção poética de cinco escritores da diáspora cubana nos Estados Unidos: Magali Alabau, Jesús Barquet, Alina Galliano, Maya Islas e Juana Rosa Pita. Trata-se de uma amostra expressiva do vigoroso movimento da poesia cubana produzida no espaço geocultural estadunidense.
Nesse conjunto notamos a singularidade estética de cada um deles, ao mesmo tempo em que reconhecemos linhas temáticas e estilísticas que caracterizam, de modo mais amplo, a poesia cubana contemporânea.
Completam o numero três ensaios e uma entrevista, que circulam por outros temas caribenhos, também articulados ao problema do deslocamento, entendido neste caso em sentido amplo, não somente como mobilidade física, mas também espiritual, linguística, ideológica, discursiva ou genérica.
O ensaio de Maria Bernadette Velloso Porto, intitulado “Representações da escuta e da palavra da noite em autores francófonos de origem antilhana”, propõe um estudo da oralidade na obra de autores francófonos oriundos das Antilhas. Sua análise aponta a ilegibilidade, a opacidade e a performatividade como formas deslocadas da identidade desses textos, aprofundandose na recuperação da fi gura do contador de histórias e nas relações entre o gesto de escutar e a prática de contar histórias, vistas como lugares de resistência cultural na obra de escritores sensíveis ao processo de crioulização. Para melhor desenvolver suas ideias, a ensaísta estuda o romance Tambour-Babel (1996), do escritor guadalupense Ernest Pépin, um texto que explora a complementaridade entre o domínio da palavra, a performance dos virtuoses do tambor e a arte da dança, enfatizando no corporal e na capacidade de improvisação ligados ao jogo performativo da escrita.
A obra de quatro escritores caribenhos – Aimé Césaire, Édouard Glissant, Patrick Chamoiseau (nascidos em Martinica) e Maryse Condé (de Guadalupe) – é explorada no ensaio de Euridice Figueiredo, intitulado “Caribe francófono e África: interseções”, a fi m de detectar o tipo de relação que esses escritores estabeleceram com a África ao longo de sua vida e de sua obra. A partir da análise dessa relação, a ensaísta desenvolve um estudo diacrônico do pensamento que articula os movimentos negros em torno a duas posições fundamentais relativas à Africa: o mito do retorno à mãe Africa (presente em Cesaire e Condé) e o desejo de enraizamento no solo americano, com o reconhecimento da crioulização como processo que jamais devolverá a Africa, só como alegoria literária (presente em Glissant e Chamoiseau).
“Pater familias por una literatura menor: la poética conceptual del Grupo Diáspora(s)”, de Idalia Morejón Arnaiz, propõe estudar a produção do grupo cubano Diáspora(s) como um dos locus teoricus privilegiados do pós-estruturalismo em Cuba.
Lembrando que o pensamento de Foucault, Derrida, Deleuze e Guattari serviu de ferramenta de interpretação da política e da arte para diversas manifestações coletivas dos anos 1980 na ilha, a ensaísta analisa como as ações concretas do grupo Diáspora(s), assim como sua fi losofi a, se articularam a esse pensamento para expressar o deslocamento substancial que o grupo marcou em relação ao cânone da poesia nacional. Além disso, a autora mostra como a experimentação estética funcionou também como dispositivo da práxis politica.
Encerra o número uma instigante entrevista realizada por Luana Antunes Costa ao escritor martiniquense Patrick Chamoiseau em junho de 2013, durante visita da pesquisadora a Fort-de-France. A conversa versa sobre o contexto sociopolítico e cultural de Martinica, as relações identitárias da ilha com as Américas e com a França; sobre a dinâmica da escrita com Eduard Glissant e sobre conceitos como beleza e política. Como era de se esperar, a conversa fl ui de maneira diáfana e sempre inteligente, tocando pontos centrais da concepção poética e política do escritor.
Vistos em conjunto, todos os textos que integram o número oferecem variações muito originais de um mesmo tema: as múltiplas formas em que o deslocamento e/ou o pensar deslocado impacta a cultura contemporânea no Caribe.
Elena Palmero González
GONZÁLEZ, Elena Palmero. Deslocamentos interamericanos: literaturas caribenhas produzidas nos EUA e no Canadá. Revista Brasileira do Caribe, São Luís, v.15, n.20, jan./jun., 2015. Acessar publicação original. [IF].
A construção do mito Mário Palmério: um estudo sobre a ascensão social e política do autor de Vila dos Confins FONSECA (RTA)
FONSECA, André Azevedo da. A construção do mito Mário Palmério: um estudo sobre a ascensão social e política do autor de Vila dos Confins. São Paulo: Editora UNESP, 2012. Resenha de: PEREIRA, Adgélzira Capeloti. A jornada mitológica de Mário Palmério. Revista Tempo e Argumento, v. 07 n.4, 2015.
No livro “A construção do mito Mário Palmério: Um estudo sobre a ascensão social e política do autor de Vila dos Confins”, André Azevedo da Fonseca reconstrói parte da história de Uberaba e, até mesmo, traça um panorama histórico, cultural e político do Triângulo Mineiro entre as décadas de 1940 e 1950. A obra, com 306 páginas, publicada pela Editora Unesp, em 2012, analisa as estratégias simbólicas utilizadas por Palmério na busca de prestígio pessoal, profissional e político e tem seus caminhos iluminados pela história cultural. A publicação é resultado da tese de doutorado em do autor História, defendida na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Pós-doutor em Estudos Culturais no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ), Fonseca é especialista em História do Brasil pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e graduado em Comunicação Social (Jornalismo), pela Universidade de Uberaba (Uniube).
Seu currículo, cuja ênfase se encontra na interdisciplinaridade, especialmente na tétrade história, comunicação, cCultura e política, certamente contribuiu para esmiuçar e apresentar aspectos mitológicos da vida do professor e político Mário Palmério, mais conhecido como autor dos livros Vila dos Confins (1956) e Chapadão do Bugre (1965), ambas relevantes para a literatura brasileira. Vale ressaltar que Palmério foi sucessor de Guimarães Rosa na Academia Brasileira de Letras, em que foi o quarto ocupante da Cadeira 2, da qual tomou posse em 1968. No romance Vila dos Confins, com o qual alcançou o auge da celebridade, trata de fraudes eleitorais, área por ele muito conhecida. Já a segunda obra, Chapadão do Bugre, também romance, apresenta costumes regionais e uma narrativa mitológica que conduz ao seu universo particular. Fonseca, no entanto, deixa claro que não é a contribuição literária de Palmério seu foco de pesquisa, mas as ferramentas que o político utilizou com maestria na área simbólica, conseguindo, dessa forma, atingir o imaginário da população do interior de Minas Gerais, sagrando-se como bom filho, educador dedicado, empreendedor bem-sucedido e político preparado para entender os anseios do povo e a eles atender. Considerado por Fonseca um significativo exemplar de “ator político”. Sua pesquisa mostra que Palmério teatralizou uma imagem pública, conquistou distinção social e se legitimou como portador das aspirações populares da época, até consagrar-se como “verdadeiro mito da cultura política regional”. Para apresentar toda a trajetória mitológica enfrentada pelo herói mineiro, Fonseca divide o livro em dois atos, mais uma conclusão. No primeiro – Mário Palmério na escalada do reconhecimento social –, são abordados temas como o prestígio que sua família gozava na sociedade uberabense, sua socialização, sua incrível ascensão profissional e sua consagração pública. Ao mostrar o destaque conquistado pela família de Palmério em Minas Gerais, mais especificamente na sociedade uberabense, Fonseca situa o ambiente em que o escritor, caçula de uma grande família, “numerosa e tradicional”, nasceu e cresceu, atento aos costumes e meandros de uma sociedade cujos membros sempre se empenharam em conquistar o poder e nele permanecer. O segundo ato – A consagração do mito –, compreende uma revisita do autor à trajetória profissional de Palmério, com análise metodológica que demonstra que, mudando a forma de indagar, novos dados são revelados ao leitor. Neste momento da pesquisa, apresenta um estudo sobre o contexto local no período pós-guerra, no qual situa a ascensão política de Palmério na sociedade. Ainda sobre o pós-guerra, são abordadas, amarradas e bem situadas a crise social, econômica, política, identitária, alémdo ideal do separatismo do Triângulo Mineiro do estado de Minas Gerais. Nesse ato, apresenta também o anúncio do herói e sua saga, composta pela jornada do mito Mário Palmério, a conspiração que enfrentou, e seu triunfo. As ideias de Fonseca vão se desencadeando de forma latente e agradável e mostram um Palmério que mais se parece com um personagem de seus livros literários. Como pesquisador, é possível perceber a preocupação de Fonseca em comprovar os fatos que apresenta. A utilização de imagens cedidas pela família, assim como de impressos da época e de outras diferentes fontes documentais são recorrentes na obra. A busca por materiais visa a embasar a tese de que Palmério soube manejar com grande habilidade sua propaganda pessoal e os códigos de prestígio em circulação na cidade, de forma a traçar e encaminhar sua trajetória, conscientemente, rumo aos seus objetivos e ao êxito. Para tanto, Fonseca utiliza conceitos da imaginação social de Bronislaw Baczko e da teatrocracia, proposta por George Balandier, para defender que, para atribuir sentido ao mundo, de maneira que os favoreça, os atores políticos fundam uma sociedade política organizada a partir das regras do teatro. Segundo o autor, é preciso dominar as ideias sobre o teatro para entender a política, tendo em vista que, ao se dizer que os políticos dramatizam e encenam, não se estão utilizando metáforas.
Outro referencial teórico sobre o qual Fonseca se apoia é a pesquisa com a qual Erving Goffman esmiuça o papel dos atores sociais e defende que a representação social e a disputa por aplausos não ocorrem apenas no campo da vaidade. Também evoca a obra de Pierre Bordier no tocante ao poder simbólico, que faz com que a integração social seja real para quem está “por cima” e fictícia para os demais, que obedecem às regras. É a legitimação da dominação, de forma consciente e inconsciente, de maneira reproduzida, repetida, copiada. Por último, Fonseca cita Jean Starobinski para tratar da construção literária da realidade, com a qual se substitui a virtude pela ‘máscara da virtude’. A autor mostra que a situação vivida em Uberaba era uma ficção consentida. No teatro encenado, a elite era respeitada e teve em Palmério um dos maiores e principais atores sociais e políticos de sua época. Enfim, ao procurar preencher uma lacuna pela ausência de trabalhos que analisassem as condições históricas regionais que favoreceram a emergência de um líder político com as características reunidas por Mário Palmério, Fonseca mergulha em águas mitológicas. No entanto, apesar de todo caráter científico, com forte embasamento teórico, que demonstra a construção consciente de um mito, a obra é agradável, beirando a ficção; aliás, uma invenção fabulosa que bem se assemelha à vida de Palmério ou à de um de seus personagens.
Referências
FONSECA, André Azevedo da. A construção do mito Mário Palmério: um estudo sobre a ascensão social e política do autor de Vila dos Confins. São Paulo: Editora Unesp, 2012.
Adgélzira Capeloti Pereira – Mestranda em Comunicação Visual pela Universidade Estadual de Londrina – UEL. Especialista em Docência no Ensino Superior, pela Universidade de Maringá – Cesumar e especialista em Semiótica e Produção de Textos, pela Universidade do Oeste Paulista. Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Unoeste de Presidente Prudente
Brasil. E-mail: dicapelotti@hotmail.com.
O Castelo de Papel: uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde D’Eu – DEL PRIORI (RTH)
DEL PRIORE, Mary. O Castelo de Papel: uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde D’Eu. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. Resenha de: MACHADO, Marilane. Biografia e História: da academia ao grande público. Revista Tempo e Argumento v.07 n.15, 2015.
A partir dos anos 1980, pôde-se testemunhar uma significativa mudança nas ciências humanas em geral e, particularmente, entre os historiadores: uma redescoberta da biografia, que passou a ser reivindicada pela historiografia enquanto possibilidade de escrita da história (DOSSE, 2009, p. 16). Esta afirmação está ligada à realidade francesa analisada por François Dosse. Podemos verificar que também no Brasil as biografias passaram para o primeiro plano da historiografia do final do século XX (SCHMIDT, 2000, p. 50-51) e que, a partir daí, o gênero não parou de ascender, tendo crescido cerca de 20% entre 2008 e 2011 no Brasil, conforme relatório divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), encomendado pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros (BASSO, 2013, p. 26).
Dentro deste contexto de crescimento editorial do gênero biográfico, aliada a uma mudança nas bases teórico-metodológicas da historiografia, encontra-se a última biografia escrita por Mary Del Priore: “O Castelo de Papel: uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, e Gastão de Orléans, conde D’Eu”. A obra nos permite reflexões profícuas acerca das contribuições do gênero biográfico enquanto possibilidade de escrita da História, tais como as formas de narrativa e a relação entre indivíduo e sociedade nos escritos biográficos e historiográficos.
Mary Del Priore, renomada historiadora brasileira, é atualmente professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira – Universo/Niterói. É conhecida, no meio acadêmico, por seus estudos nas áreas de História do Brasil Colonial – da qual também foi professora na Universidade de São Paulo -, de história das mulheres, da criança, do corpo e da sexualidade, e vem se destacando nos últimos anos por suas obras direcionadas ao grande público, além da produção de biografias, sobretudo ligadas a membros da família imperial brasileira no decorrer do século XIX.
O livro está dividido em 11 capítulos e compreende um período de 25 anos da vida do casal biografado: entre 1864, ano do casamento, e 1889, ano da Proclamação da República, quando a família imperial teve que se retirar do Brasil. Trata-se de uma biografia entrelaçada da Princesa Isabel e do Conde D’Eu, na qual é possível visualizar um personagem através do olhar do outro.
Nos dois capítulos iniciais, a autora lança mão do recurso narrativo de flashback. Muito utilizado na literatura e no cinema, a historiadora se apropria do recurso para apresentar aos leitores os dois personagens centrais da obra antes do casamento. Ele, membro da família Orléans, era filho do conde de Nemours e neto de Maria Amélia, rainha dos franceses, à época exilada na Inglaterra. Ela, princesa do Brasil e futura imperatriz, sucessora de Dom Pedro II ao trono.
No capítulo final, dedicado ao que Isabel nomeou de o dia da “maior infelicidade de nossa vida”, o 15 de novembro de 1889, a autora retrata como os acontecimentos daquela data foram vistos pelos membros da família imperial e pela opinião pública e traça um breve panorama da vida familiar no exílio, até a morte dos imperadores, Isabel e Gastão.
A autora dedica 16 páginas do capítulo final aos 30 anos da vida do casal no exílio, o que demonstra sua escolha em retratar a vida num momento histórico específico: a decadência do Império brasileiro e a clareza de que o biógrafo não é obrigado a se dedicar à totalidade da vida do biografado, senão aos aspectos que a documentação permite compreender.
Utiliza fontes privilegiadas para a escrita da obra: documentos do Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis; Archives Génerales du Royaume et Archives de L’Etat dans les Provinces – Bruxelas/Bélgica; Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Biblioteca Nacional. Grande parte da documentação era composta de correspondências da família Orléans, documentos inéditos que permitiram visualizar a dimensão privada da vida do casal, sua relação íntima, seu cotidiano, e a figura humana, através das cartas enviadas aos familiares, aos amigos e as trocadas entre si, que mostram como esta se sobrepõe à figura política.
A autora não se limita, no entanto, à vida privada dos biografados. Como figuras públicas que foram, a dimensão política e o contexto da crise do sistema imperial no Brasil e no mundo são abordados no livro, a partir da documentação consultada, sobretudo os periódicos: A Semana Ilustrada; Jornal do Commercio; A Vida Fluminense; A Reforma; A República; Diário do Rio de Janeiro; O Mequetrefe; O Protesto; Jornal de Três; Cidade do Rio; Diário de Notícias; Gazeta da Tarde; Gazeta de Notícias e O Corsário. Além disso, ao final da obra, fornece uma vasta referência bibliográfica. Assim, a biografia permite ir além da apresentação da vida pessoal das personagens e, através delas, acessar o contexto histórico que envolve suas vidas, mais especificamente a crise do Império e a ascensão do regime republicano no Brasil.
A pluralidade de fontes acessadas pela historiadora e, sobretudo, o acesso às inéditas correspondências arquivadas em Bruxelas permitiram a Mary Del Priore traçar um perfil de Isabel, que vai além de sua conhecida atuação política. É possível visualizar a personagem como mãe, esposa, mulher apaixonada, apesar do casamento contratual que servia politicamente para unir famílias nobres. Parte desta abordagem íntima para o papel de futura herdeira da coroa imperial. Neste âmbito, Mary Del Priore traça o perfil de uma personagem ainda desconhecida na historiografia.
A Isabel que ela revela não é a Isabel da articulação política, que assinou a lei de 13 de maio de 1888 numa atitude calculada. Também não é a “redentora”, como a chamou pela primeira vez José do Patrocínio, ao atribuir à sua bondade a libertação dos cativos no Brasil. Através das fontes, a autora apresenta uma Isabel alheia às questões políticas e muito mais envolvida com o contexto familiar.
Embora tenha sido preparada desde a adolescência para suceder a Dom Pedro II, com horas dobradas de estudo em relação a outras moças, e tendo acesso a conhecimentos não destinados às mulheres no período, a autora demonstra, em várias passagens, a inaptidão e a falta de interesse da princesa para assuntos de Estado e sua franca preferência pela vida de mulher de acordo com o estereótipo feminino do século XIX: obediente ao pai, depois ao marido, sensível e religiosa.
A autora mostra que, embora Isabel se interessasse pela causa abolicionista, este interesse aflorou tarde, somente poucos meses antes da assinatura da Lei Áurea; mesmo assim, suas ações eram qualificadas, sobretudo pelos mais radicais da época, como futilidades. Giravam geralmente em torno de festas, concertos e batalhas de flores, ações consideradas pouco expressivas e muito ligadas a um sentimento religioso católico, apiedando-se dos cativos, mas negando-lhes qualquer possibilidade de articulação em torno das lutas que travavam pela própria liberdade.
Gastão de Orléans, o Conde D’Eu, também é apresentado como o modelo esperado de um homem do século XIX: que assume a liderança da casa, da vida do casal e que serviria de principal conselheiro político à futura imperatriz. A partir da análise de correspondências de Gastão, sobretudo das que trocava com seu pai e com a condessa de Barral, emerge, na narrativa da historiadora, uma personagem que demonstrava, dentre todos os apresentados, a visão política mais sensata daquele momento histórico.
Dom Pedro, personagem secundária, mas muito presente na narrativa, é apresentado, na percepção de Gastão em suas correspondências, como uma figura “cinzenta”, que afastou o casal de príncipes da vida política e a quem faltou habilidade política em várias situações apresentadas no texto. Afastados pelo imperador dos deveres públicos, o casal parece ter encontrado sentido maior na vida a dois, procurando envolver-se o mínimo necessário com as questões de Estado. Mary Del Priore conseguiu captar e transmitir ao público leitor esses aspectos da intimidade do casal, sobretudo pela qualidade das fontes consultadas, que privilegiaram tal abordagem.
É nítido que a narrativa final é fruto de extensa pesquisa documental e bibliográfica e da crítica a fontes primárias, condição sine qua non para a escrita historiográfica. No entanto, não se trata de uma obra direcionada estritamente ao público acadêmico, mas que visa a atingir um público mais amplo. O pesquisador atento poderá encontrar na narrativa de Mary Del Priore as fontes e as referências bibliográficas, embora não as cite em notas de rodapé, limitando-se a incorporar partes do texto dos documentos à sua narrativa entre aspas e a citá-los em listas ao final do livro. O leitor que não faz parte da academia ou das lides historiográficas poderá ter um contato íntimo com personagens caras à história do Brasil imperial e reconhecer-se em muitas atitudes, sentimentos e anseios das personagens, além de ter acesso a temas importantes de nossa história política. Poderá deliciar-se com uma narrativa leve, encantadora e fazer uma espécie de viagem no tempo até o século XIX, compreendendo parte daquele contexto. Por fim, pode-se afirmar do livro que se trata de um primoroso exemplar de como a história pode, através de um texto biográfico, transpor os limites do universo acadêmico e atingir o grande público.
Referências
DOSSE, François. O Desafio Biográfico: Escrever uma Vida. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.
SCHMIDT, Benito Bisso. Luz e papel, realidade e imaginação: as biografias na história, no jornalismo, na literatura e no cinema. In: SCHMIDT, Benito Bisso (Org.). O biográfico: perspectivas interdisciplinares. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2000.
BASSO, Murilo. O gênero (quase) fora da lei. In: Cândido: Jornal da biblioteca pública do Paraná, Curitiba, n. 23, jun. 2013, p. 26-29.
Marilane Machado – Doutoranda em História do Programa de Pós-Graduação em História
da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Técnica em Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Brasil. E-mail: marilanemac@ig.com.br.
Ultramares. Maceió, n.7, v.1, jan./jul., 2015.
APRESENTAÇÃO: A Inquisição, da Colônia ao que somos no hoje
DOSSIÊ – INQUISIÇÃO COLONIAL
- No interior do labirinto, o olho do vulcão: Revisitar os estudos inquisitoriais no Brasil e vislumbrar o futuro que tecemos
- Inside the maze, the volcano´s eye: Revisit the inquisitorial studies in Brazil and envision the future we weave
- Angelo Adriano Faria de Assis
- Os diversos mundos das práticas mágico-religiosas a partir das Visitações do Santo Ofício à América Portuguesa (1591-1595; 1763-1769)
- The different worlds of magical-religious practices from the visitations of the Holy Office to Portuguese America (1591-1595; 1763-1769)
- Marcus Vinicius Reis
- “O Santo ofício age com malícia e velhacaria, […] prende as pessoas por amor ao dinheiro”: As críticas e os críticos processados pela Inquisição portuguesa (1605-1750)
- The Holy Office acts with malice and knavery, […] arrests people for love of Money”: criticism and critics processed by the Portuguese Inquisition (1605-1750)
- Yllan de Mattos
- A Inquisição na apuração do crédito e depuração do descrédito: Autóctones, caboclos e reinóis em microscopia no espaço Luso-Americano (1640-1750)
- The Inquisition in the Determination Credit Sewage Discrediting of: Indigenous, mestizos and reinóis microscopy the Luso-American space (1640-1750)
- Jaime Ricardo Gouveia
ARTIGOS
- Revolta em La Rochelle: A expulsão dos padres jesuítas do planalto Piratiningano (1627-1655)
- Revolt in La Rochelle :The expulsion of the Jesuits of Piratiningano plateau (1627-1655)
- Sheila Conceição Silva Lima
- Entre Patentes e Cargos: Administração, Ethos Social e Redes de Privilégio nos Sertões da Capitania da Parahiba do Norte (c.1700 – c.1750)
- Among Patents and Posts Administration, Social Ethos and Privilege Networks in the Sertões of Captaincy of Parahiba do Norte (c. 1700 – c. 1750)
- Yan Bezerra de Morais & Rodrigo Ceballos
- “Para compreenderem os interesses da Monarquia de Portugal na conservação dos Domínios de África”: Militares, reforma e disciplina em Angola (segunda metade do século XVIII)
- “To understand the interest of the monarchy of Portugal in the conservation of Africa Domains”: Military, reform and discipline in Angola (second half of the eighteenth century)
- Ariane Carvalho da Cruz
- “Pus os santos óleos no párvulo…”: Cotidiano, População e Relações Escravistas na Vila de Santa Maria Magdalena Alagoas do Sul (1812-1814)
- “Pus os santos óleos no párvulo…”: Everyday, Population and Slave Relations in the village of Santa Maria Magdalena South Alagoas (1812-1814)
- Antonio Filipe Pereira Caetano
RESENHA
- Reflexões sobre a mestiçagem: Nomear e categorizar as dinâmicas biológicas e culturais Reflections on Miscegenation: Naming and categorizing biological and cultural dynamics
- Adson Rodrigo Silva Pinheiro
- PAIVA, Eduardo França. Dar nome ao novo: uma história lexical das Américas portuguesa e espanhola, entre os séculos XVI e XVIII (as dinâmicas de mestiçagem e o mundo do trabalho). 1 ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015, 301p.
Trabalho, saúde e medicina na América Latina | Mundos do Trabalho | 2015
Na primeira metade do século XX, consolidou-se na medicina um campo de conhecimento diretamente preocupado com a saúde dos trabalhadores. Em contraste com a higiene social e os esforços característicos da saúde pública, a medicina do trabalho visava prevenir os acidentes de trabalho e diagnosticar doenças que afetavam especiicamente os trabalhadores. Embora as razões para o surgimento da medicina do trabalho variem de um país para outro, as pesquisas recentes sugerem que houve avanços deinitivos nesse campo a partir da década de 1930.
A medicina do trabalho contrasta com outras áreas da medicina, principalmente porque seu objeto de estudo são cidadãos-trabalhadores, amparados por certos direitos sociais. Pode-se contestar essa ideia dizendo que a igura do operário doente se espalha pela literatura médica desde o século XIX, ou que crianças, mulheres e operários estiveram no âmago das discussões médico-sociais de todo o período. Ou ainda, que no quadro das polêmicas sobre a degeneração da raça, não havia muita diferença na abordagem de todos esses setores sociais, de modo que as fronteiras entre a deinição de trabalhadores e de pobres não estava muito clara. Leia Mais
Mato Grosso colonial | Fronteiras – Revista de História I 2015
O dossiê “Mato Grosso colonial” traz contribuições de pesquisadores que tem se dedicado a investigar essa região, que no período colonial, compreendia os atuais estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. A região de Mato Grosso1 foi conquistada na primeira metade do século XVIII e pertencia à jurisdição da capitania de São Paulo, que teve sua circunscrição reduzida em 1748 por causa das fundações das capitanias de Mato Grosso e de Goiás, ambas marcadas pela mineração2.
Capitania fronteira-mineira, Mato Grosso estava situada na região central do continente sul-americano e fazia fronteira com os domínios hispânicos, isto é, com o Paraguai e com as Províncias de Moxos e Chiquitos. Apesar de sua vasta extensão territorial, foi constituída por apenas duas vilas, Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá (localizada no distrito do Cuiabá) e Vila Bela da Santíssima Trindade (situada no distrito do Mato Grosso), erguida em 1752 para ser capital da capitania. Além delas, arraiais e fortes militares foram fundados ao longo da fronteira litigiosa com o objetivo de assegurar a possessão lusitana por meio do povoamento. Leia Mais
Destino, providência, predestinação. Do mundo antigo ao Cristianismo – MAGRIS (V)
MAGRIS, Aldo. Destino, providência, predestinação. Do mundo antigo ao Cristianismo. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2014. (Coleção Ideias). Resenha de: FEILER, Adilson Felicio. Veritas, Porto Alegre, v. 60, n. 1, e47-e54, jan.-abr. 2015.
Aldo Magris é um dos mais destacados pesquisadores do gnosticismo antigo. É professor de Filosofia na Universidade de Trieste, onde ministra cursos sobre religião.
O livro começa com um Prefácio em que o autor apresenta as dificuldades que teve em traduzir sua vasta pesquisa em torno ao tema do Destino reunida na obra A ideia do destino no pensamento grego, em uma obra mais acessível e, ao mesmo tempo, com um caráter mais amadurecido, crítico e preciso. Vale recordar a inigualável riqueza das fontes reunidas pelo autor num único volume sobre um tema tão denso. Além de tratar especificamente sobre o destino, o autor realiza uma ponte com temas a ele ligados que é o da providência e da predestinação, percorrendo o universo do pensamento mítico, a tragédia grega, os pré-socráticos e o iluminismo filosófico com Platão e Aristóteles para então adentrar no providencialismo estoico e culminar na predestinação judaico cristã em Paulo e Agostinho. Entre os temas do destino, da providência e da predestinação fica patente, pela abordagem, que longe de serem considerados temas fechados em um determinismo fatalista há uma íntima conexão com a liberdade.
Destino
O fatum, o destino, não é algo isolado, mas em ligação a um vaticínio sobre o futuro, ao porvir. Daí o termo fatum derivar de Fada, a deusa
que assumiu a função de parturiente, padroeira dos obstetras, capaz de prever o fado, que é todo o percurso da vida do indivíduo. Os próprios deuses estavam submetidos ao fado, porém nesta mesma situação profetizavam o futuro, pronunciavam a sorte e enviavam aos homens o seu destino. Por isso, o destino é o enviado, que em alemão se chama Schicksal. Este mesmo destino, vaticinado pelas moiras, revela a finitude da natureza daqueles que o recebem, inclusive os deuses. Nos textos de Homero o destino, como sorte de cada indivíduo, não é tido como algo rigorosamente determinista, pois os eventos todos podem ser concebidos em movimento, dentro de um programa universal. A adoção posterior do destino pelo Cristianismo é concebida como algo normativo ou punitivo, a serviço da providência divina. Esta, contudo, não é um poder incontrolável, externo e que oprime, mas algo que está no interior de cada um, aquilo que se é e se escolhe ser.
O destino na tragédia grega tem, em Dionísio, pela dialética entre o eu e o outro, o visível e o escondido, a verdade e a aparência, a sua máxima expressão na máscara, o evento da universalidade como totalidade aberta. Este aspecto da tragédia grega é retomado pelo romantismo, no qual o ser humano “decide”, porém dentro do conjunto da lógica divina ou fatal das coisas. Mesmo na tragédia grega “Deus” e “destino” são sinônimos, mostrando que o destino não é um fator isolado, mas uma forma de manifestação do divino que se dá de maneira enigmática, numa dialética que se move da verdade à aparência: o herói trágico que, na sua emergência, se depara com o “tarde demais”. Hölderlin, um grande expoente do romantismo alemão, entende o trágico como a fusão do ser humano com a totalidade. Nietzsche, inclusive, constrói sobre a ideia do trágico uma concepção filosófica inteira. Na visão trágica hegeliana o saber aparente se deixa arrancar do seu verdadeiro para que apareça o verdadeiro em si, como natureza heroica. Em Nietzsche a tragédia sofrida não é tida como simples catástrofe, mas como algo que tem, no seu destruir-se, a sua realização. Por outro lado, Platão em seu positivismo da verdade, que é fonte da certeza, propõe uma reflexão filosófica antitrágica.
A sofia, também desempenha um papel importante na tragédia, correspondendo àquela necessidade individual de ver, ou saber sobre o mundo e si mesmo, também apresentando uma formulação conceitual do destino, ou seja, abrindo uma fenda na aparente confusão do caos da qual resulta uma sucessão de eventos preestabelecidos em uma lógica, no destino do seu concretizar-se, na fatalidade da sucessão teogônica (Ananké). Nessa fatalidade vai se atravessando limites (poros) que nada mais é senão uma experiência, Erfharung, cuja raiz é Fahrt, viagem, pois fazer uma experiência equivale a viajar até o princípio (ápeiron) e
descortinar a fysis, uma totalidade omni-abrangente, um organismo vivo que, na metáfora do círculo, é governada pelo destino para alcançar a perfeição, a integridade e o equilíbrio. No processo de alternância dos contrários vai aparecendo a totalidade na sua verdade, como aparência, eis como o espírito da tragédia heraclitiana compreende o destino. Por isso, este se caracteriza como contrários que se enfrentam, num embate que não ocorre por acaso, mas é orientado por uma lei e uma necessidade, como um princípio cósmico que define limites aos seres, colocando-os na perpétua instabilidade do conflito, em meio a um drama trágico. Este drama, para os fisiólogos se dá através de uma circularidade cósmica, que é um processo dinâmico, em que o início está ligado ao fim, denominado por Nietzsche de “eterno retorno”: a cada epiciclo findado decorre a destruição para daí dar espaço a um novo nascimento e, assim, infinitas vezes a fysis, como unidade global em movimento, vai perfazendo inúmeros epiciclos. Cada intervalo desta harmonia geral, que é uma espécie de oitava, os fenômenos serão reapresentados não exatamente como foram. Pois, pelo contrário, seria apenas mera eterna repetição do idêntico, não podendo justificar a responsabilidade ética das ações dos seres humanos. Da sequência de cada destruição segue, sempre, um desenvolvimento diferente, e não uma mera repetição. Se em Heráclito o destino se caracteriza como um princípio de regularidade física, em Parménides é uma consequência lógica estabelecida para se pensar o todo. A circularidade do retorno nos conduz à busca da verdade, não como algo a ser descoberto, mas construído e reconstruído de acordo com uma racionalidade (logos), uma necessidade (ananké) da fortuna (tyché). O estoicismo, escola sucessora da escola de Atenas, caracteriza-se basicamente como a escola do viver bem conforme o logos, cuja ordem se manifesta na natureza. Daí a necessidade de se adequar a ela, por um princípio racional universal, cuja eficácia manifesta-se como destino. O destino é, assim, uma instância superior em relação ao conflito entre liberdade e necessidade, porém não é contrário à liberdade. Contudo, há uma parte que deve ser entregue ao destino, que suportamos assim como é, frente ao qual nada se pode fazer para modificar. Constitui-se o destino, mais que uma fatalidade, um projeto de vida ao qual devemos aderir mais pelo coração que pelo cérebro. Portanto, o amor ao destino vai ao encontro da fórmula “amor fati” que utiliza com outros matizes. Discordamos dessa interpretação, pois amor fati em Nietzsche nada mais é senão amor ao destino, acolhida jubilosa.
O destino não é um mecanismo externo mediante o qual somos meros expectadores passivos, como uma potência que age contra os seres humanos; este é sim uma lógica que coliga os atos humanos espontâneos em uma totalidade; e dentro deste processo fatal o ser humano não pode
deixar de empenhar o seu papel, a sua aprovação pessoal. Por isso, o destino conta com a iniciativa humana, o seu caráter (ethos) que funciona como um princípio ativo; diante disso a liberdade é considerada como algo que se conquista cotidianamente, a cada intervalo da circularidade cósmica, que ganha sentido como parte orgânica de um todo composto pelas causas eternas entre passado, presente e futuro. Esta totalidade cósmica é o ser, que não se constrói e sim se revela, reconstrói e repete, já que está implícito desde sempre segundo o destino: a lógica que coliga os vários momentos da totalidade orgânica.
Providência
Se, para os fisiólogos, a verdade aparece por trás da aparência, movida pela força do destino, para os iluministas gregos, os modernistas da Antiguidade, a verdade não é imediata mas dado fatual que empenha competência prática: o saber e a técnica. Assim, a concepção iluminista da experiência articula três fatores: a iniciativa humana (techné), a regularidade da natureza (ananché ou fysis) e a fortuna, o acaso (tyché). Desprovida de qualquer motivação reconhecível ao raciocínio humano, (a verdadeira alma do mundo do iluminismo) essa articulação opera como um destino inato a determinar a concretização na vida, a sua índole (ethos), faz surgir a concepção nascente de providência. Se, por um lado, a técnica em tudo procura reduzir o poder da necessidade e o arbítrio da fortuna, a necessidade e o acaso, por outro, põe limites à pretensão humana de dominar o mundo, já que o ser humano está inserido em uma ordem prefixada das coisas geridas pelo destino. Contudo, o destino não é mais aquela explicação omni-abrangente, pois rivaliza com a iniciativa humana enquanto techne, que não é propriamente uma liberdade, mas o ambiente do ser humano onde este se encontra dependente. É com Sócrates, contudo, que a techne é considerada com otimismo, introduzindo no pensamento ocidental a antítese “liberdade-necessidade”. Com Platão a estrutura lógico-matemática do real toma o lugar do destino. O bem viver (a convivência civil ordenada) para Platão depende do correto equilíbrio entre techné, tyché e ananké. Para Aristóteles, antes de mais nada, é preciso distinguir o que é substância daquilo que é acidente, para assim buscar observar como e porque os respectivos acidentes vêm a suplantar a substância. O campo da fysis é constituído pelo devir, de modo que tudo é pervadido pela relação potência (dynamis) e ato (enérgeia). Neste processo de devir a dynamis é sempre uma iniciativa humana autônoma em que a necessidade está sempre subordinada à finalidade. Parece, todavia paradoxal que o conceito de Providência tenha a sua origem no contexto do iluminismo grego, em que o ser humano é a medida de
todas as coisas, pois é o mesmo ser humano que, com base nas próprias exigências, vê e provê os fenômenos naturais seguindo modalidades que lhe são intrínsecas. Em síntese, a fysis é uma projeção da techné que opera sobre a base da ananché, mesmo permanecendo sempre exposta à eventualidade da tyché. Neste aspecto, o destino se caracteriza como encadeamentos causais do logos com o cosmos e a providência divina que dispõe tudo segundo a sua vontade (plano). Assim, tudo está dentro do ciclo do destino que inevitavelmente se repete, num fluxo vital.
O destino no estoicismo, embora goze de determinismo, superando inclusive demonstrações de eventos reais, apresenta uma diferença entre a necessidade da natureza extrínseca e o “destino” como instância superior de coordenação entre fatores extrínsecos e intrínsecos, na sequência rígida e imutável de eventos passados e futuros, perpassados pelo filigrama cósmico que é o destino. Neste período da modernidade da antiguidade também a inexorabilidade do destino esteve ligado a práticas divinitórias e a astrologia (horóscopo). O nexo incindível com a astronomia imprime a fatalidade, a determinação férrea e inexorável dos eventos na terra por parte dos astros. Com isso, a vida de um indivíduo fica inteiramente preestabelecida desde o seu nascimento. Contudo, esse cunho fortemente fatalista difere da ideia de destino, pois o fatalismo coloca o indivíduo numa posição de mera passividade diante dos eventos que se sucedem. Embora a astrologia seja questionada pela sua inexorabilidade, passa a ser incorporada pela noção de providência, típica em diversas religiões.
Todas as concepções deterministas estão alicerçadas na relação causa-efeito, contudo o livre arbítrio corresponde a possibilidade de o sujeito realizá-la ou não, como é o caso do aristotelismo. Na concepção estoica, apesar de as ações humanas enquadrarem-se na lógica do destino, este não consiste numa obrigação externa, mas uma autodeterminação, em virtude da própria natureza. Assim, conseguirá atingir a serenidade para além de conflitos consigo mesmo, resultantes da incapacidade de autodeterminação. O epicurismo abre para um espaço de liberdade constituído pela techné, combinada pelo autocontrole do sujeito e pela influência da educação externa, a livre escolha humana e a causalidade do devir (tyché). Contudo, o determinismo monista estoico ao negar que o ser humano é o único responsável pelas suas ações, retira o fundamento do ser humano, favorecendo a preguiça e a submissão. Aristóteles vai enfrentar esta posição estoica afirmando que as doutrinas que minam a autodeterminação do ser humano o desresponsabilizam ocasionando consequências no plano da sociedade e do direito. Pois, nada neste mundo pode ser determinado: a própria necessidade da natureza e diversos fatores imprevisíveis se põem contra o destino. Assim, se o ser humano
é o princípio das ações, lei e destino são incompatíveis. O estoicismo fundamenta a liberdade na capacidade humana de se realizar o que é concreto. Xenócrates foi o primeiro filósofo grego a escrever sobre o destino. Segundo ele, o destino é uma normativa ética que o ser humano deve respeito, bem como respeito a sua livre escolha. O destino, aqui, limita-se à esfera da práxis moral. Mas na tese dos platônicos o destino é a lei e o ser humano é o princípio totalmente autônomo de suas ações, a sua liberdade. Contudo, entra em jogo com a noção de liberdade humana, o problema da providência divina, portanto o jogo entre liberdade e destino.
A concepção platônica de alma é chave para a compreensão da providência divina, pois esta é o princípio do movimento. É Deus quem viabiliza a prática da virtude ou o vício; a responsabilidade fica a critério da escolha humana. É este pensamento providencialista platônico-estoico que posteriormente é assumido pelo Cristianismo, e a providência entendida é também logos e destino, pois reconhecer a providência é aceitar o destino. Enquanto, para o estoicismo, a providência é a lógica interna do curso do mundo, para o platonismo é um ente externo ao mundo. Para este último, o destino está subordinado à providência. Esta mentalidade vem de encontro do Deus dos hebreus e dos cristãos, um poder que ultrapassa as forcas cósmicas, de modo que o plano divino prevê todos os acontecimentos e suas fatais consequências. Se o destino atribuído por Deus jamais poderá ser diferente, qual o espaço da liberdade humana como fator que é expressão do eu? Daqui decorre uma relação difícil entre ética e destino.
Predestinação
No contexto cristão da providência deriva-se, também, um outro conceito importante em nosso estudo, o de predestinação, que diz respeito a uma trama de coisas postas para além da esfera do ser humano; é uma decisão tomada por Deus em relação ao ser humano. Assim, tanto o destino quanto a predestinação têm que defrontar-se com o mesmo problema, o do espaço da autonomia do ser humano. Na dinâmica judaica a liberdade é reservada ao plano do reconhecimento do senhorio do Deus criador, com poder de tomar decisões, aí está o contexto da liberdade humana. Os livros de Jó e Eclesiastes conservam similaridades com a tragédia grega, segundo o qual cada coisa e cada situação tem o seu próprio tempo delimitado por um fim inevitável que fatalmente acontece. O destino que é inserido na relação entre Deus e o ser humano, é a porção atribuída como a moira (tyché). Contudo, ao lado da predestinação entra a exigência do livre arbítrio, de modo que a responsabilidade do ser humano depende unicamente de sua escolha
pela virtude e não pelo vício, virtude esta que é plantada no mesmo ser humano por Deus. Enquanto os saduceus negavam o destino, alegando que tudo estava no ser humano, os fariseus o admitiam, de modo que tudo dependia do destino e de Deus. Contudo, a ação de agir, ou não, está no ser humano. Assim, embora exista a predestinação do justo há também os méritos para os quais exige o responsável exercício da liberdade. Um gênero literário bastante difundido no séc. III a. C. é a apocalíptica, segundo a qual os anjos, seres intermediários entre os seres humanos e Deus, dirigem os destinos. As tábuas celestes são, portanto, uma metáfora típica da apocalíptica, segundo a qual no céu estão escritos os nomes dos justos desde a eternidade. Portanto, essa eleição divina dos justos inspira-se no profetismo, o pequeno resto de Israel. Neste sentido, a predestinação é a expressão fundamental da autoconsciência sectária, que instaura o destino entre o bem e o mal, produzindo assim a história. E Deus governa a história em seu domínio universal, o que corresponde ao destino. É claro que existe, nesse processo, o empenho humano, em que Deus permite que este mantenha seu agir livre. Aqui entra a Teologia do Pacto entre Deus e o ser humano, típica de antigas fórmulas qumrânicas e das cartas paulinas em que, de um lado, está a justificação e a predestinação e, de outro, a exigência rigorosa de uma práxis moral. Contudo, a justificação é apenas obra de Deus, o qual não depende de qualquer ato humano, mas sim de um reconhecimento por parte do crente na pessoa de Jesus Cristo como Salvador; e é por isso que o justo viverá pela fé, mediante a graça se inicia a ruptura com o Judaísmo, do qual deriva o Cristianismo nascente.
Em Paulo o Cristianismo tem sua marca principal, guiada pelo absolutismo da graça e a abertura a um uso seletivo da cultura grega. Desta última provém a gnose, que é o reconhecimento do ser humano em Deus e o mútuo reconhecimento no ser humano. É Cristo quem traz a salvação, ou seja, traz a gnose, mediante a fé do crente, a condição intrínseca (ousía), uma natureza, (fysis) para se elevar aos pneumáticos. Neste processo de predestinação gnóstica se exclui o ideal iluminista da autonomia do sujeito. Com o tempo o Cristianismo, pela influência do iluminismo grego e hebraico, entra num período de filosofização . Assim, como em muitas formas de gnosticismo, uma rigorosa ideia de predestinação não existe, já que a salvação depende do empenho moral do ser humano. Neste contexto, Agostinho, mediante uma releitura cristã de Platão afirma que a salvação do cristão depende da fé, pelo livre arbítrio, que é obra da graça. Assim, se a salvação é em última análise, a obra da graça, então não é possível falar em predestinação divina. Mas é uma predestinação da graça a determinar o caráter e a práxis humana e não algo exterior; sua conduta é governada pela escolha que depende
da vontade, mas é uma vontade que quer, algo que deveria ter poder para querer e não tem, e é aí que reside a sua falta original: o poder de querer. Logo, na interpretação agostiniana do Cristianismo há um nexo entre o destino (livre arbítrio) e a predestinação (da graça).
Assim, por mais que o determinismo fatalista, do qual se expressa o destino desde a mitologia, passando pela antiguidade moderna e confluindo no pensamento cristão, tenha muitas vezes sido considerado como um determinismo inexoravelmente fechado, é possível verificar que este tem dado o devido valor na autonomia do ser humano, que é a tese do autor e ao qual manifestamos nosso assentimento. Pois o destino, que é essa condição do ser humano, lançado diante do fato, exige dele que atue sobre este, um projeto de vida que acolhe o fato, um porvir, pois é assim que ele mostra o seu caráter, seu ethos. Da mesma forma, sua posição diante da providência, nada estranha ao ser humano, reconhece a parcela humana de responsabilidade e, finalmente, a postura do ser humano diante da predestinação, em que lhe é reservada a capacidade de optar livremente potenciado pela graça. Logo, o destino, a providência e a predestinação somente encontram a sua razão de ser no espaço da liberdade do ser humano, que age para constituir um projeto de vida dando seu assentimento, com amor, ao fatum.
Adilson Felicio Feiler – Doutor em Filosofia, Professor da Unisinos. Escola de Humanidades Universidade do Vale do Rio dos Sinos Av. Unisinos, 950 – Cristo Rei São Leopoldo, RS, Brasil. E-mail: feilersj@yahoo.com.br
Companheiros em luta: a greve dos jornalistas de 1979 | Marco Roxo
[Ser jornalista] é um estado de espírito, é uma disposição existencial. Eu já disse em outra entrevista que o jornalismo é uma das últimas profissões românticas
– Alberto Dines
Combatemos [na Folha de S. Paulo] muito essa ideia missionária. […] Procuramos fazer uma desromantização da maneira de encarar a profissão – Otávio Frias Filho
Duas ideias literalmente opostas em relação ao papel do jornalista expõem a fratura que existe em relação à identidade desse grupo. É uma profissão romântica que atrai vocacionados? São funcionários de instituições midiáticas? Numa ponta deste fio, está uma concepção de jornalismo que o considera uma atividade feita por intelectuais imbuídos da missão de levar informação à sociedade; na outra, a noção de que jornalistas são profissionais ou, ainda, trabalhadores. As duas ideias foram materializadas nos depoimentos, publicados em 2003, de dois reconhecidos jornalistas2. Se, por um lado, isso mostra que ambas são contemporâneas, por outro, pode-se pensar se há tanto uma clivagem temporal quanto uma identitária: existiu um momento histórico a partir do qual uma das concepções sobre ser jornalista se sobressaiu? Ou existem apenas momentos em que interessa mais, pelas disputas em questão, reivindicar tal ou qual identidade?
Marco Roxo, em seu livro “Companheiros em luta: a greve dos jornalistas de 1979”, fruto de sua dissertação de mestrado, relaciona as questões colocadas acima com a greve dos jornalistas de São Paulo no período de abertura da ditadura militar brasileira. O acontecimento se complexifica ao se considerar o contexto político do país, de redemocratização, que inclui o fortalecimento dos sindicatos (a partir do novo sindicalismo) e uma profusão de greves de diferentes categorias, mas marcadamente a dos metalúrgicos do ABC paulista. Desse modo, o livro busca, além de contar e interpretar a greve de 1979, avaliar seu impacto na formação identitária de jornalistas e as imbricações políticas (inclusive partidárias) do movimento.
O livro aborda um tema pouco estudado, utilizando como fontes primárias depoimentos de líderes sindicais e jornalistas engajados na greve, ouvidos pelo autor ou, em sua maioria, publicados pelo jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo. Além deste periódico, também foram pesquisados os veículos sindicais Unidade Jornalística; Mural; Boletim do Comitê Unidade, Participação e Liberdade; e Unidade Sindical. Edições de veículos da imprensa conservadora e da alternativa também compõem o corpus utilizado para a análise da greve de 1979. A pesquisa abrange, na verdade, o período de maio de 1978 (momento de sucessão no sindicato e de greve dos metalúrgicos do ABC), até dezembro de 1980, para procurar compreender os efeitos da greve para a categoria.
Os depoimentos citados pelo livro podem se tornar importantes fontes primárias para pesquisadores de temas correlatos. Ali, encontram-se posicionamentos institucionais do sindicato e de seus líderes, mas também de figuras proeminentes no período e, posteriormente, famosos jornalistas ou figuras públicas cruciais na história do país. Esse trabalho empírico de fôlego é respaldado teoricamente em autores da História Cultural, como Robert Darnton, e em marxistas que também dialogam com questões culturais, como E. P. Thompson e Antonio Gramsci.
O livro se divide em cinco capítulos. O primeiro, de contextualização mais geral, aborda a ditadura do governo Geisel, a esquerda do período e o novo sindicalismo. O segundo trata da imprensa, com um apanhado sobre veículos e mercado de trabalho em São Paulo, e do sindicato e seu jornal institucional. O capítulo 03 diz respeito à classe e sua representação, fazendo um retrospecto da greve anterior, de 1961, e seu uso como elemento de construção de uma identidade dos jornalistas como uma categoria de luta. Também aborda a criação e atuação do Conselho Consultivo de Representantes de Redação. Os dois últimos tratam dos antecedentes da greve e da greve em si, ambos colocando em discussão a identidade jornalística.
Nos estertores da ditadura, uma greve de jornalistas tem diferentes camadas de significados e implicações. Era mais uma das diversas categorias que entraram em greve naquele ano. Era uma categoria que, para se ver como classe trabalhadora, precisava reivindicar certa memória da greve de 1961. Era ainda o fim, segundo o autor, de um pacto entre jornalistas e proprietários de veículos, possível de ser mantido enquanto a censura de Estado foi uma inimiga comum.
Como consequência da derrota do movimento grevista, Marco Roxo aponta a demissão dos jornalistas mais politizados que, contrariando o senso comum, em sua maioria tinham passado por uma formação universitária. A política parecia ser empurrada das redações para os sindicatos, onde a disputa que acontecia em diferentes âmbitos da esquerda entre o velho Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT) também dava o tom das divergências e composições. Assim, situado numa lacuna que é a bibliografia sobre a atuação sindical de jornalistas, o livro traz à tona esses aspectos políticos pouco abordados na historiografia da imprensa brasileira.
Além do caráter histórico da temática principal, a publicação aborda questões que permanecem atuais e, de tempos em tempos, voltam à pauta. No dia seguinte ao lançamento do livro, em 2013, trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que reúne emissoras públicas de rádio e televisão, entraram em greve. Como reivindicação, melhores salários, condições de trabalho e o fortalecimento da comunicação pública no Brasil. Em outro contexto macropolítico e diferente dos jornais privados, ainda assim podia-se ouvir – como eco de 1979, quem sabe? – que jornalistas eram trabalhadores.
Já em agosto de 2014, disputas entre os jornalistas do Rio de Janeiro em torno da atuação do seu Sindicato Municipal de Jornalistas Profissionais, acusado de apoiar pessoas que praticaram atos violentos contra profissionais da imprensa, gerou, entre outros encontros, uma assembleia em que a disputa de identidade transparecia em meio a pedidos de renúncia, de um lado, e de manutenção da diretoria, de outro. Quem são os jornalistas profissionais? Quais os limites de atuação de midiativistas, comunicadores populares e coletivos de comunicação, cujo número cresceu exponencialmente a partir das manifestações de junho de 2013?
Com questões impensáveis em 1979 ou disputas antigas com nova roupagem, o jornalismo e o papel social do jornalista seguem desafiando pesquisadores e comunicadores. Clamam por olhares, abordagens, interpretações. Este é um trabalho constante, que se “Companheiros em luta” não pode responder, por sua limitação temporal, certamente se constitui num importante ponto de partida.
Nota
2 In ABREU, Alzira Alves de; LATTMAN-WELTMAN, Fernando; ROCHA, Dora (org). Eles mudaram a imprensa: depoimentos ao CPDOC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.
Referência
ABREU, Alzira Alves de; LATTMAN-WELTMAN, Fernando; ROCHA, Dora (Orgs.). Eles mudaram a imprensa: depoimentos ao CPDOC. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003
Resenhista
Mônica Mourao – Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. E-mail: monicamourao@gmail.com
Referências desta Resenha
ROXO, Marco. Companheiros em luta: a greve dos jornalistas de 1979. Niterói: Editora da UFF, 2012. Resenha de: MOURAO, Mônica. Jornalistas: últimos românticos, trabalhadores de luta ou profissionais da objetividade? Revista Brasileira de História da Mídia. São Paulo, v.4, n.1, p.97-98, jan./ jun. 2015. Acessar publicação original [DR]
Pensar em não ver – escritos sobre as artes do visível (1979-2004) – DERRIDA (A-EN)
DERRIDA, Jacques. Pensar em não ver – escritos sobre as artes do visível (1979-2004). Organização de Ginette Michaud, Joana Masó e Javier Bassas. Tradução de Marcelo Jacques de Moraes. Revisão técnica de João Camillo Penna. Florianópolis: Editora UFSC, 2012. Resenha de PIMENTEL, Davi Andrade, Alea, Rio de Janeiro, v.17 n.1, jan./june, 2015.
Gostaria de começar esta resenha pelo tom dado por Derrida a seus textos que compõem o livro Pensar em não ver. O tom é o modo pelo qual o escritor convida o leitor a participar de seu texto. O tom, por assim dizer, é um chamado que, segundo Derrida, ganha o contorno da palavra vem – é preciso dizer que essa palavra está desconstruída pelo escritor, está violentada, retomada, reprisada, maltratada para que possa significar o além-dela-mesma. No momento em que esses textos dizem vem, eles nos chamam a participar de uma experiência de escrita que retoma ou nos direciona a uma experiência sobre a arte visual em parceria com o escritor; experiência que se configura como um chamado que não nos diz vem por aqui ou por ali, que não nos garante nada e que nem mesmo nos faz uma promessa. É por nada prometer que cada momento de leitura desses textos se transforma em um acontecimento – ele próprio, o livro, é o acontecimento: “trata-se da viagem não programável, da viagem cuja cartografia não é desenhável, de uma viagem sem design, de uma viagem sem desígnio, sem meta e sem horizonte. A experiência, a meu ver, seria exatamente isso” (DERRIDA, 2012: 80). O vem é o tom de um chamado, é a experiência – esta, por sua vez, nos chega através da árdua tarefa do tradutor Marcelo Jacques de Moraes, com suas perdas e ganhos, tensionada entre a dívida e a criação, entre a língua a traduzir e a língua traduzida. Tarefa que faz ressoar o tom derridiano, um tom também a traduzir, já traduzido.
Desde o primeiro texto, “As artes espaciais: uma entrevista com Jacques Derrida”, o escritor expõe a importância do tom antes mesmo do conteúdo de seus textos, pois o tom é o que se apresenta primeiro no jogo de apostas da escritura, como também é a base para que esse jogo possa ser efetivamente jogado. O tom mantém com o texto e com o leitor uma relação de risco, de incitação, de excitação e de gozo, por isso a iniciativa de Derrida em pluralizar o tom, em escrever em vários tons, para que o seu texto não fique restrito a um só interlocutor: “Pergunto-me com quem estou falando, como vou jogar com o tom, o tom sendo precisamente o que informa e estabelece a relação” (DERRIDA, 2012: 42). Se não podemos negligenciar os suportes, os “debaixos” de uma obra de arte, como bem lembra Derrida no texto “Os debaixos da pintura, da escrita e do desenho: suporte, substância, sujeito, sequaz e suplício”, por ser o debaixo o suporte necessário para que a obra de arte possa ser tomada enquanto tal, não podemos negligenciar também o tom que age como suporte do texto apresentado pelo escritor, por todo e qualquer escritor: “qualquer que seja sua matéria, o corpo do suporte é uma parte indissociável da obra” (DERRIDA, 2012: 287).
Da composição dos textos derridianos de Pensar em não ver, o tom que se sobressai é o de uma certa familiaridade, ou melhor, de uma certa informalidade, no que essas duas palavras têm de um certo deixar-se à vontade, não apenas pelas entrevistas que recortam magistralmente o todo do livro, como costuras que reafirmam a relação entre escritor e leitor, mas, sobretudo, pelos textos corridos. Quando Derrida reflete sobre a pintura, a fotografia, o desenho, o teatro, a videoinstalação e o cinema, o tom dado a esses textos é o tom de uma familiaridade que rompe com a formalidade mais precisa que encontramos em outros textos seus. Tudo se passa como se o próprio Derrida estivesse em face do leitor para compartilhar com ele o seu pensamento sobre as artes do visível, sobre a sua potência impotente que a todo instante se faz presente quando lhe é pedido para falar/escrever sobre uma arte que não é a da escritura: “Estou muito feliz e honrado por me encontrar aqui, intimidado também porque, como os senhores verão, minha incompetência é real, e não é de modo algum por uma fórmula de polidez ou de modéstia que começo declarando-a, essa incompetência” (DERRIDA, 2012: 163).
Em Pensar em não ver, do convite do tom se passa ao convite em forma de pensamento que Derrida faz tão bem: “O pensamento é também pensável em um movimento pelo qual ele chama a vir, ele chama, ele nos chama” (DERRIDA, 2012: 75). Pensamento que convida a pensar a arte visual enquanto produto de uma invisibilidade que lhe é essencial. Derrida defende ao longo de seus 20 textos que a visibilidade tem como contraponto seu suporte invisível. Na verdade, o que nos é dado a ver é o invisível, não o visível. No texto “O Sacrifício”, dedicado ao teatro, Derrida diz: “Mas se, desde sempre, o invisível trabalha o visível, se, por exemplo, a visibilidade do visível – o que torna visível a coisa visível – não é visível, então uma certa noite vem cavar um abismo na própria apresentação do visível” (DERRIDA, 2012: 399). A própria luz que nos ilumina é invisível, a própria palavra que nos constitui homens é invisível, logo, somos todos feitos, desenhados, pintados, modelados, filmados a partir de nossa nudez invisível.
Do contorno invisível próprio a toda arte, Derrida elege a figura do cego como o modelo de sua concepção artística. No texto “Pensar em não ver”, o escritor compreende que, para existir o desenho, ou, de uma forma mais geral, para que a arte visual possa existir enquanto acontecimento singular e único, é preciso que metaforicamente o artista se cegue, é preciso que ele passe pelo processo do enceguecimento. Em uma das passagens mais brilhantes do livro, Derrida comenta que, por termos os olhos à frente de nossos rostos, temos o que chamamos de horizonte. Através do horizonte, vemos vir o que nos chega e, desse modo, podemos tanto afastar quanto acolher ou nos defender do que vem do fundo do horizonte. Se por um lado a visão nos protege, essa mesma visão faz com que o acontecimento, no sentido próprio do que surpreende, se neutralize, perca sua potencialidade enquanto violência, enquanto irrupção artística. Por essa razão, o acontecimento somente pode surgir quando não é mais possível ter o horizonte como perspectiva: “o movimento em que o desenho inventa, em que ele se inventa, é um momento em que o desenhista é de algum modo cego, em que ele não vê, ele não vê vir, ele é surpreendido pelo próprio traço que ele trilha, pela trilha do traço, ele está cego” (DERRIDA, 2012: 71).
É preciso estar cego, é preciso se entregar ao movimento estabelecido pelo lápis, pelo pincel ou pela câmera para que a arte possa surgir enquanto acontecimento. O gozo artístico provém dessa entrega, dessa suspensão da visão, dessa cegueira que aflora os demais sentidos, que aflora a sensibilidade do artista, que deixa por instantes os conceitos ou pré-conceitos que formulam o mundo visível para se entregar ao abismo de uma certa noite – entregar, palavra libidinosa que expõe o artista e nos expõe à arte desse artista. Em uma entrevista com Derrida, o artista Valerio Adami, no texto “Êxtase, crise. Entrevista com Roger Lesgards e Valerio Adami”, comenta o passo inicial de seu processo criador, que se assemelha em muitos aspectos ao processo de enceguecimento proposto por Derrida:
Apoio, então, o lápis no papel, faço um ponto e a mão se move: esse ponto se torna, portanto, linha, essa linha se torna o perfil de uma montanha… É um caminho para o maravilhamento, a descoberta, em relação direta com o instinto e a memória – a memória instintiva. A mão se move porque consigo realmente me esvaziar de tudo, deixando a ela a liberdade (DERRIDA, 2012: 239).
Poderíamos supor que, ao falar do desenho, Adami tocaria na questão da visão, mas o que lemos é exatamente a não-visão, a mão que se deixa livre, liberdade daqueles que somente têm a mão como suporte no mundo; nada mais intrínseco ao cego do que as mãos. Responde Adami a Derrida e Lesgards: “A mão sempre foi uma das minhas obsessões” (DERRIDA, 2012: 240). Da imagem dos cegos, somos direcionados por Derrida à imagem das palavras que constituem os textos de Pensar em não ver. As palavras, como disse acima, seguem um tom, elas próprias dão um tom particular aos textos presentes no livro.
As palavras deixam de ser meros transmissores para, elas também, se configurarem em objetos de arte. O modo como Derrida tece seu texto, o modo como ele trabalha a palavra, maltratando-a, violentando-a, faz dela um acontecimento: “O que faço com as palavras é fazê-las explodir para que o não verbal apareça no verbal” (DERRIDA, 2012: 39). Em muitos momentos, a relação que as palavras mantêm entre si faz delas imagem, elas produzem uma imagem, mas não no sentido corrente da relação do signo linguístico – a palavra derridiana vai além da reunião de morfemas para se desenhar em imagem, em palavra-imagem. Ao lermos determinadas passagens de Pensar em não ver, é como se estivéssemos diante de uma tela. Estamos, a bem da verdade, visualizando e não lendo, como nesta bela passagem do texto “Com o desígnio, o desenho”: “o desenhista, quando desenha um cego, quaisquer que sejam a variedade ou a complexidade da cena, está sempre desenhando a si mesmo, desenhando o que pode lhe acontecer, e, portanto, já está na dimensão alucinada do autorretrato” (DERRIDA, 2012: 174). Visualizo, antes de tudo, o autorretrato de um desenhista cego.
As palavras-imagens são retomadas por Derrida ao conversar sobre o filme em que participou, segundo ele, como ator: D’ailleurs, Derrida. No texto em que se discute sobre o filme, “Rastro e arquivo, imagem e arte. Diálogo”, o escritor comenta da participação da palavra, agora não mais a palavra escrita, mas sim a falada: “As falas estavam ali como imagens, feitas para serem, de algum modo, levadas pela necessidade do ritmo, do encadeamento, da consequência icônica […] Icônico quer dizer estruturado segundo a necessidade e a lei da imagem” (DERRIDA, 2012: 101). Semelhante com o que ocorre no filme, a palavra no texto derridiano destacado acima é tornada elemento icônico. Desse modo, ao refletir sobre o desenho, sobre o movimento do artista ao desenhar, Derrida comenta o desenho de Valerio Adami ou de François Loubrieu com um outro desenho – desenho provindo de sua escrita atravessada por palavras-imagens. Logo, o movimento que adquire o texto derridiano é de uma profusão de reflexos, de pinturas distendidas em palavras-imagens, desenhos que se assemelham a seus próprios desenhos de escrita, fotografias que recontam o negativo de sua escrita de imagem. Imagens e mais imagens, profusão de imagens en abyme.
O leitor provavelmente se demorará na leitura sobre as fotografias de Frédéric Brenner, não por ser o texto longo ou de difícil compreensão, não, não se trata disso. A dificuldade está na delicadeza a qual se expõe Derrida ao analisá-las. Fotografias de judeus, fotografias da memória. Diferente dos outros textos, o tom familiar, quase prosaico com o qual o escritor vai tecendo o seu pensamento sobre as questões da comunidade judaica, sobre suas próprias questões recalcadas ou veladas, produz um sentimento de falta, de perda, no leitor. Ao lermos o texto “[Revelações, e outros textos. Leituras das fotografias de Frédéric Brenner]”, quase que imediatamente nos colocamos no lugar do outro, do outro sem pátria, sem terra, do outro-sem, por assim dizer, quase esquecido e, por isso mesmo, afeito à memória, a velar a memória de um passado que ainda assombra, mas que, continuamente, se transforma em um passado esquecível, esquecido: “A melancolia do homem é visível. Será legível? Ela pode assinar a memória enlutada com aquilo que ele recorda e que ele ainda vela, mas ela pode também chorar a amnésia, o esquecimento daquilo mesmo que teria sido preciso velar para que se velasse – e que ameaça apagar-se no próximo sopro da história” (DERRIDA, 2012: 332).
O visível da fotografia dá a ver o invisível que se esconde por trás da figura conhecida de Jacques Derrida. Nesse texto, sabemos um pouco de sua infância, de seu prenome judeu, de sua mãe, de seu avô… estamos íntimos de Derrida, o que confere a familiaridade do tom. Do mesmo modo como nos identificamos com a falta judaica – “todos nós nos identificamos, universalmente, com uma minoria” (DERRIDA, 2012: 343) -, o escritor, sendo judeu, não poderia deixar de se identificar com as fotografias de Brenner: “Tento identificar, mas também me identificar, ao mesmo tempo em que persigo o limite de uma tentação tão irresistível, de uma compulsão como essa” (DERRIDA, 2012: 327). Identificação acordada com uma reflexão constante sobre a falta/perda que acomete(u) o povo judeu. Diáspora? Não significa somente a dispersão dos judeus pelo mundo – significa algo ainda mais profundo. Segundo Derrida, a diáspora afeta a partir do interior, “ela divide o corpo e a alma e a memória de cada comunidade” (DERRIDA, 2012: 323). É o sentimento de estar deslocado que afeta os judeus, nada lhes é mais autêntico. Mas não nos esqueçamos, como também os judeus não se esquecem, que nada nos é próprio, nem mesmo a nossa língua nos é própria:
Nós, nós todos, todos os seres vivos presentes, os seres vivos do passado e os espectros do futuro, nós todos, homens ou animais, não temos lugar próprio e terra bem-amada a não ser prometida, e prometida desde uma expropriação sem idade, mais velha do que todas as nossas memórias (DERRIDA, 2012: 341).
O visível fotográfico, ao trazer à tona o obscuro da memória de Derrida, dialoga com as perspectivas da invisibilidade com as quais o escritor trabalhou ao longo de seus textos de Pensar em não ver, não por acaso o título do livro carrega a marca da invisibilidade, ou, se quisermos, a marca da cegueira: não ver. A partir dos tons dos vários textos derridianos presentes neste livro, sobressai o pensamento de que a arte da visibilidade tem como suporte, base de sua contra-assinatura, a invisibilidade ou, como sugere Derrida, em “Aletheia“, a noite, o obscuro: “Nada é mais escuro do que a visibilidade da luz, nada é mais claro do que essa noite sem sol” (DERRIDA, 2012: 305). O que presenciamos ao ver uma obra é sua inscrição invisível. Em um desenho, em uma pintura, o que vemos é o traço diferencial que não mais existe, mas que persiste no rastro que se torna o desenho ou a pintura que observamos em um museu, em um livro, em qualquer lugar em que a arte esteja exposta. A arte visual é produzida a partir dos debaixos, de traços já inexistentes, do flash noturno que ilumina o invisível diante da máquina fotográfica. É nos debaixos que o efeito da arte é produzido – é lá, no debaixo, que se produz o desejo, a interdição, o gozo, a incitação, a excitação, a obra: “Quando se fica sem ar diante de um desenho ou de uma pintura, é porque não se vê nada; o que se vê essencialmente não é o que se vê, mas, imediatamente, a visibilidade. E, portanto, o invisível” (DERRIDA, 2012: 82).
Da leitura desses textos, o que resta para além da ideia da arte visual é o pensamento de que nós, seres humanos, somos constituídos de uma invisibilidade atordoante; não por menos, a arte, as artes do visível, tem como suporte a invisibilidade. A reflexão sobre as artes do visível é o grande mérito dos textos derridianos organizados com extrema precisão por Ginette Michaud, Joana Masó e Javier Bassas na elaboração do livro Pensar em não ver – mérito que a Editora UFSC considerou ao publicá-lo, oferecendo, assim, ao leitor brasileiro, a oportunidade de ter em mãos textos de Derrida raros sobre essas artes e somente agora traduzidos para o português.
Davi Andrade Pimentel – Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua como pesquisador da obra do escritor francês Maurice Blanchot. É autor dos artigos: “Thomas – o primeiro blanchotiano” (Revista Letras Hoje, n. 48/ 2013), “O espectro de Kafka na narrativa Pena de Morte, de Maurice Blanchot” (Revista Gragoatá, n. 31/2011), “Rascunhos de um pensamento arrebatador: Maurice Blanchot” (Revista Todas as Letras, n. 12/2010), dentre outros. E-mail: davi_a_pimentel@yahoo.com.br. Endereço: Rua Leopoldo Miguez, n. 129, apto. 706, CEP.: 22060-020, Copacabana – Rio de Janeiro – RJ.
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Inquisição Colonial | Revista Ultramares | 2015
Introdução: A Inquisição, da colônia ao que somos no hoje
O que significou a existência do Santo Ofício? Qual o seu alcance na Europa e nos Novos Mundos? Até que ponto a Inquisição remodelou o quadro de sociabilidades existentes na colônia? Como a Inquisição ajudou a gestar o que agora somos e quanto dela há em nosso mundo como resquício? “Lenda Negra”, “Lenda Branca”, interpretações que permeiam as raias de visões nem sempre neutras sobre o metamorfoseado “polvo de mil braços”, como já foi adjetivado o Tribunal que agiu durante a Modernidade Ibérica como baluarte da pureza cristã, à busca de hereges que ameaçavam o monopólio e os interesses católicos em seus domínios…
Estas, de certeza, não são questões de simples resposta, nem tampouco resolvem o quebra-cabeças infinitamente mais complexo da criação, lógica e funcionamento do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição português, das vítimas que fez e da atmosfera de controle e de intolerância que espalhou nos espaços onde tinha abrangência, ao longo dos quase três séculos em que teve vida, de 1536 a 1821. Leia Mais
Represión, tolerancia e integración en España y América. Extranjeros, esclavos, indígenas y mestizos durante el siglo XVIII | David González Cruz
La compilación Represión, tolerancia e integración en España y América. Extranjeros, esclavos, indígenas y mestizos durante el siglo XVIII, coordinada por David González Cruz, ofrece un amplio y sugerente panorama de las diversas metodologías de contención y acogida de especiales contingentes poblacionales en la centuria decimoctava a los dos lados del Atlántico. El volumen, que consta de un prefacio y trece capítulos, se reparte en dos secciones, la primera dedicada a los extranjeros y la segunda a esclavos, indios y mestizos.
El mundo hispano ante los extranjeros se intitula la primera fracción que empieza con el lucido texto de Óscar Recio Morales, en el cual se examina la élite de poder extrapeninsular en España y la América hispana: su análisis empieza desde el reinado de Carlos II y su segunda esposa, Mariana de Neoburgo, periodo que vio presente en la corte un gran entorno germano y que anticipó el uso de fórmulas más comunes para el siglo XVIII, como “camarilla” y “covachuela”, y termina cuando se conforma una nueva identidad “nacional” que hacía inadecuado el uso de no hispánicos para el servicio al rey (pp. 33-34); por razones oportunistas, los locales pretenden una “secularización” de la función pública y, así, una simultanea reducción del poder autónomo de gracia de la máxima autoridad del reino. Leia Mais
Ser jornalista no Brasil: identidade e formação acadêmica | Fernanda Lima Lopes
Ler o livro Ser jornalista no Brasil. Identidade profissional e formação acadêmica é, sem dúvida, muito estimulante para quem estuda o jornalismo no país. A busca da autora por respostas sobre esse grupo de agentes sociais com lugar privilegiado no ambiente midiático é a de muitos estudantes e pesquisadores da área. A investigação foi desenvolvida ao longo de seis anos, na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e a publicação abarca parte dos resultados encontrados. Fernanda Lopes tem se dedicado ao eixo do ensino em suas pesquisas empíricas e faz teoria e prática dialogarem em vários tópicos essenciais para responder a essa pergunta tão pouco esclarecida: “Afinal, quem é o jornalista brasileiro?”.
Para justificar sua pesquisa, Lopes lembra que as prerrogativas profissionais do bacharel em jornalismo estão sempre sob tensão e problematizadas. Sua intenção é, entre outras questões, investigar por que a formação acadêmica do jornalista é tão questionada. No caminho para essas respostas, muitos atores sociais dessa polêmica são colocados em diálogo pela autora, como os membros da academia, de entidades de classe, do mercado de trabalho, empresários, enfim, todos esses que ajudam a construir a identidade profissional do jornalista. Segundo a autora, nos momentos em que os sentidos que permeiam a identidade desse profissional, sobretudo devido a tensões entre esses atores, ficam mais evidentes, os valores que ajudam na investigação também sobressaem. Leia Mais
Atmosfera, ambiência, stimmung – GUMBRECHT (Topoi)
GUMBRECHT, Hans Ulrich. Atmosfera, ambiência, stimmung: sobre o potencial oculto da literatura. Tradução Ana Isabel Soares, Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC Rio, 2014. Resenha de: VIEIRA, Thaís Leão. Para além do paradigma da representação: o passado-feito-presente por meio de obras literárias. Topoi v.16 n.30 Rio de Janeiro Jan./June 2015.
Desconstrutivismo e estudos culturais são duas perspectivas teóricas e metodológicas bastante conhecidas para quem trabalha com linguagens. De um lado, a presença de um campo que defende a inexistência de qualquer contato entre a linguagem e a realidade e, por outro lado, os estudos culturais, tributários do marxismo, que por sua vez, ao creditarem maior ênfase na dimensão empírica das obras, se despreocupariam com a questão epistemológica. A saída para essas duplas abordagens é proposta por Hans Ulrich Gumbrecht, para quem a leitura das obras literárias deve retomar a vivacidade da literatura. Para que essas leituras se deem para além das representações, o autor propõe encontrar a atmosfera e o ambiente e posteriormente devolvê-las em um novo presente.
“É correto que o ensaísta busque a verdade”, escreveu [Lukács], “mas deve fazê-lo à maneira de Saul. Saul partiu em busca dos burros de seu pai e descobriu um reino; assim será com o ensaísta – aquele que é de fato capaz de procurar a verdade -; encontrar, no final de sua busca, aquilo que não procurava: a própria vida” (p. 29). Dessa forma, Gumbrecht apresenta sua perspectiva que não intenta o alcance da verdade, mas sugere que, ao se concentrar nas atmosferas e ambientes, os estudos literários se dirigem às obras “como parte da vida no presente”. A questão das atmosferas e ambientes, entretanto, deve aparecer mais do que os níveis de representação das obras, no sentido de Gumbrecht. A leitura do stimmung, que não distingue a experiência estética da experiência histórica, permitirá reter a vitalidade da literatura. Ao fazê-lo, o foco incide não apenas na experiência histórica vivenciada pela obra literária no momento de sua produção, ou seja, a obra não torna presente apenas um momento do passado, porém, na perspectiva de Gumbrecht, a análise da obra revela muito da nossa imediatez histórica. Em outras palavras, por que em determinados momentos os ecos de determinadas obras são maiores do que em outros períodos?
A relação entre o olhar voltado ao stimmung e o efeito de presença como um objeto de pesquisa é nítida em Atmosfera, ambiência, stimmung, lançado em 2014 no Brasil. Grumbrecht recupera os sentidos de stimmung em quatro momentos fundamentais: a era moderna, o romantismo, o século XIX na pintura histórica e na arquitetura historicizante e pós-segunda Guerra Mundial. Mais importante para Gumbrecht é a virada na história do conceito, quando stimmung deixa de exercer o papel de harmonia e mediação, pois é justamente aí que se transforma em uma categoria universal – essa dimensão permite ao autor buscar a atmosfera e o ambiente “característico de cada situação, obra ou texto”.
A questão do observador e da “crise da representação”, identificada por Michel de Foucault em As palavras e as coisas, interessa especialmente em dois momentos do livro, ambos no contexto do século XIX. O ato de observar o mundo e se colocar nesse processo de observação coloca o artista Caspar David Friedrich e o escritor Machado de Assis em posição de suma importância para Gumbrecht. Os observadores que se apresentam nas obras de Friedrich, em sua maioria ocupando lugar central no espaço pictórico, são partícipes de certa atmosfera, colocada pelo autor alemão radicado nos Estados Unidos por meio de dois problemas. O primeiro é a relação entre a experiência e a percepção. Contrariamente à tradição herdada dos séculos XVII e XVIII do pensamento racionalista, o observador de segunda ordem deu forma à epistemologia do século XIX ao redescobrir “como a sua relação com as coisas-do-mundo é determinada não só pelas funções conceptualizantes da consciência, mas implica também os sentidos” (p. 86). Outra consequência da função do observador é a referência ao ângulo específico da observação – para cada objeto potencial de referência, uma infinidade de descrições, o que resulta na perda da estabilidade dos objetos de referência. Pelas leituras das obras pictóricas, algo se produz de forma disseminada no final do século XVIII, quando grandes pensadores citados por Gumbrecht, como Goethe e Kant, buscavam a harmonia entre a existência e as coisas do mundo. As imagens que os quadros apresentam remetem ao sublime incompatível com a harmonia, dando ao observador uma sensação de desprazer.
A ideia de temporalidade como elemento constitutivo das atmosferas e ambientes surge no texto sobre Memorial de Aires, de Machado de Assis, que Gumbrecht associa com a dimensão do tempo posta na obra Ser e tempo, de Martin Heidegger. Para Gumbrecht, Memorial de Aires não é um livro apenas sobre tristeza, mas a obra nos diz de que modo a tristeza pode adquirir substância no tempo “entre um futuro existencial sem ‘conteúdo’, um presente vazio e um passado que não desaparece, o tempo tem necessariamente de se mover com lentidão – como que se aproximando do ponto de imobilidade absoluta” (p. 120). Se, no presente, o autor (o conselheiro Aires) encontra um vazio, há algo dessa escrita que Gumbrecht nos revela: que ao dizer sobre nada, ela dá forma a determinada existência, talvez a do mundo colonial e das ilusões perdidas. O diário do autor ficcional Aires é, nesse sentido, um livro sobre nada, que Flaubert objetava como projeto estético. Aires escreve quando não há nada que mereça registro em sua vida. Assim como seus amigos, os Aguiar, são sozinhos, Aires também o é, e ambos possuíam no passado uma felicidade perdida para sempre, combinada com a consciência da perda do presente e do futuro. Outro aspecto trazido por Gumbrecht da obra de Machado é que o autor do memorial, o conselheiro Aires, é um observador de segunda ordem, aquilo que Foucault considerou como a crise da representação, uma vez que o sujeito do conhecimento se torna ele mesmo objeto. E ao serem colocadas dessa forma, “as conquistas do observador de segunda ordem incluem a descoberta de que cada representação do mundo depende da perspectiva” (p. 118), ou seja, da tomada de consciência do observador de que o ponto de onde ele observa define a representação de determinado objeto, no caso específico, o reconhecimento de Aires sobre “a saudade de si mesmos” dos Aguiar, que implica um vazio no presente e uma falta de projeção para o futuro.
Morte em Veneza, de Thomas Mann, marca o encontro da morte em vida do personagem Aschenbach. O clima atmosférico e as condições meteorológicas na narrativa, bem como as mudanças de tempo verbal, apresentam as transições, a impressão do “tempo parado” e o peso da vida à medida que Tadzio não corresponde ao amor de Aschenbach até a partida desse amor idealizado. O alerta de Gumbrecht no começo do livro, na referência à Lukács, faz com que o autor se preocupe mais em encontrar a vivacidade da obra do que suas possíveis verdades. Nesse ponto, “a morte dentro da vida de Aschenbach revela a intensidade da vida, mais do que sua verdade” (p. 105). A presença dessa atmosfera e desse ambiente teria preparado as possibilidades da filosofia existencial.
A atmosfera dos anos 1960 é discutida no capítulo dedicado à Janis Joplin, especialmente à canção Me and Bobby McGee. Com grande eloquência, talvez esse seja o texto de todos os demais na obra em que o sentido do presente esteja mais forte em Gumbrecht: “só hoje, quando nos tornamos uma geração de velhos tantas vezes infantis {…} conseguimos, de fato, perceber quais eram as promessas daqueles meses {…} na voz de Janis Joplin, recordamos uma liberdade que não sentimos no presente do passado” (p. 127). Ao discutir a narrativa da canção, Gumbrecht encontra no casal Joplin e Bobby a ambiência de sua geração, a metáfora para sua juventude. Ao som do verso “liberdade é só outra palavra para ‘não ter nada a perder'”, Gumbrecht exemplifica que, ao conhecer Bobby, Joplin perde para sempre a liberdade de quem nada tem a perder, pois ela trocaria todos os dias do seu futuro por um único de seu passado, numa perspectiva de que a felicidade é oposta à liberdade. Porém, não é só o conhecimento dos versos da canção que faz dela pertencente à substância e torna possível recuperarmos o stimmung dessa juventude de outrora, mas nas variações e modulações da voz de Joplin, no registro e nas gravações de canções que mantêm vivo o stimmung daquela geração que pode ser condensada pela voz delicada, sedutora, desesperada de Joplin de Me and Bobby McGee, que não precisa unicamente dos sentidos das palavras para recuperar as atmosferas e estados de espírito que a voz de Joplin evoca.
Na última parte do livro, com referência à filosofia, especialmente à situação após a Primeira Guerra Mundial, Gumbrecht se volta para o que foi considerado como os “loucos anos 20” e o clima posterior à Grande Guerra. Nesse contexto, o autor indica que esses foram os anos que levaram à morte do sujeito moderno e ao fim do papel do herói, que deveria ter dado leveza ao peso da existência humana, porém, não o fez. O clima desse período foi retratado numa metáfora que deduz, dessa atmosfera de incertezas e profunda desorientação, que “o chão fugira sob nossos pés”. Gumbrecht reconhece na filosofia de Martin Heidegger uma experiência que dá sentido àquela situação histórica, devolvendo à “existência individual humana o ‘chão que havia desaparecido sob os pés'” (p. 151). Identificar a dinâmica que constitui a existência poderia, para Gumbrecht, naquele contexto, apontar o que impedia tais dinâmicas; em outras palavras, poderia indicar o que levaria à incompletude das vidas individuais.
Claramente, Grumbrecht observa uma tensão entre vitalismo e razão nos anos 1920 e o exílio de felicidade como um emblema e sintoma desse tempo. Assim como na filosofia existencial de Heidegger, na obra de Unamuno sobre o sentimento trágico da vida, as possibilidades positivas eram vistas como ilhas dentro do sentido trágico da vida. É nesse ponto que Gumbrecht dá aos leitores a expressão daquilo que ele considera como uma estetização da vida, como parte dessa visão trágica, a partir da tensão entre o que ele chama de “sobriedade” e “êxtase”. Um dos gestos de sobriedade era a busca por experienciar as coisas do mundo na sua coisidade pré-conceitual, que está presente em Heidgger, em artistas da Bauhaus, Paul Klee, em registros do surrealismo e em designers do período. Essa visão busca a sensação pela dimensão corpórea e espacial da nossa existência, voltando-se para posições mais modestas e menos monumentais. Isso justificaria a suposta excitação pela arte primitiva. De outro modo, a década de 1920 também comportou, nas possibilidades de se alcançar a felicidade pela intensidade, perigo e excitação e a alegria de viver poderia ser encontrada nos “topos das montanhas ou dos arranha-céus” (p. 155).
A sensibilidade-chave de Gumbrecht demonstra, aos nossos olhos, uma abordagem interpretativa do passado em que, nesse complexo contexto de exílio da felicidade, experiências históricas como o socialismo, que adiava para o futuro um tempo melhor, e o cristianismo, que deixara para a vida no além a esperança da felicidade, não tiveram o êxito do fascismo, que, com a promessa de satisfação imediata, pode ter se constituído em uma atmosfera e ambiência da busca pela felicidade, no aqui e agora, como a atração fatal dos anos 1920.
Atmosfera, ambiência, stimmung sobre o potencial oculto da literatura é um livro edificante, no sentido de que constrói, por meio do sensível, várias presenças. Erige em nós temporalidades que se transformam continuamente, lendo em busca de stimmung, revelando seu potencial dinâmico. O conceito diz, para além da leitura das obras feitas por Gumbrecht, da própria leitura de Atmosfera… pois esta afeta a nós leitores, dadas a disposição, a sensibilidade e a acuracidade com as quais o autor nos revela múltiplas ambiências e vivifica a literatura em/para nós.
Thaís Leão Vieira – Doutora em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Rondonópolis, MT, Brasil. E-mail: thaisleaovieira@gmail.com.
Pensando um continente: A Revista Americana e a criação de um projeto cultural para a América do Sul – CASTRO (Topoi)
CASTRO, Fernando Vale. Pensando um continente. A Revista Americana e a criação de um projeto cultural para a América do Sul. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2012. Resenha de: VASQUEZ, Karina. Sintaxis del futuro: el proyecto de una Sudamérica real, posible e imaginada. Topoi v.16 n.30 Rio de Janeiro Jan./June 2015.
En Pensando un continente…, Fernando Vale Castro se propone analizar la Revista Americana, una publicación que surge en las filas de Itamaraty – dirigida por los diplomáticos Araujo Jorge y Delgado de Carvalho, y el periodista Joaquín Viana -, en Río de Janeiro durante la década comprendida entre 1909 y 1919. Contra la perspectiva que reduce este emprendimiento a un simple instrumento de divulgación de los lineamientos de Itamaraty, apenas como un mero reflejo o caja de resonancia de las principales posiciones del Barão de Rio Branco, el autor plantea la necesidad de comprender esta revista como una “comunidad argumentativa”, donde convergen diversas opiniones que sin embargo comparten un objetivo general, ligado al mutuo acercamiento entre las distintas naciones sudamericanas y a la construcción de una estrategia diplomática capaz de garantizar en el continente la solución pacífica de conflictos en un contexto mundial caracterizado por una enorme incertidumbre e inestabilidad. Si, tal como sugiere el autor, toda revista puede ser entendida por la dialéctica entre producción y recepción, en este caso se propone priorizar “a ótica dos produtores“, entendiendo – en la línea de Skinner y Pocock – la producción de los discursos plasmados en la revista como “actos de habla” que, al mismo tiempo, surgen y modifican el contexto lingüístico en el que adquieren sentido e inteligibilidad.
Comprender estos discursos como “actos de habla” implica ponerlos en relación con sus contextos, y en el primer capítulo Vale Castro presenta las principales preocupaciones que atraviesan el contexto de creación de la revista. En este sentido, el autor articula un panorama que va desde las aceleradas transformaciones que permearon de manera general el último tercio del siglo XIX con las particularidades del contexto brasilero, signado por la proclamación de la República, las apuestas, esperanzas y desilusiones de la llamada “generación de 1870” en pos de un proyecto modernizador para el Brasil, y el afianzamiento de una dirección clara en la política exterior, a partir del nombramiento del Barão de Rio Branco en el ministerio de Itamaraty. Esta figura condensa un haz de problemas, entre los cuales el autor destaca conceptualmente dos que van a resultar particularmente relevantes en las reflexiones de la Revista Americana. Por un lado, la cuestión del establecimiento de los límites fronterizos y la unidad territorial, que si ya desde el imperio aparecen asociados al problema de la construcción del Estado, con el establecimiento de la República adquieren un importante rol material y simbólico en la consolidación de un proyecto de nación. Y si el Barão de Rio Branco va a ser la figura que encarne el éxito de la estrategia político-diplomática en la resolución de conflictos fronterizos, convirtiéndose así en el “ícone de um país, ao menos em tese, unido, estável e com visibilidade externa” (p. 37), es a partir de ella que la revista puede plantearse – a través de la problemática de las fronteras – la elaboración de un proyecto que valorice a la diplomacia, como agente cultural capaz de promover el conocimiento mutuo y de llevar a cabo las acciones/negociaciones que contribuyan al establecimiento de un equilibrio geopolítico, garante de la paz en épocas tumultuosas. Por otro lado, la segunda cuestión que va a resultar particularmente relevante en las páginas de la revista es el acercamiento de Itamaraty a EEUU – un proceso que había comenzado durante los últimos años del imperio y se afianza con la República – y la consiguiente adopción del panamericanismo, que va a constituir una de las principales características de la política del Barão -, adopción que parte del reconocimiento del ascenso de EEUU a potencia mundial y que aspira también a posicionar favorablemente a Brasil frente a Europa y al resto de las naciones sudamericanas. Caracterizado el contexto, el autor esboza las diferentes etapas que marcaron a este emprendimiento de larga duración. Así es que, siguiendo las sugerencias de Vale Castro, se pueden distinguir dos etapas, marcadas por sucesivas interrupciones: la primera, desde su creación en 1909 hasta la muerte del Barão de Rio Branco en 1912, momento en que se da la primera interrupción larga de la publicación, debida – entre otras cosas – a dificultades provocadas por la gran guerra con el abastecimiento de papel; la segunda comprende los cuatro números que salieron en 1915, con un perfil más comercial y popular, incorporando incluso un “Suplemento ilustrado” de contenido variado, y los últimos años de la revista (1917-1919), donde se retoma el formato anterior, buscando mantener como eje central de los artículos la problemática de la aproximación intelectual, política, económica y cultural de las naciones de América.
Después de esta presentación general de la revista, Vale Castro aborda en el capítulo 2 la problemática del pan-americanismo en la Revista Americana. Tal vez, sea este capítulo uno de los momentos centrales del libro, dado que la perspicacia analítica del autor permite aprehender a la revista como un emprendimiento plural y complejo que, si bien en líneas generales sostenía una posición afin al acercamiento a EEUU propiciado por Itamaraty, sin embargo acogió en sus páginas el debate, presentando también artículos que expresaron posiciones claramente contrarias a la orientación de la política externa brasilera. El autor analiza, en primer lugar, qué se entendía por esos años por “pan-americanismo” basado en la Doctrina Monroe, un intento de la política externa norteamericana de presentar a América Latina como un área subordinada a sus intereses económicos y políticos. El problema es que, si bien por motivos pragmáticos, el Barão de Rio Branco promovió un acercamiento a EEUU, no fue este el caso mayoritario del resto de los países sudamericanos, y este es un dato relevante a fin de visualizar los presupuestos comunes y los conflictos – explícitos o implícitos – que permearon la construcción de esta “comunidad argumentativa” que constituyó la revista. Así, si a principios del siglo XX, el debate sobre el alineamiento con EEUU, tiene al interior de la intelectualidad brasilera fuertes defensores – como Joaquim Nabuco – y detractores – como es el caso Oliveira Lima -, pareciera que ya para 1910 se produce cierta marginalización de esas posiciones críticas del panamericanismo, a tal punto que, en los primeros años de la revista este debate pareciera dividir, por un lado, a los intelectuales diplomáticos brasileros, ligados directamente a Itamaraty (como el propio Nabuco, Araripe Jr, Helio Lobo), que defienden una posición claramente favorable a la Doctrina Monroe y, por extensión, a la política norteamericana en el continente; y del otro, intelectuales latinoamericanos (el argentino Norberto Piñero, el chileno Macial Martínez, el venezolano Jacinto López, entre otros) que manifiestan más bien sus críticas a las aspiraciones hegemónicas e intervenciones continentales de EEUU, planteando en algunos casos alternativas, como un ibero-americanismo o un pan-iberismo (alternativas que apostaban más bien a un estrechamiento de los vínculos con Europa, más que con EEUU). Ya en el segundo momento de la revista, después de 1915, hay una inflexión provocada mayormente por los efectos de la gran guerra, por la cual ya no hay espacio para posiciones contrarias a la aproximación entre América del Sur y Estados Unidos. En este sentido, los artículos analizados en esta etapa muestran cierta coincidencia en torno a una visión más favorable del panamericanismo. El autor señala que su recorrido por las dos etapas de la revista muestra un cierto redimensionamiento del concepto de monroísmo, que va desde la acérrima defensa de la Doctrina Monroe a una visión más crítica, que deja de lado la perspectiva intervencionista norteamericana, para poner en el énfasis en un discurso basado en un discurso basado en la cooperación, en la integración, en un modelo de pan-americanismo más directamente ligado los intereses de América del Sur.
En el tercer capítulo, Vale Castro plantea un análisis de algunos conceptos centrales que fueron objeto de discusiones y articularon debates en la revista – tales como la necesidad de promover el respeto a los principios del derecho público internacional, intervenciones en torno a los conceptos de soberanía y hegemonía, la cuestión de las fronteras como elemento primordial en la construcción de cualquier proyecto nacional, el debate en torno a la navegabilidad de los ríos – con el objetivo de mostrar cómo, más allá de los desacuerdos, la revista perseguía como objetivo central la elaboración de un “ideário americano, baseado no intercâmbio e na cooperação entre as nações americanas, capitaneadas pela diplomacia do continente” (p. 155). Desde la perspectiva de la revista, es justamente el cuerpo diplomático – entendido como una élite intelectual, relativamente independiente del poder político- aquel sujeto capaz de llevar adelante tanto la construcción de una “moral sudamericana” para las relaciones internacionales, así como también crear las condiciones de un equilibrio continental que debiera servir de ejemplo a otras regiones del planeta. Lejos de pensar la trayectoria de la revista como una simple reflejo de las opiniones del Barão de Rio Branco, este emprendimiento despliega toda una serie de intervenciones que apuntan a reflexionar sobre el papel que la diplomacia brasilera debería jugar – como sostiene Vale Castro – en la elaboración no tanto de un diagnóstico preciso, sino más bien de un pronóstico, “um projeto de futuro que deveria ser construído com uma América muito mais do que real, uma América possível, uma América imaginada” (p. 156). Que esa América posible fuera real, dependía de la acción de los intelectuales – en especial, diplomáticos – en pos del diálogo, la cooperación y el conocimiento mutuo entre naciones diversas, operaciones que la revista pretendió llevar a cabo no sólo a partir de la presentación de distintos argumentos y debates en la sección artículos, sino también a partir de otras secciones, aludidas en el libro, como las “Notas” y “Bibliografía”, donde es posible visualizar una primera tentativa de crear un tejido cultural, que permitiera pensar el continente.
Sin duda, el esfuerzo analítico de Vale Castro ha permitido construir una imagen más rica, compleja y plural de la Revista Americana, que nos invita a reflexionar tanto sobre las nuevas representaciones de América que comienzan a surgir a principios de siglo, como también sobre los diversos roles que los intelectuales imaginan para sí frente a esas representaciones continentales, roles que motivan discursos, acciones, contactos, acercamientos mutuos y la aparición de redes que, en muchas ocasiones, sostuvieron o acompañaron emprendimientos comunes. Desde esta perspectiva, junto a los planteos de Skinner y Pocock, quizás hubiera sido útil incorporar también algunos otros aportes de la historia intelectual, en particular aquellos que proponen abordar las revistas como una “estructura de sociabilidad”, en el sentido que esta noción ha sido definida en los trabajos de Jean-François Sirinelli y Michel Trebisch.1 En este sentido, si bien Vale Castro acota su análisis al espacio escrito y público de la revista (es decir, sabemos muy poco de las condiciones internas en torno a cómo se armaba el sumario, cómo se seleccionaban los artículos, a partir de qué vínculos o redes llegaban las diversas intervenciones de autores latinoamericanos, cómo se contactaba a los autores, etc.), también restringe mayormente su análisis a un aspecto de la revista – aquel asociado directamente a la actividad diplomática -, dejando en un segundo plano el análisis de aquellas intervenciones ligadas a la historia, a la literatura, y a la sociabilidad intelectual. Según refiere el autor, esta publicación contaba con una sección de “Notas”, otra de “Bibliografía” y una dedicada a las “Revistas”: hubiera sido muy útil analizar los libros y las revistas reseñadas, justamente para discernir qué tipo de sociabilidad, ampliada a la escena continental, proponía la Revista Americana. Al final de su texto, el autor nos presenta un índice de los artículos: el problema de este índice es que, si bien resulta útil el panorama general que ofrece al lector en pocas páginas, es un índice trunco, que eclipsa la “sintaxis” de la revista, dado que cada número no se reduce al listado de artículos. Tal como aparece en las fotos que acompañan al libro, en las ediciones de la revista hay intervenciones poéticas, comentarios, reseñas, notas de redacción, etc., en definitiva, textos y discursos – que junto con el formato que asumió cada número- definen de forma activa las estrategias por las cuales este emprendimiento se dirigió a sus diversos públicos. El análisis de Vale Castro complejiza, en muchos sentidos, la relación de la revista con Itamaraty; creo que hubiera sido deseable también visualizar de forma más precisa cómo la revista se construye como un espacio de sociabilidad para los intelectuales y escritores del continente.
Cfr. Sirinelli, Jean-François. Le hasard ou la nécessité? Une histoire en chantier: l’historie des intellectuels. Vigtième siècle. Revue d’histoire, n. 9, janvier-mars, p. 97-108, 1986; Trebitsch, Michel. Avant-propos : la chapelle, le clan et le microcosme; Racine, Nicoli y Trebitsch, Michel. Sociabilites Intellectueles. Lieux, Millieux, Reséaux. Cahiers de L’IHTP, n. 20, CNRS, París, p. 11-21; Pluet-Despatin; Jacqueline. Une contribution a l’histoire des intellectuals: les revues, en Les Cahiers de L’ IHTP, n. 20, marzo de 1999, número especial “Sociabilites intellectuels: lieux, milieux, reseaux”, p. 125-136.
Karina Vasquez – Doctora en Ciencias Sociales y Humanas por la Universidade de Qulimes (Argentina) y profesora en la Universidad de Quilmes y en la Universidad de Buenos Aires (UBA). Buenos Aires, Argentina. E-mail: kvasquez@unq.edu.ar.
Dar nome ao novo: uma história lexical das Américas portuguesa e espanhola, entre os séculos XVI e XVIII (as dinâmicas de mestiçagem e o mundo do trabalho) | Eduardo França Paiva
“Quem chama quem de quê? Como cada qual se define e define o outro?” A partir dessas interrogações, o historiador Eduardo França Paiva instiga a leitura e nos aproxima das problemáticas que norteiam sua nova obra “Dar nome ao novo”. Neste novo trabalho, o uso de vocabulários, de expressões, de léxicos são fios que conduzem o leitor para pensar sobre os usos de definições, categorias ou hierarquizações ao longo de três séculos. O objetivo está em levar quem lerá a obra a uma intensa compreensão das nomeações e descrições que marcavam, separavam e hierarquizavam os agentes históricos pelas dinâmicas biológicas e culturais das mestiçagens.
É importante destacar, para o maior entendimento da obra, o processo histórico entendido pelo autor como parte das “dinâmicas de mestiçagens”. Afinal, esse é um conceito elaborado recentemente, e permeia as dimensões históricas resultantes de mesclas, interseções, de mobilidades e de trânsito, no plano das representações e dos discursos, que geraram sociedades e produtos mestiços e não-mestiços (índios, brancos, negros, pretos e crioulos). Leia Mais
Blacks Against Empire: The History and Politics of the Black Panther Party – BLOOM; MARTIN JR (Topoi)
BLOOM, Joshua; MARTIN JÚNIOR, Waldo E. Blacks Against Empire: The History and Politics of the Black Panther Party. Berkeley e Los Angeles. University of California Press, 2013. 540p. Resenha de: CHAVES, Wanderson da Silva. O Partido dos Panteras Negras. Topoi v.16 n.30 Rio de Janeiro Jan./June 2015.
Poucos aspectos da história norte-americana do pós-guerra são tão opacos quanto a história do Partido dos Panteras Negras. Sua vertiginosa trajetória de ascensão e queda, entre 1967 e 1971 – e encerramento definitivo das atividades, em 1982, de forma praticamente anônima – vem sendo disputada e fixada por duas narrativas principais, publicamente ainda em disputa, mas que, entretanto, discursivamente tendem a se encontrar. A sustentada pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), mais conhecida por ser a adotada na cobertura jornalística nos EUA desde então, associa ao Partido um programa racista, fascista, sectário e separatista, que justificaria, em razão de ameaças à segurança nacional, a campanha de época pela destruição dos Panteras. A outra narrativa, calcada na fortuna crítica dos chamados “estudos afro-americanos”, e sustentada principalmente pela militância e organizações do nacionalismo negro, vincula o Partido a um projeto de busca da unidade e do orgulho racial, característicos da negritude. O mérito de Blacks Against Empire reside justamente na desconstrução destes dois lugares-comuns. Reconstrói-se, ao longo do livro, a lógica de atuação do Partido a partir de suas principais tensões e ambiguidades: embora decisivas para o programa partidário, essas particularidades eram categoricamente ignoradas no trabalho de memória, e na historiografia.
O trabalho de Joshua Bloom, sociólogo da UCLA, e Waldo E. Martin Jr., historiador da Universidade da Califórnia em Berkeley, e autor experiente – com publicações sobre escravidão, racismo, direitos civis e movimentos sociais – foi árduo. O livro começou a ser escrito em 2000, e no seu curso, mobilizou cerca de 50 pesquisadores e colaboradores diretos, reunindo mais de 12 mil páginas de documentos raros e inéditos, hoje, integrados aos acervos da Biblioteca de Estudos Étnicos e à Bancroft Library, de Berkeley. Quatorze teses acadêmicas foram desenvolvidas sob a cobertura desse projeto, que estendeu sua pesquisa a arquivos nacionais e internacionais, privados e governamentais, e retomou, por meio de entrevistas, e um sério esforço de certificação documental, a massa de testemunhos, memórias e autobiografias que ainda são a principal fonte bibliográfica sobre o Partido e para boa parte das organizações civis dos EUA dos anos 1960 e 1970.
O resultado desse empreendimento: uma boa narrativa factual, comparada ao desastre historiográfico das duas tendências da literatura temática, e que coloca imediatamente questões inquietantes; particularmente, a de que os Panteras Negras, não apenas retoricamente, mas em agenda e estratégias, buscaram ser radical e efetivamente antirracistas.
Comparado às organizações do Movimento dos Direitos Civis dos anos 1960, o Partido parece ter ido fundo e longe: tornaram-se uma organização nacional com forte presença nos grandes centros urbanos, e agindo, principalmente, fora do Deep South e da sua rede de organizações religiosas, estudantis e profissionais negras. O projeto de Martin Luther King Jr., para os anos 1960, de que sindicatos, igrejas e o mainstream liberal colaborassem nas reformas econômicas, sociais e políticas destinadas à definitiva dessegregação – a integração de todos à projetada beloved community – obteve pouco suporte fora das suas bases tradicionais, a classe média negra, e simpatizantes progressistas do Norte. Os colaboradores que não responderam à conclamação de King, todavia, não fizeram falta ao arco de alianças construído pelos Panteras. Profundo conhecedor da organização, o FBI sabia que seu projeto de desmantelamento do Partido passava principalmente por ações de dissuasão aplicadas aos aliados: os órgãos da chamada Nova Esquerda, particularmente os envolvidos na luta contra a Guerra do Vietnã; os “negros moderados”, rescaldo do Movimento dos Direitos Civis; governos de Estados comunistas ou não alinhados; e lideranças, associações e igrejas baseadas nas periferias das cidades, não apenas nos bairros negros. A estratégia: diplomaticamente, romper o suporte internacional; e com medidas policiais secretas, minar as pontes entre os diversos segmentos de classe da comunidade negra, bem como as conexões “inter-raciais”, que eram o grande patrimônio político do Partido.
Os Panteras Negras não eram secessionistas, nem partidários da negritude como projeto, embora a reivindicação à herança de Malcolm X – que era uma meta partidária importante, particularmente o chamado à luta por “todos os meios necessários” contra o Estado e a polícia – tenha sido central para a sua atuação. Com relação a programas, nada de decisivo opôs o Partido à proposta de integração, que caracterizava a agenda pública de King. Curiosamente, ela seguia no sentido do seu aprofundamento, ao destacar mudanças estruturais para destruir – e não apenas reformar – dinâmicas raciais, como condição para tornar os direitos civis realmente efetivos. A diferença em relação a King, sempre afirmada com muita ênfase, era tática: contra a resistência não violenta, advogava-se a autodefesa armada, e, ainda que nunca de forma consensual e programática, também o enfrentamento armado ao Estado como parte da sua atribuída vocação de partido revolucionário. O FBI explorou publicamente essa escolha tática como uma aberta declaração de guerra. E com uma massiva campanha de infiltração, sabotagem e extermínio, na qual buscou vincular o Partido a falsas ações, defrontou os Panteras Negras intermitentemente aos dilemas estratégicos e éticos da instrumentalização política da violência.
A resposta dos autores à historiografia – que concede grande relevância às leituras policiais, ao heroísmo dos testemunhos, e aos atuais Movimentos Negros, que se pretendem herdeiros políticos do Partido – foi estritamente documental. Nela, há um esforço em distinguir as ações secretas de Estado das realizadas pelos Panteras, e em separar a agenda e atuação do Partido daquela das organizações raciais negras, posto que essa diferença tornou-se mais que retórica – tornou-se programática. E compreende-se bem ao longo do livro o porquê.
Fundado em 1966, o Partido dos Panteras Negras era, inicialmente, uma milícia armada, formada integralmente por homens, que atuava na região de Oakland, Califórnia. Suas principais atividades eram o monitoramento da polícia, via obstrução e denúncia da violência dos órgãos de segurança, e a intimidação – física e através de boicotes e mobilizações públicas – de denunciados de racismo e infração aos direitos civis. Os marcos dessa atuação eram inusitadamente legais. Segundo leis estaduais da época, o porte e o transporte de armas carregadas, em locais públicos ou veículos, eram permitidos se o armamento estivesse devidamente exposto, e fora de posição de tiro. Acompanhar ações policiais também era permitido, desde que mantida distância. Huey Newton e Bobby Seale, estudantes de direito, e membros fundadores do Partido, fizeram essa descoberta legal, e nela apoiaram a aplicação da autodefesa armada para além da situação – a invasão de residências sem mandado judicial – que primeiro havia mobilizado seus esforços.
Até 1967, o Partido era mais uma unidade, dentre várias outras, espalhadas pelos EUA, surgidas simultaneamente nessa época, que se autointitulavam Panteras Negras. Todas elas atendiam a um chamamento comum. Usando o animal símbolo do Lowndes County Freedom Organization (LCFO), organização política que o Students Non-Violent Coordinating Committee (SNCC) pretendia transformar em partido no Alabama, os Panteras de Oakland eram mais um grupo que buscava dar forma política ao slogan “Black Power”, de Stokely Carmichael, líder do SNCC. Então, pouco conhecido fora do norte da Califórnia, o grupo de Newton, Seale e do jornalista de Ramparts, Eldridge Cleaver, por volta de outubro de 1968, já havia rapidamente unificado em torno da sua liderança todos os grupos de Panteras, aproximado e emparedado vários setores da esquerda norte-americana, estabelecido uma publicação oficial com tiragem de massa, reunido um orçamento anual milionário, angariado suporte internacional, e dominado o debate pela definição dos sentidos do Poder Negro. Essa ascensão, que se alicerçou na atração dos jovens mobilizados nos confrontos raciais na era dos assassinatos de Malcolm X (1965) e King (1968), foi alcançada com dramáticas e bem-sucedidas ações públicas, e após duras disputas interorganizacionais e partidárias.
Em razão de suas opções táticas, Newton, Seale e Eldridge Cleaver consideravam o Partido o único capaz de exercer algum esforço de politização sobre a massa de jovens negros que escolheu a violência. E graças ao perfil da sua liderança, os únicos que poderiam atrair identificação imediata. De fato, um histórico de pobreza, bom treinamento militar prévio, passagens por prisões, eventuais aproximações ao Nation of Islam (NOI) e um sério esforço de formação intelectual os assemelhava a parte considerável da militância que ingressou nas cerca de 80 sucursais que os Panteras chegaram a ter no país. Inicialmente, o Partido espelhou a retórica racialista e nacionalista que emergiu nos confrontos e protestos, mas das suas proclamações, na qual se declarava vanguarda partidária do “exército de libertação negro”, dificilmente se poderia obter uma agenda nacionalista. Discursivamente difusa, e muito dependente da eficácia performativa das ações e da sua poderosa iconografia, suas metas nem sempre óbvias eram a liberação do racismo, o combate à polícia, a autogestão comunitária e a união tática dos negros como estágio preliminar e preparatório da luta “anticolonial” contra o Estado norte-americano a ser lançada.
Os Panteras eram a mais literalmente “fanonista” dentre as organizações de base negra dos EUA, vinculação que foi pouco destacada pelos próprios autores. Isto significava uma aposta no programa de luta armada exposto em Os condenados da terra (1961), em que se apelava à violência como força liberadora pessoal e militar do domínio colonial. Esse potencial de transgressão, pensado para se dirigir contra o “exército doméstico de ocupação” que seria a polícia, era dirigido também contra o que era considerado, pelo Partido, o grande “maniqueísmo colonial” a ser revertido – a raça. Embora a liderança dos Panteras Negras tivesse bom domínio da literatura marxista e dos textos políticos de Che, Mao e Lênin que fizeram carreira naquela época, era Fanon a principal ferramenta do Partido no rechaço às organizações cujo programa fosse “antibranco” ou que pretendessem disciplinar sua atuação. Por uma ou por ambas as razões, o SNCC, o Congress for Racial Equality (CORE), o braço político do NOI, o Revolutionary Action Movement (RAM) e o Partido Comunista dos Estados Unidos foram asperamente repelidos.
Após o estabelecimento de restrições legais ao uso de armas, em 1969, os Panteras se orientam para a montagem, nas suas sucursais, de clínicas médicas, refeitórios, cursos de formação política e escolas primárias, entre outras iniciativas cujo fim declarado era estabelecer a gratuidade, socialização, criação e a autogestão de serviços públicos dentro das comunidades negras. Sustentada por grande suporte e participação voluntária, a iniciativa afetou o War on Poverty, grande programa federal de reforma urbana, terceirizado para empresas, fundações, igrejas e organizações negras. Publicamente, a política social de governo era ferida, na comparação, por sua atribuída timidez, inoperância e racismo. A essa reorientação, na qual o Partido transferiu para sua liderança “civil” a condução da maioria das ações, coincidiu curiosamente uma brutal ofensiva policial, na qual se prendeu ou executou os principais quadros dos Panteras Negras, sucessivamente, cidade a cidade.
Esse momento também coincidia com a construção de uma sólida aliança do Partido com os movimentos contra a Guerra do Vietnã, da qual os dois segmentos se consideraram beneficiados. Orientando-se parcialmente pelas mudanças no discurso público dos Panteras, os grupos predominantemente estudantis, envolvidos nos protestos, foram acrescentando uma retórica anti-imperialista, e depois, crescentemente antifascista e anticapitalista, a seu próprio discurso antiguerra, inicialmente ligado ao pacifismo dos objetores de consciência. Essa conexão temática veio acompanhada de grande produtividade organizacional. Com apoio do Partido, são criadas, em comunidades de população hispânica, asiática, indígena e de “brancos pobres”, organizações similares às dos Panteras. Apoiados principalmente nestes novos grupos, e com suporte de aliados que incluíam igrejas, ativistas gays e feministas e grupos antirracistas, os Panteras Negras criaram o Comitê Nacional de Combate ao Fascismo, sem restrições de filiação. A emergência do que se designou, por esse comitê, de “Coalizão Arco-Íris”, funcionou como uma correia de transmissão circular: cada grupo assumia sua pauta particular no esforço conjunto de oposição à Guerra no Vietnã, no coletivo de lutas liberatórias globais e domésticas, e na resistência à ofensiva policial.
O FBI mudou sua estratégia de combate aos Panteras em 1971. Naquele momento, embora não contasse com boa parte de seus quadros políticos, já presos, mortos ou exilados, o Partido atingiu seu auge de expansão, filiação e influência. Em um dos pontos altos do livro, Bloom e Martin Jr. descrevem como o Federal Bureau of Investigation, respondendo à guinada do governo Nixon, desarticulou a rede de apoiadores dos Panteras Negras e iniciou o seu declínio. Do isolamento que se produziu, seguiu-se a exposição de diferenças políticas e temáticas, contradições retóricas e tensões internas e com aliados que rapidamente tornaram o Partido politicamente insignificante.
Diplomaticamente, o compromisso de Nixon com a gradual retirada das tropas do Vietnã, o restabelecimento de relações com China e Argélia e a conclusão da maioria das lutas de libertação nacional na África desmobilizou as organizações estudantis antiguerra e inibiu o apoio internacional aos Panteras. Dava-se fim à pauta “anti-imperial” comum. Com a universalização das cotas raciais como política de Estado, bem como a ampla reforma universitária, que tornou os chamados “estudos afro-americanos” item curricular obrigatório, normalmente com dotação orçamentária e suporte departamental próprios, o governo Republicano capturou a atenção e conquistou a confiança da maioria dos aliados dos Panteras nas universidades e entre as classes médias. Alianças e acomodações políticas são estabelecidas com estes setores: após terem sido expelidos ou hostilizados pelo Partido, a velha guarda do Movimento dos Direitos Civis e as jovens organizações negras assumem, já dentro do governo, a implantação dessas medidas que se tornariam, mais que a retomada das políticas sociais de Lyndon B. Johnson, o início da gestação do multiculturalismo como proposta de ordem.
O faccionalismo também destruiu os Panteras. A liderança do Partido, quando desafiada a iniciar a prometida luta armada pela facção – depois conhecida por – Black Liberation Army, optou por tentar preservar aliados politicamente moderados, especialmente entre seus principais patrocinadores. Huey Newton, que então se deslocava para o centro da máquina democrata na Califórnia, e para a gestão de programas de assistência comunitária em nada diferentes daqueles que já vinham sendo realizados nas várias instâncias de governo, desmilitarizou a imagem da organização, abandonou a retórica revolucionária, promoveu expurgos e estabeleceu uma rígida estrutura burocrática de mando. Além disso, estreitou laços com pequenas máfias do submundo de Oakland, dinâmica de despolitização que acabou por afastar, sobretudo, aos aliados e rede de contatos entre a Nova Esquerda. Feministas e gays externos às comunidades negras já haviam retirado seu apoio antes disso, em razão do persistente sexismo que supostamente se definia como traço da atuação dos Panteras.
Desbaratados por sucessivos raids policiais, mais duradouros que sua real relevância, as cisões civis ou armadas do Partido perderam rapidamente, após 1973, a consistência programática que caracterizara sua existência anterior, como pretendida organização de massa. Assim, embevecidos e guiados apenas pelo heroísmo, os membros remanescentes, reduzidos ao terrorismo ou ao gangsterismo, deixaram de existir formalmente como grupo.
Embora tantas referências icônicas dos Panteras, desde a saudação de punhos erguidos à sua particular articulação dos imperativos do Black is beautiful – mais orgulhosa exposição de signos corporais que pesquisa de africanismos – povoem a moda, a cultura pop e o panteão de referências de inúmeros grupos políticos, ninguém seria capaz de reivindicar o espólio deles. Falando principalmente dos Estados Unidos, os autores argumentam que se deve recusar ver qualquer continuidade exatamente onde ela é mais mencionada e reivindicada: entre os advogados da chamada thug life, presentes nas expressões dominantes do rap contemporâneo; e entre os ativistas das políticas raciais de Estado. Os argumentos de Bloom e Martin Jr. me convencem de que estes já seriam outra história, pois suas agendas e métodos eram não apenas diferentes: por defenderem, do centro do espectro político, sobretudo propostas de reforma e reordenamento da ordem racial, suas posições seriam adversárias à posição antirracista, às lutas antiestatais e às táticas de recrutamento e politização do lúmpen criminal que os Panteras praticaram.
Com cuidadoso uso de documentação e crítica aos testemunhos, Blacks Against Empire ajuda a esclarecer o complexo trabalho de memória – que também é esquecimento e encobrimento – que atualmente sustenta (pode-se dizer, também no Brasil) a gestação de políticas ditas antirracistas. Embora não seja evidente, a definição do perfil da ordem democrática como ligado, não à Questão Política (liberdades), mas à resolução da Questão Social (compensação, reparação), envolve, de variadas formas, a história de malogro e sucesso de pessoas como os Panteras.
Wanderson da Silva Chaves – Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Grupo de Estudos sobre Guerra Fria (USP). São Paulo, SP, Brasil. E-mail: wanderson_schaves@yahoo.com.br
Being a Historian: An Introduction to the Professional World of History – BANNER JR (Topoi)
BANNER JÚNIOR, James M. Being a Historian. An Introduction to the Professional World of History. Nova York: Cambridge University Press, 2012. Resenha de: PAIANI, Flavia Renata Machado. Os desafios profissionais do historiador. Topoi v.16 n.30 Rio de Janeiro Jan./June 2015.
Ser historiador significa, certamente, algo mais que estudar o passado e pesquisar em bibliotecas e arquivos. No livro Being a Historian: an Introduction to the Professional World of History, o historiador estadunidense James M. Banner Jr. preocupa-se em mostrar que os historiadores não devem estar circunscritos à carreira acadêmica (preocupação que se explicita, sobretudo, no terceiro e no quinto capítulos). Embora ele analise a realidade profissional do historiador nos Estados Unidos, suas indagações também são pertinentes à realidade brasileira na medida em que compartilhamos muitas das inquietações sobre o futuro de nosso ofício.
Em um primeiro momento, o autor busca diferenciar a disciplina “história” da profissão que se debruça sobre ela. Para ele, a profissão diz respeito à “direção e à maneira com que é utilizado um cabedal de conhecimento, e não ao cabedal de conhecimento em si” (p. 4). Ele destaca que a profissão requer uma educação mais ou menos uniforme no conjunto de conhecimento e protocolos de prática de pesquisa – ou seja, é a formação acadêmica que diferenciará o “historiador profissional” do “historiador amador”. Nesse sentido, o autor assinala que os historiadores profissionais não ficam restritos a uma única profissão, podendo atuar como acadêmicos, editores, consultores, escritores independentes, curadores em museus etc.
O leitor brasileiro talvez estranhe algumas profissões sugeridas por Banner Jr., pois, em linhas gerais, o historiador no Brasil segue majoritariamente a docência – seja na educação básica, seja na educação superior. Ainda nos é recente a luta em torno do projeto de lei (PL) sobre a regulamentação de nossa profissão para que possamos repensar nossos espaços de atuação. Ademais, ainda nos é pouco conhecida a noção de “história pública” – discutida entre os historiadores estadunidenses desde a década de 1970 – que nos permite, do mesmo modo, ampliar nosso leque de atuação e nosso papel na sociedade.
Assim, dividido em oito capítulos, o cerne do livro não é pautado apenas no debate sobre história acadêmica e história pública: seu foco é a redefinição do lugar (profissional e, em certa medida, social) ocupado pelo historiador. Todavia, essa redefinição perpassa os rumos tomados pela disciplina de história, bem como o monopólio que a universidade tende a exercer sobre ela. Ainda assim, o autor ressalta que as mudanças mais significativas pelas quais a disciplina passou nos últimos anos desenvolveram-se precisamente fora do meio acadêmico. Ele destaca, em especial, o papel da American Historical Association (AHA) – “hoje em dia, a maior e mais antiga organização de historiadores profissionais nos Estados Unidos e, indiscutivelmente, a organização histórica mais importante do mundo” – que pode ser igualada a um departamento acadêmico no que concerne à sua influência sobre o modo como a história é ensinada e praticada nos Estados Unidos (p. 42). No caso brasileiro, caberia nos questionarmos o papel historicamente desempenhado pela Associação Nacional de História, cuja sigla – ANPUH – originalmente remete não a uma associação de historiadores, mas a uma associação de professores universitários de história. A ampliação do número de associados, bem como sua relativa heterogeneidade (não são mais os professores universitários exclusivamente), desemboca também na pressão pela regulamentação da profissão de historiador, de que trata o PL 4.699/2012.
Em realidade, o ideal acadêmico impregna a disciplina desde o século XIX, quando de sua profissionalização na Alemanha. Desde então, “aqueles que preparam outros historiadores (…) são eles próprios membros do corpo acadêmico”, tornando-se a aspiração profissional dos jovens ingressantes. Para o autor, “o desafio não é libertar alguém dessa aspiração, mas, antes, libertá-lo de uma resposta automática a essa aspiração”. Nesse sentido, ele também destaca que a quantidade de vagas para docentes nas universidades não comporta o número de doutores em História: em outras palavras, “as carreiras acadêmicas não podem e não irão absorver todos os historiadores disponíveis” (p. 64). De modo semelhante, temos assistido no Brasil ao expressivo aumento do número de recém-titulados em decorrência da expansão dos programas de pós-graduação em História: temos atualmente 69 programas, sendo que 37 contemplam o doutorado.1
Dessa forma, o terceiro capítulo (A Multitude of Opportunites: Sites, Forms, Kinds, and Users of History) nos é interessante à medida que enfoca e problematiza as possibilidades de atuação do historiador fora do meio acadêmico, bem como os públicos que se interessam por história. Banner Jr. assinala o papel que um vasto grupo formado por editores, designers e especialistas em marketing e venda desempenha na circulação do conhecimento histórico, assim como os curadores em mostras de temática histórica, que lidam diretamente com o grande público.
Para além de editoras e museus (para citar apenas dois exemplos), o autor destaca a possibilidade de um historiador atuar de modo independente. Ele aponta para o pequeno número de historiadores que foram bem-sucedidos como escritores de livros de história, em que pesem os desafios enfrentados pela ausência de vínculo institucional. Novamente, se remontarmos ao nosso caso, percebemos uma diferença entre os Estados Unidos e o Brasil: contrariamente aos colegas de lá, nossos principais escritores de livros de história são, em sua maioria, jornalistas (como Laurentino Gomes, Eduardo Bueno e Leandro Narloch) sem formação acadêmica em História. Esse fenômeno, o da “narrativa jornalística da história”, requer um debate mais aprofundado no meio acadêmico brasileiro, embora o pontapé inicial já tenha sido dado pelo historiador Rodrigo Bragio Bonaldo em dissertação defendida em 2010.2
É certo, porém, que existe uma relativa dificuldade em escrever para o grande público, pois essa habilidade requer um treinamento que o historiador, em geral, não tem (seja no Brasil, seja nos Estados Unidos). Banner Jr. percebe que os programas de pós-graduação, assim como a maioria dos departamentos, tendiam (até há pouco tempo) a priorizar o preparo convencional. Mesmo quando havia treinamento e prática formais para desenvolver um repertório mais diversificado de habilidades, “a ausência de incentivos e de reconhecimento para atingir círculos extra-acadêmicos continuava a inibir a disseminação do treinamento na escrita para um público mais amplo” (p. 74).
Ainda assim, o autor reitera que o conhecimento produzido na academia não pode mais ter como único destinatário seus pares acadêmicos, mas deve também abarcar os “cidadãos bem informados”, os “curiosos”, os “aficionados” por determinados temas do passado, o “governo” e outras corporações. Essa constatação não implica, contudo, desconsiderar a importância da academia na produção e legitimidade do conhecimento histórico.
Sem as monografias e os artigos de periódicos escritos por acadêmicos para acadêmicos, sem a especialização e a confiança na obra de outros acadêmicos (que se tornaram visíveis pelo uso da tão ridicularizada nota de rodapé), o conhecimento histórico teria permanecido parte do mundo da especulação amadorística, e não teria se tornado uma parte constitutiva da compreensão humana, baseada na evidência bem fundamentada, na interpretação sujeita à avaliação e à revisão, e nos acréscimos em aberto. Ademais, sem a erudição monográfica, os popularizadores da história – escritores não acadêmicos e cineastas especialmente – não teriam tido à sua disposição o conhecimento que empresta à sua obra a credibilidade que ela possui. (p. 72)
Apesar deste reconhecimento no que concerne ao papel desempenhado pela academia, Banner Jr. insiste nos círculos extra-acadêmicos (em especial, nos diferentes públicos que reivindicam o acesso ao conhecimento histórico), bem como na capacidade de adaptação e de inovação do historiador em atender a essas demandas. Indo além, o autor também critica, no quinto capítulo, a tímida atuação dos departamentos de história no preparo de professores para a própria academia, uma vez que a formação recai sobre a prática da pesquisa, e não sobre a prática do ensino.
A partir do quinto capítulo (History outside the Academy), Banner Jr. desdobra a noção de história pública, destacando que a crise de emprego na década de 1970 entre os novos doutores impulsionou o desenvolvimento da história pública nos Estados Unidos. Nesse contexto, ele explica que “o desejo de permanecer historiador profissional por parte daqueles que se frustraram na procura de uma colocação acadêmica explica muito do crescimento da história pública” (p. 135). Ao mesmo tempo, o autor acrescenta que o aumento da demanda por conhecimento histórico criou não apenas novas práticas e oportunidades para os historiadores, mas também renovou o modo de conceber o significado desse conhecimento. No entanto, ele percebe que a história pública não goza de grande estima no que se refere ao seu nível de autoridade intelectual. Diferentemente da história acadêmica, as práticas históricas públicas são ainda recentes, e sua baixa estima incide no (não) recrutamento das mentes jovens mais brilhantes.
Assim, Banner Jr. ressalta duas diferenças primordiais entre a história acadêmica e a história pública a partir da caracterização desta última. A primeira diferença refere-se à “utilidade direta, mais que a aplicabilidade difusa, do conhecimento histórico aos assuntos humanos” (p. 144). A “utilidade direta” da história pública consiste na resposta aos interesses específicos do público não acadêmico sobre questões do passado, afetando sua compreensão do mundo. Já a segunda diferença relaciona-se, em certa medida, à primeira apontada. A história acadêmica procura, principalmente, avançar o conhecimento humano e integrar o conhecimento novo ao mais antigo em benefício, em sua maioria, dos acadêmicos e dos estudantes” (p. 144). Por seu turno, a história pública procura avançar a compreensão sobre o passado entre o público não acadêmico, fazendo com que a reflexão histórica aconteça fora da sala de aula ao encorajar as pessoas a interpretarem esse passado. Ademais, os materiais e os meios de pesquisa da história pública não se limitam aos livros e aos manuscritos, mas englobam, sobretudo, a comunidade – “seus prédios, seus bairros, seus produtos industriais e outras dimensões de seu passado” (p. 148).
É verdade que o autor torna-se repetitivo em certos pontos do livro em decorrência, em parte, de seu próprio didatismo. Ao mesmo tempo, ele evidencia uma realidade do historiador nos Estados Unidos que suscita questionamentos interessantes também à nossa realidade. Ao apenas tangenciar questões epistemológicas da disciplina, ele enfoca, principalmente, os profissionais que fazem uso dela e que contribuem para a produção e a disseminação do conhecimento histórico dentro da universidade ou fora dela. Desse modo, os públicos da história também entram em pauta no livro, porque eles não são apenas os destinatários do conhecimento produzido, mas são, especialmente, aqueles que demandam e interpretam esse tipo de conhecimento.
Em suma, o livro pode ser o ponto de partida para que o historiador brasileiro reflita sobre diferenças e semelhanças relativas ao exercício de nossa profissão nos dois países. O intento comparativo pode, então, desdobrar-se em uma abordagem mais ampla, que preze pela articulação de novos espaços de atuação profissional com a redefinição de nosso papel na sociedade. Logo, ser historiador no Brasil nos dias de hoje requer o aprofundamento da reflexão acerca do futuro de nosso ofício.
1De acordo com a Relação de Cursos Recomendados e Reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
2BONALDO, Rodrigo Bragio. Presentismo e presentifiação do passado: a narrativa jornalística da história na Coleção Terra Brasilis de Eduardo Bueno. Porto Alegre: UFRGS, 2010. 169 p. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Instituto de Filosofi e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.
Flavia Renata Machado Paiani – Doutoranda em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: flavia.paiani@acad.pucrs.br.
Assim na terra como no céu: … Paganismo, cristianismo, senhores e camponeses na Alta Idade Média ibérica (séculos IV-VIII) – BASTOS (Topoi)
BASTOS, Mário Jorge da Motta. Assim na terra como no céu… Paganismo, cristianismo, senhores e camponeses na Alta Idade Média ibérica (séculos IV-VIII). São Paulo: EdUSP, 2013. 264 p. Resenha de: COELHO, Maria Filomena Pinto da Costa. Assim na terra como no céu. Topoi v.16 n.30 Rio de Janeiro Jan./June 2015.
Eis um livro que tem uma grande contribuição a dar: é um belo exercício de história. Seu autor, Mário Jorge da Motta Bastos, é professor de História Medieval na Universidade Federal Fluminense e desenvolveu sua trajetória como pesquisador sobre a Idade Média ibérica. Mas, para este historiador, mais importante do que o tempo e o espaço sobre os quais se debruça é a perspectiva da qual se parte. Neste sentido, ele deixa as coisas claras desde o início: a história só é possível a partir do presente, como um problema que se coloca ao passado, no intuito de dar sentido à vida dos homens e mulheres em sociedade. Mário Jorge Bastos aparece em cada palavra que escreve – não apenas nas entrelinhas -, assumindo o protagonismo do texto, e fazendo jus à tradição marxista, com a qual se alinha. Portanto, trata-se de um livro de história que expressa com muita clareza de onde se parte, os caminhos que se pretende percorrer e de que forma se fará esse percurso.
Nos tempos que correm, em que nos vamos acostumando com o “mais ou menos”, não deve passar despercebido o trabalho acadêmico realizado com seriedade e competência e, no que tange à disciplina da História, dentro de parâmetros que permitem acompanhar a construção do objeto de estudo, as interpretações que se tecem sobre o passado e, finalmente, as conclusões a que se chega. Creio que é somente sobre essa base que o trabalho do historiador pode, ou não, ser considerado (julgado?) legítimo. Assim, o livro é um exercício de história, cuja extrema transparência permite ao leitor acessar de forma segura os fundamentos teóricos e os problemas que se entrelaçam no texto e que conduziram o autor em sua leitura dos documentos.
No intuito de prestar tributo à franqueza acadêmica que Mário Jorge Bastos derrama em sua obra, devo dizer que não sou marxista. Entretanto, li Assim na terra como no céu… com o prazer do historiador que encontra um bom livro de história. Na forma como o texto é redigido, todos os aspectos são importantes: desde os desafios de ser marxista no mundo de hoje – com todas as idiossincrasias que a palavra encerra -, passando pelas dificuldades que o historiador enfrenta ao sistematizar de forma compreensível aquilo que desejaria que fosse apreendido por um só golpe de vista, até o hermetismo de algumas fontes primárias. O autor põe tudo a descoberto.
Assim na terra como no céu… parte de um problema que a historiografia dedicada à alta Idade Média do Ocidente entende como fundamental: a conversão ao cristianismo. Portanto, trata-se de um tema que já foi esmiuçado por muitos autores, apoiado por um leque de explicações e de abordagens igualmente vasto. A proposta de Mário Jorge Bastos desenvolve-se em seis capítulos: 1) O processo de senhorialização da sociedade ibérica; 2) A Igreja no quadro da sociedade senhorial; 3) A revelação divina; 4) Continuidade ou transformação?; 5) Caráter, relações e campos de intervenção do poder divino; 6) Os santos e a liturgia. É por meio deste plano que o autor pretende explicar de que maneira se entrelaçam paganismo, cristianismo, senhores e camponeses na Península Ibérica, entre os séculos IV e VIII.
Diferentemente de muitas das interpretações já clássicas da historiografia que versam sobre a temática, o livro apoia-se numa premissa basilar: o estudo do passado só faz sentido se ancorado na vida em sociedade. Portanto, para que a “conversão ao cristianismo” alcance o patamar de um problema de história, na sua totalidade, precisa ser entendido em sociedade, revelando, de uma só vez, suas implicações culturais, políticas e econômicas. São as transformações ocorridas nas relações sociais que explicam a conversão e as características de que ela se reveste. De forma mais ampla,
Qualquer tentativa de enfrentamento, prático e/ou teórico, do “núcleo duro” das abstrações religiosas deve orientar-se pela apreensão da lógica social em meio à qual essas se inscrevem, considerando-se a articulação das abstrações com as relações sociais e os modos de produção historicamente específicos. (p. 19)
Fazer história é desvendar a essência da articulação das globalidades sociais historicamente dadas, nível fundamental de seu conhecimento porque capaz de explicar, num mesmo movimento, o funcionamento real da sociedade e a aparência que a mesma assume para seus integrantes (…), porque permite inscrever a religião nos fluxos históricos globais nos quais a mesma se insere, e não como um elemento secundário, reflexivo ou “epifenomênico” em relação aos processos mais essenciais, porque “mais materiais”, mas como um elemento primário essencial à articulação das sociedades, em especial daquelas historicamente anteriores ao advento do capitalismo. (p. 20)
De um só golpe, Mário Jorge Bastos critica “gregos e troianos”. A religião não pode ser entendida pelos historiadores numa dimensão mágica, capaz de por si mudar a sociedade, nem tampouco como uma manifestação de somenos importância, mais adequada aos estudos sobre a cultura. Ambas as posições, tão comuns na historiografia, e que travaram ruidosas batalhas acadêmicas, fazem exatamente a mesma coisa: retiram a religião da história. O desafio de trazer a religião para dentro da história é complexo, uma vez que, para além de exigir o estudo e interpretação da própria sociedade em análise, supõe ainda o diálogo crítico com os grandes temas da síntese historiográfica, como é o caso da transição/passagem da Antiguidade à Idade Média, na qual os historiadores entendem que a conversão ao cristianismo teve um papel fundamental. Neste caso, o livro apresenta já na introdução a maneira como se pretende enfrentar o problema, além de resumir brevemente as principais correntes e suas implicações. A velha dicotomia “cristianismo × paganismo” ainda é considerada pelo autor como um aspecto importante a ser discutido, uma vez que as soluções propostas nos últimos tempos pelos historiadores não ajudam a explicar a religião em sociedade (“no âmago das relações sociais”). Ora se afirma a vitória do cristianismo, ora a resistência do paganismo, numa lógica de forças monolíticas que se enfrentam, e cujos resultados são interpretados às vezes como virtude, às vezes como desvio. Mensuram-se, até mesmo, os níveis de paganismo e de cristianismo!
A saída, para o autor, encontra-se na possibilidade de atribuir à cultura a dimensão de amálgama, como resultado do sentido que a sociedade constrói sobre suas mudanças na história. Assim, reconhece-se uma aproximação às propostas do historiador inglês marxista Edward P. Thompson, para quem a cultura representava um nível de análise fundamental. Daí deriva também a defesa da utilização do conceito de classe para se estudar a sociedade ibérica, uma vez que não se trataria de “uma categoria estática, o que supõe uma derivação mecânica de classes que surgiriam, imediatamente, das próprias relações de produção, desconsiderando-se as relações sociais de mais amplo teor nas quais estas se inserem” (p. 46). Seguindo a Thompson, consistiria em compreender que “as classes ‘acontecem’ ao viverem, os homens e as mulheres, suas relações de produção, e ao experimentarem suas situações determinantes, dentro de um conjunto de relações sociais com uma cultura e expectativas herdadas, e ao modelarem estas experiências em formas culturais” (p. 46).
Para atingir o objetivo proposto, Mário Jorge Bastos parte, então, da sociedade ibérica. Em seus primórdios, identifica as transformações cruciais que explicam o sentido que o cristianismo alcançou, encontrando-as na constituição da família. Com base num corpus documental rico e variado, e já muito trilhado pelos historiadores, o autor desvela as mudanças que se operaram no seio das famílias senhoriais e camponesas, cujo resultado mais evidente foi a nucleação, em detrimento do modelo da família extensa, acompanhada de um sistema de inter-relações sociais verticais do parentesco, que coloca a aristocracia no vértice dessa relação.
A Igreja, como instituição basilar do período, somente poderá ser compreendida a partir do papel que aquela aristocracia assume, sobretudo ao nível local, na reelaboração social dessas estruturas de parentesco. Portanto, a Igreja, com seu inegável crescimento, é fruto dessa aristocracia e do campesinato, e não uma espécie de guardiã da virtude institucional, que a duras penas sobrevive à ignorância da sociedade e das superstições pagãs. O título do segundo capítulo, “A igreja no quadro da sociedade senhorial”, não deixa dúvidas quanto à posição do autor com relação ao imponente legado jurídico que essa instituição nos deixou para o período visigodo, e que costuma influenciar os historiadores:
É totalmente outra a perspectiva que assumo, tendo em vista que o objeto deste estudo não é a doutrina jurídica da igreja, mas são as práticas e relações sociais efetivas que estruturaram a instituição e a sociedade global na qual a mesma estava inserida. Nesse sentido, a recorrência da afirmação, o ajuste e a ampliação daquele conjunto de normas expressam as tensões e os conflitos característicos do funcionamento contraditório da realidade social ibérica do período, o que explica a incapacidade dos legisladores de promover a sua plena resolução. (p. 104-105)
No que se refere aos níveis inferiores da sociedade, a Igreja faz-se representar nos párocos, cujas condições jurídicas não diferem muito daquelas que atam os camponeses aos senhores. São, portanto, clérigos dependentes no âmbito do senhorio. Neste sentido, a conclusão do autor aponta para o papel primordial que a Igreja alcançou na qualidade de fruto mais visível da sociedade senhorial.
Como dito, as fontes documentais que embasam o livro são aquelas já conhecidas pela historiografia. No quarto capítulo, Mário Jorge Bastos apoia-se num desses famosos documentos, De corretione rusticorum, de Martinho de Braga, no intuito de desvelar os eixos centrais da argumentação cristã, sem deixar de destacar as formas como a historiografia costuma interpretar esse tipo de discurso. Com relação ao primeiro aspecto, é importante compreender que a ortodoxia era atravessada por uma infinidade de interpretações e de disputas eclesiásticas em torno da verdade. Os concílios são reveladores desse ambiente de multiplicidades teológicas, que devem ser explicados também na perspectiva da luta pelo reconhecimento de uma única autoridade que exercesse o poder, e que preservasse a Igreja da total entropia que os particularismos supunham. Assim, é imprescindível que o historiador não perca de vista a fragilidade da fronteira entre heresia e ortodoxia, que se estabelecia ao sabor dessas disputas. O autor sugere que é justamente sobre essa elasticidade que se vai construindo a unidade da Igreja, muito embora se deva afastar completamente aquela surrada ideia de que a instituição virtuosa cede, de forma inteligente e calculada, frente à ignorância e ao paganismo para não perder demasiado terreno, ou, então, aquela outra interpretação de que a Igreja se desvirtua, devido à “paganização” de seus membros. A mensagem mais importante de Martinho de Braga, em seu sermão, incide sobre a forma (súmula) como “vincula os crentes ao projeto global de ordenação social deliberado pelas elites clericais” (p. 123), revelada pela divindade. Ignorar a vontade de Deus é o caminho para a perdição, que só pode ser evitado por meio da submissão àqueles que poderão conduzir à verdade: o clero ortodoxo. Somente este pode identificar o que é sagrado, bem como as práticas corretas de devoção, as quais necessariamente devem ter a sua intermediação. Caso contrário, trata-se de manifestações demoníacas e pagãs que devem ser suprimidas, sob a pena de condenação eterna. A estratégia do discurso de Martinho, para impossibilitar que essas manifestações possam ser vistas como parte de um “sistema religioso concorrente”, é retirar-lhes qualquer conteúdo sagrado, e apresentá-las como práticas laicas e históricas. Trata-se, portanto, de uma proposta religiosa que quer abarcar a realidade total e colocar a Igreja como a única capaz de realizar plenamente a história humana, de acordo com os desígnios de Deus, e a elite clerical como a autoridade cognitiva cristã que interpreta corretamente o mundo.
Do que se disse até aqui, depreende-se um projeto político de hegemonia. Este conceito será apresentado pelo autor de maneira a ressaltar a necessidade de entendê-lo numa perspectiva dinâmica, de constantes transformações, coisa que de resto fez a elite cristã ibérica. Se para os historiadores parece importante decidir se a época era mais de continuidades ou de rupturas, para esses medievais era na tradição que se ancorava o movimento da história. As mudanças que eles propunham eram “uma versão do passado que deve ligar-se ao presente e ratificá-lo, inclusive pelas transformações que se impõem à sua plena adequação” (p. 138). A hegemonia assenta-se no passado, na tradição, e mesmo que o historiador decida tratar-se de ‘reminiscência/sobrevivência’, ela é vivida com o significado que o presente lhe atribui. Ao mesmo tempo, é preciso não esquecer que a hegemonia eficaz precisa contar com o ‘consentimento dos dominados’ – conceito de Maurice Godelier -, o qual se obtém graças à constante reafirmação dos sentidos do poder, que se assenta na “partilha das representações do mundo” (p. 152). Ao desenvolver os argumentos, Mário Jorge Bastos deixa bastante clara a inutilidade das medições sobre o que há de continuidade ou de ruptura; o importante é que o historiador não deixe de explicar de que forma esses aspectos se amalgamam no cotidiano da sociedade. A chave reside em ampliar os horizontes do que se entende por economia na Idade Média, o que permitirá concluir que “toda naturalização das relações sociais de produção desemboca, necessariamente, em sua sobrenaturalização” (p. 158). Portanto, o fenômeno alcança senhores e camponeses que elaboram e dão sentido às relações que estabelecem entre si e com a natureza, por meio da religião. Tal proposta afasta-se daquelas que reduzem a religião ao nível das ideias, como se fosse possível partir unicamente do pensamento para desvendar seu significado. Apoiado em Marx, o autor sublinha que “a religião remete ao quadro geral da estrutura social e a processos sociais concretos (…) isto é, a uma apreensão global da sociedade, uma vez que constitui e expressa suas hierarquias e desigualdades, imiscuindo-se aos processos de dominação e resistência” (p. 164).
A proposta que o cristianismo oferece à sociedade nos primeiros séculos da Idade Média é englobante, de acordo com a máxima de que o poder divino tudo abarca. Tal capacidade de intervenção de Deus na vida dos homens é visível nos escritos de Ambrósio, Agostinho, Isidoro de Sevilha, Aurélio Prudêncio, Ildefonso de Toledo e outros autores a quem recorre Mário Jorge Bastos para fundamentar sua reflexão. Assim, as relações sociais são também uma preocupação da divindade, que se manifesta por meio da sacralização dos laços de dependência, da fidelidade e dos vínculos pessoais. A retórica do cristianismo revela uma profunda interligação entre o plano terrestre e o celestial, não como simples estratégia de legitimação da ordem social, mas como resultado da profunda imbricação entre as relações sociais de produção e o plano religioso. A própria monarquia visigoda constrói-se, como prática e discurso, sobre a concepção do ungido de Deus, senhor de terras e de homens, coisa que não o diferenciava qualitativamente do tipo de poder que era exercido pela aristocracia.
A difusão dos valores sociais da aristocracia cristã assume especial visibilidade com o culto aos santos e às suas relíquias. Criam-se ambientes onde se materializa o modelo e difundem-se narrativas. Por um lado, os lugares de culto povoam-se de provas que avalizam a existência histórica dessas virtudes (os santos) e as hagiografias encarregam-se de disseminar a sua fama. Os mosteiros e as igrejas são os lugares ideais para esse fim, aos quais a própria aristocracia se associa, por meio das fundações, da participação direta no corpo eclesiástico, e dos enterramentos, que compartilham o mesmo espaço físico dos santos. Ao analisar as famosas hagiografias ibéricas do período, o autor mostra como o discurso que lhes dá sentido assenta-se nas relações de patrocínio, fidelidade e dependência, bem como na afirmação da Igreja como a única ordo capaz de guiar os cristãos à salvação. Da mesma forma, os rituais propiciatórios (oferendas) afirmam e revitalizam a “concepção senhorial das relações sociais fundadas na munificência, na liberalidade característica da aristocracia, mas que atuam em prol do fortalecimento de seu prestígio social, de seu poder e, em última análise, de capacidade de impor-se aos seus dependentes” (p. 229). Oferece-se ao senhor (Deus) não porque ele precise, mas para que ele restitua os dons, abençoados e multiplicados.
Mas, ficaria ainda uma pergunta: como interpretar a pertinácia daquilo que a autoridade classificava como heresia?
Ora, a contumácia manifesta nessas concepções e práticas dissonantes, renitentes e heterodoxas parece-nos revelar um processo muito mais complexo, em seu curso, do que o da suposta unificação religiosa atingida com a “conversão do Ocidente ao cristianismo”, complexidade intimamente articulada às contradições sociais intrínsecas à implantação da sociedade senhorial no período, e manifestação vigorosa dos conflitos que matizaram todo seu processo! (p. 233)
Enfim, Mário Jorge Bastos mostrou que assim como as coisas se organizavam na terra, refletiam-se no céu. Para tanto, foi necessário entender que as relações de produção organizavam-se de maneira complexa, sob formas jurídicas, políticas e culturais específicas (tipos de dominação, de coerção, de propriedade e de organização social), presentes desde o início do processo como parte constitutiva e primordial. Portanto, não se trata de apresentar essa dimensão como secundária, ou mero reflexo, o que se afasta completamente da ideia de que a base econômica se reflete mecanicamente na superestrutura. Um exercício de história que permite repensar as maneiras como a historiografia tem explicado a “conversão do Ocidente ao cristianismo”, bem como acompanhar a renovação da abordagem marxista da História. Mas, diante das dificuldades que a Academia tem para conviver com a pluralidade, talvez o livro seja marxista demais para gregos e marxista de menos para troianos…
Maria Filomena Pinto da Costa Coelho – Doutora em História Medieval pela Universidad Complutense de Madri (Espanha) e professora da Universidade de Brasília (UnB). Brasília, DF, Brasil. E-mail: filo-coelho@hotmail.com.
Du diocèse à la paroisse: Évêchés de Rennes Dol et Alet/Saint-Malo (Ve-XIIIe siècle – LUNVEN (Topoi)
LUNVEN, Anne. Du diocèse à la paroisse. Évêchés de Rennes Dol et Alet/Saint-Malo (Ve-XIIIe siècle). Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2014. 432 p. Resenha de: CASTANHO, Gabriel de Carvalho Godoy. Edificar territórios, governar o sagrado: história da espacialização eclesiástica medieval a partir de um caso (supostamente) controverso. Topoi v.16 n.30 Rio de Janeiro Jan./June 2015.
Anne Lunven nos oferece um ótimo exemplo metodológico e analítico dos estudos históricos da Igreja medieval desenvolvidos nesse início de século XXI. Historiadora e arqueóloga, a pesquisadora pratica em seu livro a interdisciplinaridade e a renovação documental largamente defendida e desejada pela Nova História francesa há cerca de 40 anos. Se, por um lado, o uso de material arqueológico se impõe aos pesquisadores da alta Idade Média (período para o qual dispomos de um número insuficiente de testemunhos escritos), por outro, foi preciso a implementação sistemática de escavações de salvamento a partir dos anos 1970 (sobretudo após meados da década seguinte) e a acumulação de dados, provenientes do que se habituou chamar “arquivos do solo”, nas últimas décadas para que passássemos a dispor de informações quantitativamente relevantes e qualitativamente variadas capazes de fornecer bases sólidas para análises históricas do passado nas terras da atual França.
O livro de Lunven nos apresenta toda a riqueza e os limites do estado atual das escavações em três regiões importantes e que constituíam então a fronteira entre o mundo franco e o mundo bretão. Região de transição cultural e política, a área das dioceses de Rennes, Dol e Alet (cuja sede foi transferida para Saint-Malo em meados do século XII) não escapa a uma dificuldade maior dos estudos arqueológicos atuais, a saber, uma identificação certa da natureza dos traços de ocupação humana encontrados no solo. Grosso modo, a dificuldade repousa sobre o fato de que durante muito tempo (até pelo menos o começo do século XI, muitos lugares de culto – capelas, igrejas etc. – não eram construídos em pedras, mas em madeira, como o eram também os locais de habitação – casas). Tal indefinição na identificação da modalidade de ocupação do solo tem como correlata a questão da constituição da diocese e da paróquia.
Por muito tempo tidas pelos historiadores como um dos principais legados romanos para a Idade Média, a paróquia e a diocese compõem, atualmente, uma das frentes de trabalho mais importantes do que podemos chamar de “nova história da Igreja medieval”. De grande importância entre os medievalistas franceses na última década, essa maneira renovada de se estudar a instituição eclesiástica medieval parte de um princípio fundamental bastante simples: conhecer os meios e as etapas de construção dogmática da instituição eclesiástica. Utilizando o termo “dogma” pretendo nomear não apenas as concepções intelectuais da fé cristã ligadas à revelação divina e, portanto, tidas pelos fiéis como um conjunto de verdades incontestes, universais e a-históricas. Pretendo com o uso da palavra “dogma” evidenciar a forma como a própria história da instituição eclesiástica (sua ancoragem espacial, a formação de seu corpo profissional e o exercício de seu poder) está associada aos dogmas da Igreja, fazendo com que aquilo que foi o resultado de uma construção histórica (a presença da Igreja neste mundo) seja tomada como uma realidade atemporal tributária de uma suposta vontade divina. Nesse sentido, e por oposição a uma história confessional que por muito tempo dominou os estudos da Igreja medieval, os historiadores têm recentemente posto em causa a ideia de que o quadro territorial dessa instituição tenha sido marcado por uma inércia temporal responsável pela transferência dos quadros imperiais romanos para a instituição eclesiástica medieval.
Como bem lembra Florian Mazel em um dos prefácios à obra, é apenas no século XVII que o primeiro mapa cartográfico apresentando a disposição espacial das igrejas foi produzido. Para os períodos anteriores dispomos do rol de bispados produzido pela administração imperial entre o final do século IV e início do século V (Notícia das Gálias) e do Provincial Romano produzido pela chancelaria pontifical no século XII sob a forma da listagem universal de províncias e dioceses que compunham a cristandade latina. A somatória dessas listas com a ausência de documentação mais detalhada e contínua entre a Antiguidade tardia e a Idade Média central levou historiadores a defenderem a continuidade entre as cidades e as dioceses antigas e medievais por meio de uma suposta territorialidade das paróquias merovíngias. Trabalhando com um quadro regional preciso e com o jogo de escalas paróquia-diocese, Lunven nos apresenta um panorama bastante diferente em que a relação cidade-diocese não é dada, mas sim construída ao longo do tempo seguindo diferentes vias e ritmos. A autora revela ainda substancial enfraquecimento do referencial territorial na composição dos espaços estudados até pelo menos o século XI.
De fato, seguindo de perto a nova história da Igreja medieval evocada anteriormente, a autora traça uma história da polarização espacial em torno do lugar de culto como elemento estruturante da organização social. Assim, de uma alta Idade Média marcada por uma baixa territorialidade do domínio eclesiástico e por uma alta personalização (sob a tutela de verdadeiras famílias sacerdotais, único elemento de ligação entre os locais de culto) passa-se ao estabelecimento de uma polarização hierarquizada a partir da sede da diocese de onde emana o poder episcopal. Tal poder passará, entre os séculos XII e XIII, a ser exercido localmente por arquidiáconos e deões (cada um responsável por uma rede intermediária de locais de culto e seus dependentes). Entre um momento e outro temos um longo processo histórico de afirmação da diocese que se manifesta semanticamente pela difusão do uso do termo diocesis em detrimento de parrochia ou episcopatus. Período de gestação no qual a autora destaca o esforço dos bispos (desde o século IX e, sobretudo, após o século XI) em conquistar, para sua igreja, as regiões em disputa com outros centros de poder. O aspecto principal desse processo de construção de um território eclesiástico identificado com o que hoje entendemos por diocese teria ocorrido no espaço estudado entre 1050 e 1150 quando os textos escritos passam a diferenciar claramente as terras ligadas ao episcopatus e as áreas dependentes de outros poderes como o pagus.
Ao inserir a Bretanha, tida como uma região sui generis pela historiografia tradicional, na lógica de polarização espacial em torno dos locais de culto por meio do fortalecimento da relação de dominium, a autora demonstra que o caso de Dol, organização episcopal constituída a partir de um antigo mosteiro, é, na verdade, único e não uma regra para a região, como se pensava anteriormente. O livro de Lunven nos indica ainda, e com riqueza de detalhes, o ritmo sob o qual se deu a expansão do poder territorial da Igreja na região: 1) a presença de uma grande quantidade de igrejas em meados do século IX sem que se possa falar propriamente em uma rede (ou seja, conexões entre os locais de culto) hierarquizada ou mesmo de um tecido paroquial constituído sobre a lógica territorial (até o século XI a tendência geral é o aparecimento de igrejas onde já existem habitantes e não o inverso – ver p. 79); 2) a afirmação de um polo eclesiástico que ao mesmo tempo atrai a população (criação do cemitério) e projeta seu poder de dominium (recebimento de tributos) sob uma rede cada vez mais articulada de igrejas dependentes a partir dos séculos XI e XII (é importante notar que essa alteração na organização social da Igreja é contemporânea ao amplo movimento de reconstrução de locais de culto que passaram então a ser construídos em pedra e não mais em madeira, testemunho da importância adquirida pela manifestação terrestre da instituição eclesial); 3) a encarnação do poder da Igreja por meio do estabelecimento de uma hierarquia administrativa responsável por centralizar o recebimento dos tributos e administrar os sacramentos após o século XII.
Rico em gráficos, mapas e contando com mais de duas dúzias de fotografias coloridas dos sítios estudados, bem como uma série de anexos documentais, o livro segue o formato francês tradicional com uma divisão em três partes, cada uma subdividida em dois capítulos. Seguindo uma lógica cronológica, cada parte apresenta uma etapa na formação da paróquia e da diocese medieval na região estudada. Na primeira parte, após analisar as estruturas eclesiásticas da alta Idade Média, a autora defende a impossibilidade de falarmos em diocese ou em paróquia antes do século XI. A segunda parte aborda as mudanças trazidas pelo pensamento dito gregoriano que teria sido o responsável pela associação entre novas práticas de consagração dos espaços e a valorização dos edifícios eclesiásticos, levando a uma concepção hierarquizada dos lugares de culto, locais onde “se encarnava o céu” (p. 28). Por fim o texto termina com um estudo dos mecanismos administrativos necessários para a gestão dos territórios eclesiásticos que se encontram entre os séculos XII e XIII quase totalmente formados.
Os dois primeiros capítulos, amplamente fundados em documentação arqueológica, nos oferecem uma argumentação ímpar contra a ideia corrente entre os historiadores de que as dioceses seriam herdeiras das civitates romanas, enquanto as paróquias seriam tributárias das villae galo-romanas e do vici (terras de uma aglomeração secundária). Contrariamente também à historiografia local que via na plou (vocábulo oriundo do romano plebs usado para nomear a forma bretã dada à paróquia) uma comunidade autônoma, Lunven demonstra que a autoridade eclesiástica tinha um caráter pessoal e local antes de se projetar sobre um território (p. 104-122). O caso de Rennes é bastante revelador da dificuldade em se estabelecer uma relação entre os locais de culto e um território habitado sob seu controle uma vez que esta cidade, capital religiosa segundo a documentação escrita, não possui atualmente, em seus arquivos do solo, nenhum indício arqueológico que testemunhe a vida pública ou a existência de habitações entre os séculos IV e X-XI (entre um período e outro dispomos apenas de material funerário, o que confirma a ocupação perene da cidade ao longo dos séculos – ver p. 43-44).
A argumentação da autora se baseia em uma distinção entre poder e espaço, uma vez que sua leitura da documentação diplomática sugere que a referência episcopal empregada nesses escritos indica “mais o reconhecimento de uma autoridade do que o pertencimento ao território da diocese” (p. 59). Tal distinção pode parecer estranha para o leitor contemporâneo acostumado a associação entre as duas esferas (espaço e poder) subjacente a nossas concepções atuais de espaço público e de Estado. No entanto, do mesmo modo que as noções de “público” e de “Estado” devem ser usadas criticamente quando aplicadas à Idade Média, o uso de “território” deve levar em conta o fato de o período medieval não conceber o espaço (até pelo menos a segunda metade do século XII) como uma entidade homogênea e contínua. A consequência é que o poder medieval se exerce localmente e de um ponto a outro segundo uma economia da salvação cada vez mais centrada na instituição eclesial. Exemplo disso é que uma parcela importante das igrejas que se tornarão centros paroquiais entre os séculos XI e XIII já existia desde a alta Idade Média, ainda que sem projetar seu controle sobre o território. Por outro lado, as igrejas fundadas a partir do século XI por laicos ou decorrentes de desflorestamento (em ambos os casos trata-se de novos locais de culto) não criavam automaticamente novas paróquias (p. 91, 99 e 100).
Os capítulos três e quatro, embora ricos em informações e reflexões a respeito da organização eclesiástica na área estudada, fornecem poucos elementos novos para a discussão mais geral a respeito da polarização do espaço em contexto de fortalecimento do discurso espiritual por parte dos membros da Igreja. Grosso modo, pode-se dizer que a autora compreende os movimentos ditos reformistas dos séculos XI-XII como uma estratégia política mais do que um esforço pela correção das funções eclesiásticas (p. 191). Mesmo assim, a partir da cultura material o livro apresenta elementos interessantes que fortalecem a necessidade da revisão do paradigma historiográfico que defende a existência de uma verdadeira onda de construção de novas igrejas no começo do século XII (na esteira da chamada mutação do ano mil proposta por G. Duby). Material arquitetônico em mãos, Lunven confirma a abertura de diversos canteiros de obras entre os séculos X e XII, mas demonstra não se tratarem de novas construções e sim de reformas. Ou seja, em vez de se falar em multiplicação de locais de culto, devemos falar em mudança na natureza dos prédios já existentes (p. 164 e 176-184). É o que a autora chama de “petrificação da igreja e construção aqui em baixo da Cidade celeste” (p. 176). Tal alteração no continente (igreja) está ligada a uma alteração no conteúdo (comunidade) por meio da revalorização da noção de ecclesia em seu aspecto polissêmico (metafórico e metonímico) estudado, entre outros, por D. Iogna-Prat (p. 179).
Por fim, os dois últimos capítulos abordam a formação administrativa das igrejas, condição fundamental para o estabelecimento e a manutenção das dioceses e das paróquias. No primeiro caso, o século XII aparece novamente como momento capital. Monges e cônegos dispondo de sólida formação intelectual passam a destronar as dinastias episcopais que reinavam na região até então (p. 270-271). A partir daí observamos as chancelarias episcopais de Rennes, Alet e Dol se desenvolverem gradativamente e de forma perene (p. 278-279). Para controlar as igrejas dependentes que se encontram espalhadas, algumas vezes a quilômetros de distância, os bispos passam a empregar uma hierarquia administrativa fundada nos arquidiáconos e nos deões. Estes são responsáveis, entre outras tarefas, pela coleta dos tributos previamente recolhidos pela escala mais baixa deste novo corpo administrativo, os padres em suas paróquias. De fato, a diocese e a paróquia passam, cada vez mais, a se tornar um referencial fiscal: o centro para o qual convergem os tributos. Contudo, ainda que desde o final do século XI o fiel de uma igreja tenha passado a ser identificado como residente de uma paróquia (p. 325), a preocupação com uma delimitação espacial precisa dessa unidade eclesiástica de base era um fenômeno marginal durante a Idade Média. A definição dos limites paroquiais, quando acontecia, se dava nos seguintes contextos de disputas de fronteiras: em torno da clausura monástica; dentro de um sítio castelão; ao longo da formação de novos centros; durante os trabalhos de arroteamento, quando da divisão do dízimo (p. 336). Todo esse sistema parece ter atingido seu ápice na região durante o século XIII, uma vez que algumas paróquias chegaram a ser suprimidas após esse momento (p. 324).
Ao final do livro algumas conclusões regionais se impõem: 1) os séculos XI e XII foram um momento capital da organização territorial eclesiástica; 2) os mundos bretão e franco não se diferem em suas estruturas eclesiais nem em suas baixas territorialidades eclesiásticas; 3) de uma situação de independência existente entre os homens e um local de culto específico durante o período carolíngio passa-se à hierarquização (sacralização) espacial e social entre os séculos XI e XII.
A variada e abundante documentação utilizada não impediu que a autora realizasse uma análise detalhada e articulada de seu material. O livro tem o grande mérito de buscar na realidade histórica estudada a definição dos conceitos analíticos utilizados (diocese e paróquia, por exemplo). No entanto, um olhar conceitual atento às abordagens teóricas contemporâneas (como a ampla discussão de geógrafos e filósofos da segunda metade do século XX a respeito da noção de território) e à organização dos grupos religiosos medievais (cônegos regulares e monges são tidos pela autora como simples equivalentes – p. 115 e 235 – e a incerteza na diferenciação ou na semelhança entre cônegos regulares e o capítulo das catedrais – p. 285-296) poderia esclarecer o propósito de Lunven e evitar confusões desnecessárias. No primeiro caso, a apresentação teórica do conceito contemporâneo de território facilitaria a compreensão da alteridade medieval e sua separação entre espaço e autoridade (elementos hoje profundamente imbricados). No segundo, a confusão entre diferentes grupos sociais de religiosos oblitera a importância da emergência da normalização das práticas espirituais no processo de implantação territorial e administrativa da Igreja.
De todo modo, o livro é uma contribuição importante não apenas para os estudiosos da Bretanha, mas também para os medievalistas em geral e mesmo para os modernistas interessados na história da Igreja. De fato, fica claro ao longo dos capítulos que a instituição eclesiástica é o resultado de uma constante construção administrativa do espaço. Um processo histórico que abarca também o crescente interesse eclesiástico em controlar os principais momentos das vidas dos fiéis mediante o pagamento de tributos. Será sobre essa base administrativa e moral bem assentada localmente que surgirá o Estado moderno calcado no controle de um território, mas isso já é outra história.
Gabriel de Carvalho Godoy Castanho – Doutor em Histoire et Civilisations pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: gabrielcgc@terra.com.br
Revista Brasileira de História da Mídia. São Paulo, v.4, n.1, 2015 / v.7, n.2, 2018.
Revista Brasileira de História da Mídia. São Paulo, v.7, n.2, 2018.
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- Censura, mentira e manipulação midiática. Uma nota historiográfica
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- Manipulaciones del fascismo portugués. Diplomacia, censura y propaganda salazarista en la comunidad lusa de Estados Unidos
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- Considerações teórico-metodológicas sobre a história do campo da Economia Política da Comunicação e da Cultura.
- César Ricardo Siqueira Bolaño, Verlane Aragão Santos
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- “Qual é o jornalista mais crápula, mais mistificador do Rio de Janeiro?” – História, Jornalismo e Literatura em Lima Barreto
- Denilson Botelho
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- A imagem da Revolução Russa pela mídia regional no Paraná
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- Jornal das Senhoras – a interatividade no primeiro jornal feminino editado no Brasil
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- O comentário esportivo no rádio de Porto Alegre: uma proposta de periodização histórica
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- Ethos discursivo e produção de sentidos: representações de infâncias nos anúncios das organizações bancárias
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- A construção da história oficial a partir de periódicos: análise discursiva da História de Monte Alegre nas páginas de O Tibagi
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- Media and the theatralization of power: an interview with Peter Burke
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- A mulher do espectador implícito: a audiência feminina nos primórdios da TV portuguesa
- José Ricardo CARVALHEIRO
- Jornalismo feminino e sua histórica aproximação com o universo do consumo
- Ana Paula Bornhausen da Silva BANDEIRA, Suzana Rozendo BORTOLI
- A Notícia, 1924-1930: jornalismo no interior e política local
- Célio José LOSNAK, Aline Ferreira PÁDUA
- O Lince: As edições de aniversário em 67 anos de história
- Christina Ferraz MUSSE, Susana Azevedo REIS
- Esferas de visibilidade jornalísticas e relações de poder: um estudo sobre a memória do Oeste catarinense na imprensa nacional e regional (1940-1950)
- Marcionize Elis BAVARESCO, Carlos LOCATELLI
- Grandes acontecimentos como aplicação estratégica dos discursos jornalísticos: a Batalha do Irany (1912) e o combate aos “germanófilos” (1917) nas páginas de O Progresso e do Diário dos Campos
- Felipe Simão PONTES
- Uma breve história do jornalismo ambiental brasileiro
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- Evolução da coluna social ao longo do século XX
- Beatriz DORNELLES
- Uma perspectiva sobre a cidade de Porto Alegre a partir das crônicas de Jotabê no Correio do Povo (1955 – 1959)
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- O rádio em Maputo – Moçambique: o caso da Rádio Comunitária Muthiyana
- Michele NEGRINI, Marcela Lorea GOMES
- Silvio Santos no rádio: uma história a ser contada
- Rafael Barbosa Fialho MARTINS
- GT História da Mídia Sonora: trajetória, contribuições e perspectivas
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- Algumas perspectivas para o estudo das mídias nas diferentes regiões do Brasil
- Antonio Hohlfeldt
- Apontamentos para uma história da imprensa de Mato Grosso do Sul
- Mario Luiz Fernandes
- Perde-se a capital, ganha-se um jornal: a criação da Tribuna de Petrópolis e o resgate do poder simbólico e político regional
- Verônica Soares da Costa
- Jornal manuscrito O Sonho: mulheres escrevendo a história
- Manoel Pereira da Rocha Neto, Monick Talita Inácio da Câmara Maffezzolli, Isabel Cristine Machado de Carvalho, Laís Karla da Silva Barreto
- Apontamentos sobre a história do mercado sergipano de televisão
- Cesar Ricardo Siqueira Bolaño, Demétrio Rodrigues Varjão, Bruna Távora, Ana Carolina Westrup, Pedro Alexandre de Oliveira Santos, Joanne Santos Mota, Werden Tavares Pinheiro, Antonio Vinícius Oliveira Gonçalves, Luzileide Silva Santos, Rafael Saldanha Rocha
- Rastros de utopia: a resistência na pauta do Nicolau (1987-1996)
- Scheyla Joanne Horst, Márcio Ronaldo Santos Fernandes
- A (re)construção identitária de Juazeiro: as representações do jornal Correio do Cariry e O Rebate na sua construção social
- Edgard Patrício, Cícero Dantas Queiroz
- Boletim Ferramenta: a comunicação popular como instrumento da Pastoral Operária da Arquidiocese de Vitória na mobilização dos trabalhadores nas décadas de 70 e 80
- José Edgard Rebouças, Elaine Rodrigues Dal Gobbo
- O centenário da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil na imprensa sul-mato-grossense: um estudo de representações sociais
- Marcos Paulo Da Silva, Jéssika Souza Corrêa
- Revista A Semana: uma publicação ilustrada e satírica na Belém do final do século XIX
- Netília Silva dos Anjos Seixas, Leonardo Santana dos Santos Rodrigues
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- De Canal Siete a ATC: dictadura, renovación tecnológica y apuesta por la televisión comercial (1978-1979)
- Joaquín Sticotti
- Estructura organizativa para la optimización de las investigaciones sociales de la radio y de la televisión en Santiago de Cuba
- Mercedes Duvergel Isaac, Ruthminy Daniella García Ramos
- José Fillipi: o italiano pioneiro do cinema no Maranhão
- Marcos Fábio Belo Matos
- Transformações na imprensa recifense em tempos de Gilberto Freyre: relações de gênero e processo de produção nos suplementos literários nos anos 1920
- Tercio de Lima Amaral, Alcileide Cabral Do Nascimento, Aline Maria Grego Lins
- Ouvidos para ler: contextualizando audiolivro, leitura e entretenimento
- Rafael de Oliveira Barbosa
- Rádio e política: a produção de sentido nos discursos radiofônicos de Juan Domingo Perón no Primeiro Peronismo (1946-1955)
- Luãn José Vaz Chagas, Márcio Fernandes
Revista Brasileira de História da Mídia. São Paulo, v.5, n.2, 2016.
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- Dossiê Temático: História da Mídia e Consumo (v.5, n.2, 2016.
- Interdiscursos da arte, da publicidade e do consumo. Tramas sobre a nossa condição no mundo
- Flávia Mayer dos Santos Souza, Maria Nazareth Bis Pirola, Moema Lúcia Martins Rebouças
- A “sadia radicalidade” do pentecostalismo católico: Mídia, gênero e literatura de massa
- Frederico Alves Mota, Regina Celia Lima Caleiro
- O progresso como bem comum: nação e indivíduo na publicidade brasileira dos anos 1960 e 1970
- Henrique Mazetti
- A máquina do tempo: A publicidade de lava-louças em cinco décadas de permanências
- Beatriz Beraldo
- Marcas de um consumo sustentável no discurso jornalístico: análise dos sentidos construídos pelas edições verdes de Superinteressante
- Rafael Rangel Winch, Márcia Franz Amaral
- As confissões de marca: identidades corporativas integradas à ficção
- Emylianny Brasil da Silva, Silvia Helena Belmino
- A história do telefone celular como distinção social no Brasil. Da elite empresarial ao consumo da classe popular
- Flora Dutra
- A nostalgia no consumo de imagens em páginas de memória no Facebook
- Thiago Mendes de Oliveira
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- Filosofía social crítica de los medios hegemónicos de comunicación Sistema mundo colonial-neocolonial, aldea global y función social del radiorreceptor en el proceso de descolonización y liberación de Argelia
- Carlos F. Bauer
- La representación de la ciudad de Buenos Aires en las fotografías de la Sociedad Fotográfica Argentina de Aficionados
- Julieta Pestarino
- Em defesa da liberdade de anunciar: a participação do setor publicitário nos debates da Constituinte durante a década de 80
- Glicia Maria Pontes Bezerra
- O Twitter como fonte de História Oral: análise da @vozdacomunidade na ocupação do Complexo do Alemão
- Poliana Lopes, Denise Castilhos de Araújo
- O (des)controlo da Internet: bad bots, astroturfing e flogging
- Rui Cádima
- Resenhas
- A resistência do impresso na era da virtualidade
- Priscilla Guerra Bernardes
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- A Revista Brasileira de História da Mídia é uma publicação em formato eletrônico com periodicidade semestral da Rede Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia. Lançada em 2011, tem como objetivo principal divulgar pesquisas que enfoquem a relação mídia e história de forma a incentivar a pesquisa nesta área do conhecimento. Publica a produção acadêmica de pesquisadores da área da comunicação, da história e outras visando também aprimorar as discussões em torno de questões históricas dos meios de comunicação em geral.
- Ficha Catalográfica
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- Dossiê Temático: Império Português e Comunicações (v.5, n.1, 2016.
- Correspondências e cultura política na América Portuguesa: cartas e uma rebelião colonial
- Edna Maria Matos Antonio
- Informações numa fronteira ibero-americana: limites e defesa da Capitania do Rio Negro (1780-1800)
- Carlos Augusto Bastos
- A Imprensa e o Império na viagem do príncipe D. Luís Filipe a África
- Miguel Ribeiro Pedras
- Visões do Império: a 1ª Exposição Colonial Portuguesa de 1934 e alguns dos seus álbuns
- Filomena Serra
- A Linguagem do Império nas Esculturas do Jardim Botânico Tropical em Lisboa
- Ana Duarte Rodrigues
- Império e Propaganda: as viagens presidenciais às colónias ultramarinas durante o Estado Novo
- Maria João Castro
- O Modo Luso-Tropical de Fazer Ver a Guerra
- Fátima Rodrigues
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- La radio y la televisión estatal em Argentina: historia, regulación y procesos de cambio (1920-2015)
- Claudio Guillermo Avilés Rodilla
- Caminhos cruzados: de Crisis (1973-1976) a Versus (1975-1979) – a América Latina em questão
- Xenya Bucchioni
- Os Jogos Pan-Americanos como expressão do pan-americanismo nas páginas do jornal O Globo
- Mariana Corsetti Oselame
- Uma higiene moral e do corpo: Educação Moral e Cívica e as atividades físicas, esportivas e de lazer durante a Ditadura Militar
- Reginaldo Cerqueira Sousa
- Jornalismo em campanha: os diários soteropolitanos na cobertura da sucessão governamental de 1919
- Ana Cristina Spannemberg
- Trajetória de um Tipógrafo-Jornalista no Sertão da Bahia
- Andréa Cristiana Santos
- O Auditório do Povão: a ligação entre as Colegas de Trabalho e Silvio Santos
- Ricardo Matos de Araújo Rios, Ivan Vasconcelos Figueiredo
- Resenhas
- A literatura jornalística de Missie Vassiltchikov
- Marcio Fernandes
- Vozes sobre o Contestado
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- O Estado Novo em Portugal, o controle da imprensa e a Guerra Colonial
- José Tengarrinha
Revista Brasileira de História da Mídia. São Paulo, v.4, n.2, 2015.
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- DOI: https://doi.org/10.26664/issn.2238-5126.422015
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- Marcio Souza Gonçalves
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- Dossiê Temático: História do Livro e da Leitura (v.4, n.2, 2015.
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- Jean-François Botrel
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Revista Brasileira de História da Mídia. São Paulo, v.4, n.1, 2015.
Revista Brasileira de História da Mídia
- DOI: https://doi.org/10.26664/issn.2238-5126.412015
- A Revista Brasileira de História da Mídia é uma publicação em formato eletrônico com periodicidade semestral da Rede Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia. Lançada em 2011, tem como objetivo principal divulgar pesquisas que enfoquem a relação mídia e história de forma a incentivar a pesquisa nesta área do conhecimento. Publica a produção acadêmica de pesquisadores da área da comunicação, da história e outras visando também aprimorar as discussões em torno de questões históricas dos meios de comunicação em geral.
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La luz de Cristo – DÖLGER (PR)
DÖLGER, F. J. La luz de Cristo. Madrid: Ediciones Encuentro, 2015. 98p. Resenha de: SÁNCHEZ, Alejandro Ruiz. Panta Rei – Revista de Ciencia Y Didáctica de la Historia, Murcia, 2ª época, p.129-131, 2015.
La luz de Cristo, publicado originalmente en 1936, es el segundo libro de Franz Joseph Dölger traducido al castellano, siendo el anterior una selección de sus trabajos con el título Paganos ycristianos. El debate de la Antigüedad sobre el significado de los símbolos. En esta ocasión seabordan las relaciones entre estos distintos credos a través de la luz. La obra es presentadapor Pedro Sabe Andreu, quien realiza una introducción que nos aporta datos claves para podercomprender de forma correcta el texto. Del mismo modo la obra cuenta con un prólogo a cargo deManuel González López-Corps, profesor de la Universidad eclesiástica San Dámaso de Madrid.
El autor de este volumen es Franz Joseph Dolger (1879-1940), un intelectual alemán, sacerdotey profesor en varias universidades de este país como la de Bonn o miembro de instituciones comola Academia Pontificia de Arqueología de Roma. Su ámbito de estudio se centró en el Cristianismoprimitivo, abarcando dentro de este un amplio espectro de temas, sin dejar de abordar los nexos deunión de esta religión con los credos paganos.
La obra está estructurada en seis capítulos, a los que antecede un prólogo y una introducción.
En la segunda se hace un interesante repaso por la vida del autor, que se va combinando con suobra. Por lo que al entrelazar ambas vamos viendo como sus vivencias influyen en sus publicacionesy como estas van evolucionando. A continuación hay una pequeña explicación de los propósitos desu proyecto, indispensable para entender el texto que leeremos en posteriores páginas.
La introducción continúa contando cómo es el método utilizado por Dölger, que se basaprincipalmente en las fuentes literarias, leyendo siempre que es posible los originales griegos olatinos y consultando traducciones de obras en otros idiomas antiguos. Asimismo utiliza elementosvisuales como fotografías o dibujos. También se nos indica la forma en la que están compuestas susobras, a partir de opúsculos sobre temas concretos y un aspecto llamativo, que es su aproximaciónal mundo pagano. La introducción se cierra con la estructura que adopta el libro, así como aspectosrelativos a la traducción del mismo y finaliza con un apartado de carácter bibliográfico.
La luz de Cristo se inicia, con unas consideraciones del autor acerca del motivo que le llevóa escribir esta obra, para pasar posteriormente al primero de los apartados en los que se divide lamisma.
El primer capítulo titulado Salve, amada luz… nos habla de una colección de saludos que enla Antigüedad se utilizaban en relación a la luz. Se comienza con los usados en el contexto paganocomo el saludo al nuevo día o el vespertino. Tanto aplicados al Sol o a las lámparas; en relación conesta iluminación artificial se insiste en la relación que el hecho de encender un objeto iluminadortiene en la antigüedad pagana y posteriormente cristiana tanto en Oriente como en Occidente, conuna gran carga simbólica de corte positivo ya que esta combate a la oscuridad y a las tinieblas.
El segundo de los apartados del libro se llama Luz buena. Como bendición pagana… En estesegundo apartado Dölger se centra en el mundo de cultura griega, en concreto en el simbolismo quetenía la luz artificial. Según el autor la iluminación tanto en el ámbito cultural, como en el domésticode un espacio tras la puesta sol tenía connotaciones beneficiosas. Para explicar este hecho seapoya en autores como Varrón, Clemente de Alejandría y Orígenes.
Continúa el libro con Cristo como la luz sin ocaso. El saludo salve luz sin ocaso. El autorexplica que al inicio de los cantos u oraciones los cristianos utilizaban la fórmula: “salve, luz”. Estaestaba en relación con la ya vista en el primer capítulo, el saludo pagano al Sol. El saludo sepodía completar con variantes como “luz eterna” o “luz santa”. Del mismo modo Dölger explica quesurgieron otras fórmulas como “salve, luz eterna” que contraponían a la divinidad con el Sol astral.
Para aportar claridad sobre los argumentos expuestos utiliza el testimonio de numerosos autorestanto paganos como cristianos como son: Metodio de Olimpo, Prudencio y Cipriano de Cartago.
Tras esto pasa a hablar el autor sobre El himno vespertino cristiano luz gozosa, y la acciónde gracias a la luz, el lucernario de los capadocios. La expresión “luz gozosa” de la que se hablaen este punto equivale a otras que ya anteriormente comentó el autor como luz buena o amadaluz. Como indica el título del apartado, otro aspecto que se comenta en él es la oración que sepronunciaba en algunos lugares de Asia Menor a la hora de introducir una luz en una habitación,esta es la acción de gracias del lucernario según Gregorio de Nisa. El autor nos habla de dos tiposde lucernarios, los religiosos y los domésticos, y a lo largo de la obra se irá jugando con ambosambientes indistintamente. Como conclusión al tema se indica que la invocación “luz gozosa” seenlaza en la tradición del antiguo saludo a Sol que es sustituido por el saludo a la verdadera luz,Jesucristo.
En el punto número cinco de su ensayo, La bendición cristiana de la luz en Occidente. Dölgernos habla del sincretismo que se produce en las provincias occidentales del Imperio Romano entrela religión pagana y la cristiana. Ejemplo de ello es que al encender una luz o introducir una lámparaen una estancia se realizaba una oración. Esta oración vespertina a la luz se podía realizar tanto enámbitos públicos como domésticos; se nos ofrecen referencias de ambos, como Tertuliano, Hipólito,Cipriano de Cartago, Prudencio o Jerónimo. Lo que queda claro de ellas es la comparación deCristo con la luz o con el Sol eterno, ya que en Nicea se le denomina “luz de luz”.
Lumen Christi-Deo gratias… es el sexto y capítulo final del libro, en él se comienza por explicarla ceremonia del sábado santo en la cual se producía la acción de gracias a la luz (lumen Christi);anteriormente este ritual también se efectuaba en otras ocasiones, e incluso fuera de contextoslitúrgicos. Para ilustrar esto último el autor se apoya en una lámpara originaria de Sicilia y dospatenas procedentes de la actual Argelia. Posteriormente se pasa a comentar diferencias en laceremonia de la luz en lugares como Jerusalén e Hispania, para lo que se utiliza como fuente a laperegrina hispana Egeria. Finaliza el apartado expresando la idea de que la luz tras el atardecer,tanto en ámbitos cristianos como paganos, era indudablemente un elemento unido a la felicidad,para lo cual se citan autores como Amiano Marcelino, Apuleyo o Jerónimo.
Para finalizar esta edición cuenta con una serie de cuatro índices, que se articulan de lasiguiente forma: índice de personajes, autores y obras de la Antigüedad y el Medievo de citasbíblicas, de autores modernos y de obras, y trabajos del académico alemán.
Como balance final queda añadir que la obra de Dölger propone una interesante confrontaciónentre las bendiciones y ritos vespertinos, especialmente cantos y oraciones, realizados tanto porpaganos como cristianos en la Antigüedad. Cuenta para ello con una abundante bibliografía, queabarca desde fuentes directas de ambas corrientes religiosas hasta la historiografía más modernaen su momento de publicación. Imprescindible es también aludir a la gran cantidad de notas al pieque resultan muy aclaratorias debido a lo específico de la materia tratada. Con todo ello, el profesoralemán realiza un interesante ejercicio de sincretismo religioso en el que combina los textos con elementos materiales de forma muy acertada.
Alejandro Ruiz Sánchez – Universidad de Murcia.
[IF]Linchamentos: a Justiça Popular no Brasil | José de Souza Martins
Junho de 2015, programas televisivos e notícias na internet trazem as últimas manchetes policiais do dia: polícia “desfila” em carro aberto com suspeitos de matar PM na Paraíba. Nas imagens, a população local se aglomera neste “ato público” de punição aos “delinquentes”. A impressão é que todos se sentem empoderados pela “justiça”. Numa das cenas, um dos participantes, após esboçar uma careta, desfere um “cascudo” em um dos indivíduos já detido e, portanto, sobre a tutela da polícia – e do Estado. Talvez esses “delinquentes” jamais seriam devidamente processados, assim a “justiça popular” precisaria ser minimamente garantida, pelo menos constrangendo o sujeito.
Casos semelhantes, cada vez mais comuns em nosso país, embasaram o estudo do sociólogo José de Souza Martins em sua mais recente obra “Linchamentos: a Justiça Popular no Brasil” (Editora Contexto, 2015), na qual o autor se debruça sobre relatos de 2028 casos de linchamentos, comprovados ou tentados, nos últimos 60 anos, além do aprofundamento de dois estudos de caso. O livro é dividido em três partes: na primeira oferece uma análise sociológica quantitativa e qualitativa dos dados levantados com riqueza de detalhes; na segunda enfoca a relação dos linchamentos com a simbologia da morte; e na terceira oferece uma visão crítica de sua fonte de dados. Leia Mais
O livro da hospitalidade: acolhida do estrangeiro na história e nas culturas – MONTANDON (C)
MONTANDON, Alan. O livro da hospitalidade: acolhida do estrangeiro na história e nas culturas. São Paulo: Senac de São Paulo, 2011. Resenha de: COMANDULLI, Sandra Patricia Eder. Conjectura, Caxias do Sul, v. 20, n. 1, p. 183-190, jan/abr, 2015.
O livro da hospitalidade: acolhida do estrangeiro na história e nas culturas, no original Le livre l’hospitalité: accueil de l’étranger dans l’histoire et les cultures (2004) foi concebido por Alain Montandon, professor titular de filosofia e de literatura geral e comparada na Universidade Blaise-Pascal, Clermont-Ferrand. No prefácio, Montandon afirma que “a hospitalidade é sinal de civilização e de humanidade”. É “uma maneira de viver em conjunto, por meio de regras, ritos e leis”. A proposta de Montandon é percorrer o tema da hospitalidade “de portas abertas ao leitor”, a quem ele denomina “nosso hóspede”. Para Luiz Octavio de Lima Camargo, doutor em Sciences de l’Education pela Universidade Sorbonne-Paris V e autor da apresentação da edição brasileira, é uma obra enciclopédica que “tem por objetivo trazer a noção da hospitalidade para dentro do terreno da reflexão filosófica e da observação empírica”.
Para Camargo “a justo título, pode ser considerada uma obra, se não fundadora, ao menos sistematizadora dos estudos de hospitalidade, já que define e expande consideravelmente os limites do tema”.
Cerca de oitenta colaboradores, entre eles, filósofos, antropólogos, psicólogos, comparatistas, historiadores, etnólogos, literatos, especialistas em comunicação e sociólogos, oriundos de diversos países e de formações distintas escreveram os textos. A edição brasileira, publicada pela editora Senac (2011), foi traduzida por Marcos Bagno e Lea Zylberlicht. A obra é apresentada em cinco grandes partes, cada uma dividida em seções que agrupam os artigos. No final, há um capítulo sobre os autores, um capítulo de bibliografias – geral, por artigo e indicação de títulos publicados em português – e o índice, dividido em temático, onomástico e de obras citadas.
Esta resenha focaliza os artigos da quinta parte sobre filosofia e política, fazendo-se menção ao assunto de cada um deles. O primeiro é Jacques Derrida – Um pensamento do incondicional, escrito por Ginette Michaud, professora titular do departamento de literaturas de língua francesa da Universidade de Montreal. Michaud divide o conceito de hospitalidade, segundo Derrida, em três momentos reflexivos: a hospitalidade como um princípio ético, incondicional e infinito; a hospitalidade concretizada em responsabilidade e traduzida em palavra e gesto; a língua como hospitalidade, concentrando num silogismo hostipitalidade (1995), o paradoxo de ser hospitaleiro e, ao mesmo tempo, de provocar a hostilidade ao impor a língua ao hóspede. A busca incansável de Derrida, conforme Michaud, é pela hospitalidade “onde nunca saberemos quem acolheu quem e se (condição sem condição) a acolhida encontrou realmente lugar, foi dada e recebida e tornada acontecimento ao chegar”.
Marie Gaille-Nikodimov, professora titular de filosofia, na Universidade de Paris X-Nanterre, é autora dos três textos descritos a seguir. A acolhida problemática da filosofia na cidade propõe uma reflexão sobre as seguintes questões: Onde praticar o ato de filosofar? Em que condições? Onde a filosofia é capaz de melhor se desenvolver? A escola é o lugar, por excelência, de descoberta da filosofia? Deve constituir uma disciplina específica ou, ao contrário, estar presente em todos os cursos oferecidos pela universidade? Para responder essas perguntas, a autora propõe uma reflexão que perpassa a história da filosofia, apoiada em Sócrates, Descartes, Spinoza, Kant e Derrida. O primeiro, diante da crise de valores que atinge Atenas, chama cada um à razão em detrimento das suas crenças e opiniões e, condenado à morte, dirige-se aos atenienses salientando que a sua linguagem não é a mesma que a deles. Descartes, em 1641, nas Meditações metafísicas, reafirma a linha de demarcação entre o domínio da fé e da razão. Spinoza introduz o Tratado teológicopolítico, publicado em 1670, afirmando que “[…] a liberdade de filosofar não apenas pode ser concedida sem prejuízo para a piedade e a paz da república, mas também que não pode ser suprimida sem se suprimir ao mesmo tempo a paz da república e a piedade”. (SPINOZA, 1999 apud GAILLE-NIKODIMOV, 2011, p. 1018). Kant, em O conflito das faculdades (1794), argumenta que a filosofia deve se submeter à lei da razão e não à lei dos governantes. Por último, a reflexão se volta para o discurso de Derrida, que coloca a questão da hospitalidade à filosofia de um ponto de vista cosmopolítico, ou seja, “em outro espaço diferente da cidade”, considerando-se por um lado “a multiplicidade dos modelos, dos estilos, as tradições ligadas às histórias nacionais ou linguísticas” e, por outro, “exceder constantemente o quadro desta ou daquela língua […] e circular de um espaço linguístico/de conceitualização a outro”.
Em Conflito do direito e das leis não escritas, o texto avança em busca da resposta para a questão: conceder ou não o direito de cidadania aos estrangeiros? Dentre as possibilidades, Nikodimov relaciona algumas, dentre elas: a questão econômica, ou seja, o benefício que o Estado pode ter com a concessão; o direito dos cidadãos de decidirem que tipo de comunidade querem criar e quem a ela pode pertencer; a ideia da existência de leis não escritas, que são o fundamento maior do direito dos refugiados; a hospitalidade como um ato jurídico e não filantrópico ao qual o Estado deve se conformar e, do primado do indivíduo sobre o Estado no qual a igualdade entre os homens fundamenta a obrigação de conceder o direito de cidadania.
O terceiro texto Sobre a ambiguidade dos direitos do homem está pautado na possibilidade de uma hospitalidade de Estado, em que o homem, cidadão privado é o sujeito de direito. A ideia de uma hospitalidade humanista repousaria, segundo Nikodimov, “sobre uma teoria que faz do homem, enquanto espécie, a origem e a finalidade dos direitos”. A partir dessa concepção, a hospitalidade assume um sentido jurídico-político fundamentada no direito cosmopolítico de Kant (1795).
Pretende, no entanto, ir além, ao classificar o homem como um sujeito de direito em relação a uma comunidade de direito internacional e não mais sob as condições de um estatuto jurídico exercido pelo Estado sobre o seu território. A hospitalidade humanista transporia uma fronteira do Estado-nação para a ideia de uma comunidade sem exclusão, ao pressupor a pessoa humana como único sujeito de direito e, assim, conferir a todos os indivíduos a mesma condição jurídica em virtude de seu pertencimento comum à humanidade.
O exílio é o tema que Sylvie Aprile, professora de história contemporânea da Universidade François-Rabelais, de Tours, aborda em Mutações e transferências. Inicialmente, ela cita a passagem da Bíblia no Êxodo, 22, 20 que diz: “Não maltratarás o estrangeiro, nem o oprimirás.
[…] Pois vós fostes estrangeiros no Egito.” A nostalgia está presente no tema do exílio e sua expressão mais comum, a queixa, é expressa pelo verso poético, o romance ou o anátema. O exílio é vivido como uma provação passageira que se configura na relação problemática da língua, na dificuldade do exilado de compreender os signos estranhos à sua volta, na ausência material das lembranças do passado, na falta de enraizamento ao solo estrangeiro, no olhar voltado para o passado e na hostilidade ao presente.Dois artigos falam da imigração, no continente europeu, com ênfase na França por ser um país com tradição em receber muitos imigrantes. França/Europa foi escrito por Rose Duroux, professora emérita da Universidade Blaise-Pascal, em Clermont-Ferrand e Discurso e contradições por Mireille Rosello, professora de literatura e cultura de expressão francesa na Universidade do Northwestern, Chicago. Duroux faz uma abordagem diacrônica a respeito da imigração na França, fazendo menções históricas e citações quantitativas. As questões propostas por ela relacionam-se com o fato de ser a França o país que é exemplo para o mundo na questão dos Direitos Humanos: como é possível vencer o desafio da hospitalidade, se a imigração é um fato recorrente e crescente? A imigração ocorre devido a motivações econômicas, pessoais e familiares, de um lado, e, de outro, por questões políticas, origens étnicas, religião ou nacionalidade. A hospitalidade está estruturada em três conceitos concomitantes: assimilação, inserção e integração. O grande desafio que se impõe neste século XXI e uma das alternativas, segundo Duroux, para fazer frente à questão da imigração clandestina, seria a supressão dos vistos, a regulamentação da permanência e a abertura das fronteiras aos trabalhadores. Indo além, ela propõe que a Constituição europeia, ainda em preparação, contemple a “utopia positiva”, ou seja, a hospitalidade como o princípio da integração. Mireille Rosello, no seu Discurso e contradições, relaciona a hospitalidade ao contexto em que ela é praticada. No século XVIII, a Revolução Francesa introduziu a ideia dos valores republicanos universais, segundo os quais os direitos de todo o ser humano, independentemente de sua origem, estariam garantidos.
Entretanto, o clima hospitaleiro logo cedeu espaço e deu lugar à insegurança em relação ao que vem de um país não amigável. Contemporaneamente, a França pode não ser mais considerada um modelo de acolhimento, pois se encontra dividida entre um ideal de hospitalidade, e uma razão que se opõe à entrada daqueles que carregam consigo a miséria. Segundo Rosello, a dificuldade na relação entre hospitalidade e imigração reside na questão: “como uma nação e um convidado (isto é, duas entidades a priori não comparáveis) podem estar ligados por um contrato de hospitalidade adaptado a uma situação contemporânea pós-colonial e transnacional?” Ela aponta as contribuições de Derrida e Baudrillard, segundo os quais a “hospitalidade e imigração às vezes não se entendem nada bem, principalmente, quando foi o próprio poder hospitaleiro da nação que contribuiu para colocar os estrangeiros em posição de solicitantes perpétuos”.
Magali Bessone, professora titular de filosofia na Universidade de Nice Sophia-Antipolis, escreveu os textos Excluído e marginalizado e A subversão heroica do público e do privado. No primeiro, ela afirma que a categoria de exclusão só adquire sentido em relação à de inclusão, de inserção e de integração. Os excluídos têm dificuldade “de definir sua própria situação, porque, com frequência, não têm acesso aos meios de expressão necessários para formular essa definição”. De outro modo, também a categoria dos incluídos encontra dificuldade de definição porque “sempre nos sentimos excluídos em relação a algum outro, sempre estamos excluídos de alguma coisa”. Bessone distingue formas de exclusão exercidas por aqueles que se julgam incluídos por deterem algum tipo de poder: na presença de uma ameaça à sociedade, é o estranho, o diferente que será objeto de exclusão; a “construção de um status de exceção”, como o ocorrido com os judeus na Alemanha nazista, e a criação de “espaços fechados no seio da comunidade, mas sem contato com ela: os guetos, os asilos ou as prisões”. Ela aponta a incoerência do coletivo que ignora as trajetórias particulares do indivíduo, colocando-o sob o domínio da inclusão. Por fim, conclui o texto, afirmando que “a exclusão demonstra a distância entre o que se supõe que os humanos sejam e o que eles são de fato”.
No segundo texto, Bessone enfoca o transcendentalismo, movimento nascido nos Estados Unidos (1836), cujo maior expoente foi Ralph Waldo Emerson, fundamentado na ideia de que “Deus deu aos homens os dons da perspicácia, da inspiração e da intuição” e que “é o instinto e não a razão, que nos conduzirá aos outros, ao mundo, e a nós mesmos, com uma atitude hospitaleira”. O termo transcendentalismo foi adotado em referência a Kant, que mostrou que havia uma “categoria de ideias muito importantes, de formas imperativas, que não provinham da experiência, mas graças à qual a experiência era tornada possível; que elas eram intuições do próprio espírito; e ele as chamou de as formas transcendentais”. (EMERSON, 1967 apud Bessone, 2011, p. 1120). A hospitalidade, do ponto de vista transcendentalista, “é um modo privilegiado de estar junto, em que a verdade de cada um deve ser pôr a descoberto; dessa forma, ela é eminentemente política e, ao mesmo tempo, moral e religiosa”. As leis da hospitalidade têm o caráter das leis divinas, e o herói é o homem “cuja alma é nobre, e que, obedecendo a Deus, dá provas de uma generosidade hospitaleira”. Deus é a unidade do homem com todos os homens e com a natureza e é, ao mesmo tempo, totalidade e individualidade, o elo entre tudo o que existe. A hospitalidade não é “uma obrigação legal, e sim uma obrigação moral (no sentido kantiano do termo), ou, mais geralmente, uma exigência ética”.
O sonho de universalidade, escrito por Pierre-Yves Beaurepaire, professor assistente de história moderna na Universidade de Orleans, tem como tema a franco-maçonaria, que iniciou na época do Iluminismo (século XVIII) com um projeto de “reerguer a Torre de Babel”, estabelecendo entre seus membros uma ligação baseada na hospitalidade que Beaurepaire chama de planetária. Ele destaca que essa característica sofreu reveses com o passar do tempo. Atualmente, os franco-maçons, para recuperarem a “utopia da aldeia planetária”, investem “nas novas redes de comunicação, para definir os contornos de um novo espaço de hospitalidade maçônica: as ciberlojas, que permitem aos irmãos dispersos pelos quatro cantos do mundo bater à porta de ‘seu’ templo”.
René Schérer, professor emérito em filosofia na Universidade Paris VIII, é o autor de Necessidade do absoluto e esperança do melhor. O propósito do texto é colocar frente a frente a hospitalidade e a utopia, formando uma aliança, segundo ele, “paradigmática”, de reencontro “entre o velho e o novo: a hospitalidade, esse fato imemorável das sociedades humanas, e a utopia, perspectiva em direção do possível, do futuro”. O pano de fundo do texto é a obra Utopia de Thomas More. Schérer pergunta: Deve-se hospitalidade aos irregulares, aos clandestinos, que estão em situação incerta e que não receberam uma decisão positiva por parte dos Estados hospedeiros? Qual é a forma dessa hospitalidade? Dar hospitalidade a todos não seria uma utopia? Ele conduz o exame das possíveis respostas, contrapondo os dois termos: a utopia que “suspende, em uma espécie de epoché reveladora, toda crença no mundo, no real dominante, para melhor compreendê-lo e avaliá-lo”; e a hospitalidade, “o valor que, eminentemente, resiste a essa suspensão, precisamente porque ela é de alguma forma, imanente a todo deslocamento, à viagem e à acolhida”. Contudo, mesmo concebida como “fechada e resistente”, a utopia já é “hospitaleira para o pensamento que a forma; hospitaleira desde a sua formação em um pensamento”.
Emmanuel Levinas – Rosto e epifania do outro, escrito pelo professor assistente de literatura e cinema latino-americano, na Universidade de Paris XII, Joachim Manzi, encerra a seção de Filosofia e política da obra.
Levinas nasceu em 1906, numa família judaica na Lituânia. Aos dezessete anos, estabeleceu-se na França, onde desenvolveu estudos de filosofia e, em 1995, faleceu. O princípio ético do filósofo, que perdeu seus familiares e foi feito prisioneiro durante o nazismo, está fundado no acolhimento incondicional do outro. Suas duas principais obras são Totalidade e infinito (1962) e Autrement qu’être ou au-dèla de l’essence (1974). Na primeira, Levinas propõe a hospitalidade como sendo “a verdadeira natureza incondicional da acolhida”. Esta acontece quando o outro acolhe antes mesmo que o eu concorde em ser acolhido. Acolher o outro é uma experiência que anula a resistência do eu e permite o início de uma consciência moral, que se manifestará no encontro “face a face com o rosto de outro”. A acolhida é uma relação intersubjetiva que contrasta com a ética racionalista e a dominação do discurso totalizante na sociedade ocidental. Conforme Manzi, o indivíduo, para Levinas, “torna-se cada vez mais heterônomo” ao não poder determinar as leis às quais obedece e a sua liberdade fica subordinada à exterioridade do outro e a de Deus, como ideia do infinito. Levinas “coloca no centro do face a face uma assimetria e uma renúncia de si que impedem qualquer retorno a si”. A subjetividade está sujeita à acolhida do outro e é ela que permite ao indivíduo vir a ser, como se na sujeição ao outro pela hospitalidade, o eu recebesse a si próprio. Se em Totalidade e Infinito a hospitalidade é assimétrica, em Autrement qu’être ou au-dèla de l’essence, Levinas revela “uma nova concepção do indivíduo”, que suprime qualquer pretensão de conquistar a totalidade do outro. A passividade prevalecerá sobre a atividade como uma exposição ao outro “anterior a qualquer proteção e a qualquer vontade”, como se o indivíduo passasse de autóctone para aquele que está fora do seu lugar. Manzi interpreta a dominação do eu pelo outro no pensamento de Levinas como o “traço de um indivíduo ferido, traumatizado, que, tendo sobrevivido ao Holocausto, deve testemunhar sobre ele apesar de tudo”. É a presença do rosto do outro que afirma a fidelidade absoluta do eu com o outro, ao mesmo tempo que desfaz “qualquer ideia de alteridade que o eu pôde ter”. Manzi lembra que Levinas inspirou-se na ideia cartesiana do infinito, enquanto ideia exterior ao pensamento e, segundo a qual, surge ao eu porque lhe foi dada por “Alguém outro, Deus”. É do infinito que vem a resistência do eu que deseja totalizar o outro, e que, ao mesmo tempo, convida o outro a vir ao seu encontro. O face a face com o rosto de outrem leva o discurso filosófico de Levinas “a contradições em aparência insolúveis e, no entanto, sem cessar abordadas corajosamente na sua escrita, porque se encontram precisamente na origem do sentido”. O eu poderia renunciar à resistência e usar sua liberdade para matar o outro e, então, diante do arbitrário e do injusto, o eu “que se lê nos olhos que me olham no momento da acolhida do rosto”, que Levinas associa ao termo epifania, tem a consciência da impossibilidade ética de matar. Em Totalidade e infinito, a epifania do rosto permite que nos olhos do outro esteja também “numa distância infinita” o olhar de todos os outros que interpelam e atraem o eu para o encontro com o outro. Em Autrement qu’être, a presença de um terceiro obriga o eu não apenas a responder pelo outro, mas representa uma exigência para com “todos os outros próximos, pela humanidade”. Para Derrida, a presença de um terceiro colocado entre a relação do eu com o outro é entendida como “o vínculo da ética com tudo que a ultrapassa e a trai, como a ontologia e a política, por exemplo”. (DERRIDA, 1997b, apud MANZI, 2011, p. 1.167). Manzi finaliza o texto, descrevendo a dimensão feminina que está presente no pensamento de Levinas, em que ele interpreta a fecundidade da mulher como uma inteira receptividade a outrem e um abandono sem retorno a si.
O enfoque da hospitalidade na perspectiva da Filosofia e política continua sendo um grande desafio na época contemporânea, em que os movimentos migratórios são crescentes, atingindo níveis que beiram o incontrolável e que as fronteiras parecem cada vez mais permeáveis. Nesse contexto político, como a hospitalidade pode ser praticada? E como fazer da ética um princípio norteador das políticas ligadas à imigração? São questões difíceis com respostas que, pode-se pensar, até impossíveis.
A proposta do estudo sobre a hospitalidade é tornar a acolhida um exercício que deve permear o pensamento e as ações humanas, em processos permanentes de hominização e de civilização.
Sandra Patricia Eder Comandulli – Mestranda em Filosofia na Universidade de Caxias do Sul. E-mail: sandracomandulli@gmail.com
Arqueología. Buenos Aires, v.15, 2009 / v.27, n.2, jun. 2021.f
Vol. 15 (2009)
- Publicado: 2009-11-02
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Recorriendo trazos. Un aporte a la definición del estilo decorativo Belén
- Mara Basile
- Apropiación incaica de un lugar sagrado en la Quebrada de Humahuaca, Jujuy, Argentina
- Solange Fernández do Rio
- La arqueofauna del Período Tardío en el NOA. Una aproximación desde los conjuntos del sitio Molinos I (provincia de Salta, Argentina)
- Andrés D. Izeta, Silvana V. Urquiza, Lidia Baldini
- Un “ecorrefugio” en la cuenca de la Laguna de Antofagasta (Puna Salada) entre 7900 y 6200 años AP
- Elizabeth Pintar
- Un ojo en el cielo. El Valle Calchaquí medio visto desde la fotografía aérea
- María Paula Villegas
- Los contextos funerarios de Azampay entre el Período de Desarrollos Regionales y la conquista inkaica (Valle de Hualfín, Catamarca)
- Federico Wynveldt
- El uso de la sierra metálica en contextos históricos urbanos. Análisis del sondeo I, en el distrito Pedro Molina, Guaymallén, Mendoza
- Jorge Garcia Llorca
- Comportamiento mortuorio en poblaciones prehispánicas de la región austral de las Sierras Pampeanas durante el Holoceno
- Mariana Fabra, Soledad Salega, Claudina González
- ¿Cuán al Oeste? Arqueología del istmo de la Península Maipú (Lago San Martín, provincia de Santa Cruz) en su contexto regional
- Silvana L. Espinosa, Juan B. Belardi, Alejandro Súnico
- Notas
- El “Tambillo Nuevo” de la Sierra de Zapata (provincia de Catamarca)
- Reinaldo Andrés Moralejo
- Agricultura y recolección en el Tardío Prehispánico de las Sierras de Córdoba (Argentina): el registro arqueobotánico de C.Pun.39
- Matías E. Medina, M. Laura López, Eduardo E. Berberián
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis Doctorales de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Movilidad y uso del espacio de cazadores-recolectores del Holoceno tardío: estudio de la variabilidad del registro tecnológico en distintos ambientes del Noroeste de la provincia de Santa Cruz
- Gisela Cassiodoro
- Aspectos de la colonización humana prehistórica del Noroeste del Uruguay
- Carola Castiñeira Latorre
- Diversificación económica y uso del espacio en el Tardío Prehispánico del Norte del Valle de Punilla, Pampa de Olaen y llanura Noroccidental (Córdoba, Argentina)
- Matías E. Medina
- Arqueología de la boca del Riachuelo. Puerto urbano de Buenos Aires, Argentina
- Marcelo N. Weissel
- Obituarios
- Aníbal Juan Figini (1939-2008). In Memoriam
- Jorge E. Carbonari, Roberto H. Huarte
- Antonia Rizzo (1929-2008). In Memoriam
- Diego Figueroa
- Susana Teresa Basílico (1949-2009). In Memoriam
- Paola Silvia Ramundo
- Humberto Lagiglia (1938-2009). In Memoriam
- Horacio Chiavazza
- Juan S. Schobinger (Hans) (1928-2009). In Memoriam
- María Mercedes Podestá
- Víctor A. Núñez Regueiro (1934-2009). In Memoriam
- Carlota Sempé
Vol. 16 (2010)
- Publicado: 2010-11-02
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comite Editorial
- Artículos
- Habitando Cruz Vinto: temporalidad y espacialidad en un pukara del Período de Desarrollos Regionales Tardío (1200-1450 DC) en el Norte de Lípez (Potosí, Bolivia)
- José María Vaquer, Eva Calomino, Verónica Zuccarelli
- Construir, significar, perpetuar… Lugares para la muerte espacios de la vida cotidiana
- Natalia R. Chiappe Sánchez
- Cambios en las puntas de proyectil durante la transición de cazadores-recolectores a sociedades agro-pastoriles en Antofagasta de la Sierra (Puna Argentina)
- Salomón Hocsman
- Actualización de la problemática del sitio Angosto Chico (Jujuy, Argentina)
- Clara Rivolta, Clarisa Otero, Verónica Seldes
- Configuración espacial y organización social: análisis de acceso en La Alumbrera (Período Tardío, Puna meridional argentina)
- Pedro Miguel Salminci
- Estudios composicionales de las pastas de cerámica tardía del Valle de Hualfín (Belén, Catamarca)
- Nora Zagorodny, Martín Morosi, María Emilia Iucci, Federico Wynveldt
- Aproximación inicial a la arqueología del Norte de la Sierra de Guasapampa y Cordón de Serrezuela (Córdoba, Argentina)
- Sebastián Pastor
- La transición Pleistoceno-Holoceno (11.000 – 9.000 AP) en las Sierras de Córdoba (Rep. Argentina)
- Diego E. Rivero
- Las arqueofaunas en la cocina: actividades culinarias en el Sitio 2 de la localidad arqueológica El Guanaco
- Romina Frontini
- Patrones de trozamiento en contextos Hispano Criollos de fines del siglo XVIII y principios del XIX
- María Marschoff, Claudia Bosoni, Laura Starópoli
- Notas
- Juan Schobinger: pionero y defensor de la arqueología en Argentina
- Constanza Ceruti
- La colección de La Paya un siglo después
- Marina Sprovieri
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis Doctorales de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Relaciones de poder y dinámica interétnica en Floridablanca. Una perspectiva histórica y arqueológica (San Julián, siglo XVIII)
- Silvana Buscaglia
- Un estilo y su época. El caso de la cerámica Famabalasto Negro Grabado del Noroeste argentino
- Valeria Palamarczuk
- Cambio social y prácticas cotidianas en el orden colonial. Arqueología histórica en Floridablanca (San Julián, siglo XVIII)
- Marcia Bianchi Villelli
- El manejo de los recursos líticos en el pasado. Sociedades pre-estatales y estatales en el área valliserrana del noroeste Argentino (1000 – 1536 DC)
- María Gabriela Chaparro
- Organización de la tecnología lítica en el bosque de norpatagonia durante el Holoceno tardío. Aportes para un modelo de uso del bosque en la Comarca Andina del paralelo 42°
- Mariana Carballido Calatayud
- Reseñas bibliográficas
- How do the Media Represent Archaeology. What is at Stake? Editado por Serge Lemaitre y Céline Schall
- Virginia Salerno
Vol. 17 (2011)
- Publicado: 2015-11-02
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Imágenes sobre rocas del Sudoeste tinogasteño (Catamarca, ca. 2500 y 1300 AP)
- Mara Basile, Norma Ratto
- Análisis de la variabilidad material del Recinto 1 – Kancha II: aportes para una comprensión de la política incaica en el Shincal de Quimivil
- María Couso, Reinaldo Moralejo, Marco Giovannetti, Luis Del Papa, María Páez, Julia Gianelli, Laura Giambelluca, Marcelo Arnosio, Rodolfo Raffino
- Lo micro en lo macro: el tratamiento microscópico de macrorestos vegetales para la identificación de prácticas y modos de relación con el entorno vegetal en el estudio arqueológico de la domesticación vegetal
- Verónica S. Lema
- El truco está en la diversidad: estrategias de manejo pastoril en la Quebrada de Humahuaca, Provincia de Jujuy, Argentina, entre el 900 y el 1.200 AD
- Pablo Héctor Mercolli
- Modelos teóricos imperantes en la arqueología del Nordeste argentino: los casos de las Provincias de Corrientes y Santa Fe (Argentina)
- Sandra Escudero, Ma. Rosario Feuillet Terzaghi, María Núñez Camelino
- Diversidad de las cuentas vítreas. Los hallazgos de la misión de Santiago del Baradero (siglo XVII)
- Alicia H. Tapia, Virginia Pineau
- Recursos marinos vs. recursos terrestres: análisis arqueofaunístico en el sitio Cueva del Negro, costa Norte de Santa Cruz
- Marcelo Beretta, Lorena Corinaldessi, Alicia Castro
- Arqueofauna de las ocupaciones tempranas de Cueva Traful I, Provincia del Neuquén, Argentina
- José Agustín Cordero
- La temporalidad de las prácticas: organización del paisaje y formas de memoria en comunidades actuales del altiplano surandino. El caso de Villa Candelaria, Nor Lípez, Bolivia
- Juan Pablo Guagliardo
- Arqueozoología y manufactura de vestimentas rituales en la antigua ciudad de Teotihuacan, México
- Linda R Manzanilla, Bernardo Rodríguez Galicia, Gilberto Pérez Roldán, Raúl Valadez Azúa
- Notas
- Primeros datos sobre la procedencia de obsidiana de un sitio Formativo de Santa Rosa de los Pastos Grandes, Puna de Salta, Argentina
- Cecilia Mercuri, Michael D. Glascock
- Primeros análisis de la loza del sitio Moreno 314
- Miriam Wagner
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis Doctorales de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Arte rupestre de pastores y caravaneros. Estudio contextual de las representaciones rupestres durante el Período Agroalfarero Tardío (900 DC – 1480 DC) en el Noroeste Argentino
- Álvaro R. Martel
- Arqueología ambiental del Holoceno temprano y medio en la Puna Seca Argentina. Modelos paleoambientales multi-escala y sus implicancias para la arqueología de cazadores-recolectores
- Marcelo R. Morales
- Estilos tecnológicos y tradiciones cerámicas del Bolsón de Fiambalá (Dto. Tinogasta, Catamarca)
- Anabel Feely
- Sociabilidad y alimentación. Estudio de casos en la transición al siglo XIX en el virreinato del Río de la Plata
- María Marschoff
- Arqueología de los esteparios fueguinos: tecnología y tafonomía lítica en el Norte de Tierra del Fuego
- Karen Borrazzo
- El rol de la pesca entre los grupos humanos de la baja Cuenca del Plata. Ictioarqueología de conjuntos prehispánicos del Holoceno tardío en el humedal del Río Paraná inferior
- Javier F. Musali
- Rutas indígenas y arqueología en la provincia de Chubut
- Analía Castro
- Análisis de conjuntos superficiales de artefactos líticos. Sector Noreste de la Cuenca del Lago Pueyrredón-Cochrane (provincia de Santa Cruz, Argentina)
- Damian L. Bozzuto
- El estudio de los artefactos formatizados fracturados. Contribución a la comprensión del registro arqueológico y la actividad humana
- Celeste Weitzel
- Los materiales de metal como indicadores de identidad y diferenciación social en la frontera del Sur (1776-1885)
- Carlos G. Landa
- El rol de las bebidas alcohólicas en las relaciones fronterizas inter e intragrupales de aborígenes y militares (XVIII-XIX). Enfoque arqueológico
- Virginia Pineau
- Manufacturas alfareras de las sociedades aldeanas del primer milenio DC al Sur de los Valles Calchaquíes
- Lucas Pereyra Domingorena
- El mundo en movimiento: circulación de bienes, recursos e ideas en el Valle Calchaquí (Salta). Una visión desde La Paya
- Marina Sprovieri
- Bioarqueología de cazadoresrecolectores del Holoceno tardío de la Cuenca del Lago Salitroso (Santa Cruz): aspectos paleodemográficos y paleopatológicos
- Solana García Guraieb
Vol. 18 (2012)
- Publicado: 2015-10-30
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- La cerámica tricolor de la Puna jujeña: variabilidad de los motivos con vírgulas y puntos blancos
- Amalia Zaburlín
- Un hallazgo funerario en Shiquimil, Provincia de Catamarca. Bioarqueología y estilos alfareros de inicios del Período Tardío en Yocavil
- Alina Álvarez Larraín, M. Solange Grimoldi, Valeria Palamarczuk
- Representaciones de manos del sur de Pozuelos (Jujuy, Argentina)
- Carlos I. Angiorama, Ezequiel Del Bel
- El concepto de estilo tecnológico cerámico y su aplicación en un caso de estudio: los grupos formativos del oeste de Tinogasta (Catamarca)
- Anabel Feely
- La variabilidad alfarera en el tambo de Punta de Balasto y la producción cerámica de Yocavil en la época de la dominación incaica (Catamarca, Noroeste argentino)
- Marina Marchegiani
- Prácticas de producción alfarera durante el Tardío Prehispánico en el Valle del Bolsón. Un aporte desde la tecnología cerámica del sitio El Duraznito (Belén, Catamarca, Argentina)
- Verónica Puente
- Estado actual de las investigaciones arqueológicas en la localidad Nutria Mansa. Nuevos aportes de los artefactos picados y/o abradidos
- Mariano Bonomo, Alejandra Matarrese
- Acercamiento a la construcción del pasado Prehispánico en una sala del Museo Pampeano de Chascomús entre 1939 y 1992
- Virginia M. Salerno, Mariana S. Vigna
- Semiótica, paisaje social y arte rupestre de época incaica en la cuenca superior del Río Aconcagua, Chile central
- Patricia B. Salatino
- Notas
- Nota sobre evidencias de uso de plantas en el sitio Soria 2 a partir del análisis microscópico de contenido de pipas
- Diego F. Andreoni, Romina C. Spano, Verónica Lema
- Análisis de procesos tafonómicos en un sitio al aire libre: el caso de Martínez 3, Valle de Ambato, Catamarca
- Mariana Dantas, Germán G. Figueroa
- Arqueomalacología en las costas de Ansenuza: análisis de una almeja nacarífera (Anodontites trapesialis) hallada en contexto funerario del sitio El Diquecito (Laguna Mar Chiquita, Córdoba)
- Mariana Fabra, Sandra Gordillo, Eduardo L. Piovano
- Zooarqueología histórica: la necesidad de un enfoque tafonómico integral en Argentina
- Julieta Sartori, M. Belén Colasurdo, Sandra Escudero
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Arqueometalurgia de un naufragio del siglo XVIII: la corbeta de guerra HMS Swift (1770), Puerto Deseado, provincia de Santa Cruz
- Nicolás C. Ciarlo
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis Doctorales de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Habitando Cruz Vinto (Norte de Lípez, Bolivia) durante el Período de Desarrollos Regionales Tardío (1200 – 1450 DC). Una interpretación desde los espacios externos domésticos
- José M. Vaquer
- Arqueología y ecología isotópica. Estudio de isótopos estables de restos humanos del Holoceno tardío en la Patagonia meridional
- Augusto Tessone
- Prácticas de producción alfarera en el Valle del Bolsón (Belén, Catamarca). Materias primas y modos de hacer ca. 900-1900 DC
- Verónica Puente
- Bolas de boleadora en los grupos cazadores-recolectores de la Pampa bonaerense
- Rodrigo J. Vecchi
- Estrategias tecnológicas y variabilidad de los conjuntos líticos de las sociedades tardías en Antofagasta de la Sierra (provincia de Catamarca, Puna Meridional, Argentina)
- Alejandra M. Elías
- Variabilidad de estrategias tecnológicas líticas durante el Período Formativo (ca. 2400 – 1400 AP) en la Puna de Salta
- Cecilia Mercuri
- Etnoarqueología de nutrieros. Una propuesta metodológica aplicada al registro arqueológico de la depresión del Salado y del Noroeste de la provincia de Buenos Aires
- Paula D. Escosteguy
- Estudios de cultura material en sitios históricos de naufragio en el litoral patagónico. El uso de la madera en artefactos del barco británico HMS Swift (siglo XVIII)
- Mónica Grosso
- Producción metalúrgica y dinámica social en el Noroeste argentino (siglos XIII a XVII)
- Geraldine A. Gluzman
- Continuidades y rupturas en las representaciones plásticas del Formativo (ca. 200 AD) a la ocupación incaica (ca. 1480 AD) en la región de Fiambalá (Catamarca)
- Mara Basile
- Obituarios
- Alberto Rex González (1918-2012). In memoriam
- Inés Gordillo
Vol. 19 Núm. 1 (2013)
- Publicado: 2013-04-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Dinámicas espaciales de las comunidades prehispánicas tardías y modernas de Valle Fértil (San Juan, Argentina)
- Pablo Cahiza
- El sitio Ampajango, cincuenta años después
- Juan P. Carbonelli
- Procedencia de obsidianas en el Período Tardío de Antofagasta de la Sierra (provincia de Catamarca, Puna Meridional Argentina)
- Alejandra M. Elías
- Comparando alfarerías de contextos domésticos de la Aldea Piedra Negra para mediados y finales del primer milenio DC (Laguna Blanca, Catamarca)
- Valeria E. Espiro
- Narrativas arqueológicas de momentos de contacto en los Valles Calchaquíes hasta mediados del siglo XX
- Geraldine A. Gluzman
- Tramas y prácticas agro-pastoriles en el Valle de Ambato, Catamarca (siglos VI y XI DC)
- Andrés Laguens, Germán G. Figueroa, Mariana Dantas
- Testimonios de un adiós. Rituales y abandono en Juella ante la conquista inka de Humahuaca
- Iván Leibowicz
- Explotación faunística en el sureste de Lípez (Potosí, Bolivia) durante el Período Prehispánico Tardío
- Pablo H. Mercolli, Axel E. Nielsen
- Notas
- La cronología Belén en el norte del Valle de Hualfín: viejos problemas, nuevas perspectivas
- Federico Wynveldt, M. Emilia Iucci
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- La cerámica en los espacios semipúblicos de La Rinconada durante el Período Medio (siglos VII – XII DC), Departamento de Ambato, Catamarca
- Eva Amanda Calomino
- Paisajes de producción y reproducción en el Alto-Ancasti durante el Período de Integración Regional (ca. 600-1100/1200): usos del GIS en la arqueología de los paisajes agrarios
- Verónica N. Zuccarelli Freire
- Una nueva mirada sobre los conjuntos arqueofaunísticos del sitio La Rinconada de Ambato
- Luciana Eguía
- Reseñas bibliográficas
- La Espacialidad en Arqueología. Enfoques, Métodos y Aplicación. Editado por Inés Gordillo y José María Vaquer
- Marcos N. Quesada
Vol. 19 Núm. 2 (2013)
- Publicado: 2013-09-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Artículos
- Ajustes metodológicos para el análisis macroscópico del gres cerámico. Estudio de conjuntos arqueológicos del sudeste bonaerense (siglo XIX)
- Vanesa N. Bagaloni, Verónica Martí
- Revisando la colección de instrumentos óseos de L. M. Torres (D25 Museo de Ciencias Naturales de La Plata)
- Natacha Buc, Verónica Coronel
- Arqueología de campos de batalla en Latinoamérica: apenas un comienzo
- Carlos Landa
- Arqueología en el centro de la provincia de Entre Ríos (Argentina)
- Juan C. Castro
- Estudio de las materias primas líticas utilizadas para la manufactura de bolas en el norte de Tierra del Fuego (Argentina)
- Karen Borrazo, M. Clara Etchichury
- Analisis de visibilidad aplicado a estructuras rocosas en la localidad La Primavera, Santa Cruz
- Lucia A. Magnin
- Comunicar y gestionar el patrimonio arqueológico
- Eugenia Conforti, Carolina I. Mariano
- Notas
- Registro de pinnípedos en contextos arqueofaunísticos de cazadores-recolectores del nordeste de la provincia de Buenos Aires
- Alejandro Acosta, Daniel Loponte
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis Doctorales de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- El aprovechamiento de animales en valles fluviales y lagunas del sur bonaerense durante el Holoceno
- Romina Frontini
- Trabajo arqueológico y representaciones del pasado prehispánico en Chascomús
- Virginia M. Salerno
- Uso del espacio y construcción del paisaje agrícola en la cuenca del Río Caspinchango, Valle de Yocavil, Provincia de Catamarca
- Sonia L. Lanzelotti
- Un enfoque biocultural aplicado al estudio de entierros arqueológicos del Noroeste argentino (ca. 1000-1550 AD)
- Soledad Gheggi
- Materias primas líticas y redes sociales entre los grupos cazadores-recolectores de Patagonia centro-meridional
- Mariana Sacchi
- Tendencias tecnológicas de selección de materias primas y diseño de artefactos líticos en la secuencia de ocupaciones del Holoceno tardío de Cerro de los Indios I (CI1), Lago Posadas, Santa Cruz
- Gabriela Guraieb
- Integración de datos arqueológicos, radiocarbónicos y geofísicos para la construcción de una cronología de Yocavil y alrededores
- Catriel Greco
- Obituarios
- Victoria Diana Horwitz (1957-2013). In memoriam
- Guillermo Luis Mengoni Goñalons
- Victoria Diana Horwitz (1957-2013), nunca olvidaremos su risa
- Sebastián Muñoz, Mariana Mondini
Vol. 19 (2013): Dossier
- Publicado: 2013-12-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Gabriel López, José María Vaquer
- Artículos
- No sabe – no contesta. Se es postprocesualista, interpretativo o fenomenológico: ¿hay un modelo a seguir?
- Marcelo Acosta
- “…cierra los ojos y narra…” Mediaciones sobre una mirada narrativa de la práctica arqueológica
- Leandro D’Amore
- Anatomía disciplinaria y arqueología indisciplinada
- Alejandro Haber
- Complementariedad teórica en arqueología: entrelazando perspectivas darwinistas y marxistas
- Gabriel E. J. López
- Animalidad/humanidad: una dicotomía estratégicamente persistente que entorpece el avance científico en arqueología
- Hernán J. Muscio
- La Tumba Tebana 49 y su propietario, en el paisaje sacralizado del occidente tebano, Egipto
- María Violeta Pereyra, Liliana M. Manzi, Livia M. Broitman
- Herramientas teórico-metodológicas para el análisis del cambio en la tecnología lítica: aportes desde una perspectiva evolutiva
- Federico Restifo
- Las aporías de la Arqueología Hermenéutica. En busca de un nuevo criterio de validez
- José M. Vaquer
Vol. 20 Núm. 1 (2014)
- Publicado: 2014-04-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Hornos, minerales y escorias: una aproximación a la metalurgia extractiva en la Puna de Jujuy en época prehispánica y colonial
- Florencia Becerra, Nicolás Nieva, Carlos I. Angiorama
- Primera caracterización petrográfica de pastas cerámicas prehispánicas tardías y coloniales de la cuenca sur de la laguna de Pozuelos (Puna de Jujuy, Argentina)
- Josefina Pérez Pieroni
- Miradas desde y hacia los lugares de poder. Antofagasta de la Sierra entre 1000 y 1500 años DC
- Lorena Cohen
- Análisis historiográfico de la construcción de las sociedades del primer milenio del área valliserrana como objeto de estudio arqueológico
- Julián Salazar
- Nuevos acercamientos al espacio semipúblico durante el período medio (s. VII-XII DC). Caracterización y estudio de un patio en La Rinconada
- Eva A. Calomino, Luciana Eguia
- Primeras aproximaciones al paisaje agrario del norte de la sierra el Alto-Ancasti: un análisis multi-escalar
- Verónica N. Zuccarelli
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Lítica histórica urbana. Estudio sobre artefactos de granito asociados al adoquinado del barrio porteño de San José de Flores (fines de siglo XIX – principios de siglo XX)
- Federico I. Coloca
- La utilización de las mesetas durante el Holoceno tardío: análisis de la tecnología lítica del sitio laguna del faldeo verde (meseta del Lago Strobel, provincia de Santa Cruz)
- Josefina Flores Coni
- Los grabados prehispánicos del noreste de San Juan. Arte rupestre y circulación de información en ambientes áridos
- Guadalupe Romero Villanueva Badin
- Reseñas bibliográficas
- Arqueología y Evolución. A la Búsqueda de Filogenias Culturales. De Daniel García Rivero
- Luis Alberto Borrero
Vol. 20 Núm. 2 (2014)
- Publicado: 2014-09-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Artículos
- Repensando los sitios Alamito. Nuevos aportes a la arqueología de Campo de Pucará
- Soledad Gianfrancisco
- Relevamiento arqueológico en territorio de la comunidad indígena diaguita de El Mollar, Tucumán, Argentina
- Bárbara Manasse, M. Lorena Vaqué
- Construcción de paisajes en el oeste de las sierras de Córdoba durante el prehispánico tardío (ca. 1500 – 400 AP). Diversidad de prácticas y sentidos en torno al arte rupestre
- Andrea Recalde
- El estudio de la variabilidad cerámica: conceptos teóricos y praxis arqueológica en las tierras bajas del Río Paraná
- Flavia V. Ottalagano
- Paisajes arqueofaunísticos: distribución y explotación diferencial de ungulados en el sector centro-oriental de la Región Pampeana
- Alejandro Acosta, Leonardo Mucciolo
- Análisis de isótopos estables de carbono y nitrógeno y cromatografía gaseosa en cerámica arqueológica del Nordeste de la Provincia del Chubut (Patagonia argentina)
- Julieta Gómez Otero, Diana Constenla, Verónica Schuster
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Arqueología y paleoambiente: dinámica social y cambio ambiental en sociedades complejas de la Puna argentina
- Lorena G. Grana
- Evolución y cambios técnicos en sociedades cazadoras-recolectoras de la Puna seca de los andes centro sur: tecnología lítica en el área de Susques durante el Holoceno temprano y medio
- Rodolphe Hoguin
- Tecnología lítica en la Puna de la provincia de Salta a lo largo del Holoceno temprano y medio: patrones de variación y procesos de cambio
- Federico Restifo
- Técnicas líticas en paisajes cazadores y agropastoriles al sur del Valle de Yocavil
- Juan Pablo Carbonelli
- Investigación sobre el Período Tardío-Inca en las localidades arqueológicas de Antofagasta de la Sierra (Puna Sur) y cuenca del Río Doncellas (Puna Norte): una aproximación a través de la cerámica
- Martina I. Pérez
- Obituarios
- José Antonio Pérez Gollán (1937-2014). Un arqueólogo social
- Javier Nastri, Victoria Coll Moritan
- Fe de Erratas
- Fe de Erratas
Vol. 20 (2014): Dossier
- Publicado: 2014-12-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- María Emilia Iucci, Catriel Greco
- Artículos
- Distribución espacial de los asentamientos de los Períodos de Desarrollos Regionales e Inca en el tercio central de la Sierra de Quilmes (Valle de Yocavil-Tucumán)
- Mario G. Maldonado, Liliana D. V. Neder, M. Marta Sampietro Vattuone
- Investigaciones arqueológicas sobre las sociedades tardías del Valle de Guandacol (Departamento Felipe Varela, oeste de La Rioja): espacio, estilos tecnológicos cerámicos y cronología
- Lourdes Iniesta, J. Roberto Bárcena
- Procesamiento de maíz en el tardío del Valle de Hualfín ¿Un contexto doméstico de producción de chicha?
- Bárbara Balesta, Celeste Valencia, Federico Wynveldt
- La alfarería de inicios del segundo milenio en Yocavil. El “problema San José” y las tipologías cerámicas
- Valeria Palamarczuk, Alina Álvarez Larrain, M. Solange Grimoldi
- Las vasijas toscas en los entierros del Valle de Lerma (provincia de Salta)
- Mabel Mamani, Eleonora Mulvany, M. Etelvina Díaz, Cecilia Castellanos
- Reevaluación en torno a la práctica de entierro en urnas Andalgalá
- David A. Álvarez Candal, Verónica S. Gazi
- Paisaje local, producción y uso de cerámica tardía en el Valle de Hualfín (departamento de Belén, Catamarca, Argentina)
- Emilia Iucci
- La obsidiana en el paisaje tardío del Valle de Hualfín (departamento de Belén, provincia de Salta)
- Federico Wynveldt, Marina Flores
- Hacia el oriente de la región Valliserrana; historia diaguita de Tafí del Valle, Tucumán
- Bárbara Manasse
- La cronología del Valle de Yocavil. Escaladas, datos y resultados
- Catriel Greco
Vol. 21 Núm. 1 (2015)
- Publicado: 2015-04-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Análisis de llamas resonadoras de arcilla (Jujuy, Puna septentrional argentina)
- Martina Pérez, Roberto Velázquez Cabrera
- El Pucara de Perchel (dpto. Tilcara, Jujuy, Argentina): un lugar estratégico en el sector central de la Quebrada de Humahuaca
- Agustina Scaro, Gabriela Sica
- La multitemporalidad del paisaje en la Mesada del Agua Salada (Catamarca, Argentina)
- Sonia L. Lanzelotti, Romina C. Spano
- Interacciones entre humanos y animales en la Puna salada durante el Holoceno medio: el caso de Cueva Salamanca 1, Antofagasta de la Sierra, Catamarca
- Mariana Mondini, Antonela Marozzi, Elizabeth L. Pintar
- Simetría y diferenciación espacial Los edificios de La Alumbrera. Antofagasta de la Sierra
- Pedro Salminci
- No se les escapó la tortuga. Uso antrópico de Chelonoidis chilensis en un sitio de la Región Chaco-Santiagueña (provincia de Santiago del Estero)
- Luis M. del Papa, Luciano J. M. De Santis
- Notas
- Manifestaciones rupestres en la cuenca inferior del Río Deseado, Santa Cruz (Argentina)
- Pablo Ambrústolo, Miguel Ángel Zubimendi, Agustín Acevedo, Rafael Paunero
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Estrategias de transporte, procesamiento y consumo de guanacos en la costa sur de Tierra del Fuego (Argentina)
- Daniela Verónica Alunni
- Zooarqueología de aldeas del primer milenio de la era: el caso del NH6 de Palo Blanco (Tinogasta, Catamarca)
- Juan Pablo Miyano
- Tecnología lítica de Punta Entrada. Un acercamiento a la problemática de la caza de pinnípedos en el curso inferior del Río Santa Cruz
- Daniela Soledad Cañete Mastrángelo
- Utilización de recursos leñosos y uso del espacio en el noroeste de Santa Cruz a partir del Holoceno tardío: un análisis antracológico de los sitios Alero Los Guanacos 1 y Cañadón Guitarra 3
- Sebastián Pasqualini
- Decisiones tecnológicas y producción lítica en el Sur del Valle de Yocavil (provincia de Catamarca). Un estudio comparativo de conjuntos artefactuales tempranos y tardíos
- Erico G. Gaál
- Flores como necrópolis: muerte, iconografía y tradiciones en los cementerios de San José de Flores durante el siglo XIX y XX (1850-1930)
- Ana Paula Motta
- Preparatio mortis: las prácticas de destrucción en el sitio La Rinconada (depto. Ambato, Catamarca), ca. 1200 DC
- Bruno Vindrola-Padrós
Vol. 21 Núm. 2 (2015)
- Publicado: 2016-05-09
- Preliminares
- Índice
- Comité Editorial
- Artículos
- Canteras-taller de cuarzo y un análisis de los conjuntos artefactuales del sitio Piedra Blanca (Copacabana, Córdoba)
- Gisela Sario, Eduardo Pautassi
- Consumo de Conepatus chinga en el sitio Paso Otero 4 (Región Pampeana, Argentina): huellas de procesamiento y marcas de dientes antrópicas
- Clara Álvarez
- Análisis arqueofaunísticos en el sitio San Antonio 1 (curso inferior del Río Colorado, Argentina): estado de la cuestión
- Luciana Stoessel, Ana P. Alcaráz
- Propuesta clasificatoria para las materias primas líticas en Patagonia (Argentina)
- Jimena Alberti, M. Victoria Fernández
- Contribución a una carta arqueológica de la cuenca media del Limay
- Marcelo Vitores
- El registro zooarqueológico del Parque Nacional Monte León (Santa Cruz, Argentina): una perspectiva desde el sitio arqueológico Cabeza de León 1
- Sebastián Muñoz
- Una aproximación tafonómica al antiguo cementerio de la Misión Salesiana de Río Grande, Tierra del Fuego
- Pamela García Laborde, Ricardo A. Guichón, Nadia G. González
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- “Para labrar y poblar”… Prácticas minero-metalúrgicas en la Puna de Jujuy durante el Período Colonial (Siglos XVII y XVIII)
- Florencia Becerra
- Prácticas de preparación y consumo de maíz (Zea mays) de las poblaciones del Oeste de Tinogasta (Catamarca, Argentina) a través del estudio de residuos en vasijas cerámicas (Siglos III – XVI DC)
- Irene Lantos
- Manejo económico de camélidos en Antofagasta de la Sierra (Puna meridional argentina): una aproximación zooarqueológica e isotópica
- Jennifer L. Grant Lett Brown
- Análisis de los procesos de uso de artefactos líticos en sociedades cazadoras-recolectoras. Ocupaciones correspondientes a la transición Pleistoceno/ Holoceno, meseta central de Santa Cruz
- Manuel E. Cueto
- La organización de la tecnología lítica en el Noroeste argentino. Aproximación a través de experimentación, análisis tecno-morfológico y de microdesgaste por uso de palas y/o azadas líticas
- Susana Pérez
- Obituarios
- Jorge Roberto Palma (1948-2014)
- Lidia C. García
- Alicia Noemí Kurc (1949-2014)
- Myriam N. Tarragó
- Jorge Roberto Palma (1948-2014). A nuestro maestro
- Solange Fernández do Rio, M. Alejandra Llago, M. de las Victorias Villa
- Karina Menacho (1971-2014)
- María A. Zaburlín
- Rodolfo A. Raffino (1944-2015). El cóndor y el águila… El maestro en el camino
- Reinaldo A. Moralejo, Lidia A. Iácona, J. Diego Gobbo, M. Guillermina Couso, Aylen Capparelli
- Normas Editoriales
- Normas editoriales
- Comité Editorial
Vol. 21 (2015): Dossier
- Publicado: 2016-06-05
- Preliminares
- Índice
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Los modos de organización de las sociedades que habitaron en la Región Centro-Sur Andina durante los Períodos Intermedio Tardío y Medio
- Adriana Callegari
- Artículos
- Movilidad espacial, interacción y formaciones sociales en el Sur andino. El caso de Isluga y el sistema Altiplano-Precordillera
- Bosco González Jiménez
- Paisajes prehispánicos Tardíos en San Juan Mayo (frontera Argentina – Bolivia)
- Axel Nielsen, Carlos Angiorama, Juan Maryañski, Florencia Ávila, M. Laura López
- Organización social y asentamientos Intermedio Tardíos en el Valle de Santa María: problemas y vías de análisis
- Victoria Coll Moritan, Javier Nastri
- Dinámica social y estructuración del espacio en el sitio Las Pailas (Valle Calchaquí Norte, Salta) durante el Período Tardío
- Marisa Kergaravat, Alejandro Ferrari, Félix Acuto
- La complejidad social en Aguada. El caso del Valle de Antinaco, departamento de Famatina, Norte de la provincia de La Rioja (Argentina)
- Adriana Callegari, Gisela Spengler, M. Gabriela Rodríguez
- Evidencias de diferenciación social en contextos mortuorios del cementerio Aguada Orilla Norte (Valle de Hualfín, Catamarca)
- Marta I. Baldini, M. Carlota Sempé
- Comentarios
- Lecturas sobre la organización social indígena en los Andes Centro-Sur
- Inés Gordillo
- Normas Editoriales
- Normas editoriales
- Comité Editorial
Vol. 22 Núm. 1 (2016)
- Publicado: 2016-02-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Análisis histórico de una publicación científica especializada: pasado, presente y futuro de la Revista Arqueología a 25 años de su creación
- Débora M. Kligmann, Gisela Spengler
- Producción y lógica de la red vial incaica en el extremo septentrional del NOA
- Ester Albeck
- Monoambientes del pasado. Estrategias de reproducción social en unidades domésticas de Pueblo Viejo de Tucute (Puna de Jujuy, Argentina)
- Diego M. Basso, José L. Tolaba, María A. Zaburlín, M. Ester Albeck
- Morfometría geométrica y representaciones rupestres: explorando las aplicaciones de los métodos basados en landmarks
- Judith Charlin, M. Isabel Hernández Llosas
- Suelos antrópicos vs. naturales: La Costa 2 (Valle de Tafí, Tucumán)
- Jimena Roldán, Mario G. Maldonado, Silvana Urquiza, Marta Vattuone, M. Marta Sampietro Vattuone
- Elecciones técnicas para la manufactura alfarera de las sociedades del primer milenio (Dpto. Tinogasta, Catamarca)
- Anabel Feely, Sonia Quenardelle, Norma Ratto
- Iconografía andina en los procesos de integración y legitimación política de comunidades prehispánicas de las Sierras de Córdoba (Argentina)
- Sebastián Pastor, Luis Tissera
- Estudio arqueobotánico de los residuos orgánicos adheridos en alfarerías prehispánicas de la cuenca del Paraná medio
- de los Milagros Colobig, Flavia V. Ottalagano
- Notas
- Obsidianas en el Tardío-Inka de Antofagasta de la Sierra (Puna meridional argentina): ¿fondo de cuenca versus sectores intermedios?
- Patricia S. Escola, Alejandra M. Elías, M. Lorena Cohen
- Visitas en el tiempo. Tecnología lítica de una cueva con arte rupestre en el Este catamarqueño
- Enrique Moreno, Débora Egea
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Análisis de conjuntos líticos de superficie desde una perspectiva tafonómica. Estudios en la costa norte del golfo San Matías, Río Negro, Argentina
- Eugenia Carranza
- La cerámica de Pichanal 4. Un puesto pastoril Tardío de la Sierra del Cajón (Provincia de Catamarca)
- Daniel A. Rampa
Vol. 22 Núm. 2 (2016)
- Publicado: 2016-06-01
- Preliminares
- Índice
- Comité Editorial
- Artículos
- Análisis de las prácticas de producción y uso de los materiales líticos del sitio Empalme Querandíes 1 (cuenca superior del arroyo Tapalqué, región pampeana)
- María J. Colantonio, Nélida Pal, Pablo G. Messineo
- Estrategias indígenas de captura y manejo del ganado cimarrón en las Sierras Septentrionales bonaerenses: las construcciones de piedra Cerro Guacho I y Cerro Guacho II
- Victoria Pedrotta
- Distribución de núcleos en el sector central de la mesta de Somuncurá (Río Negro, Argentina). Relaciones entre la base regional de recursos líticos y el aprovisionamiento de materias primas líticas
- Darío O. Hermo, Enrique D. Terranova
- La tecnología lítica de la desembocadura del río Santa Cruz. Una aproximación desde el análisis de los conjuntos artefactuales de los Puntos 37 y 96 de Punta Entrada
- Daniela S. Cañete Mastrángelo
- Variabilidad tecnológica en sectores altos del centro-oeste de Santa Cruz durante el Holoceno Medio y Tardío
- Gisela Cassiodoro
- Los “aglutinadores” de territorios. Los Kaan, una dinastía beligerante
- Pablo Alberto Mumary Farto
- Nuevas perspectivas para la arqueología de la represión y la resistencia en el Brasil después de la Comisión Nacional de Verdad
- Inês Virgínia Prado Soares
- Notas
- Nuevos aportes a la arqueología de Formosa (Argentina): cronología del sitio arqueológico “El Quebracho”
- Guillermo N. Lamenza, Horacio A. Calandra, Susana A. Salceda
- Early social complexity at Bolas, Costa Rica: First year southern Costa Rica archaeological project (Scrap) results
- Laura J. Brodie, Scott D. Palumbo, Francisco Corrales Ulloa
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Tecnología cerámica de los cazadores recolectores pescadores de la microrregión del Río Salado, Provincia de Buenos Aires
- Magdalena Frère
- Del Valle a la Puna. Articulación social y económica entre los poblados prehispánicos tardíos y los asentamientos incas en la quebrada de Angastaco (Valle Calchaquí medio, Salta)
- Paula Villegas
- Consumo de maíz (Zea mays) en el Noroeste argentino prehispánico: un estudio paleodietario a través del análisis de isótopos estables
- Violeta A. Killian Galván
- Habitar una región. Espacialidad arquitectónica y construcción de paisajes en Andalhuala, valle de Yocavil (Catamarca, Argentina)
- Alina Álvarez Larrain
- Disponibilidad y explotación de fuentes de materias primas líticas durante el Holoceno medio y tardío en la costa del golfo San Matías, Río Negro, Argentina. Un enfoque regional
- Jimena Alberti
- Paleoambiente y sociedad durante el Holoceno en la Puna de Jujuy: un abordaje arqueopalinológico
- Brenda I. Oxman
- Estudio de las relaciones entre los grupos humanos y las poblaciones de camélidos en la Puna Seca durante el Holoceno: una aproximación a partir de los isótopos estables
- Celeste T. Samec
- Obituarios
- Pedro Miguel Salminci (1978-2015). Amigo y colega. Una semblanza colectiva
- Carlos Landa, Laura Panizo, Emanuel Montanari, Martina Pérez, Mara Basile
- Philippe Delcourt (1965-2015)
- Beatriz Ventura, Rodolphe Hoguin
- Lidia Baldini (1952-2016)
- Marina Sprovieri
- Normas Editoriales
- Normas editoriales
- Comité Editorial
Vol. 22 (2016): Dossier
- Publicado: 2016-10-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Pablo H. Mercolli
- Artículos
- Isótopos estables, movilidad y camélidos en sociedades agropastoriles tempranas de la Puna Meridional Argentina
- Jennifer Grant, Daniel Olivera
- El consumo de camélidos silvestres por parte de las poblaciones humanas de la Quebrada de Humahuaca, Pcia. de Jujuy, Argentina
- Pablo H. Mercolli
- Meteorización ósea en restos de guanaco y ñandú
- María A. Gutiérrez, Mariela E. González, María C. Álvarez, Agustina Massigoge, Cristian A. Kaufmann
- Restos arqueofaunísticos en un contexto de batalla: La Vuelta de Obligado
- Matilde M. Lanza
- Micromamíferos del sitio arqueológico Cueva Galpón (Río Negro, Argentina): Aspectos tafonómicos y reconstrucción paleoambiental para el Holoceno Tardío en Norpatagonia oriental
- Fernando J. Fernández, Pablo Teta, Emiliano Mange, Luciano Prates, Lucio González Venanzi, Ulyses F. J. Pardiñas
- Variaciones ecomorfológicas de las poblaciones de guanaco de Patagonia (Argentina)
- Lorena L’Heureux, Jimena Cornaglia Fernández
- Análisis morfométrico en Mytilus edulis: una herramienta para el análisis de los sitios concheros y la arqueología de la Costa Patagónica
- Patricia A. Lobbia
- Variabilidad en conjuntos zooarqueológicos tempranos del Macizo del Deseado (Santa Cruz, Argentina)
- Laura Marchionni
- Estudio de los restos arqueofaunísticos recuperados en el sitio Laguna del Telégrafo (costa norte de Santa Cruz)
- Miguel Ángel Zubimendi, Heidi Hammond, Sergio Bogan
- Análisis de restos de roedores del sitio arqueológico Las Vueltas 1, Tierra del Fuego, Argentina
- Fernando C. Santiago, Mónica Salemme, Ulyses F. J. Pardiñas
- Notas
- Determinación de edad y estacionalidad de muerte en dientes caninos de Otaria flavescens y Arctocephalus australis en Punta Entrada (desembocadura del río Santa Cruz, Argentina)
- Adriana Lucia Pretto
- Normas Editoriales
- Normas editoriales
- Comité Editorial
Vol. 23 Núm. 1 (2017): enero-abril
- Publicado: 2017-02-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Pastas cerámicas y muestras de arenas: comparación petrográ ca y aproximación a la obtención de materias primas en la cuenca sur de Pozuelos (Jujuy, Argentina)
- Josefina Pérez Pieroni
- Graves, beads, and trade in Northwest Argentina: a first ED-XRF characterization of very well-formed objects
- María M. Sampietro Vattuone, Susana Martínez Stagnaro, Rosario García Giménez, José L. Peña Monné, Jimena Roldán, Mario G. Maldonado
- Estudios arqueométricos de clavos procedentes de contextos funerarios de las ruinas de San Francisco (Mendoza, Argentina)
- Marcos Quiroga, Horacio Chiavazza, Gustavo Lascalea, Mariano Gurrito
- Patrimonios en el paisaje. La caracterización histórica del territorio y el patrimonio arqueológico del centro de la Provincia de Buenos Aires
- Carolina I. Mariano, M. Luz Endere, Laura Zulaica, Mercedes Mariano, M. Eugenia Conforti
- SIG arqueológico del Parque Nacional Bosques Petrificados de Jaramillo (Provincia de Santa Cruz, Argentina)
- Lucía A. Magnin
- Notas
- Nuevos datos zooarqueológicos de Rincón Chico 15, Valle de Yocavil (Catamarca, Argentina)
- Carlos R. Belotti López de Medina
- La antigüedad de la ocupación humana en el centro-oeste del Chubut: nuevos datos del valle del Genoa
- Vivian Scheinsohn, Silvia L. Dahinten, Julieta Gómez Otero, Florencia Rizzo, Sabrina Leonardt, Pablo Tchilinguirián, Ana G. Millán, Nora Kuperszmit, Mariela Carpio González, Beltrán Beroqui
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- La personhood en Aguada, una mirada desde el sitio de La Rinconada (Dpto. de Ambato, Catamarca)
- Carolina Prieto
- Fogones, hornos, cocinas y fuegueros de Cusi Cusi (puna de Jujuy). Análisis etnoarqueológico de las prácticas domésticas pastoriles vinculadas a las estructuras de combustión
- Jesica Carreras
- Tecnología lítica del noreste de Neuquén. Análisis del sitio Cueva Huenul 1 (Departamento Pehuenches, localidad Barrancas, Provincia de Neuquén, Argentina)
- Agustina A. Rughini
- Los límites sociales en los cazadores-recolectores del humedal del Paraná inferior. Un análisis de la decoración y el estilo en la alfarería
- Sheila Alí
- Aproximación al estudio de restos óseos humanos quemados y fragmentados en contextos forenses
- Analía A. González Simonetto
- Donde convergen los ríos. Una interpretación del paisaje agrícola de Casas Quemadas (quebrada de Pajchela, puna de Jujuy) durante el Período Tardío/ Inka (ca. 1450-1536 años D.C.)
- Laura Pey
- Estudio bioarqueológico y funerario de cuatro individuos procedentes del sector central de las Sierras de Córdoba (Rep. Argentina)
- Iván A. Díaz
- Reseñas bibliográficas
- La frontera sur de Buenos Aires en la larga duración. Una perspectiva multidisciplinar
- Silvana Buscaglia
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 23 Núm. 2 (2017): mayo-agosto
- Publicado: 2017-06-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Conjuntos cerámicos en contextos de interacción. Análisis diacrónico de la alfarería del sitio Los Viscos (Valle del Bolsón, Belén, Catamarca)
- Verónica Puente
- La alfarería del primer milenio AD de la Quebrada de Amaicha (Departamento Tafí del Valle, Provincia de Tucumán): aportes sobre sus aspectos tecnológicos y potenciales materias primas
- Marco N. Giusta
- Condiciones paleoambientales y ocupaciones humanas en el sitio Familia Primón (Coronda, Santa Fe): aportes desde la arqueopalinología
- Fernando Balducci, Silvina Garralla, Julieta Sartori
- Caracterización métrica y morfológica de las cuentas provenientes del área costera norpatagónica. Río Negro, Argentina
- Marcelo Cardillo, Florencia Borella
- Estudios de arqueología distribucional en Monte Loayza (Costa Norte de Santa Cruz, Patagonia)
- Miguel A. Zubimendi, Pablo Ambrústolo
- Notas
- Análisis paleodietario de individuos humanos procedentes del sitio arqueológico La Rinconada (Valle de Ambato, Catamarca)
- Inés Gordillo, Violeta A. Killian Galván
- Nuevas investigaciones sobre la tecnología ósea en el sudoeste de la Provincia de Buenos Aires. Procesos de manufactura y uso
- Romina Frontini, Myrian Álvarez, Mónica Salemme, Rodrigo Vecchi, Cristina Bayón
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Innovación tecnológica y conflicto naval en Europa Occidental, 1751-1815: aportes arqueológicos e históricos al conocimiento de la metalurgia y sus aplicaciones en los barcos de guerra
- Nicolás C. Ciarlo
- Huellas visuales, huellas materiales. Sitios y artefactos de indígenas patagónicos y fueguinos registrados en las fotografías tomadas durante la conformación y expansión del estado-nación argentino (desde fine del siglo XIX hasta mediados del siglo XX) y
- Ana Butto
- Estudio de los patrones de variación morfológica en restos humanos del Humedal del Paraná inferior. Inferencias acerca de las pautas de diferenciación social en sociedades cazadoras-recolectoras del Holoceno Tardío a partir de marcadores óseos de activida
- Bárbara Mazza
- Los vertebrados pequeños en la subsistencia de cazadores-recolectores: una evaluación zooarqueológica comparativa para Patagonia central
- Ariadna Svoboda
- Obituarios
- Ana María Lorandi (1936-2017)
- Verónica I. Williams
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 23 Núm. 3 Dossier (2017): septiembre-diciembre
- Publicado: 2017-10-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Paula D. Escosteguy, Romina Frontini
- Artículos
- Los ambientes acuáticos en arqueología
- Luciano Prates, Mariano Bonomo
- El registro arqueofaunístico del subtramo Norte de la margen izquierda del Paraná Medio (Corrientes, Argentina)
- Carolina V. Píccoli, Maite D. Martín, M. Carolina Barboza
- Tecnología ósea en la Depresión del Río Salado (provincia de Buenos Aires)
- Paula D. Escosteguy, Mónica C. Salemme, M. Isabel González
- El registro malacológico del sitio Puente de Fierro (provincia de Buenos Aires, Argentina)
- Romina Frontini, Cristina Bayón
- Peces y lobos en Punta Odriozola y Arroyo Verde. Evaluando la importancia de los recursos marinos en la costa oeste del golfo San Matías
- Federico L. Scartascini, Florencia Borella
- El aprovechamiento de vertebrados e invertebrados por cazadores recolectores en el estuario de la ría Deseado: el caso del conchero UNPA
- Heidi Hammond, Leandro Zilio
- El aprovechamiento de guanacos en la desembocadura del río Santa Cruz (Holoceno tardío)
- Sebastián Muñoz, Paloma Zárate
- Pautas de procesamiento y consumo de pinnípedos en la costa Sur de Tierra del Fuego e Isla de los Estados: un análisis comparativo
- María P. Martinoli
- El aprovechamiento de recursos faunísticos en la costa atlántica de Tierra del Fuego
- Maria Bas, Adriana M. Lacrouts
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 24 Núm. 1 (2018): enero-abril
- Publicado: 2018-02-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- La Banda de Arriba (Cafayate, Salta). Acciones de comunicación estratégica para vincular a los arqueólogos con los públicos objetivos
- Rossana Ledesma, Néstor Cruz
- Cambios en el paisaje en un valle del oeste catamarqueño durante el Holoceno tardío. Integrando arqueología, palinología y geomorfología
- Ana S. Meléndez, Julio J. Kulemeyer, Liliana C. Lupo, Marcos N. Quesada, María A. Korstanje
- Urnas en línea: estudio de un contexto funerario prehispánico registrado en un sector de las tierras bajas de Tucumán (Argentina)
- Gabriel E. Miguez, Mario A. Caria, Ana C. Muntaner, Lucía G. González Baroni, Rita A. Guerrero, María J. Barazzutti
- El uso de animales por las sociedades agropastoriles tempranas: análisis zooarqueológico de un basural de la aldea de Palo Blanco (valle de Fiambalá, Catamarca)
- Juan P. Miyano
- Cazadores-recolectores y pastores en los Andes (San Juan, Argentina): cambios en la organización tecnológica durante el Holoceno
- Silvina C. Castro
- Análisis faunístico del sitio Laguna de los Pampas (partido de Lincoln, región Pampeana). Aportes a los estudios de la subsistencia en el área Oeste de la Pampa Húmeda
- María C. Álvarez
- Investigaciones arqueológicas en el sitio Las Brusquillas 3 (Holoceno tardío, región Pampeana, Argentina)
- Agustina Massigoge, M. Natalia Rodríguez, Daniel J. Rafuse, R. Florencia Torino, Cristian Favier Dubois, Pamela G. Steffan
- Punzones de madera arqueológicos de Punta Medanosa (costa norte de Santa Cruz, Argentina)
- Laura Ciampagna
- Notas
- A orillas del Pirgua. Representaciones rupestres en el sitio Río Pirgua 1 (Guachipas, Salta)
- Pía Falchi, Marcelo A. Torres, Lucía A. Gutiérrez
- Primera aproximación al registro arqueológico del sector oriental del valle de San Antonio de los Cobres, Puna de la provincia de Salta (Argentina)
- Federico Restifo, Javier Piraino
- Cuentas ornamentales en un contexto de cazadores-recolectores de la provincia de Córdoba: análisis mineralógico y microestructural de la concha de “Borus”
- Gabriella M. Boretto, Sandra Gordillo, Andrés Izeta, Fernando Colombo, Marisa Martinelli, Roxana Cattáneo
- Entre lagunas y el mar: uso del espacio por cazadores-recolectores en un paisaje lagunar de la costa norte de Santa Cruz
- Heidi Hammond, Leandro Zilio
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- La producción laminar en la cuenca media y superior del río Santa Cruz (Patagonia)
- Lucas Vetrisano
- Variación métrica en puntas de proyectil del período Tardío de la Puna de Salta y Jujuy: contribución teórico-metodológica para el estudio de transmisión cultural
- María Vardé
- El aprovechamiento de la fauna en el interior del bosque durante el Holoceno temprano y medio. El caso del sitio Población Anticura (provincia de Río Negro, Argentina)
- Mercedes G. Fernández
- Zooarqueología de la transición prehispánica y posthispánica del sitio arqueológico Casa de Piedra de Ortega (Río Negro, Argentina)
- Ailín A. Guillermo
- Procesos de identificación y representaciones patrimoniales. En la trama de la restitución de dos momias guanches desde Necochea (Buenos Aires) hacia Tenerife (Islas Canarias), entre 2001 y 2004
- Valeria Elichiry
- Obra viva: estudio de la construcción y contexto de uso de una embarcación naufragada en el Río de la Plata en el siglo XIX
- Ana Castelli
- Desandar caminos, reconstruir saberes. Una aproximación arqueológica a la zona serrana y periserrana del partido de Tandil
- Selene Arislur
- Análisis de residuos orgánicos en tecnología cerámica durante el Holoceno tardío en el Centro-Oeste de Santa Cruz
- Cecilia del Valle Chaile
- Análisis de un sitio agrícola a través del uso de SIG: una nueva mirada sobre Bajo del Coypar I
- Cecilia Gentile
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 24 Núm. 2 (2018): mayo-agosto
- Publicado: 2018-06-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Análisis de técnicas de manufactura de alfarería prehispánica tardía en el Noroeste Argentino (siglos XIII-XVII d.C.). Una contribución del estilo Sanagasta/Angualasto del sito Tambería de Guandacol (provincia de La Rioja)
- Sebastián A. Carosio
- Análisis tecno-morfológico y morfológico-funcional de los conjuntos líticos tallados del sitio El Remate (Amaicha del Valle, Tucumán)
- Flavia M. Germano
- La Colección Zavaleta y su traslado al Field Museum de Chicago: una aproximación desde la vida social de los objetos
- Geraldine A. Gluzman
- Análisis exploratorio de la variabilidad de la cerámica de superficie en el sitio El Carmen 2 (valle de Santa María, Tucumán)
- Agustina Longo, Javier Nastri
- Cocinar y alimentarse en tiempos de conquista. Reconstruyendo paquetes culinarios a partir de análisis cerámicos y arqueofaunísticos (Mendoza, siglos XV-XVII)
- Leonardo Castillo, Emiliano Araujo, Horacio Chiavazza, Cristina Prieto-Olavarría
- Desgaste dental y hábitos dietarios en poblaciones arqueológicas del centro de Argentina
- Claudina V. González, Mariana Fabra
- Tafonomía de conjuntos arqueológicos en superficie: el caso de P 37 (desembocadura del río Santa Cruz), Patagonia meridional
- Daniela S. Cañete Mastrángelo, A. Sebastián Muñoz
- Paisajes rupestres. La identificación de patrones de producción y distribución de arte parietal en escalas espaciales amplias (Cañadón Yaten Guajen, Santa Cruz, Patagonia argentina)
- Dánae Fiore, Agustín Acevedo
- Los primeros objetos de adorno personal de la prehistoria reciente del poblado de Los Castillejos en Las Peñas de los Gitanos (Montefrío, España)
- Claudia Pau, Juan A. Cámara Serrano
- Notas
- Arqueología e historia en Aldea Beleiro (sudoeste de Chubut). Antiguos y nuevos habitantes de la cueva Casa de Piedra de Roselló y sus alrededores
- Analía Castro Esnal, M. Laura Casanueva
- Uso de imágenes satelitales para el reconocimiento de parapetos en el centro-oeste de Patagonia meridional
- Juan Dellepiane
- Aporte a la cronología de chenques tardíos del lago Salitroso (Santa Cruz, Argentina)
- Solana García Guraieb, Rafael A. Goñi, Rocío Guichón Fernández
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Arquitectura y asentamiento de las sociedades tardías del sector centro-norte del Valle de Vinchina, La Rioja
- Gisela Spengler
- Abordaje zooarqueológico de las prácticas de consumo en asentamientos de frontera de la Pampa Seca (fines del siglo XIX)
- Jimena Doval
- Desigualdad social en el período Tardío: manifestaciones espaciales y materiales en el poblado El Carmen 1, provincia de Tucumán
- Violeta Cantarelli
- La ocupación del bosque meridional neuquino durante la Anomalía Climática Medieval (800-1400 d.C.)
- Alberto E. Pérez
- Interacciones sociales, prácticas rituales y procesos de cambio durante los períodos Tardío e Inca (ca. 900- 1536 d.C.) en la cuenca de Ratones, Puna de Salta
- Federico I. Coloca
- Producción y distribución de cuentas de valva en el Holoceno tardío de Patagonia continental argentina
- Sabrina Leonardt
- Obituarios
- Recordando a Mariana E. de Nigris (1970-2017)
- Guillermo L. Mengoni Goñalons
- Mariana de Nigris (1970-2017)
- Teresa Civalero
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
- Vol. 24 Núm. 3 Dossier (2018): septiembre-diciembre
- Publicado: 2018-10-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Eugenia De Feo, Enrique Moreno, Lucía Magnin
- Artículos
- Los paisajes sociales del piedemonte nororiental de la Sierra de Velasco, La Rioja (siglos III-IX d.C.)
- Pablo Cahiza, Gabriela Sabatini, M. Lourdes Iniesta
- Arte rupestre, tiempo y espacio en La Damiana (Quebrada de Incahuasi, Salta, Argentina)
- Eugenia De Feo
- Aproximación preliminar a la simulación de la dispersión sonora en asentamientos arqueológicos
- Joaquín I. Izaguirre, Alejandro A. Ferrari
- Construcción, transformación y reproducción de paisajes campesinos. Aportes desde múltiples escalas
- Enrique Moreno
- Estrategias de asentamiento y movilidad en sociedades cazadoras- recolectoras-pescadoras del sector meridional de la costa atlántica fueguina
- Joan Negre, Ivan Briz i Godino, Nélida Pal, Myrian Álvarez
- El uso de Sistemas de Información Geográfica para el estudio de los sucesos de la Patagonia Rebelde en el noreste de Santa Cruz
- Miguel Á. Zubimendi
- Modelos de caminos óptimos entre la cuenca superior y media del río Santa Cruz (Santa Cruz, Argentina)
- Brenda L. Gilio
- Aplicación de tecnología LIDAR en El Shincal de Quimivil, Londres, Catamarca
- Reinaldo A. Moralejo, Diego Gobbo, Daniel Del Cogliano, Leandro Pinto
- Comentarios
- Tecnología e ideas usadas para el análisis espacial de paisajes arqueológicos en la Argentina
- María J. Figuerero Torres
- Protocolo abreviado para la publicación de Dossiers
- Protocolo abreviado para la publicación de Dossiers en la Revista Arqueología
- Comité Editorial
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 25 Núm. 1 (2019): enero-abril
- Publicado: 2019-02-01
- Preliminares
- Preliminares
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Prácticas de reducción de núcleos en Punta de la Peña (Antofagasta de la Sierra, Catamarca): un análisis de los distintos modos de trabajar las rocas en contextos de aprovisionamiento
- Federico M. Bobillo, Carlos A. Aschero
- El análisis estilístico de la cerámica para evaluar cambios y transformaciones sociales: Un ejemplo de la alfarería tardía local del sector centro-sur de Quebrada de Humahuaca (Jujuy, Argentina)
- Agustina Scaro
- Para usar en la cocina. Adquisición, producción y uso de artefactos líticos en la Estructura 1 de Cardonal (Valle del Cajón, Catamarca)
- Natalia Sentinelli, M. Cristina Scattolin
- El patrimonio arqueológico posthispánico del sur bonaerense a través de las colecciones
- Vanesa N. Bagaloni
- Procedencia, manufactura y uso de los materiales líticos en el sitio Laguna Cabeza de Buey 2 (centro de los pastizales pampeanos, Buenos Aires) durante el Holoceno medio y tardío
- Pablo G. Messineo, Nélida Pal
- Entre cerros y cañadones. Avances sobre el plano arqueológico del sitio Fuerte San José (Península Valdés, Chubut)
- Marcia Bianchi Villelli, Silvana Buscaglia, Paula D. Calandrón, Anabella G. Sellanes
- El uso de la fotointerpretación en la investigación de paisajes arqueológicos: el caso de estudio de una meseta andina colombiana
- Lorena Rodríguez Gallo
- El sarcófago de Amenirdis (Inv. -28104-). Apuntes en relación a su programa iconográfico y textual. Sitio de procedencia, datación y depositación
- Mariano Bonanno
- El estudio del espectáculo teatral griego antiguo a partir de las fuentes materiales: las pinturas en vasijas de los siglos V y IV a.C.
- Carolina Reznik
- Notas
- Microrrestos de vegetales cultivados y silvestres en fragmentos cerámicos. Primeras evidencias en el Centro Occidente argentino
- Cristina Prieto-Olavarría, Horacio Chiavazza, M. Gabriela Musaubach
- Reconstrucciones virtuales en 3D del repertorio cerámico de cazadores- recolectores de la costa nordeste del Chubut, Patagonia argentina
- Verónica Schuster, Mirsha Quinto Sánchez
- Grabados imperceptibles. Pisadas y paralelas del sitio Piedra Auque, Departamento Minas, noroeste de la Provincia de Neuquén
- Fernando E. Vargas, Adán Hajduk
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Estudio geoarqueológico de palimpsestos en las dunas de la localidad Sayape (San Luis, Argentina)
- Daniela Storchi Lobos
- La Arqueología y la Conservación sobre la cerámica arqueológica: comparación de teorías y metodologías adoptadas en Argentina durante los siglos XX y XXI
- Luciana Sosa
- El hábito de tallar el paisaje verde. Tecnología lítica en el sector septentrional de El Alto – Ancasti (Catamarca)
- Ignacio Gerola
- Tecnología lítica y petroglifos en Barrancas, Jujuy
- Patricio Kohan
- Anclaje en el espacio: un estudio sobre anclas recontextualizadas en la franja costera bonaerense
- Julieta Frère
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 25 Núm. 2 (2019): mayo-agosto
- Publicado: 2019-06-01
- Preliminares
- Preliminares
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Primer abordaje antracológico para el valle de Tafí (Tucumán, Argentina)
- María G. Aguirre, José L. Peña Monné, María M. Sampietro Vattuone
- Prácticas de labranza en el sur de Pozuelos (Puna de Jujuy, Argentina). Avances en el análisis de implementos agrícolas prehispánicos
- Carlos I. Angiorama, Valeria L. Franco Salvi, Alexis A. Coronel
- El manejo del agua en la cuenca inferior de Miriguaca (Antofagasta de la Sierra): diseño de red y tecnologías hidráulicas prehispánicas
- Lorena Grana, Marcos Quesada, Leticia Gasparotti
- Nuevos aportes para la delimitación de la base regional de recursos líticos de la provincia de Entre Ríos: relevamiento de afloramientos primarios y caracterización microscópica de rocas siliciclásticas
- Eduardo Apolinaire, Carola Castiñeira Latorre, Mariano Bonomo
- Cueva Alí Mustafá: un nuevo sitio arqueológico con ocupación temprana en las Sierras Orientales de Tandilia (Argentina)
- Diana L. Mazzanti, Gustvo F. Bonnat, Juan P. Donadei Corada, Gustavo A. Martínez
- Variaciones y continuidades: el uso de los recursos faunísticos en asentamientos indígenas del siglo XX en el centro-oeste de Santa Cruz
- Agustín M. Agnolin
- Nuevos artefactos en el “Nuevo Mundo”. La introducción de cultura material alóctona en contextos arqueológicos indígenas en Fuego-Patagonia durante el proceso de contacto (siglos XVI al XX)
- María J. Saletta, Dánae Fiore
- Aportaciones históricas y arqueológicas al estudio del proceso de estandarización en la industria ancorera de las potencias marítimas europeas del siglo XVIII
- Nicolás C. Ciarlo
- Ofidios terrenales y sobrenaturales, símbolos de poder de los ajawtaak de Kaan
- Pablo A. Mumary Farto
- ¿Adobes, terrones o bolas de barro amasado? Aportaciones para el reconocimiento arqueológico de las distintas técnicas constructivas que emplean módulos de tierra
- María Pastor Quiles, Franziska Knoll, Francisco J. Jover Maestre
- Notas
- Aportes a la Arqueología reduccional. El caso de Nuestra Señora de Ibitiracuá (Concepción de la Sierra, Misiones, Argentina)
- Amanda E. Ocampo, Alejandro Richard, Yamila Sastre, Soledad Candelario
- Death seasonality determination from pinnipeds teeth: the Cueva del Negro site case (Argentine Patagonia)
- Pablo Ambrústolo, Miguel A. Zubimendi, Enrique Crespo
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Debora M. Kligmann
- Poblamiento humano y uso del espacio en la meseta del Strobel (provincia de Santa Cruz). Un análisis sobre la variabilidad tecnológica durante el Holoceno
- Josefina Flores Coni
- Poblamiento holocénico y registro funerario en el Noroeste y Centro-Oeste de la Patagonia
- Florencia Rizzo
- El poblamiento del Archipiélago de los Chonos (43°- 47°S). Patagonia occidental, Chile
- Omar Reyes Báez
- Salud y enfermedad de las poblaciones arqueológicas de la Puna argentina durante el Periodo Tardío y Tardío-Inka (ca. 1000-1535 d.C.)
- Paula Miranda De Zela
- Modalidades de explotación, procesamiento y consumo de pinnípedos en la margen meridional de Tierra del Fuego
- María P. Martinoli
- Obituarios
- Amalia Sanguinetti de Bórmida (1931-2018)
- Silvana Buscaglia, Melisa Salerno, Luis Borrero
- Marina Marchegiani (1974-2018)
- Romina C. Spano, Valeria Palamarczuk, Alejandra D. Reynoso, Juan M. Estevez
- In Memoriam Héctor Mario Pucciarelli (1939-2018)
- Evelia E. Oyhenart, M. Antonia Luis
- Eleonora Mulvany (1947-2018)
- Mabel Mamani
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 25 Núm. 3 Dossier (2019): septiembre-diciembre
- Publicado: 2019-10-01
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Resultados y perspectivas del Séptimo Encuentro de Discusión Arqueológica del Nordeste Argentino
- Rodrigo Costa Angrizani, M. de los Milagros Colobig, Clara Scabuzzo, Alejandro F. Zucol
- Artículos
- Las fuentes documentales y el estudio de las prácticas alimenticias en sociedades cazadoras, recolectoras y pescadoras del litoral del río de la Plata durante el Holoceno tardío
- María F. Alonso, Fernanda Day Pilaría, María C. Paleo
- Identificación de microrrestos botánicos en vasijas guaraníes de la cuenca del río Paraná (Argentina)
- Rodrigo Costa Angrizani, M. de los Milagros Colobig, Alejandro F. Zucol
- Análisis antracológico preliminar del sitio arqueológico Cerro Farall (Diamante, Entre Ríos)
- Soledad Ramos, Carolina B. Silva, Mariana Brea
- Contextos geomorfológicos y tecno-económicos del registro arqueológico del bajo río Uruguay (margen izquierda). Resultados preliminares de nuevas prospecciones
- Andrés Gascue, Noelia Bortolotto, Daniel Loponte, Alejandro Acosta, Caroline Borges, Marcelo Fleitas, Agustina Fodrini
- Investigaciones arqueológicas en el tramo medio del río Uruguay. Aportes para la caracterización de los escenarios paleoambientales durante el Holoceno tardío
- Carola Castiñeira Latorre, Irina Capdepont, Rodrigo Costa Angrizani, Adriana Blasi, Eduardo Apolinaire, Alejandro F. Zucol, Marco Alvarez, M. Laura Maravilla
- Avances en la zooarqueología chaqueña. El sitio La Ilusión I (Chaco, Argentina)
- Luis M. del Papa, Guillermo Lamenza
- Determinación de sexo a partir de métodos cuantitativos en entierros humanos del sitio Los Tres Cerros 1 (delta superior del río Paraná, Entre Ríos)
- Agustina Ramos van Raap, Bianca Di Lorenzo, Clara Scabuzzo, Yamila Batalla
- Notas
- Reconstrucción gráfica de las formas cerámicas del sitio arqueológico RS- TQ-141, Cruzeiro do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil: enfoques preliminares
- André L. R. Soares, Murilo de Melo Penha
- Protocolo abreviado para la publicación de Dossiers
- Protocolo abreviado para la publicación de Dossiers en la Revista Arqueología
- Comité Editorial
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 26 Núm. 1 (2020): enero-abril
- Publicado: 2020-04-21
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Poder, reciprocidad y ordenamiento del cosmos en El Shincal de Quimivil (Catamarca, Argentina)
- Marco Giovannetti, María Cecilia Páez
- Estudio arqueométrico del proceso pirometalúrgico usado entre 1903 y 1913 para la extracción de cobre en la fundición Santa Florentina (Chilecito, La Rioja, Argentina)
- Nicolás M. Rendtorff, Martín E. Morosi, Eduardo L. Tavani
- Está que arde. Hornos de cocción cerámica del sitio La Cuestecilla, La Rioja. Análisis de las tecnologías de cocción
- Néstor Wachsman, Adriana Beatriz Callegari, Silvia de Acha, Daiana Marilé Soto
- El ambiente nativo en el norte de Mendoza, redes y modos de relación desde una comprensión indígena
- Luis Eduardo Mafferra
- El paisaje social del centro de Argentina durante la transición Pleistoceno-Holoceno (ca. 11000-9000 AP)
- Diego Rivero, Guillermo Heider
- Del botijo a la lechuza. La cerámica qom en el último siglo
- Aixa Vidal
- Tecnología ósea en el área Interserrana bonaerense (región pampeana, Argentina)
- María Clara Álvarez
- Impacto de la fauna exótica doméstica en la subsistencia humana en la cuenca superior del río Limay: la evidencia de Casa de Piedra de Ortega (Río Negro, Argentina)
- Ailín Guillermo, Fernando Fernández, José Cordero
- Situando las historias de la arqueología (desde Latinoamérica)
- Carlo Emilio Piazzini Suárez
- Notas
- El Qhapaq Ñan en el valle de Calingasta (San Juan)
- Alejandro García
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Biodeterioro de cerámica arqueológica de superficie, valle de Antinaco central, La Rioja
- Daiana Marilé Soto
- Tecnología lítica del Holoceno tardío en la estepa fueguina. Actividades de talla y decisiones tecnológicas en Avilés 3
- Sabrina Labrone
- Patrones de actividad y organización social de los grupos cazadores-recolectores de la cuenca del lago Salitroso, provincia de Santa Cruz (Argentina) durante el Holoceno tardío: un estudio de las modificaciones osteológicas (artropatías)
- Milena Constanza Morlesín
- Obituarios
- Francisco Raúl Carnese (1941-2019)
- Cristina B. Dejean
- Patricia Escola (1959-2019)
- Nora Viviana Franco
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
- Vol. 26 Núm. 2 (2020): mayo-agosto
- Publicado: 2020-07-15
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Primeras aproximaciones al registro zooarqueológico de Pajchela Núcleo, Puna de Jujuy: Un acercamiento a las prácticas de manejo y consumo de animales en un contexto agro-pastoril
- Jésica Carreras
- Rapsodia andina. Intertextualidad del tejer y el criar a inicios del segundo milenio (Antofagasta de la Sierra, Puna meridional argentina)
- Sara Lopez Campeny, Andrés Sebastián Romano
- Residir en contexto republicano en Antofagasta de la Sierra, Puna meridional argentina. Un abordaje desde la materialidad textil
- María Soledad Martinez
- La tecnología lítica del sitio Laguna La Vizcacha, sector centro-meridional del área Interserrana bonaerense
- Rocio Torino
- El conjunto de fauna menor del sitio La Modesta: un aporte al estudio de la subsistencia durante el Holoceno medio en la transición pampeano-patagónica oriental (Buenos Aires, Argentina)
- Ana Paula Alcaraz
- Imágenes, códigos y comunicación: un análisis del arte rupestre en el Extremo Sur del Macizo del Deseado (Patagonia, Argentina)
- Agustín Acevedo, Danae Fiore
- Explotación de guanacos por cazadores-recolectores durante el Holoceno medio en la costa sur de Tierra del Fuego (Argentina)
- Daniela Alunni, Martín Vázquez, Atilio Francisco Zangrando
- Arqueología de la esclavitud africana en la frontera uruguayo-brasileña: el caso de la Estancia de los Correa (Rocha, Uruguay)
- José María López Mazz, Carlos Marin Suárez, Juan Martín Dabezies Damboriarena, Carlos Tejerizo García
- Notas
- Restitución de los restos mortales encontrados en el cerro Yanquenao, provincia de Chubut
- María Magdalena Frere, Ana Margarita Aguerre
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Biogeografía humana y circulación de información en el norte de Neuquén. Un análisis arqueológico sobre la comunicación visual en grupos cazadores-recolectores del noroeste de Patagonia
- Guadalupe Romero Villanueva
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 26 Núm. 3 Dossier (2020): septiembre-diciembre
- Publicado: 2020-10-30
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Liliana M. Manzi, Judith E. Charlin
- Artículos
- La estela de Antymmer (CG 20098) y el surgimiento de nuevos sectores sociales intermedios en Abidos durante el Reino Medio egipcio
- Pablo Martín Rosell
- La estela de Paser en el Museo Egipcio de El Cairo (CG 34038)
- María Belén Castro
- La estela CG 20517 del rey Senaaib: un estudio de los problemas para su interpretación
- Leila Salem
- Ritual y materialidad en Abidos: la estela CG 20570
- Andrea P. Zingarelli
- Las colecciones arqueológicas egipcias del Museo Etnográfico “Juan B. Ambrosetti”: avances en su investigación
- Marina Marchegiani, Alejandra Reynoso, Gabriela Ammirati, Juan Manuel Estevez
- La investigación sobre el Antiguo Egipto en Brasil: balance, retos y perspectivas
- Marcia Severina Vasques
- Notas sobre los textos del ataúd de Esoeris en Montevideo: prosopografía
- Víctor Capuchio, Diego M. Santos
- Ver-se y ser visto. Una interpretación de las escenas de recompensa en la narrativa funeraria amarniana: la audiencia ‘habilitante’
- Silvana Yomaha
- La capilla funeraria de la tumba de Neferhotep (TT49): avances en el proceso de documentación
- Laura Iamarino, Elisa Neira Cordero, Valeria Ojeda, Gabriela Lovecky
- Diferenciación sexual y diferenciación social: su importancia en las variaciones morfológicas de los retratos de la Tumba Tebana 49, Egipto
- Judith E. Charlin, Liliana M. Manzi, Marcelo Cardillo
- Notas
- Neferhotep y la diosa de Occidente
- Mariano Bonanno
- Comentarios
- Comentario Crítico
- Eva Amanda Calomino
- Protocolo abreviado para la publicación de Dossiers
- Protocolo abreviado para la publicación de Dossiers en la Revista Arqueología
- Comité Editorial
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 27 Núm. 1 (2021)
- Publicado: 2021-04-02
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Redimensionando El Churcal: aportes sobre su estructuración espacial a partir de nuevos datos planimétricos y arquitectónicos (valle Calchaquí, Salta)
- Marina Sprovieri, Santiago Barbich
- Tras los sitios de los pioneros y algo más. Prospecciones en la llanura de Santiago del Estero (Argentina) y aportes a problemáticas de investigación regional
- Constanza Taboada , Carlos Ignacio Angiorama
- Grupos de interés, valores y significados del sitio arqueológico Intihuasi, provincia de San Luis, Argentina. Un análisis orientado a su gestión patrimonial
- María Luz Endere, María Gabriela Chaparro, María Vanesa Giacomasso
- Consumo y manipulación de plantas por parte de los grupos humanos que habitaron las sierras de Córdoba durante el Holoceno tardío (2707-383 años AP). Un aporte desde los microrrestos vegetales contenidos en tártaro dental humano
- Aldana Tavarone, María de los Milagros Colobig, Mariana Fabra
- Actualización de las investigaciones arqueológicas en el Espinal Nororiental: el sitio Arroyo Cululú 1 (AC1) (Esperanza, provincia de Santa Fe)
- Paula Elisabet Galligani, Fernando Balducci, Julieta Isabel Sartori
- Tecnología lítica e historia ocupacional en Cueva Huenul 1 (localidad Barrancas-Buta Ranquil, provincia del Neuquén, Argentina)
- Agustina Ayelen Rughini, María de la Paz Pompei, Karen Borrazzo, Ramiro Barberena
- Notas
- La Investigación Arqueológica en el Palacio San José – Museo y Monumento Histórico Nacional “Justo José de Urquiza” (Entre Ríos, Argentina)
- Sandra Guillermo
- Tecnología lítica en contextos guaraníes. Resultados del análisis de las colecciones “Isla Martín García” y “La Correntina”
- Franco Pazzi
- Circulación y uso de obsidianas en la costa norte del golfo San Jorge (provincia de Chubut, Argentina) durante el Holoceno tardío: primeros resultados
- Anahi Banegas, Julieta Gómez Otero, Alberto Enrique Pérez
- Listado y resúmenes de Tesis de Licenciatura de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Licenciatura de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Hacia una historia de la “Cueva de los Guanacos”. Una visión diacrónica del arte rupestre de Oyola 34 (Catamarca)
- Eugenia Inés Ahets Etcheberry
- Estrategias tecnológicas en grupos con economías mixtas: una aproximación desde el conjunto lítico de Boyo Paso 2 (Pocho, Sierras de Córdoba, Argentina)
- Imanol Balena
- El pasado pisado. Investigaciones arqueológicas en tecnología y tafonomía líticas de los cazadores recolectores de sierra Baguales, SO de Santa Cruz, Argentina
- Catalina Baliran
- Aprovechamiento faunístico durante fines del Holoceno medio y el Holoceno tardío al sur de la cuenca superior del río Santa Cruz: el caso de Río Bote 1
- María Victoria Fiel
- Caracterización y análisis de las representaciones rupestres de Aldea Beleiro, SO de Chubut, Patagonia argentina
- Lucia Gutierrez
- Introducción de ganado europeo en la Puna jujeña y su rol en las economías tradicionales. Zooarqueología del sitio histórico Antigal Laguna
- Julia Merler Carbajo
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Vol. 27 Núm. 2 (2021)
- Publicado: 2021-06-04
- Preliminares
- Preliminares
- Comité Editorial
- Nota Editorial
- Nota Editorial
- Comité Editorial
- Artículos
- Antigal Motaite: una aldea temprana en Abdón Castro Tolay (Barrancas), Puna de Jujuy
- Rodolphe Hoguin, Patricia Solá, Hugo D. Yacobaccio
- El aprovechamiento del carpincho (Hydrochoerus hydrochaeris) en los sitios Cerro Aguará y Barrancas del Paranacito (departamento General Obligado, provincia de Santa Fe)
- Ana Cecilia Servin
- Recursos orgánicos y objetos arqueológicos en la localidad Cerro La China: ilaciones a partir de las sustancias grasas
- Natalia Mazzia, Nora Flegenheimer
- Aproximación a la cronología de la pesca en el bajo de Sarmiento (Chubut, Argentina) a partir de la distribución de pesos líticos
- Julián Eduardo Moreno, Santiago Peralta González, Ariadna Svoboda
- Reflexiones sobre montículos, técnicas de procesamiento de alimentos y construcción de nichos
- Roberto Bracco Boksar, Christopher Duarte, Ofelia Gutiérrez, Mario Clara, Daniel Panario
- La delimitación de los espacios públicos en la necrópolis de Porta Vesuvio en Pompeya (Italia)
- Noemí Raposo Gutiérrez
- Notas
- Geoarqueología y conservación del patrimonio en la antigua ciudad de Quilmes (Tucumán, Argentina)
- Maria Marta Sampietro Vattuone, José L. Peña Monné
- Relevamiento del patrimonio histórico rural mediante fotogrametría (SfM-MVS) en la región pampeana argentina. “Primera Estancia” de Magdalena (Buenos Aires, Argentina)
- María Soledad García Lerena, Luciano López
- Prospecciones en la confluencia de los cañadones Caracoles-Pinturas. Santa Cruz, Argentina
- Mariana Sacchi Sacchi, Damian L. Bozzuto, Valeria Ucedo, Nicolás Maveroff, María Emilia Daldín, Agustina Papú
- Listado y resúmenes de Tesis de Doctorado de la FFyL, UBA
- Listado de Tesis de Doctorado de la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA
- Débora M. Kligmann
- Arqueología Histórica en contextos de trasformación urbana. El caso de Concepción de la Sierra (Misiones, Argentina). Entre la materialidad arqueológica y la patrimonialización de un pueblo misionero
- Amanda Ocampo
- Estrategias del uso del espacio intrasitio en cazadores-recolectores del Bajo de Sarmiento durante el Holoceno tardío (Chubut, Argentina)
- Santiago Peralta González
- Obituarios
- In Memoriam María Ester Albeck (1952-2020)
- Beatriz N. Ventura, Verónica I. Williams
- Normas Editoriales
- Normas Editoriales
- Comité Editorial
Biografia e Indivíduos na História | Ars Historica | 2015
LaborHistórico | UFRJ | 2015
LaborHistórico (Rio de Janeiro, 2015-) é uma revista quadrimestral on-line dos Programas de Pós-graduação em Letras Vernáculas (PPGLEV) e Letras Neolatinas (PPGLEN), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. Tem como foco estudos desenvolvidos a partir de fontes escritas nos quais se destaque o labor do pesquisador diante de seu material de trabalho.
Nessa temática, são bem-vindas contribuições de distintas áreas do saber, como Filologia (Crítica Textual), Linguística (sobretudo Linguística Histórica), Literatura, História e Paleografia.
Além da publicação de artigos, agrupados eventualmente em dossiês temáticos, a estrutura da revista prevê seções dedicadas a resenhas, traduções de textos clássicos e publicação de fontes primárias.
A revista aceita contribuições em português, galego, espanhol, italiano, francês ou inglês.
Periodicidade quadrimestral
Acesso livre
ISSN 2359-6910
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História Urbana: a configuração de um campo conceitual / Urbana / 2015
Ao definir o espaço de constituição do capitalismo e da modernidade, Fernand Braudel, em seu clássico Civilização Material, Economia e Capitalismo, não hesita em afirmar a cidade como o lócus de construção histórica desta modernidade. As cidades são, para este autor, como transformadores elétricos: elas aumentam as tensões, precipitam as trocas, removem a vida dos homens. São nascidas da mais revolucionária divisão do trabalho: campo de um lado, atividades urbanas do outro. A cidade é cesura, ruptura, destino do mundo. Ao surgir com a escritura ela abre as portas para a história; quando renasce na Europa no séc. XI a ascensão do continente começa, quando ela floresce na Itália, é o Renascimento. Tão importante quanto seu conceito de longa duração, muitas vezes referenciado entre historiadores e cientistas sociais, Braudel ao dar tamanha importância ao espaço e à cidade também pensou num conceito que desse conta da dinâmica que envolve a cidade e a história, a pouco citada longa dimensão. A vida da cidade está associada a um espaço de longa dimensão, de onde vêm seus homens, onde estão suas relações comerciais, cidades, vilas e mercados que aceitam os seus pesos e medidas ou suas moedas, ou que falam a sua língua dialetal (s.d.: 560- 1). De onde ela imperiosa, imperial e imperativamente tira seu sustento, sua mão-de-obra, seu exército industrial de reserva, seu poder. “No Ocidente, capitalismo e cidades, no fundo, são a mesma coisa”, afirma o historiador francês (s.d.: 586).
A cidade é um espaço de densidade teórica e temporal complexa, um objeto de saberes e de práticas que compõem imagens, memórias e ações diversas. Do ponto de vista temporal, como recorda Lepetit, ela é composta por uma complexidade e uma “pluralidade de tempos descompassados, cuja combinação gera mudança a cada instante”; além disso, os elementos de uma cidade têm idades diferentes. A rede viária é mais duradoura do que o loteamento, o lote dura mais do que as casas construídas nele, os vazios duram mais do que os cheios, as estruturas menos materiais duram mais que o construído (LEPETIT, 2001: 139). Assim como a Zaíra de Calvino, a cidade “se embebe como uma esponja dessa onda que reflui das recordações e se dilata”. Sua descrição que deveria conter todo o seu passado, entretanto, não o conta, “ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas (…)” (CALVINO, 1994: 14-15). Trata-se, portanto, de uma temporalidade e uma espacialidade com múltiplas subordinações e associações, que não se esgotam na descrição de seus processos morfológicos ou de suas realizações técnicas. A cidade vista como palimpsesto, como uma superposição de técnicas construtivas, estilos arquitetônicos ou ciclos econômicos é, para Lepetit, uma solução fácil, na qual a sua “compreensão se esgotaria no achado dos vestígios antigos sobre a escrita mais recente”. Uma atividade de antiquário, na qual a história seria capaz de contribuir muito pouco. Mais do que a observação empírica das transformações concretas da cidade, trata-se de dar “aos usos sociais da cidade a mesma atenção classificatória que se dedicou às formas urbanas” (LEPETIT, 2001: 140).
É da analogia das camadas geológicas presentes na configuração do espaço e do tempo histórico da longa duração tal como formulada por Fernand Braudel que Lepetit retira sua metáfora geomorfológica da cidade, como resultado do “rearranjo permanente de falhas múltiplas”, no qual as formas antigas são “constantemente retomadas pelas sociedades em novas construções”; uma rede de “realidades sobrepostas umas às outras” na qual as mudanças espaciais se operam num “jogo de atualizações sucessivas das formas passadas em combinações territoriais novas” (LEPETIT, 2001: 146). É da extensão territorial e temporal proposta por Braudel, ao tratar todo o mundo mediterrâneo em uma escala temporal de vários séculos como seu objeto, que Lepetit propõe a sua abordagem do urbano. Por isso uma relação dialética da memória com a cidade: por um lado a memória coletiva se apoia em imagens espaciais; por outro, os grupos sociais inscrevem na cidade suas lembranças, definindo um quadro espacial. O presente é o tempo no qual a vontade individual e a norma coletiva se defrontam e se ajustam. Ao trazer a análise teórica e metodológica da história para a cidade, Lepetit não diminui a escala continental de Braudel, mas atualiza esta escala para um espaço sintético das formações sociais e econômicas; “cada escala informa um nível de explicação particular” (LEPETIT, 1989: 1321).
A cidade é central, ainda, por ser o habitat do homem, esta “pátria artificial”, este “depósito de fadigas”, de que nos fala Aldo Rossi, resultante do trabalho e do engenho humanos, além de “testemunho de valores”, “permanência e memória”. “A cidade é na sua história” (2001: 22). A historicidade da cidade consiste em sua densidade espacial, temporal, material e teórica. Rossi não nos remete apenas aos edifícios, “momentos ou partes de um todo que é a cidade” (2001: 24), mas ao seu conhecimento concreto, em sua inteireza, para além da tipologia e da função. Sendo assim, ele propõe uma “visão globalizante da cidade”, uma “compreensão de sua estrutura” e verificação de suas sínteses, reconhecendo a sua construção “como uma estrutura complexa” (2001: 160-1). Rossi propõe o método histórico como aquele mais capaz de verificar qualquer hipótese sobre a cidade, por ser ela, “por si mesma, depositária de história”, tratando-a não apenas como artefato mas como texto, não apenas em sua materialidade mas com relação à “ideia que temos da cidade como síntese de uma série de valores” que concernem à imaginação coletiva (ROSSI, 2001: 194). O método histórico seria o único positivo porque “as cidades se oferecem a nós através dos fatos urbanos determinantes, em que é preeminente o elemento histórico” (ROSSI, 2001: 193).
Objeto de medo e fascínio desde o século XIX, quando se constitui um saber específico e que se pretende científico sobre ela, o urbanismo, a cidade produziu uma série de discursos que aspiram compor saberes competentes, uma imagem globalizante para a qual Michel de Certeau utiliza a certeira imagem da Nova Iorque vista desde o alto do World Trade Center, olhar destruído por acontecimentos trágicos e recentes. A cidade panorama é, para Certeau, um simulacro teórico, portanto visual, um quadro que depende do esquecimento das práticas. O deus voyeur que cria essa ficção só conhece cadáveres, deve se abster do obscuro entrelaçamento de condutas diárias (1990: 141). É abaixo, nos limiares onde cessa a visibilidade que vivem os praticantes ordinários da cidade. Nas marchas cotidianas da cidade os passantes escrevem um texto ilegível, disfrutam de um espaço invisível para eles; têm um conhecimento desse espaço tão cego quanto o corpo-a-corpo amoroso. Os elementos escapam à legibilidade, é como se uma ilusão (cegueira) caracterizasse as práticas organizadoras da cidade habitada. O cotidiano remete a práticas do espaço, ou operações que escapam a um espaço geometrizado, geográfico, de construções teóricas e panópticas, às totalizações imaginárias do olho. Essas práticas constituem operações (maneiras de fazer), uma outra espacialidade, uma experiência antropológica, poética e mítica do espaço. “Uma cidade transumante, ou metafórica, se insinua assim nesse texto claro da cidade planificada e legível” (1990: 142). A vida urbana e cotidiana restabelece o que o projeto urbanístico exclui em seu discurso totalizante e quase mítico. Se o discurso do poder se “urbaniza”, a cidade é dominada por movimentos contraditórios que se compensam e se combinam com o poder panóptico. São combinações de poderes sem identidade legível, sem transparência racional, impossíveis de se gerir (1990: 144-5). Por isso o historiador sugere o retorno das práticas da cidade e do cotidiano para a compreensão mas também para a fruição do urbano. A cidade conceito se degrada. Talvez elas deteriorem ao mesmo tempo em que os procedimentos que as organizaram. Os ministros do saber, que sempre supuseram o universo ameaçado pelas mudanças, transformam a desgraça de suas teorias em teorias da desgraça. Quando eles querem prender o povo no pânico de seus discursos, eles terão mesmo razão? (1990: 145).
Hoje nos defrontamos com outro desafio epistemológico, o que Melvin Webber e Françoise Choay, por exemplo, denominam o fim da era das cidades, a assunção de um mundo pós-urbano. Haveria, segundo Webber, uma deficiência da linguagem e uma visão anacrônica na maneira de pensar a cidade contemporânea. Faltam-nos termos adequados para descrever uma ordem social emergente. Supomos, por exemplo, que certos problemas da cidade são “problemas urbanos”, partindo do pressuposto de que essas cidades se organizam da mesma forma que as sociedades do passado. Buscamos soluções locais a problemas que não são locais, que não podem ser resolvidos no nível municipal. Governos definidos territorialmente não podem resolver problemas cujas causas não têm relação com o território ou a geografia. Conceitos e métodos de engenharia e planificação urbana para instalações físicas unitárias não podem servir para um projeto de mudança social de uma sociedade pluralista e móvel, onde a importância da distância geográfica e do lugar estão em declínio. Até agora, a organização social coincidiu com a organização espacial. Hoje, as distâncias e as restrições espaciais diminuem. Desaparecem as diferenças culturais e de informação entre o homem urbano e o rural. Desaparece também a distinção territorial entre urbanitas e ruralitas. Os menos integrados na sociedade moderna não são mais os ruralitas, mas determinados habitantes das zonas metropolitanas (WEBBER, 2004: 15- 16).
Seguindo os passos de Webber e Choay, Paul Virilio afirma que, se a metrópole ainda possui uma posição geográfica, ela não se confunde mais com a oposição campo / cidade ou centro / periferia. A oposição intramuros / extramuros dissipou-se com a revolução dos transportes e o desenvolvimento das telecomunicações. A interface da tela (computador, televisão) cria uma representação nova: o elemento arquitetônico vive em deriva, flutua em um éter eletrônico desprovido de dimensões espaciais, mas inscrito na temporalidade única da difusão instantânea. “O protocolo de acesso da telemática sucede o do portão” (2004: 10). Não há mais separação por obstáculos físicos, com a interfachada dos monitores e telas de controle o algures começa aqui e vice-versa. O espaço é formado agora por uma topologia eletrônica na qual a imagem digital renova a noção de setor urbano. À antiga ocultação público / privado e à diferenciação de moradia e circulação sucede-se uma superexposição onde termina a separação entre próximo e distante, assim como nas distâncias a separação entre micro e macro.
As tramas da tecnologia não se inscrevem mais no espaço de um tecido construído, mas nas sequências de uma planificação do tempo, cuja interface é entre homem / máquina e não mais entre homem / fachadas dos imóveis, superfícies e loteamentos. A cidade se tornou uma unidade de lugar sem unidade de tempo, sem distinção dia e noite, no novo regime de temporalidade das tecnologias avançadas. A demarcação urbana não se refere mais a um lugar, mas a um tempo inscrito na TV e na eletrônica. A forma urbana não é mais uma demarcação entre aqui e ali, mas uma programação de um “horário”. Apesar das promessas dos arquitetos pós-modernos, a cidade se encontra privada de portas mas os limites urbanos deram origem a uma infinidade de aberturas, rupturas e fechamentos igualmente constrangedores e segregativos (2004: 12). Estamos, pergunta Virilio, numa cidade sem portas? Onde ela começa? Ou estaremos no limite de uma porta sem cidade? (2004: 15)
“Graças aos satélites, a janela catódica traz a cada um dos assinantes, com a luz de um outro dia, a presença dos antípodas. Se o espaço é aquilo que impede que tudo esteja no mesmo lugar, este confinamento brusco faz com que tudo (…) retorne a esse lugar, a esta localização sem localização… o esgotamento do relevo natural e das distâncias de tempo achata toda localização e posição. Assim como os acontecimentos retransmitidos ao vivo, os locais tornam-se intercambiáveis” (2004: 13). Onde antes havia um teatro político da pólis, com a ágora e o fórum, hoje só resta uma tela catódica onde se agitam as sombras, os espectros de uma comunidade, onde o cinematismo propaga a última aparência de urbanismo, um urbanismo sem urbanidade, onde o tato e o contato cedem lugar ao impacto televisual. O espaço construído não é exclusivamente material, mas marcado pela proliferação de efeitos especiais que afetam a consciência de tempo e das distâncias, assim como a percepção do meio. Do ponto de vista do tempo e do espaço, das relações sociais, as telecomunicações e a sua imediatez fazem aquilo que não está presente ter prioridade sobre o aquilo que está presente (VIRILIO, 2004: 73). Isso representa o declínio da unidade de vizinhança e das políticas de organização territorial; declínio de um Estado nacional dividido entre reivindicações de autonomia interna e necessidades de alianças internacionais. Como caminhar pela cidade, que práticas de cotidiano serão possíveis neste espaço não mais definido decisivamente por seus limites espaciais, pela concretude das ruas e das fachadas?
Embora a estrutura da metrópole moderna continue dominando a imaginação social, as regiões metropolitanas não se adequam mais aos modelos clássicos. Há novas demandas de polinucleamento, que não seriam resultado de falta de planejamento ou espraiamento incontrolável das cidades, segundo Edward Soja, mas resultado de novas práticas sociais. Na era pós-metrópole, como define este autor, é cada vez mais difícil escapar da cidade, da condição urbana e da cidade como forma de vida ubíqua. Isso mudou também as formas como a cidade é modelada pela classe, raça e relações de gênero, cada vez mais complexas e opacas (2000: 238). O que ele denomina Exopolis. Exopolis pode ser definida como a cidade virada do avesso, mas também para fora, uma globalização da Inner City (centro degradado da cidade), que coloca as periferias no centro, redefinindo os conceitos de Outer e Inner City. O centro de Los Angeles, exemplo clássico de uma Exopolis, concentra os empregos na pós-metrópole policêntrica. No meio dos enclaves do lado este está a zona chamada Skid Row uma área urbana pobre com tabernas, bares baratos e hotéis dilapidados frequentados por delinquentes, alcoólicos e itinerantes. Os sem-teto provavelmente superam os moradores com casa e emprego da região, apesar das tentativas de gentrificação. O centro é um arquipélago de enclaves, mas continua sendo um polo de atração e nó de dispersão. Poucos centros revelam tão bem a cidade virada do avesso, núcleo e periferia entrelaçados no mesmo espaço e tempo como o de Los Angeles (2000: 254).
O espraiamento da ação e da ocupação espacial tem levado a uma luta por justiça espacial e uma nova consciência cultural e política, que pode ser chamada de democracia regional, representada pela aliança de trabalhadores pobres chamada Bus Riders Union, para defender os interesses dos dependentes do trânsito, sobretudo imigrantes pobres do centro. Ela luta contra a discriminação destes trânsitodependentes por políticas públicas que antes favoreciam apenas aos brancos de classe média, conflito de uma atualidade desconcertante para os que habitam as grandes cidades brasileiras. Nesse movimento há uma intersecção de raça, classe e gênero, com efeito na geografia da pós-metrópole, expandindo as noções tradicionais de direitos civis para políticas espaciais mais específicas, criando novas visões de cidadania democrática e direito à cidade. Na Exopolis se formaria uma nova política cultural que trata da desigualdade não focando nas lutas políticas definidas por rígidos canais de resistência baseados em classe, raça e gênero, mas por meio de alicerces transversais e inclusivos de solidariedade, consciência coletiva e construção de coalizões. Seria um giro cultural (cultural turn), uma luta cultural que substituiria uma política socioeconômica, com o objetivo não apenas de reduzir as desigualdades mas redefinir como as desigualdades de status e poder são utilizadas para alimentar exploração econômica, dominação cultural e opressão individual (SOJA, 2000: 279).
Um caminho que não é feito sem conflitos, como recorda Tereza Caldeira em trabalho já clássico sobre a segregação em uma das cidades mais exemplares neste aspecto, a São Paulo dos muros. Com o crescente medo do crime, a intolerância com os grupos sociais diferentes aumenta e não se tem interesse em procurar soluções comuns para os problemas urbanos. A solução encontrada pelas elites e pelos poderes públicos é sempre o distanciamento social nos enclaves fortificados. Uma cidade de muros se forma na qual a qualidade do espaço público piora enquanto se consolida a democracia; quanto mais democracia mais se resiste ao seu avanço pela criação de dispositivos de controle e segurança que separam, segregam e descompõem os espaços públicos por meio de estratégias privadas. A segregação pode ser vista como uma reação à democratização, pois serve para estigmatizar, controlar e excluir aqueles que acabaram de forçar seu reconhecimento como cidadãos e seus direitos (2003: 255).
Ao pensar um dossiê sobre a História Urbana, a Revista Urbana pretende ressaltar o caráter ineludivelmente histórico da compreensão do fato urbano, o método mais eficiente para a sua compreensão, segundo Aldo Rossi; não apenas como uma recuperação historiográfica dos fatos que condicionaram o desenvolvimento dito histórico desta ou daquela cidade, a sucessão de estilos arquitetônicos, mais ou menos imbricados no espaço da cidade, o repertório de diagnósticos e projetos urbanísticos, por vezes incompletos, mas pensar a própria historicidade de nossos conceitos de cidade, de sua definição como lugar da História, onde ela se faz, se escreve, se define com um texto próprio, mais ou menos legível seguindo Certeau. Considerada sempre em sua materialidade, nos usos cotidianos, na relação do corpo neste espaço e seus deslocamentos, a Carne e a Pedra de que nos fala Sennett, sem esquecer-se das estratégias de segregação que a compõem, pois não há cidade sem divisão do trabalho, portanto, não há cidade sem desigualdade; a cidade é campo de ação de um poder, como recorda Braudel, e todo poder se exerce num espaço. Ela impõe suas comodidades mas também a sujeição. Pois como recorda o Vocabulario Portuguez e Latino de Raphael Bluteau, de 1712, a cidade além de “uma multidão de casas, distribuídas em ruas e praças, cercada de muros”, é “habitada por homens que vivem em sociedade e subordinação”.
Referências
BRAUDEL, Fernand. Civilisation matérielle, économie et capitalisme. XVe-XVIIIe siècle. V. 1. Les structures du quotidien: le possible et l’impossible. Paris: Armand Colin, s.d.
BRESCIANI, Maria Stella Martins. Metrópoles: as faces do monstro urbano (as cidades no século XIX). Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH. 5(8 / 9): 35-68, set. / abr., 1984-1985.
CALDEIRA, Tereza Pires do Rio. Cidade de muros. Crime, segregação e cidadania em São Paulo. Trad. port. 2. ed. São Paulo: Edusp, 34, 2003.
CALVINO, Italo, As cidades invisíveis. Trad. port. Diogo Mainardi. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
CERTEAU, Michel de. L’invention du quotidien, v. 1, Arts de Faire. Paris: Gallimard, 1990.
CHOAY, Françoise. O Reino do Urbano e a Morte da Cidade. Projeto História. Trad. port. Eveline Bouteiller Kavakama. São Paulo: Educ, 18: 67-89, maio, 1999.
LEPETIT, Bernard. Tentons l’expérience. Annales ESC. Paris, 6: 1317-1323, nov. / dec., 1989.
__________. Por uma nova história urbana. Org. Heliana Angotti Salgueiro. Trad. port. Cely Arena. São Paulo: Edusp, 2001.
ROSSI, Aldo. A Arquitetura da Cidade. Trad. port. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
SENNET, Richard. Carne e Pedra. O Corpo e a Cidade na Civilização Ocidental. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.
SOJA, Edward. Postmetropolis. Critical Studies of Cities and Regions. Oxford, UK: Blackwell, 2000, pp. 233-321.
VIRILIO, Paul. O Espaço Crítico e as Perspectivas do Tempo Real. Trad. port. São Paulo: 34, 2005.
WEBER, Melvin. La Era Postciudad. In: VV. AA. Lo Urbano en 20 Autores Contemporáneos. Barcelona: ETSAB, UPC, 2004, pp. 13-23.
Amílcar Torrão Filho – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e-mail: amilcartorrao@uol.com.br
TORRÃO FILHO, Amílcar. Editorial. Urbana. Campinas, v.7, n.1, jan / jun, 2015. Acessar publicação original [DR]
Another Black Like Me: the construction of identities and solidarity in the African diaspora / Nielson R. Bezerra
Another Black Like me, editado por Elaine Rocha e Nielson Bezerra, discute a questão racial, na América Latina e no Caribe, a partir da perspectiva dos negros, sejam estes escravizados ou descendentes de pessoas que passaram pelo cativeiro. Para tanto, os autores ressaltam que é de negros, e não de afrodescendentes, que estão tratando. E o fazem como forma de pontuar e trazer para o debate as complexidades e subjetividades às quais a percepção da negritude esteve submetida, desde o início da diáspora africana até os tempos atuais. Procurando contemplar uma ampla gama de recortes temporais e conceituais, o livro abrange temáticas diversas, que vão, desde o gênero até a resistência, passando por questões ligadas à territorialidade, mobilidade espacial, abolicionismo e identidade.
Esse livro é fruto do esforço de seus dois editores em unir perspectivas e abordagens, das mais diversas, acerca da diáspora africana na América Latina. Oferecendo uma abordagem sólida para tais questões, essa obra consegue agregar artigos que dialogam e fazem sentido quando unidos. Os pesquisadores ora reunidos, apesar de oriundos de diferentes instituições e formações, convergem em uma direção que dá sentido à obra, que é o que toda coletânea precisa (e deveria) ter.
Como é de se esperar em um trabalho feito a muitas mãos, as fontes utilizadas são das mais diversas. Destaco o uso de relatos de viajantes que, nessa obra, servem a diferentes análises. Ygor Rocha Cavalcante os utiliza para identificar os locais de esconderijo dos escravos fugidos bem como para visualizar o cotidiano das localidades por ele analisadas; já Luciana da Cruz Brito acessa tais relatos como forma de analisar a percepção internacional sobre a mítica democracia racial brasileira. Além de tais fontes, o livro ainda apresenta trabalhos que contam com o uso da literatura, história oral, fontes processuais, registros cartoriais, entre outras.
Another Black Llike me nos leva, então, do Brasil à Porto Rico, passando pelo Caribe Britânico e, de volta à África, até Gana. Apesar do livro não possuir nenhuma divisão em partes ou seções, ao lê-lo, consigo identificar dois eixos norteadores do trabalho. Estes correspondem, também, a uma divisão temporal, que pode ser marcada pelo progressivo fim do escravismo nos países da América Latina. Dois momentos, por assim dizer, que se organizaram de diferentes maneiras, nas diferentes sociedades ora abordadas, mas que guardam convergências e similaridades e permitem aproximação em uma única obra.
Dessa forma, esse livro apresenta um primeiro eixo, que corresponde a uma América Latina pós-escravista, que precisa lidar – tanto política, como social e economicamente – com suas questões raciais, suas desigualdades e pertencimentos. E um segundo eixo, que trata dos séculos XVIII e XIX, correspondente ao período escravista da América Latina. Lidando com resistências, construções de identidades e com o abolicionismo, esse segundo eixo trata, principalmente, do Brasil e dos desdobramentos das questões afro-brasileiras.
Analisando o livro nessa chave de leitura, o primeiro eixo que identifico, neste trabalho, compreende os quatro primeiros artigos, de autoria de Elaine Rocha, Ronald Harpelle, Victor C. Simpson e Rhonda Collier. Rocha debate a identificação dos afrodescendentes na América Latina, seja ela imposta ou escolhida. A autora discute questões ligadas à identificação racial, e às formas como essa identificação foi (e tem sido) utilizada, tanto de forma positiva, quanto de forma negativa. Harpelle lida com os grupos de descendentes de africanos na América Central que, na metade do século XX, não sabiam quais eram suas origens, que também não eram conhecidas pelas autoridades britânicas que, no século anterior, controlaram a imigração para muitas das ilhas Caribenhas, de onde a maior parte dos imigrantes saíram para a América Central continental. Simpson delineia a taxonomia racial em Porto Rico e no Caribe Anglófono, buscando, na experiência histórica da diáspora africana e do domínio colonial europeu, as raízes que, depois de séculos de interação, dominação e exclusão, deram origem às designações de cor naquelas localidades. Assim como em grande parte da América Latina, tais denominações não se resumem apenas a negro e branco, possuindo uma enorme gama de outras gradações entre essas duas. Tais divisões não se resumem apenas a tons de pele, sendo influenciadas por questões sociais e econômicas. Collier examina as condições de vida de mulheres cubanas, de ascendência africana, no século XX, enfatizando as dificuldades pelas quais passam, devido à cor de sua pele, e as consequências que os estereótipos por elas enfrentados trazem para suas vidas, como a pobreza e a prostituição. Muitas dessas mulheres são o único sustento de suas famílias, o que as empurra ainda mais fundo para essas condições.
Neste primeiro momento do trabalho, destaco o artigo de Rhonda Collier. Analisando as duras condições sociais às quais uma grande maioria de mulheres cubanas foi submetida, no final do século XX, com a queda da União Soviética e as dificuldades econômicas enfrentadas por Cuba, Collier aponta que a única saída que muitas encontravam, para sobreviver e prover a sobrevivência de suas famílias, era a prostituição. Isso gerou um estereótipo relacionado às mulheres cubanas de ascendência africana, que persiste até os dias de hoje.
A autora explora obras de poetisas cubanas, em fins do século XX, que denunciavam as condições às quais tais mulheres eram expostas, bem como o fato de que a revolução socialista, em Cuba, teria feito com que a pobreza levasse, cada vez mais, mulheres para a prostituição. Em oposição à prostituta, que se havia tornado peça de mercado, no turismo cubano, a figura que deveria emergir em seu lugar seria, então, a da mãe, valorizando o país, enquanto pátria que nutre seus filhos e filhas. A África seria, nessa visão, a mãe, na qual Cuba deveria se espelhar. Collier demonstra, nesse artigo, como a identidade da mulher cubana foi palco de disputas, por representatividade e reconhecimento, bem como por participação social e econômica.
O segundo eixo do livro, por sua vez, está articulado em torno das questões ligadas à escravidão, sem perder de vista o foco nas identidades e representações dos negros nas sociedades. Esse segundo momento do trabalho conta com cinco artigos, escritos por Flávio dos Santos Gomes, Ygor Rocha Cavalcante, Nielson Rosa Bezerra, Luciana da Cruz Brito e Marco Aurelio Schaumloeffel. Gomes analisa as experiências de fugas, nas fronteiras do Brasil colonial e da Guiana Francesa, nos séculos XVIII e XIX, atentando para as trocas culturais atlânticas, as experiências coletivas e as formas de resistência delas advindas. O autor enfatiza que as fronteiras coloniais não estabeleciam limites para tais trocas, demonstrando que as ideias circulavam entre os escravos, possibilitando, além das fugas, a migração ou a formação de mocambos, comunidades de escravos fugidos. Cavalcante também trabalha com a questão espacial, ao examinar a resistência escrava na fronteira amazônica do século XIX. Numa região marcada pelo povoamento indígena – nas regiões afastadas das cidades, pela interação entre indígenas e mestiços livres ou vivendo em diversas formas de dependência, e também pelo cultivo e preparo da borracha, atividade que exigia mobilidade – o trabalho escravo se organizava de maneiras diferentes daquelas encontradas no Sul e Sudeste, e até mesmo das regiões açucareiras do Nordeste. Dessa forma, a ação dos escravos e suas experiências acumuladas também se organizam de maneira própria. Bezerra analisa a trajetória de Mohammed Gardo Baquaqua, africano apreendido na África Ocidental e vendido como escravo, no século XIX, que, após uma verdadeira odisseia atlântica, com passagem pelo Brasil, Estados Unidos, Haiti e Canadá, conseguiu a liberdade, estabeleceu-se nos Estados Unidos e lá escreveu suas memórias, em forma de relato autobiográfico. Bezerra examina, então, a mobilidade espacial e a sociabilidade de Baquaqua, bem como seu relato, a fim de demonstrar como as pessoas escravizadas lidavam com os limites impostos pela escravidão. Brito analisa as perspectivas dos abolicionistas, dos Estados Unidos do século XIX, no tocante às relações raciais no Brasil. A autora aponta como o mito da democracia racial afetou a visão que se tinha sobre os direitos e o tratamento dado aos ex-escravos no Brasil, mostrando como tal mito espalhou-se e ganhou força mundo a fora, sendo utilizado como argumento, em querelas referentes aos direitos das pessoas de ascendência africana. Schaumloeffel encerra o livro, analisando a diáspora afro-brasileira, na África, com o caso dos Tabom em Gana. Esse grupo era formado por brasileiros descendentes de africanos que decidiram, espontaneamente, imigrar para a África, bem como por outros que, após se revoltarem, foram banidos para a África Ocidental. O autor toca nas questões relativas à formação de identidade desse grupo, bem como sua organização familiar política.
O artigo de Nielson Bezerra merece destaque, por demonstrar um exercício metodológico bastante interessante, ao preencher as lacunas da vida de Baquaqua com uma perspectiva historiográfica, a fim de entender o contexto brasileiro vivido por aquele africano. É importante notar, que o foco de Bezerra é o período que Baquaqua passou no Brasil, vivendo nas províncias de Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande. Assim, esse artigo não apenas descreve a vida de Baquaqua e o que pode ser encontrado em seu relato autobiográfico, como também analisa as relações escravistas, naquelas províncias, e seu impacto na vida dos africanos escravizados.
O uso de biografias de africanos, como fonte, é algo bastante recorrente na historiografia sobre a escravidão na América do Norte. Para o caso brasileiro, entretanto, o relato de Baquaqua é, até o momento, o único encontrado. Nesse sentido, o artigo de Bezerra pode servir, também, de reflexão, para pensarmos em outras formas de analisar trajetórias de africanos e africanas no Brasil: na ausência de relatos autobiográficos, a historiografia brasileira vem reconstruindo essas histórias, a partir de diversos tipos de fontes, como registros cartoriais, policiais e eclesiásticos. Convergir essa metodologia, com a análise feita por Bezerra, pode ser um exercício metodológico interessante.
Another Black Like Me pode ser lido, então, como um bom exercício de história social. Com sólido embasamento nas fontes, todos os nove artigos apresentam perspectivas que possibilitam compreender as pessoas escravizadas e suas descendentes como sujeitos ativos, ainda que limitados, por suas condições sociais, políticas, econômicas e históricas. Além disso, é um livro que lida com a identidade dos africanos e seus descendentes, entendidos no contexto da diáspora, no interior das formações e transformações de suas identidades, entendidas no contexto da longa história do negro na América Latina.
Daniela Carvalho Cavalheiro – Doutoranda em História Social da Cultura/UNICAMP. Campinas/São Paulo/Brasil. E-mail: daniela.cavalheiro@gmail.com.
BEZERRA, Nielson Rosa; ROCHA, Elaine (Org.). Another Black Like Me: the construction of identities and solidarity in the African diaspora. Newcastle upon Tyne, UK: Cambridge Scholars Publishing, 2015. 230 p. Resenha de: CAVALHEIRO, Daniela Carvalho. Identidades em questão: escravidão, liberdade e pertencimento no mundo atlântico. Outros Tempos, São Luís, v.12, n.19, p.268-272, 2015. Acessar publicação original. [IF].
O primeiro Duque de Palmela: político e diplomata. Lisboa: D. Quixote, 2015 / Maria de Fátima Bonifácio
Após a sua já consagrada Apologia da história política2 publicado pela Quetzal em Lisboa, Maria de Fátima Bonifácio3 publicara já uma série de estudos no âmbito de uma defesa da História Política e de suas perspectivas de análise. Com vista a críticas de uma história das estruturas, “invisível” e “profunda”, defende em sua apologia as formas e os métodos da História Política, ao mesmo tempo em que passa a oferecer ao público acadêmico estudos de biografia política de destacadas figuras portuguesas, desde os finais do século XVIII e todo o século XIX. Fora com esse ímpeto que em 2002 publica A segunda ascensão e Queda de Costa Cabral, 1847-1851 e em 2013, pela Editora D. Quixote, uma extensa análise em Um homem singular – biografia política de Rodrigo da Fonseca Magalhães, 1787-18584. O seu estudo já conhecido e reeditado várias vezes sobre D. Maria II5 também entra na lista de sua bibliografia sobre biografias de personalidades políticas, sejam elas envoltas nas tentativas de instituição de um liberalismo em Portugal ou mesmo nos períodos posteriores ao “radicalismo” vintista, setembrista e cabralista.
Em 2006, pela Quetzal, escreve um longo posfácio à edição portuguesa de Correspondência Madame de Staël e Dom Pedro de Souza6, organizada e comentada por Béatriz d’Andlau7. Neste posfácio levanta já alguns dos fatos que seriam retomados na edição das Memórias do Duque de Palmela8, transcritas e editadas por ela e que, num detalhado prefácio, analisa a trajetória do diplomata, tendo atuado em Londres, Madrid e no Congresso de Viena (1815). Esse prefácio, acrescido de mais um capítulo, fora reediado pela Editora D. Quixote e é agora publicado com o título O primeiro Duque de Palmela- político e diplomata em edição de junho de 2015, objeto desta resenha.
No texto, analisa a trajetória política e biográfica do primeiro Conde, primeiro Marquês e primeiro Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein. Nascido em Turim em 1781, descendia de membros da alta aristocracia portuguesa, da Casa Palmela,9 tendo desempenhado uma ascendente carreira diplomática10, desde Conselheiro de embaixada em Roma (1802-1805), Ministro em Cádiz (1810-1812), embaixador em Londres (1812), representante português no Congresso de Viena (1815), dentre diversos outros cargos de grande representação política e social, tendo sido Secretário de Negócios Estrangeiros e da Guerra por diversos períodos.
O texto divide-se em três partes: (I) Vocação e caráter de um conservador liberal, (II) Em luta pela liberdade portuguesa e (III) Em busca de um “partido moderado e médio”; esses foram resgatados do prefácio que a autora havia publicado em Memórias do Duque de Palmela11. Em “o capítulo que falta”, Maria de Fátima Bonifácio detalha aquele que, segundo sua análise, fora um dos principais desafios do ministro português: a abolição do fatídico Tratado de Amizade, Comércio e Navegação luso-britânico de 181012 e a aprovação de outro tratado que seria colocado em ratificação apenas em 1842. O livro encerra-se com uma detalhada cronologia da vida política e pessoal de D. Pedro, de 1781 à sua morte por pneumonia dupla, em 12 de outubro de 1850.
O ambiente internacional de formação de D. Pedro envolve um período de conturbações importantes de finais da era moderna. A conjuntura após a Revolução Francesa que se desdobra, dentre outras coisas, em movimentos de controle e de fortalecimento das Monarquias, temerosas de contestações de tal calibre, encontra terreno para movimentos reformistas e de algumas reorientações no campo político internacional. No caso português, que vivia na órbita de aproximação e conflito entre ingleses e franceses, a ascensão de Napoleão e a definição clara de sua linha de atuação na Europa, antibritânica, encurrala em perigosas negociações as tomadas de posição da Coroa Lusa. Os desdobramentos do Bloqueio Continental (1806) e do ultimatum de Napoleão ao Príncipe Regente D. João VI (julho de 1807) pelo cumprimento ou guerra com o exército francês, que culmina na transferência da família real ao Rio de Janeiro (novembro de 1807), serão eventos chave para os movimentos que se seguiram e que seriam colocados pelos representantes portugueses no Congresso de Viena (1814-1815)13.
A atuação de D. Pedro de Sousa no Congresso de Viena fora, para um jovem diplomata de 33 anos, o início de uma consagrada carreira nos orbes europeus. Chega a Viena em 27 de setembro, antes do “início”14 do Congresso e passa a apurar os estados das negociações. Os problemas que pareciam postergar as atividades congressuais apontavam, dentre outras coisas, ao direito de voto das potências, sendo que inicialmente Portugal estava fora deste seleto grupo15. Após longas conversas e ofícios enviados, D. Pedro consegue16 que Portugal fosse alçado ao pé de igualdade das demais grandes nações europeias: Rússia, Prússia, Suécia, Inglaterra, Espanha e Áustria.
O fantasma de Napoleão rondou o Congresso no seu andamento e somente após a chegada das notícias de Waterloo (18 de junho) que a tranquilidade se instalou nos ministros, depois da assinatura do “Ato Final”. Estes representavam quase todos os Estados e principados europeus, até os que não eram reconhecidos por alguns chefes, sendo que muitas destas questões foram colocadas em resolução. O ambiente era de total cosmopolitismo e de ostentações, festas e vaidades, com os mais importantes chefes das nações europeias17; D. Pedro circulava com total liberdade pelos principais salões de Viena, correspondendo-se com os mais importantes ministros acerca das pautas portuguesas, além de aumentar consideravelmente seu círculo de contatos, essencial para sua carreira ao retornar a Portugal.
As principais questões colocadas por D. Pedro de Sousa e os demais ministros, como o Caso da Guiana, não resultaram em grandes modificações do que já ficara acordado entre França e Inglaterra no tratado de Paris (1814); no entanto, os plenipotenciários portugueses além de D. Pedro, como Antonio Saldanha da Gama e Joaquim Lobo da Silveira, conseguiram que as definições fronteiriças entre a Guiana e a América portuguesa ficassem definidas na linha do Rio Oiapoque18. A questão da abolição da escravatura, colocada sobre forte pressão britânica19, e do tráfico de escravos ficara limitada ao norte da linha do Equador, o que provocara, na então ex-colônia e agora Reino Unido20, elevação aprovada em Carta de Lei de dezembro de 1815 no próprio Congresso, do preço médio dos escravos vindos da África, principalmente nas províncias do Norte do Brasil21. Em torno das indenizações que a França deveria pagar aos Estados lesados, Portugal não saíra com grandes quantias e, segundo Ana Faria22, a participação fora tão baixa quanto da Suíça e Dinamarca.
Uma das principais questões portuguesas no Congresso seria a restituição de Olivença pelos Espanhóis. Após o Tratado de Badajoz de 1801, que pôs fim a chamada Guerra das Laranjas e que deu ao espanhóis a soberania de Olivença desde o Rio Guadiana e suas possessões, que essa questão se arrastava pelos campos diplomáticos. Em 1808, já no Rio de Janeiro, D. João VI denunciara o tratado que seria, por D Pedro de Sousa, quando enviado a Cádiz (1810), retomado às negociações que, dentre outras coisas, determinava a devolução de Olivença aos portugueses; no entanto, este acordo não fora cumprido e não figurava no Tratado de Paris. Em Viena, dado o reconhecimento das demais nações da soberania portuguesa sobre Olivença, fora adicionado ao tratado um artigo que definia a devolução em favor de Portugal23. Por mais que a Espanha tenha reconhecido, à época, a soberania portuguesa, a devolução nunca veio a acontecer.
No entanto, a coroação da brilhante carreira de D. Pedro de Sousa aconteceria logo em seguida ao Congresso de Viena, com o seu envio como embaixador em Londres. Desde esse momento, o nome Palmela já era, mais que antes, conhecido e admirado na Europa24. A partir desse momento, mais particularmente após o movimento vintista e sua passagem pelo Brasil (1820), passa a ser uma importante figura de conciliaçao nacional.
Sempre a buscar um partido moderado e a simbiose dos diferentes interesses postos no jogo político, D. Pedro será figura-chave nas querelas pela coroa portuguesa após o Vintismo, sendo que suas raízes aristocráticas o farão25 ao mesmo tempo lutar pela soberania de D. Maria II e também ser alvo, em diversos momentos, da ira dos Miguelistas, mesmo depois de derrotados. A sua tentativa progressista de compor ministérios com ambas as partes, vistas como conciliatórias, foram rechaçadas e sua tomada de partido sempre colocada sobdúvida.
As ambiguidades do primeiro Duque de Palmela, sempre a ostentar “a gala da sua independência partidária”, acabaram por torná-lo mal visto até mesmo pela Rainha, acabando por isolá-lo do círculo palaciano. Conforme Maria de Fátima, no final de seu texto, apesar dos revezes de sua trajetória política, fora o único ministro português conhecido em todos os palácios europeus e sua casa uma das mais ricas e reconhecidas casas aristocráticas do Reino; de seu tempo, fora um dos mais representativos agentes da história portuguesa.
Notas
- Resenha submetida à avaliação em junho de 2015 e aprovado para publicação em novembro de 2015.
- BONIFÁCIO, Maria de Fátima. Apologia da história política: estudos sobre o século XIX português. Lisboa: Quetzal Editora, 1999.
- Com larga carreira em ensino e pesquisa, fora professora da Universidade Nova de Lisboa de 1980 a 2006, tendo sido doutorada com agregação pela mesma universidade; licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e fora investigadora-coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade até 2012.
- BONIFÁCIO, Maria de Fátima. Um homem singular: biografia política de Rodrigo da Fonseca Magalhães (1787-1858). Lisboa: D. Quixote, 2013.
- BONIFÁCIO, Maria de Fátima. D. Maria II: 1819-1853. Lisboa: Temas e Debates, 2007.
- D’ANDLAU, Béatriz (Org.). Correspondência de Madame de Staël e Dom Pedro de Souza. Lisboa: Quetzal, 2010.
- Ao estar com o pai em Roma, ainda com vinte e quatro anos, D. Pedro de Sousa conhece a famosa romancista francesa (1804), Mme de Stäel que viaja à Itália para recolher notas a um novo romance. A efusiva correspondência entre os dois demonstra um longo relacionamento, com cartas inflamadas e saudosas. Com o retorno do Duque a Portugal, a correspondência passa a cessar nomedamente depois dos planos de casamento de D. Pedro. Cf. CAMPOS, Claudia. A Baronesa de Estäel e o Duque de Palmella. Lisboa: Tavares Cardoso & Irmão, 1901.
- BONIFÁCIO, Maria de Fátima. Memórias do Duque de Palmela. Lisboa: D. Quixote, 2011.
- Cf. URBANO, Pedro. A casa Palmela. Lisboa: Livros Horizonte, 2008.
- Filho de D. Alexandre de Sousa Holstein, Conde de Sanfré, e de D. Isabel Juliana de Sousa Holstein; D. Alexandre já tinha desempenhado na diplomacia diversos cargos, Embaixador em Copenhaga (1785-1789), Berlim (1789-1790), Viena (1790) e Roma (1808-1803) para onde leva o filho. Desde então, D. Pedro adquire o gosto pelos mais requintadores salões da política europeia do período, tendo contato com as mais importantes famílias.
- BONIFÁCIO, Memórias…op. cit.
- BONIFÁCIO, Memórias…op. cit. p.83: “Não confundir com o Tratado de Aliança e Amizade também celebrado em 1810, destinado a regular as relações políticas entre Portugal e a Grã-Bretanha durante o domínio napoleônico na Europa, tendo sido abolido na sequência da Paz Geral oficializada pelo Congresso de Viena em 1815”.
- Cf. FARIA, Ana Leal de. Arquitectos da paz: a diplomacia portuguesa de 1640 a 1815. Lisboa: Tribuna, 2008. p.152-157.
- Segundo Maria Amália Vaz de Carvalho (1898, p.293, nota I), o Congresso nunca possuiu uma “abertura”, não havendo a constituição efetiva de um Congresso; na prática, apenas algumas comissões entre ministros plenipotenciários foram instaladas, com assinaturas de tratados unilaterais ou de interesses comuns que foram feitos. No final de todas essas negociações, em 19 de junho de 1815, há a assinaura de um Ato final do Congresso de Viena. Cf. CARVALHO, Maria Amália Vaz de (1898). Vida do Duque de Palmela D. Pedro de Sousa e Holstein. Lisboa: Imp. Nacional, 1898.
- O temor inicial das demais nações era que a presença de mais uma nação alinhada com os interesses ingleses pudesse representar um voto a mais para o Império Britânico, para além da já presença de uma nação Ibérica, a Espanha. Cf. CARVALHO, Maria Amália Vaz de (1898), p.292-294.
- BONIFÁCIO, O primeiro Duque…op. cit., p. 28.
- Cf. ZAMOYSKI, Adam. Ritos de paz: a queda de Napoleão e o Congresso de Viena. São Paulo: Record, 2012.
- Cf. ALÇADA, Isabel; FERNANDES, Paulo Jorge. MAGALHÃES, Ana Maria. As invasões francesas e a Corte no Brasil. Lisboa: Caminho, 2011. p.216-219.
- Cf. VICK, Brian E. The Congress of Vienna: power and politics after Napoleon. London: Havard University Press, 2014. p. 196-198.
- Segundo FARIA, op cit., p.157, fora a elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal que permitiu as negociações que conseguiram consumar o casamento do Príncipe D. Pedro com D. Carlota Josefina Leopoldina de Habsburgo (maio de 1818).
- Cf. GALVES, Marcelo Cheche. The Congress of Vienna and the matter of slavery in the North of the Portuguese America. In: THE CONGRESS OF VIENNA AND ITS GLOBAL DIMENSION, 2014, Vienna. Book of abstracts… Viena: Universitat Wien, 2014. v. 1. p. 9.
- FARIA, op cit., p.156-157.
- Cf. MENDONÇA, Antonio Pedro Lopes de. Notícia histórica do Duque de Palmella. Lisboa: Imprensa Nacional, 1859. p.36-39.
- BONIFÁCIO, O primeiro Duque…op. cit., p.30-32.
- Ibid., p. 57-59.
Romário Sampaio Basilio – Mestrando em História Moderna e dos Descobrimentos, Universidade Nova de Lisboa, FCSH, Lisboa, Portugal. E-mail: E-mail: rombasilio@gmail.com.
BONIFÁCIO, Maria de Fátima. O primeiro Duque de Palmela: político e diplomata. Lisboa: D. Quixote, 2015. Resenha de: BASILIO, Romario Sampaio. A Diplomacia portuguesa no Congresso de Viena (1815): a trajetória do primeiro Dugue de Pamela, D. Pedro de Sousa Holstein. Outros Tempos, São Luís, v.12, n.20, p.288-292, 2015. Acessar publicação original. [IF].
Circuito dos Afetos: Corpos políticos, Desamparo, Fim do Indivíduo – SAFATLE (RFMC)
SAFATLE, Vladimir. Circuito dos Afetos: Corpos políticos, Desamparo, Fim do Indivíduo. São Paulo: Cosac Naify, 2015. Resenha de: PACHECO, Mariana Pimentel Fischer. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Brasília, v.3, p 190-193, n.1, 2015.
Em Circuito dos Afetos, Vladimir Safatle investiga desdobramentos de suas ideias acerca de uma ontologia do negativo, as quais sustentou em sua tese de doutorado 1 por meio de uma engenhosa articulação entre Hegel, Lacan e Adorno. Seu novo livro aborda especificamente a dimensão dos afetos. Nosso autor já havia apontado para essa direção em dois de seus trabalhos, Cinismo e Falência da Crítica e Grande Hotel Abismo. O primeiro mostra que cínico é aquele que aprendeu a rir das normas: não importa se estas se realizam de maneira invertida, para o cínico o que realmente interessa é a promessa de gozo imediato do neoliberalismo. Posteriormente, Grande Hotel Abismo aprofunda a investigação sobre uma ontologia capaz de exercer uma pressão subtrativa e insiste no potencial produtivo de experiências de indeterminação.
Que afetos estão ligados à produtividade do trabalho do negativo? Que afetos permitem a insurgência de uma violência destruidora daquilo que nos faz estagnar em um circuito de repetições intermináveis? Que afetos criam sujeitos? Estas são as perguntas centrais de Circuito dos Afetos. Para pensa-las, Safatle retorna a Freud, particularmente ao desamparo [Hilflosigkeit] freudiano. Este é, de fato, um retorno, pois somente após incorporar sua tríade (Hegel, Lacan e Adorno) nosso autor poderia ler Freud tal como, agora, propõe.
Diferentemente do medo ou da esperança, o desamparo não está ligado a projeções de determinados acontecimentos futuros. O desamparo se conecta a situações às quais não somos capazes de atribuir um sentido (ou, como prefere Safatle, atribuir um predicado) ou a experiências que não sabemos como lidar. No desamparo agimos sem saber em que lugar chegaremos. Mas, mesmo desamparados, agimos. Movemonos, pois de algum modo devemos ter sido capazes de perceber que estávamos presos a um circuito de repetições. Estranhamos isso – o desamparo é, nestes termos, articulado ao estranhamento (Das Unheimlich) freudiano. Nosso autor escreve sobre uma política do impossível, isto é, sobre uma política ligada a um ato que não está mais fundado nas possibilidades que nos são disponibilizadas por uma ordem simbólica. Trata-se de um ato que só poderá adquirir sentido retroativamente.
A partir de textos freudianos, Safatle formula, ainda, um diagnóstico acerca da hegemonia de certos afetos em nosso modo de vida: sua leitura de Totem e tabu expõe a força atual de um circuito repetitivo de medo e culpa, conexo a um laço social de base melancólica.
Em Totem e tabu, Freud conta a história de um pai primevo que possuía todas as mulheres e tinha acesso a um gozo ilimitado. Os filhos se unem, matam o pai e, depois disso, comem a sua carne. Ocorre que, desde o início, a relação com o pai era ambivalente: os filhos não só o odiavam, também o amavam. Foram, por isso, após o parricídio, tomados por sentimentos de medo e de culpa. O banquete totêmico mostra que, com o assassinato, o pai não fica para trás, ele é introjetado. É desse modo que o supereu freudiano se forma.
Poderíamos concluir, como fazem alguns, que o parricídio é um marco para a constituição de um laço horizontal entre irmãos. Há quem diga que estaria aí a base de uma sociedade democrática e igualitária. Safatle mostra, todavia, que não é esta a história narrada em Totem e tabu: a morte do pai e sua introjeção melancólica produz um fantasma. Nosso autor escreve que as democracias neoliberais são sociedades de irmãos assombrados pelo fantasma do pai. Vivemos em tempos de neoliberalismo e de injunção ao gozo, em vez do supereu repressivo da época de Freud, o supereu, hoje, ordena: goze agora! Satisfaça-se imediatamente! Os irmãos se tornaram indivíduos que competem entre si e buscam afirmar sua potência (querem ser como o pai); são, hoje, empresários de si mesmos.
Para pensar a política no tempo presente, devemos, então, compreender que o laço entre indivíduos no neoliberalismo se constitui melancolicamente. A centralidade desta ideia fica clara na afirmação “a gênese do supereu em Freud está alicerçada em uma analítica da melancolia” (SAFATLE, 2015: 82) e na passagem que a segue:
É possível dizer que o poder nos melancoliza e é dessa forma que ele nos submete. Essa é sua verdadeira violência, muito mais do que os mecanismos clássicos de coerção e dominação pela força, pois trata-se aqui de violência de uma regulação social que leva o Eu a acusar a si mesmo em sua própria vulnerabilidade e a paralisar sua capacidade de ação (SAFATLE, 2015: 83).
Tanto o luto como a melancolia são processos ligados à perda de um objeto de forte investimento libidinal. Na melancolia, entretanto, o trabalho de elaboração não se realiza por completo. O objeto não é deixado para trás, ele permanece de um modo bastante peculiar: é introjetado, ou seja, é ligado ao eu. Dessa maneira, afetos como raiva e ressentimento por ter sido abandonado pelo objeto amado se voltam contra o próprio sujeito. Na melancolia há um movimento pendular entre, de um lado, autoacusações e sentimento de impotência e, de outro, afirmações obstinadas da potência. Não é por acaso que indivíduos, empresários de si, oscilam, hoje, entre uma profunda sensação de impotência (o aumento dos diagnósticos de depressão não aconteceu sem motivo) e procura por maximização da performance. Os indivíduos não cessam de tentar alcançar a potencia plena ou gozo ilimitado (como o do pai primevo) que o neoliberalismo promete.
O luto conforma outro modo de lidar com a perda. O trabalho de luto apenas pode se realizar, contudo, se formos capazes de agir sem medo de perder um objeto que já, desde sempre, estava perdido. Em outras palavras, o luto está ligado um ato que acontece sem o amparo de fantasias como a de um pai primevo e sem a promessa de um gozo ilimitado. Safatle se refere ao luto da ideia de indivíduo e da promessa neoliberal de gozo; este é, para ele, um luto do impossível.
Nosso autor realiza, assim, uma crítica que convoca a performatividade adorniana: falar sobre o esgotamento de um modo de vida é também uma maneira de fazer alguma coisa, é um modo de realizar uma intervenção interpretativa. É como se tivéssemos que fazer ressoar, afirmar, uma vez e de novo, que um modelo se esgotou e que não há saída possível, apenas para que, em um segundo momento, possamos dizer: “há, agora, novas possibilidades, há sim uma saída”. Trata-se de tornar o impossível possível: “conseguiremos mais uma vez explodir os limites da experiência e fazer o que até então apareceu como impossível tornar-se possível” (SAFATLE, 2015: 185). Este é um projeto crítico que busca mobilizar “a força performativa da rememoração” (SAFATLE, 2015: 176). Safatle insiste que instituir outros modos de narrar a história pode ser um maneira de realizar um trabalho de luto.
Propomos, por fim, avançar um pouco mais na discussão sobre o luto e possibilidades para crítica. Em diversos trechos do livro, Safatle se refere a Judith Butler. Isso de nenhum modo surpreende, pois a filósofa norte-americana também pensa a política a partir de ideias freudianas sobre luto e melancolia2. Nosso autor não se aprofunda, entretanto, no exame das diferenças entre o seu ponto de vista e o de Butler.
Não é o luto do indivíduo ou de uma promessa de gozo que interessam a Butler, ela investiga o luto que experimentamos em nosso cotidiano, aquele que vivenciamos ao perdermos pessoas importantes como um parceiro ou parceira, nossos pais, filhos, um grande amigo. O trabalho de luto pode, nesses casos, mostrar que não somos proprietários de nós mesmos. Butler não cuida, então, de um luto referente à morte do individuo-proprietário; para ela, é o próprio luto que mata o individuo-proprietário que imaginávamos ser.
Para compreendermos esta ideia, basta nos lembrarmos de perdas que vivenciamos. Ao perdermos pessoas importantes comumente imaginamos que a dor que sentimos é temporária e que, posteriormente, retornaremos à situação anterior. Mas certas perdas não permitem que esse retorno ocorra. São justamente estas que podem revelar algo realmente significativo sobre nós mesmos. Após tais perdas irreversíveis, o que antes sabíamos sobre nós mesmos se desfaz. É como se o “eu” não perdesse simplesmente um “tu” do qual se separaria, é como se perdesse o que conhecia sobre si mesmo: perdemos alguém para descobrir que nos perdemos daquilo que imaginávamos ser. Somente conseguiremos deixar que o trabalho de luto ocorra se aceitarmos essa falta de sentido, isto é, se aceitarmos que não mais sabemos o que fazer, que estamos desamparados. Parece, então, que, para nossa autora, o luto produz desamparo.
Apenas poderemos atravessar o luto se nos deixarmos submeter a uma transformação cujos resultados não podemos prever. Há algo em jogo no luto que é mais forte do que previsões, do que conhecimento, do que escolha. Algo toma conta de nós e, assim, o luto nos mostra que não somos proprietários de nós mesmos. Não seria equivocado falarmos, então, sobre “estranhamento” no sentido que Freud atribui à palavra: no trabalho de luto, o sujeito se percebe como outro.
A nossa autora escreve que, hoje, certas vidas, quando perdidas, não produzem luto (a expressão que usa é “ungrieveble lives”). Ela associa esta ideia à luta de movimentos sociais e pergunta: como os movimentos sociais, formados por pessoas que passaram por perdas irreversíveis, podem realizar o luto? Talvez a elaboração de suas perdas possa mobilizar uma autocrítica e impulsionar o avanço desses movimentos. Ainda, tendo em conta as políticas de guerra nos EUA, nossa autora indaga: o que aconteceria com os EUA se pronunciássemos, uma vez e de novo, o nome de afegãos e iraquianos mortos em virtude da ação de norte-americanos? E se pronunciássemos, uma vez e de novo, os nomes dos prisioneiros de Guantánamo, que não estão ainda mortos, mas também não estão exatamente vivos (BUTLER. 2004).
Parece-nos que há, aqui, dois caminhos para a crítica. De um lado, a crítica adorniana de Safatle e, de outro, a crítica de Butler, que busca uma conexão direta com a ação de movimentos sociais. Os dois projetos têm algo em comum: os nossos autores indicam que crítica deve nos permitir deixar algo para trás e, desse modo, limpar o terreno para que novas possibilidades possam emergir. Estas duas propostas poderiam ser articuladas? Como tal articulação poderia ser feita? Estas são questões que gostaríamos de investigar em futuros trabalhos.
Notas
1 SAFATLE, Vladimir. A Paixão do Negativo: Lacan e Dialética. São Paulo: UNESP, 2006.
2 Esta discussão está presente em diversos trabalhos de Butler. A ligação entre luto e lutas de movimentos sociais é formulada de uma maneira especialmente clara em Precarious Life. BUTLER, Judith. Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence. London & New York: Verso, 2004
Referências
SAFATLE, Vladimir. A Paixão do Negativo: Lacan e Dialética. São Paulo: UNESP, 2006.
____. Cinismo e Falência da Crítica. São Paulo: Boitempo, 2008.
____ .Grande Hotel Abismo: Por uma Reconstrução da Teoria do Reconhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
____. Circuito dos Afetos: Corpos políticos, Desamparo, Fim do Indivíduo. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
BUTLER, Judith. Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence. London & New York: Verso, 2004.
Mariana Pimentel Fischer Pacheco – Pós-doutoranda – USP.
Uma vida humana – COSTA (RFMC)
COSTA, Uriel da. Uma vida humana. Tradução, posfácio e notas de João Alberto da Costa Pinto. Goiânia: Editora da Universidade de Goiás, 2015. Resenha de: RUFINONI, Priscila Rossinetti. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Brasília, v.3, p. 171-175, n.2, 2015.
Entre dois anjos: Gabriel-Uriel da Costa
O pequeno livro que a UFG dá a público, na tradução de João Alberto da Costa Pinto, em edição do selo Todo Tipo, é um documento estranho da história da filosofia. Escrito provavelmente em 1640, em latim, com o título Exemplar humanae vitae, trata-se não apenas de um opúsculo de debate teológico, ou canônico, mas da suposta carta de um suicida que, após o desenlace fatal, foi reproduzida por cultores e detratores do judaísmo. Não temos, portanto, o texto pela mão de Uriel, mas citado por outrem. Na encruzilhada de um opúsculo confessional, embora apócrifo, o texto quer dar forma a uma vida, concedendo-lhe, não necessariamente essência, mas o sentido natural de uma conclusão honrada. Assim, não é exatamente a carta de um suicida. Aliás, como bem atenta Cecília Michaëlis de Vasconcelos, o vocábulo “suicida”, de origem francesa e posterior ao acontecido, não se aplica aqui tão certamente quanto o próprio latino homicidium sui, ou o grego eutanásia (VASCONCELOS, 1922: 56).
Que não se espere, entretanto, texto apressado, escrito no calor da hora, ou composição retórica confessional. Apesar de sabermos, por comentadores e pelo próprio Uriel da Costa, que este conhecia e compunha bem em latim, ou seja, que era versado na arte da escrita, não se trata de uma peça de retórica confessional, composta sob essas regras (cf MORDOCH, 2011: 23). Bem composto, claro e conciso nos detalhes narrativos, o opúsculo é antes uma exposição de ideias, um testamento intelectual. A tradução da UFG, ao apostar nesse sentido, concede ao texto uma espécie de ardor desapaixonado, cujo contraste com a tradução da edição de Braga, por exemplo, nos leva a aquilatar as escolhas do tradutor. Compare-se os dois trechos finais. Na edição de Braga, em tradução de Castelo Branco Chaves, com acento mais quente, pelo uso de fórmulas como “vão espetáculo”, “que vosso coração pese na balança” e “demônios”:
Tal é a verídica narração da minha vida. A personagem que representei no vão espetáculo do mundo, durante esta pobre vida, expu-la aos vossos olhos. E agora, filhos dos homens, que vossa justiça julgue, sem que vosso coração pese na balança. Acima de tudo, pronunciai uma sentença livre e conforme a verdade. É isso que incumbe aos homens dignos de tal nome. Se a narração da minha vida vos oferece alguma coisa que mereça a vossa comiseração, reconhecei a miséria da condição humana e chorai, lembrando-vos que vós próprios dela participai. E para que tudo fique dito, revelarei que em Portugal, como cristão, me chamava Gabriel da Costa, e entre judeus (e que demónios me conduziu para eles?), Uriel. (COSTA, 1995: 584)
E o mesmo parágrafo final, na presente edição brasileira, contida no uso dos termos e metáforas:
Aqui tendes a verdadeira história da minha vida e a personagem que no teatro do mundo tem interpretado ao longo de uma honesta e sempre insegura vida está aqui apresentado diante de vós. Julgai-me agora corretamente, filhos dos homens e sem emoção alguma, emitam então uma sentença verdadeira, isto é um julgamento particularmente digno dos homens que realmente merecem esse nome. E, se alguma coisa encontrardes que vos arraste á comiseração, e deplorai a miserável condição humana da qual também sois participantes. E para que nada falte nesse julgamento, meu nome, o nome cristão que tive em Portugal era Gabriel da Costa. Entre judeus, oxalá nunca os tivesse encontrado, foi ligeiramente modificado, fui chamado Uriel. (COSTA, 2015: 33)
O texto traz a narrativa dessa vida exemplar, tornada destino pela eutanásia, um todo fechado que se abre ao juízo do leitor. Narra-se a vida de Gabriel da Costa, nascido no Porto, de pai cristão novo. Faz questão de frisar, este narrador Gabriel, que o pai era bom cristão. Também o narrador, criado nos evangelhos, era cristão devoto, não seguia o rito apenas pela necessidade formal de todo converso, necessidade provavelmente comum entre a comunidade de comerciantes judeus a que a família dos Costas pertencia, ditos em Portugal “gente da nação” ou “homens de negócio”. Gabriel estudou direito canônico, foi jurista, como bem explica Cecília Michaëlis, não necessariamente uma advogado formado, mas estudante de direito, especialmente direito canônico, com idas e vindas pela Universidade de Coimbra, atestando, talvez, já as indecisões e dúvidas que o moveriam durante sua vida. Cecília Michaëlis, em sua biografia, prefere então chamá-lo “canonista”, ou seja, estudioso das leis religiosas. O próprio Uriel, por sua vez, em seu texto Exame das tradições farisaicas, se diz “jurista hebreu”. Nesse contexto antes de tudo acadêmico, é a comparação racional entre os evangelhos, com suas minúcias intrincadas, e a clareza da lei mosaica original, que leva o cristão à reconversão ao judaísmo. Ou seja, a volta ao judaísmo original não se dá, pelo menos segundo a carta, por qualquer atavismo ou por resquícios da antiga prática religiosa arraigada à vida familiar. Segundo o texto, não eram os Costas, como se diria à época, judaizantes, acusação que levaria à condenação, anos depois, de outro famoso escritor judeu de língua portuguesa, o dramaturgo brasileiro Antônio José da Silva, dito “o judeu”.
Não se descartam, evidentemente, outras hipóteses, não contempladas pelo racionalismo piedoso desse Uriel narrador: os irmãos também o seguem na reconversão ao judaísmo, movidos quem sabe pelas facilidades da vida religiosa e do comércio na comunidade judaica livre de Amsterdã. Sabe-se das dificuldades dos judeus conversos na Península ibérica, exilar-se e reconverter-se não deve ter sido incomum na Europa do século XVII (cf MORDOCH, 2011: 14). O fato é que no texto de Uriel, não se elencam problemas pessoais ou de negócios, sabemos por este apenas que emigrou com a mãe, seus irmãos e irmã, após a morte de seu pai que lhe fez então chefe da família. Das intenções dos irmãos, das dificuldades, dos debates familiares, das relações cotidianas com as tradições judaizantes (ou não), quase nenhuma menção. Não há nem mesmo menção ao desfecho da vida de sua mãe, Branca Dinis da Costa ou Sara da Costa, também excomungada por segui-lo. Não há pois muito de uma confissão pessoal, de biografia no sentido lato, da narrativa dos atos de uma pessoa e de seus haveres com a fortuna. Assim que chegou a Amsterdã com a família, só nos dá notícia de que continuou seu trabalho canônico de pesquisar e estudar a fundo as leis divinas.
Mas, a religião judaica, após anos de cismas e êxodos, também havia se tornado outra, permeada de apêndices à lei mosaica, de leis convencionais de tradição oral, de hierarquias e mesmo preconceitos quanto às origens dos judeus. Na sua breve apresentação de Espinosa, Marilena Chauí nos dá um fino relato das divergências histórico/canônicas em voga na Amsterdã do século XVII. Dividiam-se em classes sefarditas de sangue ibérico e os demais judeus não ibéricos, dividiam-se marranos e não-marranos, divisões que davam cor político-social às querelas religiosas entre racionalistas e materialistas, cultores da lei mosaica original, e os fariseus, ligados à lei oral e rabínica:
Dividia-se por fim, religiosa e teologicamente, entre fundamentalistas tradicionais e deístas racionais, e entre talmudistas e cabalistas místicos. A divisão religiosa recobria e dominava as divergência socais e políticas, dadas as peculiaridades de uma comunidade que não possuía autonomia política, e não constituía propriamente um Estado e cujos costumes eram regulados pela religião e por tradições teocráticas. (CHAUÍ, 1995: 16)
No livro ora comentado, o tradutor, João Alberto da Costa Pinto, professor de História da UFG, também expõe em perspectiva histórica os vários cismas, as sinagogas, enfim o lugar no qual aportou esse Gabriel-Uriel cristão novo ex-converso. O posfácio e as notas de João Alberto da Costa Pinto, esclarecedores, têm ainda o mérito de facultar ao leitor uma bibliografia acessível, no mais das vezes de viés histórico. Talvez por essa escolha histórica não conste da publicação remissão à também acessível apresentação de Espinosa, aqui citada. Entre as lembranças dignas de nota, o tradutor remete ao livro da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, Um Bicho da terra, biografia romanceada do nosso escritor. 1 Apenas um senão quanto à remissão às demais obras de Uriel da Costa: é difícil saber, pelo posfácio ou pelas notas, se há outras obras que escaparam, como esta, da perseguição e da fogueira2 , e a menção ao livro no qual estão compilados capítulos das obras de Uriel, de Samuel da Silva, não consta da bibliografia final. Há um texto que vem referido como Costa, 1995, na página 39, mas tal referência também não se encontra listada na bibliografia. Acreditamos tratar-se do volume publicado em Braga que citamos. Outra questão sobre as obras de que sentimos falta seria uma discussão sobre o estatuto apócrifo do Exemplar (c f MORDOCH, 2011). Apenas detalhes fáceis de se corrigirem numa próxima edição, como uma e outra gralha tipográfica.
Mas voltemos ao embate entre Uriel e os fariseus seus contemporâneos, tal como aparece no texto. Logo o autor percebe que as leis farisaicas, contras as quais escreve, muito se afastaram da original lei mosaica, sendo portanto leis históricas e humanas, como aquelas dos evangelhos que havia renegado em Portugal; e, no seu estudo incansável, mesmo os livros sagrados, as leis originais, se lhe afiguram eivados de contradições, humanas, demasiado humanas. A única lei a que podemos conceder divindade é a lei natural. O autor do testamento o diz com todas as letras. Não é difícil trazer à memória as preocupações de Espinosa com a historicidade muitas vezes imagética da Bíblia e da própria língua sagrada, o hebraico, premida entre a possibilidade de uma exposição geométrica e a experiência dialetal do falante (SANTIAGO, 2013).
O resto da história, muito já se comentou. Uriel é condenado várias vezes, em Hamburgo, Veneza e Amsterdã, – fatos aos quais o narrador também não acrescenta detalhe em sua Vitae – é separado da comunidade, apartado dos irmãos, impedido de contrair um segundo casamento e constituir uma família. Em 1640, diante da sinagoga, e talvez dos olhos de um menino chamado Bento Espinosa, todos o dizem, o homem se retrata, lê a infame confissão que para ele escreveram, é açoitado, pisoteado. Em seguida, apesar de reaproximado da comunidade, prefere tirar a própria vida. Por que teria aceitado tal humilhação, se na confissão final não há a mais mínima sombra quanto a suas convicções? Por atavismos lusitanos, como sugerem uns, por covardia, como querem outros? Seria, por outro lado, o texto apócrifo eivado de apêndices posteriores, estranhos à pena do Uriel histórico? 3
Não é o caso de se condenar ainda outras vezes o autor. Longe do homem, fiquemos com a letra. Quando Uriel aceita, ao fim de longos 7 anos, depois de uma condenação anterior de mais 15 anos, passar pela humilhação da confissão na sinagoga, talvez o tenha feito em nome de suas convicções, conforme a confissão deixa entrever. Em nome daquela lei divina, natural, que une em laços afetivos pai e filhos, irmãos, amigos e amantes, uma lei simples, para a qual nenhum deus poderia solicitar o absurdo do sacrifício de Abraão; supremo sacrifício ao qual condenaram o próprio Uriel por anos, o de ser espicaçado pelos irmãos e amigos. Uma lei de afetos, forte, firme, lei de bicho da terra, lei sem Bem e Mal, que não condenaria nem mesmo o ódio que alguns creditam a Uriel contra seu denunciante4. Esses afetos tornariam uma sociedade coesa, feliz; essa lei faria viver livre o cidadão, mais que qualquer fariseu ou cristão, ao permitir “proclamar-se simplesmente homem”. Nas palavras do próprio narrador:
Afirmo que essa lei é comum e inata para todo os homens, pelo fato mesmo de serem todos humanos. Ela liga todos entre si com mútuo amor impedindo divisões que é a causa original de todo ódio e dos maiores males. Ela é a mestra do bem viver porque distingue o justo do injusto, o abominável do belo.(COSTA, 2015: 26)
O comentário de João Alberto da Costa Pinto, no livro da UFG, aponta por fim para a filiação materialista dessa lei vislumbrada por Uriel. Ideias que serão, ao cabo de alguns anos, o fermento para renovadores como Espinosa, para as ideias de um deísmo ético, que frutificariam ainda nos séculos seguintes. Sejam ou não totalmente autorais, as ideias do Exemplar ainda assim refazem o fundo movediço das mudanças em curso. A edição da UFG é bem-vinda ao reapresentar ao público brasileiro esse documento estranho, cruel, signo vivo tanto do racionalismo cristalino do século XVII, como da turva intolerância, capaz de sobreviver mesmo nas sociedades mais livres.
Notas
1 Não deixa de ser notável, como escreve Mordoch, que Uriel da Costa tenha mais vida na ficção que no debate filosófico. São dignos de nota, além do romance de Agustina Bessa-Luís, a peça de Karl Gutzkow, Uriel Akosta, de 1846, e o interesse de Goethe pelo Exemplar.
2 Sabemos que se encontrou em Copenhague um exemplar único do Exames das tradições farisaicas, e que alguns capítulos de outra obra, destruída ou não publicada, principalmente a parte sobre a imortalidade da alma, foram compilados, com função de crítica, por Samuel da Silva. Assim, há apenas um texto que podemos creditar totalmente a da Costa: o exemplar de Copenhague, escrito em português
3 Neste sentido, escreve Mordoch: “Mas foi o famoso Exemplar Humanae Vitae o grande impulsionador dos estudos sobre Uriel da Costa. A já mencionada problemática quanto ao caráter semi-apócrifo dessa obra não impediu que a pesquisa o atribuísse a da Costa e, de fato, a leitura do Exame das tradições aponta coincidências que corroboram a autoria do Exemplar atribuída a da Costa. Alguns trechos específicos despertaram a desconfiança de que o Exemplar recebeu enxertos apócrifos, entre eles a descrição da cerimônia do erem (excomunhão) ou, de maneira geral, o modo como a narrativa tenta representar Uriel da Costa quase como um Cristo moderno”. (MORDOCH, 2011:8)
4 Cecília Michaëlis comenta os rumores de que Uriel teria atentado contra o primo que o denunciara e só então se suicidado, num ato de furor. Para a autora, os documentos nos quais assentam tal denuncia são espúrios e servem mais para abrandar o papel da sinagoga no desfecho da vida de Uriel
Referências
CHAUÍ, Marilena. Espinosa, uma filosofia da liberdade. São Paulo: Ática, 1995.
COSTA, Uriel da. Exame das tradições farisaicas, acrescido com Samuel da Silva, Tratado imortalidade da alma. Introdução, notas e carta genealógica por H. P. Salomon e I.S. D. Sassoon. Braga: Edições APPACDM, Distrital Braga, 1995.
MORDOCH, Gabriel. A Língua e o discurso do Exame das tradições phariseas de Uriel da Costa. Dissertação de mestrado. Universidade de Jerusalém, 2011.
SANTIAGO, Homero. “O Compêndio de gramática hebraica de Espinosa”. In: Trans/form/ação. Marília, nº 36, vol 2, 2013, p. 26-44.
VASCONCELOS, Cecília Michaëlis. Uriel da Costa. Notas relativas à sua vida e às suas obras. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1922 (Separata da Revista da Universidade de Coimbra, vol. VIII, nº 144).
Priscila Rossinetti Rufinoni – Professora adjunta – UnB.
Teaching History Creatively – COOPER (PR)
COOPER, H. (Ed.). Teaching History Creatively. Londres: Routledge, 2013. 185p. Resenha de: SOLA BELLAS, M. Gil de. Panta Rei. Revista Digital de Ciencia y Didáctica de la Historia, Murcia, p.133-137, 2015.
Teaching History Creatively es un libro orientado a los docentes cuya labor se desempeñaprincipalmente durante los primeros años de la educación escolar, más concretamente los últimosaños de Educación Infantil y toda la Educación Primaria, aunque también podría adaptarse a losniveles de enseñanza superiores. A través del mismo se pretende introducir a los docentes a laenseñanza de la historia de manera creativa a partir de la realización de investigaciones históricasaptas para el alumnado, de forma que se desarrolle su pensamiento histórico. Esto dotará alos alumnos de una serie de recursos esenciales para el adecuado aprendizaje de la historia, ypermitiendo que éstos realicen su propia representación del pasado yanalizar los hechos históricosdesde un punto de vista crítico.
Pensar históricamente implica, por lo tanto, poner en práctica una serie de procesos quesobrepasan lo meramente conceptual. Para lograr que los alumnos piensen históricamente se hade conseguir, entre otras cosas, el desarrollo de una conciencia histórica, fomentar la imaginacióny la creatividad que les permitirán elaborar hipótesis, y aprender a analizar e interpretar los hechoshistóricos. Todos estos factores son analizados y desarrollados en este libro mediante una seriede estudios de caso que permitirán no sólo comprobar cómo la enseñanza de la historia de formacreativa permite que el proceso de enseñanza-aprendizaje sea más significativo para el alumnadosino que además proporcionan ideas variadas y concretas sobre cómo poner en práctica este tipode enseñanza.
El libro se divide en tres grandes bloques, precedidos por un prólogo de Teresa Cremin, laeditora de la serie Learning to teach in Primary School, a la que pertenece este libro, y una breveintroducción del libro por parte de Hilary Cooper, editora del mismo.
En el prólogo del libro, Cremin indica que el alto nivel de especificidad del currículo en elReino Unido durante los últimos veinte años ha supuesto un desafío para los docentes que, pesea verse más limitados respecto a los contenidos, han buscado el desarrollo de nuevas estrategiasque buscan enseñar creativamente y para la creatividad. Asegura que enseñar creativamente esimportante para trabajar el currículo de forma innovadora, pero que además es importante enseñarpara la creatividad, de manera que se busque el desarrollo de la competencia creativa del alumno.
Para ella, la creatividad en el proceso enseñanza-aprendizaje se asocia con innovación, originalidad,propiedad y control, y asegura que esta serie de libros, que muestran principios de enseñanzabasados en investigaciones y no exclusivamente en principios teóricos, busca ofrecer apoyo a losdocentes que busquen desarrollar la creatividad y la curiosidad de sus alumnos.
Cooper, en su prefacio, indica que la intención de este libro es la de ofrecer pruebas de quela historia es una asignatura que merece la pena trabajar de forma creativa. Muestra cómo este libro es un trabajo oportuno, tanto por el momento en el que se está llevando a cabo, cuandose pide a los alumnos que sean capaces de elaborar un pensamiento histórico que les permitaobtener conclusiones y realizar argumentaciones entre otros aspectos, como por la importanciade la promoción de la creatividad en el aula de historia, puesto que ambos conceptos estáninterrelacionados.
La primera parte del libro, que lleva por título The essential integration of history and creativity,está dividido en dos capítulos, ambos elaborados por la didacta británica. En ellos se explica deforma más extensa por qué la creatividad y la historia son interdependientes.
En el primer capítulo, Why must teaching and learning in history be creative?, Cooper afirmaque es posible aprender de manera creativa y trabajando el currículo de forma transversal mientrasque se desarrollan además las inteligencias múltiples, y todo ello a partir de una serie de conceptosbásicos. En primer lugar se deben identificar áreas de investigación, definir problemas y elaborarpreguntas. Para ello es necesario desarrollar lo que ella llama “possibility thinking” o pensamientode posibilidad, definido como la “habilidad de considerar una serie de posibles respuestas operspectivas diferentes para responder a una pregunta, problema o situación”. Esto permite quese trabajen la imaginación y la empatía de los alumnos, que serán capaces de crear nuevospensamientos basándose en el comportamiento y reacciones que otras personas podrían tener.
Además se permite al alumnado correr riesgos basándose en sus conocimientos o en su falta de losmismos como forma de favorecer la tolerancia a la incertidumbre, y mejorando su autoconfianza. Otroaspecto indispensable es la colaboración para favorecer el aprendizaje compartido y las habilidadescomunicativas del alumnado no sólo a la hora de responder preguntas sino para elaborar preguntasnuevas que lleven a nuevos pensamientos y posibilidades de investigación. Todo esto estaráenfocado a una meta: los alumnos deberán llegar a conclusiones propias que tendrán más valorpor haber sido alcanzadas de forma activa y creativa, y que podrán posteriormente investigar. Porúltimo, Cooper menciona las ideas de Ryle, quien indica que la creatividad supone “saber cómo”,es decir, comprender que toda disciplina está basada en investigaciones previas, y “saber que”, esdecir, el conocimiento conceptual. Posteriormente, relaciona todos estos conceptos básicos coninvestigaciones recientes en el campo de la psicología y la neurociencia, y para finalizar el capítuloexplora los diferentes aspectos que muestran la relación existente entre dichos conceptos y laforma en la que los historiadores investigan y elaboran la historia, es decir, la manera en que loshistoriadores piensan la historia.
En el segundo capítulo, Supporting creative learning in history, la propia Cooper demuestra,a partir de las teorías constructivistas de autores como Piaget, Bruner y Vygotsky, que es posibleque los alumnos lleven a cabo investigaciones históricas elaboradas de la manera explicada en elcapítulo anterior. A continuación indica la forma en la que los docentes pueden crear un ambienteadecuado para favorecer la enseñanza creativa y la enseñanza para la creatividad en el aula a partirde una serie de valores y estrategias a la hora de orientar la sesión, organizar el espacio del aula y,en general, crear una atmósfera propicia para el fomento del aprendizaje creativo de la historia porparte del alumnado.
La segunda parte del libro, titulada Creative approaches to aspects of historical enquiry,consta de siete capítulos elaborados por distintos autores. En ellos se muestra cómo las teoríasconstructivistas del aprendizaje junto con la creatividad y la historia pueden favorecer el desarrollodel pensamiento investigador del alumnado, todo ello a partir de investigaciones llevadas a cabo porlos autores de cada capítulo.
El primer capítulo se titula Investigating activities using sources. Elaborado por Harnetty Whitehouse, propone diferentes actividades a partir de las cuales se busca el desarrollo delpensamiento histórico y creativo del alumnado de Educación Infantil y Primaria a partir de pequeñasinvestigaciones relacionadas con la historia de su entorno más próximo y en colaboración con laUniversidad de West of England, que proporciona no sólo materiales sino diferentes formas deabordar los contenidos a trabajar con los alumnos. Se trata de un ejemplo de la necesidad de lacolaboración y la planificación a la hora de elaborar actividades creativas si se quiere alcanzar un resultado satisfactorio. Como conclusión del capítulo, se muestra cómo se ha estimulado elinterés del alumnado y cómo es posible llevar a cabo actividades abiertas y creativas basadas enun currículo cuyos contenidos son muy específicos.
El título del segundo capítulo es Using archives creatively. Su autora, Sue Temple, muestraen él cómo el acceso a fuentes primarias reales permite al alumnado comprender la forma en quetrabajan y desarrollan teorías los historiadores. Generalmente, estas fuentes primarias suelen seredificios o artefactos, pero Temple sugiere actividades basadas en la utilización de documentosprimarios que se encuentran en los archivos municipales, como censos, mapas, diarios, imágeneso documentos sobre cualquier elemento del entorno del alumnado. Estos documentos deben ser,según ella, ricos, fiables y relevantes para el alumnado, y enfoca las actividades indicando a losalumnos que son “detectives de la historia”y que, basándose en esos documentos, deberán descubrirqué ocurrió a una persona o un lugar determinado. Se trata de actividades que implican de formaactiva al alumnado, que estimulan su interés y sobre todo desarrollan habilidades de investigación,pensamiento histórico y conciencia social y de pertenencia a un entorno concreto.
Moore, Houghton y Angus son los autores de Using artefacts and written sources creatively,el tercer capítulo de este segundo bloque. Proponen actividades en las que los alumnos debenrecrear la historia mediante la decodificación de fuentes escritas y de pequeñas investigacionessobre artefactos. Tanto los documentos escritos como los objetos permiten a los alumnos hacersepreguntas sobre el período de la historia que se trabaje. En primer lugar, a partir del objeto, deberánelaborar su propia versión de la historia utilizando las tecnologías de la información y la comunicación(TIC), y que luego se comparará con la realidad mediante una fuente escrita relativa a ese mismoperiodo. Esto permite a los alumnos no sólo desarrollar su capacidad creativa sino también sushabilidades de investigación, deduccion, análisis y comparación de información desde un punto devista crítico.
El cuarto capítulo es un estudio de caso denominado Creative approaches to time andchronology, y llevado a cabo por Moore, Angus, Brady, Bates y Murgatroyd para desarrollarel pensamiento cronológico del alumnado a partir de objetos, la vida de personas o momentosimportantes de la historia. Para los autores de este capítulo, ser capaces de pensar cronológicamenteno consiste únicamente en memorizar fechas y nombres, sino que implica la habilidad de secuenciareventos, relacionarlos y establecer comparaciones entre ellos, de manera que no sólo sean hechosaislados sino conceptos que se interrelacionan y que dependen unos de otros. Para ello, sugierenla elaboración de diferentes líneas del tiempo en las que se secuencien, por ejemplo, palabras devocabulario específico, imágenes, objetos, etc., además de otro tipo de actividades basadas en lainvestigación sobre un tema concreto y su desarrollo a través de la historia, como la escritura.
Jon Nichol es el autor de Creativity and historical investigation: pupils in role as historydetectives (proto-historians) and as historical agent, el siguiente capítulo de la segunda parte dellibro, y cuya investigación propone, como el título indica, el uso del rol de detective por parte de losalumnos para resolver una serie de misterios basados en determinados momentos de la historia.
El papel de detective-historiador, semejante al desarrollado por Temple en el segundo capítulo deeste mismo bloque, permite a los alumnos investigar la historia a partir de preguntas relevantespara obtener respuestas que les acerquen a la resolución del misterio propuesto por el docente.
Las actividades propuestas permiten abordar de forma creativa y activa conceptos opuestos peropertenecientes al mismo periodo de la historia, como son cristianismo e islam, jihad y cruzada,migración y asentamientos, etc.
El sexto estudio de caso, llevado a cabo por Dodwell y titulado Using creative drama approachesfor the teaching of history, utiliza el teatro y la narración de historias, mitos y leyendas propiasde su entorno más próximo para fomentar el pensamiento creativo y la curiosidad del alumnado.
Basándose en estas historias, se proponen diversas actividades de creación de obras de teatro,narración, improvisación, cambio de roles, danza y canto…, que los alumnos deberán realizar, y enlas que la investigación previa y el trabajo cooperativo son esenciales tanto para la motivación delalumnado por los relatos pertenecientes al folklore de lugares próximos y lejanos como para que la adquisición de contenidos históricos se produzca de forma adecuada. De esta manera se otorgavalor histórico a las narraciones propias de la cultura de cada lugar, teniendo presente que se hacreado o adaptado una obra ficticia que tiene como base en realidades históricas concretasEl último capítulo del segundo bloque se titula Creativity, connectivity and interpretation. Suautor, Jon Nichol, se centra en el desarrollo de la capacidad de interpretación de la historia por partedel alumnado como habilidad indispensable para comprender la historia y desarrollar el pensamientohistórico y creativo. Las actividades propuestas están basadas en pequeñas investigacioneshistóricas en las que los alumnos deben actuar como historiadores: analizar documentos oartefactos históricos, investigar acerca del periodo histórico en el que se encuentran, realizar unareconstrucción cronológica de los hechos que se extraen de dichos documentos o artefactos y apartir de la misma elaborar una interpretación de la historia relativa al material analizado. En este tipode actividades, la capacidad del docente para conectar de forma creativa los contenidos históricoscon la actividad es esencial, puesto que debe proporcionar a los alumnos el material necesario parala investigación y orientarlos en su trabajo, pero las conclusiones y las interpretaciones han de serrealizadas exclusivamente por el alumnado.
Finalmente, la tercera parte del libro ofrece, desde una perspectiva más amplia, la manerade introducir en el aula de Educación Primaria la enseñanza creativa de la historia. Este tercerúltimo bloque se titula A broader perspective of creativity and history, y se divide en tres capítulos.
En el primero, titulado Creative exploration of local, national and global link, Harnett y Whitehousedemuestran como puede trabajarse el contenido histórico desde lo local a lo global de maneracreativa a partir de experiencias significativas para el alumnado que puedan relacionarse con lahistoria de la localidad, así como del país y del continente en el que se encuentran, por ejemploa partir de la vida de un personaje local, de los alumnos y sus familias, de nombres de calles, deobjetos…, que se relacionarán con entornos cada vez más amplios tanto en el tiempo como en elespacio. Este tipo de actividades no sólo permite desarrollar el pensamiento histórico y espacial delalumnado de una manera motivadora, sino que además les insta a buscar relaciones y favorece eldesarrollo del pensamiento cronológico y analítico.
En el segundo capítulo, Creative approaches to whole school curriculum planning for history,Maginn describe como trabajar creativamente el currículo de historia de forma transversal a travésde la diversidad cultural del centro escolar. En los primeros años, la historia se trabaja de formamanipulativa, a través de artefactos que permitan al alumnado elaborar sus propias hipótesis sobreel pasado. Conforme avanzan en la etapa, las investiaciones serán más analíticas y concretas. Estopermite a los alumnos de los distintos niveles no sólo conocer las diferentes culturas que les rodean,sino además establecer relaciones, analizar las causas y efectos de la diversidad cultural en suentorno próximo, y adquirir conceptos que van más allá de lo puramente histórico.
El último capítulo de la tercera parte y, por lo tanto, del libro, se titula Awakening creativity. Enél, Cooper narra la historia de Sybill Marshall, profesora en un pueblo inglés en la década de 1950,y de cómo ésta desarrolló su propio pensamiento creativo y el de sus alumnos a través de la historialocal. Cooper asegura que fue esta historia la que le inspiró a trabajar en esta dirección y que, portanto, es una forma idónea para concluir este libro.
En definitiva, estamos ante una herramienta muy útil, cuyos estudios de caso pueden sermodificados, adaptados y puestos en práctica en cualquier etapa del sistema educativo español.
Las breves explicaciones teóricas permiten que los docentes menos familiarizados con el temase introduzcan en el mismo, obteniendo además nuevas fuentes en las que apoyarse en caso denecesitar más información. Las actividades propuestas son originales, creativas y breves, por loque pueden ser puestas en práctica en cualquier momento del curso escolar, aunque, como biendicen todos los autores que colaboran en el libro, la preparación por parte del docente es esencial ygeneralmente supone meses de trabajo previo, por lo que no contiene actividades que puedan serllevadas a cabo de forma improvisada en el aula. Desde nuestro punto de vista, ofrece situacionesmuy interesantes que, realizadas de forma adecuada, permiten explorar la historia de una maneradiferente y permitiendo que el alumnado sea una parte activa del proceso de enseñanza–aprendizaje. Estas mismas actividades pueden relacionarse unas con otras o trabajarse de forma aislada, peroel aprendizaje final será, en cualquier caso, más significativo que si se centra únicamente en elaspecto memorístico.
Marta Gil de Sola BellasUniversidad de MurciaAcessar publicação original
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Pensamiento histórico y evaluación de competencias – CASTILLO (C-HHT)
CASTILLO, Jesús Domínguez. Pensamiento histórico y evaluación de competencias. Barcelona: Graó, 2015. Resenha de: ROYO, Javier Paricio. Clío – History and History Teaching, Zaragoza, n.41, 2015.
Jesús Domínguez realiza en Pensamiento histórico y evaluación de competencias una propuesta práctica y valiosa para impulsar la transformación curricular de nuestras aulas de historia, desde la “gran tradición” de acumulación enciclopédica de conocimientos históricos, hacia la línea renovadora surgida en los años 70 en Reino Unido de la mano del proyecto History 13-16 y su idea de un currículo centrado en el desarrollo de la capacidad de pensar el pasado (y el presente), a través de los conceptos y métodos propios de la disciplina histórica. El núcleo de su propuesta consiste en la vinculación de los postulados centrales de lo que se ha venido llamando “nueva historia” con la corriente internacional de evaluación de competencias clave por medio de instrumentos estándar de aplicación transnacional, como son las pruebas PISA de la OECD. Se trata de una apuesta muy pertinente en la medida en que aprender a razonar históricamente significa, de hecho, orientar el aprendizaje de la historia hacia el desarrollo de competencias valiosas relacionadas con la interpretación y la interacción del individuo con el mundo social en el que vive. Desde esta perspectiva, Jesús Domínguez se pregunta “¿es posible plantear y diseñar pruebas de evaluación en historia basadas en el desarrollo de competencias” (p. 21), apostando así por la evaluación como punto clave de la transformación curricular.
Esta aportación coincide en tiempo y tema con la publicación del volumen coordinado por Kadriye Ercikan y Peter Seixas (2015) titulado significativamente New Directions in Assessing Historical Thinking. Como señalan allí estos autores, “procesos más complejos -pensamiento histórico, conciencia histórica o construcción del sentido de la historia- demandan evaluaciones más complejas” (p. i). La transformación de los propósitos y objetivos del aprendizaje de la historia plantea, sin duda, la cuestión de la evaluación de un nuevo tipo de logros de aprendizaje mucho más complejos que la mera memorización de los protagonistas y hechos de un relato. Desde otro punto de vista, podemos decir que en la evaluación se encarnan, mejor que en ningún otro sitio, las concepciones curriculares y epistemológicas que alimentan cualquier práctica de enseñanza, por lo que elegir la evaluación como foco fundamental para innovar sobre el currículo es una opción particularmente acertada. Dicho de otro modo, la forma y foco de la evaluación refleja (o determina) la orientación curricular: transformar la evaluación implica, coherentemente, transformar el currículo.
Jesús Domínguez busca la solución a la cuestión de encontrar formas viables de evaluación acordes a los nuevos propósitos curriculares analizando propuestas existentes en otras disciplinas en las que está más madura la opción de formación de competencias asociadas a la capacidad de razonamiento científico. El autor analiza así los principios y la estructura de las pruebas de PISA en las disciplinas de ciencias con el fin de estudiar una posible adaptación de este instrumento de evaluación en historia. Los retos que se plantean allí a los estudiantes presentan tres componentes fundamentales: una situación o contexto, unos determinados conocimientos y unas competencias científicas, siendo la demostración de estas últimas el foco principal de las pruebas. De este modo, se exige al estudiante explicar científicamente determinados fenómenos en contextos o situaciones realistas, para lo cual deben formular científicamente el problema, identificar el conocimiento (conceptos, leyes, etc.) relevante en cada caso y utilizar las técnicas apropiadas para argumentar con pruebas científicas la respuesta. La prioridad que los procesos o competencias científicas tienen en el diseño de estas pruebas resulta evidente, en la medida en que el conocimiento no se plantea como un fin en sí mismo, sino como una herramienta necesaria en un proceso más amplio que exige la capacidad de plantearse las cuestiones en forma científicamente adecuada y seguir un método y proceso de argumentación igualmente válido desde el punto de vista científico.
Esta estructura de tres componentes de las pruebas de PISA, con su énfasis en las competencias de razonamiento científico, es aplicada al diseño de una propuesta de evaluación del aprendizaje de la historia por Jesús Domínguez. La clave, según el autor, es evaluar la capacidad de razonamiento histórico exigiendo la interpretación de situaciones o contextos distintos de los estudiados mediante la aplicación de conocimientos históricos. Se trata, en definitiva de plantear un reto que exija razonar históricamente al estudiante y no meramente rememorar datos o explicaciones elaboradas por otros. Esta capacidad de explicación histórica está vinculada a la capacidad de utilización de las pruebas históricas y una comprensión de la lógica del conocimiento histórico, lo que engloba los llamados conceptos de segundo orden (causalidad, empatía o explicación contextualizada, cambio y continuidad, relevancia, evaluación crítica de evidencias o fuentes, etc.).
La expresión “pensar históricamente” se ajusta bien a la exigencia que plantea este tipo de pruebas de evaluación, al tiempo que sintetiza la línea de trabajo que numerosos especialistas de la didáctica de la historia (Seixas, Wineburg, VanSledright, Levésque, etc.) han estado desarrollando en las últimas décadas. La expresión pone el acento sobre el desarrollo de las destrezas de pensamiento propias de la disciplina histórica y que permiten “interpretar las pruebas del pasado y generar los relatos históricos” (Seixas y Morton, 2013, p. 2). La atención y el análisis de los procesos intelectuales que componen eso que llamamos “pensar históricamente” resulta clave para el diseño de buenas pruebas de evaluación, capaces de mostrar el avance de los estudiantes. Pellegrino, Chudowsky y Glaser (2001), en sus magistrales conclusiones sobre la evaluación y su diseño, ya advertían de la necesidad de utilizar la mejor investigación disponible sobre cómo los estudiantes aprenden y desarrollan su competencia en un determinado ámbito para configurar instrumentos de evaluación valiosos por su capacidad para diagnosticar e impulsar la mejora de los procesos de aprendizaje. Ello implica en nuestro caso el análisis de esa competencia compleja que llamamos “pensamiento histórico”, identificando sus diversas dimensiones y explorando el modo en que los individuos progresan en su capacidad de razonar dentro de cada una de ellas.
Domínguez aborda esta cuestión a partir de las propuestas de autores previos relativas a los conceptos de segundo orden, llamados por Domínguez conceptos metodológicos, considerados la estructura fundamental de eso que llamamos “pensar históricamente”. El análisis de cada una de esas dimensiones del pensamiento histórico y de los modelos de progresión disponibles para cada una de ellas resulta fundamental para elaborar buenos diseños de evaluación y de actividades de aprendizaje. En la práctica, el desarrollo de la capacidad de pensamiento histórico exigirá plantear la enseñanza y la evaluación de la historia como actividades y retos orientados específicamente a desarrollar y demostrar la capacidad de análisis de la causalidad histórica, la explicación contextual de los actos o decisiones de personas del pasado, el análisis de la relevancia o significatividad histórica de un suceso o fenómeno, la indagación crítica de fuentes, etc. Y siempre teniendo muy en cuenta las posibilidades y capacidades de los estudiantes para afrontar este tipo de tareas en cada momento.
Desde este punto de partida, el autor sintetiza las dimensiones del pensamiento histórico en cuatro grandes conceptos metodológicos: la utilización de pruebas y fuentes históricas, la explicación causal, la explicación contextualizada o por empatía y el tiempo, cambio y continuidad. Se analizan en el libro cada uno de estos cuatro conceptos metodológicos, revisando las propuestas de los diferentes autores previos en torno a ellos y, en particular, analizando los distintos modelos de progresión en la capacidad de razonamiento para cada una de estas dimensiones del pensamiento histórico. La propuesta de Jesús Domínguez es utilizar estos modelos relacionados con los conceptos metodológicos que conforman el “pensar históricamente” para diseñar ejercicios de evaluación específicamente dirigidos a medir el grado de desarrollo de la capacidad de razonar históricamente en cada una de estas dimensiones del pensamiento histórico, siguiendo el esquema y la estrategia de las pruebas de PISA. El resultado son una serie de reflexiones y principios fundamentales sobre el diseño de la evaluación para cada una de estas dimensiones del pensamiento histórico, así como propuestas de evaluación concretas que pueden resultar de gran utilidad. Aunque se trata de planteamientos y estrategias de evaluación tan sólo parcialmente novedosos, su plasmación en ejemplos concretos y la claridad de exposición convierten al libro en un valioso recurso de trabajo.
En definitiva, el texto realiza a nuestro juicio dos grandes aportaciones. Por un lado, la propuesta, de naturaleza teórica, de vincular la gran línea de trabajo que desde los años 70 propone un currículo de historia centrado en el desarrollo de la capacidad de pensamiento histórico con las corrientes e instrumentos actuales relacionados con la evaluación de competencias, una vía muy sugerente y con gran potencial. En segundo lugar, una revisión muy bien fundada y expuesta de las dimensiones del pensamiento histórico o conceptos metodológicos, que se proyecta en propuestas concretas y sugerentes de estrategias de evaluación. Sin duda, esta segunda aportación podría llevarse mucho más allá en profundidad y alcance, como puede verse en una revisión de los problemas y sugerencias aportadas en el volumen colectivo coordinado por Ercikan y Seixas, pero posiblemente sería a costa de una accesibilidad que tiene gran valor si pensamos en el libro como herramienta de transformación curricular.
Referencias
Ercikan, K. & P. Seixas (eds.) (2015). New Directions in Assessing Historical Thinking. New York: Routledge.
Pellegrino, J.W; N. Chudowsky & R. Glaser (eds.) (2001), Knowing what Students Know. The Science and Design of Educational Assessment. Washington: National Academic Press.
Seixas, P. & T. Morton (2013) The Big Six Historical Thinking Concepts. Toronto: Nelson College Indigenous
Javier Paricio Royo – Universidad de Zaragoza. E-mail: jparicio@unizar.es
[IF]Imprensa no Brasil / Escritas / 2015
A Escritas: Revista do Curso de História da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus de Araguaína, apresenta nesta edição o Dossiê Imprensa no Brasil, que possui nove interessantes artigos. No primeiro artigo do Dossiê, Carlos Henrique Ferreira Leite realiza uma reflexão acerca dos periódicos, enquanto fonte e objeto de pesquisa histórica, tendo em vista a produção historiográfica contemporânea.
No segundo, Rodrigo Fialho Silva traz uma discussão historiográfica sobre os autores clássicos que tratam da imprensa no Brasil, destacando os estudos que se debruçaram sobre a província de Minas Gerais. O terceiro artigo, de Leandro Climaco Almeida de Melo Mendonça, analisa-se a imprensa carioca entre 1880 e 1940, retratando como produtores e leitores de textos impressos estamparam suas marcas e experiências de vida nos periódicos desse período. Na sequência, Cláudio Amaral Overné apresenta um estudo sobre a Revista Nacional (1921-1923), impresso pedagógico, que tinha à frente o redator Lourenço Filho. Leia Mais
História Indígena: terra, conflitos e perspectivas / Escritas / 2015
A Escritas: Revista do Curso de História da Universidade Federal do Tocantins, Câmpus de Araguaína apresenta aos leitores, neste número, o Dossiê História Indígena: terra, conflitos e perspectivas, composto de oito artigos, que tratam a questão indígena em diferentes espaços, épocas e perspectivas analíticas. No primeiro artigo do Dossiê, Solon Natalício Araújo dos Santos investiga o papel dos Payayá e de outras etnias indígenas na chamada “Guerra dos Bárbaros”, ocorridas nos sertões da Capitania da Bahia no século XVII. No segundo artigo, Renata Ferreira de Oliveira trata dos discursos e narrativas acerca da posse das terras indígenas da Batalha, em Vitória da Conquista na Bahia, destacando tanto os relatos documentais quanto os relatos orais dos atuais moradores dessa região. Bruno Miranda Braga analisa os documentos que registram a presença de indígenas inseridos nas sociabilidades da Cidade de Manaus no segundo quartel do século XIX. Na sequência, Ana Cláudia de Souza Ferreira analisa os direitos territoriais indígenas presentes na legislação do Brasil Império, destacando o caso da Aldeia de Itaguaí, que se localizava no Rio de Janeiro. Noêmia Santos Pereira Moura e Edmundo Pires estudam o processo de territorialização Terena na Comunidade de Aldeinha, (1933 a 1984), em Mato Grosso do Sul, baseando-se em relatos escritos e orais. Dhiogo Rezende Gomes analisa os livros didáticos do 3º ano o Ensino Médio, retratando os limites da aplicação da lei que obriga os currículos e as escolas a trabalharem a história e cultura indígenas na educação básica. Sergio Luiz Marlow e Rosani Muniz Marlow, baseando-se um Michel Foucault, abordam a forma como as notícias do Jornal A Tribuna, do Estado do Espírito Santo, no ano de 2014, trataram da causa indígena na atualidade. Rogério Sávio Link aborda as representações que o Handbook of South American Indians faz sobre o povo indígena Apurinã em seus “seis volumes”, que foram produzidos na primeira metade do século XX e início da segunda metade.
Apresentamos, também, na seção livre, mais seis artigos com temas diversificados. Gustavo Balbueno de Almeida discute a criação do cargo de juiz de fora em Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da capitania do Mato Grosso, em 1752. Arthur Ferreira Reis estuda a apropriação do pensamento econômico de autores franceses radicados no Brasil, durante o Primeiro Reinado, tendo como base os jornais O Spectador Brasileiro e O Verdadeiro Liberal. Daniel Dutra Coelho Braga investiga os significados políticos das medidas tomadas pela Marinha francesa, durante a Restauração Bourbon, especialmente no que se refere à retomada da tradição de grandes viagens científicas. Geane Bezerra Cavalcanti trata da ocupação urbana na cidade do Recife, nas décadas de 1930 e 1940, que era habitada por várias famílias pobres. Pedro Marcos Mansour Andes analisa as imagens que se construíram de Manaus durante o período da chamada “estagnação econômica da região”, discutindo as demandas da cidade no período de 1945-1967. Por fim, finalizando esta seção, temos o artigo de Leandro Mendonça Barbosa que fala das narrativas míticas gregas, buscando relacionar a questão da autoctonia com imaginário religioso do mundo antigo.
A todos que nos agraciarem com a consulta e leitura desse número, uma boa leitura.
Os Editores
[DR]As Leis e suas práticas: a diversidade em exercício / História e Diversidade / 2015
As produções no campo da História e da Educação têm se debruçado sobre a formação de professores em níveis e enfoques diferentes, conferindo importância a esse debate em âmbito nacional, e repercutindo na conformação de processos legislativos referentes à educação brasileira. Não se trata, porém, de relação de “mão única”, pois da mesma forma que a produção acadêmica impacta os processos legislativos, esses últimos repercutem na reflexão especializada. Dai ter havido, nos últimos anos, uma significativa ampliação da produção relativa aos aspectos abordados pela legislação. Marcadamente, nos referimos aos temas da Diversidade e da Inclusão.
Neste dossiê, “As leis e suas práticas: a diversidade em exercício”, problematizou-se coletivamente a relação havida entre as instituições de ensino e os marcos regulatórios, com ênfase na discussão sobre as questões correntes nos processos de ajustamento da formação ofertada às normatizações estabelecidas pelas instâncias regulatórias. O dossiê reúne artigos de pesquisadoras e pesquisadores de todas as Regiões do Brasil, os quais propõem reflexões sobre a legislação referente aos processos de inclusão e de afirmação da diversidade e, ainda, os processos que impactam a formação, tanto na Educação Básica quanto no Ensino Superior, especialmente na interlocução entre essas instâncias.
Deste modo, as contribuições aqui reunidas compõem, de certa forma, um panorama dos debates que envolvem a implantação e implementação das Leis no 10.639/2003 e 11.645/2008 e os suportes metodológicos que lhe são correlatos. Eles incorporam ainda, discussões acerca dos desafios interportos para a concretização de uma educação inclusiva e antirracista. Não deixam de dar conta, também, de experiências de formação em cursos de Pós-graduação, experiências de formação inicial e continuada, na confluência entre História e Educação.
As leis nº. 10.639/2003 nº 11.645/2008 demarcam uma mudança substantiva na Educação brasileira e, por conseguinte, nos currículos de todos os níveis de ensino. Tratase da proposição da construção de novos paradigmas educacionais, sobretudo nos processos formativos. Aqueles paradigmas engendraram a adoção de políticas de ação afirmativa, dentre as quais se contam as leis supracitadas. Neste sentido, discutir sobre Diversidade e Inclusão, considerando um dos sentidos das políticas de Ação Afirmativa, é discutir processos de ampliação e consolidação dos fundamentos democráticos que sustentam nossa sociedade. Da mesma forma, discuti-las implica em considerarmos os processos necessários à implementação de uma educação que, efetivamente, se volte para a formação do cidadão, combatendo a discriminação e o preconceito em todos os níveis.
O artigo “A diversidade na História ensinada nos livros didáticos: mudanças e permanências nas narrativas sobre a formação da nação” que abre este Dossiê discute a incorporação, pela literatura didática, das críticas ao “mito da democracia racial” nas abordagens sobre a formação nacional. A partir da análise de obras didáticas utilizadas nas décadas de 1980, 1990 e 2000, os autores realizam análise sobre as formas pelas quais um dos dispositivos daquele “mito”, a ideologia da mestiçagem, é problematizado e conformado em saber histórico escolar. Argumentam, ainda, que a crítica àquela ideologia tornou-se mais presente na literatura didática, no entanto, ela não significou o abandono de alguns de seus pressupostos.
O segundo artigo “Relações Étnico-Raciais no PNBE 2008 para a Educação Infantil” analisa as estratégias ideológicas presentes no acervo de 2008 do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) destinada à Educação Infantil. Os autores refletem sobre os editais do PNBE (2003-2012) além de um acervo com vinte obras de literatura infantojuvenil distribuídas em 2008. Utilizou-se do método da Hermenêutica da Profundidade (HP), sistema interpretativo que permite identificar a presença de relações assimétricas de poder. Constatam, ainda, que em baixa frequência, representações positivas de alguns personagens negros. Contudo, os personagens brancos, além de continuarem mais frequentes, foram também mais detalhados. Além disso, enfatizam como o branco consta como norma social e pressupondo, inclusive, que os leitores presumidos sejam também brancos.
O terceiro artigo “Juntando as pontas no ensino de história da África: do chão da escola para a universidade reflete sobre duas experiências que envolvem o ensino de História da África”. De um lado, uma universidade federal nova, criada em uma zona de forte valorização ideológica da cultura do migrante europeu, onde a disciplina de História da África aparece como obrigatória dentro da grade curricular. De outro, a experiência em uma escola estadual de uma zona periférica de Porto Alegre onde, por meio de uma reforma na grade curricular, implantou-se um programa que privilegia a História da África e da cultura afro-brasileira no ensino secundário. Os autores procuraram, por meio de suas práticas, refletir sobre como estas experiências, aparentemente diversas, se relacionam, bem como sobre a importância de estabelecer a necessária ligação entre tais realidades.
O quarto artigo “Diversidade e diferença no espaço escolar: desafios para a educação inclusiva” sopesa conceitos relativos à diversidade e à diferença no contexto da defesa da igualdade. Essa análise fora realizada por intermédio de dados quantitativos e qualitativos, mensuráveis sob diferentes indicadores sociais e educacionais para reflexão daqueles conceitos.
O quinto artigo “O ensino de História e Geografia no DF: percalços e percursos de uma única história chamada Brasília” problematiza situações reveladas nas práticas de ensino das disciplinas citadas, que evidenciam algumas agruras das populações das localidades “não-Brasília”. No bojo da segregação espacial, revelam-se singularidades culturais, sociais e raciais. Com isto, abala-se a história tradicional, a identidade forjada brasiliense, e emergem outras, desconhecidas, recentes, híbridas e em franco processo de reafirmação, legitimidade e originariamente diversas.
O sexto artigo “Descolonizando histórias de África, culturas africanas e da diáspora” problematiza duas imagens com representações de modo de ser e lutar de povos africanos com ênfase nas clivagens entre cosmovisões de povos europeus e povos em diáspora. Os dados compilados e a reflexão realizada permitem atenção crítica a verdades e abstrações de uma história universal.
O sétimo artigo “Povos indígenas, ações afirmativas e universidade: conquistas e dilemas da reserva de vagas na Universidade Federal do Pará” analisa como se materializa o preceito normativo que regulamenta as ações afirmativas de ingresso universitário, com foco específico na reserva de vagas para povos indígenas existentes na Universidade Federal do Pará, a fim de compreender: (1) as dificuldades do processo de inclusão (considerando acesso e permanência na Instituição) dos indígenas estudantes; (2) a preparação ou qualificação continuada do corpo docente e técnico para saber lidar com a diversidade cultural; (3) rediscutir o exercício do direito à diversidade cultural na Universidade, com base nos aportes dos tratados internacionais de direitos humanos e das reivindicações políticas dos movimentos indígenas.
O oitavo artigo “História da África no ensino superior: imagens e representações dos estudantes do curso de licenciatura em história da UFMT, campus Cuiabá” problematiza a experiência da atuação docente na disciplina de História da África e Estágio Supervisionado no Curso de Licenciatura em História da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no campus de Cuiabá. Os autores realizam uma análise dos planos de aula sobre a história e cultura africana e afro-brasileira desenvolvido pelos estudantes, procurando compreender as imagens e representações forjadas no contexto das atividades pensadas para a Educação Básica.
O nono artigo “Entre estereótipos e saberes: a África e os africanos em um curso de licenciatura em história” discute a institucionalização da Lei no 10.639/2003 em um curso de Licenciatura em História a distância, destinado a professores leigos do Nordeste brasileiro. A autora demonstra o impacto que os conteúdos concernentes à Lei tiveram sobre os saberes a ensinar e discute alguns estereótipos e conhecimento sobre a temática, identificados nos depoimentos e postagens online dos docentes envolvidos nessa experiência de formação em serviço.
O Dossiê finaliza-se com o artigo “Por uma educação antirracista e intercultural: as contribuições do núcleo de estudos afro-brasileiros” evidencia as ações desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal da Grande Dourados. Os autores constatam que a atuação do NEAB é fundamental para a articulação de ações construção de uma educação inclusiva que vislumbre um diálogo intercultural, no qual os saberes das crianças negras e indígenas possam ser legitimados e, desse modo, possam romper com a visão homogeneizadora e hegemônica do currículo colonizado.
Por fim, este dossiê foi concebido como uma interlocução possível entre a produção de conhecimento e os problemas concretos da escola. Assim, ele não buscou hierarquizar saberes ou distinguir pesquisadores.
Agradecemos a todas e todos!
Boa leitura!
Mauro Cezar Coelho
Wilma de Nazaré Baía Coelho
COELHO, Mauro Cezar; COELHO, Wilma de Nazaré Baía. Apresentação. História e Diversidade, Cáceres – MT, v.6, n.1, 2015. Acessar publicação original [DR]
Cursos de formação de professores de História: cenário internacional, configurações e avaliação / História Hoje / 2015
Este Dossiê tem como objetivo compartilhar com professores, educadores e demais interessados um conjunto articulado de textos com reflexões sobre as propostas de configuração e avaliação dos cursos para formação de professores de História problematizando o atual contexto e a trajetória histórica e experiências desenvolvidas no Brasil, em Angola, Portugal e na Alemanha.
Para tanto, reunimos um conjunto de pesquisadores da área de História e Educação desses países, com o intuito de traçar um panorama das questões que perpassam a formação de professores de História no âmbito internacional e no específico de cada um dos países contemplados. Leia Mais
Ensino de História e Linguagem: discurso, narrativa e práticas de significação do tempo / História Hoje / 2015
As pesquisas no campo do ensino de História que hoje consideram os referenciais da historiografia e da teoria da História no diálogo com diversos outros campos de conhecimento têm crescido em quantidade e qualidade no Brasil. No entanto, em que pese o avanço teórico evidente e sua importante contribuição para a renovação do ensino dentro e fora da escola, poucos são os investigadores que têm se dedicado às questões concernentes à linguagem destacando, por um lado, a leitura e a escrita como práticas sociais, e, por outro, os gêneros discursivos em sua relação com o ensino e aprendizagem da História.
Destarte, o ensino de História é permeado e impactado pelas questões da Linguagem de forma singular, assemelhando-se e distinguindo-se da historiografia em seu sentido estrito. Nesse diálogo permanente, significantes como narrativa histórica tornam-se elementos centrais das empreitadas analíticas situadas em lugar de fronteira na busca por compreensão dos diferentes processos de significação do tempo presente que tomam lugar no espaço escolar. Articulados, tempo e narrativa, por sua qualidade discursiva compõem o processo de compreensão da existência temporal do ser humano, dado que o espaço do contar é um espaço de compreensão.
Movidas por essa preocupação, procuramos reunir neste dossiê estudos cujas preocupações recaem sobre os diálogos e tensões surgidos nos enfrentamentos e indagações pela aproximação de referenciais provenientes de dois campos: Ensino de História e Linguagem. Nesse sentido, ressaltam, em exercícios e propostas teórico-metodológicas, que a compreensão do tempo é produção linguística e que as operações discursivas envolvidas na narrativa implicam também um processo constitutivo da compreensão do mundo pelo homem, envolvendo, ainda, a constituição do próprio ser. A produção de sentido histórico no ensino de História está, dessa forma, impregnada pelo narrar o tempo e por seus desdobramentos pelos múltiplos e complexos espaços vividos.
Nesse marco analítico, propõe-se o adensamento de questões a princípio triviais e cotidianas da História escolar como os atos de ler o livro, copiar do quadro, escrever no caderno, responder provas, comprar e ler periódicos de divulgação de História e tantos outros aspectos que constituem este universo complexo, múltiplo, híbrido, ambivalente e polissêmico, que desperta muitos questionamentos e possibilidades investigativas.
A seção Dossiê é aberta pelo texto “Potencialidades das ‘narrativas de si’ em narrativas da história escolar”, de Ana Maria Monteiro e Mariana de Oliveira Amorim. As autoras apresentam as bases teórico-metodológicas de uma pesquisa em andamento que busca examinar as potencialidades das “narrativas de si” de professores, em sala de aula, para a construção do saber histórico escolar e, também, para a produção de identidades docentes.
Carmen Teresa Gabriel apresenta “Jogos do tempo e processos de identificação hegemonizados nos textos curriculares de História”, instaurando um diálogo com as teorizações do discurso e os estudos narrativos. Seu objetivo é explorar os jogos do tempo que articulam passado, presente e futuro nas narrativas identitárias hegemonizadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais de História (PCNs) que tem como leitor potencial o professor desta disciplina.
Patricia Bastos de Azevedo em “História Ensinada e Dialogismo: prática de letramento no 6º ano do Ensino Fundamental” empenha-se em compreender a produção de sentido em práticas de letramento na história ensinada que tomam lugar em uma sala de aula de história em uma escola estadual no Rio de Janeiro / Baixada Fluminense.
Marcelo Fronza convida-nos a ler o artigo “As narrativas históricas gráficas como expressão da aprendizagem histórica de jovens estudantes do ensino médio – perspectivas da educação histórica”. O autor enfoca aspectos da expressão da consciência histórica de jovens estudantes de ensino médio tomando como objeto de análise suas narrativas históricas gráficas. No texto, Fronza indaga-se se os conceitos de intersubjetividade e verdade, ligados à identidade histórica dos jovens, interferem na orientação de sentido no tempo.
Em “Práticas de escrita escolar no ensino de História: indícios de significação do tempo em manuscritos escolares”, Maria Lima analisa aspectos expressivos e contextuais de um manuscrito escolar de uma aluna de 6º ano, cuja produção é, socialmente, considerada insuficiente do ponto de vista de uma escrita convencional. A autora privilegia o enfoque dos aspectos expressivos e contextuais com a intenção de identificar as marcas que fortalecem a hipótese de que os sentidos ali instituídos remetem a movimentos de exclusão social apoiados em formações discursivas relacionadas a processos de silenciamento empreendidos por práticas que se utilizam da escrita e da História para doutrinar, mais do que para formar.
Maria Aparecida Leopoldino apresenta-nos o artigo “A leitura de textos literários no ensino de história escolar: entrelaçando percursos metodológicos para o trato com os conceitos de tempo e espaço”. A partir de uma abordagem focada no conceito de tempo e espaço em diálogo com literatura contextualizada no ensino de História nos anos iniciais de escolaridade, a autora realiza um exercício de leitura que se constitui em proposta teórico-metodológica que favorece a desnaturalização dos heróis e a crítica às datas comemorativas.
No artigo “Enseñanza de la Historia y enfoque narrativo”, Virginia Cuesta analisa narrativas históricas produzidas por crianças e jovens do “nível secundário” no contexto de aulas de História em que privilegiou o uso didático da empatia histórica. Sua análise é fundamentada no enfoque narrativo preconizado por Gerome Bruner, e nos aportes de Kieran Egan no concernente às relações entre o poder da imaginação no ensino e o pensamento narrativo. Mobiliza também referenciais da Crítica Literária para pensar o aspecto processual da produção de narrativas históricas pelos alunos, reforçando a ideia de que as práticas de ensino de História pressupõem um trabalho comprometido com a escrita.
Fechando o Dossiê, Ana Zavala aborda em seu texto “Pensar ‘teóricamente’ la práctica de la enseñanza de la Historia” o que significa falar em teorização da prática de ensino. Confronta, para isso, os dois modos de teorização, o acadêmico e o realizado pelos professores na sala de aula da Educação Básica. A autora nega a contradição entre teoria e prática, pensando sua complementaridade e potencialidades, destacando que há uma teoria guiando a prática concebida pelos próprios praticantes, sejam eles os professores, sejam os pesquisadores que investigam as práticas docentes.
Na seção Entrevista, convidamos você leitor a uma conversa instigante com o prof. Dr. Gonzalo de Amézola, docente da Universidade Nacional de La Plata (UNLP). O diálogo norteou-se, inicialmente, pelas reflexões em torno do que chamou de esquizohistoria, termo mobilizado no contexto de suas reflexões sobre as relações entre o conhecimento histórico acadêmico e o escolar em uma perspectiva histórica. Além disso, o prof. Amézola apresenta um panorama histórico do processo de constituição da disciplina escolar de História na Argentina, destacando como uma tradição de memorismo e nacionalismo, que marcam a prática docente naquele país até a atualidade, foi instaurada ao longo dos séculos XIX e XX na História ensinada, em uma perspectiva cada vez mais autoritária.
Na terceira seção, Falando de História Hoje, podemos ler o artigo intitulado “A teoria da história de Jörn Rüsen no Brasil e seus principais comentadores”, escrito por Wilian Carlos Cipriani Barom. Nesse artigo, pautando-se numa revisão da literatura produzida no Brasil, o autor busca identificar as principais contribuições da teoria de Rüsen para a história e seu ensino, de acordo com a opinião de pesquisadores e comentadores nacionais. Utiliza-se de uma amostragem de 34 artigos publicados em revistas e anais eletrônicos de eventos dedicados às áreas de História e Educação.
A quarta seção, E-storia, é composta por dois artigos. No primeiro, intitulado “Ensino de História e tecnologias digitais: trabalhando com oficinas pedagógicas”, Marcella Albaine Farias da Costa discorre sobre possibilidades de trabalho com / sobre tecnologias digitais a partir de sua própria experiência ao desenvolver atividades com oficinas pedagógicas. Reflete sobre as diferenças entre as estratégias propostas e uma atividade dita “tradicional”, defendendo o ponto de vista que as fixam enquanto espaço e tempo de formação e pesquisa
Em seguida, Joelci Mora Silva e Sônia da Cunha Urt, no texto “Professores de História e a internet nas escolas: concepções e caminhos”, discorrem sobre a inserção das redes sociais on-line no fazer docente assumindo como principais objetivos o estudo e a reflexão acerca dos caminhos do ensino de História em sua interlocução com o uso escolar da internet.
Na seção História Hoje na sala de aula somos instigados pelo artigo do professor Décio Gatti Júnior intitulado “Uma experiência de formação de professores em torno do conhecimento histórico-educacional na Universidade Federal de Uberlândia”. O texto traz uma reflexão sobre sua experiência de ensino da disciplina História da Educação em cursos de formação de professores entre 1994 e 2014. Destacando os esforços de construção de um programa disciplinar ajustado aos interesses dos alunos e que se conjugue aos propósitos formativos, o autor fornece subsídios para pensarmos a importância da permanência da disciplina nos cursos de licenciatura.
Na seção Resenha, Isabelle de Lacerda Nascentes e Sérgio Armando Diniz Guerra Filho apresentam-nos o livro Pesquisa em Ensino de História: entre desafios epistemológicos e apostas políticas, organizado por Ana Maria Monteiro, dentre outros autores. Ressaltam que o propósito central das discussões converge para o enfrentamento dos dilemas político-institucionais ligados ao reconhecimento e valorização do potencial da escola pública como lócus privilegiado de difusão e democratização de bens culturais, incluindo o conhecimento científico. Destacam ainda que os autores assumem um desafio epistemológico, articulando campos distintos e mobilizando discursos da historiografia, das teorias do currículo, da didática e da pedagogia que construam sentido e legitimidade para o ensino da disciplina de História.
Célia Santana Silva convida à leitura do livro Ensino de História: usos do passado, memória e mídia, organizado por Helenice Rocha, Marcelo Magalhães, Jaime Ribeiro e Alessandra Ciambarella. De acordo com ela, os autores apresentam reflexões sobre o uso social da História e suas interfaces entre o ensino de história e a circulação social da história nas diversas esferas de produção, além de considerações acerca dos usos do passado em diferentes mídias. Ressalta como os textos contribuem para a ampliação de diálogos e olhares com e para a história pública, ou seja, as histórias que são produzidas para e além dos muros da escola.
Na seção Artigos leremos três textos de caráter distinto.
Maria Aparecida da Silva Cabral é autora do artigo “O Currículo Mínimo, o Ensino de História e o Sistema Estadual de Avaliação no Estado do Rio de Janeiro: reflexões sobre os processos de ensino e aprendizagem na escola básica”. A autora analisa o processo de implementação, a partir de 2012, do Currículo Mínimo proposto pela Secretaria de Educação e Cultura estadual, enfocando o impacto dessa política educacional no cotidiano escolar, especificamente, nas aulas de História do Ensino Fundamental II.
Marta Ferreira, em “Os cadernos diários nos cotidianos do Ilè Aṣé Omi Larè Ìyá Sagbá”, convida-nos a conhecer as redes educativas construídas nesse terreiro de candomblé por meio da leitura dos ìtàn (histórias de òrìṣà) como narrativa histórica que dá sentido à religião, bem como dos cadernos / diários de crianças e adolescentes candomblecistas, que registram por escrito o aprendido nos cotidianos desse terreiro.
Por fim, o texto “Conexões entre escola e universidade: o Pibid e as estratégias de residência docente” assinado pelos professores da área de Ensino de História do Departamento de Ensino e Currículo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Fernando Seffner, Carla Beatriz Meinerz, Carmem Zeli de Vargas Gil, Caroline Pacievitch e Nilton Mullet Pereira. Os autores apresentam reflexões produzidas no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) desenvolvido com alunos do Curso de História da UFRGS.
Os debates tecidos neste volume não se fecham em si, mas abrem possibilidades outras, pois apresentam diferentes questões, algumas em seu processo embrionário e outras com uma trajetória mais consolidada. Nosso desafio, nesse sentido, é provocar no leitor um desassossego e um exercício de contrapalavra. Para isso, lançamos um convite aos graduandos, professores, pesquisadores e a comunidade mais ampla ao exercício de olhar com mais atenção ao comum e cotidiano e ao exótico e excepcional, pois trazemos uma incompletude e um inacabamento estruturante próprio desse processo de diálogo entre dois campos fecundos – ensino de História e Linguagem – que apresentam muitos desafios a serem enfrentados futuramente.
Maria Aparecida Lima dos Santos – Doutora em Educação. Docente do curso de Pedagogia, Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Membro do Grupo de Pesquisas Oficinas da História, sediado na UERJ. Campo Grande, MS, Brasil. E-mail: maria.lima-santos@ufms.br.
Patrícia Bastos de Azevedo – Doutora em Educação. Professora da área de Ensino de História, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Nova Iguaçu, RJ, Brasil. E- mail: patriciabazev@gmail.com.
Acessar publicação original desta apresentação
A cultura no mundo líquido moderno | Zygmunt Bauman
Com seu livro intitulado A Cultura no Mundo Líquido Moderno, no original Culture in a Liquid Modern World, Zygmunt Bauman prossegue em 2013 suas análises sobre a modernidade, fazendo uma síntese das características que tomou a cultura desde a era “sólida” até a era “líquida”, bem como sua relação com o “multiculturalismo” e “globalização”.
No primeiro capítulo Bauman procura demonstrar que na atualidade não se firmam mais as antigas distinções entre a elite cultural e o chamado “grande público”, essa hierarquia cultural deu lugar a uma elite diversificada que aprecia tanto a “grande arte” quanto os programas populares de televisão e, “onivoramente”, consome diversas formas de arte, tanto populares quanto intelectualizadas, porém preocupada demais em celebrar o sucesso e outras formas festejadas ligadas a cultura. Descreve também “as peregrinações históricas do conceito de cultura”, desde o Renascimento, passando pela reviravolta causada por Pierre Bourdieu no século XX, chegando até os dias atuais, quando adentra a era “líquida”. Bauman mostra que o conceito de “cultura”, surgido no âmbito rural para incitar a ação agrícola, o arado e a semeadura, também esteve relacionado ao cultivo de almas (cultura animi), a interação entre protetores e protegidos, educadores e educados, e ainda esteve relacionado aos ideais iluministas e a construção de uma nação, de um Estado e de um Estado-nação, e ainda a aproximação entre as classes altas e o “povo”, ou seja, entre os que estão na base da sociedade e os que estão no topo. A perda de posição do conceito de “cultura” é resultado de uma série de processos de caracterizam a transformação da modernidade de seu estado “sólido” para seu estado “líquido”, o que Bauman denomina de “modernidade líquida”. Leia Mais
Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.23, n.1, 2015 / v.26, n.3, 2018.
Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.26, n.3, 2018
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- Resumo: EN PT
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- · “Estará nas pílulas anticoncepcionais a solução?” Debate na mídia entre 1960-1970 Artigos
- Dias, Tânia Maria; Bonan, Claudia; Nakano, Andreza Rodrigues; Maksud, Ivia; Teixeira, Luiz Antônio
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- · Cuerpos y espacio en un mito de origen alternativo Artigos
- Der-Ohannesian, Nadia
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- · Memorias de las militancias femeninas antes del Golpe de Estado (Valparaíso) Artigos
- Contreras, María Angélica Cruz
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- · Representação da Mulher da Araucanía-Chile na Revista Tic Tac (1914) Artigos
- Dietz, Sandra del Pilar López; Pailahual, Stefanie Pacheco; Dietz, Ana Paola López; Valdebenito, Luis Alejandro Nitrihual
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- · “Avisem-me se eu começar a me tornar eu mesma demais”: Lispector nos anos de chumbo Artigos
- Rosito, Valeria
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- · Homofobia e os socialistas brasileiros em “O Lampião da Esquina” (1978-1981) Artigos
- Moretti-Pires, Rodrigo Otávio; Tesser Júnior, Zeno Carlos; Kovaleski, Douglas Francisco
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- · Um olhar sobre a fotografia feminista brasileira contemporânea Artigos
- Soares, Maria Thereza Gomes de Figueiredo; Feitosa, Márcia Manir Miguel; Ferreira Junior, José
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- · Gênero, trabalho e cidadania: função igual, tratamento salarial desigual Artigos
- Lima, Camila Rodrigues Neves de Almeida
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- · Calipso e a intransigência do gênero Artigos
- Mwewa, Christian Muleka; Cechinel, André; Vaz, Alexandre Fernandez
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- · Descolonização, feminismos e condição queer em contextos africanos Artigos
- Rea, Caterina Alessandra
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- · Clara Fernandes, uma lésbica perante o Tribunal da Inquisição (1555-1560) Artigos
- Silva, Ronaldo Manoel
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- · Mais razão e menos emoção: o discurso de autoajuda para mulheres Artigos
- Brunelli, Anna Flora
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- · Vivências e perceções de sexualidade de portuguesas com mais de 65 anos Artigos
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- · Feminismo materialista na França: sócio-história de uma reflexão Artigos
- Abreu, Maira
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- · Ecofeminismo, teorias do care e as críticas a protetoras de animais de rua Artigos
- Osório, Andréa
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- · Literatura negra, feminismo negro e tradução: uma entrevista com Conceição Evaristo Ponto De Vista
- Jesus, Jessica Oliveira de; Cassilhas, Fabrício Henrique Meneghelli; Santos, Silvana Martins dos
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- · As (po)éticas do espaço: mulheres negras e exposições museológicas Resenhas
- Britto, Clovis Carvalho
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- · Reconhecer as diferenças para superar os (pre)conceitos de gênero e de sexualidade na educação Resenhas
- Lemes, Luana Borges
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- · Feminismos, Masculinidades e Transexualidade Resenhas
- Andrade, Isabela Assunção de Oliveira
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- · O binarismo à deriva: as sexualidades performáticas de “Gêneros incríveis” Resenhas
- Lucca, Paulo Roberto; Passamani, Guilherme Rodrigues
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- · Traduções, diálogos e (des)construções: a crítica feminista em quatro tempos Resenhas
- Silva, Edilane Ferreira da
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- · Educação Física e sexualidade: desafios educacionais Resenhas
- Devide, Fabiano Pries
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- · Entre el Buen Vivir y el feminismo: avances, desafíos y encrucijadas Resenhas
- Martínez, Susana Martínez
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- · Mães arrependidas: literatura comercial ou crítica feminista? Resenhas
- Santos, Kátia Alexsandra dos
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- · Errata: Gênero, trabalho e cidadania: função igual, tratamento salarial desigual Errata
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- · Vozes que importam: o sótão ecoa pela casa Special Section
- Monteiro, Flávia Rodrigues
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- · “Um desvio no anseio”: Relações entrelaçadas entre gênero, sexualidade e desejo lésbico em What Night Brings de Carla Trujillo e Gulf Dreams de Emma Pérez Special Section
- Gouvêa, Nathália Araújo Duarte de
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- · Uma política feminista da ambivalência: lendo com Emma Goldman Special Section
- Hemmings, Clare
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- · Justiça de gênero na análise feminista de políticas públicas em Argentina, Brasil e Chile Special Section
- Muñoz-Cabrera, Patricia; Rangel, Patricia Duarte
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- · História do feminismo e fazendo gênero na Índia Special Section
- Pande, Rekha
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- · Direitos Humanos e a violência contra mulher: Caso Campo Algodonero Special Section
- Paula, Dandara Oliveira de
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- · Feminismos em tempos incertos Special Section
- Funck, Susana Bornéo; Wolff, Cristina Scheibe
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- · Vicissitudes da internacionalização: artigos acadêmicos em revistas brasileiras Special Section
- Lago, Mara Coelho de Souza
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- · Como tudo começou: o congresso Mundos de Mulheres e a rede internacional Special Section
- Safir, Marilyn P.
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.26, n.2, 2018
- · Revista Estudos Feministas: 26 anos de publicação Editorial
- Ramos, Tânia Regina Oliveira; Lago, Mara Coelho de Souza; Minella, Luzinete Simões
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- · Tradução do Verbete Hausfrauisierung (H) Verbete
- Haug, Frigga; Teixeira, Mylene N.; Strazzeri, Victor
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- · Subjetividades femininas na ópera oitocentista: notas sobre Norma, La Traviata e Carmen Artigos
- Liblik, Carmem Kummer
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- · Feminicídios: um longo debate Artigos
- Gomes, Izabel Solyszko
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- · Relações de gênero e inovação: atuação de mulheres nos NITs paulistas Artigos
- Liberato, Tatiane Furukawa; Andrade, Thales Haddad Novaes de
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- · Relações de gênero e organização em casais que trabalham fora de casa: execução vs. responsabilidade Artigos
- Campos, Consuelo Campos; Muñoz, Lucía Saldaña
- Resumo: EN ES PT
- Texto: ES
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- · Da excitação à multiplicação: imagens sadomasoquistas e fetichistas de Bizarre Artigos
- Pires, Rogério Brittes W.
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- · A atuação e presença das mulheres nas revistas médicas paulistas: 1898-1930 Artigos
- Silva, Márcia Regina Barros da; Oliveira, Isabella Bonaventura de
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · A escrita da mulher/a escrita feminina na poesia de Maria Teresa Horta Artigos
- Souza, Natália Salomé de; Pereira, Vinícius Carvalho
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- · “Ellas hacen”. Programas sociales y exigencias a las mujeres en Argentina Artigos
- Arcidiácono, Pilar; Bermúdez, Ángeles
- Resumo: EN ES
- Texto: ES
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- · “Como uma garota”: novas regras na publicidade de absorventes Artigos
- Arndt, Gilmara Joanol; Miguel, Raquel de Barros Pinto; Michaelsen, Mariana Vogt; Barbosa, Luiza Harger
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- Texto: PT
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- · Trajetórias sociais de gays e lésbicas moradores de rua de Florianópolis (SC), 2016 Artigos
- Campos, Dalvan Antonio de; Moretti-Pires, Rodrigo Otávio
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Turismo sexual infanto-juvenil em xeque no contexto da Copa do Mundo de 2014 Artigos
- Castilho, César Teixeira; Evrard, Barbara; Pacheco, Leonardo Turchi; Charrier, Dominique
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Mulheres negras nos carnavais paulistanos: quem são elas? (1921-1967) Artigos
- Silva, Zélia Lopes da
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- · O discurso cristão sobre a “ideologia de gênero” Artigos
- Machado, Maria das Dores Campos
- Resumo: EN PT
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- · A Marquesa de Santos e o gosto pelo poder: de “favorita” à militante liberal Artigos
- Vasconcelos, Maria Celi Chaves; Rezzutti, Paulo Marcelo
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Paternidade e paternagem em famílias patrifocais Artigos
- Abade, Flávia; Romanelli, Geraldo
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- Texto: PT
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- · Memórias dos corpos sem órgãos nas duas Agdas, de Hilda Hilst Artigos
- Santana, Jorge Alves
- Resumo: EN PT
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- · Trabajo social y estudios de género. Vindicando un espacio científico propio Artigos
- Romero, Belén Agrela; Villena, Amalia Morales
- Resumo: EN ES
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- · Discriminación de Género en el Sistema Universitario Argentino Artigos
- Morón, Nazareth Gallego
- Resumo: EN ES
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- · Condições de trabalho num universo profissional feminizado Artigos
- Monteiro, Rosa; Freitas, Vivalda; Daniel, Fernanda
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Artivismo, estética feminista e produção de subjetividade Artigos
- Stubs, Roberta; Teixeira-Filho, Fernando Silva; Lessa, Patrícia
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Intersetorialidade e ações de combate à violência contra a mulher Artigos
- Couto, Vinicius Assis; Rocha, Rafael Lacerda Silveira; Ribeiro, Ludmila Mendonça Lopes; Silveira, Andrea Maria
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · O Feminismo em Boa Marcha no Brasil! Bertha Lutz e a Conferência pelo Progresso Feminino Artigos
- Karawejczyk, Mônica
- Resumo: EN PT
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- · Modelos culturais e anencefalia: aborto ou antecipação terapêutica de parto? Ponto De Vista
- Santos, Aline Nardes dos; Chishman, Rove Luiza de Oliveira
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Guerras, mulheres e memórias: entrevista com a escritora Paulina Chiziane Ponto De Vista
- Santos, Tiago Ribeiro dos
- Texto: PT
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- · Las mujeres y sus espacios: partidos, derechos y debates en el Uruguay de 1920 y 1938 Seção Temática
- Vazquez, Maria Laura Osta; García, Alvaro
- Resumo: EN ES
- Texto: ES
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- · A primavera feminista. Vozes de luta da emancipação feminina no Brasil e Uruguai Seção Temática
- Nascimento, Alcileide Cabral do
- Texto: PT
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- · A Cruzada Feminista Brasileira e a Cultura Política em Pernambuco (1927-1932) Seção Temática
- Nascimento, Alcileide Cabral
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Uma poética da emancipação feminina nos sertões goianos (século XIX) Seção Temática
- Prado, Paulo Brito do; Freitas, Eliane Martins de
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Pesos e medidas em estudos de gênero: os desafios para a mensuração de mudanças sociais Resenha
- Campos, Marden Barbosa de
- Texto: PT
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- · Uma trajetória revisitada: o pioneirismo de Maria Ignez Paulino nos estudos sobre mulheres rurais Resenha
- Salvaro, Giovana Ilka Jacinto
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- · Derechos sexuales y la internet, antología Global Information Society Watch Resenhas
- Goldsman, Florencia
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- · Nazismo, gênero e as crianças da “raça superior” Resenhas
- Pinsky, Carla Bassanezi
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- · A palavra em disputa Resenhas
- Dutra, Paula Queiroz
- Texto: PT
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- · Errata Errata
- Texto: PT
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.26, n.1, 2018
- · Publicar é resistir Editorial
- Minella, Luzinete Simões; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
- Texto: PT
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- · O ‘feminino’ como gênero do desenvolvimento Artigos
- Marins, Mani Tebet Azevedo de
- Resumo: EN PT
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- · Crítica feminista à ciência: das “feministas biólogas” ao caso das “neurofeministas” Artigos
- Nucci, Marina Fisher
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · O infanticídio como expressão da violência e negação do mito do amor materno Artigos
- Pinheiro, Veralúcia
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Los feminismos jurídicos en Argentina. Notas para pensar un campo emergente a partir de la década de 1990 Artigos
- Lerussi, Romina Carla; Costa, Malena
- Resumo: EN ES
- Texto: ES
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- · A busca pela ascensão feminina no PDS Virola Jatobá, Anapu-PA Artigos
- Chaves, Ana Ruth dos Santos; Castro, Roberta Rowsy Amorim de; Menezes, Andreia de
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Violência obstétrica em maternidades públicas do estado do Tocantins Artigos
- Guimarães, Liana Barcelar Evangelista; Jonas, Eline; Amaral, Leila Rute Oliveira Gurgel do
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- · Cuerpos, sensibilidades y acción colectiva (Argentina, 2002) Artigos
- Vergara, Gabriela del Valle
- Resumo: EN ES
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- · As peregrinações de uma pária de Flora Tristan e a construção de uma feminista Artigos
- Torrão Filho, Amilcar
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Imperfeições no papel: a infertilidade nas páginas da Revista Pais & Filhos Artigos
- Vázquez, Georgiane Garabely Heil
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Vivenciando o ser mulher em uma mina de carvão Artigos
- Araujo, Fernanda Santos; Vasconcellos, Bruna Mendes de
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- · “Em nome da mãe”: performatividades e feminizações em um CRAS Artigos
- Detoni, Priscila Pavan; Machado, Paula Sandrine; Nardi, Henrique Caetano
- Resumo: EN PT
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- · Por uma história menor – uma análise deleuziana sobre a história das mulheres Artigos
- Tedeschi, Losandro Antonio
- Resumo: EN PT
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- · Discriminação de gênero em grandes empresas no Brasil Artigos
- Proni, Thaíssa Tamarindo da Rocha Weishaupt; Proni, Marcelo Weishaupt
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Polícia Militar é lugar de mulher? Artigos
- Ribeiro, Ludmila
- Resumo: EN PT
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- · Gênero e cultura material: a dimensão política dos artefatos cotidianos Ensaio
- Santos, Marinês Ribeiro dos
- Resumo: EN PT
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- · Igualdad de género y conciliación familiar: entrevista con Nuria Pumar Beltrán Ponto De Vista
- Riesco, Rocio
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- · Mulheres atletas de futsal: estratégias de resistência e permanência no esporte Artigos Temáticos
- Silva, André Luiz dos Santos; Nazário, Patrícia Andrioli
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- · Feminismos, interseccionalidades e consubstancialidades na Educação Física Escolar Artigos Temáticos
- Auad, Daniela; Corsino, Luciano
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- · Gênero e cultura corporal de movimento: práticas e percepções de meninas e meninos Artigos Temáticos
- Altmann, Helena; Ayoub, Eliana; Garcia, Emília Fernández; Rico, Elena Ramírez; Polydoro, Soely Aparecida Jorge
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- · Guerreiras Project: futebol e empoderamento de mulheres Artigos Temáticos
- Anjos, Luiza Aguiar dos; Ramos, Suellen dos Santos; Joras, Pamela Siqueira; Goellner, Silvana Vilodre
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- · O armário da sexualidade no mundo esportivo Artigos Temáticos
- Camargo, Wagner Xavier de
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- · Deporte femenino en Italia entre el fascismo y la democracia (1927-53) Artigos Temáticos
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- · Mulheres na máquina do abandono: a escuta de Debora Diniz num presídio feminino Resenhas
- Rosa, Marinês da
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- · Breve panorama acerca dos estudos feministas Resenhas
- Silva, Mariane da
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- · Arte feminista no Brasil? Algumas vias para o debate Resenhas
- Silva, Rebecca Corrêa e
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- · Pensando uma estética feminista na arte contemporânea: diálogos entre a história e a crítica da arte com o feminismo Resenhas
- Stubs, Roberta
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- · Experiências das mulheres na escravidão, pós-abolição e racismo no feminismo em Angela Davis Resenhas
- Santos, Ineildes Calheiro dos; Oliveira, Eduardo
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- · Errata: O ‘feminino’ como gênero do desenvolvimento Errata
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.25, n.3, 2017
- · Editorial Editorial
- Minella, Luzinete Simões; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · Um fim à negligência em relação aos problemas da mulher negra! Artigos
- Jones, Claudia; Sotero, Edilza; Perry, Keisha-Khan Y.
- Resumo: EN PT
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- · E as mulheres negras? Narrativas históricas de um feminismo à margem das ondas Artigos
- Silva, Tauana Olivia Gomes; Ferreira, Gleidiane de Sousa
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- · Feminismos Subalternos Artigos
- Ballestrin, Luciana Maria de Aragão
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- · Feminismo e narrativa nacional no Brasil e em Portugal Artigos
- Maia, Cláudia J.
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- · Empoderamiento y feminismo comunitario en la conservación del maíz en México Artigos
- Rubio, Ana Gabriela Rincón; Bordi, Ivonne Vizcarra; Ortíz, Humberto Thomé; Muro, Patricia Gascón
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- · A saia justa da Arqueologia Brasileira: mulheres e feminismos em apuro bibliográfico Artigos
- Ribeiro, Loredana; Formado, Bruno Sanches Ranzani da Silva; Schimidt, Sarah; Passos, Lara
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- · Medicina e feminização em universidades brasileiras: o gênero nas interseções Artigos
- Minella, Luzinete Simões
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- · Mulheres da expansão portuguesa: histórias de (in)submissão Artigos
- Machado, Alleid Ribeiro
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- · O aborto provocado: um estudo a partir das experiências das mulheres Artigos
- Beraldo, Ana; Birchal, Telma de Souza; Mayorga, Claudia
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- · Morte por aborto clandestino na imprensa: Jandira, Elizângela e Operação Herodes Artigos
- Luna, Naara
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- · “Leyes que son cuerpo/cuerpos que son leyes”: proyectos de ley de aborto en Argentina Artigos
- Zicav, Eugenia; Astorino, Julieta; Saporos, Lucas
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- · Desafios à representação política de mulheres na Câmara dos Deputados Artigos
- Rezende, Daniela Leandro
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- · Voltando à discussão sobre capitalismo e patriarcado Artigos
- Miguel, Luis Felipe
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- · Um corpo (des)governado: hierarquias de gênero, governamentalidade e biopolítica Artigos
- Luckmann, Felipe; Nardi, Henrique Caetano
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- · Judith Butler en Argentina. Recepción y polémicas en torno a la teoría de la performatividad del género Artigos
- Vacarezza, Nayla Luz
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- · Conflitos armados e a agenda internacional: a questão da mulher Artigos
- Matuella, Iazana
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- · Sob o véu da intervenção: discursos de gênero na guerra do Afeganistão Artigos
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- · La violencia de género em Ecuador: un estudio sobre los universitarios Artigos
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- · Experiencias de amor y violencia en los primeros noviazgos juveniles Artigos
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- · El Movimiento social del cáncer de mama como dispositivo neoliberal Ensaio
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- · Gênero e cinema, uma história de teorias e desafios Seção Temática
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- · Heroínas pós-feministas: as contradições da produção audiovisual feminina no YouTube Seção Temática
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- · Iniciativas e ações feministas no audiovisual brasileiro contemporâneo Seção Temática
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- · Relações de gênero no cinema: contestação e resistência Seção Temática
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- · Variaciones en la trasgresión desde el ojo protésico de María Luisa Bemberg Seção Temática
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- · Construção de gênero, laços afetivos e luto em Paris Is Burning Seção Temática
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- · Afetos e velhice feminina em Grace and Frankie Seção Temática
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- · Carolee Schneemann. El cine como autobiografía, la artista como actriz, el cuerpo como pincel Seção Temática
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- · Narrativas imaginales de los cuerpos y las sexualidades: Géneros y corporalidades en el filme Feos, sucios y malos Seção Temática
- Dipaola, Esteban Marcos
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- · Entre lo propio y lo ajeno: modulaciones identitarias fronterizas en Pedro Almodóvar, Eduardo Mendicutti y Luis Antonio de Villena Thematic Section
- Bonatto, Adriana Virginia
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- · Desvelando imagens: o visível e o indizível na pele que habitamos Seção Temática
- Breder, Debora; Coelho, Paloma
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- · Mulheres, policiais, militares: uma análise histórica das primeiras PMs paranaenses Resenhas
- Gomes, Gilvana de Fátima Figueiredo
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- · A questão do aborto na democracia: descompassos e desafios Resenhas
- Evangelista, Marcela Boni
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- · Pareceristas Pareceristas
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.25, n.2, 2017
- · Editorial Editorial
- Minella, Luzinete Simões; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · ”La cadena sexo-género-revolución” Artigos
- Pérez, Moira
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- · “Tudo é sempre de muito!”: produção de saúde entre travestis e transexuais Artigos
- Sampaio, Juliana Vieira; Germano, Idilva Maria Pires
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- · Travestilidade às avessas – a desconstrução de uma “paródia” identitária Artigos
- Fernandes, Luís Antonio Bitante; Borges, Águeda Aparecida da Cruz; Lôbo, Rodolfo Pinheiro Bernardo
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- · Sob o “melhor interesse”! O ‘homoafetivo’ e a criança nos processos de adoção Artigos
- Coitinho, Ricardo Andrade
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- · Representações de docentes acerca da diversidade sexual e homofobia Artigos
- Souza, Elaine de Jesus; Silva, Joilson Pereira da; Santos, Claudiene
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- · Masculinidades e docência na educação infantil Artigos
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- · Tráfico internacional de pessoas para exploração sexual? Uma análise de processos-crime (1995-2012) Artigos
- Venson, Anamaria Marcon
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- · “Percorrendo caminhos da angústia”: itinerários abortivos em uma capital nordestina Artigos
- Porto, Rozeli Maria; Sousa, Cassia Helena Dantas
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- · Silêncio e vergonha: contracepção de emergência em drogaria do Rio de Janeiro Artigos
- Paiva, Sabrina Pereira; Brandão, Elaine Reis
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- · Silêncios nos discursos pró-aleitamento materno: uma análise na perspectiva de gênero Artigos
- Kalil, Irene Rocha; Aguiar, Adriana Cavalcanti de
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- · Negociaciones en familia: género, trabajo y cuidado en Chile Artigos
- Urrutia, Verónica Gómez; Faúndez, Oriana Arellano; Contreras, Cristina Valenzuela
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- · Mulheres camponesas, discursos e práticas para outro desenvolvimento Artigos
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- · “Mulher é trem ruim”: a “cozinha” e o “sistema” em um povoado norte-mineiro Artigos
- Cerqueira, Ana Carneiro
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- · Os casos e o gênero: acontecimentos da moralidade camponesa Artigos
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- Borgeaud-Garciandía, Natacha
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- · El discurso feminista en Chile y las imágenes de la mujer en la República Española Artigos
- Montero, Claudia
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- · Psicologia: profissão feminina? A visão dos estudantes de Psicologia Artigos
- Figuerêdo, Raiza Barros de; Cruz, Fatima Maria Leite
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- · Como adolescentes apreendem a ciência e a profissão de cientista? Artigos
- Reznik, Gabriela; Massarani, Luisa Medeiros; Ramalho, Marina; Malcher, Maria Ataide; Amorim, Luis; Castelfranchi, Yurij
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- · Investigando questões de gênero em um curso da área de Computação Artigos
- Amaral, Marília Abrahão; Emer, Maria Claudia Figueiredo Pereira; Bim, Silvia Amélia; Setti, Mariangela Gomes; Gonçalves, Marcelo Mikosz
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- · Queer na primeira pessoa: notas para uma enunciação localizada Ensaios
- Lourenço, Daniel
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- · Zonas de clandestinidad y “nuda vida:” Mujeres, cuerpo y aborto Ensaios
- Sutton, Barbara
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- · O Antropoceno, o pós-humano e o novo materialismo: intervenções feministas Debate: O Antropoceno, O Pós-Humano E O Novo Materialismo
- Costa, Claudia de Lima; Funck, Susana Bornéo
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- · Feminismos transcorpóreos e o espaço ético da natureza Debate: O Antropoceno, O Pós-Humano E O Novo Materialismo
- Alaimo, Stacy
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- · La política como encuentro y respons-habilidad: Aprender a conversar con los otros enigmáticos Debate: The Anthropocene,the Post-Human, And The New Materialism
- Meissner, Hanna
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- · The Anthropocene (and) (in) the Humanities: Possibilities for Literary Studies Debate: The Anthropocene,the Post-Human, And The New Materialism
- Savi, Melina Pereira
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- · A propósito de “feminismos transcorpóreos e o espaço ético da natureza”, de Stacy Alaimo Debate: O Antropoceno, O Pós-Humano E O Novo Materialismo
- Brandão, Izabel
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- · O mosquito da indiferença Resenhas
- Segata, Jean
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- · Gênero e trabalho nos babaçuais maranhenses Resenhas
- Eugenio, Benedito
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- · Instituições armadas, gênero e poder: reflexões para a transformação Resenhas
- Arno, Fernanda
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.25, n.1, 2017
- · Editorial Editorial
- Wolff, Cristina Scheibe; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · Cultura do estupro: prática e incitação à violência sexual contra mulheres Artigos
- Sousa, Renata Floriano de
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- · Redefinindo as fronteiras do pós-colonial. O feminismo cigano no século XXI Artigos
- Rea, Caterina Alessandra
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- · Hacia la búsqueda de vidas vivibles. El caso de las Feministes Indignades en Barcelona Artigos
- Díaz, Alejandra Araiza
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- · Homem Negro, Negro Homem: masculinidades e feminismo negro em debate Artigos
- Conrado, Mônica; Ribeiro, Alan Augusto Moraes
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- · Contribuições feministas para os estudos acerca do aprisionamento de mulheres Artigos
- Carvalho, Daniela Tiffany Prado de; Mayorga, Claudia
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- · Gênero, sexo e raça e a formação de subjetividades femininas em Cuba, século XIX Artigos
- Cabrera, Olga
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- · Narrativas sobre conjugalidade de mulheres que se relacionam com crossdressers Artigos
- Vencato, Anna Paula
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- · Maternidad y prostitución ¿contradictorias y excluyentes? Artigos
- Cristoffanini, Macarena Trujillo
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- · El aporte de las familias y las mujeres a los cuidados no remunerados en salud en Uruguay Artigos
- Batthyány, Karina; Genta, Natalia; Perrotta, Valentina
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- · Como famílias de baixa renda em São Paulo conciliam trabalho e família? Artigos
- Madalozzo, Regina; Blofield, Merike
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- · La mujer en los órganos de gobierno de la Universidad de Sevilla Artigos
- Llorent-Bedmar, Vicente; Palma, Verónica Cobano-Delgado
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- · Gênero, sexualidades e mídias contemporâneas: do pessoal ao político Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
- Miskolci, Richard; Pelúcio, Larissa
- Texto: PT
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- · Consumindo Carmen Miranda: deslocamentos e dissonâncias nas recepções de um ícone Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
- Balieiro, Fernando Figueiredo
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- · “Como cheguei a ser o que sou”? Uma estética da torção em filmes das décadas de 60 e 70 Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
- Bessa, Karla Adriana Martins
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- · Educação do corpo: o seriado Mulher e a promoção de mensagens médico-educativas Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
- Almeida, Heloisa Buarque de
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- · Reconfigurações da intimidade Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
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- · Nossa esperança é ciborgue? Subalternidade, reconhecimento e “tretas” na internet Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
- Carvalho, Mário Felipe de Lima
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- · O cis pelo trans Seção Temática Gêneros, Sexualidades E Mídias Contemporâneas
- Rodovalho, Amara Moira
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- · A atualidade da obra de Mary Wollstonecraft Resenhas
- Estacheski, Dulceli de Lourdes Tonet; Medeiros, Talita Gonçalves de
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- · Empoderamento e interdisciplinaridade no combate às violências contra a mulher Resenhas
- Bittelbrun, Gabrielle Vívian
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- · Jogos digitais, identidade e identificação não-masculina / não-heterossexual Resenhas
- Goulart, Lucas Aguiar; Nardi, Henrique Caetano
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- · Cuidado, cidadania e consubstancialidade: questionando as definições de tempo, trabalho e valor Resenhas
- Mello, Soraia Carolina de
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- · Perspectivas feministas africanas e organizações de mulheres em Moçambique Resenhas
- Gasparetto, Vera Fátima
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- · ERRATA Errata
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.24, n.3, 2016
- · Editorial Editorial
- Wolff, Cristina Scheibe; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · Uma questão de gênero: ofensas de leitores à Dilma Rousseff no Facebook da Folha Artigos
- Stocker, Pâmela Caroline; Dalmaso, Silvana Copetti
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- · O gênero negro: apontamentos sobre gênero, feminismo e negritude Artigos
- Fernandes, Danubia de Andrade
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- · Entre o obsceno e o científico: pornografia, sexologia e a materialidade do sexo Artigo
- Duarte, Larissa Costa; Rohden, Fabiola
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- · A biopolítica do corpo feminino em estratégias contemporâneas de ativismo digital Artigo
- Silva, Tarcisio Torres
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- · Travestis e transexuais: corpos (trans)formados e produção da feminilidade Artigo
- Longaray, Deise Azevedo; Ribeiro, Paula Regina Costa
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- · Judith Gautier e o espanto de Baudelaire: papéis sociais e espaços literários no século XIX Artigo
- Cubas, Caroline Jaques; Abes, Gilles Jean
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- · Uma “perspectiva parcial” sobre ser mulher, cientista e nordestina no Brasil Artigo
- Santos, Vívian Matias dos
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- · Para além do gênero: mulheres e homens em engenharias e licenciaturas Artigos
- Casagrande, Lindamir Salete; Souza, Ângela Maria Freire de Lima e
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- · Redes de enfrentamento da violência contra mulheres no Sertão de Pernambuco Artigo
- Scott, Parry; Nascimento, Fernanda Sardelich; Cordeiro, Rosineide; Nanes, Giselle
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- · “No somos feministas”. Género, igualdad y neoliberalismo en Chile Artigos
- Ramos, Carmen Gloria Godoy
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- · Direito, gênero e feminismo: uma conversa com Ela Wiecko Volkmer de Castilho Ponto De Vista
- Gomes, Maurício Pereira; Guzzo, Morgani
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- · Dinâmicas de gênero e feminismos em contextos africanos Dossiê
- Rocha, Eufémia Vicente; Vieira, Miriam Steffen
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- · Para além dos feminismos: uma experiência comparada entre Guiné-Bissau e Brasil Dossiê
- Figueiredo, Angela; Gomes, Patrícia Godinho
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- · Algumas notas sobre bonecas para mulheres “negras” em Maputo Dossiê
- Cruz, Denise Ferreira da Costa
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- · Normalizar a existencia lésbica Dossiê
- Cabanillas, Natalia
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- Texto: ES
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- · Musicalidades das cabo-verdianas nas roças de São Tomé e Príncipe Dossiê
- Semedo, Carla Indira Carvalho
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- · Mulheres na “fornadja”. Tecendo caminhos (im)possíveis para a emigração Dossiê
- Carvalho, Carla Santos de
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- · Crioulidade, colonialidade e género: as representações de Cabo Verde Dossiê
- Monteiro, Eurídice Furtado
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- · 40 anos de independência. Uma reflexão em torno da condição da mulher angolana Dossiê
- Liberato, Ermelinda
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- · A política de gênero, do pessoal ao global Resenhas
- Procópio, Adélia de Souza
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- · Edith Mendes e o feminismo na Bahia no início do século XX Resenhas
- Ghiorzi, Alessandra
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- · Virgindade: tema atual, tema de História Resenhas
- Pinsky, Carla Bassanezi
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- · Feminist killjoys e reflexões (in)felizes sobre obstinação e felicidade Resenhas
- Ciello, Fernando José
- Texto: PT
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- · Descolonizando nossos feminismos Resenhas
- Oliveira, Jainara Gomes de
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- · Feminismo Transnacional: uma lente para o Anti-Orientalismo Resenhas
- Chaise, Mariana Falcão
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- · Lições de gênero em pequenas doses Resenhas
- Dutra, Paula Queiroz
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- · Errata Errata
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.24, n.2, 2016
- · Editorial Editorial
- Wolff, Cristina Scheibe; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · Participação Política de Mulheres na América Latina: o impacto de cotas e de lista fechada Artigos
- Spohr, Alexandre Piffero; Maglia, Cristiana; Machado, Gabriel; Oliveira, Joana Oliveira de
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- · Usos de substâncias psicoativas por mulheres: a importância de uma perspectiva de gênero Artigos
- Alves, Tahiana Meneses; Rosa, Lúcia Cristina dos Santos
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- · Relações de gênero, ciência e tecnologia no currículo de filmes de animação Artigos
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- · Las madres bricoleurs. Estrategias, prácticas y modelos maternales contemporáneos Artigos
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- · Professoras de Antropologia em Minas Gerais: notas sobre a condição da margem Artigos
- Souza, Candice Vidal e
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- · Violência doméstica e a Lei Maria da Penha: perfil das agressões sofridas por mulheres abrigadas em unidade social de proteção Artigos
- Amaral, Luana Bandeira de Mello; Vasconcelos, Thiago Brasileiro de; Sá, Fabiane Elpídio de; Silva, Andrea Soares Rocha da; Macena, Raimunda Hermelinda Maia
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- · Para lá da heteronorma: subjetivação e construção da identidade sexual Artigos
- Policarpo, Verónica Mafalda Nunes de Melo
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- · Programas de Transferencia de Renta. Apostando a la familia tradicional Artigos
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- · Um mundo de mulheres em Florianópolis: entrevista com Caroline Andrew Ponto De Vista
- Crescêncio, Cíntia Lima; Gomes, Maurício Pereira
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- · Apresentação Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
- Sorj, Bila
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- · El progreso de las mujeres en el mundo 2015-2016. Transformar las economías para realizar los derechos. Resumen Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
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- · Igualdade de gênero e políticas macroeconômicas Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
- Sorj, Bila
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- · “É a macroeconomia, idiota!” Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
- Lavinas, Lena
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- · Desafios da equidade de gênero no século XXI Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
- Alves, José Eustáquio Diniz
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- · A igualdade substantiva e os novos desafios nas relações de gênero no trabalho Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
- Guimarães, Nadya Araujo
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- · Igualdade para todas: estratégias para políticas públicas e ações do movimento Dossiê Economia, Direitos Humanos E Igualdade De Genêro: Uma Nova Agenda?
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- · A contrassexualidade como superação das dicotomias de gênero e sexo Resenhas
- Liblik, Carmem Silvia da Fonseca Kummer
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- · Sanhas de poder Resenhas
- Silva, Daniel Afonso da
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- · Transhomens: masculinidades, políticas e vivências Resenhas
- Wittmann, Isabel
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- · Gênero e esporte: masculinidades e feminilidades na escola Resenhas
- Franco, Neil
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- · O Ideal Romântico do Sadomasoquismo Resenhas
- Mattos, Patrícia Castro
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- · Os percursos da etnomusicologia feminista nas últimas quatro décadas: uma visão de dentro por Ellen Koskoff Resenhas
- Gomes, Rodrigo Cantos Savelli
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- · Transversalidades: gênero e feminismos em diversidade e movimento Resenhas
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.24, n.1, 2016
- · Editorial Editorial
- Wollf, Cristina Scheibe; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · As mulheres praticando ciência no Brasil Artigos
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- · Las bases epistémicas de la concepción feminista de la ciudadanía Artigos
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- · Mulheres que amam demais: conjugalidades e narrativas de experiência de sofrimento Artigos
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- · Migrantes por amor? Ciclo de vida, gênero e a decisão de migrar em diferentes fases da vida Artigos
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- · Famílias de setores populares e escolarização: acompanhamento escolar e planos de futuro para filhos e filhas Artigos
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- · La gineco-obstetricia en México: entre el “parto humanizado” y la violencia obstetrica Artigos
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- · Ilusões de escolha: experimentando testes pré-natais Artigos
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- · Amores e vapores: sauna, raça e prostituição viril em São Paulo Artigos
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- · Voz da natureza e da mulher na Resex de Canavieiras-Bahia-Brasil: sustentabilidade ambiental e de gênero na perspectiva do ecofeminismo Artigos
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- · Almanaque de representações Seção Temática Almanaque De Representações
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- · As “mocinhas heroínas” das fotonovelas da revista Capricho Seção Temática Almanaque De Representações
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- · Del príncipe azul al exitoso millonario: Cincuenta sombras de Grey Seção Temática Almanaque De Representações
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- · “E a Bela dançou…”: subvertendo o belo feminino dos contos de fadas Seção Temática Almanaque De Representações
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- · Las distintas y olvidadas Resenhas
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- · Clínica dos gêneros não inteligíveis: Judith Butler e psicanálise Resenhas
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- · Provocación y fuerza a través del cuerpo femenino: la lucha de FEMEN Resenhas
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- · Quando escrever e bordar são práticas políticas: as mulheres das Minas Gerais Resenhas
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- · Masculinidades críticas e a proposição analítica e relacional nas contemporâneas discussões de gênero Resenhas
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- · Curadoras de semillas: entre empoderamiento y esencialismo estratégico Artigos
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- · Sobre el 13º Encuentro Feminista Latinoamericano y del Caribe en Lima, Perú: 22-25 noviembre, 2014: Ponto De Vista
- Domínguez R., Edmé
- Texto: ES
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- · Gênero nas ciências biomédicas: Ponto De Vista
- Rea, Caterina; Minella, Luzinete Simões
- Texto: PT
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- · Balanço sobre a Lei Maria da Penha Dossiê
- Sardenberg, Cecilia M. B.; Grossi, Miriam Pillar
- Texto: PT
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- · Vinte anos da Convenção de Belém do Pará e a Lei Maria da Penha Dossiê
- Bandeira, Lourdes Maria; Almeida, Tânia Mara Campos de
- Resumo: EN PT
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- · A CPMI da Violência contra a Mulher e a implementação da Lei Maria da Penha Dossiê
- Campos, Carmen Hein de
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Oito anos de Lei Maria da Penha. Dossiê
- Pasinato, Wânia
- Resumo: EN PT
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- · Roda de Conversa entre mulheres: denúncias sobre a Lei Maria da Penha e descrença na justiça Dossiê
- Tavares, Márcia Santana
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- · Da dor no corpo à dor na alma: Dossiê
- Machado, Isadora Vier; Grossi, Miriam Pillar
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- · Curto-circuito, falta de linha ou na linha? Redes de enfrentamento à violência contra mulheres em São Paulo Dossiê
- Santos, Cecília MacDowell
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- · Estudo dos modos de produção de justiça da Lei Maria da Penha em Santa Catarina Dossiê
- Bragagnolo, Regina Ingrid; Lago, Mara Coelho de Souza; Rifiotis, Theophilos
- Resumo: EN PT
- Texto: PT
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- · Mulheres, realidade social e desafios emancipatórios Resenhas
- Ayres, Carla Simara; ,
- Texto: PT
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- · Psicologia e teorias queers Resenhas
- Correa, Crishna Mirella de Andrade
- Texto: PT
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- · A autoria feminina na construção literária do espaço social Resenhas
- Delgado, Gabriel Estides
- Texto: PT
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- · Gênero e África: outros olhares, outras perspectivas Resenhas
- Macedo, Litiane
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- · Deslocamentos femininos e prostituição Resenhas
- Vieira, Marcos Sardá
- Texto: PT
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- · Os sabores e saberes da poesia de Izabel Brandão Resenhas
- Moraes, Maria Heloisa Melo de
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Revista Estudos Feministas. Florianópolis, v.23, n.1, 2015
- · Documento sem título Editorial
- Wolff, Cristina Scheibe; Lago, Mara Coelho de Souza; Ramos, Tânia Regina de Oliveira
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- · Ecofeminismo e comunidade sustentável Artigos
- Flores, Bárbara Nascimento; Trevizan, Salvador Dal Pozzo
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- · Estereotipos de género: la perpetuación del poder sexista en los tribunales argentinos Artigos
- Defago, María Angélica Peñas
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- Texto: ES
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- · O perfil socioeconômico das donas de casa na Nicarágua Artigos
- Montoya, Álvaro José; Loreto, Maria das Dores Saraiva de; Teixeira, Karla Maria Damiano; ,
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- · La emergencia del feminismo en la Argentina:un análisis de las tramas discursivas a comienzos del siglo XX Artigos
- Prado, Natalia Martínez
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- Texto: ES
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- · Os desafios de um projeto de prevenção à violência e à criminalidade: o Mulheres da Paz em Santa Luzia/MG Artigos
- Santos, Simone Maria dos; Silveira, Andréa Maria
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- · Usos e incompreensões do conceito de gênero no discurso educacional no Brasil Artigos
- Carvalho, Maria Eulina Pessoa de; Rabay, Glória
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- · O casamento “homoafetivo” e a política da sexualidade: implicações do afeto como justificativa das uniões de pessoas do mesmo sexo Artigos
- Costa, Angelo Brandelli; Nardi, Henrique Caetano
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- Texto: PT
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- · Ana Alice Alcântara Costa: “guerreira e forte para todo o sempre” (1951-2014) In Memoriam
- Sardenberg, Cecilia M. B.
- Texto: PT
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- · Uma trajetória nos estudos feministas: entrevista com Claire Moses Ponto De Vista
- Wolff, Cristina Scheibe; Gomes, Maurício Pereira
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- · Artes visuais: diálogos com os estudos feministas, trans e queer Dossiê
- Blanca, Rosa
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- · Artes visuais e feminismos: implicações pedagógicas Dossiê
- Coutinho, Andréa Senra; Loponte, Luciana Gruppelli
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- · “Do high-tech à azteca”: descolonização cronoqueer na ciberarte chicana Dossiê
- Ávila, Eliana de Souza
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- · Margeando artivismos globalizados: nas bordas do Mujeres Al Borde Dossiê
- Ferreira, Glauco B.
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- · Las amas del arte: sobre algunas cuestiones del trabajo doméstico en el arte contemporáneo del Nordeste argentino Dossiê
- Geat, Andrea Soledad
- Resumo: EN ES
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- · Translesbianizando o olhar: representações na margem da arte Dossiê
- Arruda, Lin
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- · A performance arte que virou polvo: flutuando nas águas das artes em corporalidades híbridas e ininteligíveis Dossiê
- Melo, Camila Olivia de; Ribeiro, Regiane
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- · Ao encontro das queer faces Dossiê
- Souza, Milena Costa de
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- Texto: PT
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- · Fluidos pictóricos: ¿hacia una poética queer? Dossiê
- Blanca, Rosa
- Resumo: EN ES
- Texto: ES
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- · Diversidade sexual, relações de gênero e políticas públicas Resenhas
- Munhoz, Deise Parula
- Texto: PT
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- · Sim, elas envelhecem: problematizando a interseccionalidade entre gênero, sexualidade e idade Resenhas
- Junior, Francisco Francinete Leite; Pocahy, Fernando Altair
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- · Não há igualdade sem diferença, nem diferença sem igualdade Resenhas
- Ferreira, Gleidiane de Sousa
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- · Mulheres-exemplo! Resenhas
- , Patricia L. F. Santa Rosa
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- · Um retrato da psicóloga brasileira Resenhas
- Monte, Livia Espíndola
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- · Por uma ontologia plural de vozes singulares: o embate de Adriana Cavarero com a metafísica Resenhas
- Irlandini, Isabella
- Texto: PT
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- · Gênero, Estado e parentesco: entrelaçamentos que orientam representações sociais Resenhas
- Santos, Rochelle Cristina dos
- Texto: PT
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- · Documento sem título Errata
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O Guia árabe contemporâneo sobre o Islã político | Ibrahim Abu-Rabi
Lançado em 2011 este livro vem completar duas lacunas: A primeira – existente em todo mundo euro-americano – de obras sobre o Islã e mundo árabe escritas por seus próprios interlocutores. É bem conhecida a frase de Karl Marx usada como epígrafe no clássico livro de Edward Said “Eles não podem representar a si mesmos; devem ser representados”; a segunda – a da mesma linhagem de obras publicadas em português – embora o número de obras publicadas no Brasil sobre essa temática tenha crescido desde o fatídico 11 de setembro de 2001 e trabalhos acadêmicos especializados estejam numa crescente, estudos sobre Islã e mundo árabe feitos por árabes e muçulmanos ainda são raros. Basta lembrar que entre os autores mais publicados – no Brasil sobre esta temática temos Albert Hourani e Edward Said com ascendência árabe, mas com carreiras consolidadas no Reino Unido e EUA, respectivamente, e Karen Armstrong e Bernard Lewis, sem ascendência árabe e oriundos dos mesmos países. Leia Mais
Territórios e Fronteiras do Ensino de História (I) / Fronteiras: Revista de História / 2015
A Fronteiras: Revista de História tem o prazer de apresentar a primeira parte do dossiê sobre Territórios e Fronteiras do Ensino de História. O presente dossiê é um convite a reflexão sobre os territórios do ensino de História no mundo contemporâneo, agregando estudiosos de diferentes parte do país e instituições de ensino.
Currículos, formação de professores, livros didáticos, patrimônio cultural, direitos humanos, diversidade étnico-racial são temas que marcam as reflexões acerca dos lugares do ensino da história entre diferentes territorialidades e limites (sempre em expansão e híbridos). Leia Mais
Educación de las artes visuales y plásticas en educación primaria – MERILLAS et al (C-HHT)
MERILLAS, Olaia Fontal; CEPEDA, Sofía Marín; CEBALLOS, Silvia García. Educación de las artes visuales y plásticas en educación primaria. Paraninfo, 2015. 204p. Resenha de: LÓPEZ, Sara; REDONDO, Carmen Gómez. Clío – History and History Teaching, Zaragoza, n.41, 2015.
En el camino que dibuja la didáctica de la expresión plástica aún perviven algunos obstáculos que, lejos de frenar su desarrollo, motivan su constante replanteamiento, dotándola de un cuerpo teórico cada vez más sólido. ¿Es la educación artística una asignatura maría?, ¿es la expresión artística un espacio para el ocio?, ¿es un privilegio sólo para unos pocos?
En Educación de las artes visuales y plásticas en educación primaria, encuentra el lector un manual que aborda el problema de las falsas creencias que hoy en día siguen limitando la enseñanza de la educación artística, argumentando más allá del “qué se debe” al “qué se puede hacer”, pasando por los contenidos mínimos que fija el currículum, el qué enseñar y el cómo, todo ello a través de nuevas miradas, ejemplos didácticos, experiencias artísticas, reflexiones y posibilidades donde la creatividad es la clave.
Como si de una obra de teatro se tratase, en este libro destacan como protagonistas a los maestros de primaria en formación, quienes se encuentran en un periodo donde es necesario abordar la educación artística como clave para completar su educación de manera holística; un libro con el objetivo fijado en acercar y conectar a los alumnos con la dimensión creativa en su labor docente, buscando establecer puentes que conecten al futuro maestro con una visión de la materia libre de estereotipos, facilitando estrategias didácticas a partir de los tesoros que guarda el currículum, y más allá de sus límites.
Los antagonistas del libro se definen a través de las falsas creencias que limitan su radio de acción: el artista nace, no se hace, la educación artística es una maría, para ser artista lo primero que hay que saber es dibujar, para disfrutar el arte hay que entenderlo, barreras que limitan nuestro modo de comprender y nuestro modo de enfrentarnos al mundo del arte y a la educación artística. Sus autoras ofrecen, a la luz de los argumentos, una visión alejada de los mitos, en pro de una educación artística actualizada, como parte fundamental en la educación del alumnado, a quienes no se forma para ser artistas sino para ser individuos críticos capaces de desarrollar todo su potencial creativo.
Avanzando en sus páginas se sumerge el lector en diversos espacios escénicos. El aula se configura como principal escenografía y los espacios no formales como lugares donde, en ocasiones, pasan las escenas más interesantes del guión, que inundan de sentido y llenan de significado a la obra. Nos referimos a las acciones didácticas que complementan y afianzan los aprendizajes desarrollados en el espacio escolar, los espacios del entorno, los museos, las redes, las instituciones, a través de iniciativas que desarrollan y amplían la formación artística en la escuela, motivando prácticas que conectan al alumno con la realidad de su entorno, contribuyendo en la construcción de aprendizajes de manera sólida.
El atrezo, conjunto de objetos y enseres que aparecen en escena, lo componen en este caso los recursos, las estrategias y las fuentes documentales de donde tomar la materia prima para crear nuevos diseños, proyectos de calidad y estrategias de enseñanza-aprendizaje. Es la metodología, en este punto, un aspecto clave. La educación artística arrastra un historial cargado de prácticas simplistas que limitan el potencial de la materia, es por ello que las autoras lo abordan desde la importancia del enfoque metodológico como eje que vertebre la materia, a la luz de las directrices UNESCO, para después romper la barrera entre teoría y práctica, como caras de una misma realidad. De nuevo se presenta desde una óptica orientada a desmontar prejuicios: hacemos manualidades, elaboramos objetos decorativos, interpretamos los dibujos de los alumnos, creamos al margen de la realidad actual, para plantear un nuevo enfoque, transformando prácticas poco o nada didácticas en oportunidades de aprendizaje, invitando así a la reflexión sobre las prácticas docentes.
Esa transformación se orienta a conectar tradición y presente a través del uso de las tecnologías de la información y la comunicación, los recursos tecnológicos y las herramientas virtuales, potenciales herramientas que aparecen contenidas en el curículum y que conectan la educación artística con la realidad de nuestros alumnos. Internet como plataforma de investigación, como puente de colaboración, como soporte creador on-line o como medio de difusión y comunicación, representa hoy en día un soporte necesario en las prácticas didácticas.
En línea con esto, las autoras proponen un novedoso enfoque relacional, la educación artística basada en el concepto de patrimonio, una didáctica basada en las personas y las relaciones que establecen con los contenidos artísticos, con su contexto, con su cultura y su realidad identitaria. Proponen la comprensión de los procesos de enseñanza/aprendizaje a partir de los procesos de generación de patrimonios, a medida que se tejen hilos, uniones y conexiones con los contenidos. A partir de este enfoque se comprende la educación artística como construcción social en relación activa con los alumnos, generando en él valores de apropiación simbólica.
De este modo, encontramos en este manual una reconceptualización de la disciplina, una puesta en valor de los ejemplos de buenas prácticas que ofrecen una visión actualizada de la educación artística en primaria, que camine al compás de la revolución tecnológica de la sociedad cada vez más globalizada en que vivimos; un libro concebido como herramienta útil para el alumnado que se forma en los grados de magisterio de educación primaria, como baúl de recursos, autores, argumentos y prácticas que puedan servir para romper con una visión limitada y sesgada de la materia.
Encontramos, en resumen, un espacio de reflexión y constante cuestionamiento donde el lector es invitado a posicionarse desde una perspectiva activa, invitándole a recorrer sus páginas como el pintor que se enfrenta a un lienzo en blanco, construyendo de la nada un paisaje, un retrato de las muchas educaciones artísticas posibles en los escenarios de nuestro presente. Paisaje donde cada pincelada cambia la configuración del espacio para generar una nueva mirada que cada lector ha de construir en torno a la educación de las artes visuales y plásticas en educación primaria.
Sara Pérez López – Universidad de Valladolid. E-mail: saraoepe@mpc.uva.es.
Carmen Gómez Redondo – Universidad de Valladolid. E-mail: carmen.gomez.redondo@gmail.com
[IF]Medios de comunicación y pensamiento crítico. Nuevas formas de interacción social – DÍAZ et al (C-HHT)
DÍAZ, J. J.; SANTISTEBAN, A.; CASCAJERO, A. (eds.). Medios de comunicación y pensamiento crítico. Nuevas formas de interacción social. Simposio Internacional de Didáctica de las Ciencias Sociales. Alcalá de Henares, 2013. Resenha de: TORRES, Maria Pilar Molina. Clío – History and History Teaching, Zaragoza, n.41, 2015.
En una sociedad influenciada por los medios de comunicación, el uso de las nuevas tecnologías se tornan cruciales en la didáctica de las Ciencias Sociales. Ciertamente, en la actualidad la enseñanza de esta disciplina contribuye a gestar un pensamiento crítico y reflexivo en la sociedad del conocimiento. En esta línea son quizá las aulas el medio más adecuado para facilitar el contacto de las nuevas tecnologías con los alumnos. Tanto es así que la escuela nos sirve como un escenario perfecto para conformar un mundo de reflexión y de aprendizaje significativo.
Del mismo modo, y centrándome en la tarea que me ocupa, la monografía “Medios de comunicación y pensamiento crítico. Nuevas formas de interacción social”, se articula en torno a las siguientes líneas de trabajo: El papel de los medios de comunicación y la formación del pensamiento crítico en la enseñanza de las Ciencias Sociales; Prensa cine y medios de comunicación en la enseñanza de las Ciencias Sociales. La lectura de la imagen y las redes sociales, contextos virtuales y Cambios en la enseñanza- aprendizaje de las Ciencias Sociales.
En la primera línea temática se realiza una serie de consideraciones acerca de los medios de comunicación y su importancia como agentes educativos. No cabe duda que la construcción del pensamiento social subyace en esa trasmisión de contenidos que facilitan las redes sociales y que inculcan mensajes fáciles de comprender. De hecho el análisis crítico que los estudiantes de Primaria y Secundaria hacen de la cultura visual dista en consecuencia, y en muchos casos, de la realidad que les rodea. Las necesidades y demandas de estos grupos sociales se aproximan a una cultura consumista reflejada en los formatos televisivos actuales.
Es en este punto donde la problemática adquiere un cariz de plena actualidad. Principalmente los trabajos que componen este primer bloque temático vislumbran una exposición acertada de las posibilidades didácticas que tienen los medios de comunicación para conformar un pensamiento crítico y creativo que secunde al pensamiento reproductivo y permita fomentar una educación cívica. En buena medida, la difusión de problemáticas actuales a través de la televisión, la prensa, la radio, revelan diversas formas de pensar y estilos de vida que impregnan nuestras escuelas de una actitud crítica más activa. Es por ello, según nos dicen E. Ortiz, P. Miralles y J. Ortuño, “necesario prestar una gran atención a la formación del alumnado en la búsqueda adecuada de información y a su posterior tratamiento” (p. 155). Ahora bien, la sociedad de la información no facilita este planteamiento, ya que los medios de comunicación contaminan las ideas más cercanas a la realidad social del alumnado.
Por lo que respecta al segundo bloque de comunicaciones, se deja constancia de la importancia de la imagen en la construcción del pensamiento crítico. Los recursos digitales, tan útiles para nuestra práctica docente, reproducen, en muchos casos, una serie de estereotipos que son difíciles de discernir. En la era digital resulta interesante la atracción que nosotros como docentes y, cómo no, nuestro alumnado siente hacia el lenguaje publicitario. Una imagen puede darnos más información que cualquier clase expositiva que desarrollemos en un aula.
De tal modo que cuando los medios audiovisuales se exponen para trabajar un tema como la Historia de Género, los recursos son inagotables. Así lo exponen J. R. Moreno y Mª I. Vera (p. 471), al decir que: “dentro de ese imaginario femenino asociado tradicionalmente al cine Thelma & Louise supone una nueva ventana iconográfica que sitúa a la mujer como centro del film”. La mujer aparece reflejada como un ser dependiente de la figura masculina, asociada a un mundo esencialmente de hombres y que no puede ni debe independizarse. Es aquí donde el análisis iconográfico centra su atención en un contenido tan importante como la Coeducación, y que es imprescindible trabajar en las aulas.
Por tanto, como se expone a lo largo de este segundo eje temático, el estudio de la imagen en las aulas facilita abordar el estudio y análisis de cuestiones tan actuales como el terrorismo del s. XXI (p. 387). Es así como la enseñanza de la Historia Actual toma forma activa al recrear los males endémicos de nuestro siglo y en consecuencia nos permite reflexionar sobre los valores democráticos que fraguan nuestra sociedad. No obstante, también es labor ineludible la recuperación en el arte cinematográfico de periodos históricos más alejados. En este contexto, el cine es una oportunidad esencial para recrear ambientes tan reveladores como los vividos en la película “El Nombre de la Rosa” (pp. 539-552).
Finalmente, en un tercer apartado se insiste en la misma línea de investigación y se atienden a los nuevos cambios que se están produciendo en el aprendizaje y la enseñanza de las Ciencias Sociales. En cierto modo, las redes sociales favorecen el encuentro de ciertos grupos sociales en contextos virtuales, en muchos casos, ajenos a la realidad vivida. Las experiencias son similares cuando la finalidad es la misma. Así se percibe en el uso de la plataforma Moodle por parte de los docentes. En palabras de R. Moril: “una herramienta que ha permitido a los alumnos compartir todo tipo de datos e información en múltiples formatos: audio, texto y vídeo, ente otros, modificando sensiblemente la enseñanza y también el aprendizaje de esta materia por parte de los futuros aprendices de maestros” (p. 581). Del mismo modo, estos entornos virtuales que favorecen la interacción social y el trabajo cooperativo promueven en las aulas de Educación Primaria un cambio de metodología y la construcción del propio aprendizaje. Las nuevas prácticas virtuales y el uso de las TICs permiten generar en el alumnado un pensamiento crítico y gestar cambios actitudinales frente a problemáticas sociales de su realidad inmediata (p. 665).
Es aquí cuando la utilización de las nuevas tecnologías abre un espacio de intervención didáctica para las presentes y futuras generaciones de docentes. Los encuentros de opinión a través de las redes como Facebook o Twitter fomentan la comunicación y un feedback entre los participantes de estas “tertulias virtuales” que encuentran en estos espacios un lugar para expresarse libremente e interesarse sobre temas de cariz político, social, económico, religioso. Así J. Díaz apunta que “la participación del alumnado por temas que anteriormente eran muy poco importantes en su vida cotidiana” (p. 580). Asimismo la sociedad se interesa por cuestiones que si no se reproducen con estas herramientas digitales no resultan de interés.
Por último, me gustaría resaltar que la era digital facilita la toma de contacto con problemáticas actuales y dirige una mirada reflexiva a una nueva forma de comunicarnos colectivamente. El uso didáctico de las nuevas tecnologías de la información supone un enfoque más creativo y motivador. Por tanto, a lo largo de toda esta monografía ha quedado manifiestamente demostrado que no debemos encorsetarnos a las metodologías esencialmente tradicionales y darles una oportunidad a los medios de comunicación digitales que conectan el aprendizaje del aula con el cambio social y cultural, para adquirir una actitud cívica y crítica de todo aquello que nos rodea.
Maria Pilar Molina Torres – Universidad de Cádiz. E-mail: pilar.molina@uca.es
[IF]Ciencias sociales y educación infantil (3-6). Cuando despertó, el mundo estaba allí – FELIU TORRUELLA; JIMÉNEZ TORREGROSA (C-HHT)
FELIU TORRUELLA, M.; JIMÉNEZ TORREGROSA, L. (Coordinadores). Ciencias sociales y educación infantil (3-6). Cuando despertó, el mundo estaba allí. Barcelona: Graó, 2015. Resenha de: ROMERO, L. Alberto Polo; GÓMEZ, Gemma Cardona. Clío – History and History Teaching, Zaragoza, n.41, 2015.
El libro que se reseña pretende ser una aportación que ayude a los maestros y maestras en activo, y también a los que se encuentran en su etapa de formación, a trabajar las Ciencias Sociales en el aula desde una perspectiva científica y global. Esta obra aborda diversas cuestiones relacionadas con el reto de una enseñanza-aprendizaje de las Ciencias Sociales de nuestro tiempo para nuestro tiempo. Los niños y las niñas de educación infantil están en una etapa de desarrollo en la que necesitan construir su identidad, conocerse a ellos mismos y la realidad social que les rodea, y en este libro se da respuesta a ello desde las Ciencias Sociales. La educación infantil coherente debe asentar firmemente los cimientos que permitan el desarrollo de toda la posterior trayectoria educativa. Como comentan los autores, el asentamiento de unas buenas bases “pueden ayudar a prevenir problemas posteriores, en momentos en los que intervenir se convierte en una tarea más compleja”. (p. 8).
Atendiendo a la diversidad curricular presente en los territorios en los cuales se distribuye el libro y siendo conscientes de los cambios constantes que sufren las leyes de educación infantil, los autores han estructurado la obra a partir de los cuatro pilares de la UNESCO que aparecen en el Informe Delors (1994). Desde estos pilares se edifican, de la mano, teoría y práctica para reflexionar sobre el papel de la Historia, la Geografía, la Filosofía y el Arte en el desarrollo del aprender a ser, el aprender a conocer, el aprender a hacer y el aprender a vivir juntos en los niños y las niñas de educación infantil.
Al título, Ciencias sociales y educación infantil (3-6), lo acompaña un subtítulo que nos adentra ya, desde la portada, a la filosofía que impregna la obra: Cuando despertó, el mundo estaba allí. Los autores realzan, al largo de los capítulos del libro, la importancia de partir del interés de los niños y las niñas a la hora de promover situaciones de enseñanza-aprendizaje. Los niños y las niñas, argumentan, tienen una capacidad casi innata de hacerse preguntas sobre el mundo que les rodea, y los agentes educativos no deben cortar esas alas, sino estimularlas para que se desarrollen en toda su amplitud.
A este subtítulo le sigue un índice, no menos sugerente si lo analizamos desde esta misma óptica ya que se trata de un cuento. La introducción pierde su nombre tradicional para pasar a llamarse Había una vez;a partir de aquí la sucesión de capítulos siguen la trama Un ser pequeño rompe el caparazón: Aprender a ser, Y mira al mundo sorprendido: Aprender a conocer, La curiosidad lo mueve a andar con seguridad: Aprender a hacer, Y de repente… ¡No está solo!: Aprender a vivir juntos. A modo de conclusión, se clausura el cuento con el capítulo: Ya nada volverá a ser lo mismo.
A su vez, los distintos capítulos referentes a los cuatro pilares de la educación del Informe Delors (1994) siguen una misma estructura de subcapítulos. Inicialmente se argumenta la importancia que tiene ese pilar en cuestión en el desarrollo integral de los niños y las niñas de 3-6 años. Seguidamente, se plantea qué aportan las Ciencias Sociales (Historia, Geografía, Filosofía y Arte) al desarrollo de estos aprendizajes en la etapa de Educación Infantil y finalmente, se ofrecen propuestas didácticas que parten de metodologías socioconstructivistas, como son los centros de interés, el método de investigación del medio y los proyectos de trabajo global.
El ser pequeño que rompe el caparazón: aprender a ser hace referencia a la importancia de educar a las personas para que puedan habitar el mundo y contribuir a su desarrollo. Este capítulo está impregnado de reflexión hacia lo que significa ser un buen ciudadano para acabar concluyendo que frente a la diversidad de respuestas que puede albergar la pregunta, y explicitando que la educación está politizada por las distintas ideologías, para ayudar a los niños y a las niñas a convertirse en buenos ciudadanos debemos darles herramientas para su desarrollo personal y ser autónomos y seguros de sí mismos. Así mismo, también se hace hincapié en la importancia de contribuir en la descentración de los niños y las niñas de educación infantil ya que se encuentran en una etapa de egocentrismo (p. 20). La Filosofía ayuda a pensar cómo somos, la Geografía nos ayuda a ver que somos como somos influidos por el entorno, la Historia nos muestra que hay infinitas historias, no solo una, y el Arte nos habla de diversidad. Las propuestas didácticas entorno a aprender a ser nos plantean trabajar la alegría como centro de interés, el por qué lloramos desde un método de investigación del medio y ¿quién somos? a partir de un proyecto de trabajo global. Estas propuestas, además de trabajar la construcción de la identidad individual de los niños y las niñas, promueven la interacción con los demás para el desarrollo social de cada uno y cada una de ellos.
Cuando el pequeño ser ya ha roto el caparazón, mira el mundo sorprendido: aprender a conocer. En este capítulo se reflexiona sobre la importancia de observar y reivindica la escuela como el espacio cultural de la experiencia humana (p. 35). Los autores señalan también la importancia de aprovechar la curiosidad de los niños y las niñas para poder dar respuestas a todas las dudas que se les plantean sobre su entorno y no perder nunca la satisfacción de aprender. Desde la perspectiva de aprender a conocer el mundo, el Arte nos ofrece visiones poliédricas del mundo; la Historia nos acompaña a preguntarle al pasado para entender el presente y proyectar el futuro; la Filosofía nos propone persensar: percibir, sentir y pensar para conocer; y la Geografía asimila los conceptos curiosidad y conocimiento, como disociables en las realidades sociales que nos envuelven. Las propuestas didácticas que se dibujan en este capítulo nos conducen a la recreación de la prehistoria como centro de interés, el paisaje y los sentidos como método de investigación del medio, y descubrir qué esconde el vacío como proyecto de trabajo global a partir de la obra escultórica de Henry Moore. Conocer el entorno de manera global ayuda a desarrollar una actitud respetuosa y potencia un pensamiento crítico y un compromiso desde una relación afectiva con el medio (p. 47).
La curiosidad lo mueve a andar con seguridad: aprender a hacer nos habla de la importancia de desarrollar habilidades que permitan a los niños y las niñas a vivir, comprender y encarar los cambios y las transformaciones a las que estamos expuestos. Desde una visión sociocultural y constructivista, los autores hacen hincapié en la idea de que los individuos se desarrollan a medida que aprenden y aprenden a medida que se desarrollan para argumentar una educación basada en la acción, entendiendo que la aplicación del conocimiento es la consolidación del aprendizaje y el desarrollo (p. 52). Desde la Historia se puede vivenciar el pasado, y al hacerlo se pueden desarrollar habilidades temporales y creativas (p.53); la Geografía nos ofrece la visión de la participación social activa intrínseca en la conceptualización de pensar geográficamente; desde el Arte se nos invita a ir más allá de los murales, ofreciendo una multiplicidad de opciones plásticas e interpretativas innovadoras y completas, y la Filosofía nos lleva a hacer hipótesis con un planteamiento tan complejo como sencillo: dar respuesta a la cuestión ¿Qué pasaría sí…? Las propuestas didácticas que plantean los autores desde la idea de aprender a desarrollar habilidades son muy variadas: podemos construir un castillo desde la metodología de los centros de interés, excavar el pasado a partir del método de investigación del medio o entender por qué los alimentos se estropean y cómo podemos evitarlo a partir de un proyecto de trabajo global titulado ¡Que no se nos estropee la comida! Mediante la resolución de problemas, los niños y las niñas van desarrollando habilidades que les acompañarán al largo de la vida sin perder la ilusión por aprender.
Llega un momento, en la historia que narra el índice, que el ser se da cuenta de que él no es el único, y es que las Ciencias Sociales no podrían existir sin la consciencia de que los humanos somos animales sociales que vivimos en comunidad a partir de un sistema de leyes y valores. Y de repente… ¡No está solo!: Aprender a vivir juntos reflexiona sobre la importancia de comprender la complejidad de la interdependencia del mundo que nos rodea. Desde una propuesta que contempla la otredad y la alteridad, se plantean temas relevantes como la resolución asertiva de los conflictos, la importancia de comprender al otro en toda su dignidad y los retos de la escuela y la sociedad del siglo XXI en este aspecto. La Geografía nos aporta la necesidad de analizar el espacio y construirlo para que sea un espacio compartido, que fomente la participación ciudadana y que sea sostenible, respetando el medio en el que vivimos; el Arte plantea que el mundo se mira al espejo, porque el arte, según los autores, es un espejo del mundo (p. 70) que permite comprender la complejidad interpretativa de los otros; la Filosofía, en este aspecto, apuesta por la construcción de valores a partir del diálogo, pues en una sociedad conflictiva, el diálogo es la única manera de garantizar la convivencia; finalmente, la Historia plantea que la suma de nuestros “yo” se convierte en “nosotros” argumentando que para vivir juntos, debemos conocer cómo vivían nuestros padres, abuelos, etc. porque conociendo las historias personales de cada uno, podemos conocer las historias colectivas y comprender el presente. Un viaje a la Antártida es el centro de interés que los autores proponen para trabajar el pilar de aprender a vivir juntos; desde la metodología de los proyectos de trabajo global, se plantea una experiencia didáctica que hace referencia a la comunicación sin palabras, en este caso, a partir de la música de Pau Casals; y finalmente, el método de investigación del medio que se sugiere es vivimos en lugares diferentes a partir de la representación de los espacios físicos mediante maquetas y juguetes. Estas actividades promueven la reflexión de las realidades sociales para la construcción de valores a partir del diálogo y la incorporación de la mirada del otro.
Se trata de un libro con una fuerte base teórica y con referentes muy diversos, no obstante, los autores han sabido tratar la información para hacerla comprensiva y ligera. Podríamos decir que el libro se enmarca en un paradigma principalmente postmoderno como muestran citas y alusiones a M. Foucault o S. Zizek. Por lo que refiere a las teorías de aprendizaje en las que se basa, vemos una mezcla ricamente ecléctica, teniendo en cuenta algunos aspectos de la Teoría Clásica de J. Piaget y las teorías de K. Egan, la usan como trampolín para ir más allá e incluir nuevas contribuciones didácticas como las de H. Copper, o las aportaciones en el campo de la psicología del aprendizaje de H. Gardner con las inteligencias múltiples y K. Robinson por lo que concierne a la creatividad y el pensamiento divergente. Además, podemos ver la gran influencia de M. Lipman en el por qué y para qué de la educación que defienden los autores. Al final, las Ciencias Sociales deben contribuir a garantizar las habilidades y libertad de pensamiento de los alumnos y las alumnas que, expresadas mediante el diálogo, sean el motor del cambio social. Por lo que concierne a las metodologías, autores como Déclory, Kilpatrick o Freinet son la base para crear propuestas didácticas innovadoras, realistas, activas, participativas e inclusivas. Así mismo, podemos encontrar citas de currículos de otros países, como por ejemplo de Australia, del cual se incorporan conceptos y contenidos educativos inexistentes aquí, como el sense of wonder, que hace referencia a la capacidad de maravillarse.
Abordar este libro ayuda a tomar conciencia de la importancia de unas Ciencias Sociales para la educación infantil, ya que pueden aportar mucho al desarrollo personal y social de los alumnos y alumnas del siglo XXI. El potencial didáctico recae principalmente en el hecho de potenciar la investigación y la resolución de problemas, de dilemas éticos y morales, el desarrollo de opiniones, la construcción de historias, el uso responsable de las tecnologías y reflexiones sobre la propia identidad. Se trata de una obra muy asentada a su momento y atiende al compromiso de dar respuesta a los cambios sociales que ha representado la sociedad de la información y la comunicación. Las propuestas que se plantean siguen esta línea, ya que son innovadoras por lo que concierne a la forma y al fondo. Así mismo, estas consideraciones se abordan de manera global en toda su dimensión y significación. Al final, los niños y las niñas van construyendo sus primeras identidades a partir del abanico de posibilidades que el mundo les ofrece para establecer su papel más definitivo.
El las conclusiones, los autores comentan que ya nada volverá a ser lo mismo porque cuando te adentras en la aventura del aprendizaje todo cambia. Con mucho entusiasmo hablan del propio aprendizaje que han experimentado escribiendo el libro e insisten en la importancia de vivir las cosas para poderlas contar, la experiencia como anclaje para poder reflexionar sobre la enseñanza de las Ciencias Sociales en la Educación Infantil y, sobretodo, el ejemplo y la coherencia entre los argumentos teóricos y la práctica docente.
Como argumenta la obra, desde esta perspectiva se puede trabajar de manera integral con los niños y las niñas, potenciando una educación intelectual, emocional y social que contribuye al desarrollo de capacidades fundamentales para ayudarlos a desarrollarse y que sean personas activas, imaginativas, competentes y felices. Y en estas páginas, se pueden encontrar algunas claves para ello.
[IF]Novi Cives. Cittadini dall’infanzia in poi – BORGHI; GARCÍA PÉREZ (C-HHT)
BORGHI, Beatrice; GARCÍA PÉREZ, Francisco F.; MORENO FERNÁNDEZ, Olga. Novi Cives. Cittadini dall’infanzia in poi. Bologna: Pàtron Editore, 2015. Resenha de: BELLATTI, Ilaria. Clío – History and History Teaching, Zaragoza, n.41, 2015.
El libro que aquí se presenta es la obra colectiva de especialistas de distintas áreas de las Ciencias Sociales que debaten sobre la importancia de la Educación para la Ciudadanía activa en la escuela obligatoria y en la formación docente, potenciando distintos aspectos de la enseñanza de la Historia y del Patrimonio cultural, y de la Geografía.
En línea con la trayectoria de difusión científica perseguida por la editorial Pàtron, los editores, se cimentan con una publicación orientada a la comprensión de los problemas sociales actuales, poniendo de manifiesto la necesidad de remodelar la relación entre los individuos y la comunidad a la luz de los nuevos retos de la cohesión social. Leia Mais
Didáctica de las Ciencias Sociales: los valores humanos en la educación – VALENZUELA (C-HHT)
VALENZUELA, Jacinto Montenegro. Didáctica de las Ciencias Sociales: los valores humanos en la educación. Prensas de la Universidad de Zaragoza, 2015. 262p. Resenha de: BENITO, Victoria López. Clío – History and History Teaching, Zaragoza, n.41, 2015.
Como el título del libro ya deja ver, el tema central de este manual es el de la educación en valores a través de la Didáctica de las Ciencias Sociales. Podríamos afirmar a priori que no es un tema novedoso ni en la reflexión educativa, ni en el ámbito concreto de la Didáctica de las Ciencias Sociales. La cuestión de la Educación en valores ha estado presente en el debate educativo y pedagógico desde hace décadas como así lo deja ver la literatura científica (Descalzi Picasso, 1997; Iglesias, 1997; Parra Ortiz, 2003). Sin embargo, muchas de estas aportaciones, aunque importantes y relevantes para la práctica educativa, se quedan, por su propio polimorfismo conceptual, en meras reflexiones al respecto sin propuestas de aplicación real para los procesos de enseñanza y aprendizaje. En cuanto a la relación entre Ciencias Sociales y Educación en valores pocas veces ha sido tratado como una cuestión nuclear de esta área de conocimiento. Sin embargo, destacan algunas portaciones como las de Cascajero Garcés et al. (1990) y el IX Simposium de Didáctica de las Ciencias Sociales celebrado en la Universitat de Lleida en 1998 cuya temática giraba en torno a “Los valores y la didáctica de la Ciencias Sociales”, en este caso la cuestión de los valores gira en torno mayoritariamente a los valores democráticos y la construcción del ciudadano desde la educación y concretamente a través de las Ciencias Sociales, aunque también están presentes temas como las desigualdades sociales, el racismo o la igualdad de género. En la mayoría de manuales sobre Didáctica de las Ciencias Sociales también está presente la cuestión de los valores en la educación pero da la sensación de que lo está porque es algo que tiene que estar presente, que tiene que tratarse bien por razones curriculares o por la razón que sea, pero no porque sea un tema verdaderamente relevante para esta área de conocimiento desde la perspectiva de algunos investigadores (Pagés, 1994; Prats Cuevas, 1999; Hernàndez Cardona, 2002).
Sin embargo, el presente manual trata la cuestión de la educación en valores humanos a través de la Didáctica de las Ciencias Sociales no solo como algo importante sino, como el propio autor reclama, como una necesidad debido al contexto social actual y mundo globalizado en el que vivimos en el que parece que todo se diluye y entre ello, los valores. Este libro, si bien continúa la senda iniciada por el propio autor en 1998 con “Los valores en la sociedad contemporánea (familia, escuela, medio ambiente, coeducación, sexismo)” responde a una necesidad además de social y de contexto, a una necesidad curricular, no porque la educación en valores sea la punta lanza de los actuales currículos oficiales en España, sino por todo lo contrario. En un momento del devenir educativo de este país en el que cada vez los currículos ponen el énfasis en una educación cada vez más tecnificada, orientada mayoritariamente a los conocimientos científicos en detrimento de los humanísticos, con contenidos que capacitan al alumnado al emprendimiento empresarial desde los doce años, digamos que como mínimo es necesario volver a reflexionar sobre donde queda la educación en valores en la actualidad.
Además, el planteamiento del autor manifiesta plenamente su pensamiento en cuanto a cómo y desde dónde debe articularse la educación en valores a lo largo de todas las etapas educativas, aspecto que, después de un breve recorrido histórico sobre la presencia de la educación en valores a lo largo del tiempo planteado en el primer capítulo; desarrolla en profundidad en el capítulo segundo.
Es en este capítulo donde el autor comienza abordando la problemática actual en relación a los valores que rigen en las sociedades actuales, más bien, la inestabilidad de valores debido al ritmo acelerado con el que ocurren los cambios en la actualidad por los procesos de globalización y tecnificación de la sociedad lo que implica una excesiva velocidad en la configuración de los procesos mentales que generan una disociación entre el “mundo externo y el núcleo de la identidad humana”, divergencia que según el autor la Educación debe contribuir a disminuir. Así realiza una revisión de cómo algunos autores desde disciplinas como la Filosofía o la Sociología han definido el concepto de valor, ya sean humanos, sociales o morales y las problemáticas que implica inculcar estos ya sea en un sistema cultural o educativo.
Una de las aportaciones más interesantes del autor es la que establece los diversos ámbitos en el que se sitúa y desarrolla el individuo: las relaciones y estructuras sociales en las que esté presente, las instituciones sociales y culturales propias de su contexto o los mecanismos de gestión espacial, económica y política, y como los valores están presentes en todos ellos. Por ende, la educación en valores en cada uno de estos ámbitos redundará de una u otra manera en el desarrollo social del individuo y desde ahí el autor insta a la responsabilidad de la Educación y en concreto de los espacios educativos por antonomasia, como son los centros educativos a tomar consciencia de su responsabilidad en la formación en valores de los individuos que los integran. En cuanto al campo de aplicación concreto de esa educación en valores Jacinto Montenegro otorga a las Ciencias Sociales la mayor capacidad para la transmisión de valores, aunque afirma que los matices psicopedagógicos, epistemológicos e ideológicos con los que están cargados los contenidos de las materias que las integran pueden hacer variar los valores a transmitir; según el autor lo que determina unos valores u otros es la ideología predominante en cada una de las sociedades y por lo tanto en la educación, y así lo hace explícito al hacer una clasificación de cómo la ideología conservadora, liberal-democrática o tecnocrática definen un tipo de sociedad, unos valores determinados y un tipo de educación. Por otro lado, prestando una especial atención a aquellos que reciben la acción educativa, es decir, el alumnado, que serán los que están influenciados por unos valores y educación determinados, el autor realiza un análisis paralelo entre el desarrollo cognitivo desde los 6 a los 17 años, es decir, el alumnado de Educación Primaria y Secundaria y sus capacidades para la compresión, asimilación y apropiación de valores.
Siguiendo con la propuesta propia del autor de cómo debe abordarse la educación en valores, reclama de manera contundente en el capítulo tercero la necesaria interrelación entre centro educativo y familia como los extremos de un puente que debe lograr la recepción y transmisión de valores. Para el autor, escuela y familia son las dos estructuras sociales fundamentales para los discentes y por ello la educación escolar y familiar deben bogar conjuntamente no solo por la transmisión de conocimientos, destrezas o conceptos sino también por la transmisión de normas, valores, reglas de convivencia social y concienciación democrática y crear las condiciones necesarias para que los individuos crezcan libres, sensibles y creativos.
A continuación, en los tres capítulos siguientes Jacinto Montenegro plantea tres ejes conceptuales fundamentales desde los que se debe llevar a cabo la transmisión de los valores en las sociedades actuales. Estos ejes conceptuales son: los derechos humanos, el respeto al medio ambiente y la igualdad de género desde la coeducación. En cuanto al primero, solo desde desde los contenidos relacionados con los derechos humanos es posible lograr en el alumnado la conciencia social, política y cultural sobre el propio entorno cercano (ciudad, país) y sobre los entornos lejanos y diferentes al propio. En relación al medio ambiente, en las últimas décadas ha aumentado por diversos motivos y agentes la concienciación en pro del respeto y la conservación del medio ambiente desde dentro y fuera del ámbito educativo. Esto conlleva un mayor grado de concienciación, participación y relación con el entorno y valoración del medio ambiente, de lo cual se implica, según el autor en la transmisión de unos determinados valores que se trabajan sobre todo a través de la educación ambiental.
Finalmente, cuando el autor habla de la coeducación y la igualdad de las mujeres en la sociedad, comienza realizando un breve recorrido histórico sobre cómo, desde siempre, aunque el autor inicia el relato desde el siglo XVII, el papel de la mujer en la sociedad estuvo limitado a unos espacios y funciones determinados. Esto, a pesar de las reivindicaciones de algunas mujeres a lo largo de toda la historia, hizo que estas también estuvieran relegadas de los espacios de educación. En el caso del contexto español destaca algunos hitos en cuanto al aumento de la presencia de la mujer en espacios formativos como por ejemplo la labor de la Institución Libre de Enseñanza desde 1871 en cuanto a la educación de la mujer y la coeducación o como el gobierno de la II República en 1931 implanta la coeducación como normativa escolar, a pesar de ello, estas medidas no disminuyeron las diferencias de formación y nivel educativo entre hombres y mujeres. Sin embargo, esas diferencias sí se han ido borrando a lo largo del siglo XX, como así nos lo muestra el autor a través de numerosas gráficas; a través del aumento de la escolarización de las niñas tanto en el contexto español como internacional, la presencia de las mujeres en política, en ciertas profesiones o cargos de responsabilidad. Estas gráficas, si bien muestran un aumento de las mujeres en ámbitos educativos y profesionales en los que hace cien años no estaban presentes, también nos muestra que todavía existen diferencias, no solo cuantitativas, sino especialmente cualitativas. Para que realmente se avance en la coeducación entre hombres y mujeres, no solo es suficiente con lograr el respeto y la tolerancia entre los sexos, porque eso ya ha quedado demostrado que no funciona, muestra de ello es la existencia notable en la sociedad de la violencia contra las mujeres, es necesario, que se genere espacio para las formas, valores y referentes femeninos, planteamiento que no tiene nada que ver con el hembrismo, como pretende asimilar el autor. La verdadera coeducación debe tener en cuenta al hombre y a la mujer no solo en número, sino también en fondo y forma, valorando sus diferencias y valores específicos y a la vez complementarios.
Con todo ello, este manual supone un interesante planteamiento de la Didáctica de las Ciencias Sociales abordada concretamente desde la perspectiva de la Educación en valores. Además desde óptica se reafirma, una vez más, como las Ciencias Sociales son un eje transversal que está presente en todo el camino educativo ya sea en las diferentes etapas educativas como en las distintas disciplinas que nutren ese camino.
Victoria López Benito – Universidad de Zaragoza. E-mail: vlopez@unizar.es
[IF]Ciência: pesquisa, métodos e normas – DAU; DAU (ARF)
DAU, Shirley e DAU, Sandro. Ciência: pesquisa, métodos e normas. Mutum: Expresso, 2013, 173 p. Resenha de: CARVALHO, José Maurício. Argumentos – Revista de Filosofia, Fortaleza, n.13, jan./jun. 2015.
Os autores são professores de Filosofia e trabalham com Metodologia Científica há anos, havendo publicado diversas obras sobre o assunto. Sandro é Doutor em Filosofia com estágio de pós-doutorado em Ética e Shirley é mestre em Filosofia e estuda Filosofia analítica, Lógica e Linguagem. Dedicam-se também a Epistemologia e História das ciências.
Este livro foi organizado em 16 capítulos e trata da pesquisa científica e sua divulgação. Parte da fundamentação teórica dos estudos científicos para a especificidade das práticas de investigação que contribuem para o desenvolvimento da ciência. Os autores abordam, como atividades práticas, o processo de construção: do projeto e da pesquisa em geral, dos resumos, referências, monografias, relatórios técnico-científicos e artigos científicos.
No capítulo inicial os autores examinam a especificidade dos textos científicos e oferecem técnicas de divisão e interpretação das partes que permitam a boa compreensão desses textos. Esclarecem a diferença entre comentário e explicação, mostrando que a segunda prevalece sobre o primeiro, porque é anterior e restringe-se ao texto, enquanto o comentário pressupõe a explicação, interroga e não se restringe ao texto.
Segue-se o capítulo dedicado aos métodos utilizados na ciência. Eles são apresentados como “caminho estabelecido por determinada ciência, a fim de conseguir conhecimentos válidos por intermédio de instrumentos confiáveis” (p. 17) ou, mais rigorosamente, citando os autores L. Liard, como “conjunto de processos de conhecimento que constituem a forma de uma determinada ciência” (id, p. 17). Neste caso o método possui uma base lógica e dois pontos básicos: reprodutibilidade e falsificabilidade. O primeiro ponto significa que a pesquisa ou experimento pode ser repetido por qualquer pesquisador e o outro que suas hipóteses podem ser recusadas ou falsificadas. As ciências usam variados métodos e, portanto, a escolha do método deve se adequar ao problema e tratamento escolhidos pelo pesquisador. Os autores explicam que a ciência moderna desenvolveu-se partindo da observação, da formulação de hipóteses falsificáveis, da indução ou colocação das hipóteses à prova, da interpretação dos resultados e formulação da teoria, estabelecimento da conclusão.
O capítulo terceiro trata do resultado dos experimentos consolidados em teorias que são fundamentais em qualquer ciência. Os autores aproximam a origem da Ciência com o da Filosofia, remetendo-a ao século VI a. C. na antiga Grécia. Esclarecem que a Ciência moderna, cujo método foi desenvolvido por Galileu Galilei, ganhou perfil diferente e afastou-se da Filosofia e Ciência antes praticadas, adotando “experiências rigorosas, organizadas em leis gerais, por outras palavras, é qualquer corpo de conhecimentos fundado em observações dignas de fé e organizado no sistema de proposições ou leis gerais” (p. 26). Ao tratar da especificidade da Ciência moderna estruturada na razão aplicada (experimental), os autores a diferenciam da Filosofia que se baseia na razão pura; da Religião que usa a fé, possui caráter mais subjetivo e depende da crença de cada um, e da Arte baseada na intuição e não na razão. Eles diferenciam o método indutivo, que vai do particular para o geral, do método dedutivo, que segue o caminho inverso. O conhecimento científico, de modo geral, possui os seguintes traços: “classificar os conhecimentos, descrever os fatos, explicar os fenômenos; interpretar os diferentes casos; ser autocorretivo, experimental, descritivo, particular, cumulativo, operativo” (p. 31). Os autores esclarecem que o conhecimento científico é parcimonioso, isto é, prefere explicações simples. Salientam o propósito da ciência de construir teorias que expliquem os fenômenos e se referem à estas teorias como “uma visão sobre um tema” (p. 40). Eles as caracterizam como possuidoras de “definição rigorosa; coerência interna, generalização por meio de deduções, ampliação do conhecimento” (p. 40). Destacam ainda a utilidade das teorias como critério para sua continuidade.
O capítulo IV é dedicado ao estudo dos conceitos, que são a base da ciência. Contudo, comentam os autores, que não basta reunir conceitos para chegar a uma ciência, é preciso que os conceitos estejam organizados em teorias, cujas características foram examinadas no capítulo anterior. O conhecimento adequado dos conceitos é um bom critério para saber se se conhece uma teoria e para organizar o debate, pois “aquele que afirma e aquele que pergunta, devem ter claro qual o significado do conceito empregado” (p. 44).
Um conceito científico caracteriza-se “por ter um significado claro, preciso e abstrato, que não resulta de preferências, de gostos e de anseios individuais” (p. 44). Contudo, a característica principal de um conceito científico é “identificação dos elementos centrais daquilo que é estudado” (p. 45) e não se referir “a um caso único, a um fenômeno, mas a classes, a grupos, a relações, etc.” (p. 45). A compreensão de um grupo de conceitos que estão numa ciência dirige o olhar do cientista, assim ele perceberá o fenômeno com os olhos da ciência que lhe é familiar, ou “cada um perceberá o mundo com os conceitos que for condicionado” (p. 46).
Segue-se um capítulo dedicado a verdade. Os autores tratam dos critérios de verdade estabelecidos por três grandes escolas filosóficas: realismo (relação entre a consciência e a coisa), idealismo (coerência interna) e pragmatismo (utilidade das afirmações). No que se refere propriamente às verdades científicas, elas se dividem em três tipos: as que se limitam a formular o que pode ser exato, as que aceitam a probabilidade e aquelas que se abrem à possibilidade do mundo de cada pessoa influir no conhecimento. Estas últimas são as ciências humanas que, com base na fenomenologia, reconhecem, por baixo dos fatos objetivamente descritos, elementos do chamado mundo da vida. No que se refere à relação dos fatos, os autores distinguem as verdades lógico-formais, das objetivas, ontológicas e morais. Poderíamos entender as primeiras como as da Lógica e Matemática, as segundas como as das Ciências da natureza e as duas últimas da Filosofia. Quanto a relação com a verdade ela pode produzir quatro tipos de dúvidas: “espontânea, refletida, metódica e universal.” (p. 53). A primeira é aquela em que a pessoa não emite juízo sobre algo, mesmo que tenha elementos para fazê-lo, a segunda nasce da ausência de elementos necessários à conclusão, a terceira é um tipo de método empregado para chegar a uma verdade indubitável e a última refere-se à posição dos céticos, que negam a possibilidade de chegar a verdades fundamentais.
Quanto aos critérios de verdade os autores apontam seis: a autoridade (abandonada pelas ciências modernas), a evidência (o que aparece para o indivíduo), o senso comum (uma espécie de instinto comum), a necessidade lógica (ausência de contradição) e a experiência.
O capítulo VI estuda a pesquisa científica e os autores a definem como a que utiliza “métodos racionais, científicos, na comprovação ou não, das teorias apresentadas” (p. 57). Eles apresentam como objetivo da pesquisa científica “encontrar respostas coerentes, para os problemas (questões) propostos pelo pesquisador” (p. 58) e diferenciam as pesquisas quantitativas, que trabalham com a quantificação das variáveis, das qualitativas, mais empregadas nas ciências humanas. Esclarecem que essas últimas se desenvolveram no século passado e resumem o debate então realizado entre os intérpretes das chamadas ciências duras e as outras. Tratam, ainda que superficialmente, dos limites da razão experimental que foi desenvolvida na modernidade para tratar dos problemas do homem, assunto da fenomenologia.
A partir do capítulo VII o livro ganha um caráter prático, orientando o leitor em como utilizar as técnicas empregadas na pesquisa científica. Distinguem esquema, resumo e fichamento. Esclarecem que esquema “permite ao estudante compreender uma obra em seu todo” (p.63). Eles propõem no capítulo VIII o resumo como “apresentação concisa de um texto qualquer” (p. 65) e tratam no capítulo IX de um tipo especial de Resumo denominado Resenha.
Explicam que Resenhas são um tipo específico de resumo seguido de comentário crítico, por isto dizem que eles devem ser “elaborados por especialistas” (p. 67). Normalmente as revistas científicas recebem bem este tipo de resumo dedicando-lhe uma parte própria, porque é importante aos especialistas da área terem um resumo comentado das obras daquela ciência pois não é possível, hoje em dia, ler tudo que se publica nas diversas áreas da ciência.
O capítulo X é dedicado ao fichamento, definido como técnica para “guardar um grande número de informações sobre um documento em pequeno espaço.” (p. 69). O fichamento pode ser da obra toda ou de uma parte, além de conter citações que serão úteis na elaboração do trabalho que pretende fazer. O capítulo XI é um resumo da NBR 10520 e explica como fazer citações curtas e longas. Segue-se um capítulo sobre como fazer referências, resumo da NBR 6023, de livros, monografias, periódicos, eventos, trabalhos em eventos, legislação, jurisprudência, doutrinas, filmes, documentos cartográficos e sonoros.
O capítulo XIII explica como se faz um projeto de pesquisa, apresentado como “caminho que será percorrido, no estudo do problema proposto” (p. 97).
Os autores detalham os elementos imprescindíveis do projeto (capa, folha de rosto, sumário, apresentação, justificativa, área de concentração, natureza, delimitação do assunto, revisão da literatura, problema, hipóteses, procedimento, análise dos dados, objetivos, conteúdo, metodologia, cronograma, referências, anuência do orientador).
O capítulo seguinte é dedicado à monografia, definida como “texto sobre um único assunto” (p. 129), e que pode ser desde um TCC até uma tese de doutoramento. Consiste num resumo da NBR 14724. Suas características básicas são: sistematicidade, metodologicidade e relevância. Uma monografia se divide, geralmente, em cinco partes: “introdução, desenvolvimento, conclusão, bibliografia, notas.” (p. 131). Os autores finalmente afirmam que a estrutura formal da monografia são três grandes partes: os elementos pré-textuais, os textuais e os pós-textuais.
Os capítulos finais explicam como fazer um relatório e um artigo científico, respectivamente comentando as NBRs 10719 e a 6022. Os artigos científicos, matéria do último capítulo, são definidos como: “publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento.” (p. 163). O artigo serve para divulgar um tema estudado e deve vir em linguagem “clara, coerente, objetiva, impessoal” (p. 163) e conter os elementos pré-textuais, textuais, pós-textuais.
Este livro é importante porque coloca o leitor diante do fato de que fazer ciência é mais do que aprender conceitos e teorias, exige produzi-la. Esta atitude é própria de um tipo de ciência desenvolvido na modernidade, com os estudos de Francis Bacon, Isaac Newton e os iluministas, que contrapunham a nova formulação da ciência à antiga construída na velha Grécia por Platão e Aristóteles. A ciência moderna nunca está pronta, mas em continuado processo de construção. Por isso, o estudo das técnicas de pesquisa é essencial numa atividade que está sempre se fazendo. O movimento iluminista reforçou a confiança na razão aplicada e no modelo de ciência moderna pautada na observação dos fatos, experiência e cálculos. Os autores incorporam aspectos importantes dos estudos de filosofia da ciência. Entre eles o entendimento de que a enumeração dos fatos ou descrição dos conceitos não é suficiente para fazer ciência, antes é preciso comparar os fatos observados e julgá-los para construir teorias. Isto é o que ensinava, por exemplo, o médico e fisiologista francês Claude Bernard no século XIX. Os autores incorporaram ainda uma concepção mais atual de ciência que trata da sua validade em virtude da autocorreção, princípio baseado na falibilidade das teorias, conforme postulado por Charles Sanders Peirce e pela falsificabilidade, conceito desenvolvido por Karl Popper. Para este último uma teoria é válida não devido a sua demonstração, mas por sua permanência provisória, enquanto não vingam os esforços por refutá-la.
No capítulo IX os autores tocaram numa questão importante da ciência moderna, a sua necessária especialização. Como lembra Ortega y Gasset no capítulo XII de La rebelión de las masas (O.C., Madrid, Alianza, v. IV, 1994): “nem sequer a ciência empírica, tomada em sua integridade, é verdadeira se separada da Matemática, da Lógica, da Filosofia. Porém o trabalho em que nela se tem, irremediavelmente, tem que ser especializado.” (p. 217). Esta especialização exigida pela ciência moderna contém, contudo, um grave risco que o Ortega repetiu em mais de um lugar e isto não foi mencionado no livro.
É que a especialização não legitima o conhecedor de uma ciência opinar sobre outros assuntos. Quando ele assim faz torna-se uma espécie de novo bárbaro, detalhadamente estudado por Ortega. Este especialista deverá passar por uma reciclagem, se estiver correto o que diz Ortega na continuidade do livro, pois se:
o especialismo tornou possível o progresso da ciência experimental durante um século, aproxima-se uma etapa nova em que ele não poderá avançar por si mesmo se não encarregar uma geração melhor de construir um novo aparelho mais poderoso. (p. 219-220). Este novo especialista é uma exigência dos nossos dias, mas ainda assim será ele um especialista.
O assunto nuclear, da perspectiva epistemológica, consiste na discussão entorno à verdade levada a cabo no capítulo V. E aí também há virtudes. Parece importante a distinção dos conceitos de verdade construídos por diferentes escolas filosóficas: realismo, idealismo e pragmatismo. Também parece fundamental a diferença entre os critérios de verdade adotados por diferentes ciências: a verdade exata da linguagem matemática, as afirmações aproximativas da estatística e as verdades cuja objetividade relativa está em disputa com as referências subjetivas do mundo da vida. Faltou indicar que essas diferentes visões de verdade científicas nascem em diferentes tipos de ciência, as primeiras da natureza e as últimas do homem. A distinção entre os diferentes tipos de dúvida também foi muito criativo. O que ficou a merecer maior aprofundamento é o fato de que as verdades são diferentes nas Ciências, na Filosofia, na Religião e até as Pessoais. Todas as formas de verdade são importantes, mas se organizam em níveis distintos. Neste aprofundamento sobre as diferentes verdades faltou também um esclarecimento sobre os limites das chamadas ciências duras, ou a ciência experimental, pois suas teorias começaram a ser refutadas pelo desenvolvimento da própria filosofia da natureza no século que passou.
José Maurício Carvalho – Doutor e professor de Filosofia na UFSJ. Email: josemauriciodecarvalho@gmail.com
Wittgenstein on Phenomenology and Experience: An Investigation of Wittgenstein’s ‘Middle’ Period – THOMPSON (ARF)
THOMPSON, James. Wittgenstein on Phenomenology and Experience: An Investigation of Wittgenstein’s ‘Middle’ Period. [?]: University of Bergen Press, 2008. Resenha de: SILVA, Marcos. Argumentos – Revista de Filosofia, Fortaleza, n. 13, jan./jun. 2015.
I read Thompson’s well-written and relevant book ‘Wittgenstein on Phenomenology and Experience’, published by the University of Bergen Press in 2008, with great interest. My PhD Dissertation, defended in 2012, has direct connections with his main object of investigation, especially because one of my interests there was to evaluate logical problems with the expressiveness of color exclusion within the tractarian background.
Thompson’s treatment of the so-called Middle Wittgenstein period, documented by the transitional material that appeared in the Nachlass, is for this reader the most seminal feature of his work on Wittgenstein’s phenomenology. His commentary provides a useful addition to the leading and influential researchers already focusing on this challenging and oftneglected material. Thompson manages to handle significant problems with Wittgenstein’s exposition about experience and phenomenology without lapsing into the sort of misleading labels and programmatic vagueness that has dominated commentaries of the last two decades in the “Wittgensteinian scholarship”, for instance discussions of the tractarian passage 6.53, which orientates the contention of resolute reading. The secondary literature has too often rendered Wittgenstein an isolated and aptly neglected author in contemporary analytic philosophy.
One potentially misleading feature of Thompson’s exposition, however, is the symmetric approach that he takes towards presenting Wittgenstein’s thoughts about experience and phenomenology; on the contrary, a careful reading seems to reveal that phenomenology was a centrally important topic in Wittgenstein’s philosophical development, while experience was not.
Consider the frequency and centrality with which phenomenology was directly discussed by Wittgenstein, while any discussion of experience was very often fragmentary and marginal. Moreover, note the kind of association which Thompson draws between the mystical experience in Tractatus Logico- Philosophicus [hereafter TLP] as a trigger for the rise of phenomenology in the transitional period. If Thompson is correct, then the relation is by no means obvious and straightforward, and it deserves a fuller explication. I do agree that some germs of the phenomenology found in Wittgenstein’s Middle Period can be already seen in the Tractatus, but not in its contention on mystical experience, as Thompson defends, but already in the very beginning of his first book.
Arguably, Thompson’s work overlooks the importance of colors and their logical organization in this transitional material. In some passages of Philosophische Bemerkungen [hereafter] PB, for instance §81-83, and in some entries of the discussions presented in Wittgenstein und der Wiener Kreis [hereafter WWK], such as ‘Farbsystem’ and ‘Die Welt ist rot’, Wittgenstein does draw attention to his uses of colors in TLP directly connected to his new phenomenology. I am not talking about the obvious problem in 6.3751, first pointed out by Ramsey (who was not mentioned in any part of Thompson’s book). Criticizing this Tractarian passage, Ramsey (1923) discovered the Sackgasse for the tractarian logic: Some necessary consequences are not due to tautologies. However, I prefer to read this contention through its dual: Some (logical) exclusions are not due to contradictions (but due to contrarieties). My point is that if we read carefully the first two mentions of colors in Wittgenstein’s Tractatus, namely 2.0131 and 2.0252, which both occur in the work’s so-called ontological section, we will see that already some phenomenology was to be expected even there. The italics in 2.0131 strongly suggest a kind of exclusion, surprisingly underdeveloped by Wittgenstein at that time. As this passage 2.0131 already suggests, these italics are not just to be found in color system.
The ‘etcetera’ in this very same passage suggests the multiplicity of ‘logical spaces’ or ‘Satzsysteme’, whose treatment are ubiquitous in his “phenomenological” period and given a full treatment.
Another concern might be raised about Thompson’s neglect of Ramsey’s relevance to Wittgenstein’s abandonment of the thesis of the independence of elementary propositions/Sachverhalt. Many authors have been said to have influenced Wittgenstein directly or indirectly throughout his carrier. But none of them made a complicated trip from England to Austria, more specifically, to a small village in Niederösterreich in the middle of nowhere, to meet personally with Wittgenstein to discuss some (obscure) problems in his (obscure) book.
Ramsey was the first one to recognize the significant problem of logical organization that colors posed and the challenge they represented for the tractarian logic and image of language. Moreover, as an illustration of a very interesting case of historical completeness, Ramsey already pointed out the color problem within the tractarian philosophy in 1923; he therefore probably anticipated, in 1927, Wittgenstein’s later solution for the problem introducing additional rules, pragmatism and games, by using a metaphor of chess. And Ramsey had proposed all of that three years before Wittgenstein had begun talking significantly about games! The importance of recognizing Ramsey’s criticism and his impact on Wittgenstein’s solutions in the Tractatus is not just a matter of scholarly integrity; it is also a matter of illuminating accurately the conceptual development of key contributions made to logic and mathematics which have become associated with early analytic philosophy.
The total neglect of WWK in Thompson’s book, which purportedly intends to unveil Wittgenstein key shifts, is also hard to comprehend. WWK was neither written nor edited by Wittgenstein; yet it is a great historical and philosophical document for understanding the kinds of problem Wittgenstein was dealing with and reacting to in his philosophical development. If the problem is that WWK is not well edited, that can always be established by a careful comparison with Wittgenstein’s Nachlass. Such an exercise would like reveal that many arguments, metaphors and concepts are indeed very similar. Thompson ought to justify why he very often used PB and not WWK at all. Moreover, in WWK we can see diachronically how things evolved, while, with PB, Rush Ree’s interventions make this kind of genetic investigation impossible.
Perhaps also as consequence of not using WWK, Thompson seems to have overlooked the importance of the year 1930 for Wittgenstein’s treatment of phenomenological problems. For instance, in the beginning of 1930, the notion of normativity, which is not explored in Thompson’s book, arose in Wittgenstein’s discussions with Waismann about the number π and the role of axioms in geometry. Another example is the role of June of 1930. At this time, Wittgenstein was preparing Waismann to represent him in a brilliant round table on the nature of mathematics in Könisberg, in which Von Neumann, Carnap and Heyting would participate. In the entry ‘Was wäre es zu sagen in Könsisberg’ in WWK, we can see both Wittgenstein and Waisman discussing Grundgesetze’s criticism of formalism. This entry shows that Wittgenstein defended clearly, against Frege, that formalists are right in holding mathematics as a game. This discussions on formalism also marks Wittgenstein`s decreasing interest in his short-lived phenomenology. In this way, this entry should have played a relevant role in Thompson’s evaluation of Wittgenstein’s phenomenology.
Another conspicuously absent omission in Thompson’s book was some detailed discussions of verificationism. Maybe this is also due to his neglect of WWK in his critique; for it is there that this topic is raised at several points in conjunction with phenomenology. These discussions are important to understand Wittgenstein’s influence on Carnap and the Vienna Circle; moreover, the prominence of Wittgenstein’s treatment of these two conjoined topics is critical to appreciating the influence on Wittgenstein of Brouwer’s intuitionism and revisionism about the role and nature of logic. Thompson does mention, but does not explore in much detail, the clear connection between verificationism and problems with the restrictiveness of truth-functionality. In some way this discussion may link with the reasons why the kind of realist truth theory Notes on Thompson’s “Wittgenstein on phenomenology and experience” – Marcos Silva Argumentos, ano 7, n. 13 – Fortaleza, jan./jun. 2015 321 defended in the Tractatus (based on the notion of sense as truth conditions) must be abandoned. It might be argued that this consequence is directly linked to the full ascendancy of Wittgenstein’s phenomenology: ‘sense’ resolves finally into the concern for finding a method for verification, and not a matter of concern for determining logical truth conditions. Thus a very important key to the role that his phenomenology played in Wittgenstein’s official return to philosophy has been neglected, in an otherwise compelling overview of his phenomenology and the notion of experience.
Thompson made, in spite of these problems pointed above, some brilliant remarks on the failure of using calculus to understand human language discussing its lack of determinedness, rigidity (i.e. the well structuredness of rules) and completeness. I recommend Thompson’s book to people interested in an introduction to Wittgenstein’s (short-lived) phenomenology and for anyone who will profit from sharp, effective criticism of the limitations of the so-called resolute reading.
References
FREGE, Gottlob. Grundgesetze der Arithmetik. Band: II. Jena: Verlag Hermann Pohle, 1903.
RAMSEY, Frank. Critical Notes to Tractatus Logico-Philosophicus. Mind, p. 465- 478 ,1923 _____. Facts and propositions. Proceedings of the Aristotelian Society, Supplementary Volumes, v. 7, Mind, Objectivity and Fact, p. 153-206, 1927.
SILVA, Marcos. Muss Logik für sich selber sorgen? On the Color Exclusion Problem, the truth table as a notation, the Bildkonzeption and the Neutrality of Logic in the Collapse and Abandomnent of the Tractatus. PHD Thesis – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Philosophische Bemerkungen. Werkausgabe Band 2. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1984.
_____. Some Remarks on Logical Form. Proceedings of the Aristotelian Society, Supplementary Volumes, v. 9, Knowledge, Experience and Realism p. 162-171 Published by: Blackwell Publishing on behalf of The Aristotelian Society, 1929.
_____. Tractatus Logico-philosophicus. Tagebücher 1914-16. Philosophische Untersuchungen. Werkausgabe Band 1. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1984.
_____. Wittgenstein und der Wiener Kreis. Werkausgabe Band 3. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1984.
Marcos Silva – Pós-doutorando em Filosofia na Universidade Federal do Ceará (UFC)/CAPES-PNPD. E-mail: marcossilvarj@gmail.com
Dom Luciano Duarte / Revista do IHGSE / 2015
No segundo semestre de 2014 o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe firmou uma promissora parceria com uma das principais instituições culturais de Aracaju, o Instituto Dom Luciano Duarte. Como primeira ação fruto dessa parceria, foi promovido em janeiro de 2015 o “Seminário Dom Luciano: Perfis”, como forma de celebrar o natalício de 90 anos do arcebispo emérito da Arquidiocese de Aracaju.
O evento, realizado nas dependências das duas instituições, entre os dias 27 e 29 de janeiro, apresentou uma vasta programação, com o lançamento de livros, mesas redondas e conferências. Além disso, o seminário tornou-se um espaço profícuo de discussões acerca da trajetória de um dos principais intelectuais sergipanos da segunda metade do século XX, com destacada atuação no campo cultural do estado.
Luciano José Cabral Duarte nasceu em Aracaju, em 1925. Ainda jovem, despertou a vocação de ingressar no sacerdócio, levando-o a peregrinar por inúmeros seminários pelo país. Ordenado, teve uma destacada atuação como sacerdote, com suas afamadas homilias proferidas na Igreja São Salvador e na recém-criada Rádio Cultura de Sergipe. Na década de 50, ele tornou-se doutor em Filosofia pela Université de Paris I / Panthéon Sorbonne.
No campo religioso, o padre Luciano, como ainda é afetivamente chamado pelos familiares e amigos, destacou-se na reestruturação da JUC, na imprensa católica com o jornal “A Cruzada” e na “Rádio Cultura”, bem como na participação do Concílio do Vaticano II e na longa trajetória como arcebispo da Arquidiocese de Aracaju. também destacou-se por suas polêmicas acerca da Teologia da Libertação, com uma série de artigos publicados nos principais impressos do país. Entre as camadas populares, evocam as memórias da voz firme e pausada no “Sermão das Sete Palavras” proferido no Batistão na Sexta-feira Santa.
No campo cultural, Luciano Duarte tornou-se um dos principais defensores da institucionalização do ensino superior em Sergipe. Primeiramente com a fundação e direção da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (FAFI). Posteriormente, com a campanha em defesa da criação da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Atuou também como membro do Conselho Federal de Educação e tornou-se um entusiasta na preservação do patrimônio religioso, por meio da criação do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão.
Essas diferentes facetas do intelectual foram debatidas no “Seminário Dom Luciano: Perfis” e agora, os textos apresentados no evento são disponibilizados ao público por meio de um dossiê que compõe o primeiro volume da edição 45 da Revista do IHGSE. Trata-se de uma forma de preservar a memória das discussões promovidas ao longo da última semana de janeiro de 2015, como também na estratégia em divulgar as relevantes contribuições apresentadas no seminário, sobre os diferentes campos de atuação do Padre, como a Filosofia, a Educação e a Religião.
Certamente, essa publicação evoca a um ato de justiça, pois esse dossiê temático em homenagem ao arcebispo emérito de Aracaju preenche uma lacuna da revista que, ao longo do século XX, tornou-se notória na difusão dos principais nomes da inteligentzia sergipana. Nas páginas que seguem, o leitor poderá ler as reflexões sobre a trajetória de Luciano Duarte e, assim, entender a dimensão da relevância desse ator social na história intelectual de Sergipe. Boa leitura!
Aracaju, 02 de julho de 2015
Magno Francisco de Jesus Santos – Editor
SANTOS, Magno Francisco de Jesus. Apresentação. Revista do IHGSE. Aracaju, n.45, v.1, 2015. Acessar publicação original [DR]
Historiografia e nação no Brasil: 1838-1857 / Manoel L. S. Guimarães
Luís César Castrillon Mendes – Universidade Federal de Mato Grosso.
GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado. Historiografia e nação no Brasil: 1838-1857. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 2011. 284p. Resenha de: MENDES, Luís César Castrillon. História histórias. Brasília, v.3, n.5, p.223-226, 2015. Acesso apenas pelo link original. [IF]
Patrimônio Histórico-Educativo | RIDPHE | 2015
A Ridphe_R, Revista Iberoamericana do Patrimônio Histórico-Educativo (2015-), é uma publicação continua, on-line, da Faculdade de Educação/UNICAMP e organizada no âmbito das temáticas da Rede Iberoamericana para a Investigação e a Difusão do Patrimônio Histórico Educativo – RIDPHE, com sede na sala do CIVILIS/FE/UNICAMP, ao qual se articula. A Revista publica artigos resultantes de pesquisa ou de reflexão acadêmica, estudos analíticos, resenhas, entrevistas, encaminhados por pesquisadores que tratam da temática do Patrimônio Histórico-Educativo e Cultural.
A revista, como veículo de registro e divulgação científica, tem como objetivos aprofundar a discussão sobre os aspectos metodológicos para o estudo da documentação de acervos históricos educativos/culturais e debater os desafios da preservação deste patrimônio histórico-educativo e cultural, propiciando o intercâmbio de informações entre pesquisadores de diferentes nacionalidades que estudam a escola e instituições culturais afins, a partir de sua cultura e materialidade, buscando apreendê-la historicamente. Visa ainda contribuir para a elaboração de propostas de preservação e difusão de acervos que possam subsidiar políticas públicas de preservação das fontes.
Acesso livre
Periodicidade anual (publicação contínua)
ISSN 2447-746X (Online)
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O Adeus à Europa: a América Latina e a Grande Guerra | Olivier Compagnon
Efemérides sempre acarretam uma série de eventos acadêmicos e lançamentos editoriais, que se aproveitam das datas para preencher as agendas e abastecer as estantes com títulos relacionados a um determinado evento tido como relevante. O ano de 2014 foi particularmente profícuo nesse sentido; no contexto nacional, os cinquenta anos do Golpe de 1964 foram relembrados por eventos de todos os tipos; no plano internacional, o acontecimento mais significativo foi, sem dúvida, o centésimo aniversário do início da Grande Guerra. As maiores livrarias do país ficaram abarrotadas de inúmeros títulos recém-lançados sobre a Grande Guerra. Dentre eles, chama a atenção O Adeus à Europa do historiador francês Olivier Compagnon, professor de história contemporânea da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3. Leia Mais
“Zu wißen und kundt sey hiemit…”. Neue Erkenntnisse zur Osnabrücker Landes- und Stadtgeschichte aus studentischen Forschungen / Volker Arnke e Heinrich Schepers
André Gustavo de Melo Araújo – Universidade de Brasília – UnB.
ARNKE, Volker; SCHEPERS, Heinrich (orgs.). “Zu wißen und kundt sey hiemit…”. Neue Erkenntnisse zur Osnabrücker Landes- und Stadtgeschichte aus studentischen Forschungen. Osnabrück: Selbstverlag des Vereins, 2014. 328p. Resenha de: História histórias. Brasília, v.3, n.5, p.221-222, 2015. Acesso apenas pelo link original. [IF]
História das mulheres e do gênero em Minas Gerais / Cláudia Maia e Vera L. Puga
Escrever a história das mulheres e do gênero ainda é uma tarefa ousada. Desde os anos 1980, o tema chega ao Brasil e se consolida como um campo definido de pesquisa para as/os historiadoras/es ganhando visibilidade, apesar de ainda sofrer restrições no interior das instituições acadêmicas. O número significativo de publicações revela gradativo fortalecimento desse campo, como atesta o crescimento das publicações de livros, artigos em revistas especializadas, teses, dissertações e simpósios temáticos versando sobre o tema. O que significa escrever uma história das mulheres e do gênero? A história se tornou o lugar a partir do qual o feminismo questionou o sujeito universal moderno (homem, branco, heterossexual e cristão), fazendo emergir uma vasta gama de sujeitos históricos em suas especificidades de gênero, étnico-raciais, sociais e sexuais.
O livro História das mulheres e do gênero em Minas Gerais, organizado por Cláudia Maia (UNIMONTES) e Vera Puga (UFU) resulta de uma parceria de longa data entre as organizadoras, que são pesquisadoras conceituadas e bastante atuantes nos simpósios sobre “História das mulheres e do gênero” na Associação Nacional de Professoras/es Universitários de História (ANPUH). Cláudia Maia é doutora em História pela Universidade de Brasília, na área de Estudos Feministas e de Gênero, e pós-doutora pela Universidade Nova de Lisboa. Atua como professora adjunta do Departamento de História e dos Programas de Pós-graduação em História e de Letras/Estudos Literários, da Universidade Estadual de Montes Claros. Vera Puga é doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), desde 1998, e atualmente faz parte de algumas comissões: do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (ENADE-Formação Geral) e da Secretaria de Políticas para as Mulheres (Comitê Técnico-Institucional, questões de gênero). É professora Associada II da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde atua no Programa de Mestrado e Doutorado em História Social, no Núcleo de Estudos de Gênero e Mulheres (NEGUEM) e na Revista Caderno Espaço Feminino, como editora.
O livro em questão conta ainda com a participação de pesquisadoras/es de vários estados brasileiros que se debruçaram sobre diferentes momentos da história das mulheres em Minas Gerais, partindo de variados tipos de fontes e abordagens metodológicas. Foi publicado pela Editora Mulheres e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Trata-se de uma coletânea de 552 páginas, organizada em quatro partes que indicam os múltiplos olhares sobre as mulheres mineiras: 1) transgressoras e insubmissas mineiras; 2) damas, donas do sertão; 3) saberes e fazeres femininos; 4) casamento e maternidade: mecanismos de um destino social.
A primeira parte da obra é constituída por textos que tratam das variadas ações de mulheres mineiras em diferentes temporalidades e espaços, para romper com as amarras das tradições patriarcais. Através da escrita sensível da pesquisadora Diva do Couto Muniz, conhecemos professoras mineiras cujo conjunto de ações “insubordinadas, indóceis e indisciplinadas” fincaram um marco de resistência ante o conjunto das estratégias elaboradas nas Minas oitocentistas, para circunscrevê-las a um ideal de mestra, recatada e submissa. Encontramos também as mulheres que ousaram contrariar regras “sagradas” e constituíram famílias com padres, mesmo estando sujeitas a sanções sociais, conforme divisou Vanda Praxedes. Mulheres mineiras livres ou escravizadas com suas práticas e estratégias em favor da abolição, como a escravizada Catarina que se destacou pela “astúcia empreendida em seus projetos de liberdade” (p.87), são desveladas por Fabiana Macena. A mineira Maria Lacerda de Moura, sua trajetória e escrita libertárias compõem o texto escrito por Cláudia Maia e Patrícia Lessa. Os três últimos textos discorrem sobre a escrita feminina: Maura Lopes Cançado e sua vida marcada pela insanidade e transgressão das normas de gênero, cuja obra Hospício é Deus foi discutida de forma densa por Márcia Custódio e Alex Fabiano Jardim. Contribuindo para visibilizar as mulheres negras e suas escritas, Constância Duarte nos presenteia com uma análise belíssima de parte da obra da escritora mineira Conceição Evaristo. Nos contos analisados, as personagens negras nos convidam a conhecer suas trajetórias, nas quais a intersecção entre gênero, etnia e classe se fazem presentes nas suas estratégias, vivências e resistências cotidianas. Fechando a primeira parte, conhecemos Márcia, prostituta de Pouso Alegre, cujas cartas são analisadas por Varlei do Couto a partir da noção foucaultiana de escrita de si. Vivendo e lutando num contexto em que as campanhas de moralização e higienização sociais têm como foco seu local de trabalho e residência, Márcia elabora táticas de resistência, enquanto troca correspondências com pessoas de sua estima, nas quais fala de si e de sua posição frente à sociedade em que vive.
Na segunda parte da obra, intitulada “Damas, donas do sertão”, os olhares das/os pesquisadoras/es se voltam para as regiões consideradas mais distantes de Minas Gerais: os sertões longínquos, tradicionalmente considerados como espaços do desmando e poderio falocêntricos, agora são relidos sob novo viés. Assim, conhecemos por meio do texto de Gilberto Noronha as imagens contraditórias construídas sobre Joaquina de Pompéu e sua atuação no Oeste de Minas Gerais, entre os séculos XVIII e XIX. Em alguns discursos, ela é a mulher reta, recatada e justa; em outros, figura como “caudilho de saias” ou “sinhá Braba”, colérica, descomedida sexualmente e cruel com seus subordinados. Dona Tiburtina de Andrade Alves é outra mulher cuja posição ativa suscitou inúmeras representações: seu envolvimento em episódio sangrento da política de Montes Claros, no início do século XX, foi lido e relido ao longo do tempo a partir de várias perspectivas, sendo ora louvada, ora criticada, conforme destacam as autoras Maria de Fátima Nascimento e Filomena Cordeiro Reis. Correndo mundo através da literatura, as personagens femininas de Guimarães Rosa, tão vivazes quanto os viventes de carne e osso, em suas ações destecem o tecido da tradição falocêntrica e conduzem os destinos por caminhos por elas mesmas traçados. Zidica, Rivília e “Dlena, aranha em jejum” apresentam possibilidades de “desarticular o estabelecido” e nos são apresentadas com sua astúcia, pela pena sutil de Telma Borges.
Os textos que compõem a terceira parteda obra, denominada “Saberes e fazeres femininos”, têm em comum o cuidado das/o autoras/res em ouvir as próprias mulheres acerca de seus conhecimentos e práticase das formas pelas quais atuaram em suas comunidades. As falas das narradoras são permeadas de satisfação em rememorar suas trajetórias de vida e, ao mesmo tempo, reiteram sentidos tradicionais sobre as atividades consideradas como apanágio feminino ou masculino. Através do texto de Lúcia Helena da Costa, acessamos as narrativas das parteiras do norte de Minas Geraiscujas práticas de partejar sofreram a interferência dos médicos no processo de medicalização da saúde das mulheres e dos recém-nascidos, a partir dos anos de 1950. No texto de Cairo Katrib e Fernanda Naves, nas memórias de mulheres congadeiras em Ituiutaba se entrelaçam trajetórias pessoais e a prática cultural do Congado. Durante muito tempo silenciadas pela tradição judaico-cristã, as vozes das mulheres que atuaram na fundação de Igrejas pentecostais no Norte de Minas Gerais são enfim ouvidas por meio da pesquisa de João Augusto dos Santos. A ligação entre os fazeres considerados como femininos ligados à cozinha e aos hábitos alimentares mineiros são discutidos por Mônica Abdala. Ainda sobre saberes, temos as narrativas das mulheres trabalhadoras rurais no Triângulo Mineiro, visibilizadas por Maria Andréa Angelotti. A exclusão feminina do acesso à educação formal é discutida por Leila Almeida, que se debruça sobre as narrativas de mulheres de Januária acerca de suas trajetórias de escolarização. As hierarquias de gênero que comumente estabelecem restrições diversas às mulheres marcaram a vida de muitas das narradoras, que foram impedidas de estudar durante a juventude por maridos ciumentos e obrigações domésticas. Encerrando a terceira parte, conhecemos a luta pela terra travada pelas mulheres negras remanescentes de um Quilombo em Paracatu, através da pesquisa de Maria Clara Machado e Paulo Sérgio da Silva.
O casamento e a maternidade têm sido apontados enfaticamente como formas de aprisionamento das mulheres, transformados em destinos social e biológico circunscrevendo as mulheres na esfera da casa e da família, submetidas a cerceamentos e violências. A quarta e última parte do livro se caracteriza por discutir os dispositivos sociais responsáveis por restringir as mulheres às funções de esposas e mães, bem como as estratégias encontradas por muitas para se livrarem de situações de violência em casamentos infelizes. Helen Ulhôa Pimentel examina documentação do século XVIII do tribunal eclesiástico instalado em Paracatu. A autora estuda o papel da Igreja quanto ao casamento e a possibilidade de anulação do mesmo. Entre a documentação encontrou vários casos nos quais as mulheres resistiram às imposições da Igreja e a procuravam buscando se livrar de situações intoleráveis, como casamentos violentos, o caso, por exemplo, de Joana de Souza Pereira. Na sequência, também tratando de casamento e divórcio, temos o texto de Dayse Lúcide Santos, que discute a legislação brasileira, do final do século XIX e início do século XX, acerca do tema e analisa alguns processos de separação ocorridos em Diamantina. Uma das conclusões a que chega é a de que havia um descompasso entre as normas instituídas pelo Estado e pela Igreja e as vivências de homens e mulheres, o que levava a transgressões da norma. Os discursos produzidos no início do século XX sobre os papéis das mulheres na formação dos cidadãos nas regiões do triângulo mineiro constituem foco da pesquisa de Florisvaldo Ribeiro Júnior. As mulheres eram “alvos de prescrições físicas e morais de jornalistas, médicos, intelectuais, políticos e padres”, que procuravam estabelecer normas e controle sobre os seus corpos e condutas. Temos, aqui, excelente análise a respeito da relação entre as representações de gênero e os projetos de Nação Moderna do período. Na sequência, os discursos de mães adolescentes sobre maternidade e casamento, em Uberlândia, são analisados por Carla Denari, que percebe um descompasso entre os discursos do Estado acerca da gravidez na adolescência e os sentidos positivos que as mães adolescentes atribuem à maternidade e ao casamento. A educação enquanto espaço de produção das diferenças de gênero é objeto de Vera Lúcia Puga que percorre criticamente o processo educacional dicotômico, desde o século passado, com os internatos separados por sexo, até o presente, com a permanência da educação binária que se evidencia pelo funcionamento da escola deprincesas em Uberlândia.
Enfim, o livro como um todo oferece uma importante contribuição paraa história eos estudos de Gênero; seu diferencial é a abordagem centrada nas mulheres mineiras de várias regiões do estado, suas atuações em cada contexto ondese inseriram na luta pela liberdade de existir e agir. Se por um lado a obra congrega estudos variados que pretendem visibilizar as ações das mulheres mineiras, por outro tem nessa diversidade de perspectivas a emergência de alguns problemas: em alguns textos percebe-se que as mulheres estão subsumidas nas condições históricas de suas sociedades, em outros é possível vislumbrar a ideia de predestinação de determinadas mulheres para a atuação política em seus contextos. Notam-se também algumas lacunas no que tange às mulheres indígenas e às lesbianas, denotando uma ausência de estudos sobre essas mulheres em Minas Gerais e apontando, por outro lado, para a possibilidade de exploração destes campos pelas novas levas de historiadoras/es feministas. As brechas apontadas não diminuem o mérito da obra, visto que, nós historiadoras/es feministas somos conscientes de que todo texto histórico é parcial. Nesse sentido, as organizadoras na apresentação explicam que o “livro não teve a pretensão de percorrer o conjunto dos estudos que têm sido desenvolvidos sobre mulheres e gênero em Minas Gerais no campo da História, mas é uma pequena mostra desses estudos”1. Dentro do proposto, o livro contribui imensamente para que se conheça um pouco mais da história das mulheres mineiras.
Rosana de Jesus dos Santos – Doutoranda em História na Universidade Federal de Uberlândia.Bolsista Fapemig.E-mail: mariabunitaxxi@yahoo.com.br.
MAIA, Claúdia; PUGA, Vera Lúcia (Org.). História das mulheres e do gênero em Minas Gerais. Ilha de Santa Catarina: Editora Mulheres, 2015. 552p. Resenha de: SANTOS, Rosana de Jesus. História histórias. Brasília, v.3, n.6, p.223-227, 2015. Acessar publicação original. [IF]
Os sonâmbulos: como eclodiu a Primeira Guerra Mundial
A Grande Guerra teve um impacto profundo sobre a sociedade contemporânea, marcando o final de todos os efeitos do “longo século XIX”. O conflito representou o crepúsculo da supremacia mundial da Europa e de uma civilização convencida de que fosse possível guiar a humanidade, através do conhecimento e da razão, em direção a um futuro de progresso e de pacífica convivência entre as grandes potências continentais. Isso não excluía a possibilidade de que a projeção colonial delas não comportasse conflitos ativos entre elas. O importante era impedir uma guerra que pudesse levar a uma desestabilização dos equilíbrios entre as potências, como ocorrera anteriormente, em 1870 – este era o objetivo da diplomacia da época. No final, a guerra, aliás, a “Grande Guerra”, que todos queriam evitar, mas que na realidade se preparavam para enfrentar, eclodiu, e, após cinquenta e três longos meses de devastação, mudou a sensibilidade dos contemporâneos, forçados a confrontar-se com uma realidade tanto nova quanto terrível, que deixou vestígios profundos em todos aqueles que foram envolvidos. Também por este motivo, a pesquisa das causas de tudo isso, como se pode entender, atraiu os historiadores desde o primeiro momento. Leia Mais
A Fraseologia Medieval Latina | Álvaro Alfredo Bragança Júnior
Há décadas, o professor e acadêmico Álvaro Alfredo Bragança Júnior vem demonstrando como poucos, uma dedicação constante aos estudos latinos e medievais, tanto nos estudos linguísticos e filológicos, quando nos estudos históricos. Exatamente no momento em que cada vez mais se redescobre o legado cultural celta e germânico para a formação do espaço geográfico e linguístico europeu, em que a revista Brathair se constitui em um dos melhores exemplos no cenário acadêmico brasileiro, o filólogo, professor e pesquisador de Língua e Literaturas de Língua Alemã da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de docente do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da mesma universidade, faz o percurso inverso: volta ao latim para mostrar suas marcas proverbiais no espaço germanófono do medievo!
Este é mais um dos seus brilhantes trabalhos que envolvem os estudos latinos (linguísticos e filológicos), a Lexicologia e a Medievística, absolutamente desprovido dos ranços de eruditismo descabido em trabalhos similares.
Em outra oportunidade, eu mesmo já havia dito que esse livro vai nos mostrar o quanto as palavras refletem a vida de uma sociedade, tanto no presente quanto no passado, visto que as frases feitas (ou a fraseologia) são uma espécie de discurso repetido utilizado pela sociedade para abonar as crenças mais generalizadas de uma época ou de uma comunidade, sem necessidade (e sem possibilidade, quase sempre) de indicar a fonte ou autoria.
Nos estudos históricos, por exemplo, é possível reinterpretar grande número de fatos a partir dos conceitos populares que se difundem nos provérbios mais frequentemente utilizados na época, visto que eles refletem, seguramente, as crenças daquele momento. Tanto que, citando e traduzindo Hans Walther em seus Proverbia sententiaeque latinitatis Medii Aevi, o Prof. Álvaro Alfredo Bragança Júnior nos lembra que, na Idade Média, “o saltério e o provérbio são recomentados antes das fábulas e de outros autores romanos como leituras iniciais para o aprendizado da língua” (Cf. p. 87).
Isto ocorre porque tais frases ou expressões são tão conhecidas nas comunidades em que são utilizadas que a mera repetição ou alusão basta para abonar um argumento, como uma citação de autoridade da mais alta competência na especialidade em questão.
Outra coisa que reforça a autoridade de um provérbio ou frase feita é a referência à antiguidade de sua utilização, que também costuma ser feita através de outras expressões similares, como “no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça…”, “no tempo do onça…” etc.
Sendo assim, o estudo da fraseologia latina para conhecer as crenças e costumes da Idade Média é uma ideia genial que o Prof. Álvaro desenvolveu brilhantemente nesse livro, que teve origem em sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Além de uma substanciosa Introdução de nove páginas, uma Conclusão de seis páginas, e uma Bibliografia de oito páginas, desenvolveu seu estudo em seis capítulos: 1) A fraseologia e sua conceituação, 2) A Idade Média, 3) O latim medieval, 4) A rima: criação medieval, 5) O corpus paremiológico de Werner e 6) Provérbios latinos medievais rimados: exemplos de temáticas (Provérbios ligados ao mundo animal, Provérbios referentes à religião católica, provérbios remissivos à Antiguidade greco-romana).
Uma das formas mais eficazes de fornecer rudimentos culturais aos discípulos consistia na compilação de exercícios escolares que continham uma fundamentação eminentemente teológica presa aos preceitos da Igreja, sempre rimados, para facilitar a memorização, assim como continuou no Brasil até o final do século XVIII (Cf. SOARES & FERÃO, [2009], p. 82-142), mesmo depois da expulsão dos jesuítas.
Na Idade Média, o latim e a rima presentes nos provérbios nos permitem reconhecer os reflexos sociopolíticos e culturais da mensagem da Igreja como guia espiritual, tornando-se o motivo condutor de parte significativa do cristianismo ocidental, visto que o latim continuou, até início do século XX, como a única língua internacional de cultura e, até hoje, língua oficial da Igreja Católica Romana.
O Prof. Álvaro foi extremamente feliz ao descrever a Idade Média, o latim medieval e, mais especificamente, a rima como criação medieval latina, trazendo-nos sínteses da melhor qualidade para esses três fatos da cultura cristã ocidental.
Para avaliar a influência da Igreja em nossa cultura (e do latim, por extensão), é preciso considerar também que em todo o período colonial brasileiro, o governo era também eclesiástico, no qual o rei era intitulado de Fidelíssimo e recebia o tratamento de Sua Majestade Fidelíssima, assim como na Espanha era o de Sua Majestade Católica. E isto era tão forte na Península Ibérica que o árbitro do Tratado de Tordesilhas, que dividiu a América do Sul e Central entre os espanhóis e os portugueses foi o papa Alexandre VI, ratificado posteriormente pelo papa Júlio II.
Aliás, como recomenda Dag Norberg, “é bom lembrar que é nesta época que a poesia rítmica começou a desenvolver formas novas, que o emprego da rima se sistematizou e que nasceram as criações mais originais da Idade Média latina, os tropos e as sequências”. (NORBERG, 2007, p. 73)
Enfim, quem desejar conhecer uma avaliação segura da fraseologia medieval latina e seus reflexos na cultura ocidental moderna, não pode deixar de ler esta excelente produção de Bragança Júnior, principalmente em relação aos provérbios rimados.
Referências
NORBERG, Dag. Manual prático de latim medieval: I – Breve história do latim medieval. Trad.: José Pereira da Silva. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2007. Disponível em: . Acesso em: 25/05/2014.
SOARES, José Paulo Monteiro; FERRÃO, Cristina (Orgs.). Rendas & fiados do Nordeste Brasileiro 1760-1761: Documentos do Arquivo Histórico Ultramarino – AHU – Rendas e Fiados da Capitania de Pernambuco, Rio Grande e Ceará. Revisão técnica e atualização ortográfica de José Pereira da Silva. [s.l.]: Kapa Editorial, [2009].
José Pereira da Silva – Docente do Departamento de Letras da UERJ. Diretor-Presidente do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. E-mail: pereira@filologia.org.br
BRAGANÇA JÚNIOR, Álvaro Alfredo. A Fraseologia Medieval Latina. Vitória: DLL-UFES, 2012. Resenha de: SILVA, José Pereira da. Brathair – Revista de Estudos Celtas e Germânicos. São Luís, v.15, n.1, p. 186-189, 2015. Acessar publicação original [DR]
Historia de las Prisiones | IIHLP | 2015
El surgimiento de una nueva publicación constituye una invitación propicia para realizar algunas reflexiones que expliquen las razones de la iniciativa.
La política criminal de un Estado se integra con distintas instituciones de control social formal: cárceles, policía, correccional de menores, hospitales psiquiátricos para pacientes judicializados, constituyen distintas agencias en las que se concentra el poder penal estatal. La indagación historiográfica sobre el pasado de estas instituciones ha venido conformando, desde hace varias décadas, las agendas tanto de la iushistoriografía como de la historia social.
Desde la historiografía del derecho iberoamericana, salvo algunas pocas excepciones, los principales aportes relativos a la historia de las prisiones se vinculan con períodos cronológicos que se refieren a los siglos XVIII y XIX, siendo más bien escasas las investigaciones que se ocupan del último cuarto del siglo XIX hasta mediados del siglo pasado. Por su parte, en el caso de la historia social, aun cuando sus estudios se han dilatado más en los períodos temporales señalados, se visualiza, en algunos sectores, cierto apego a determinados modelos teóricos, especialmente influenciados por Michael Foucault. Sin embargo, desde la publicación, en 1975, de Vigilar y castigar, obra de singular importancia para el estudio de la historia de las prisiones, han trascurrido cuarenta años. Y sería un error pensar que después de aquel aporte trascendental nada más se pueda decir al respecto. Por el contrario, el escenario de la historiografía sobre las prisiones desde los albores de este siglo está evidenciando signos saludables de cambio.
Estos cambios son sintomáticos de una renovación, producto de una creciente problematización sobre nuevas cuestiones o cuestiones más tradicionales pero que son revisitadas a partir de la utilización intensiva de fuentes diversas.
La Revista de Historia de las Prisiones (San Miguel de Tucumán, 2015-) pretende dar cuenta de este horizonte, en curso de renovación. La Revista cuenta con el aval y es editada por el Instituto de Investigaciones Históricas Leoni Pinto (INIHLEP) de la Universidad Nacional de Tucumán. Es un proyecto federal, cuya dirección se sitúa en las provincias de Córdoba y Buenos Aires y cuyo sello editorial y parte del equipo de redacción se radica en la provincia de Tucumán.
Todo proceso de renovación supone la confluencia generacional: figuras consagradas, juntamente con nóveles investigadores, confluyen en este horizonte y nuestra publicación aspira a dar cuenta y fomentar estos contactos, cuyos productos historiográficos desembocarán en un mejor conocimiento del área a investigar.
¿Cómo se construye esta tradición historiográfica?
Con distintas perspectivas, que se entrelazan.
El espacio carcelario, especialmente a partir del proceso modernizador del castigo penal que tuvo sus inicios en el último cuarto del siglo XIX, constituyó un territorio complejo. En sus pliegues han coexistido (y aún lo hacen) agentes penitenciarios, personal técnico e internos; en una cotidianeidad enmarcada por los perfiles sociológicos que caracterizan a una institución total. Pero, al mismo tiempo, aquella dinámica institucional estuvo (y todavía lo está), orientada por reglas jurídicas, de las más variadas jerarquías, inspiradas -al menos desde lo discursivo- en la consecución de cierto ideal rehabilitador. La historiografía jurídica tradicional, más preocupada por la descripción de aquellos contextos normativos, resulta insuficiente para dar cuenta de las innegables tensiones que se experimentan en aquel espacio institucional, tensiones que, en muchos casos, por el desenvolvimiento de las subculturas carcelarias y sus peculiaridades, esterilizan aquellas finalidades legisladas. A ello debe sumarse que cada cárcel es un microcosmos y que las finalidades legislativas muchas veces se han pensado en función de una determinada realidad, pero sin percatarse de la tremenda diversidad que caracteriza a aquélla. Esto exige una metodología microhistórica, que permita problematizar cada situación, a partir de una explotación intensiva de las más diversas fuentes, en escalas más reducidas. Lo dicho hasta aquí exige orientar la heurística de las fuentes hacia aspectos tan variados como la existencia o no de ofrecimientos de tratamiento (trabajo, educación, etcétera) y, en su caso, sus características; la infraestructura carcelaria; los perfiles de la población de los internos y su cantidad; la dieta; la sanidad; los regímenes disciplinarios; la cuestión religiosa; la formación del personal de prisiones; sus formas de reclutamiento; el control ejercido sobre la institución carcelaria; etcétera.
Desde luego que no renunciamos a una historia total de las prisiones. Todo lo contrario, esta historia es posible a partir del comparatismo; pero un comparatismo coordinado, que no sea la mera yuxtaposición de casos puntuales, sino que se esfuerce por la reconstrucción articulada de los distintos espacios que caracterizan las variadas realidades nacionales y regionales.
Por otra parte también deberá atenderse a la circulación de ideas: las reformas penitenciarias pueden ser tributarias de climas intelectuales que provienen de centros diversos de aquellos en las que se producen. La historia de las prisiones deberá ser muy sensible a estas cuestiones, no sólo reparando en los artefactos culturales que fueron conformando al Derecho penitenciario como disciplina científica (libros y revistas especializadas) sino, también, analizando los procesos de comunicación entre los diversos actores sociales (intelectuales, viajeros, etcétera), la conformación de élites (locales o regionales), de redes intelectuales, de nuevos espacios de sociabilidad científica (congresos penitenciarios) y la posible incidencia de todos éstos en aquellos procesos de reforma.
Aún cuando el egreso de la institución penitenciaria supone la desvinculación del penado con la cárcel, esto no significa que la reconstrucción historiográfica cese, justamente, en aquel punto. Por el contrario, desde antiguo se conocen institutos jurídicos (por ejemplo, la libertad condicional) que permiten el retorno del interno al medio social, aún cuando bajo el control del Estado. En tal caso, cobra también relevancia la indagación respecto de la asistencia postpenitenciaria, forma de ayuda que, por lo demás, puede tener incidencia en situaciones en que la liberación sea el producto del agotamiento de la condena. En cualquiera de estas hipótesis, hace la completitud del análisis de nuestra temática, detenerse en la existencia, y en su caso las características, de la ayuda del Estado o de otras organizaciones sociales intermedias para con este colectivo.
Finalmente, tanto los productos normativos como las políticas penitenciarias suelen ser receptivas de las sensibilidades y sensaciones sociales sobre el castigo. En la formación de estas sensibilidades y sensaciones suelen desempeñar un papel gravitante los discursos de la prensa. De allí también que tal cuestión deba merecer un lugar destacado en todo proceso de reconstrucción historiográfica.
Estas ideas con las que concebimos la historia de las prisiones -y que hemos tratado de sintetizar- sólo pueden concretarse a través de un programa interdisciplinario; una interdisciplinariedad que, paradójicamente, debería funcionar en un doble sentido: hacia adentro de la perspectiva historiográfica, a través de la confluencia entre historiadores sociales, del derecho y de las ideas; con los más variados enfoques metodológicos (microhistoria, comparatismo, etcétera) y en su interrelación con otros saberes disciplinares, cual sucede con la sociología del castigo, la criminología, el análisis del discurso (para mencionar unos pocos); cuyas categorías, en atención a los contextos espacio-temporales que caracterizan nuestra propuesta (1880/1950) permitirían una enriquecedora aplicación.
Con estos alcances y tales propósitos, damos inicio a esta publicación de periodicidad bianual, de artículos originales y sometidos a evaluación externa (external peer review) bajo el sistema de arbitraje doble ciego. Invitamos a la comunidad científica a colaborar en esta tarea de reconstrucción historiográfica de las prisiones de América y Europa (1880 /1950)
Periodicidade semestral.
Acesso livre.
ISSN 2451-6473
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Recherche historique et enseignement secondaire (DH)
Recherche historique et enseignement secondaire. Annales. Histoire, sciences sociales, vol. 70, n° 1, 2015, p. 141-214. Resenha de: BUGNARD, Pierre-Philippe. Didactica Historica – Revue Suisse pour l’Enseignement de l’Histoire, Neuchâtel, v.1, p.201, 2015.
Exceptionnellement, les Annales consacrent la deuxième partie de leur numéro de janvier-mars 2015 aux rapports qu’entretiennent la recherche historique et l’histoire enseignée en France, à partir du débat organisé par la revue aux Rendez-vous de l’histoire de Blois 2013 sur « Les Annales et l’enseignement ». Des rapports devenus sans doute plus aisés et plus consensuels à partir de la création des instituts universitaires de formation des maîtres (IUFM), à la fin des années 1980, jusqu’aux réformes récentes de la formation des enseignants, avec en 2013 la création des écoles supérieures du professorat et de l’éducation (ESPE). Un équilibre s’est ainsi établi entre les pôles que forment la science historique et sa pédagogie, conformément à une évolution signalée comme analogue en Europe et au-delà.
Une série d’articles stimulante, ouverte aux expériences concrètes conduites par des praticiens em collège et en lycée, entre en tension ou en harmonie avec la didactique, l’historiographie et l’épistémologie de l’histoire. Il est notamment souligné, en introduction, que l’intérêt pour la recherche manifesté dans les établissements pourrait permettre à l’histoire scolaire de « sortir de l’orniere » la confinant entre attentes politiques antinomiques et dédain des chercheurs: elle peut dans ces conditions « etre pensee autrement que comme une forme degradee d’histoire “savante” » (nous renvoyons ici à l’article de Laurence De Cock).
Le dossier des Annales est sans doute le plus important consacré à l’histoire enseignée depuis le numéro spécial « Difficile enseignement de l’histoire » de la revue Le Debat (vol. 175, no 3, 2013), mentionné dans l’introduction, ou la grande note de synthèse « La didactique de l’histoire » de Nicole Lautier et Nicole Allieu-Mary dans la Revue francaise de pedagogie (no 162, 2008, p. 95-131).
Table
Anheim Étienne, Girault Bénédicte, L’histoire, entre enseignement et recherche
Barbier Virginie, L’histoire-géographie en classe. La construction d’un savoir par l’apprentissage d’un savoir-faire
Berthon-Dumurgier Alexandre, Apprentissages historiques et métier d’historien. Un parcours de compétences
El Kaaouachi Hayat, La recherche en histoire dans la formation continue des enseignants
De Cock Laurence, L’histoire scolaire, une matière indisciplinée
Delacroix Christian, Un tournant pédagogique dans la formation des enseignants. Le cas du Capes d’histoire-géographie
Girault Bénédicte, De la didactique à l’épistémologie de l’histoire: une réflexivité partagée
Pierre-Philippe Bugnard – Université de Fribourg.
[IF]
Trabalhadores / Esboços / 2015
Repensar el estudio de la clase obrera
“Sólo al tratar de comprender el pasado racionalmente
podemos transformarlo de una masa informe en una plataforma,
o derivar energía del mismo como un Anteo gigantesco
del contacto con su madre Tierra. La máxima que sólo un
involucramiento activo con el pasado puede desarrollar uma
correcta sensación por el pasado es verdad, como lo es a la
inversa, que sólo una familiaridad con el pasado puede darnos
un sentido correcto del presente. No podemos actuar sobre las
cosas que han pasado, pero ellas continúan actuando sobre
nosotros, el pasado y el presente se combinan para hacer el futuro”. [1]
V.G. Kiernan
Este dossier presenta un conjunto de artículos sobre trabajadores en América Latina y en Portugal. En ellos se trata de repensar una serie de problemas en torno a los estudios sobre trabajadores a partir de premisas comunes. En todos los casos el eje que los articula es el problema en torno a clase, género, cultura, politización y por ende conciencia social. Los diversos autores operan con una definición de “clase obrera” derivada, sobre todo, de los marxistas británicos. De ahí que consideren parte de la clase obrera a trabajadores agrícolas, empleados de call centers, comunidades de trabajadores, así como a obreros industriales. Asimismo, los autores consideran los estudios puntales como una ventana que sugiere, y muchas veces cuestiona, nuestras hipótesis historiográficas.
Los enfoques “desde abajo” aportados por los artículos de Mastrángelo, Raimundo y Pisani articulan clase con género para ir delineando las características de esa cultura obrera: Mastrángelo examina como un conflicto específico (la huelga de 1936 en Rio Cuarto, Argentina) revela esa cultura que abarca no sólo a los huelguistas sino también a sus compañeras destacando que las estructuras de sentimiento que la conforman abarcaban al colectivo social. Raimundo, por su parte, contribuye a este proceso comparando dos casos regionales: el de los trabajadores de la ciudad de La Plata con el más conocido y emblemático de los trabajadores de la ciudad de Córdoba. El resultado es más que interesante ya que sugiere que los procesos de politización obrera, que dieron surgimiento al fenómeno denominado “clasismo” en la década de 1970, encuentran sus raíces en patrones culturales comunes. A su vez, Alejandra Pisani utiliza la historia oral para rastrear las pautas culturales de una obrera en Tucumán. La historia de vida que se presenta demuestra que el proceso de politización es un emergente de una tradición obrera contestataria que, en este caso, se articula con una perspectiva de género para dar surgimiento a una conciencia de clase determinada.
Tan interesantes como los anteriores son los artículos de Igor Goicovic, José Benclowicz y João Carlos Louçao. Goicovic estudia la articulación entre los trabajadores agrícolas de una zona en Chile con organizaciones políticas de izquierda. Por su parte Benclowicz demuestra que las organizaciones de desempleados en Argentina, lejos de ser fenómenos radicalmente nuevos, se inscriben en la cultura de los gremios combativos, presentando una continuidad obrera más allá de la realidad de empleo. También Louçao al estudiar a los empleados de call centers en Portugal encuentra una fuerte lucha en torno a la hegemonía de las pautas culturales de estos “nuevos” trabajadores que “transforman el conflicto de clases en un juego de sombras”.
Los estudios anteriores, reunidos en este dossier, son representativos de un fenómeno mucho más amplio que está aconteciendo en los estudios sobre trabajadores. Estos revisten una particular importancia para los procesos históricos de sociedades como las del así llamado Tercer Mundo puesto que, en ese contexto, el movimiento obrero tuvo –y tiene aún hoy– un peso significativo en la estructura económica y social. Como bien señaló Kim Moody [2] hace ya muchos años: “Si bien en los países industrializados la cantidad de obreros como porcentaje de población descendió a partir de 1980, no es así en cuanto a números absolutos. Al mismo tiempo la cantidad de obreros en el Tercer Mundo aumentó considerablemente a partir de la industrialización acelerada de países como México, Brasil, China, India, Tailandia, Corea del Sur, Taiwán, Singapur, Indonesia, Vietnam.“ Esto conlleva a entender que la actividad desplegada por los trabajadores condicionó el desarrollo del capitalismo, aunque no como la clase obrera deseara. De hecho observamos, en el transcurso de su historia, una profunda interrelación entre acción colectiva, poder social, efectividad y conciencia política. Sobre el particular Ellen Meiksins Wood sostiene “…que los conflictos de clase han históricamente estructurado fuerzas políticas sin que necesariamente produzcan organizaciones políticas.” [3] Así, comprender la historia social de los últimos ciento cincuenta años prescindiendo de los trabajadores implica una deformación del proceso histórico nacional. En este sentido, es indudable que las transformaciones realizadas fueron producto de la articulación entre el accionar y el nivel de lucha de la clase obrera y el de otros sectores sociales.
A pesar de esto, un aspecto notable de las últimas décadas del siglo XX, es que la cantidad de estudios históricos que sobre los trabajadores ha sido relativamente escasa, sobre todo si la comparamos con otros temas dentro del contexto latinoamericano: como por ejemplo la historia colonial o la que hace énfasis en el período de la construcción de los estados nacionales. Más aún, se han estudiado golpes de Estado, ciudadanía, democracia, construcción de la nación, y otros temas con la casi total ausencia de los trabajadores. Recién en la primera década del siglo XXI es que ha crecido la cantidad de estudios históricos sobre trabajadores, protagonizados sobre todo por una nueva generación de estudiosos que han realizado nuevas preguntas y han desarrollado nuevas perspectivas en búsqueda de respuestas.
En gran medida, en América Latina, la modificación de esta actitud ha tenido que ver con el reconocimiento recibido por la obra de Daniel James publicada en 1988. [4] Si bien, varios historiadores se habían dedicado a la historia de los trabajadores y publicado en forma previa, muchos más lo han hecho a partir de ese momento. La característica principal de estos últimos es que son jóvenes, de manera que muchas de las investigaciones tienen que ver con tesis doctorales y primeras investigaciones.Esto es importante, puesto que no sólo muestra posibilidades de gran desarrollo, sino que esta historiografía concentra una serie de interrogantes, perspectivas y aproximaciones que pueden redituar en el futuro en importantes replanteos históricos. La virtud principal de estos estudios es hacerse una serie de preguntas profundas, cuyas respuestas (logradas o no) requieren obligadamente de la interacción con otras ciencias sociales desarrollando el potencial de aproximaciones innovadoras desde perspectivas interdisciplinarias.
Las preocupaciones que trasuntan las investigaciones recientes están entroncadas con el surgimiento y consolidación de una nueva historia social en el ámbito occidental desde la posguerra. A esto contribuyó –en forma decisiva– la renovación de la historiografía y la teoría social marxistas, desarrollada, sobre todo, en Gran Bretaña. En los escritos de esta nueva historiografía obrera se advierte la influencia de las concepciones de Edward P. Thompson, especialmente en lo que hace a su valorización del concepto de “experiencia” y a sus definiciones de clase y conciencia de clase. Este enfoque además se ha nutrido con el concepto de “estructura de sentimiento” de Raymond Williams. También se abasteció con las investigaciones sobre las situaciones políticas y discursivas en que aparecen y retroceden determinados “lenguajes de clase” de Gareth Stedman Jones y los estudios sobre “cultura popular” de Stuart Hall. [5]
Los planteos y sugerencias de la historiografía anglo-sajona han incidido en los estudios recientes sobre la clase obrera. La historiografía previa a 1980 contribuyó significativamente al conocimiento de la estructura de la clase obrera, de las formas de organización y lucha, y de lo que puede denominarse como el mundo político y sindical. Al mismo tiempo tendió a soslayar la experiencia viva y compleja de los trabajadores; su realidad cotidiana en los ámbitos de producción o vivienda; sus prácticas de lucha y de autoorganización. Por lo general se limitaron a indagar sólo sobre los trabajadores agremiados y en el análisis estructural de la sociedad. Asimismo, eludieron, o abordaron en forma superficial, el problema de la conciencia de clase. No es casual que se recurriera allí de una forma muy limitada y pobre a una metodología como lo es la historia oral que tanto puede aportar en la reconstrucción de las prácticas, creencias, sentimientos y proyectos pasados, individuales y colectivos, de los trabajadores. No pocos autores crearon y utilizaron fuentes orales en el tratamiento del movimiento obrero. Sin embargo, cuando lo hicieron fue en torno a la trayectoria de dirigentes sindicales, empresarios, militares o funcionarios; rara vez, centrados sobre activistas o trabajadores de base.
Es en este contexto, marcado por los alcances y límites de la bibliografía, donde debemos insertar el aporte de la nueva historiografía obrera sobre el período en cuestión, en la que la obra de Daniel James es su expresión más profunda debido al corte que ésta representó. Como hemos visto, estaban faltando investigaciones que pusieran como objeto de estudio las experiencias y creencias de los trabajadores, rescatando todos los matices de su práctica social. Se carecía de una literatura específica que abordara como preocupación principal la relación entre la lucha de clases y la experiencia obrera. Se había logrado avanzar en la indagación de los factores económicos y políticos que determinaron la situación del proletariado. Pero este análisis estructural debía ser complementado con otros aspectos vinculados a la cotidianidad de la clase obrera: su respuesta a la ofensiva patronal-estatal y las transformaciones ocurridas en el plano de su conciencia social y de su cultura política, lo cual conduce a reconsiderar la relación entre ésta y los diversos movimientos políticos.
La obra del investigador británico presentó un nuevo enfoque en la historiografía obrera; ella se articuló en torno al objetivo de reconstruir las prácticas, las percepciones y los discursos de los trabajadores, los cuales permitieron recrear a estos como un sujeto histórico colectivo. Es indudable, entonces, que la relevancia de la obra de James está fundada en algo más que en su aporte al conocimiento de un período puntual; este texto operó como legitimizador de toda una nueva y variada producción historiográfica y ha ampliado las posibilidades para la constitución de una nueva tradición interpretativa. De hecho, el libro terminó de instalar el debate acerca de cómo encarar el estudio sobre este sujeto social. Es por eso que su publicación fue señalada como un punto de inflexión en el desarrollo de esta temática. Esta nueva mirada permitió superponer, complementar y quebrar otros enfoques que analizaron a la clase obrera y al movimiento sindical en cada país. James había prestado cierta atención a las relaciones de fuerzas que intervinieron en el desenvolvimiento de la clase trabajadora. Los sujetos sociales, la lucha entablada entre ellos, y no las determinaciones estructurales o ideológicas, fueron los aspectos históricos por él privilegiados. Todo esto reclamó un aparato heurístico alternativo al utilizado tradicionalmente por los historiadores académicos, que se basara no sólo en documentación y archivos oficiales, sino también en fuentes escritas y orales recabadas entre activistas y trabajadores de base. La búsqueda, construcción y utilización de estos testimonios no oficiales, importante desde el punto de vista cualitativo, implicó la consolidación de esta práctica historiográfica innovadora.
James se basó en las categorías teóricas y analíticas de E.P. Thompson. El intento por establecer un balance de la obra y del itinerario historiográfico, teórico y político de Thompson tiene numerosos antecedentes; entre ellos, se destacan los diversos trabajos de Harvey J. Kaye, Meiksins Wood, William H. Sewell Jr., Pedro Benítez Martín y Markus Rediker (todos de disímil profundidad y calidad). A estos deben agregarse los escritos de otros grandes representantes de la intelectualidad marxista inglesa que evaluaron o debatieron la perspectiva metodológica, teórica e histórica del autor de La formación de la clase obrera en Inglaterra, como Perry Anderson, Eric Hobsbawm y Raphael Samuel. [6]
Los supuestos con los que Thompson construyó su contexto teórico son ya clásicos y han sido antes enunciados por autores como Hobsbawm, Anderson y él mismo. Lo que aquí nos interesa es que para éste último, la disciplina histórica sintetizaba pasado y futuro a través del compromiso con el presente, haciendo del sujeto histórico el centro de una indagación que emerge como fruto de ese marxismo ecléctico, más político que teórico, más romántico que racionalista. Lo más rescatable y útil para el historiador de la clase obrera es que Thompson intentó recuperar del olvido el problema de la subjetividad pretendiendo arrancar del marxismo la exuberante maleza del predeterminismo con un espíritu antidogmático ajeno a supuestos teóricos definidos a priori y que reclamó la necesidad de una lectura crítica hasta del propio Marx. Esto lo llevó a un desarrollo teórico que lo colocaba, por momentos, en los límites del propio materialismo histórico.
Dos de los conceptos centrales de la historiografía thompsoniana, los de “clase” y “lucha de clases”, le dieron una identidad propia a sus planteamientos y lo colocaron en el centro de fuertes polémicas teóricas. Frente a los que definían a las clases simplemente como efectos de relaciones económicoestructurales, Thompson recordaba el papel que la cultura, las formas de vida tradicionales y la propia conciencia ejercen en la definición de clase. De ahí es que le dé un peso a este último elemento, cuando sostenía: “una clase no puede existir sin algún tipo de conciencia de sí”. Aquí rescatamos una observación que ya formulara Perry Anderson: el progresivo “culturalismo” que lleva implícita una concepción que cree que la formación de clases es independiente de determinantes objetivos. Thompson nunca aceptó esta acusación y negó que de su obra pudiera surgir la idea que “clase puede definirse simplemente como una formulación cultural”.
Thompson es mucho menos importante por las respuestas que ofreció que por el hecho de que nos obligó a repensar la historia obrera desde una perspectiva innovadora que implicó nuevas hipótesis y también el recurrir a la construcción de nuevas fuentes documentales. En cuanto a la Historia, nos obligó a repensar el concepto heredado del siglo XIX y fue capaz de proponernos, desde su posición comunista y radical, nuevas vías de análisis en, al menos, cuatro direcciones: 1) en el análisis de la lucha de clases; 2) en su concepción de la ‘Historia desde abajo’; 3) en la recuperación de la tradición radical; 4) en la denuncia de todo proceso histórico supuestamente guiado y orientado hacia un progreso ininterrumpido. Inclusive, planteó algo que es particularmente relevante: imaginó a su lector medio como fuera del mundo académico por lo que su historia tuvo ecos insospechados y gozó de una gran relevancia para el activismo de izquierda inglés.
La conceptualización y la obra de Thompson, sin embargo, tuvo múltiples lecturas y ellas mismas presentaron tensiones, contradicciones y problemas irresueltos. Si bien nunca dejó de sostener que las relaciones de producción tienen un papel definitorio en la vida social y que la experiencia de clase está ampliamente determinada por esas relaciones, también es cierto que llegó a plantear, en función de romper con las tendencias ultradeterministas (como la de Althusser) que la clase obrera es una formación tanto cultural como económica, siendo imposible dar alguna prioridad teórica a un aspecto sobre otro. En esta última concepción se apoyaron no pocos historiadores que plantearon nuevos condicionantes y problemas (características de la “vida cotidiana”, cultura, elementos discursivos y simbólicos, uso del tiempo libre, identidades étnicas, de comunidad, de género y otros), desjerarquizando su importancia. Plantearon que la identidad de los trabajadores podía aparecer como descentrada del mundo laboral y podía ser reconsiderada a partir de las condiciones de la vida material que asimilan a los asalariados a otros grupos y sectores. De esta forma, extendieron con tanto empeño las fronteras del estudio de los trabajadores por fuera del universo productivo que acabaron por disolver la categoría de clase obrera en otras, tal como la de “sectores populares urbanos”.
En algunos trabajos que reivindican la perspectiva teórica plasmada por Thompson, se establece un nexo de causalidad entre las innovaciones que suponen el estudio de la clase obrera a través de su concepto de experiencia y el “fracaso del paradigma leninista” en las interpretaciones del movimiento obrero. [7] En verdad, gran parte de los esfuerzos de Thompson se dirigieron a estudiar cómo una clase, a través de la autoidentificación de sus miembros en lucha contra otra clase, se conforma en un sujeto colectivo real. Hay más vínculos entre la concepción de Thompson y el “paradigma leninista”, que entre el primero y el que intenta disolver a la clase en fragmentos condicionados por disímiles situaciones de la “vida cotidiana” o de la cultura. Los dos primeros son intentos de dar cuenta de cómo se construye una clase como fenómeno unitario, el último es un enfoque que apunta a su disolución.
Definir el término “clase” es de por si complejo y ha sido tema de numerosos debates. Para los autores de este Dossier la existencia de las clases sociales es algo real, tangible y vivenciable, más allá de las diferencias culturales o históricas de una nación a otra. La existencia del capitalismo como tal define la existencia de una clase obrera. En este sentido, la clase se define por su relación con los medios de producción. Pero esta relación no es estática, sino dinámica. Un obrero no deja de ser tal automáticamente cuando abandona la fábrica, como bien demuestra Benclowicz. Por el contrario, como señala Pisani, mantiene criterios culturales, solidaridades, aspiraciones y relaciones sociales que tienen que ver con su historia pasada. Lo mismo podemos decir de su familia; si bien los hijos pueden no trabajar sí se encuentran dentro de la clase obrera. Lo concreto es que la definición de clase no es un problema individual, sino colectivo definido por experiencias comunes gestadas a través de las relaciones sociales de producción, por lo tanto la unidad mínima analítica es la familia. [8] Al ser dinámica la relación, implica que los límites en la que los grupos de seres humanos dejan de pertenecer a una clase para convertirse en otra sean difusos, pero no por eso menos existentes.
Parte del problema es la riqueza del fenómeno social que se trata de aprehender y el cómo delimitar el sujeto. Por ejemplo, en las investigaciones de este Dossier, la clase obrera incluye no sólo a los obreros industriales, sino también a los de la construcción, la minería, a los rurales, así como a los desempleados, todos cuyas relaciones sociales de producción son similares. Pero no nos limitamos sólo al proletariado, el estudio también abarca a los trabajadores asalariados no obreros, como por ejemplo a sus familias y a los empleados de los de los call centers. Esto lo consideramos así por tres razones básicas. Primero, porque en el comportamiento social, si bien el proletariado es aislable, en general no actúa y se organiza en forma aislada. Si bien hay varios casos de gremios que agrupan sólo a empleados, muchos de los gremios “de servicios” incluyen sectores de obreros industriales. Asimismo, varios sindicatos “industriales” también organizan a los empleados en esa rama de la industria. Casi todos los gremios estatales abarcan ambos sectores.
Pero además de esta razón existen dos más que están interrelacionadas. La primera es que el capitalismo en sí es un fenómeno histórico dinámico cuyas transformaciones constantes también modifican las estructuras sociales. Aunque las relaciones sociales de producción y lo que producen, son diferentes, empleados y proletarios se encuentran cotidianamente sujetos a los criterios de producción capitalista. En este sentido, a partir de 1945, lentamente grandes sectores de empleados se han “proletarizado” y desarrollado pautas sociales y organizativas acordes. El taylorismo, la productividad, la racionalización y los equipos “a la japonesa” se aplican hoy en día en fábricas y en oficinas generando condiciones que tienden a unir empleados y obreros en experiencia. La segunda razón, es que uno de los resultados más importantes del desarrollo del capitalismo en los últimos años ha sido que la diferenciación entre la vida de un empleado y la de un obrero se ha convertido en cada vez menor. El empleado no sólo ha perdido cosas intangibles, pero reales, como prestigio social sino que se ha visto obligado a compartir pautas de sectores proletarios: vecindarios, ámbitos de sociabilización, estilo de vestimentas, entre otras características, a un nivel mayor que en las décadas pasadas. Todo lo anterior no significa que se han borrado las diferencias sociales entre ambos sectores sociales. Estas siguen existiendo y las impone la realidad laboral de cada uno. Y esta no es una distinción banal o meramente analítica, es una distinción vivencial que hacen los propios obreros y empleados. Por todo esto, si bien diferenciamos entre proletarios y trabajadores asalariados, nuestras investigaciones deben tomar a ambos en cuenta y relacionarlos tal como ocurre en la vida real.
De esta manera nos encontramos ante un problema similar con el que se enfrentó hace más de medio siglo Richard Hoggart: “Las personas que recuerdo aún conservan la sensación de pertenecer a un grupo propio […] Sienten que son ‘clase obrera’ en gustos y costumbres, en que ‘pertenecen a ella’. Esta distinción no resulta muy exacta, pero es importante […] No es fácil distinguir a los trabajadores del resto por la cantidad de dinero que ganan, ya que hay una enorme variación de jornales entre la clase obrera. […] Tratar de aislar a la clase obrera, grosso modo, no implica que no exista gran número de diferencias, matices y distinciones de clase dentro del mismo grupo. […] Es posible, por tanto, generalizar, sin que esto implique que toda la clase obrera coincide en actitudes o creencias respecto al matrimonio o la religión; por otra parte, no hay manera de analizar una cultura sino a través de las constantes de la uniformidad”.[9] Nuestras dificultades teóricas y metodológicas, las insuficiencias de las herramientas para el análisis, no justifican el descartar el concepto de “clase” como una categoría poderosa para el investigador, más allá de sus problemas y complejidades para aprehender un fenómeno social dinámico, cambiante y también complejo. De hecho, hasta el día de hoy es la herramienta teórica que mejor lo describe. En este sentido, los investigadores de este Dossier no comparten los criterios de los que diluyen la cuestión de clase como a aquellos que la convierten en un fetiche.
Por último, debemos aclarar que, a pesar del pensamiento positivista, cada fenómeno histórico no sólo se presta a distintas lecturas sino que puede tener múltiples resultados. La actividad del ser humano no sólo es compleja sino que tiende a plantear soluciones a problemas concretos. Lejos de visiones teleológicas, tratamos de rastrear un proceso histórico rico y contradictorio en búsqueda de las claves no sólo de su desarrollo sino de los desarrollos futuros. Por lo tanto la clase –como protagonista y como objeto/sujeto de estudio– está integrada por el obrero que trabaja y el que se encuentra desocupado y sus familias. La historia social de la clase incluye estudiar a sus hombres y mujeres (nunca hay que perder de vista que también hay obreras mujeres), la familia, la comunidad, la cultura, su ideología, sus identidades políticas. De ahí la importancia de estudiar la cultura, las identidades, redes relacionales, la solidaridad de clase y cómo se manifiesta ésta. En este sentido, se trata de demostrar que en la actividad de los obreros no actúa sólo lo económico sino que están motivados por ideas y valores desarrollados a partir de la totalidad de la experiencia.
Si bien los estudios históricos del período están en un interesante desarrollo que hace complejo definir con precisión tendencias y trayectorias, sí han surgido toda una serie de problemáticas que constituyen líneas de investigación a profundizar. Por ejemplo, temas tales como la conciencia de los trabajadores; su posible autonomía de clase; la articulación entre cultura, conciencia y política; el control obrero de la producción y el surgimiento de formas alternativas de organización. Al mismo tiempo han surgido planteos riquísimos e importantes, como por ejemplo qué constituye la lucha de clases. Así han surgido una serie de interrogantes cuyas respuestas son por demás complejas y que van dando lugar a esquemas analíticos e interpretaciones; todos a ser debatidos. Por ejemplo, ¿siempre lucha la clase obrera? Depende de qué se quiere decir con “lucha”. Si se entienden por esto batallas campales, puño en alto, con contenido implícitamente revolucionario es evidente que no. Pero si por lucha se entiende toda aquella actividad (económica, social, cultural y política) que al definir la cohesión de una clase la contrapone a otra(s), entonces sí. Es en esta conflictividad obrero-patronal que se forja una experiencia cotidiana dialéctica que hace al movimiento de la historia de los trabajadores. Similares apreciaciones se pueden problematizar sobre el tema de la conciencia. ¿Siempre son conscientes los trabajadores? Una vez más: depende de como se enfoque el tema. Si la conciencia es vista como un progreso lineal positivista hacia un ideario predeterminado, entonces no. Pero tampoco se la puede ver como algo estancado, si no más bien como algo en permanente movimiento, con altibajos, latencia y explosiones, y en referencia permanente a otras clases sociales. Todo esto implica que la historia obrera –observada en movimiento– debe lograr una cuidadosa, y difícil, articulación entre las relaciones de producción y la cultura.
Notas
1. KIERNAN, V.G., “Notes on Marxism in 1968”; en Ralph Miliband y John Saville, eds. The Socialist Register 1968 (Londres, 1968), p. 182. La cita original es: “It is only by trying to comprehend the past rationally that we can transform it from a shapeless mass into a platform, or draw energy from it like the giant Antaeus from contact with his mother Earth. The maxim that only active involvement in the present can develop the right sense of touch for the past is a true one, but so is the converse, that only familiarity with the past can impart the right touch for the present. We cannot act on things gone by, but they continue to act on us, and past and present combine to make the future”.
2. MOODY, Kim Workers In A Lean World.Unions In The International Economy. London: Verso Books, 1997. Pg. 186
3. WOOD, Ellen Meiksins. The retreat from class. A new ‘true’ socialism. Londres: Verso, 1986, p.97.
4. JAMES, Daniel. Resistance and Integration. Peronism and the Argentine Working Class, 1946-1976. London: Cambridge University Press, 1988.
5. Una visión de la historiografía marxista inglesa en Harvey J. Kaye. Los historiadores marxistas británicos. Un análisis introductorio. Zaragoza: Universidad, Prensas Universitarias, 1989. También véase: THOMPSON, Edward P.: La formación de la clase obrera en Inglaterra. Barcelona: Crítica, 1984; Raymond Williams. Marxismo y Literatura. Barcelona: Península, 1980; Gareth Stedman Jones. Lenguajes de clase. Estudios sobre la historia de la clase obrera inglesa (1832-1982). Madrid: Siglo XXI, 1989; Stuart Hall: “Notas sobre la deconstrucción de ‘lo popular’”; en Raphael Samuel (ed.). Historia Popular y Teoría Socialista. Barcelona: Crítica, 1984.
6. PALMER, Bryan. E.P. Thompson. Objections and Oppositions London: Verso Books,1994.
7. CANGIANO, María Cecilia, “Pensando a los trabajadores: la historiografía obrera contemporánea. Argentina entre el dogmatismo y la innovación”; Boletín del Instituto de Historia Argentina y Americana “Dr. Emilio Ravignani” No. 8, (Buenos Aires: Facultad de Filosofía y Letras, UBA, 3ra serie, 2do semestre de 1993). Mirta Zaida Lobato y Juan Suriano. “Trabajadores y movimiento obrero: entre la crisis de los paradigmas y la profesionalización del historiador”; Entrepasados, Revista de Historia, Año III, Nº 4-5, fines de 1993. Según Cangiano, la aparición del libro de James, Resistencia e integración. La clase obrera y el peronismo, 1945-1976 (sic), no puede explicarse sin “el fracaso y la derrota del proyecto revolucionario marxista leninista de los años setenta” en Latinoamérica (pág.118). Sin embargo, la autora no expone ninguna prueba para avalar esta hipótesis explicativa sobre la génesis y el contexto en el que surge la obra de James. Suriano-Lobato encuentran retrospectivamente un aval a su planteo de la imposibilidad de compaginar el análisis de la lucha de clases con el tradicional “paradigma leninista”: es una cita de Federico Engels de 1895, referida a las dificultades en torno a las esperanzas revolucionarias y los resultados concretos.
8. SWEEZY, Véase Paul. “La clase dirigente norteamericana”, en Paul Sweezy. Capitalismo e imperialismo norteamericano. Buenos Aires: Merayo Editor, 1973. Este artículo fue publicado originalmente por Monthly Review en mayo y junio de 1951. Allí expresa: “La unidad fundamental de integración de una clase es la familia y no el individuo. La prueba de ello es sencillamente que cada uno nace dentro de una determinada clase, la clase a la cual pertenece su familia. […] El nouveau riche nunca es plenamente aceptado en su flamante ubicación social y el hombre que pierde su posición nunca llega a aceptar totalmente la variante. Son solo las familias las que en cada caso, y con el correr del tiempo, realizan el ajuste.”
9. HOGGART, Richard. La cultura obrera en la sociedad de masas. México: Grijalbo, 1990, pp. 30-33
Pablo Pozzi – (UBA). Organizador.
[DR]Brasil na Segunda Guerra Mundial / Esboços / 2015
Por uma história social dos brasileiros na Segunda Guerra Mundial
Um dos temas de maior crescimento na historiografia brasileira contemporânea é aquele relativo ao envolvimento do país na Segunda Guerra Mundial. Esse envolvimento assumiu diversas formas, que foram estudadas ao longo de setenta anos de esforços historiográficos de pesquisadores civis e militares, brasileiros e estrangeiros. O desenvolvimento dessa historiografia, porém, não foi linear, e por décadas ficou relegado a um plano secundário. Somente nos últimos trinta anos é que esse campo de estudos ganhou vitalidade, com maior quantidade de pesquisas originais e melhor qualidade das abordagens.
No aniversário de setenta anos do final desse conflito, a Revista Esboços abriu o dossiê “O Brasil e a Segunda Guerra Mundial”, que contou com a participação de oito pesquisadores, oriundos de diversas instituições do Brasil e dos Estados Unidos, para a abordagem de temas variados, que expressam a vitalidade dos estudos mais recentes sobre essa temática. Os artigos contidos neste dossiê apresentam algumas das facetas mais promissoras dos estudos do tema: neles, estão presentes desde abordagens originais sobre tópicos com sólida tradição de pesquisa, como é o caso das relações internacionais constituídas no ambiente anterior à guerra, durante o conflito e seus desenvolvimentos posteriores, até os resultados de pesquisa sobre temas pouco estudados, como os influxos da política internacional no cotidiano brasileiro durante o conflito, o relacionamento diplomático entre o Brasil e o “inimigo” alemão antes do início das hostilidades, as negociações entre militares estadunidenses e brasileiros no provimento da alimentação na frente de combate, as relações raciais nas unidades expedicionárias e, por fim mas não menos importante, as diversas formas de constituição de memórias históricas sobre a participação do Brasil no conflito, através de estudos sobre o impacto da presença brasileira na Itália e da filmografia ficcional e documentária a respeito da participação na maior guerra da história da humanidade. O Dossiê é encerrado com um balanço da produção bibliográfica sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, debatendo o desenvolvimento da historiografia do tema, desde os anos imediatos do pósguerra até os dias de hoje, bem como suas tendências atuais e os desafios para pesquisa e publicação do tema.
Entre as modalidades de participação na guerra, os estudos da política externa brasileira e das negociações diplomáticas e militares com representantes civis e militares dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Itália, bem como o contraponto necessário das aspirações geopolíticas dos vizinhos sul-americanos, especialmente a Argentina, constituíram um dos campos de estudo mais abordados por historiadores, cientistas políticos, jornalistas, diplomatas e militares. Neste sentido, o artigo “The Rise and Fall of the Brazilian-American Military Alliance, 1942-1977”, do brasilianista Frank D. McCann – autor de clássicos como A Aliança Brasil-Estados Unidos, 1937-1945, A Nação Armada e Soldados da Pátria1 – aborda as relações entre brasileiros e estadunidenses em um contexto de duração mais longa, situando a aliança militar e política efetuada durante a guerra como um processo crucial e definidor daquelas relações, mas sujeito a significativas mudanças ao longo de quatro décadas, que culminaram com crises e tensões no ocaso do regime estabelecido com o golpe militar-civil de 1964. Com efeito, as alianças de interesses estadunidenses e brasileiros que criaram as condições para a deposição de João Goulart e a instauração de um governo de cunho autoritário estiveram, no desenvolvimento do regime militar, muito distantes de serem harmônicas e/ou de dependência, como o senso comum costuma supor. Pelo contrário, as diferentes projeções de poder regional e hemisférico, bem como as divergências sobre decisões de política internacional colocaram, frequentemente, Brasil e Estados Unidos em campos diferentes, senão opostos. O estudo de McCann problematiza esse longo processo de constituição, consolidação e crise da aliança forjada durante a Segunda Guerra Mundial.
Se com os Estados Unidos as relações foram desenvolvidas sobre a égide da aliança, no caso das ligações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Alemanha as relações evoluíram inversamente: de parceria comercial privilegiada para a ruptura. O estudo “As relações diplomáticas entre Brasil e Alemanha em 1939 no alvorecer da II Guerra Mundial”, de Andrea Helena Petry Rahmeier, desenvolve reflexões, a partir do estudo da documentação diplomática alemã, sobre um dos momentos cruciais dessas relações, que foi o período em que, a despeito de não haver embaixadores brasileiros e alemães em serviço oficial durante parte do ano de 1939, houve comércio entre os dois países e tratativas de compra de armas e equipamentos alemães para o Brasil. Nesse sentido, o bloqueio naval britânico do comércio com a Alemanha foi mais decisivo para reduzir as relações entre Brasil e Alemanha do que as pressões diplomáticas internacionais ou as divergências entre alemães e brasileiros em relação à repressão das atividades de células do Partido Nazista no sul do Brasil.
Com a eclosão da guerra na Europa, a partir de setembro de 1939, a posição de neutralidade brasileira sofreu cada vez mais pressões, por parte dos Aliados, especialmente dos Estados Unidos. O comércio de produtos estratégicos e a cessão de bases aéreas e navais brasileiras para uso de transporte de tropas, armamentos e suprimentos dos Estados Unidos, deixaram cada vez mais evidente o direcionamento da política externa do país para a causa Aliada. Esse rompimento progressivo da neutralidade brasileira redundou na decisão de ataque de submarinos do Eixo a embarcações do país e de outras nações que transportassem matérias-primas ou produtos industrializados para o esforço de guerra Aliado.
Foi nesse momento em que a busca por informações que pudessem redundar em sabotagem ou mesmo ações de guerra produziu um combate tenaz de espionagem e contraespionagem em várias localidades do Brasil. O estudo de Alexandre Fortes, “A espionagem aliada no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial: cotidiano e política em Belém na visão da inteligência militar norte-americana”, lastreado na documentação original de agentes da inteligência militar estadunidense em Belém, Pará, entre maio e novembro de 1942, desenvolveu uma notável reflexão sobre vários aspectos das atividades de órgãos de informação estadunidenses no Brasil, que estavam à parte das relações oficiais entre dois países. O autor analisa as ações desses serviços de informações, as disputas internas entre agências de inteligência, as relações pouco operacionais entre órgãos de inteligência e pessoal militar estadunidense. Para esses agentes, tudo servia para traçar um levantamento dos perigos a serem enfrentados e sabotagens a serem evitadas: os informes pautados em meios pouco ortodoxos, como conversas de bares, zonas de meretrício, comércio atacadista e de varejo, militares e civis boquirrotos, etc. Além dessas questões, o artigo oferece uma viva descrição do ânimo da população da capital paraense e sua mobilização para a guerra, o que desencadeou até motins populares contra qualquer coisa que representasse o Eixo. A escolha desse inimigo comum, porém, produziu efeitos colaterais, como graves violações dos direitos dos identificados, correta ou incorretamente, como “súditos do Eixo”, que serviram, muitas vezes, como bodes expiatórios da indignação popular em relação a uma guerra distante.
Essa guerra tão distante foi combatida efetivamente por uma força expedicionária enviada para o Teatro de Operações da Itália como coroamento maior da aliança entre Brasil e Estados Unidos para a guerra, processo esse abordado por Dennison de Oliveira em um de seus aspectos mais originais: a alimentação dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (doravante, FEB). Não se trata de um problema de menor importância. Em todas as guerras da história a logística constituiu parte fundamental da vitória e derrotas militares. Fazer chegar até o soldado os meios para combater com eficiência – armas, munição, equipamento, suprimentos, etc. – é decisivo numa guerra. No caso da Segunda Guerra Mundial, uma guerra vencida e perdida não apenas nos campos de batalha, mas nas linhas de produção das frentes internas, nas linhas de comunicação e suprimentos, e na qual os diversos organismos de apoio na retaguarda ocuparam mais homens do que as forças efetivamente combatentes, esse tipo de estudo é essencial2. E no caso da FEB, o artigo “O combatente melhor alimentado da Europa”: a alimentação da Força Expedicionária Brasileira e a aliança Brasil-EUA durante a Segunda Guerra Mundial” contribui decisivamente para o entendimento desse aspecto da estrutura de combate usada pelos brasileiros. Além do mais, baseado em fontes documentais tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil, esse estudo permite a compreensão de facetas inéditas das tensões e acomodações das relações militares entre brasileiros e estadunidenses durante a Campanha da Itália, entre os expedicionários e a população das localidades em que a FEB atuou e até mesmo as transferências e trocas culturais dos dois padrões alimentares, ou três, se incluirmos a cultura alimentar italiana.
A guerra não é, portanto, somente um embate bélico, mas também cultural. E quando duas culturas de passado escravocrata e presente mal resolvido de relações raciais se encontravam como aliadas, contra outra cultura que se concebia como representante de uma raça superior, há um paroxismo de contradições. O artigo de Uri Rosenheck, “Olive Drab in Black and White: The Brazilian Expeditionary Force, the US Army and Racial National Identity”, investiga a fundo as diversas contradições existentes entre as relações raciais praticadas pelas forças armadas estadunidenses na Itália, principalmente a 92ª Divisão de Exército – totalmente segregada e composta por praças e oficiais subalternos e negros e comandada por oficiais brancos – e a única tropa tida como não racialmente segregada da Segunda Guerra Mundial, a FEB. O contraste de tratamento entre as duas unidades vizinhas proporcionava aos brasileiros uma autoimagem positiva, o que alimentou o mito de que viviam, no país e na Campanha da Itália, em uma realidade social isenta de racismos3 . Na abordagem das relações raciais dentro da FEB, além de ter discutir relatos de ocorrências racistas em memórias escritas por veteranos expedicionários, Rosenheck incluiu um elemento original: as dezenas de histórias em quadrinhos das décadas de 1960 e 1970, que possuem a FEB como tema principal. Destinadas a um público jovem e com tiragens cinco a dez vezes maiores que qualquer livro sobre a FEB, essas histórias em quadrinhos mostram, aos olhos do pesquisador, como uma memória da FEB foi constituída de modo a valorizar a suposta ausência de racismo na tropa brasileira, e ao mesmo tempo efetuar um processo de “branqueamento” da imagem expedicionária.
Os embates sobre a construção das memórias a respeito da participação dos brasileiros na guerra têm sido abordados por vários historiadores nas duas últimas décadas, e neste dossiê a contribuição de Adriane Piovezan, “Lembrar e esquecer: registro de visitantes do Monumento Votivo Militar Brasileiro de Pistoia” é original e oportuna, não apenas porque aborda a construção de um “lugar de memória”, mas também porque procura entender os distintos significados proporcionados pelos visitantes do conjunto monumental votivo situado no antigo Cemitério Militar de Pistóia, na Itália. Analisando os comentários escritos no livro de assinaturas do monumento, Piovezan mostra os diversos significados que o sacrifício dos combatentes representa para os pósteros, como gratidão, orgulho nacional, patriotismo, por um lado, e críticas ao esquecimento dos expedicionários ou mesmo manifestações de desconhecimento do contexto do monumento e de seus homenageados, por outro. Há também uma nítida divisão entre os escritos emitidos por visitantes civis e por militares. Esses últimos ressaltam qualidades como a bravura, os preceitos do Exército, o orgulho pelos heróis e até pelo pertencimento pesssoal à instituição militar.
A tensão permanente entre os diversos significados da guerra combatida pelos brasileiros está presente na filmografia analisada por Cassio dos Santos Tomaim, em seu artigo “Por que filmar a nossa guerra? A Segunda Guerra Mundial no cinema brasileiro: panorama histórico de 1940 a 2015”. O autor efetuou um extensivo levantamento de filmes documentais, de ficção, cinejornais e de propaganda, incorporando na relação de filmes não apenas os longas-metragens, mas também os filmes de média e curta metragem, chegando ao total de 260 filmes, entre 1940 e 2015. Ressaltou que o período em que o Brasil estava na guerra foi o mais prolífico, com 169 filmes produzidos somente entre 1942 e 1945, o que coincidiu com o esforço de guerra do país. Os anos seguintes são caracterizados pelo desinteresse do cinema brasileiro pela Segunda Guerra, com poucas obras. A partir das décadas de 1960/1970 algumas obras cinematográficas retomam a temática, que inclui alguns documentários e filmes de ficção. Um ponto notável é que os filmes de ficção sobre a participação na guerra não se limitam às ações bélicas, mas abordam outros temas, como o retorno dos combatentes, a caça aos nazistas no pós-guerra, as relações entre Nazismo e Integralismo, a saga de famílias judaicas refugiadas do nazismo no Brasil, o cotidiano das bases estadunidenses no nordeste brasileiro, a “americanização” dos costumes, etc.
Há, porém, iniciativas polêmicas, como o documentário “Radio Auriverde”, que investiu contra o que foi entendido como uma memória institucional das forças armadas. Independentemente do juízo de valor que se tenha sobre “Radio Auriverde”, trata-se de um filme que estimulou outros documentaristas e cineastas a proporem respostas às inquietações despertadas pelo documentário em questão. Um dos veios mais fecundos foi o dos “documentários de memória”, baseados nos depoimentos dos veteranos de guerra e de protagonistas dos processos históricos por eles vivenciados. Outro conjunto de filmes, documentários e de ficção, abordado por Tomaim, é o de processos históricos pouco conhecidos, como a perseguição às comunidades de “súditos do Eixo” nas cidades brasileiras, o impacto dos torpedeamentos dos navios mercantes, a epopéia trágica dos “soldados da borracha” na Amazônia e a história dos grupos de nipo-brasileiros que não aceitavam a derrota do Japão. Por fim, alguns filmes de ficção, com tratamento técnico e dramatúrgico mais elaborado, têm sido produzidos nos últimos anos, como é o caso de Estrada 47. No entanto, apesar da qualidade cinematográfica, há polêmicas despertadas pelo roteiro que, colocaria em campos opostos aqueles que desejariam um tratamento mais “respeitoso” aos expedicionários, por um lado, e aqueles que entendem que as ações dos brasileiros na Campanha da Itália devem ser vistas com uma perspectiva crua e realista. Em suma, todas as polêmicas a respeito dos significados da participação brasileira na guerra mostram que esse é um tema longe de ser esgotado.
O dossiê é encerrado com o artigo “Considerações historiográficas sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial: balanço da produção bibliográfica e suas tendências”, de Francisco César Alves Ferraz, que consiste no levantamento e análise da produção bibliográfica sobre a participação brasileira no conflito, desde o imedato pós-guerra até os dias de hoje. Para tanto, foi efetuado levantamento de várias modalidades bibliográficas, como artigos de periódicos científicos e de divulgação científica, periódicos profissionais militares, livros autorais, coletâneas, capítulos de livros, trabalhos de conclusão acadêmicos (teses de doutorado e livre-docência, dissertações de mestrado, monografias selecionadas) e trabalhos completos publicados em anais de eventos científicos. Foram arrolados na pesquisa 1092 títulos, o que contraria uma crença comum de que a participação brasileira na guerra nunca gerou muito interesse da historiografia universitária ou do mercado editorial. Pelo contrário, esse volume grande de títulos e, principalmente, o fato do aumento da produção e sua variedade concentrar-se nas últimas três décadas – mais da metade de toda produção bibliográfica foi publicada nos últimos 26 anos, e quase um terço de toda a bibliografia nos últimos dez anos – mostram que trata-se de um dos temas que tem atraído mais interesse dos pesquisadores atualmente.
Esses títulos foram analisados estatisticamente, por blocos temáticos, por período de publicação e por natureza profissional militar ou “civil” das publicações. Foram verificadas as tendências históricas das publicações, registrando-se a concentração de alguns temas em períodos determinados, o “esquecimento” do tema em certos momentos e, nos últimos trinta anos, o notável crescimento do interesse na produção e edição de obras variadas sobre a participação brasileira no conflito, bem como a variedade também crescente dos temas estudados e das abordagens adotadas. Além dessa análise, o artigo discute alguns problemas práticos da pesquisa e da política editorial dessa área de estudo.
Concluindo, pode-se verificar, nessa pequena amostragem de iniciativas historiográficas sobre o tema, que é o presente dossiê, que a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial produziu e tem produzido um conjunto cada vez mais consistente de trabalhos, com temáticas e abordagens variadas, aproximando o que antes era terreno restrito a uma história militar de interesse institucional, de uma história rica, multifacetada e de interesse de toda a sociedade. Em outras palavras, cada vez mais próximo de uma história social da participação dos brasileiros na Segunda Guerra Mundial.
Notas
1 McCANN, Frank. The Brazilian-American Alliance, 1937-1945. Princeton Princeton University Press, 1973 (tradução brasileira: Aliança Brasil-Estados Unidos, 1937-1945. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995); McCANN, Frank D. A Nação Armada. Ensaios sobre a história do Exército Brasileiro. Recife: Guararapes, 1982; McCANN, Frank D. Soldiers of the Pátria: a history of the Brazilian Army, 1889-1937. Stanford: Stanford University Press, 2004 (tradução brasileira: Soldados da Pátria: História do Exército Brasileiro, 1889-1937. São Paulo: Companhia das Letras, 2007).
2 John McMANUS calcula que, na Segunda Guerra Mundial, apenas 25% dos soldados de uma divisão de Exército estadunidense estavam entre os que efetivamente “lutavam, sangravam e morriam” na guerra. Pelo menos 50% do efetivo das unidades desempenhava funções logísticas não-combatentes. Cf. The Deadly Brotherhood: the American combat soldier in World War II. New York: Ballantine Books, 1998, p.04.
3 Essa questão já havia sido abordada anteriormente em OLIVEIRA, Dennison; MAXIMIANO, Cesar Campiani. Raça e forças armadas: o caso da Campanha da Itália (1944/45). Estudos de História. São Paulo, v. 8, n.1, p. 13-53, 2001.
Francisco César Alves Ferraz – Universidade Estadual de Londrina. Organizador.
[DR]Comer: necessidade, desejo, obsessão – ROSSI (S-RH)
ROSSI, Paolo. Comer: necessidade, desejo, obsessão. Tradução de Ivan Esperança Rocha. São Paulo: Editora da UNESP, 2014 [2011], 192 p. Resenha de: OLIVEIRA, Carla Mary S. Miríades do comer: por uma compreensão ampla do ato de se alimentar. sÆculum – REVISTA DE HISTÓRIA, João Pessoa, [32] jan./jun. 2015.
Paolo Rossi (1923-2012) foi um dos mais destacados historiadores italianos da segunda metade do século passado e começos deste século. Tendo se dedicado ao estudo da História das Ideias na Europa dos séculos XVI e XVII, especializouse no pensamento de Francis Bacon. No Brasil teve, infelizmente, poucos mas inegavelmente marcantes trabalhos publicados além do livro sobre o político e filósofo inglês2, como O passado, a memória, o esquecimento3 e O nascimento da Ciência moderna na Europa4.
Se pensarmos no boom editorial que ocorreu em relação aos livros dedicados à gastronomia nas duas últimas décadas, não causaria espécie que um historiador como Rossi também se voltasse ao campo que abarca o ato de comer. Dentro da História Cultural, por sinal, não se trata de objeto de pesquisa inédito5, tendo despertado o interesse inclusive de pesquisadores avant la lettre como Gilberto Freyre6, muito antes de que ficasse na moda se fazer de gourmet/ gourmand ou de os historiadores brasileiros se dedicarem com mais afinco ao tema – quadro que nos últimos anos vem se modificando significativamente, aliás7.
Em Comer: necessidade, desejo, obsessão8 o que temos é justamente uma das últimas obras de um pesquisador arguto e criterioso, que mesmo partindo de uma proposta temática emersa de seu próprio círculo familiar, não se furta a exercitar com extrema perícia a crítica e o pensamento histórico acerca do objeto que se propôs a destrinchar9. Rossi se colocou a pensar o ato de comer a partir do convite para escrever o prefácio do primeiro livro de uma amiga muito próxima de sua filha, que também vira crescer, Laura Dalla Raggione, psiquiatra especialista no tratamento de distúrbios alimentares10. Dividido em dezenove curtos capítulos, o saboroso ensaio passeia por diferentes aspectos ligados ao ato de comer que, em síntese, pode ser visto como procedimento fundamental, indispensável e inteiramente necessário à manutenção da existência de todos os seres vivos.
Mas o que torna esse livro de Rossi interessante para os historiadores, já que em primeira instância ele não trata de um fato, evento ou processo histórico em particular, mas sim de uma prática que corta transversalmente todas as temporalidades e todas as sociedades, mesmo as mais “primitivas”? Talvez a própria forma escolhida por seu autor para abordar o tema. Nas últimas três décadas é inegável que assistimos à consolidação da História Cultural como campo hegemônico da produção historiográfica. Nesse processo emergiram objetos de pesquisa dos mais variados tipos, e entre eles a alimentação e suas peculiaridades, sem dúvida, alcançou uma posição de destaque e visibilidade extrema não apenas entre os profissionais de Clio, mas também entre o público não acadêmico – e no próprio mercado editorial, como já destaquei – interessado em devorar avidamente o universo pitoresco ligado ao comer e ao beber característicos de outros lugares, outros tempos e outros povos. No entanto, não são essas peculiaridades ou informações pitorescas ou mesmo exóticas o mote escolhido por Rossi para construir sua narrativa. Ele lança seu olhar sobre o comer por meio de seus aspectos mais arquetípicos, ligados não só ao ato cultural de alimentar-se, mas também à escolha religiosa ou ritual pela privação de alimento, às limitações de oferta de gêneros alimentícios em períodos de exceção, ao estabelecimento de interditos e tabus alimentares pelas mais variadas motivações, às transgressões abomináveis como o canibalismo, às maldições diabólicas imaginárias como o vampirismo e, característica grotesca da contemporaneidade, a escolha pseudoestética pela magreza anoréxica das top models ou a condenação moral dos indivíduos que trazem seus corpos acima do peso considerado “normal” ou “saudável”.
Antes de tudo, Rossi se propõe a escrever seu livro a partir da visada da História das Ideias, logo no curtíssimo primeiro capítulo, destacando o inusitado de sua escolha: “A História, ou melhor, as muitas histórias que procuro narrar aqui são repletas de coisas agradáveis, mas também de horrores, às vezes, inimagináveis” (p. 15).
Em seguida ele começa a servir ao leitor o percurso que definiu para pensar os diversos comeres que permeiam a existência humana. Como elemento fundador de qualquer ato do homem civilizado, Rossi destaca a força das ideias: para ele, elas “tornam-se formas de pensamento e geram comportamentos” (p. 17). São as humanas – é fácil pensar aqui no conceito bourdieniano de habitus, admito. Outro fator preponderante para a existência do gênero humano, sem dúvida, se trata da natureza, quaisquer que sejam as interpretações semânticas que lhe sejam dadas.
A natureza está ligada tanto ao estado natural, primeiro, primitivo das coisas, como também àquilo que está subjacente à própria vida, posto que é dela, da natureza, que advém o sustento diuturno dos seres vivos em todo o planeta: “Uma grande parte da noção comum ou corrente de natureza é ainda hoje, como era nas origens, resultado de projeções antropomórficas, entremeadas por mitos e ligadas a impulsos irracionais” (p. 21).
Na perspectiva analítica escolhida por Rossi fica claro que, para ele, a natureza se trata de algo pré-existente ao homem e, a partir do momento em que este passa a interferir nela a própria relação homem/ natureza atinge patamares cada vez mais complexos de interação, retroalimentando-se dessa própria relação e de suas consequências. Ora, neste processo o que se constrói na verdade é aquele algo disforme e de contornos indefinidos e fluidos a que chamamos de cultura.
Lembrando o antropólogo Marvin Harris, Rossi indaga:
[…] dado que todos os que pertencem à espécie humana são onívoros e dotados de um aparelho digestivo absolutamente idêntico, como é possível que em alguns lugares do mundo sejam consideradas iguarias coisas como formigas, gafanhotos ou ratos, que em outros lugares parecem ser imundícies repulsivas? (p. 23-24) Num entendimento de clara influência antropológica, ele tenta mostrar os relativismos intrínsecos a qualquer construto cultural e, obviamente, privilegia a apresentação da diversidade envolvida no ato de alimentar-se, pois para ele “Comer não envolve apenas a natureza e a cultura. Situa-se entre a natureza e a cultura. Participa de ambas” (p. 29).
Retornando ao pensamento de Lévi-Strauss, o historiador italiano destaca o quanto a alimentação traz, em suas práticas, muito do grupo que a reproduz cotidianamente:
As formas de alimentação podem dizer algo importante não apenas sobre as formas de vida, mas também sobre a estrutura de uma sociedade e sobre as regras que lhe permitem persistir e desafiar o tempo. (p. 30) Em outros termos: a alimentação, seja no que se refere àquilo que lhe serve como ingrediente, seja na forma como ela é preparada ou mesmo praticada, está permeada de elementos culturais profundamente relacionados aos aspectos identitários tanto do próprio indivíduo quanto, especialmente, do grupo ao qual ele pertence e com o qual se identifica enquanto ser social. Nesse sentido, comer deixa de ser algo natural, automático e instintivo quando o homem começa a interferir diretamente em todas as etapas envolvidas nesse processo. Ao selecionar determinadas espécies vegetais, primeiro para simples coleta na vegetação virgem, depois para cultivo; ao escolher determinado animal na caça, em detrimento de outros; ao começar a criar e domesticar certas espécies com o intuito de abatê-las mais tarde para seu próprio consumo; ao desenvolver apetrechos, ferramentas e técnicas variadas de cocção; tudo se relaciona a escolhas culturais motivadas pelos mais diversos fatores, alguns ligados às condições objetivas de existência, outros dirigidos por questões subjetivas, de fundo religioso, político ou social:
O alimento não é apenas ingerido. Antes de chegar à boca, ele é preparado e pensado detalhadamente. Adquire o que geralmente se chama de valor simbólico. O preparo do alimento marca um momento central da passagem da natureza à cultura. (p. 32) Do mesmo modo que o preparo da comida se constitui num ato de afirmação identitária e definição cultural, Rossi também salienta o quanto a privação voluntária de alimento por meio do jejum se trata de um dos mais antigos caminhos inventados para se alcançar a purificação espiritual e a transcendência:
O desejo constitui a origem do mal e o desejo da comida é um dos mais enraizados e profundos. Distanciar-se dos desejos faz parte do caminho da salvação. (p. 35) Nesse sentido, não espanta que o desejo e o consumo exagerado de alimentos, no Ocidente cristão, tenham sido associados, desde muito cedo, ao pecado, e que este pecado tenha sido nomeado – a gula – e que sobre ele tenham recaído condenações morais das mais diversas, justamente pelo fato de que não podemos viver sem alimento, mas entregar-se à lascívia gastronômica seria admitir de maneira veemente o lado animal de todo ser humano, diametralmente oposto àquele que busca a salvação divina:
A história da gula foi descrita muitas vezes como um pecado capital detestável, que, como a luxúria, está enraizado na corporeidade humana. Esse enraizamento, no caso da gula, parece indelével. Pode-se renunciar à sexualidade e levar uma vida casta, mas não se pode viver sem comer.
(p. 47) No entanto, à sociedade ocidental contemporânea, que já não exalta tanto assim o jejum ascético – embora ele continue a ser visto com bons olhos pela Igreja Romana – se impõe outra urgência: como aceitar que milhões passem fome, quando a produção atual de grãos, animais e derivados e hortifrutigranjeiros seria suficiente para garantir a segurança alimentar de uma dieta de 2000 calorias diárias a todos os seres humanos do globo terrestre? Para Rossi, as grandes fomes europeias da Idade Média ou mesmo do século XX tiveram motivações diversas, contudo expõem igualmente a vulnerabilidade da vida: a morte por inanição já dizimou exércitos como o de Napoleão na frente russa, prisioneiros de campos de concentração na Polônia ocupada pelos nazistas, mas hoje ela atinge principalmente as nações periféricas e mais pobres da África e da Ásia. E essa indiferença dos países ricos em resolver esta questão incomoda a Rossi de maneira contundente:
Destes horríveis e inaceitáveis massacres, em geral, permanece apenas uma lembrança que nos incomoda, e continuamos a viver (com uma espécie de remorso oculto, mas tolerável) […]. (p. 55) Se a fome “acompanha toda a história humana, desde a mais remota antiguidade até o presente” (p. 57), fica claro que no século XX e mesmo hoje essas situações de falta de alimentos, especialmente para as populações mais pobres, “foram muitas vezes provocadas por escolhas políticas erradas ou equivocadas” (p. 66).
Por outro lado, a recusa pela ingestão de alimentos pode também ter um caráter político, de protesto, como último recurso para se conseguir que uma reivindicação considerada justa seja atendida. A greve de fome como instrumento político já era utilizada, segundo Rossi, na antiga Índia e na Irlanda da Idade Média. Contudo, foi somente no século XX que, no Ocidente, ela se tornou uma tática comum de ação reivindicatória. Talvez a figura pública mais conhecida que a praticou diversas vezes, numa perspectiva mundial, tenha sido Mahatma Gandhi. Em síntese, fica claro que a greve de fome é sempre um ato extremo e que, muitas vezes, pode ter um desfecho fatal e não atingir seus propósitos quanto ao objetivo que a motivou.
Tem-se já como certo que um dos maiores estupores causados pelo advento do Novo Mundo no imaginário europeu do final do século XV foi a notícia de que os gentios selvagens recém contatados pelos navegadores praticavam o maior dos interditos já imaginados pelo homem, presente na mitologia grega e também na de diversos outros povos do Oriente e do continente africano: o canibalismo. No décimo capítulo de seu livro Rossi se dedica a buscar a compreensão dos arquétipos atávicos relacionados a tal prática, não sem antes destacar como a visão construída sobre o tema entre os povos europeus da Idade Moderna causava discussões profundas, de cunho não apenas religioso, mas também filosófico e ético:
[Montaigne, em seus ‘Ensaios’, de 1580,] faz referência a tribos do Brasil: para julgar os povos não europeus não é possível nem lícito adotar o ponto de vista europeu e cristão. A humanidade se expressa em uma variedade infinita de formas e ‘cada qual denomina barbárie aquilo que não faz parte de seus costumes’. (p. 77) Mais ainda, Rossi destaca o fato de que comer nacos de um defunto não era mais ou menos selvagem do que jogar concidadãos aos cães raivosos por motivos de fé, como ocorrera à época de Montaigne e que o próprio filósofo condenara, em meio às guerras religiosas que sacudiram a França sob os Valois.
As referências ao canibalismo, embora hoje pareçam inusitadas, são frequentes na cultura europeia desde há muito tempo: vão dos arquétipos psicanalíticos de Freud em Totem e Tabu, de 1912/1913; já marcavam presença no teatro de Shakespeare, como em A Tempestade, ou nos romances do irlandês Jonathan Swift no século XVIII. Mesmo de forma figurada, o ato de devorar seu semelhante, aniquilá-lo e sorver a sua essência, mantém sua força. Rossi destaca como exemplo desta força o Manifesto Antropofágico dos modernistas brasileiros, pleno de metáforas, no qual a redenção possível ao colonizado americano é aquela representada pelo ato de devorar a civilização europeia.
Mas Rossi vai além disso, ao tratar do – talvez – maior interdito que a civilização ocidental pode ter para si. Na verdade ele mostra diversos eventos, desde a Idade Média, onde os europeus, como que tomados por um frenesi catártico, praticaram o canibalismo, em praça pública ou em pocilgas infectas. Isso só para nos mostrar o quão pouco nós, ocidentais, sabemos pouco de nossa própria História sobre o tema.
Seguindo sua jornada pelo ato de alimentar-se, Rossi leva o leitor àquele mundo fantasioso dos vampiros, bruxas e feiticeiros. Tendo os bebedores de sangue como mote, ele descortina no 11º capítulo de seu livro a enorme constelação de crenças sobrenaturais que povoaram o imaginário europeu a partir da Idade Moderna e que incluíam a possibilidade de hábitos alimentares dos mais vis e ignominiáveis:
Acreditar na bruxaria, por exemplo, significava acreditar, em parte ou na totalidade, nas seguintes coisas: seres humanos que voam, que se acasalam durante a noite com o diabo, que se transformam em animais (geralmente gatos ou lobos), que causam doenças, tempestade, fome. (p. 92) Mais do que crer na bruxaria, acreditava-se que determinados indivíduos arrebatados pelas forças do mal, involuntária ou conscientemente, eram capazes de tanto praticar atos de canibalismo, como os licantropos, quanto de sobreviver alimentando-se apenas de sangue humano. A crença ferrenha de que realmente existiam vampiros povoou prodigamente os contos populares, a literatura das culturas hegemônicas e o imaginário do senso comum por toda a Europa. Basta lembrar-se da estúpida crueldade de alguns governantes que, com seus atos vis, levaram à criação de mitos e histórias dantescas influenciadas por personagens como Vlad Tepes, na Transilvânia, atual Eslováquia, que tinha o hábito de empalar vivos seus inimigos e inspirou a figura do Conde Drácula, ou da condessa Erzsébet Báthory, que viveu em antigos territórios do reino da Hungria, personagem real e de temperamento psicótico, que instada por crenças mágicas se tornou a primeira serial killer registrada nos tribunais do mundo moderno ao ser condenada por assassinar mais de 600 jovens entre 1585 e 1610, acreditando que ao beber o sangue dessas donzelas teria garantida a juventude eterna. Sua história, que ela mesma registrou num diário que serviu de prova material em seu julgamento, também inspirou, assim como Tepes, romances românticos sobre vampirismo no século XIX. Como lembra Rossi:
Desde os tempos antigos, nos mitos e rituais que envolvem o sangue está presente tanto a ideia de que existem pessoas que se alimentam de sangue humano, como a ideia de que uma oferta de sangue pode purificar uma pessoa ou uma comunidade e contribuir para a sua salvação. (p. 93) Inegavelmente, a estirpe dos bebedores de sangue sobrenaturais existe apenas no campo fictício. No entanto, se trata de um arquétipo de tanto apelo e força imagética que continua, até hoje, a fornecer personagens para os romances – atualmente pensados predominantemente para o público juvenil – e toda a indústria cultural que lhes segue, como os seriados de TV, blockbusters do cinema, histórias em quadrinhos e games eletrônicos.
Mas Rossi segue com seu ensaio nos apresentando, no capítulo seguinte e com certo desencanto, a grande obsessão que a comida se tornou para a sociedade ocidental contemporânea. Praticamente todas as áreas do conhecimento humano têm algo a dizer sobre o assunto. Fala-se sobre o que se deve ou não comer; sobre os nutrientes de cada produto alimentício; sobre possíveis contaminações químicas naquilo que se ingere; sobre animais de abate criados à base de hormônios; sobre a necessidade de se buscar hábitos e produtos alimentares saudáveis e naturais, cultivados/ criados de forma orgânica, como forma de garantir a longevidade e a qualidade de vida; sobre veganismo; sobre intolerâncias e restrições alimentares adquiridas ou impostas por questões terapêuticas… Tudo envolvendo a comida se tornou digno de nota na contemporaneidade, inundando a mídia e o cotidiano ocidental com relatórios, documentários, programas de TV, livros, revistas e, é claro, trabalhos acadêmicos:
O tema foi discutido por tuttologos [ – pessoas “especialistas” em tudo, neologismo irônico de Rossi – ], filósofos (os dois grupos tendem a se unir), jornalistas, sindicalistas, aspirantes a políticos, políticos, cronistas e publicitários, teólogos, médicos, defensores da medicina alternativa e da antiglobalização, romancistas e amadores. (p. 101) Num tom que flerta com o sarcasmo, o historiador italiano vai mostrando a pseudo-sofisticação presente na descrição de pratos, vinhos e produtos como o azeite, nas mais diversas mídias, como sites especializados, catálogos de venda ou mesmo num singelo cardápio de qualquer pequeno restaurante hipster. Incomoda a Rossi a onisciência arrogante dos chefs televisivos, a profusão de outdoors com temas alimentares e também a invasão de maîtres e connaisseurs na privacidade dos comensais, com suas entediantes explicações sobre a essência daquilo que, em última instância, nos serve apenas como combustível, mesmo que esperemos ou suponhamos algum prazer ao introduzi-lo em nosso organismo.
Concordando com a antropóloga italiana Alessandra Guigoni, Rossi vaticina que neste terceiro milênio em que vivemos a alimentação tende a tornar-se um dos grandes campos da Antropologia, justamente pelo fato de que em nosso planeta existe uma abundância de alimentos que, de modo estupefactamente paradoxal, parece constituir-se cada vez mais em uma obsessão. Como sinal dessa distorção, o experiente historiador destaca o surgimento de distúrbios alimentares como a ortorexia, uma preocupação patológica por alimentos saudáveis, em que os indivíduos passam a guiar suas vidas pela busca de uma inalcançável perfeição alimentar.
Por outro lado, Rossi também apresenta um tipo de atitude para com a comida que pode, à primeira vista, parecer positiva e salutar mas que, em seu entendimento, trata-se de algo tão propenso à distorção quanto a seu inverso: a crescente e ferrenha tendência de valorização de produtos e hábitos regionais em contraposição à globalização padronizante de sabores e paladares, resultado da lógica do capital e da busca insana por lucros também pelos grandes conglomerados alimentares, que podem ir da rede de fast food à agroindústria. Para ele, instalou-se na sociedade contemporânea um mal estar muito próximo àquele preconizado por Freud na primeira metade do século XX, embora de características diametralmente opostas:
enquanto o psicanalista vienense atribuía tal sensação à renúncia “civilizada” à satisfação dos instintos, hoje ela estaria ligada a um imperativo do gozo, calcado nas necessidades impostas pelo consumismo exacerbado estimulado pelo mercado.
Em meio a este mal estar pós-moderno, nossa sociedade se afunda em paradoxos alimentares, com uma multidão de obesos se contrapondo a um número praticamente equivalente de famintos, num mundo que há muito já produz muito mais além do que o suficiente para que o estigma da fome não existisse mais sobre a face da terra. A questão, nesse caso, extrapola os limites médicos ou nutricionais e se expande até o campo político-ideológico: que mundo desejamos deixar a nossos descendentes? Um onde exista uma insípida padronização de sabores e hábitos alimentares, fonte de altíssimos lucros para os grandes conglomerados multinacionais, movidos pelo apetite sem limites do capitalismo voraz? Ou num mundo onde sejamos conscientes de nosso consumo e privilegiemos o mercado local, os produtores familiares e a sustentabilidade? Rossi demonstra como essa questão, apesar de suscitar debates acalorados no mundo contemporâneo, ainda está muito longe de ser resolvida. Trata-se, sobretudo, de uma questão filosófica com profundos desdobramentos no mundo das coisas práticas e que, quando pende para o lado da exaltação de uma vida “natural” ou “primitiva”, organizada em moldes ancestrais, é vista por Paolo Rossi como algo ilusório, inalcançável e até risível. Talvez a idade avançada tenha feito o historiador italiano perder a esperança pelo advento de uma sociedade mais justa, e me pergunto mesmo se ele não estaria realmente correto em seu modo de ver a atual cena mundial.
Essa ideia da volta à natureza e a uma idílica ancestralidade, aliás, motiva outro importante questionamento no capítulo XV de Comer. Trata-se de nos indagarmos se realmente houve, ao longo da História, algum momento em que a comida ingerida pelas mais diversas classes sociais tenha sido realmente genuína, isto é:
que não estivesse sofrendo adulterações intencionais, motivadas pela sanha pelo lucro fácil ou pela escassez de alternativas de melhor qualidade para compor um cardápio nutritivo, saudável e saboroso. Essa falta de genuidade poderia ser causada tanto pela trapaça de um moleiro ou comerciante que alterasse a composição da farinha que vendia, acrescentando-lhe impurezas e outros grãos mais baratos para aumentar seu volume e peso, assim como pela introdução na dieta cotidiana de animais, insetos e plantas que, não houvesse a escassez causada por guerras ou intempéries, jamais teria ocorrido.
Iguarias como as trufas, por exemplo, fungos subterrâneos comestíveis que os europeus começaram a consumir há mais de 3 mil anos em momentos de penúria alimentar, devido a seu alto grau proteico e sabor soberbamente agradável, eram algo que apenas cães de caça, javalis e porcos selvagens se interessavam em degustar na mais remota Antiguidade. Mas as coisas mudaram muito e hoje apenas um quilograma da raríssima trufa branca da região de Alba, no Piemonte italiano, pode alcançar estratosféricos € 10 mil se não se tratar de uma peça única, pois essas, mais raras ainda, quando porventura são encontradas, verdadeiras gigantes de 750g ou mais, já ocorreu de serem leiloadas por mais de € 100 mil no mercado da alta gastronomia europeia.
Peculiaridades à parte, estranhezas deixadas de lado, Rossi não crê que esse interesse crescente por uma “volta aos bons tempos de outrora” tenha, realmente, algo a contribuir ou que torne a vida em si melhor. Por trás do discurso do ecologicamente correto e da sustentabilidade alimentar ele enxerga interesses tão escusos como os do agronegócio transgênico ou do fast food: ali também há multinacionais interessadas em aumentar lucros, atingindo nichos de mercado cada vez mais específicos e delimitados, não nos enganemos com as aparências ou com o discurso cheio de pompa e circunstância. De forma irônica, o experiente intelectual italiano assevera:
O mundo seria mais bonito, mais natural, mais rico e com maior biodiversidade – é este e não outro o significado de tais mensagens – se os equilíbrios não tivessem sido alterados, se a natureza ainda estivesse intacta e se o homem tivesse se mantido, como no início, apenas como uma espécie de símio, ou melhor (na sábia definição de Vico, que não era primitivista), ‘como uma besta toda espanto e ferocidade’. (p. 128) No XVI capítulo de seu livro Rossi aborda as questões ligadas ao comer em excesso e sua principal consequência, a obesidade. O texto parte de uma aproximação muito interessante com o universo da neurociência e das descobertas fisiológicas sobre o olfato e, consequentemente, o paladar. Ainda dirigindo sua crítica ácida ao universo de sommeliers e/ ou experts que entopem a atenção dos simples mortais com sua verborragia “literária” inócua sobre as qualidades de vinhos, azeites, vinagres e até mesmo água mineral11, Rossi deixa bem claro que tudo isso pouco importa para os mecanismos corpóreos e biológicos ligados à identificação do gosto e sua associação, no nível cerebral, ao prazer:
O que denominamos gosto é uma forma de sensibilidade elaborada por um sistema sensorial específico que está na origem dos sabores, tais como o doce, o salgado, o azedo e o amargo […]. As relações entre motivação, prazer dos sentidos e ingestão alimentar dão lugar a uma intrincada teia: necessidade, desejo e prazer surgem em redes neurais que se sobrepõem. (p. 134-135)
É justamente a partir desta teia intrincada citada por Rossi que surge a obesidade, individualmente. Mas o excesso de peso de grande parte da população mundial também é consequência da vida moderna, da má qualidade nutricional dos alimentos e de tantas outras vicissitudes contemporâneas. O problema é complexo e merece uma urgente e comprometida abordagem multidisciplinar, é o que fica evidente: impossível não passar a enxergar com outros olhos um naco de carne gordurosa depois de ler estas ponderações.
Daí vem o mote para o capítulo seguinte, onde o historiador italiano aborda de forma sucinta as diversas doenças relacionadas ao ato de comer. Enquanto alguns males como a gota12 eram associados àqueles que comiam bem, outros certamente afligiam aqueles que não tinham a mesma sorte e padeciam de uma debilitante carência alimentar.
Nos dois últimos capítulos de seu ensaio Rossi se debruça, de fato, sobre o comportamento ligado à alimentação que forneceu o mote primeiro para iniciarse sua escrita: a anorexia, distúrbio estudado pela psiquiatra Laura Ragione, a amiga de infância de sua filha. O círculo se fecha, mas permanece certo estupor com o fato de que jovens cultuem e troquem entre si, pela web, formas de evitar a absorção de nutrientes pelo organismo e atingir o ideal de magreza endeusado pela moda e pela grande mídia. Percebe-se que o historiador italiano não atina de completo qual o sentido de tanta insensatez. Enquanto multidões ainda fenecem pela falta de alimento mundo afora, teenagers que jamais terão a mesma privação por questões econômicas ou geopolíticas escolhem não se alimentar simplesmente por não estarem satisfeitos com o próprio corpo, por desejarem atingir um corpo ideal improvável e inalcançável, posto que é invenção pura, idealização estética, imposição midiática. Fica a indignação.
Notas
2 ROSSI, Paolo. Francis Bacon: da magia à ciência. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini.
Londrina: EDUEL; Curitiba: Editora da UFPR, 2006 [1957].
3 ROSSI, Paolo. O passado, a memória, o esquecimento: seis ensaios da História das Ideias. Tradução de Nilson Moulin. São Paulo: Editora da UNESP, 2007 [1991].
4 ROSSI, Paolo. O nascimento da Ciência moderna na Europa. Tradução de Antonio Agonese.
Bauru: EDUSC, 2001 [1997].
5 Observe-se, por exemplo, a profusão de obras historiográficas publicadas, não só no Brasil mas também no exterior, nos últimos anos. Ver: ADAMOLI, Vida. La bella vita: life, love and food in Southern Italy. Chichester: Summersdale Publishers, 2002; ALBALA, Ken. Food in Early Modern Europe. Stockton, EUA: Greenwood Press, 2003; BARNES, Donna R. & ROSE, Peter G. Matters of taste: food and drink in Seventeenth-Century Dutch art and life. Albany: Albany Institute of History & Art; Syracuse: Syracuse University Press, 2002; BENDINER, Kenneth. Food in painting: from the Renaissance to the present. Londres: Reaktion Books, 2004; DE JEAN, Joan. A essência do estilo: como os franceses inventaram a alta-costura, a gastronomia, os cafés chiques, o estilo, a sofisticação e o glamour. Tradução de Mônica Reis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010 [2005]; FLANDRIN, Jean-Louis & MONTANARI, Massimo (orgs.). História da alimentação. Tradução de Luciano Vieira Machado & Guilherme João de Freitas Teixeira. 6. ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2009 [1996]; FREEDMAN, Paul (org.). Food: the History of taste. Berkeley: University of California Press, 2007; GRIMM, Veronika E. From feasting to fasting – the evolution of a sin: attitudes to food in late Antiquity. Londres: Routledge, 1996; HELSTOSKY, Carol. Garlic & oil:politics and food in Italy. Oxford: Berg, 2004; KELLY, Ian. Carême: cozinheiro dos reis. Tradução de Marina Slade Oliveira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005 [2003]; MacDONALD, Nathan. Not bread alone: the uses of food in the Old Testament. Oxford: Oxford University Press, 2008; MARTIN, A. Lynn. Alcohol, sex, and gender in Late Medieval and Early Modern Europe. Basingstoke: Palgrave, 2001; McWILIAMS, James E. A revolution in eating: how the quest for food shaped America. Nova York: Columbia University Press, 2005; MONTANARI, Massimo (org.). O mundo na cozinha: história, identidade, trocas. Tradução de Valéria Pereira da Silva. São Paulo: Editora SENAC-SP; Estação Liberdade, 2009 [2006]; __________. Comida como cultura. Tradução de Letícia Martins de Andrade. 2. ed. São Paulo: Editora SENAC-SP, 2013 [2004]; PANCORBO, Luis. El banquete humano: una historia cultural del canibalismo. Madri: Siglo XXI, 2008; PARASECOLI, Fabio. Bite me: food in popular culture. Oxford: Berg, 2008; PILCHER, Jeffrey M. Food in World History. Nova York: Routledge, 2006; QUELIER, Florent. Gula: história de um pecado capital. Tradução de Gian Bruno Grosso. São Paulo: Editora Senac SP, 2011; RAMOS, Anabela & CLARO, Sara. Alimentar o corpo, saciar a alma: ritmos alimentares dos monges de Tibães, século XVIII. Porto: Edições Afrontamento, 2013; SARTI, Raffaella. Casa e família: habitar, comer e vestir na Europa moderna. Tradução de Isabel Teresa Santos. Lisboa: Editorial Estampa, 2001 [1999]; SPANG, Rebecca L.A invenção do restaurante: Paris e a moderna cultura gastronômica. Tradução de Cynthia Cortes e Paulo Soares. Rio de Janeiro: Record, 2003 [2000]; STRONG, Roy. Banquete: uma história ilustrada da culinária, dos costumes e da fartura à mesa. Tradução de Sérgio Goes de Paula. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004 [2002]; TALLET, Pierre. História da cozinha faraônica: a alimentação no Antigo Egito. Tradução de Olga Cafalcchio. São Paulo: Editora SENAC-SP, 2005 [2002]; THIS, Hervé & GAGNAIRE, Pierre. Cooking: the essential art. Tradução de M. B. DeBevoise. Berkeley:University of California Press, 2008; WILKINS, John M. & HILL, Shaun. Food in the Ancient World. Malden, EUA: Blackwell, 2006.
6 FREYRE, Gilberto. Açúcar: uma sociologia do doce, com receitas de bolos e doces do Nordeste do Brasil. 5. ed. revista. São Paulo: Global, 2007 [1939].
7 Exemplos do incremento do interesse de historiadores brasileiros sobre o tema não faltam. Entre as publicações mais recentes, ver: CANDIDO, Maria Regina (org.). Práticas alimentares no Mediterrâneo Antigo. Rio de Janeiro: NEA/UERJ, 2012; COUTO, Cristiana. Arte de cozinha: alimentação e dietética em Portugal e no Brasil (séculos XVII-XIX). São Paulo: Editora SENAC-SP, 2007; DÓRIA, Carlos Alberto. A formação da culinária brasileira. São Paulo: Publifolha, 2009; FERNANDES, João Azevedo. A espuma divina: sobriedade e embriaguez na Europa Antiga e Medieval. João Pessoa: Editora Universitária/ UFPB, 2010. __________. Selvagens bebedeiras: álcool, embriaguez e contatos culturais no Brasil colonial (séculos XVI-XVII). São Paulo: Alameda, 2011; HUE, Sheila Moura. Delícias do Descobrimento: a gastronomia brasileira no século XVI. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009; LELLIS, Francisco & BOCCATO, André. Os banquetes do imperador. São Paulo: Editora SENAC-SP; Boccato, 2013; LODY, Raul (org.). Farinha de mandioca: o sabor brasileiro e as receitas da Bahia. São Paulo: Editora SENAC-SP, 2013; MAGALHÃES, Sônia Maria de. A mesa de Mariana: produção e consumo de alimentos em Minas Gerais (1750- 1850). São Paulo: Annablume; FAPESP, 2004; PANEGASSI, Rubens Leonardo. O pão e o vinho da terra: alimentação e mediação cultural nas crônicas quinhentista sobre o Novo Mundo. São Paulo:Alameda, 2013; SILVA, Paula Pinto e. Farinha, feijão e carne-seca: um tripé culinário no Brasil colonial. São Paulo: Editora SENAC-SP, 2005; VARELLA, Alexandre C. A embriaguez na conquista da América: medicina, idolatria e vício no México e Peru, séculos XVI e XVII. São Paulo: Alameda, 2013.
8 Devo destacar que cheguei a este livro de Rossi por puro acaso, graças a meu interesse gastronômico, pois o encontrei perdido na seção de livros de receitas culinárias de uma grande livraria no Recife, certamente por desinformação ou descuido de um funcionário ou estagiário desavisado, o que não deixou de ser uma forma peculiar de descobrir um livro e tomar posse dele.
9 Desde já me desculpo por este e outros trocadilhos afeitos às preparações culinárias, mas confesso que me foi inteiramente irresistível usá-los nesta resenha.
10 RAGIONE, Laura Dalla. La casa delle bambine che non mangiano: identità e nuovi disturbi del comportamento alimentare. Apresentação de Massimo Cuzzolaro. Prefácio de Paolo Rossi. Roma:Il Pensiero Scientifico Editore, 2005.
11 Apenas alguns dos epítetos utilizados por estes especialistas, enumerados de forma bem sarcástica por Rossi: “[…] aéreo, côncavo, convexo, curto, extrativo, denso, feminino, denso, fugaz, espesso, impreciso, tênue, longo, fino, maciço, mastigável, macio, suave, mudo, olivoso, passado, perturbado, salgado, grave, apagado, esvaecido, tenso, louco, vibrante, volátil, envolvente…” (p. 133).
Carla Mary S. Oliveira – Historiadora. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba. Realizou estágio pósdoutoral junto ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais em 2009, com o financiamento de uma bolsa Capes/ PROCAD-NF. Professora Associada do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba. Sítio eletrônico: <http://www.carlamaryoliveira.pro.br/>. E-Mail: <carla@carlamaryoliveira.pro.br>.
[MLPDB]L’histoire, pour quoi faire? – GRUZINSKI (DH)
GRUZINSKI, Serge. L’histoire, pour quoi faire? Paris: Fayard, 2015, 300p. Resenha de: NICOD, Michel. Didactica Historica – Revue Suisse pour l’Enseignement de l’Histoire, Neuchâtel, v.1, p.203-204, 2015.
Comment et avec quelles précautions enseigner l’histoire de la première mondialisation du xvie siècle? Cet ouvrage montre que, parmi les modes de représentation du passé, le recours à l’histoire est particulièrement adéquat pour élaborer une démarche critique, surtout lorsqu’il s’accompagne de l’utilisation de supports iconiques, tels le cinéma ou le jeu vidéo. Ces supports, en effet, facilitent en classe le travail de distanciation face aux conceptions spontanées.1 L’histoire, pour quoi faire? est l’aboutissement de vingt années de recherches menées par l’historien français Serge Gruzinski. Celui-ci y reprend ses thèmes favoris: la conquête de l’Amérique du Sud et du Mexique par les Portugais et les Espagnols au xvie siècle, le métissage et la rencontre des cultures qui s’ensuit, le rôle et la place de l’image en histoire.
L’auteur plaide pour une étude des regards que colonisateurs et colonisés se sont mutuellement jetés. Il nous entraîne à scruter de l’extérieur notre propre histoire, pour voir comment l’Europe s’est emparée du monde, non seulement avec les armes mais aussi avec ses représentations, ses cartes, sa géographie.
Dans les premiers chapitres, le livre nous invite à une analyse fine des modes de représentation du passé, des cérémonies d’ouverture des Jeux olympiques aux jeux vidéo, des feuilletons télévisuels aux superproductions des cinémas chinois ou américains, qui ont tous bien davantage d’audience que les historiens. L’auteur s’interroge sur le message véhiculé par ces superproductions qui mettent en scène des époques et des lieux différents. Or leurs reconstitutions stéréotypées n’apportent que rarement une réflexion critique. Il en est de même des jeux vidéo qui n’ont rien d’innocent.
Ils mettent trop souvent en scène des idéologies conservatrices exaltant le goût du pouvoir, l’opposition des barbares aux civilisés. Loin d’être des supports de cours idéaux, ils se prêtent néanmoins à une analyse critique.
Ainsi, l’ouvrage met en lumière les nombreux supports qui existent parallèlement aux récits des historiens. En le parcourant, le lecteur prend conscience du décentrement nécessaire à l’étude des sociétés, de l’importance de décloisonner, puis de reconnecter les différents domaines historiques.
L’auteur montre que c’est à partir du local, en l’occurrence de l’étude de l’Amazonie, que pourra s’étudier la globalisation. Cette dernière est au coeur du livre, où le présent se fait l’écho du passé: aujourd’hui au Brésil, par exemple, le trafic de DVD piratés a remplacé le trafic de produits tropicaux du xvie siècle.
En résumé, Serge Gruzinski met en relief la nécessité de poser d’autres questions, de chausser d’autres lunettes pour envisager le passé comme le futur. Selon lui, notre vision du monde est décalée par rapport aux questions actuelles, car les sociétés se mélangent: l’ailleurs est venu en Europe, tandis que celle-ci s’est étendue au monde. Ainsi, une culture de l’entre-deux, mélangée, fragile mais nécessaire, est apparue, celle des métis, passeurs de culture. Le livre en fait l’éloge tout en montrant sa fragilité.
Serge Gruzinski nous interpelle et nous bouscule par les rapprochements qu’il opère entre le xvie siècle et l’époque inquiète que nous vivons.
Son livre est une bonne introduction à ses recherches antérieures et à l’histoire des mentalités.
Il offre une réflexion enrichissante sur notre temps.
Son questionnement nourrit les réflexions de ses lecteurs en les invitant à se demander si nous ne construisons pas des passés afin de construire du sens, des repères pour affronter les « incertitudes du présent ».
Né en 1949, l’historien français Serge Gruzinski, directeur d’études à l’EHESS de Paris, enseigne l’histoire en France, aux États-Unis et au Brésil.
Il a notamment publié La pensee metisse, Paris: Fayard, 1999 ; Les quatre parties du monde. Histoire d’une mondialisation, Paris: La Martinière, 2004 ; L’aigle et le dragon, Paris: Fayard, 2012.
Michel Nicod
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Regards sur le monde. Apprendre avec et par l’image a l’ecole – DURISCH GAUTHIER et al (DH)
DURISCH GAUTHIER, Nicole; HERTIG, Philippe; MARCHAND, Reymond Sophie (éds.). Regards sur le monde. Apprendre avec et par l’image a l’ecole. Neuchâtel: Alphil-Presses universitaires suisses, 2015, 359p. Resenha de: FINK, Nadine. Didactica Historica – Revue Suisse pour l’Enseignement de l’Histoire, Neuchâtel, v.1, p.205-206, 2015.
Nous vivons dans un monde d’images, fixes et mobiles, que ce soit dans notre vie quotidienne ou dans la salle de classe. Nous sommes non seulement constamment exposés aux images, mais nous en sommes également devenus de fervents produc teurs et diffuseurs. Nous savons que chacune d’entre elles n’est qu’une représentation qui construit un point de vue et qui délivre un discours, un certain regard sur le monde. Pourtant, les images ont le plus souvent été – et sont encore majoritairement – utilisées de manière illustrative en guise d’accompagnement de textes et de discours. Une telle approche tend à prendre le visible pour le réel, le réel pour le vrai. Déconstruisant ce rapport illustratif, Regards sur le monde place l’image et son usage au coeur des apprentissages. Celle-ci devient alors bien plus qu’une simple illustration: elle est un support de connaissance que l’on peut utiliser au même titre qu’un texte, en apprenant à en identifier la nature et le statut, à en analyser le contexte de production et le contenu, à en décoder le message et les représentations véhiculées. L’objectif de ce bel ouvrage collectif – très richement illustré – est précisément d’offrir aux enseignants des exemples concrets d’utilisation de l’image à l’école, de manière à ce qu’ils puissent s’en inspirer pour leurs propres séquences d’enseignement.
Dans le domaine des sciences humaines et sociales, chaque discipline porte un regard sur l’image qui lui est propre, l’analysant selon des questionnements qui relèvent de son champ scientifique. Certaines problématiques d’apprentissage relèvent toutefois d’une « grammaire commune », de caractéristiques génériques qui transcendent les disciplines spécifiques.
Elles font l’objet des quatre chapitres de la première partie de l’ouvrage, qui permettent de saisir les principaux enjeux et méthodes de l’usage et de l’analyse de l’image dans les sciences humaines et sociales: apprendre à décoder et à analyser les images (processus de dénotation/connotation), à les classer et à les catégoriser, à les exploiter em classe, à prendre conscience de l’imaginaire collectif construit par les images. La seconde partie de l’ouvrage donne successivement la voix au statut spécifique de l’image en géographie, en histoire, en éthique et culture religieuses. Tous ces chapitres se fondent sur des expériences réalisées en classe ou dans le cadre de la formation d’enseignants. Quatre d’entre eux sont consacrés à l’enseignement de l’histoire.
Ils mettent en évidence l’importance du rôle de l’image dans la construction du discours historique et décrivent des démarches originales et inspirantes pour travailler en classe à partir d’images fixes et mobiles, qu’il s’agisse d’affiches de propagande politiques et publicitaires, de caricatures et de dessins de presse, de films documentaires et de fiction, ou même de clips musicaux et de séries à succès. Il ressort ici – comme dans tout l’ouvrage d’ailleurs – que le travail d’analyse des images n’est pas une fin en soi, mais qu’il participe à la construction d’un savoir propre à chaque discipline scolaire. La troi sième partie propose trois regards extérieurs à l’école pour explorer les domaines de la photographie, du cinéma et de la bande dessinée. Une quatrième et dernière partie met en perspective l’ensemble des chapitres pour plaider en faveur d’un enseignement qui apprenne non seulement aux élèves à décoder les images et à affiner leurs regards d’observateurs, mais qui développe également leurs compétences et leurs savoirs dans l’utilisation des nouvelles technologies.
Cet ouvrage permettra aux disciplines des sciences humaines et sociales – particulièrement grandes consommatrices d’images – de prendre en charge une forme d’éducation au regard. Un tel enseignement constitue un enjeu majeur en termes d’apprentissage pour donner des clés de lecture aux élèves: il s’agit de les outiller pour qu’ils puissent faire face aux nombreuses manipulations et représentations réductrices auxquelles les exposent les images.
Nadine Fink – Haute École pédagogique, Lausanne.
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Histoire globale. Un autre regard sur le monde. Paris: éditions Sciences humaines – TESTOT (DH)
TESTOT, Laurent (éd.). Histoire globale. Un autre regard sur le monde. Paris: éditions Sciences humaines, 2015 (2e éd. revue et aug.), 288 p. Resenha de: BUGNARD, Pierre-Philippe. Didactica Historica – Revue Suisse pour l’Enseignement de l’Histoire, Neuchâtel, v.1, p.206-208, 2015.
Histoire globale, dans sa deuxième édition, renoue avec les approches et les objets lancés par la deuxième génération des nouveaux historiens, celle de l’école française des Annales, à partir des années 1970. Les meilleurs géo-historiens actuels renouvellent ici le genre en y greffant, notamment, la transdisciplinarité de l’espace-temps. L’ouvrage, entre « microstoria » et « histoire connectée », rassemble une série de monographies impliquant chacune leur propre histoire-monde. Voilà de quoi donner aux programmes scolaires toutes les raisons de s’ouvrir à une nouvelle histoire globale enseignée.
Le livre se conclut sur un chapitre consacré à l’enseignement de l’histoire globale par Vincent Capdepuy, géo-historien à l’Académie de La Réunion, invité au cours 2015 du GDH « L’Histoire-Monde, une histoire connectée ! ». Deux autres conférenciers de ce cours contribuent à Histoire globale: Bouda Etemad (« Empires coloniaux: essai de bilan global ») et Christian Grataloup (« Des mondes au Monde: la géohistoire »).
Nous livrons ici in extenso la recension et la table du site des éditions Sciences humaines: http:// editions.scienceshumaines.com/histoire-globale_ fr-559.htm (consulté le 5 mai 2015).
Recension La mondialisation nous impose aujourd’hui d’envisager une histoire du Monde pris dans son ensemble. Il est devenu urgent de concevoir une histoire ouverte, qui s’enrichit de comparaisons entre différentes sociétés, étudie les connexions entre civilisations, tisse des liens entre les parcours individuels et les destins des empires, ose s’attaquer à de nouveaux objets en mobilisant la géographie, l’économie, l’anthropologie, les sciences politiques, la sociologie… L’approche globale en histoire revêt deux visages.
D’abord celui de l’histoire mondiale, un récit englobant le passé commun de l’humanité, de son apparition en Afrique il y a plusieurs millions d’années à la globalisation contemporaine. Le second visage est celui de l’histoire globale. Elle propose une méthode d’analyse, à la fois transdisciplinaire, au long terme, sur longue distance. L’historien doit savoir jouer de la mobilité de son regard, varier les échelles d’approche, penser autrement le passé – ce passé qui aurait pu être autre, qui est aussi perçu différemment ailleurs.
Produire des histoires à parts égales, où l’humanité se découvre des passés et un futur communs. Tel est le projet de l’histoire globale. Depuis longtemps reconnue dans les pays anglo-saxons, cette histoire globale est restée dans le monde francophone l’apanage de quelques pionniers, de trop rares livres… Le présent ouvrage constitue une première exploration d’ensemble de ce champ de recherche en pleine émergence.
Laurent Testot est journaliste à Sciences humaines, il a dirigé plusieurs dossiers consacrés à cette nouvelle discipline qu’est l’histoire globale, dont le hors-série Sciences humaines Histoire n° 3 « La nouvelle histoire du Monde » (décembre 2014-janvier 2015).
Coordinateur du présent ouvrage, il a également coordonné, aux Éditions Sciences humaines, La Guerre. Des origines a nos jours (avec Jean-Vincent Holeindre), 2012 ; Une histoire du monde global (avec Philippe Norel), 2012 ; La Religion. Unite et diversite (avec Jean-François Dortier), 2006. Il administre, avec Vincent Capdepuy, le blog « Histoire globale »: http://blogs.histoireglobale.com.
Avec les contributions de: Frédéric Barbier, Jérôme Baschet, Philippe Beaujard, Roy Bin Wong, Lucette Boulnois, Vincent Capdepuy, Dipesh Chakrabarty, Gérard Chaliand, David Cosandey, René-Éric Dagorn, Frédéric Denhez, Marcel Detienne, Caroline Douki, Bouda Etemad, Christian Grataloup, Olivier Grenouilleau, Catherine Halpern, Nicolas Journet, Jacques Lévy, Régis Meyran, Philippe Minard, Philippe Norel, Jean- Pierre Poussou, Benoît Richard, Pierre-François Souyri, Bernard Vincent.
Table
Préface
Introduction
L’histoire au défi du monde (L. Testot)
Les sources de l’histoire globale (R. Meyran)
I. Restituer des dynamiques
Commerce et conquêtes… sur les routes de la soie (L. Boulnois)
Les racines médiévales de l’expansion occidentale (J. Baschet)
Le monde à l’envers: un Moyen Âge japonais? (Rencontre avec P.-F. Souyri)
1492: année cruciale (Rencontre avec B. Vincent)
Empires coloniaux: essai de bilan global (B. Etemad)
L’onde de choc des révolutions (J.-P. Poussou)
La société-Monde, une histoire courte (J. Lévy)
II. De nouvelles perspectives
Un espace mondialisé: l’océan Indien (P. Beaujard)
Comment les peuples guerriers ont façonné le monde (Rencontre avec G. Chaliand)
La naissance de l’imprimerie et la globalisation (F. Barbier)
Les raisons du « miracle européen » (Rencontre avec D. Cosandey)
Jalons pour une histoire globale de l’esclavage (O. Grenouilleau)
La Chine face à l’Occident (R. Bin Wong) Les enjeux d’une histoire du climat (F. Denhez)
III. Les approches méthodologiques
Pour un changement d’échelle historiographique (C. Douki et P. Minard)
La dimension globale en histoire économique (P. Norel)
Big history et histoire environnementale (R.-É. Dagorn)
Des mondes au Monde: la géohistoire (C. Grataloup)
Des Grecs aux Iroquois, une démarche comparative (Rencontre avec M. Detienne)
Les postcolonial studies: retour d’empires (N. Journet)
Quelle histoire pour les dominés? (Rencontre avec D. Chakrabarty)
Conclusion
Enseigner l’histoire globale (V. Capdepuy)
Pierre-Philippe Bugnard – Université de Fribourg
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Les Suisses – DIRLEWANGER (DH)
DIRLEWANGER, Dominique. Les Suisses. Paris: Ateliers Henry Dougier, 2014, 143p. Resenha de: MASUNGI, Nathalie. Didactica Historica – Revue Suisse pour l’Enseignement de l’Histoire, Neuchâtel, v.1, p.209, 2015.
Ce livre s’insère dans la collection « Lignes de vie d’un peuple », dont l’objectif est de présenter des populations en remettant en cause les stéréotypes (souvent tenaces) s’y attachant.
La dimension polymorphe de la Suisse et de ses habitants est mise en exergue par le biais de témoignages d’experts autour de thèmes politique, historique, économique et culturel. Chaque spécialiste propose, en plus de ses considérations scientifiques, son point de vue personnel quant à ce qui fonde l’identité des Suisses, hier et aujourd’hui. L’ouvrage intéressera les curieux avides de percer le secret d’un pays qui, lorsqu’il est évoqué de l’extérieur, est celui des clichés: la Suisse est décrite comme un paradis fiscal, comme une terre habitée par un peuple heureux, comme une nation située au « carrefour des cultures europeennes et avec quatre langues nationales […] ». Dominique Dirlewanger propose d’aller au-delà de ces images. Il montre ce qui fait ce pays, dont mythes et légendes jalonnent également la création de sa propre identité vis-àvis de l’étranger.
Ce livre permet aussi au lectorat suisse de trouver des réponses à une question récurrente qui hante le débat politique et l’espace public: celle de la définition d’une identité commune, matérialisée par un « qui sommes-nous? » qui n’appelle pas de réponse simple et définitive.
Les Suisses peut enfin être employé comme ressource réflexive à l’attention d’élèves du secondaire (14-18 ans), afin de mettre en perspective des thématiques abordées dans le cadre des cours d’histoire, de citoyenneté ou d’économie et droit.
Historien et enseignant, Dominique Dirlewanger est l’auteur de plusieurs ouvrages, dont Tell me. La Suisse racontee autrement (ISS-UNIL, 2010). Il collabore avec l’Interface sciences-société de l’Université de Lausanne pour la création d’ateliers de vulgarisation scientifique en histoire. Il a fondé l’association memorado.ch afin de promouvoir l’histoire suisse.
Nathalie Masungi – Établissement scolaire du Mont-sur-Lausanne et Haute École pédagogique, Lausanne.
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Paroles de témoins, paroles d’élèves. La mémoire et l’histoire de la Seconde Guerre mondiale, de l’espace public au monde scolaire – NADINE (DH)
NADINE, Fink. Paroles de témoins, paroles d’élèves. La mémoire et l’histoire de la Seconde Guerre mondiale, de l’espace public au monde scolaire. Berne: Peter Lang, 2014, 266p. Resenha de: BUGNARD, Pierre-Philippe. Didactica Historica – Revue Suisse pour l’Enseignement de l’Histoire, Neuchâtel, v.1, p.199-200, 2015.
Dans l’opération que tout un chacun tente irrémédiablement, au moins à partir de son école, pour comprendre son passé et celui des civilisations, les postures emblématiques de l’historien et du témoin sont tour à tour convoquées ou repoussées. Et c’est donc à une forme de tragédie cornélienne que l’on assiste dans ce livre: qui l’emportera du témoin qui a vu ou de l’historien qui a lu? Le drame s’incarne dans un scénario que l’on ne peut plus lâcher dès qu’on a commencé à en suivre la trame. L’auteure pris soin de l’attacher à un lieu, la Suisse, et à un temps, la Seconde Guerre mondiale. Cette période rend cruciale la question de savoir ce qui est le plus recommandable: le témoignage d’un contemporain ayant vécu les événements ou l’analyse d’un historien illustrant la même époque à partir d’archives? À propos, comment procédaient les créateurs de l’histoire dans l’Antiquité? C’est sur un rappel fondamental que le livre attire d’abord l’attention: la discipline est née comme une science sociale avec Hérodote, à partir d’un premier rapport d’enquête (historia, en grec) fondé sur des témoignages… Or c’est justement la démarche avec laquelle il semble que l’on ait renoué, dès lors que les technologies ont permis d’enregistrer les témoignages tardifs de ceux qui ont vécu une histoire ignorée de la dernière génération (non sans se targuer, parfois, d’être des dépositaires incontestables de cette histoire, dès lors qu’on dispose du récit des ultimes témoins vivants du passé !). Les historiens ont donc dû faire des concessions à leurs certitudes positivistes, forgées sur l’enclume des sources écrites qu’ils tiennent souvent, eux aussi, pour parole d’évangile, ou comme discours fabriqué dès le moment où la discipline se constitue en palliatif à la disparition des témoins directs: c’est par exemple la démarche adoptée par Michelet pour aborder la Révolution. Toute cette histoire de l’histoire, admirablement reconstituée, figure en exergue de l’ouvrage. Aucun professeur ne se lassera de la lire ou de la relire !.
À partir de là, on a hâte d’en savoir davantage sur les forces antagonistes du drame qui se joue, en Suisse, autour de la question pivot de tout le xxe siècle helvétique, question qui s’est posée aussi au monde dès 1945: pourquoi ce petit pays n’a-t-il pas été envahi par les puissances de l’Axe alors qu’il est au centre géographique des hostilités, au point de constituer un obstacle à renverser absolument? Imaginez une classe étudiant cette bataille entre témoins et historiens pour reconstituer la trame d’un tel passé… La thèse de Nadine Fink prend cette question comme départ de sa recherche. Elle n’a pas à la traiter dans sa dimension épistémologique, puisque la démarche de recherche relève de la didactique.
Elle l’aborde dans une langue limpide, en faisant l’inventaire des forces qui s’affrontent pour fabriquer la mémoire d’une période sensible. Cette histoire est porteuse d’une image déterminante pour les valeurs d’une nation improbable, donc particulièrement sensible au passé qui la justifie. Elle est tiraillée entre témoins et historiens, entre peuples des années de guerre, interviewés en fonction des critères de l’histoire orale du dispositif de L’histoire c’est moi (http://www.archimob.ch/), et historiens savants de la Commission Bergier, oeuvrant en fonction des canons de leur discipline.
Cette histoire duale de la fabrication de l’histoire est à elle seule déjà passionnante, pour le public comme pour les professeurs. Elle devient incontournable lorsqu’elle s’attelle, dans la partie centrale du travail, à étudier la contribution du témoignage oral à la constitution d’une pensée historienne scolaire.
Comment passe-t-on du témoignage brut à une telle pensée? Par des opérations de distanciation formulées d’abord sous forme d’hypothèses: il s’agit de limiter l’empathie, obstacle à la dissociation histoire/ mémoire, de privilégier l’hétérogénéité des témoignages, levier au doute sur leur véracité, et de les confronter aux contextes d’élaboration de la mémoire, ferment de distance critique.
Pour l’enquête, 73 classes des trois degrés se sont impliquées dans une exposition présentant 13 heures d’images. Cette dernière a été l’objet d’une analyse qualitative du rôle des témoignages oraux comme support didactique au développement d’une pensée historienne scolaire. Les témoignages proposés chamboulent les conceptions des élèves ; impossible de relayer ici la substance de tels bouleversements conceptuels, mais s’il faut résumer à gros traits, on peut dire que l’image de la Suisse est en partie débarrassée des illusions qui l’enjolivaient.
Les entretiens conduits avec 24 élèves montrent, parmi les trois idéaux types élaborés – croyants, rationalistes, scientistes –, que si chacun parvient à déterminer le caractère intrinsèque des récits, seul, en toute logique, le groupe des croyants accorde un statut de véracité aux témoignages.
À partir de l’expérience d’une telle recherche, imaginons pousser la mise en perspective et confronter les élèves aux sources de l’histoire orale simultanément aux sources historiennes. Par exemple celles des archives Guderian, montrant que, du point du vue allemand, les villes suisses auraient pu être prises « au plus tard dans le courant du deuxieme jour » d’une offensive. Ou encore celles du Conseil fédéral, révélant qu’en 1942 déjà, « un des elements d’interet susceptible d’assurer le respect par l’Allemagne de notre independance nationale est notre situation economique et monetaire ». Imaginons aussi, dans une comparaison entre sources orales et récits de manuels, la réaction d’élèves comparant le témoignage de l’historien et conseiller fédéral G.-A. Chevallaz – « nous n’aurions pas tenu trois jours » en cas d’attaque de l’Allemagne – avec sa propre version du manuel Payot – « Le “herisson helvetique”, barricade dans ses montagnes, restait isole et libre dans une Europe mise au pas » – ou avec le manuel Fragnière: « Le reduit alpin et la bonne preparation de l’armee a repousser une attaque ont joue un role suffisamment dissuasif. » La recherche de Nadine Fink illustre à quel point les témoignages oraux ne révèlent que l’écume de vagues aux reflets changeants. Pour saisir la profondeur de l’océan, il faut aussi le temps de collation de mille autres témoignages, de toutes natures, jusqu’à ce qu’ils parviennent aux historiens pour alimenter leurs rapports d’enquête. Et c’est au contexte d’élaboration de tels rapports qu’on peut dès lors initier nos élèves. Personne n’accepterait de déclarer responsable tel conducteur d’un véhicule impliqué dans un accident de la route sur la base du premier témoignage oral, sans audition des autres témoins, sans l’examen des véhicules, de l’état des pneus et de la chaussée, sans l’analyse des taux d’alcoolémie, des permis de conduire, sans la prise en compte des codes routiers et des coutumes du pays de l’accident, de ses conditions d’assurance… Si les élèves considèrent que l’intelligibilité de leur propre histoire et de celle du monde réclame l’élaboration d’un tel contexte, alors la parole des témoins directs revêtira à leurs yeux toute sa signification.
Pierre-Philippe Bugnard – Université de Fribourg.
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As delimitações espaciais sobre a pesquisa em história ambiental / Revista de História Regional / 2015
Nação, cidadania, insurgências e práticas políticas, 1817-1848 (Parte 1) / Clio – Revista de Pesquisa Histórica / 2015
Foi na primeira metade do dezenove que ocorreu uma série de eventos, que a historiografia tradicional costumava chamar de forma um tanto quanto acrítica de “Ciclo das Insurreições Liberais do Nordeste”. Longe de se limitar apenas a esse pedaço do Brasil, aquele foi um momento marcante para a formação política e social da Nação em seus primeiros e decisivos anos de construção. Anos esses de fundação (para não dizer também de descolonização), organização, afirmação e consolidação do Estado Nação. Aqueles acontecimentos em suas múltiplas articulações são ainda reveladores das noções de nacionalidade e cidadania que foram se constituindo entre a chegada da família real e a década de 1850, a melhor década de Pedro II, segundo o monarquista Joaquim Nabuco. Ficaram claros processos políticos e sociais complexos, que sem a explosão de violência, sem a panfletagem, sem a repressão brutal, talvez tivessem ficado abafados pelas paredes dos centros de decisão nas províncias e na corte.
Não surpreende, portanto, que esse período e temática tenham sempre atraído a atenção de tantos historiadores brasileiros e estrangeiros. Entender esse tal “Ciclo das Insurreições Liberais do Nordeste” – que nem sempre foi liberal e raramente tão limitado geograficamente – é uma boa chave para perscrutar processos mais amplos de formação de uma cultura política singular, moldada em meio a contradições e conflitos – tendo a escravidão como um pano de fundo que se espalhava por todo o palco da ação. Para além dos aspectos políticos e da violência desses movimentos insurrecionais que tanto chamaram a atenção dos observadores mais imediatistas, a historiografia vem se dedicando a outras nuances, a outros processos que ocorreram dentro ou de forma paralela aos grandes acontecimentos políticos da primeira metade do século XIX. As balizas cronológicas desse dossiê englobam, portanto, momentos cruciais da construção da nacionalidade, da consolidação da monarquia bragantina, do apogeu do contrabando de cativos da África, ao transitar e buscar entender vários movimentos contestatórios que envolveram distintas camadas sociais em turbilhões explicáveis, desde que admitido o debate, a discordância, a pesquisa sempre inconclusa porque está sempre a recomeçar.
Atualmente, a já anunciada efeméride dos 200 anos da Revolução de 1817 constitui-se um poderoso fator de aglutinação de pesquisas sobre esses acontecimentos, “momentos de perigo” como dizia a historiografia mais antiga, da primeira metade do século XIX. Longe das comemorações oficiais e dos discursos laudatórios que estão por vir, a intenção deste dossiê, intitulado Nação, cidadania, insurgências e práticas políticas, 1817-1848, é justamente abordar o que realmente interessa para a comunidade acadêmica e para a sociedade em geral: fazer público e acessível a todos os novos estudos sobre esse período. O que o leitor apreciará aqui é um panorama do estado da discussão, do avanço das pesquisas a partir da compreensão mais ampla da história das insurreições, da cultura política e da cidadania no Brasil Império. Esses trabalhos, frutos da consolidação dos programas de Pós-Graduação no país, contribuem para uma melhor compreensão da história política e social do Brasil e abrem janelas para outros estudos, sucessivamente, avançando o debate, como deve ocorrer na aventura da busca pelo conhecimento histórico.
Sendo muitos os artigos, foi decidido dividir o dossiê em dois volumes.
Neste primeiro volume, abre o dossiê o artigo de um veterano historiador dos movimentos sociais e políticos da primeira metade do século XIX. Flávio Cabral levará o leitor a percorrer os caminhos da minuciosa atuação diplomática nos Estados Unidos do comerciante Antônio Gonçalves da Cruz, o Cabugá, como emissário do governo revolucionário de 1817. Contrariando a historiografia que diminuía a importância dessa e de outras missões diplomáticas promovidas pelo governo revolucionário, Flávio discute o legado dessa missão, que esteve longe de ser frustrada, insignificante ou sem uma visão política mais ampla. Segundo o autor, Cabugá teve trânsito livre entre políticos e autoridades norteamericanos: celebrou tratados de comércio, acordos diplomáticos, fez articulações com pessoas influentes e com militares franceses exilados naquele país que serviram a Napoleão Bonaparte, comprou armamentos, munições e alimentos. Fez ainda propaganda positiva da revolução e da jovem república instalada no Nordeste do Brasil. Como ressalta Flávio, mil oitocentos e dezessete diverge de outros movimentos brasileiros, pois talvez nenhum outro tenha tido tanta repercussão no exterior.
Se Flávio faz um retrato preciso da experiência diplomática de uma das figuras mais emblemáticas de 1817, este dossiê não ficaria completo sem um estudo da gente comum que se envolveu nas querelas políticas daqueles tempos. O artigo do jovem historiador Wanderson Édipo de França, fruto de sua recém-defendida dissertação de mestrado, busca entender a participação do povo na política nacional, tendo como pano de fundo os acontecimentos de 1817 e da Confederação do Equador, em 1824. A própria expressão “povo”, escrita entre aspas, é um conceito que o autor vai tentar delinear no contexto da época. São objeto de sua pesquisa as práticas políticas das pessoas mais simples, suas condutas, questionamentos e incertezas. Essas pessoas, que se constituíam no “povo de Pernambuco”, não se curvaram às convenções e lutaram à sua maneira para construir suas próprias noções de pátria e cidadania.
O processo de construção da Nação foi marcado por inúmeros embates entre autoridades locais e agentes do governo central. Em 1831, com a abdicação de Pedro I e a implantação da Regência, outros pontos e detalhes dessa relação foram se constituindo. Porém, longe de ser um processo pacífico e cordato, o que se viu foi o aumento das tensões. Entender esse processo é o que propõe Manoel Nunes Cavalcanti Junior, em um artigo em que revisita as Carneiradas, uma sucessão de motins orquestrados pelos irmãos Francisco Carneiro Machado Rios e Antônio Carneiro Machado Rios. Ocorrida nas ruas do Recife no tumultuado ano de 1835, as Carneiradas um reflexo da disputa entre as facções políticas que lutavam pelo poder local. Um processo bipolar que tinha ressonância na Corte do Rio de Janeiro e era influenciado pelo que ocorria lá. As intrínsecas relações entre poder local e política partidária ganhavam novos contornos naqueles embates.
Na década de 1840, liberais e conservadores vivenciaram suas divergências na imprensa que mobilizou inúmeros escritores públicos. Ariel Feldman analisa a imprensa que antecede a Insurreição Praieira (1848 / 49), estudando produção jornalística do Padre Lopes Gama, entre 1845 e 1846. Os jornais e pasquins serviam para mobilizar votantes e não votantes, atingindo até as paróquias do interior. Mas era no Recife que estava o maior colégio eleitoral, o palco de inúmeras disputas e onde a pena afinada de Lopes Gama atuava com mais precisão. Ariel destaca a grande dificuldade do partido que não era situação para chegar ao poder, já que a máquina eleitoral era controlada pela presidência da província e seus representantes nas localidades. Diante das dificuldades, a oposição usava várias estratégias para arregimentar votantes. A imprensa de caráter popular era uma delas. Em seus escritos, Lopes Gama conclama o povo a participar mais da vida política da província, assumindo um jornalismo mais popular visando atingir setores mais amplos da população. Uma de suas estratégias era o uso de versos rimados para discutir política. Versos que mexiam com os sentimentos e imaginário popular.
A primeira parte deste dossiê fecha com um artigo de Renata Saavedra sobre a Guerra dos Maribondos, uma série de revoltas populares contra o registro civil e o censo geral do Império, entre dezembro de 1851 e janeiro de 1852, envolvendo povoações do interior de Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Ceará. O governo imperial não imaginou que a população rural pobre interpretasse aquelas medidas como uma tentativa de (re)escravizar a população não branca. Além da destruição dos papéis com esses editais, houve depredações nos povoados, engenhos foram atacados, autoridades presas e pelo menos um juiz de paz morreu nos conflitos. Para além da violência desses motins, a autora faz uma sucinta descrição do repertório de mobilização e luta dos homens livres pobres, discutindo as noções de justiça coevas, contrárias a uma cidadania imposta “de cima para baixo”, que não respeitava os costumes e os valores tradicionais daquela população. Rediscutindo a historiografia sobre a gente livre pobre no Brasil imperial, a autora busca entender as dimensões políticas dessa revolta popular.
Só resta aos organizadores deste dossiê agradecer aos autores que possibilitaram acender tantas discussões neste número da Clio.
Marcus J. M. de Carvalho – UFPE.
Bruno Augusto Dornelas Câmara – UPE.
CARVALHO, Marcus J. M. de; CÂMARA, Bruno Augusto Dornelas. Apresentação. CLIO – Revista de pesquisa histórica, Recife, v.33, n.1, jan / jun, 2015. Acessar publicação original [DR]
Em Perspectiva. Fortaleza, v.1, n.2 2015.
Edição completa
Temática Livre
Apresentação ………………………………………………………………………………………….. 4
- Por uma história do Tempo Presente: historiando para além das relações entre História Oral, Memória e Micro-História
- Fagno da Silva Soares (Universidade Federal Fluminense) ………………………. 6
- Arranjos familiares de pessoas negras na freguesia de Nossa Senhora das Neves (Parahyba do Norte, 1861-1863)
- Larissa Bagano Dourado (Universidade Federal da Paraíba) Solange P. da Rocha (Universidade Federal da Paraíba) ………………………… 49
- Construindo a parentela: negros e índios lutando por visibilidade no Rio Grande do Norte imperial Genilson de Azevedo Farias (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) …………………………………………………………………………………………………………. 69
- A cidade e sua composição:um retrato de Manáos no fim do século XIX Bruno Miranda Braga (Universidade Federal do Amazonas) …………………. 94
- “No tempo dos antigos índios”: memória e identidade indígena no Planalto da Conquista em fins do Século XX e princípios do XXI Renata Ferreira de Oliveira (Universidade Federal do Norte de Minas Gerais) ……………………………………………………………………………………………………….. 114
- Ceticismo e o princípio do Verum Factum nos tratados de Baltasar Gracián
- Diogo Luiz Lima Augusto (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) …………………………………………………………………………………………… 136
- Tecendo redes: um espaço de referência para intelectuais nas crônicas de Rachel de
- Queiroz (revista O Cruzeiro, 1964-1975)
- Raquel França dos Santos Ferreira (Universidade Federal Fluminense) …… 154
Geografia Escolar: contextualizando a sala de aula | Sona Vanzella Castellar
A coletânea de textos organizados pela Professora Sonia Maria Vanzella Castellar sobre a Geografia Escolar se destaca em virtude do rigor metodológico que acompanha todos os textos e o compromisso com a educação geográfica. O livro reúne textos com abordagens teóricas sobre o processo de aprendizagem no ensino de Geografia, com tom bastante contemporâneo marcado por reflexões e debates realizados pela comunidade geográfica dedicada à Didática da Geografia.
A professora Sonia Castellar é livre-docente em Metodologia do Ensino de Geografia pela Universidade de São Paulo – USP com trabalho sobre a ‘Didática da Geografia (escolar): possibilidades para o ensino e a aprendizagem significativa no ensino fundamental’. Autora de mais de uma centena de artigos e com mais de vinte livros publicados, possui uma quantidade respeitável de trabalhos e orientações desenvolvidas ao longo da carreira. A professora Sonia Castellar é uma das pesquisadoras mais importantes da Geografia Escolar brasileira na atualidade. Leia Mais
Em Perspectiva. Fortaleza, v.1, n.1 2015.
Temática Livre
Edição Completa
Apresentação ………………………………………………………………………………………. 4
- Usos do passado:
- entre a censura e a representação no cinema brasileiro
- Meize Regina de Lucena Lucas (Universidade Federal do Ceará) ……………………………… 7
- Rituais manuscritos: cura, benzedura e performances rituais entre imigrantes alemães no sul do Brasil
- Natacha Klein Käfer (Freie Universität Berlin) ………………………………………………….. 27
- O Diretório em Pernambuco no século XIX: Instrumento de “pacificação” dos “índios brabos” no submédio São Francisco
- Carlos Fernando dos Santos Júnior (Universidade Federal de Pernambuco) ………………… 53
- Voltando a cena: a maçonaria pernambucana e o fim do Estado Novo
- Augusto César Acioly Paz Silva (Universidade Federal de Pernambuco) ……………………. 81
- Sergio Ramírez, escritor e político, e o contexto político-cultural nicaraguense
- e centro-americano na segunda metade do século XX
- Fred Maciel (FCHS-Unesp/campus Franca) ……………………………………………………. 103
- Os limites da sexualidade masculina no discurso médico e nos romances para homens da passagem do século XIX para o XX
- Fernanda Cássia dos Santos (Universidade Federal do Paraná) …………………………….. 136
- Um olhar sobre a História Regional e Local: o rol de equipagens e a política governamental no vale do São Francisco
- Pablo Michel Magalhães (Universidade Estadual de Feira de Santana) ……………………………………………………………………………………………………. 152
- Diálogos anti-foucaultianos sobre a tentativa de apagamento do autor na França da época moderna
- Thayenne Roberta Nascimento Paiva (Universidade Federal do Rio de Janeiro) …………. 172
- Memória e História Oral: elementos para a história dos transportes rodoviários no Brasil
- Elvis Patrik Katz (Universidade Federal do Rio Grande) ……………………………………. 191
Resenhas
- Para entender o Islã Político
- Ibrahim Abu-Rabi (org.)
- Felipe Yera Barchi (Universidade Estadual de São Paulo) ………………………………….. 208
- A cultura no mundo líquido Moderno
- Zygmunt Bauman
- José Fernando Saroba Monteiro (Universidade Nova de Lisboa) ……………………………. 214
Entrevista
- Entrevista com o prof. Dr. Francesco Tiradritti
- Università Degli Studi Di Enna “Kore”
- por Keidy Narelly Costa Matias (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) ………… 219
Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro – CARDOSO (TES)
CARDOSO, Adalberto. Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro. Rio de Janeiro: FGV, 2013, 264p. Resenha de: CORÔA, Roberta. Revista Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v.13, n.1, jan./abr. 2015.
Autor renomado na área da sociologia do trabalho e conhecido por sua experiência em pesquisas sobre sindicalismo, trajetórias profissionais e mercado de trabalho no Brasil, Adalberto Cardoso se destaca em seu campo de estudos pela capacidade de oferecer sofisticadas análises, utilizando sobretudo dados quantitativos, sem se furtar à contribuição de outras disciplinas e de outros enfoques metodológicos. E é isso que podemos encontrar em seu mais novo livro.
Aqueles que chegam ao livro de Cardoso, em busca de se inteirar de informações relativas à atual estruturação do mercado de trabalho no Brasil, se deparam com a boa e velha teoria sociológica. O autor vai buscar nas relações sociais contemporâneas a formulação dos conceitos e os modelos explicativos para a dinâmica do nosso mercado de trabalho, considerando as repercussões das mudanças em curso no capitalismo em escala global que se corporificam nos trabalhadores. No caminho de construir argumentos contestadores, ou ao menos necessários, do otimismo que tomou conta das análises a partir do crescimento do emprego regulado no início dos anos 2000, Cardoso sociologiza variáveis, transforma números em indivíduos imersos em suas escolhas e contextos sociais e, assim, renova o debate teórico acerca do emprego no país.
Durante a leitura, emerge de forma clara a intenção do sociólogo em revelar ao leitor as disparidades de idade, sexo, cor, classe social e escolaridade que se escondem por trás das análises frias, baseadas em estatísticas de renda e consumo, sobre a expansão do setor formal no país. Em cinco ensaios comprometidos com o rigor metodológico exigido daqueles que se aventuram em trabalhar com os temidos dados quantitativos, a imaginação sociológica se faz presente em todos os momentos. O autor identifica nas trajetórias ocupacionais, posições e possibilidades dos indivíduos no mercado de trabalho as evidências de uma inércia social, econômica e demográfica não facilmente solu-cionável. São as cicatrizes de uma história marcada por longos períodos de crise econômica e social no país.
No capítulo 1, Cardoso constrói uma teoria da informalidade. Para apresentá-la, ele utiliza uma metáfora na qual a ordem capitalista contemporânea surge como uma galáxia. Do centro emanam os principais mecanismos de coordenação: o mercado, o Estado, a informação. Próximos a ele, estão as zonas mais densas e reguladas, por analogia, o ambiente formal, enquanto nas regiões periféricas encontram-se as zonas de regulação rarefeita, nas quais os mecanismos estão presentes em menor densidade, sem no entanto se encontrarem ausentes. Esses são os espaços informais que têm a sociabilidade como o principal meio de coordenação.
Ao elaborar o sistema, o autor defende os dois principais argumentos da sua teoria: a afirmação da existência de continuidades entre os espaços formais e informais – na galáxia financeira da economia capitalista, o centro se alimenta da circulação de mercadorias da periferia, ao mesmo tempo em que a periferia sofre as influências vindas do centro. Aponta ainda a presença nos ambientes informais de mecanismos coordenadores apoiados na sociabilidade – sustentada nas relações sociais de confiança, ancoradas nas redes sociais e familiares e ligadas a outros fatores que não econômicos. O resultado é a desconstrução do conceito hegemônico de informalidade, que ignora as conexões existentes entre os vários elementos do sistema e confere status inferior ao que não é exclusivamente regulado segundo a lógica das normas e leis do Estado.
No capítulo 2, Cardoso avalia em profundidade, por meio da análise de amostras quantitativas disponíveis, as dimensões que perpassam a dificuldade do Brasil gerar boas ocupações. O diagnóstico é que o país apresenta fragilidades multidimensionais, em sua maioria estruturais, que impedem a sustentabilidade de taxas elevadas de crescimento. Ganha centralidade no capítulo o papel das zonas de regulação rarefeita na própria dinâmica do emprego e nas trajetórias de homens e mulheres segundo as faixas etárias. Os dados evidenciam que essas áreas são mobilizadas em momentos diferentes das biografias dos trabalhadores, em uma lógica que, segundo o autor, combina estratégias individuais e ofertas de oportunidades.
O capítulo 3, sob a forma de questão geradora, problematiza a percepção vigente no senso comum de que determinadas posições, vistas como degradadas, não são ocupadas por pessoas brancas. O olhar sobre os dados constata as raízes históricas dessa percepção e revela que, apesar das mudanças profundas vividas pela sociedade brasileira nas ultimas décadas, ela ainda encontra sustentação no ordenamento real das ocupações. O capítulo traz evidências que possibilitam afirmar sociologicamente que as piores ocupações são, de fato, o destino mais provável para pessoas que se declaram pretas, pardas ou indígenas. Cardoso identifica as razões na rigidez da estrutura ocupacional brasileira, na qual a permeabilização de pretos, pardos e índios nas melhores ocupações tem ocorrido de modo muito lento ao longo de décadas, concorrendo para a manutenção das hierarquias e desigualdades existentes. Conclui-se que não é possível compreender adequadamente a estrutura ocupacional, nem as oportunidades de acesso a ela no Brasil, sem menção às desigualdades raciais.
No capítulo 4, o autor propõe desvendar as dinâmicas relacionais da migração entre Rio de Janeiro e São Paulo. Parte-se da hipótese de que existiria um mercado de trabalho intermetropolitano ligando as duas cidades e com relevância significativa para compreensão da estrutura ocupacional dessas regiões. Seja pela incipiência de debates sociológicos sobre o tema, seja pelo caráter disperso das dinâmicas reveladas pelos dados, o capítulo aparece um tanto solitário e não corresponde à densidade teórica que perpassa os demais segmentos do livro. Apesar da constatação de que existe um fluxo significativo de migrantes entre Rio de Janeiro e São Paulo, variável segundo a natureza da ocupação, o argumento apresenta-se apenas como um tímido passo em direção a um debate ainda não fomentado.
Por fim, no capítulo 5, reconhecemos na figura do autor o status de pesquisador renomado na área de estudos sobre sindicalismo no Brasil. O capítulo é um rico dossiê acerca das correntes teóricas que marcaram os estudos desse campo. Ao reunir os fatores ‘racionalidade individual dos trabalhadores’, ‘contexto social e familiar’ e ‘percursos individuais’ para formular seu modelo de probabilidades de filiação a sindicatos, Cardoso traz ao debate um argumento consistente e inovador para compreensão dos processos atuais de sindicalização no Brasil. Nesse percurso, cada variável utilizada é cuidadosamente explicada em termos teóricos e metodológicos, o que faz com que o alcance da análise empreendida extravase os limites pretendidos, proporcionando ao leitor o contato profundo com a produção do conhecimento sociológico sobre o tema em questão, a partir de modelos quantitativos.
Adalberto Cardoso discorre sobre ciência de maneira lúdica e se faz entender por meio de números, teorias e metáforas. A grande riqueza da obra é, sem dúvidas, a capacidade do autor em trazer as análises, em grande parte baseadas em amostras numéricas de modo a ultrapassar tantas proposições duras e superficiais acerca do atual momento do capitalismo financeiro e do mercado de trabalho. Assim procedendo, o autor humaniza os processos, dando-lhes agentes, relações sociais e subjetividade.
Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro é um livro sobre relações sociais no sistema capitalista contemporâneo, que oferece dados valiosos para uma compreensão crítica da estruturação do mercado de trabalho do Brasil
durante os anos 2000. Leitura indispensável para aqueles pesquisadores interessados em refletir de maneira mais profunda sobre temas intensamente debatidos nas mesas e corredores dos congressos de sociologia do trabalho em todo o mundo.
Roberta Corôa – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: roberta.coroa@gmail.com
[MLPDB]20 anos dos Cadernos de História: periódicos, pesquisa histórica e divulgação científica / Cadernos de História / 2015
É com grande contentamento e intensa euforia que publicamos a edição comemorativa dos 20 anos dos Cadernos de História. Revista científica fundada no ano de 1995, atualmente vinculada ao Departamento de História e ao Centro de Memória e Pesquisa Histórica da PUC Minas, que por sua qualidade vem atraindo um número expressivo e crescente de submissões, acessos, usuários e leitores cadastrados.
Para marcar esta data especial, em alusão a trajetória da revista, apresentamos a nota histórica Cadernos de História PUC Minas: vinte anos de um projeto em construção. Elaborada pela professora Heloisa Guaracy Machado, idealizadora e abnegada colaboradora dos Cadernos de História, em parceria com o Editor Adjunto Rafael Pacheco Mourão, responsável pelo processo técnico, pela editoração e por outras etapas até a publicação final da revista. Os historiadores apresentam relevantes informações, direcionamentos seguidos, decisões tomadas e dados estatísticos, ao percorrer objetivamente as fases da revista, mas sem perder a perspectiva memorialística, retomar certas situações e prestar deferência a outras pessoas cuja contribuição foi fundamental para a continuidade dos trabalhos deste periódico. Fato é que o tempo em que Heloisa Guaracy Machado esteve à frente como Editora Gerente se confunde com a própria história dos Cadernos de História. O mesmo se aplica ao Editor Rafael Pacheco Mourão, que além de suas atividades no Centro de Memória, dedica-se com afinco no campo editorial dos Cadernos de História e presta consultoria para outros periódicos da instituição.
Em seguida, trazemos uma seção específica reunindo artigos voltados ao papel desempenhado pelos periódicos científicos no campo acadêmico. No primeiro artigo, de Miguel Ángel Márdero Arellano e Maria de Fátima Duarte Tavares, intitulado Preservação do patrimônio científico das humanidades: a emergência da Rede Cariniana, os autores apresentam as transformações e as novas demandas sofridas pelas revistas científicas nas últimas décadas ao adaptarem suas publicações às plataformas digitais. Os pesquisadores elencam as ferramentas estratégicas utilizadas no processo de editoração eletrônica no país diante do propósito de assegurar credibilidade aos periódicos científicos e o respectivo reconhecimento na comunidade acadêmica. Diante disso, os autores abordam especificamente a Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital – CARINIANA, iniciativa oficial vinculada ao instituto de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, cujo objetivo é a produção e socialização de sistemas de informação e, portanto, a preservação de periódicos eletrônicos em curso no Brasil.
Os artigos seguintes, O Guayba: o papel do jornalismo literário na formação dos jovens sul-grandenses em Porto Alegre (1856-1858) e Como ler uma revista ilustrada? Proposta metodológica para o estudo dos periódicos ilustrados publicados no Brasil oitocentista, dos respectivos autores, Carla Renata Antunes de Souza Gomes e Guilherme Elias de Figueiredo, alinham-se as interpretações sob o bojo da história cultural em suas práticas e representações ao analisar discursivamente periódicos e revistas publicadas no Brasil oitocentista. O texto de Carla Renata Antunes de Souza Gomes investiga o compartilhamento de ideias e aspirações de grupos letrados da capital da província do Rio Grande do Sul através da leitura do O Guayba, periódico literário que circulou durante a segunda metade do século XIX na cidade de Porto Alegre. Já o artigo de Guilherme Elias Figueiredo tem o propósito de ampliar metodologicamente os horizontes interpretativos sobre as ilustrações que integram as publicações impressas, favorecendo o diálogo entre o texto e as imagens contidas nas revistas ilustradas.
O artigo Na trilha do Monde Diplomatique: intelectuais, imprensa e perspectiva crítica, de autoria de Juliana Sayuri Ogassawara, também se alinha às publicações desta primeira seção dedicada aos estudos sobre as possibilidades de leitura, de metodologia e de procedimentos técnicos voltados aos impressos periódicos. Em sua pesquisa, a pesquisadora cerca-se de amplas fontes coletadas em língua francesa com o objetivo de analisar o suplemento periódico diplomático francês Le Monde, notabilizado por priorizar a temática das relações internacionais. Fundamentada pela história política, intelectual e do tempo presente, Juliana Sayuri Ogassawara analisa as categorias discursivas do periódico a partir da trajetória e do direcionamento de sua linha editorial em distintas conjunturas históricas do jornal.
A primeira seção é finalizada com o artigo de Adriana Angelita da Conceição, Entre o ofício e a amizade: o discurso epistolar do vice-rei 2º marquês do Lavradio no século XVIII. Neste trabalho não são os periódicos o ponto central de sua pesquisa, mas sim as correspondências remetidas pela monarquia portuguesa, em especial pelo vice-rei do Estado do Brasil, D. Luís de Almeida. A autora segue a trajetória metodológica nos trabalhos aqui apresentados ao analisar as categorias discursivas presentes nas cartas epistolares, considerando-as importantes ferramentas do governo, ao possibilitar que ordens e demais demandas administrativas pudessem ser atendidas em âmbito local e além-mar.
A presente edição conta também com a nota de pesquisa A preservação de acervos históricos no Estado de Minas Gerais: Projeto Memorial da Imprensa de Uberaba – criação da hemeroteca digital do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, dos pesquisadores Vilma Moreira Santos, Thiago Veloso Vitral e Alessandra Palhares. Nesse sentido, destaca-se a importante iniciativa em reunir, organizar, catalogar e preservar o patrimônio documental, ação louvável que certamente irá contribuir para futuras pesquisas.
Em seguida, com a finalidade de contemplar o propósito abrangente e plural da revista, segue-se a seção destinada a temática livre. Os autores Norberto Tiago Gonçalves Ferraz e Fernanda Fioravante Kelmer Mathias lançam múltiplos olhares sobre o século XVIII em valiosas pesquisas arquivísticas. O primeiro, no artigo Os legados pios perpétuos confraternais na cidade de Braga no século XVIII, pesquisa nesta localidade portuguesa setecentista as doações para celebração de missas e outros serviços post mortem encomendados pelo testador para o bem de sua alma e de seus familiares. Esses legados pios estiveram vinculados às confrarias bracarenses que se encarregaram da manutenção, reprodução e contemplação aos titulares de direito e suas respectivas gerações. Já Fernanda Fioravante Kelmer Mathias, em seu artigo Estudo comparativo das receitas das câmaras de Vila Rica e Vila de São João del-Rei, 1719-1750, estuda a realidade setecentista do ambiente das Minas Gerais. A pesquisadora analisa sistematicamente os orçamentos de dois importantes núcleos urbanos mineradores do período colonial através das receitas arrecadatórias de suas câmaras municipais.
Os artigos seguintes também pesquisam o ambiente das Minas Gerais, porém, destacam o contexto histórico oitocentista em distintas temporalidades e realidades. João Lucas Rodrigues, autor de O parentesco escravo nas terras da família Maia: sul de Minas, 1811 a 1860, analisa a construção das relações familiares e das alianças de compadrio em tradicional família daquela localidade. Em outro artigo intitulado Identidade, modernidade e escrita eclesiástica em tempos de Reforma Ultramontana, Tiago Pires fundamenta-se no estudo de categorias discursivas e identitárias para analisar as narrativas de fé na escrita eclesiástica da Diocese de Mariana no período de 1855 a 1902. Complementando os estudos sobre o século XIX, publicamos o trabalho de José Alberto dos Santos Marques, Emigração portuguesa para o Brasil nos fins do século XIX, que lança mão de rico acervo documental do Fundo do Governo Civil de Lisboa para analisar as motivações e os vínculos estabelecidos no processo de imigração portuguesa em terras brasileiras.
Integram ainda a edição artigos que destacam o Brasil contemporâneo. O trabalho de Lara Vanessa de Castro Ferreira, intitulado Políticas anti-migratórias e ativismo “retirante”: tessituras entre trabalho e migração nas obras públicas em tempos de secas no Ceará (década de 1950), pontua que os retirantes nordestinos atuaram como protagonistas em frentes de trabalho das obras estruturais promovidas pelo poder público de combate a seca naquela região do país. Já o texto Norte de Goiás: terra de esperança, conflitos e frustrações, de autoria de Carlos Alberto Vieira Borba, apresenta os conflitos agrários resultantes do descompasso entre demanda e acesso a terra no norte goiano durante os anos 1950-60, tendo em vista a ocupação territorial estimulada pela campanha do governo federal “Marcha para o Oeste” a partir da década de 1940. Finaliza esta seção o artigo de Reginaldo Cerqueira Sousa, Práticas de esporte, educação física e educação moral e cívica na Ditadura Militar: uma higiene moral do corpo. O pesquisador retoma a temática do período do governo militar no país a partir do estudo das bases de apoio ao regime ditatorial, destacando-se a reestruturação do ensino como estratégia governista direcionada a juventude para a constituição do ideário nacionalista baseado nas práticas esportivas e na educação moral e cívica.
Encerrando o número, temos a tradução Modernolatria, realizada por Júlio Bernardo Machinski. Trata-se da tradução do capítulo central do livro Modernolatria et Simultaneità: recherches sur deux tendences dans l’avant-garde littéraire en Italie et en France à la veille de la première guerre mondial, do historiador sueco Pär Bergman. Tradução inédita do pioneiro estudo clássico sobre as tendências do movimento futurista no início do século XX, originalmente publicado em 1962. A nosso ver essa tradução será de grande valia para os historiadores das artes, dos movimentos culturais e das ideias estéticas.
Agradecemos ainda as pessoas que tornaram possível essa publicação: a equipe do Setor de Revisão, especialmente, Daniella Lopes, Priscila Campello e Laila Xavier; a equipe do Setor de Periódicos da Biblioteca Pe. Alberto Antoniazzi, sobretudo, Alda Verônica Goes e Roziane Michielini; o excelente trabalho gráfico de Leandro Abreu; o suporte cotidiano dos funcionários e estagiários do Centro de Memória e de Pesquisa Histórica da PUC Minas; e por fim, o apoio do Chefe do Departamento de História da PUC Minas, Edison Gomes, e dos professores do Colegiado do Curso de História, Jacyra Antunes, Cristiano Garotti e Julia Calvo.
Por conta desta edição comemorativa, ultrapassamos a extensão usual dos editoriais dos Cadernos de História. Entendemos que o volume 16, número 25, apesar de constituir uma edição comemorativa, conseguiu, por um lado, evitar o excesso memorialista sem deixar de prestar homenagens aos editores e colaboradores da revista, comissões editoriais e equipes técnicas, e por outro, manter a proposta da revista em apresentar instigantes discussões promovidas pelos pesquisadores que aqui enviaram suas contribuições para esta publicação. Parabéns Cadernos de História!
Marcelo de Araújo Rehfeld Cedro – Professor doutor. Editor Gerente dos Cadernos de História da PUC Minas.
CEDRO, Marcelo de Araújo Rehfeld. Editorial. Cadernos de História. Belo Horizonte, v.16, n.25, 2015. Acessar publicação original [DR]
História Social e do Trabalho | PMT | 2015
A Revista Piauiense de História Social e do Trabalho (2015-) é um periódico científico de acesso livre e gratuito, de edição semestral, vinculado à Plataforma Mundos do Trabalho – Piauí, que tem como objetivo facilitar e difundir investigações teóricas, pesquisas e resenhas que contenham análises, críticas e reflexões sobre História Social e os Mundos do Trabalho, a nível urbano e rural (com ênfase no Estado do Piauí), nas mais diversas temporalidades e temáticas variadas, como: Formação do mercado de trabalho, trabalho escravo, diversificação do mundo do trabalho, movimento operário, imprensa operária, cultura operária, dentre outros temas.
As propostas para publicação devem ser originais, não tendo sido publicadas em qualquer outro veículo do país. Publicam-se artigos em português. Todos os números são divulgados por meios digitais, estando disponíveis online pelo seu site. A RPHST está avaliada com o Qualis “B3” para os anos 2017-2018.
Acesso livre
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Educação a Distância. Batatais, v.5, n.1, jan./jun. 2015.
Expediente
- Ambiente informatizado em rede: comportamentos nos espaços de aprendizagem
- Maria Alice de SOUZA
- Randal FARAGO
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- Um estudo sobre o impacto do material didático no processo de ensino e aprendizagem na EaD
- Cátia Aparecida RIBEIRO
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- Do texto (material impresso) ao hipertexto (mídias e recursos telemáticos) na EaD
- Joice Cristina MICAI
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- Uma abordagem interacionista da Educação a Distância: as possíveis relações e interações socioafetivas desenvolvidas na EaD
- Alecio Borges dos SANTOS
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- A importância da afetividade no processo de aprendizagem na EaD
- Elaine Aparecida de Lima MORAES
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- As competências básicas do tutor na Educação a Distância
- Eduardo CASARIN
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Em Perspectiva | UFC | 2015
A revista eletrônica Em Perspectiva (Fortaleza, 2015-) é um periódico gratuíto, de publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Ceará (UFC). A Revista tem por objetivo estimular a produção intelectual no âmbito da História Social, campo da pesquisa em História, cujas abordagens apreciam análises em torno das experiências dos sujeitos históricos, a partir da qual a problematização das noções de história, sujeito e sociedade emergem enquanto vias fundamentais para a compreensão do passado e de suas representações.
Pretende-se publicar artigos que, em diálogo com outras áreas do conhecimento, discutam categorias temáticas atreladas as relações entre: memória e temporalidade, cultura e poder, migração e trabalho, bem como outras abordagens.
Periodicidade semestral
Acesso livre
ISSN 2448-0789
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Ensino de História / Contraponto / 2015
A proposta do dossiê Ensino de Historia da revista Contra Ponto procurou proporcionar um debate no campo da história e da história da educação, entre suas diversas interfaces por meio da publicação dos artigos aqui presentes, o objetivo foi trazer uma ampla reflexão sobre os diversos aspectos da História no âmbito da experiência do fazer docente e o campo da História e da História da Educação.
Por meio do estudo da História podemos entender que houve uma apropriação desta pelo diversos sujeitos, entre eles os educadores, como fonte de formação de uma sociedade com fins a elaborar um ideal de identidade. De igual forma o ensino de História foi sendo continuamente estruturada pelo Estado desde o século XIX com fins a forma igualmente um discurso de Nação.
Desde a criação das primeiras universidades na década de 30, esta passou a ser uma matriz necessária para o desenvolvimento do ensino de História, possibilitando novas atitudes sobre o passado e o presente da sociedade brasileira, esse caminhar da História em grande parte encontra-se permeada pelas diversas tendências que de alguma forma contribuíram para a compreensão da Historia como Ciência e ou Disciplina, no entender de Veyne (1998, p. 11).
Na atualidade a história esta aberta a outras ciências, o que nos faz afirmar que ela não se encerra na própria narrativa, ao contrario ela mantem um amplo compromisso intelectual com a sociedade, é com esse objetivo que os estudos que compõem o presente dossiê se propõem.
Este dossiê de alguma forma procurou privilegiar trabalhos que relatam aquilo que esta sendo realizado sobre o ensino de História no Brasil, os trabalhos aqui presentes propõe também um novo olhar sobre a sociedade.
Os capítulos deste dossiê incluem discussões sobre: Os conceitos meta-históricos; Os novos desafios ao ensino de história; A identidade étnica; A literatura de cordel no ensino de História; E sobre o ensino de história enquanto problema teórico. Por fim os artigos livres com uma gama de trabalhos que perpassa pelos viajantes do Piauí oitocentista; A literatura de Germinal: e a classe trabalhadora francesa; A presença do governo militar no interior do Piauí na década de 70; O choque da presença portuguesa no processo de colonização e por fim; A saga de Maria Firmina na sociedade oitocentista.
Convido a todos para apreciarem os estudos.
Boa Leitura.
Referência
VEYNE, Paul. Como se escreve a história; Foucault revoluciona a história. 4ª ed., Brasília: Editora UNB, 1998.
Johny Santana de Araújo
Editor Chefe
ARAÚJO, Johny Santana de. Apresentação. Contraponto, Teresina, v. 4, n. 1, fev., 2015. Acessar publicação original [DR]
História e Cultura / Contraponto / 2015
Apresentamos à comunidade acadêmica dos pesquisadores da área de História e das ciências humanas de modo geral o Dossiê História e Cultura, enfocando diferentes objetos de pesquisa, os fundamentos teóricos e procedimentos metodológicos que orientam a construção do conhecimento.
Entendemos que a relação entre história e cultura é indissociável, pois enquanto a História arrisca-se a investigar a elaborar narrativas sobre os fazeres humanos ao longo do tempo, a cultura é a construção e o acúmulo de todas as experiências e vivências socialmente erigidas da espécie humana, em intima relação com a natureza. A experiência humana é dinâmica e propicia um contínuo processo de adaptação, mudanças, acomodações empreendidas, em grande medida, pela alteridade, e de transmitir nossas experiências para as gerações futuras, daí resulta o seu caráter cumulativo e transformador.
Vale ressaltar ainda que as pesquisas atuais que utilizam chaves interpretativas da História Cultural ou da História Social da Cultura já privilegiam as diversas dimensões da cultura material e imaterial, produzidas em grande medida, pela multiplicidade de manifestações, pela perspectiva interpretativa dos fatos e símbolos, pelos quais um conjunto de signos e significados pertencentes a grupos sociais se misturam e se entrelaçam na formação da cultura. Interessa, portanto aos pesquisadores da cultura, uma interpretação e vivência da mesma como processo fervilhante de experiências individuais e coletivas, que se inserem no campo simbólico e da materialidade e vão preservando, acrescentando, retirando e dando continuidade a manifestação cultural a qual fazem parte.
É desafiador para os historiadores entender a estreita relação entre as práticas culturais e as variadas formas de poder dos produtores e consumidores da cultura. Neste sentido, a cultura não é apenas “um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos; ela é um contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos de forma inteligível, isto é, descritos com densidade” (GEERTZ, 1989, p. 20).
A concepção de cultura como construção densa também denota seu caráter amplo, complexo e circular. Em relação a essa problemática é sabido que a circularidade cultural resolve, em grande parte, a querela de separação entre cultura popular e cultura erudita, sendo que ao longo dos anos ambos compartilham de seus conceitos e práticas.
Percebemos as possibilidades de análise histórica da cultura por meio dos trabalhos publicados no presente dossiê, que não serão resumidos nesta apresentação, sob risco do reducionismo e superficialidade, portanto deixamos o desafio hermenêutico aos leitores, com profundo desejo que os textos sejam socializados, utilizados em salas de aulas, em monografias, dissertações e teses.
Boa leitura.
Francisco de Assis de Sousa Nascimento – Universidade Federal do Piauí – UFPI
NASCIMENTO, Francisco de Assis de Sousa. Apresentação. Contraponto, Teresina, v. 4, n. 2, ago., 2015. Acessar publicação original [DR]
Tiempo Histórico. Santiago, n.10, 2015.
Editorial
Artículos
- UN ESCENARIO PARA DOS ACTORES: COMERCIO FORMAL E INFORMAL, LA DOBLE ARTICULACIÓN DE LA JUSTICIA (SANTIAGO DE CHILE, 1796-1797)
- Francis Goicovich
- HISTORIAS Y SILENCIOS: HISPANOAMERICA Y LA INTERVENCIÓN FRANCESA EN MÉXICO
- Matías Sánchez Barberán
- VENTAS DE TIERRAS MAPUCHES EN LOS PREÁMBULOS DE LA PACIFICACION DE LA ARAUCANIA: NACIMIENTO, 18641866.
- Leonardo León Solís
- MEMORIAS DE AGUA. LAS ORGANIZACIONES DE USUARIOS FRENTE A LA ESCASEZ EN LA CUENCA DE CHICUREO, COLINA (1962-2015).
- Chloé Nicolas-Artero
- FREDDY TABERNA, ANTROPOLOGÍA PARA LA REVOLUCIÓN
- Carlos María Chiappe
Reseñas
- David González Cruz (ed.), REPRESIÓN, TOLERANCIA E INTEGRACIÓN EN ESPAÑA Y AMÉRICA. EXTRANJEROS, ESCLAVOS, INDÍGENAS Y MESTIZOS DURANTE EL SIGLO XVIII.
- Fernando Ciaramitaro, Marco Reyes Lugardo
- Rodrigo Henríquez, EN ‘ESTADO SÓLIDO’. POLÍTICAS Y POLITIZACIÓN EN LA CONSTRUCCIÓN ESTATAL. CHILE, 1920-1950.
- Juan Carlos Yáñez Andrade
- Vania Cárdenas, EL ORDEN GAÑÁN. HISTORIA SOCIAL DE LA POLICÍA. VALPARAÍSO: 1896-1920.
- Camilo Plaza Armijo
- Jaime Valenzuela Márquez, FIESTA, RITO Y POLÍTICA. DEL CHILE BORBÓNICO AL REPUBLICANO.
- Marco Feeley
Tiempo Histórico. Santiago, n.11, 2015.
Editorial
Artículos
- Entre el malón, el comercio y la diplomacia: dinámicas de la política indígena en las fronteras pampeanas (siglos XVIII y XIX). Un balance historiográfico.
- Ingrid de Jong
- Violencia patronal, mayordomos y policías; Paternalismo patriarcal en la cuenca carbonífera. Lota, 1910-1920.
- Oscar Eduardo Peñafiel Arancibia
- Chile en la Sociedad de las Naciones. Urdiendo la defensa del ‘Factor Territorial’ ante la amenaza de Perú y Bolivia
- Jorge Alfaro Martínez
- La Empresa de Transportes Colectivos del Estado en Santiago y Valparaíso. Política pública e impactos urbanos durante el desarrollismo, 1953 – 1960.
- Simón Castillo Fernández, Waldo Vila Muga
- “Busquemos Oro”. Trabajo, lavaderos de oro y ayuda fiscal durante tiempos de crisis, Chile 1930-1936
- Ángela Vergara Marshall
- Los vecinos de villas: El problema y la política habitacional de los sectores de ingresos medios. Santiago de Chile, 1952-1964.
- Boris Cofré Schmeisser
- En la búsqueda de las memorias subterráneas: relatos de vida militantes en las novelas rodriguistas de la post dictadura.
- Renato Dinamarca Opazo
Reseñas
- La historia mínima de Chile
- José Antonio González
- El corresponsal de Huáscar. Crónicas de Julio Octavio Reyes.
- Giannina Miranda Wilson
Penance in Medieval Europe 600-1200 – MEENS (Tempo)
MEENS, Rob.. Penance in Medieval Europe 600-1200. Cambridge: Cambridge University Press, 2014. Resenha de: FARRELL, Elaine Cristine dos Santos Pereira. As diferentes facetas da Penitência. Tempo v.21 no.37 Niterói jan./jun. 2015.
Penitência é um tópico popular atualmente entre os medievalistas. Isso não é surpresa, já que penitência tem sido um aspecto importante da religiosidade Cristã desde a Antiguidade tardia e um tema presente na maioria dos gêneros literários medievais. Ao contrário, o que deveria estarrecer é a falta de interesse no tema.
Felizmente, vários pesquisadores distintos têm devotado atenção a esse assunto nas últimas décadas. A penitência tem sido investigada sob diferentes perspectivas como a sua teologia, mas, talvez, ainda mais importante, a sua prática2. O recente interesse de acadêmicos na literatura penitencial está intrinsicamente relacionado a esse tema. Depois das publicações de John McNeill e Thomas Oakley nas décadas de 1920 e 1930, esse gênero foi relativamente negligenciado por algum tempo, até que nas décadas de 1970 e 1980, pesquisadores reavaliaram a importância dos penitenciais para os estudos históricos (McNeill, 1923; Oakley, 1923).
O reavivamento do interesse em arrependimento, confissão e penitência é concorrente com o crescimento da popularidade da história das mentalidades e história cultural, que trouxe para o seio dos debates históricos aspectos da vida que não eram frequentemente visitados por historiadores anteriormente (Meens, 1997, p.74; Vainfas, 1997, p.127-162). Ainda mais recente, o estudo da penitência tem sido reconectado ao campo da história do poder e ideias políticas, mas de uma forma diferenciada. A penitência tem sido investigada sob o ângulo da negociação de conflitos e disputas, um campo de estudo que tem ganhado atenção recentemente (Meens, 2014, p. 6, 10). A troca de ângulo e de perspectiva igualmente não deveria causar surpresa, visto que a maneira a qual os historiadores compreendem o poder e o estudam, também tem mudado.
Como Marcelo Cândido bem apresentou, “essa ‘Nova História Política’ não enxerga o poder apenas como uma forma de controle sobre homens ou sobre estruturas” (Silva, 2013, p. 101), mas esta também se ocupa das relações sociais e das relações entre pessoas e coisas, ou em outras palavras, como as pessoas se apropriam das coisas. A história do poder é hoje em dia feita em aproximação à história da cultura e da antropologia.
Penitência é um assunto que está relacionado a diversos aspectos da vida. Ela é relacionada à religião, e, portanto, à cultura, ao poder, pois está ligada a instituições e, algumas vezes, também à economia, pois, por exemplo, indivíduos são recomendados a cumprir penitência por roubo. Entretanto, foi no contexto dos estudos do conflito e com uma abordagem sociocultural que Rob Meens escreveu sobre penitência. Trabalhos anteriores, tais como The Penitential State da Mayke de Jong, já mesclaram história das religiões com política e demonstraram que penitência pode ser um instrumento útil na negociação de conflitos. A obra de Meens aborda principalmente esse aspecto da penitência, analisando a sua prática desde a Antiguidade tardia até o século XII, levando em consideração os distintos centros e contextos da produção penitencial.
A introdução do livro de Meens familiariza o leitor com os principais debates sobre a prática da penitência e argumenta pela centralidade da prática da confissão e penitência à natureza da religiosidade medieval (Meens, 2014, p. 1-11). O capítulo dois inicia na virada do século VI. Este evidencia que importantes escritores religiosos medievais contribuíram para gerar a ideia de que penitência é um instrumento essencial para a expiação de pecados. Indivíduos como João Cassiano, Tertuliano, Dionísio Exíguo e Sozomeno, dentre outros, foram agentes centrais nesse processo (Meens, 2014, p. 15-25). Meens também demonstra que a Gália no século VI não era uma terra infértil para penitência; ao contrário, pecado era considerado um problema grave e a importância da penitência enfrentada com seriedade nos concílios gauleses (Meens, 2014, p. 26-34).
A transição entre os capítulos dois e três levanta um dos argumentos centrais do livro: o fato de que não há diferenças essenciais entre os modos gaulês e irlandês de praticar penitência. Isso contribui para desconstruir um argumento que foi mantido por várias décadas, o de que o Cristianismo irlandês desenvolveu uma forma de penitência privada, que estaria oposta à penitência pública.
Todos os pesquisadores desenvolvendo a dita “nova história da penitência” como Meens, Jong e Sarah Hamilton, têm argumentado que o conceito de penitência secreta não existia na Alta Idade Média, e, que é, portanto, uma construção historiográfica (Hamilton, 2001, p. 3-25; Jong, 1997, p. 894-902). É um fato que o gênero de livros penitenciais é produto do mundo insular do século VI, mas as formas de expiar os pecados e praticar penitência descritas nestes são bastante próximas às praticadas na Gália do século VI ou pelos pais da Igreja (Meens, 2014, p. 38-69). Nesse capítulo, Meens apresentou o argumento de que os cânones penitenciais irlandeses indicam que os clérigos tiveram um papel importante na resolução de disputas, pois eles agiram como árbitros nos casos de “pecados sociais”, tais como infrações sexuais e casos de violência. Frequentemente, a penitência em si em adição de pagamento em espécie, contrato matrimonial e retribuição em trabalho funcionaram como formas de satisfação às partes ofendidas em conflitos. Adicionalmente, ele enfatiza que as hagiografias podem contribuir para lançar luz sobre como a penitência teria, talvez, sido praticada na vida real. A Vitae Columbae, por exemplo, fornece histórias sobre pecadores que buscaram uma vida de penitência debaixo da instrução do São Columba em Iona, uma ilha nas margens da Escócia, mas que, naquela época, era conectada ao mundo irlandês. Os pecados sendo extirpados nessas anedotas ilustram circunstâncias mencionadas nos cânones penitenciais, tais como incesto e assassinato, por exemplo (Meens, 2014, p. 64-69).
O capítulo quarto trata do impacto da literatura penitencial insular no reino Franco e na Inglaterra. Columbano, o peregrino irlandês, contribuiu para popularizar o gênero no continente e a vida escrita sobre Fursa, outro peregrino irlandês que também discute penitência e a purgação de pecados (Meens, 2014, p. 70-81). Nesse mesmo capítulo, a íntima relação entre penitenciais e a literatura canônica é demonstrada. No mundo gaulês, a Collectio Vetus Gallica, ao mesmo tempo, foi influenciada e influenciou os livros penitenciais (Meens, 2014, p. 71, 96), e, no mundo anglo-saxão, a compilação dos ensinamentos de Teodoro de Canterbury reflete a simbiose entre esses dois gêneros (Meens, 2014, p. 88-96).
O capítulo seguinte está fortemente ligado ao anterior, visto que este discute penitência dentro do mundo carolíngio no contexto das ditas reformas. Wilibrordo e Bonifácio tiveram um importante papel nas reformas religiosas e nas empreitadas evangelísticas em processo na borda norte do reino. Portanto, Meens mantém que Wilibrordo e Bonifácio talvez estivessem envolvidos na produção de textos penitenciais, tais como o Paenitentiale Oxoniense II e o Excarpsus Cummeani, respectivamente. Bonifácio tinha fortes conexões com Corbie, de onde a Collectio Vetus Gallica é proveniente (Meens, 2014, p. 102-111). Meens destaca, ainda, que este foi um período de intensa produção de novos livros penitenciais e cópia de anteriores (Meens, 2014, p. 102, 139). De fato, é graças aos esforços carolíngios que a literatura penitencial sobreviveu. Meens argumenta que os compiladores dos penitenciais carolíngios expandiram consideravelmente o número de cânones que lidam exclusivamente com ofensas laicas, ampliando, assim, o caráter pastoral desses textos (Meens, 2014, p. 104).
No capítulo sexto, há uma mudança de cenário. Livros penitenciais estavam sendo produzidos também fora do mundo insular e carolíngio, em lugares como Espanha e Itália, mas como Meens frisa, as circunstancias políticas sob as quais a literatura penitencial floresceu nesses lugares eram diferentes (Meens, 2014, p. 164).
Três dos penitenciais espanhóis têm, dentre outras fontes, textos carolíngios como base, tais como o Excarpsus Cummeani. Entretanto, os penitenciais espanhóis são encontrados em manuscritos ricamente iluminados, indicando que eles não foram redigidos com fins pastorais (Meens, 2014, p. 164-70). Esses textos e sua relevância não foram exaustivamente estudados e ainda há penitenciais espanhóis que não foram estudados (Meens, 2014, p. 171-172). Além de explorar as abordagens espanholas e italianas quanto à penitência, Meens discute nesse capítulo o impacto dos trabalhos de Regino de Prum e Burcardo de Worms, e examina a prática da penitência entre as aristocracias (Meens, 2014, p. 141-154). Essa é outra parte chave do livro na qual exemplos de penitência funcionando como forma de instrumento de reconciliação de conflitos políticos são exibidos. Um dos exemplos fornecidos é o caso de Henry VI, a quem o papa Gregório VII havia excomungado. Devido à situação política instável da Itália, Gregório sentiu-se ameaçado pelos oponentes de Henry e decidiu restaurá-lo como membro da comunidade cristã através do cumprimento de penitência (Meens, 2014, p. 182-185).
O último capítulo lida com o século XII. Neste, o impacto dos trabalhos de indivíduos como Pedro Abelardo e Bartolomeu de Exeter são considerados (Meens, 2014, p. 119-213). Meens justifica bem a decisão de limitar seu estudo ao século XII, baseado em dois argumentos: o primeiro é o fato de que, após o século XII, os livros de penitência deixaram de ser copiados; segundo, porque o surgimento das escolas catedráticas e das universidades propiciou avanços nas discussões sobre os melhores mecanismos para corrigir comportamentos considerados pecaminosos e, como consequência desse processo, estudiosos buscaram distinguir entre direito canônico e literatura pastoral (Meens, 2014, p. 191-192). Pessoas como Burcardo de Worms, por exemplo, não pensava nesse tipo de distinção, portanto, esta foi uma mudança produzida no século XII (Meens, 2014, p. 191).
Penance in Medieval Europe de Meens é uma esperada contribuição ao campo. A obra traz um olhar novo sobre a penitência na Idade Média, através da análise desta sob o ângulo dos estudos de conflito. Ao mesmo tempo, este é um livro didático que dialoga e resume o conhecimento produzido nas últimas décadas sobre penitência tanto por Meens quanto por outros pesquisadores.
Essa obra é, portanto, uma leitura indispensável tanto para os especialistas em penitência quanto para os iniciantes nesse campo de estudo. A obra não apenas discute penitência nos livros penitenciais, mas em uma rica variedade de gêneros literários, em diferentes séculos e em contextos diversos da Europa Ocidental. Desse modo, a obra evidencia a multiplicidade de maneiras possíveis para se extirpar pecados na Idade Média e a centralidade da penitência nos discursos cristãos. Esse belo trabalho é fruto de anos de pesquisa no campo e de muita erudição.
Referências
HAMILTON, Sarah. The Practice of Penance, 900−1050. London: The Boydell Press, 2001. [ Links ]
JONG, Mayke de. What was Public about Public Penance? Paenitentia Publica and Justice in the Caroligian World, Settimane, vol. 44, nº 2, p. 894-902, 1997. [ Links ]
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MEENS, Rob. Penance in Medieval Europe 600-1200. Cambridge: Cambridge University Press, 2014. [ Links ]
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VAINFAS, Ronaldo. História Das Mentalidades e História Cultural In: Domínios da História: Ensaios de Teoria e Metodologia, Ciro F. Cardoso and Ronaldo Vainfas (eds.), Rio de Janeiro: Editora Campus, 1997. p.127-162. [ Links ]
Para uma revisão detalhada da historiografia, ver Meens, 2008.
Elaine Cristine dos Santos Pereira Farrell – Professora do Departamento de História da Universidade de Utrecht e University College Dublin – Utrecht- Holanda. E-mail: elainepereirafarrell@gmail.com.
As irmandades de São Miguel e Almas do Purgatório: culto e iconografia no setecentos mineiro – CAMPOS (Tempo)
CAMPOS, Adalgisa Arantes. As irmandades de São Miguel e Almas do Purgatório: culto e iconografia no setecentos mineiro. Belo Horizonte: C/Arte, 2013. Resenha de: MARTINS, William de Souza. Almas santas e aflitas nas Minas setecentistas. Tempo v.21 no.37 Niterói jan./jun. 2015.
Quando a primeira versão deste trabalho veio à luz em 1994, constituída pela Tese de Doutorado apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, sob a orientação de Laura de Mello e Souza, tornou-se fonte de consulta indispensável aos especialistas do catolicismo no período colonial, particularmente aos interessados nas manifestações litúrgicas ligadas ao momento da morte. Desde então, a autora, professora titular do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais, publicou uma grande variedade de trabalhos dedicados, entre outros temas, ao culto aos santos e aos rituais da Paixão de Cristo, passando pela análise das representações iconográficas realizadas nas capelas e matrizes mineiras. A publicação da principal obra de Adalgisa Arantes Campos vem preencher uma lacuna importante no campo de estudos em que se situa e, além disso, coloca ao alcance de um círculo maior de leitores reflexões acerca dos rituais católicos do século XVIII que continuam válidas.
A autora estabelece um diálogo importante com a historiografia francesa, a quem cabe o pioneirismo no desbravamento deste campo temático, particularmente Michel Vovelle (1978; 2010), Jacques Le Goff (1993), Philippe Ariès (2014) e Jacques Chiffoleau (2011). Os três primeiros autores são considerados bastante representativos da chamada “história das mentalidades”, que priorizou o estudo das representações coletivas que adquiriam permanência na “longa duração”, conforme definição clássica de Fernand Braudel. A historiografia portuguesa é também visitada, com destaque no capítulo que dedica à análise da iconografia e da devoção às Almas em Portugal. Trata-se de um diálogo crítico, que rejeita a aplicação mecânica ao território das Minas coloniais de modelos de interpretação elaborados para as realidades do Velho Mundo.
Conforme argumenta Adalgisa Arantes Campos, existiram diversas especificidades do culto às Almas e das manifestações litúrgicas associadas à morte nas Minas entre 1712 e 1810, o recorte escolhido pela autora. Para compreendê-las, é indispensável ter em mente certas características da ocupação daquele território, marcada no primeiro quartel do século XVIII pela grande opulência material propiciada pelo ouro, ao qual se seguiu um lento e, depois de 1750, vertiginoso declínio. A proibição de fixação de ordens regulares na capitania teve o efeito de diminuir a quantidade de sacerdotes disponíveis para a celebração de missas, ofícios e outros rituais fúnebres associados às Almas do Purgatório. Paralelamente, devido à inexistência de mosteiros e de conventos, o culto às Almas ocupou os altares de capelas e de matrizes paroquiais, sobressaindo estas últimas, onde foram instaladas quase todas as irmandades que veneravam o Arcanjo São Miguel e as Almas do Purgatório.
No que diz respeito à leitura dos aspectos sociais e culturais mais amplos que nortearam a colonização daquele território, a autora se valeu de uma rica tradição de estudos do “barroco mineiro”, em que avultam as edições patrocinadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.1 Ao lado desse conjunto de estudos, a autora dialogou também com as obras que analisaram a atuação das irmandades na capitania das Minas (Salles, 1963; Boschi, 1986; Aguiar, 1997, p.80-106). Talvez um dos maiores méritos da obra resida na combinação das abordagens próprias da história da arte, aplicadas à análise das manifestações e dos modelos iconográficos, e da história social do território e das associações que veneravam as Almas do Purgatório e o Arcanjo São Miguel.
Da perspectiva das fontes escolhidas para a análise, a autora realiza um verdadeiro tour de force: fontes escritas de natureza normativa e litúrgica; farta documentação iconográfica; documentação de diferentes irmandades sob a invocação de São Miguel e Almas do Purgatório; tratados de meditação e oração, sermões e literatura. A escolha de material tão diversificado poderia conduzir à dispersão ou à análise superficial do material empírico. Pelo contrário, procedendo a partir da comparação, a análise sistemática dos detalhes produz uma visão orgânica do culto às Almas do Purgatório e dos rituais funerários na região das Minas. Estruturando a obra em cinco capítulos, pareceu acertada a decisão de não incluir o capítulo inicial da tese, dedicado à análise dos “novíssimos do homem” (a morte, o juízo, o inferno e o paraíso).2 Diminuindo-se o material de apoio, o livro ficou mais leve e mais focado no recorte escolhido.
A autora abre o primeiro capítulo com a discussão acerca do sistema teológico do Purgatório, que remete à grande obra de Jacques Le Goff. Na Idade Média, a constituição de um espaço intermediário ocupado pelos que morriam com pecados veniais, que mantinha simultaneamente união com o mundo dos vivos e dos santos, sublinhava as solidariedades e as trocas espirituais nos três níveis em que se dividia a Igreja de Cristo. Conforme a própria autora assinalou em outro trecho:
O Purgatório tornou-se um tempo e lugar intermediários, constituindo no centro, na esperança, de muitas devoções. Os mortais ocupavam boa parte da sua vida terrena auxiliando as almas a resgatarem os próprios pecados e ascenderem na rota espiritual, rumo à imortalidade (p.68).
O capítulo inicial também apresenta a relação entre o culto às Almas e as descrições do Purgatório contidas na obra que exerceu profunda influência sobre as representações do além na sociedade ocidental: A divina comédia, de Dante Aliguieri. Na obra do poeta italiano, a purificação dos pecados por meio do fogo constituiu uma importante atividade realizada no espaço do Purgatório. Após a purgação obtida nesse espaço intermediário, as almas estavam prontas para receber as glórias do Paraíso. Aos homens que faleciam em pecado mortal, estavam reservadas as penas infinitas do Inferno, sem possibilidade de remissão. A autora assinala a complexidade do papel assumido pelo fogo no Purgatório: “ao mesmo tempo pune, rejuvenesce e imortaliza” (p.47, grifos no original). Ao consultar as imagens contidas nos livros das irmandades de São Miguel e Almas e outros testemunhos iconográficos das Minas, a autora percebe a continuidade, na “longa duração”, do sistema de representações expresso por Dante:
As imagens expressam claramente a leitura do fogo enquanto elemento de purificação e santificação. Não há contorções, feições desfiguradas ou qualquer indício da natureza unívoca do fogo. As [Almas] eleitas atingidas pelo fogo conservam a serenidade, em sinal de meditação sobre o pecado e a esperança em Deus. Podemos ler o Purgatório de Dante, contemplando o acervo artístico proveniente das Minas do Ouro, como se este constituísse as pranchas ilustrativas daquela obra, tal é a afinidade entre as duas produções artísticas (p.47).
O capítulo dois trata da “iconografia e devoção às Almas em Portugal”. Trata-se de um importante material de apoio necessário à discussão dos capítulos centrais do livro. A partir do exame da historiografia portuguesa e da análise de diversas representações iconográficas existentes em diferentes localidades de Portugal, a autora constatou a variedade formal do culto às Almas efetuado no Reino. Chama inicialmente a atenção para as “alminhas”, isto é, pequenos oratórios que se edificavam ao ar livre e que continham painéis alusivos às Almas do Purgatório. Os cruzeiros, cuja localização apresentava muita diversidade, mantinham igualmente uma relação direta com o referido culto. No que tange às confrarias das Almas, é possível verificar a existência de patronos diversificados, como São Francisco, São Gregório, São José etc.
No século XVIII, momento da organização do culto às Almas no território das Minas, observou-se uma redução da variedade constatada no Reino de Portugal: inexistência das “alminhas”, o número de intermediários celestes associados à devoção às Almas ficou praticamente limitado ao Arcanjo São Miguel etc. No capítulo em questão, a autora trata ainda de deslocamentos ocorridos nas representações das Almas em Portugal, entre fins da Idade Média e princípios da Moderna. Enquanto no primeiro período a Virgem figurava em lugar de destaque no papel de intercessora das Almas do Purgatório, após o Concílio de Trento (1545-1563), Maria foi em parte substituída por outros intermediários celestes. Como hipótese para explicar essa mudança, a autora comenta que, para as sensibilidades clericais da modernidade, constituía uma ousadia figurar Nossa Senhora apertando os seios para aliviar com o seu leite a secura das almas padecentes (p.62 e 72).
O capítulo três constitui o eixo do livro e contém talvez as principais contribuições da autora para o estudo da “economia da salvação” subjacente às representações do Purgatório (Araújo, 1997, p.387-436). Seguindo tendências prenunciadas já na Idade Média, após o Concílio de Trento, o sacramento da eucaristia se tornou o principal sufrágio aplicado à salvação das Almas (Le Goff, 1993, p.362). Neste contexto, as autoridades eclesiásticas se preocuparam em garantir a solenidade do uso litúrgico do corpo de Cristo, fiscalizando o estado dos templos e altares e até a aparência dos sacerdotes que celebravam o santo sacrifício, como também combatendo a utilização de hóstias em sortilégios e práticas mágicas.
Nas irmandades de São Miguel, além dos sufrágios constituídos por missas celebrados pelos irmãos falecidos – o que constituía também uma prática realizada por outras irmandades -, havia a instituição de capelanias de missas dedicadas ao conjunto das Almas do Purgatório. Na Irmandade de São Miguel da Matriz do Pilar de Vila Rica, tal capelania foi extinta em 1810, fato que foi destacado pela autora no desenvolvimento de um dos principais argumentos do terceiro capítulo: o declínio do culto às Almas ao longo do século XVIII.
Tal declínio foi impactado pelo agravamento da situação econômica da capitania. Nesse ponto, percebe-se o diálogo implícito com a tese de Laura de Mello e Souza (1990) a respeito da pobreza no território das Minas setecentistas. A opulência de que se revestia o culto às Almas no primeiro quartel do século XVIII, caracterizado pela celebração de ofícios cantados com a participação de numerosos sacerdotes, músicos e decoração dos templos, foi substituída pela celebração silenciosa de missas em sufrágio das Almas. O culto às Almas vai assim perdendo espaço para a preocupação obsessiva com a salvação individual dos membros das irmandades de São Miguel. Para tanto, mesmo com as dificuldades econômicas assinaladas, as referidas irmandades aumentaram ao longo do século XVIII o número de sufrágios constituídos por missas, celebradas após o falecimento dos respectivos membros. Tal escolha revela a força da “contabilização do além” associada ao imaginário do Purgatório (Chiffoleau, 2011, p.127; Le Goff, 1993, p.269-271): o maior número de sufrágios tinha o efeito de apressar a passagem da alma pelo lugar intermediário, conduzindo-a ao Paraíso. Pelo fato de que, com algumas poucas exceções, os sacerdotes podiam apenas celebrar uma missa diariamente, a demanda maciça por sufrágios somente podia ser atendida fazendo-se celebrar as missas fora da capitania, de preferência na cidade do Rio de Janeiro ou no Reino de Portugal. Além dos vínculos afetivos existentes nesses territórios, a esmola para a celebração da missa era mais reduzida nos mesmos, devido à existência de maior número de sacerdotes. Por fim, a autora analisa o importante lugar ocupado nas rendas sacerdotais pelas missas de sufrágio e por outros atos litúrgicos associados ao momento da morte, o que permite compreender melhor a concentração de sacerdotes nas áreas mais urbanizadas da América Portuguesa, já apontada em estudo clássico (Neves, 1997, p.213-218).
O quarto capítulo foi destinado à análise de outros rituais, além da celebração de missas, que tinham relação com o culto às Almas do Purgatório: os ofícios, as procissões e as práticas de sepultamento. No que tange aos ofícios, a autora desenvolve em detalhes a tese do declínio de manifestações mais solenes ligadas ao culto das Almas, em decorrência não somente de dificuldades de ordem material, como também do “processo de aclimatação do universo religioso português” ao território das Minas (p.157). As procissões seguiram, em linhas gerais, o mesmo caminho. O estudo das práticas de sepultamento foi realizado de maneira meticulosa, a partir da base de dados dos livros de óbito da matriz do Pilar de Vila Rica. Na análise dos referidos registros, a autora reconstrói as hierarquias tecidas pelos irmãos de São Miguel e Almas e pelos fiéis em geral por ocasião do sepultamento. Por parte da população livre, havia preferência clara pela inumação no interior do templo, enquanto no adro deste sepultavam-se basicamente os escravos. Mesmo no interior do espaço sagrado da matriz havia diferenças entre o sepultamento na capela-mor, reservada a confrades de diferentes irmandades que tinham exercido cargos de direção em suas respectivas associações, e o sepultamento nas campas localizadas na nave templo paroquial.
No último capítulo, a autora se dedica à análise da iconografia do Arcanjo São Miguel. Apoiando-se em estudos dedicados à análise dos modelos iconográficos e da história da arte (Belting, 2010; Male, 1984, entre outras referências), a autora constata as mudanças das representações de São Miguel e das Almas ocorridas no território das Minas, ante os padrões europeus. A autora faz também um mapeamento de cerca de 60 irmandades e devoções dedicadas à veneração do Arcanjo e das Almas do Purgatório que, em sua quase totalidade, impediam o ingresso de descendentes de africanos em suas fileiras. Talvez constitua uma lacuna da obra a ausência de maiores informações referentes aos irmãos das Almas, o que permitiria reconstituir o perfil prosopográfico dos mesmos. Em que pese isto, a obra de Adalgisa Arantes Campos constitui uma contribuição basilar ao estudo das representações acerca da morte e das práticas mortuárias no período colonial, um campo de estudos em que foi pioneira, ao lado das contribuições de João José Reis (1991) e de Cláudia Rodrigues (2005).
Referências
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1Com relação ao primeiro grupo, ver: Oliveira (2006), Del Negro (1978), Trindade (1951), Lopes (1942), Passos (1940).
2A autora justificou a exclusão devido à publicação prévia do capítulo em Rezende e Villalta (2007).
William de Souza Martins – Professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Rio de Janeiro (RJ) – Brasil. E-mail: wsmartins2@gmail.com.
Paidéi@. Santos, v.7, n.11, 2015.
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- EDUCAÇÃO CONTINUADA PELO MÉTODO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA EM ODONTOLOGIA
- Caroline Pietroski Grando, Blanca Martín Salvago
Relato de Experiência
- FORMAÇÃO DOCENTE PARA O USO DAS TIC NA EDUCAÇÃO
- Lílian Kelly de Almeida Figueiredo, Anderson Cordeiro Sandes, Adonias da Penha Alcântara, Ceciliana Trajano Toledo, Rebeca Virgínia de Carvalho Araújo
Paidéi@. Santos, v.7, n.12, 2015.
Editorial
- EDITORIAL
- Eliana Nardelli de Camargo
Artigos Científicos
- PROFIX 3.0: INSTRUMENTO ON-LINE PARA MEDIR A PROFICIÊNCIA DIGITAL DE ESTUDANTES DE CURSOS EAD
- Euro Marques Júnior, José Dutra Oliveira Neto, Emília Mendonça Rosa Marques
- EXPERIMENTAÇOES DOCENTES NA EAD: LINHAS RIZOMÁTICAS
- José Rogério Vitkowski
- UAB: AVANÇOS E DESAFIOS NA PERCEPÇÃO DE DOCENTES.
- Aline Fornari Dalfovo, Everton Coimbra Araújo, Shiderlene Vieira Almeida, Cesar Alfredo Cardoso
- OS FATORES QUE LEVAM OS PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR A ADOTAR O ENSINO ONLINE
- Domingos Martinho, Idalina Jorge
- EVASÃO EM CURSOS TÉCNICOS OFERTADOS NA MODALIDADE A DISTÂNCIA
- Nadia Prazeres Pinheiro-Carozzo, Mauro Enrique Carozzo-Todaro, Eliza Flora Muniz, Roberta Silva dos Reis, Kátia Almeida Fonseca
- COMPETÊNCIAS GERENCIAIS DO TUTOR NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
- André Tenório, Claudia Kaline Bandeira Bezerra, Thaís Tenório
- REFLEXÕES SOBRE INTERATIVIDADE E FORMAÇÃO DOCENTE NA PEDAGOGIA A DISTÂNCIA JUNTO AOS ESPAÇOSTEMPOS ESCOLARES
- Roberta do Espírito Santo Luzzardi, Álvaro Veiga Junior, Adriana Lessa Cardoso
Paidéi@. Santos, Edição Especial, 2015.
Editorial
- EDITORIAL
- Elisabeth dos Santos Tavares
Monografias
- AGREGAR, APLICAR E MONITORAR PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES
- Barbara dos Santos Souza, Camila Maria da Cunha Dias, Carolina de Macedo Terribas, José Julião Costa, Juliana Orlandini de Souza
- A IMPORTÂNCIA DE UM ATENDIMENTO DE QUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES
- Cristiane Camargo Bubols, Elia Rocha Campos, Teresinha Pereira Bozzi, Valeria Vidal da Silva
- FAMÍLIA A MELHOR COMPANHIA
- Elisandra Lepinsk de Souza Vieira, Maria Cristina de Oliveira
- ESTUDO DOS ÁCIDOS E BASES:AVALIAÇÃO DA PRÁTICA EXPERIMENTAL COMO FERRAMENTA DA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
- Angélica Gasparini Ignácio, Karine Albanás, Mariana de Assis Batista, Monique Mortari, Paulo Roberto Ferreira de Brito
- ÁGUA – O OURO AZUL: Estudo em sala de aula de Geografia pela leitura de filme.
- Adelia de Fatima Constantino Melo, Elaine Cubaquini Mendes dos Santos, Ilda Machado dos Santos, Talita Dognami Correa
- AULAS LÚDICAS: O USO DO TEATRO NA DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA
- Tiago Martins Pereira
- FAMÍLIA MONOPARIENTAL FEMININA – MULHERES COMO CHEFE DE FAMÍLIA
- Debora Chaves Araújo, Letícia Martinho de Ritto
- ARTE CONTEMPORÂNEA: EXPERIMENTOS, INTERAÇÕES E INQUIETAÇÕES
- Alfredo Ferreira Vitor, Andréia Rainha, Claudia Cristina Rodrigues, Maria Aparecida das Dores dos Santos, Sonia Maria Cruz da Silva, Viviane Salino Ramos
- O PAPEL DA ESCOLA E SUA POSSÍVEL INFLUÊNCIA NA DIMINUIÇÃO DO COMPORTAMENTO DE RISCO EM RELAÇÃO À INFECÇÃO DO HIV
- Elaini G. da Costa, Josiane A. M. da Mota, Patrícia Helena O. Campos, Ramon R. Rosa, Vandré O. Miranda
- HORTICULTURA:UMA FERRAMENTA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL
- Felícia Ferraz de Camargo, Lucas Alves do Amaral, Debora Luiz Toma, Marcos V.S. Morais
- AS CONSEQUÊNCIAS DO CAPITALISMO E OS EFEITOS DA GLOBALIZAÇÃO NAS CIDADES.
- Cleldel Luiz Pedro, Dayane Faustino, Douglas Antonio da Silva, Eduardo Emílio Netzel, Fábio César de Souza
- A CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA ASPECTOS DE CIDADANIA: CAROLINA MARIA DE JESUS UMA CIDADÃ NEGRA BRASILEIRA
- Alan Rocha dos Santos, Ana Tatiane Staine Cardoso Gobato, Glaucia Feitoza Frasquetti, Jessica de Souza Tavares Frigini, Marta Maria de Moura
- A SALA DE AULA PRESENCIAL E A SALA DE AULA VIRTUAL NO ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO
- Maurício Menezes, Elaine Campos Guipatto Ronny, Claudio Xavier Silveira, Eduardo Henrique Senhorini Claro, Leonice Martins Ferreira
- PROJETO EDUCAÇÃO NO CAMPO E A CONSTRUÇÃO COLETIVA DO CONHECIMENTO E DA APRENDIZAGEM
- Aline Marangoni Romeros, Elaine Rodrigues Chaves, Elisabete Carbonaro Policarpo, Gisleine Papellás Silva, Joelma Correia da Rocha
- OS GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: uma forma eficaz de ensinar a escrever
- Lúcia Maria Coimbra Pina
- OPERAÇÕES BÁSICAS DA MATEMÁTICA: SUA IMPORTÂNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E SEUS REFLEXOS NOS ENSINOS MÉDIO E SUPERIOR NA CONTEMPORANEIDADE
- Fábio Pires
- FUNDAMENTOS TEÓRICOS, METODOLÓGICOS E INSTITUCIONAIS DO PROGRAMA FILOSÓFICO DE MATTTHEW LIPMAN
- Ana Paula Ribeiro, Antonio José da Silva Filho, Daniela Monteiro Bertie, Silvia Helena Brizzi, Vilma de Freitas Santos
- LISTA DE ORIENTADORES
- Professores e coordenadores que orientaram os trabalhos selecionados para esta edição especial
História da Saúde e das Doenças / Dimensões / 2015
Os artigos que compõem o Dossiê História da Saúde e das Doenças refletem a variedade de temáticas, usos de fontes e possibilidades de diálogo com diferentes metodologias que vem surgindo nos últimos tempos, explorando desde linhas já mais consolidadas, como os estudos sobre as instituições, até perspectivas mais recentes, dentro de discussões como o das histórias conectadas, circulação de saberes, e história global. Dialogando com variados ramos da pesquisa histórica, os autores nos dão mostras a um só tempo da expansão dos estudos sobre história da saúde e das doenças no Brasil e de seus variados matizes, fazendo-nos notar um campo de investigações que, apesar de consolidado, tende a crescer de modo pulsante nos próximos anos.
O número abre com o artigo de André Nogueira, Santo forte! Devoção antoniana e práticas de cura ilegais nas Minas do século XVIII, que faz uma rica análise sobre os calundus e a devoção a Santo Antônio, associando-os à religiosidade afro-católica, especialmente àquela desenvolvida em terras centro-ocidentais africanas, de que seriam portadores alguns dos participantes citados nas documentações. Leia Mais
Didactica Historica | GDH/DGGD | 2015
Didactica Historica. Revue suisse pour l’enseignement de l’histoire (2015-) est une revue accordant une place importante aux pratiques et aux ressources consacrées à l’enseignement de l’histoire. Elle a été créée par le Groupe d’étude de didactique de l’histoire de la Suisse romande et italienne (GDH) et par la Deutschschweizerische Gesellschaft für Geschichtdidaktik (DGGD).
Elle succède au Cartable de Clio, publié depuis 2001. Le changement de nom correspond à un changement de formule : depuis 2015, Didactica Historica se lit dans un grand format illustré et en couleur, avec une édition en ligne prolongeant l’édition papier. La parution est annuelle
Vous trouverez sur le site les contributions de tous les numéros précédents (à l’exception du numéro de l’année en cours) avec les contributions en ligne (suppléments). Le site fournit également des informations sur la manière de soumettre des contributions (feuille de style, délais et processus de publication et de révision) ainsi que sur la politique de commande et de libre accès.
Pour plus d’informations, nous vous renvoyons au site de notre partenaire, la maison d’édition Alphil: www.alphil.ch/
[Periodicidade anual]ISSN : 2297-7465
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Memorias en conflicto: el movimiento de Derechos Humanos y la construcción del Juicio por la Verdad de Mar del Plata | Enrique Andriotti Romanin
Notas
2 Neste sentido, a respeito do Nunca Más argentino temos pesquisas como a de Crenzel (2008); sobre os julgamentos de crimes de Lesa Humanidade no país há a obra coletiva organizada pelo Centro de Estudios Legales y Sociales (2011); sobre Políticas de Memória com premissas dos julgamentos já consolidadas vê-se o livro de Bauer (2014), etc.
3 Professor no Departamento de Sociologia da Universidad Nacional de Mar del Plata (UNMP) e pesquisador assistente do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Tecnicas (CONICET). Leia Mais
Escritos e Imagens do Mundo Luso-Brasileiro (séculos XIII-XVIII) / História (Unesp) / 2015
História (São Paulo), principal periódico editado pelos Programas de Pós-Graduação em História da UNESP de Franca e Assis, apresenta aos seus leitores uma nova edição (volume 34, número 1). Além de uma entrevista gentilmente concedida pela medievalista francesa Adeline Rucquoi, que se destacou como diretora de pesquisa do Centre de Recherches Historiques de L’École des Hautes Études en Sciences Sociales e que apresenta uma reflexão sobre sua trajetória como medievalista e sobre o estado dos estudos em história medieval na França atual, o número traz um instigante conjunto de textos dedicados à árdua tarefa de compreender a edificação, entre os séculos XIII e XVIII, de dois mundos que, ao longo de suas histórias, estiveram em vários aspectos fundidos ou, ao menos, articulados.
Resultado da colaboração de historiadores portugueses e brasileiros, o dossiê Escritos e Imagens do Mundo Luso-Brasileiro (séculos XIII-XVIII) conta com estudos que abordam aspectos políticos, sociais e culturais das sociedades portuguesa e brasileira e contemplam desde instrumentos administrativos até formas de saber partilhados ao longo dos séculos em questão. Da configuração do mundo urbano vista a partir de textos produzidos por órgãos e poderes administrativos portugueses dos séculos XIII ao XV, passando por outras facetas institucionais – como os instrumentos legais de justiça, a corregedoria do reino português, a centralização do poder, as medidas preventivas e as práticas terapêuticas – e pelo universo das crenças religiosas e políticas, o dossiê invade o terreno dos escritos e das imagens e sua força nos diálogos atlânticos.
Na seção de artigos de temática livre, o leitor deparar-se-á com diversos estudos sobre temas políticos e intelectuais. Entre os principais pontos abordados destacam-se: a difusão da propaganda fascista no Estado de São Paulo e suas consequências nas relações diplomáticas entre o governo brasileiro e Mussolini, entre as décadas de 20 e 40 do século XX; a peculiar interpretação do Estado Novo, realizada nos anos 40 pelo ideólogo e editor da revista Cultura Política, Almir de Andrade; e o estudo do Carimbó, “expressão típica da musicalidade cabocla do Pará e da Amazônia”. Ilustram ainda a seção análises sobre: as crenças e temores de homens e mulheres das Minas Gerais do século XVIII, as relações políticas entre o governador paranaense Ney Braga e o presidente João Goulart como pano de fundo do “golpe civil-militar de 1964” no Paraná; a relação entre a apropriação da terra e a criação de porcos na área da chamada Floresta Ombrófila Mista; e, finalmente, sobre a reforma da instrução pública colocada em prática nos anos 20 do século passado. O presente número da História (São Paulo), dando continuidade à sua proposta de difundir não apenas artigos originais, traz ainda sua já tradicional seção de resenhas.
O Conselho Editorial da História (São Paulo) gostaria, por fim, de agradecer ao CNPq e à Pró-Reitoria de Pesquisa da UNESP pelos suportes financeiros concedidos e, em especial, à Professora Livre-Docente Susani Silveira Lemos França, pesquisadora do PPG-História da UNESP de Franca, pelo empenho dedicado à publicação bilíngue do dossiê que nomeia esta edição.
José Carlos Barreiro – UNESP – Campus de Assis
Ricardo Alexandre Ferreira – UNESP – Campus de Franca
BARREIRO, José Carlos; FERREIRA, Ricardo Alexandre. Apresentação. História (São Paulo), Franca, v.34, n.1, 2015. Acessar publicação original [DR]
A escravidão e os novos mundos / História (Unesp) / 2015
É com enorme satisfação que tornamos público o volume 2 de 2015 da Revista História (São Paulo). Nesta edição, na seção de entrevistas e no seu dossiê, o tema escolhido é dos mais polêmicos e intensamente estudados por pesquisadores brasileiros, caribenhos e norte-americanos no último século. De saída, em uma entrevista gentilmente concedida a três pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o premiado historiador norte-americano e um dos pioneiros estudiosos da história social da escravidão no Brasil, Stanley Julian Stein, brinda-nos com episódios marcantes de sua vida, de sua relação com o Brasil e de sua trajetória acadêmica. Na sequência, o dossiê A Escravidão e os Novos Mundos, que conta com ensaios produzidos por jovens e consagrados historiadores do Brasil e dos Estados Unidos, contribui com os debates especializados sobre o cativeiro de africanos e descendentes praticado nas Américas, oferecendo ao leitor um amplo e atual painel demonstrativo da proficuidade do tema e sugestivo para a construção de novas abordagens sobre as condições sociais, econômicas, jurídicas, políticas e culturais que concorreram na atualização e, posteriormente, na desnaturalização de uma instituição milenar.
Como é costume, a seção de temas livres desta edição da História (São Paulo) torna públicos estudos originais que certamente despertarão a curiosidade não apenas dos historiadores, mas dos interessados em geral. Os assuntos tratados vão desde o cotidiano e a administração de monastérios da Gália dos séculos IV e V, passando pelas relações entre política e epistolografia no século XI, até a dimensão pedagógica da literatura de viagens nos séculos XVIII e XIX. Encerram a seção três estudos sobre o Brasil do século XX, que abordam desde questões econômicas até sociais e culturais, tais como: o associativismo de trabalhadores fabris, a história da tradicional estrada de ferro que ligou os estados do Espírito Santo e Minas Gerais e, finalmente, a produção cinematográfica de São Paulo nas décadas de 20, 30 e 40.
O número, finalizado por sua habitual seção de resenhas, traz ainda duas ou três inovações que gostaríamos de divulgar. Após o cumprimento do período originalmente estabelecido de três anos de experiência com a sistemática produção de dossiês bilíngues (português e inglês), o conselho editorial constatou que a tradução para a língua inglesa alcançou resultados aquém dos esperados e que as contribuições de pesquisadores internacionais, acompanhadas da tradução para o português, mostraram-se mais frutíferas para ampliar a projeção e internacionalização do periódico. Acreditamos que tal medida oferecerá ao público leitor a possibilidade de inteirar-se das mais recentes produções internacionais da área e permitirá aprimorar a divulgação de pesquisas produzidas por colegas estrangeiros. A partir do ano de 2016, História (São Paulo) contará, em sua nova página na internet, com um moderno sistema on-line de acompanhamento – por parte dos autores, pareceristas e editores – de todas as fases de avaliação dos textos recebidos para publicação. Também, a partir do próximo ano, as seções de artigos de temática livre e resenhas passarão a ser publicadas em fluxo contínuo, o que possibilitará uma nova e mais eficiente dinâmica de recepção, avaliação e divulgação dos artigos publicados no periódico.
Para encerrar, o Conselho Editorial da História (São Paulo) gostaria de agradecer ao CNPq, à CAPES, à Pró-Reitora de Pesquisa da UNESP e à Direção do Campus de Franca da UNESP por proporcionarem os suportes financeiros indispensáveis à publicação deste número.
José Carlos Barreiro – UNESP – Campus de Assis
Ricardo Alexandre Ferreira – UNESP – Campus de Franca
BARREIRO, José Carlos; FERREIRA, Ricardo Alexandre. Apresentação. História (São Paulo), Franca, v.34, n.2, 2015. Acessar publicação original [DR]
Yo mi hermano | Juan Mihovilovich
En la recurrida y siempre actual Historia de la locura (1964) de Foucault se cuenta cómo aquellos seres considerados orates fueron, en más de una oportunidad, disidentes, presos políticos, personajes que por un enrevesado camino llegaron a fragmentar estructuras de poder. Este −el poder− sería, en consecuencia, la plomada justiciera que decide quién está en lo cierto, quién es funcional a los engranajes de la vida. También se habla allí de la famosa Stultifera Navis donde los dementes eran embarcados para enfrentar sin piloto el destino incierto de las marejadas, un porvenir donde solo el azar podría entregar el veredicto último. Alusión a la obra de Sebastian Brant y por cierto, al célebre cuadro de El Bosco.
Quizás navegar por ese rumbo es el que nos ofrece Juan Mihovilovich en esta nueva entrega titulada Yo mi hermano, editada por LOM. Digo esto, porque sus páginas nos conducen por los laberintos mentales del hermano sumido en el sueño de la locura, que también por ventura, alberga las islas de la lucidez; todo esto en una prosa rayana en el monólogo dramático. De hecho, parece una novela muy adaptable a la estructura teatral, pero que conserva ese ritmo atrapante que ha deambulado por la mente de todos nosotros: el puente −por momentos sólido, a veces inestable o inexistente− que separa lo que somos de quien creemos ser. Leia Mais
Mosaico. Goiânia, v.1, n.1, 2008 / v.8, n.1, 2015.
Mosaico. Goiânia, v.1, n.1, 2008.
- Editorial
- Mosaico: História, Cultura e Poder
- Comissão Editorial
- Artigos de Dossiê / Dossier
- História, Memória e Centralidade Urbana
- Sandra Jatahy Pesavento
- Biografia, Documento e Vida Religiosa em Goiás: uma ‘outra’ história cultural
- Sérgio Ricardo Coutinho
- A Letra e a Linha: a cartografia como fonte histórica
- Eduardo Quadros
- Representaciones del Caribe en La Narrativa Centroamericana contemporánea: entre una perspectiva exterior y una perspectiva interior
- Werner Mackenbach
- A História, a Estrutura e seu Interjogo no Devir Antropológico
- Izabel Missagia de Mattos
- A Ciência da Kultur na Obra de Max Weber
- Rodrigo Tavares Godoi
- Artigos Livres / Articles
- O Sertão Mineiro como Espaço Político (1831-1850)
- Judy Bieber
- México y Brasil: à¿buenos enemigos o amigos mortales?
- María Cristina Rosas
- Resenhas / Reviews
- História e Sensibilidades
- Cléria Botelho da Costa
Mosaico. Goiânia, v.1, n.2, 2008.
- Editorial
- História dos Rios no Brasil
- Gercinair Silvério Gandara, Leandro Mendes Rocha, Laurent Vidal
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Rio Parnaíba… Sua Figuração Humana e Poética
- Gercinair Silvério Gandara
- Aruanã-GO: identidades e fronteiras étnicas no Rio Araguaia
- Leandro Mendes Rocha
- O Rio São Francisco: a base física da unidade nacional do Império
- Vanessa M. Brasil
- O Bairro do Jurunas, à Beira do Rio Guamá
- Carmem Izabel Rodrigues
- Um Rio que Passou: o discurso do atraso em perspectiva
- Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante
- Rio Tocantins: lugar de memórias e identidades
- Maria de Fátima Oliveira
- O Rio Oyapoque: povos indígenas e fronteiras
- Cendrine Paul-Guers
- “O São Francisco Partiu Minha Vida em Duas Partes”: a viagem de Riobaldo alma adentro / sertão afora
- Sebastião Rios, Carolina Santos
- A Vila de Bragança, Rios e Caminhos: 1750-1753
- Luciana de Fátima Oliveira
- O Rastro da Carnaúba no Piauí
- José Luis Lopes Araújo
- Rio Meia Ponte e Córregos que Serpenteiam a Cidade de Goiânia
- Miraci Kuramoto Nucada, Celene Cunha M.A. Barreira
- Artigos Livres / Articles
- O Espetáculo Teatral e seu Esconde-Esconde
- Maria Luiza Martini
- Norms and Values of the Brazilian Interior: a study of eighteenth-century testaments from Serro do Frio, Minas Gerais
- Ernst Pijning
- Trinidad século XIX: estratégias culturais entre indianos e afro-descendentes na festa muçulmana do Hosay
- Alexandre Martins de Araújo
- Integração Latinoamericana e sua Inserção no Mundo Globalizado
- Teresinha Aparecida Mendes Marra
- Diálogo dos Mortos sobre os Vivos: uma crítica luciânica à cerimônia de apoteose do imperador romano
- Edson Arantes Junior
- Resenhas / Reviews
- Entre Sinais Sensíveis do Passado: a escrita da história, memórias e fragmentos
- Marina Ertzogue
- Resumos / Abstracts
- Dissertações defendidas em 2008/2
- Universidade Católica de Goiás
Mosaico. Goiânia, v.2, n.1, 2009.
- Editorial
- História e Espaço
- Márcia Metran de Mello
- Artigos de Dossiê / Dossier
- El Espacio Moderno: arte, arquitectura y sociedad
- Isadora Espinosa Risolo
- As Minas e o Templo: o caso de muitos casos
- Claudia Mudado Teixeira
- Introduzindo Sustentabilidade na Cadeia Produtiva da Indústria da Construção
- Raquel Naves Blumenschein
- Velázquez e Veyne, e as articulações entre a pintura e a história: os processos relacionais na constituição da origem dos eventos históricos
- Rodrigo Santos de Faria
- Cartões Postais de Cidades que Habitam Filmes de Ficção Científica
- Alice Fátima Martins
- Ad Insulam Brasilis: imaginário e construção do território goiano
- Deusa Maria R. Boaventura
- Estudos de Bairros: entre a Arquitetura e a História
- Adriana Mara Vaz de Oliveira, Elane Ribeiro Peixoto
- Artigos Livres / Articles
- Les Relations Franco-Portugaises de 1916 à 1918
- Marie-Claude Muà±oz
- A revolução no vestuário: publicidade de moda, nacionalismo e crescimento industrial no Brasil dos anos 1960
- Maria Claudia Bonadio
- Resumos / Abstracts
- Dissertações defendidas em 2009/1
- Universidade Católica de Goiás
Mosaico. Goiânia, v.2, n.2, 2009.
- Editorial
- História e Religião
- Eduardo Quadros, Haroldo Reimer
- Artigos de Dossiê / Dossier
- CONSIDERA?â?¢ES SOBRE A TRAJET?â??RIA INICIAL DA ARQUEOLOGIA BàBLICA
- Gabriella Barbosa Rodrigues, Pedro Paulo A. Funari
- NAS CATACUMBAS DE ROMA: uma história da morte para reconstruir vidas
- Ivoni Richter Reimer
- IDENTIDADES FORJADAS NA INTERDEPENDNCIA: o caso católico e protestante no Brasil do século XIX
- Wilhelm Wachholz
- CINCIA E RELIGIO: a relação entre médicos e religiosos no Instituto de Psiquiatria do HCUSP
- Luiza Maria de Assunção
- SACERDOTISAS DO SERTO: histórias religiosas
- Jocyléia Santana dos Santos
- ACENDAM SEUS CIGARROS: cigana Sebinca Christo e a religiosidade não oficial
- Lourival Andrade Júnior
- A ORIENTALIZAO DO OCIDENTE: elementos reflexivos para a compreensão da interação e integração
- André Luiz Caes
- Artigos Livres / Articles
- EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO: contribuição ao estudo da cidade contemporânea
- Eda Góes
- A QUEDA DE BONFIM E A ESCOLHA PRVIA DE CAMPINAS
- Jales Guedes Coelho Mendonça
- Resenhas / Reviews
- OLHARES INQUIETOS PARA A RELIGIOSIDADE
- Raquel Miranda Barbosa Bueno
- Resumos / Abstracts
- Dissertações defendidas em 2009/2
- Universidade Católica de Goiás
Mosaico. Goiânia, v.3, n.1, 2010.
- Editorial
- Editorial
- Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, Maria Zeneide Carneiro Magalhães de Almeida, Cléria Botelho Costa
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Sensibilidades e Performances Femininas nas Folias de Reis de João Pinheiro (MG)
- Maria Célia da Silva Gonçalves
- Festa de São João: o papel da mulher na festa de caretagem e a culinária
- Vandeir José da Silva
- Bezendores e Raizeiros:saberes partilhados na comunidade remanescente de Quilombo de Santana da Caatinga – 1940-2011
- Giselda Shyrley da Silva
- Memórias e Narrativas de Antigos Sertanejos: nas trilhas de Guimarães Rosa
- Maria Zeneide Carneiro M. de Almeida
- Entre Anjos e Demônios Surgem as Mulheres de Alencar
- Ana Carolina Eiras Coelho Soares
- Cora Coralina: a voz que se pode ouvir
- Eli Braz da Silva Junior, Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante
- Jorge, Iaiá e Machado de Assis na Guerra do Paraguai
- Tiago Gomes de Araújo
- Reconfiguração da Moçambicanidade nos Romances de Mia Couto e Paulina Chiziane
- Maria do Carmo Ferraz Tedesco
- A Sedução das Ruas
- Cléria Botelho da Costa, Maria Helenice Barroso
- Artigos Livres / Articles
- Memórias de um “Tempo Brabo”: o cangaço na literatura de Francisco J. C. Dantas
- Antônio Fernando de Araújo Sá
- Desconstruindo a História: Hayden White e a escrita da narrativa
- Gabriella Lima de Assis, Marcus Silva da Cruz
- Resumos / Abstracts
- Resumo das Dissertações
- Eber Dornelas da Costa, Fernando Carvalho de Assis, Frederico de O. Rosenthal, Iracy Barbosa Pires, Izabel Cristina Alves Signoreli, Jacqueline Siqueira Vigario, Liliane de Castro, Marcos Costa de Freitas, Nelson de Azevedo Paes Barreto, Renatta Christina de Oliveira Elias
Mosaico. Goiânia, v.3, n.2, 2010.
- Editorial
- Editorial
- Albertina Vicentini, Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Romance Histórico, Realismo e Lisibilidade N’O Tronco, de Bernardo lis
- Albertina Vicentini
- A Partilha do Sensível: um diálogo entre história e literatura
- Cléria Botelho da Costa
- El Estado-Nación y Las Literaturas Nacionales: sus pronters y límites
- Horst Nitschack
- Fronteiras e Cidades-Fronteiras numa Perspectiva Nacional
- Gercinair Silvério Gandara
- História, Cidades e Fronteiras: o Império Romano e as invasões
- Cláudio Umpierre Carlan
- Desvendando o Morar: memória e literatura
- Adriana Mara Vaz de Oliveira
- Territórios da Solidão: o homem finissecular na escrita de Alcindo Guanabara
- Marina Haizenreder Ertzogue
- A Campanha Gaúcha na Obra de Cyro Martins
- Carlos Roberto da Rosa Rangel, Simone Becker Ferreira, Fabíula dos Santos Martens
- L’Image comme Pouvoir: une Etude sur L’Iconographie de L’Infant Ferdinand de Portugal
- Clinio de Oliveira Amaral
- Artigos Livres / Articles
- Pensar El Bicentenario Argentino desde y con los Pueblos Indigenas: descolonizando memorias, identidades y narrativas
- Horacio Miguel Hernán Zapata
- Resenhas / Reviews
- Acordes Histográficos: por uma nova teoria da história
- Raimundo Agnelo Soares
- Resumos / Abstracts
- Resumos das Dissertações
- Alessandro Matos do Nascimento, André Luiz R. Justino, Flávia Rosa de Moraes Silva, Rubia Carla Martins Rodrigues
Mosaico. Goiânia, v.4, n.1, 2011.
- Editorial
- Editorial
- Renata Cristina de Sousa Nascimento, Dirceu Marchini Neto
- Artigos de Dossiê / Dossier
- A “Fada Medieval” e o Destino
- Aline Dias da Silveira
- A História é Uma Arte com Georges Duby
- Ana Paula Peters, Andrea Dal Pra de Deus, Elaine Cristina Senko, Janira Feliciano Pohlmann, Otávio Luiz Vieira Pinto
- Bibliografia de História Monástica Medieval Portuguesa: guia temático
- Saul António Gomes
- L’Image comme Pouvoir: une Etude sur L’Iconographie de L’Infant Ferdinand de Portugal
- Clinio de Oliveira Amaral
- O Contexto Europeu e sua Influência sobre Portugal (1367-1383)
- Renata Cristina de Sousa Nascimento
- O Poder do Relato na Idade Média Portuguesa: a Batalha do Salado de 1340
- Fátima Regina Fernandes
- Tomar dos Templários: a sede portuguesa da ordem dos Templários
- Ademir Luiz da Silva
- Um Príncipe Medieval em Dores do Parto (1045-1085)
- Leandro Duarte Rust
- Artigos Livres / Articles
- História e Tutela Jurídica do Meio Ambiente no Brasil: limites e efetivação
- Jean-Marie Lambert, Roberta Elaine dos S. N. Barros, Thiago Martins Barros
- Os ltimos Anos da Escravidão e a Tensão Social em Processos Crime: ações de escravos e senhores
- Murilo Borges Silva
- Percorrendo os Caminhos do Direito Civil Brasileiro
- Rita de Cássia de Oliveira
- Resenhas / Reviews
- Acordes Histográficos: por uma nova teoria da história
- Raimundo Agnelo Soares Pessoa
Mosaico. Goiânia, v.4, n.2, 2011.
- Editorial
- História Indígena no Brasil: diálogos interdisciplinares
- Juciene Ricarte Apolinário
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Transgressão e Negação da Conversão dos Tarairiú no Aldeamento de Boa Vista ? Capitania Real da Paraíba
- Gláucia de Souza Freire, Juciene Ricarte Apolinário
- Memória dos Ossos: empréstimos simbólicos entre xamãs e jesuítas na América Meridional (séculos XVI e XVII)
- Glória Kok
- Concessão de títulos nobiliárquicos a lideranças indígenas na América Portuguesa
- Ricardo Pinto de Medeiros
- Miscigenação nas Vilas Indígenas do Rio Grande do Norte
- Fátima Martins Lopes
- Quem Eram os Índios Puri-Coroado da Mata Central de Minas Gerais no Início dos Oitocentos? Contribuições dos Relatos de Eschwege e Freyreiss para uma Polêmica (1813-1836)
- José Otávio Aguiar
- Desafios para Compor a História da Escola na Comunidade Guarani
- Helena Alpini Rosa, Ana Lúcia Vulfe Nötzold
- Nomes, Tradição Oral e Identidade: os nomes pessoais entre os Apinajé
- Odair Giraldin
- Indígena no Brasil e Instrumentos de Pesquisa: esforços conjuntos e interdisciplinares
- Juciene Ricarte Apolinário
- Resenhas / Reviews
- Quando a História e Antropologia se unem para Contar uma ?Nova História? dos Índios no Brasil
- Sandor Fernando Bringmann
- Resumos / Abstracts
- Resumos das Dissertações Defendidas 2011/2
- Marcia Aparecida V. Andrade, Roosemberg Rodrigues Alves
Mosaico. Goiânia, v.5, n.1, 2012.
- Editorial
- Editorial
- Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, Maria Zeneide Magalhães Carneiro de Almeida, Diva do Couto Gontijo Muniz
- Editorial
- Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, Maria Zeneide Magalhães Carneiro de Almeida, Diva do Couto Gontijo Muniz
- Artigos de Dossiê / Dossier
- O GOVERNO DE ROSAS EM CAMILA (1984) – FILME DE BEMBERG
- Alcilene Cavalcante
- PERFIS FEMININOS NA LITERATURA INFANTIL: UMA ABORDAGEM HISTRICA
- Ana Carolina Siqueira Veloso, Márcia Cabral da Silva
- A REVISTA FEMININA E SUAS IMAGENS: NARRATIVAS VISUAIS E DISCURSOS
- Ana Carolina Eiras Coelho Soares
- GNERO, SEXUALIDADE E SEDUO NO DISCURSO JURÍDICO
- Cláudia J. Maia, Renata Santos Maia
- MULHERES E POLÍTICA: A PARTICIPAO NOS MOVIMENTOS…
- Fabiana Francisca Macena
- SANTA CASA DA MISERICRDIA NA CAPITAL DA CORTE IMPERIAL:
- Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro
- CARREGADEIRAS D?ÁGUA: UM OFÍCIO SILENCIADO PELA MODERNIZAO
- Lúcia Ramos de Souza
- UMA EXPERINCIA DE HISTRIA E CLARICE LISPECTOR*
- Albertina Vicentini
- O GOVERNO DE ROSAS EM CAMILA (1984) – FILME DE BEMBERG
- Alcilene Cavalcante
- Artigos Livres / Articles
- REPRESENTAES LITERÁRIAS DO SERTANEJO EM ?O TRONCO,
- Daiany Ribeiro Teixeira, Marina Haizenreder Ertzogue
- A IMPRENSA E OS USOS DO PASSADO. O PROJETO DE ARMANDO
- Carolina Soares Sousa
- Resumos / Abstracts
- RESUMOS DAS DISSERTAES DEFENDIDAS 2012-1
- Ireni Soares da Mota, Paracy Correa Neves, Estael de Lima Gonçalves, Tiago Rege de Oliveira, Darlene Limongi Borges, Luiz Davi Vieira Gonçalves, José Carlos Henrique, Lúcia Ramos de Souza, Sandra Aparecida Faria, Carla Adriane Limongi Oliveira, Núbia Oliveira Santos
- PERFIS FEMININOS NA LITERATURA INFANTIL: UMA ABORDAGEM HISTRICA
- Ana Carolina Siqueira Veloso, Márcia Cabral da Silva, Márcia Cabral da Silva
Mosaico. Goiânia, v.5, n.2, 2012.
- Editorial
- Modernização e Religiosidade
- A Comissão Editorial
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Religião, Memória e Historiografia
- João Miguel Teixeira de Godoy
- Religião e Acomodação tnica na França e na Grã-Bretanha: a laicidade republicana contra o confessionalismo multicultural
- Tarciso Amorim Carvalho
- O Cotidiano e a Prática Arqueológica do Pe. João Alfredo Rohr em um Conjunto de Cartas com o Antropólogo Luiz de Castro Faria
- Alfredo Bronzato da Costa Cruz
- A Igreja Adventista do Sétimo Dia entre a Modernidade e a Pós-Modernidade
- Ismael Fuckner
- Historiografia do Protestantismo no Brasil: percursos e perspectivas
- Bertone de Oliveira Sousa
- O Tempo Messiânico e Tempo Histórico: uma crítica da Neuezeit
- Eduardo Gusmão de Quadros
- Entre Africanidades y Africanismos: fiestas públicas en Cartagena D Indias, Colombia
- Laura De la Rosa Solano
- Artigos Livres / Articles
- A Formação do Território Goiano e a Política Indigenista do Século XVIII
- Deusa Maria Rodrigues Boaventura
- Linguagem e Sentido: a imagem mediadora como delimitação ou o princípio hermenêutico como crítica a ciência
- Rodrigo Tavares Godoi
- Resenhas / Reviews
- A História de uma Doença Tropical
- Jean-Claude Dupont
- Resumos / Abstracts
- Resumos das Dissertações Defendidas em 2012.2
- Rafaelle Setubal Gomes de Abreu, Cristhianne Lopes do Nascimento, Paulo Henrique Costa Mattos, Washington Maciel da Silva, Dymilla Francyella F. Menezes, Phabio Rocha da Silva, Antônio Carlos de Oliveira, Mozart Martins de Araujo Junior, Fernando Silva
Mosaico. Goiânia, v.6, n.1, 2013.
- Editorial
- Cultura(s) e as Diásporas Africanas nas Américas
- Dernival Venâncio Ramos, Marina Haizenreder Ertzogue
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Entre Africanidades y Africanismos: fiestas públicas en Cartagena D Indias, Colombia
- Laura De la Rosa Solano
- Edouard Glissant e a Narrativa da Descolonização
- Dernival Venâncio Ramos, Márcio Araújo de Melo
- Castro Soromenho e seus Contos na Lunda do Final da Década de 1920
- Cássio Santos Melo
- Notas sobre a História da Escravidão em Goiás
- Allysson Fernandes Garcia
- Breve Balanço da Questão Fundiária das Comunidades Negras Brasileiras
- Adelmir Fiabani
- Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra, Ararias (TO) e seu Patrimonio Imaterial
- Wolfgang Teske
- “Os Antigos que Trabalhavam Perfeitamente Morreram”: a memória da umbanda em Araguaína(TO)
- Sariza Oliveira Caetano Venâncio, Mundicarmo Ferretti
- Sensibilidades e Performances Femininas nas Folias de Reis de João Pinheiro (MG)
- Maria Célia da Silva Gonçalves, Pedro Paulo A. Funari
- O Poder do Relato na Idade Média Portuguesa: a Batalha do Salado de 1340
- Fátima Regina Fernandes
- A Contribuição de Hostiensis para o Direito Canônico Medieval
- Carolina Gual da Silva
- Artigos Livres / Articles
- Compadre, Sábado Nós Vamos Lá no Rio: espaço e natureza através de memórias dos ribeirinhos do Araguaia
- Monise Busquets, Marina Hainzenreder Ertzogue
- O Sertão de Goiás na Literatura de Viagem
- Daiany Ribeiro Teixeira
- Festas do Divino Espírito Santo em Portugal e Além-Mar
- Poliana Macedo de Sousa
- O Sujeito Virtual nas Mídias Sociais: contribuições da análise do discurso para compreensão dos Fakes
- Plábio Marcos Martins Desidério
- Resenhas / Reviews
- Manhã, Meio-Dia e Noite: o (des) emaranhar de um triângulo amoroso tecido por fios Iorubás
- Gihane Scaravonatti
Mosaico. Goiânia, v.6, n.2, 2013.
- Editorial
- Editorial
- Renata Cristina de Sousa Nascimento, Ivoni Richter Reimer
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Martírio e Heroísmo: uma análise do livro Das Coroas de Prudêncio
- Ana Teresa Marques Gonçalves
- Retórica e Poder na Construção da Imagem de Clóvis na História Francorum de Gregório de Tours
- Marcus Cruz
- A Contribuição de Hostiensis para o Direito Canônico Medieval
- Carolina Gual da Silva
- Os Caminhos da Consolidação Senhorial-Episcopal compostelana no Século XII
- Bruno Gonçalves Alvaro
- Ser o Senhor dos Moinhos de Auriol: o cartulário templário de vaour como fonte para os equilíbrios de poder (1150-1185)
- Bruno Tadeu Salles
- Rainha Santa Isabel: a (re)construção de uma hagiografia
- José Carlos Gimenez
- O Uso da História e a Análise de Florença em de Casibus Virorum Illustrium
- Ana Carolina Lima Almeida
- Artigos Livres / Articles
- A Távola Redonda e a Nova Cavalaria de Raimundo Lúlio
- Ademir Luiz da Silva
- Ordenações e a Prática da Usura: tentativas de ruptura com o costume
- Flávio Ferreira Paes Filho
- Resenhas / Reviews
- Identidades e Fronteiras na Idade Média Ibérica
- Carlos Eduardo Zlatic, Eliane Veríssimo de Santana
- Um Novo Universo: a necessidade do conhecimento do outro em representações sobre a América e o Islã
- Renata Cristina de Sousa Nascimento
Mosaico. Goiânia, v.7, n.1, 2014.
- Editorial
- Editorial
- Artigos de Dossiê / Dossier
- O Império em Antônio Vieira: entre o glorioso e o prosaico, o pragmático
- Milton Moura
- A Literatura Apócrifa do Cristianismo: um estudo de campo sobre o imaginário em Morrinhos (GO)
- André Luiz Caes, Wesley Ribeiro Alves
- Discursos Religiosos, Recriação Histórica e “Cultura do Caminho” nos Caminhos de Santiago
- Raquel Bello
- Atitudes e Valores da Morte em Goiás no Século XIX
- Deuzair José da Silva
- O Pecado da Preguiça se Elevou à Virtude: o frustrante mercado
- Albert Drummond
- O Problema de Deus em Tillich e a Pós-Modernidade: Deus está mesmo morto?
- Otávio Barduzzi Rodrigues da Costa
- Artigos Livres / Articles
- Semiótica e História: um exercício metodológico para a análise de fotografias
- Eduardo Gusmão de Quadros, Alessandro Pinto Aguiar
- Sobre os Modos de Produzir as Mães: notas sobre a normatização da maternidade
- Georgiane Garabely Heil Vazquez
- Oferta e Procura de Emprego para os Jovens da Região Metropolitana de Goiânia (2010-2013)
- Heliane Prudente Nunes
- SOBRE OS MODOS DE PODUZIR AS MES: NOTAS SOBRE A NORMATIZAO DA MATERNIDADE
- Georgiane Garabely Heil Vázquez
Mosaico. Goiânia, v.7, n.2, 2014.
- Editorial
- Editorial
- Fernando Lobo Lemes, Christiane Figueiredo Pagano de Mello
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Um Lugar Fora do Mapa: a colônia do sacramento
- Paulo César Passamai
- Culto Mariano no Noroeste de Minas: uma herança do Império Português
- Maria Célia da Silva Gonçalves, Margareth Vetis Zaganelli
- Diserções e Privilégios: a guerra do Sul da América
- Christiane Figueiredo Pagano de Mello
- Jogo dos Reis: Política internacional do reino do Congo no Atlântico entre os Séculos XVI e XVII
- Frederico Antonio Ferreira
- Bandeiras, Mitos e História nos Sertões da América Portuguesa
- José Roberto Bonome, Fernando Lobo Lemes
- Trânsitos Mercantis de uma Cidade Capital (Salvador, Séc. XVIII)
- Avanete Pereira Sousa
- A Vida da Madre Jacinta de São José: uma reflexão em torno dos modelos hagiográficos
- William de Souza Martins
- Artigos Livres / Articles
- Quilombos Brasileiros: alguns aspectos da trajetória do negro no Brasil
- Giselda Shirley da Silva, Vandeir José da Silva
- Estruturação da Memória Coletiva e Responsabilização por Crimes da ditadura Militar
- Lila Maria Spadoni Lemes, Ludimila Machado Jorge
- Uma Abordagem Teórica sobre a Globalização e o Estado Nação
- Cláudia Glênia de Freitas
Mosaico. Goiânia, v.8, n.1, 2015.
- Artigos de Dossiê / Dossier
- Editorial
- Eduardo Gusmão de Quadros, Fernando Lobo Lemes
- PADRES NO SERTO: AMBIO, PODER E DEVOO NA CAPITANIA DE GOIÁS
- Eliézer Cardoso de Oliveira, Eduardo Gusmão de Quadros
- A PERSPECTIVA HISTORIOGRÁFICA SOBRE OS QUILOMBOLAS DE GOIÁS (SCULOS XVIII AO XXI)
- Fernando Bueno Oliveira, Maria Idelma Vieira D’Abadia
- ENTRE A LEI E A REALIDADE: A ADMINISTRAO DE LUIS DA CUNHA MENESES DA CAPITANIA DE GOIÁS (1778-1782)
- Alan Ricardo Duarte Pereira
- MODERNIDADE E RESGATE DOS SUBALTERNIZADOS: SABERES POPULARES E PRÁTICAS DE CURA NO NORTE GOIANO
- Léo Carrer Nogueira
- Artigos Livres / Articles
- A CONSTRUO DO ETHOS FEMININO EM SO BERNARDO
- Vânia Borges Arantes
- O BRASIL COLONIAL: POSSIBILIDADES INTERPRETATIVAS
- Caio Cobianchi da Silva, Karla Maria Silva
- CINCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E POLÍTICA NO FILME MESTRE DOS MARES: O LADO MAIS DISTANTE DO MUNDO (EUA, 2003)
- Mário Roberto Ferraro
- TERRORISMO E VIOLNCIA FACE HERMENUTICA FUNDAMENTALISTA DA RELIGIO
- José Roberto Bonome, Fernando Lobo Lemes